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A Musicalização nas Escolas

Para alcançar-se o interesse na aprendizagem da Música, os meios são idênticos aos de todas as demais áreas de cultura.

Naturalmente, não se trata, aqui, de cultura especializada dos profissionais da Música, mas daquelas noções primárias que permitem a qualquer pessoa que lê ou escreve, poder também ler e escrever suas músicas ou as dos outros. As atividades musicais melhor indicadas, quaisquer que sejam a motivação ou o incentivo usados, são: o canto, a percussão rítmica, o julgamento e a apreciação ou audição comentada (matéria esta que pode ser ministrada em currículos regulares, em horário estipulado, ou completada por atividades extra-classe em forma de clubes, associações, grêmios e concursos públicos), além da criação ou composição musical e a prática, ou aprendizado instrumental.  

Observa-se, em muitos países da América que a Educação musical toma geralmente dois caminhos:
1º – o daqueles que julgam indispensável desenvolver um programa teórico exagerado, sem propriamente conter objetivos de musicalização.

2º – o dos que se preocupam em educar, através da prática de conjuntos vocais e instrumentais.   Há cerca de 30 anos, a Educação Musical vem, principalmente no Brasil (Rio, São Paulo, Bahia, Rio Grande do Sul, Paraná etc), apresentando um caminho definido: o de educar pela Música, com o objetivo de contribuir na formação e desenvolvimento da personalidade dos alunos pela ampliação da cultura, enriquecimento da inteligência e a vibração da sensibilidade musical. Mais ainda, educar musicalmente, formando um público esclarecido e sensível capaz de ouvir e apreciar obras de arte sonora de todas as épocas e origens, favorecendo a eclosão de revelações e aptidões musicais.

Embora pareça contradição, não é nas Escolas de Música, Institutos e Conservatórios, que se encontra a Educação Musical, como a entendemos, isto é, a musicalização.  Certamente há uma “instrução” musical básica, ministrada sob os nomes gerais de Solfejo ou Teoria Musical (Ritmo, Som etc) e de maneira quase inteiramente cerebral, onde se aprendem os fundamentos teóricos da ciência musical (valores, notas, escalas, acordes, modos etc). Nestas Escolas, os que têm vocação musical se “adestram”  na prática instrumental. Por vezes o aluno aprende a tocar sem estar aprendendo Música por lhe faltar o desenvolvimento prévio do instinto rítmico e do ouvido musical, isto é, sem estar devidamente musicalizado. Alguns se formam sem ter atingido a verdadeira Educação Musical, cujas bases sensoriais, físicas e afetivas constituem a Arte Musical.

A Escola devendo dar oportunidade a todos de se manifestarem sob as mais variadas formas de expressão humana, oferece, com a prática da Música, um meio de expressão, tão necessário como o falar, escrever ou desenhar. Até mesmo aqueles professores que não dominam por completo o problema, não poderão contestar o valor da Música, como o mais eficaz dos meios para conseguir as finalidades educacionais na Escola. Por isso o ensino da Música está incorporado ao ensino primário e secundário (fundamental e médio), como qualquer outra matéria do currículo, contribuindo na sua formação.  

Para alcançar-se o interesse na aprendizagem da Música, os meios são idênticos aos de todas as demais áreas de cultura. Naturalmente, não se trata, aqui, de cultura especializada dos profissionais da Música, mas daquelas noções primárias que permitem a qualquer pessoa que lê ou escreve, poder também ler e escrever suas músicas ou as dos outros.

As atividades musicais melhor indicadas, quaisquer que sejam a motivação ou o incentivo usados, são: o canto, a percussão rítmica, o julgamento e a apreciação ou audição comentada (matéria esta que pode ser ministrada em currículos regulares, em horário estipulado, ou completada por atividades extra-classe em forma de clubes, associações, grêmios e concursos públicos), além da criação ou composição musical e a prática, ou aprendizado instrumental. (Fonte: ?)

Para atuarmos junto aos alunos, precisamos, em primeiro lugar, conhecê-los. Saber quais são as características que apresentam, para utilizarmos a Música, de maneira a favorecer-lhes o crescimento e maturidade.

Todos se unem pela Música e são dominados pelo seu poder mágico e continuarão a estimá-la, se o desenvolvimento for feito atendendo às suas atividade normais, ou seja, a vivência através da execução e a participação criadora. Pelo aproveitamento desse prazer é que se consegue interessá-los não só na atividade musical, como maneira de expressão, na aprendizagem musical e adquirindo conhecimentos básicos. Efetua-se, dessa maneira, a musicalização através da atividade musical intuitiva, normal, que cria um estado mental intelectual favorável a aquisição de conhecimentos musicais. A musicalização do indivíduo nos grupos sociais, mesmo os mais primitivos, se processa desde o momento em que nasce. Assim, também a linguagem falada, vai-se integrando no comportamento do indivíduo, como se fosse uma atitude ou expressão inata.  Então musicalizar, consiste em transformar as pessoas (no caso as crianças e os jovens) em indivíduos que: usam os sons musicais, “consomem” música, apreciam música, fazem e criam música, sentem música e, finalmente, se expandem por meio da música.

O grande valor da Música na Escola está no fato de ser uma solicitação natural das próprias crianças. Nossos jovens, crianças e adolescentes, gostam de Música: gostam de cantar, tocar, marcar ritmos com os dedos, com lápis, régua ou com os pés. É, aliás, um imperativo da fase que atravessam essa movimentação agitada, cuja canalização ordenada é melhor feita pela Música.

Outro aspecto é o de “reajustar” ou “re equilibrar” a harmonia comprometida do indivíduo. A higiene mental pela Música, e mesmo a musicoterapia, é hoje sobejamente conhecida. Os organismos jovens trazem, em si, energias em demasia. Essa exuberância, quando retida ou reprimida, explode e transborda desordenadamente. A Música (como a Ginástica e a Dança), por meio de uma de suas partes constituintes, o Ritmo, ordena e disciplina a motricidade superabundante. Cantando, tocando, ritmando, as descargas, tanto físicas quanto emotivas, são canalizadas e se acalma a exacerbação, geralmente agressiva, existente, principalmente nos adolescentes. Por outro lado, também pode acontecer o contrário, a Música estimula, principalmente pelo ritmo, a aparente falta de vitalidade.

Se considerarmos a Música como uma maneira de linguagem, estaremos oferecendo, com seu cultivo, um meio de expressão de idéias ou sentimentos. Como linguagem ou maneira de expressão, como veículo de comunicação, precisa ter formulas comuns ao grupo de indivíduos, sem as quais não seria linguagem, e sim, unicamente, válvulas de escape de seus problemas. Mesmo assim, formal ou informalmente estudadas, é forma de expressão.

As criações musicais, livres ou seguindo normas consagradas pela cultura, são realizadas, não só compondo, no plano abstrato da escrita musical, como também no plano objetivo, “fazendo” música, isto é, emitindo sons musicais. A infância e a juventude se caracterizam pela ação. Suas composições, antes de tudo, se traduzem em movimentos e entoação, cantando, tocando, ritmando.  Para atuarmos junto aos alunos, precisamos, em primeiro lugar, conhecê-los. Saber quais são as características que apresentam, para utilizarmos a Música, de maneira a favorecer-lhes o crescimento e maturidade. Em síntese, diremos que as crianças mais jovens, desde o pré-escolar, têm no jogo sua forma predileta de atividade. Quanto aos jovens, sejam os adolescentes ou pré-adolescentes a preferência é pela ação mental e física, esta mais que aquela. Naturalmente, muitas outras características entram na especulação deste tema, mas fiquemos nestas duas.  

 

A Música e a Motivação


Um outro aspecto do papel da Música na Escola é o da Motivação. Envolvendo, em seus múltiplos aspectos, o ritmo, o som, a audição, a voz, a execução instrumental, a recreação, as danças, a Música servirá de motivação agradável para diversas atividades do currículo escolar, atingindo objetivos educacionais que, por outros processos, seriam dificilmente alcançados.

A Música é constituída de elementos estruturados de maneira toda peculiar: o som, o ritmo, o tempo, o timbre, a melodia e harmonia. Os instrumentos que produzem som sejam fabricados, ou os órgãos vocais humano, são acionados, levando em conta esta estruturação. Porem, como Arte, existe o que chamaríamos de Interpretação ou o toque artístico. Ora, os indivíduos só atingem esse estágio pela prática, agindo, fazendo música como Arte. De início, o fato é simples jogo de sons e de movimentos rítmicos, como é o caso dos Jardins de Infância. Gradativamente, o exemplo, a insinuação, a “cultura” vão penetrando na ação e o sentimento de arte, intuitivamente, vai ganhando terreno. Em poucas palavras, o meio de interessar os alunos em Música e no seu aprendizado, para as crianças, é o jogo e, para os jovens, é a ação (jogo ou lazer). Em ambos os casos a base está na atividade rítmica. Por esta razão, nem sempre a apreciação pura e simples, de maneira passiva, será o melhor meio de aproximá-los da Música. Assim sendo, é necessário descer-se às raízes dos interesses dos alunos e, partindo daí e gradativamente, deixá-los evoluir pelo exemplo, pela demonstração e, principalmente, pela ação, até atingir o gosto e o prazer dessa ação.  

 

O Jovem e a Música

Observando e pesquisando a 2ª fase do crescimento, Gessel assinala, em “O Adolescente dos 10 anos aos 16 anos”, certa semelhança com a 1ª fase, dos 5 aos 10 anos, quanto à sucessão dos seus rasgos característicos. Assim, declara ele: “Onze, tal como 5 e meio ou 6, tende a “soltar-se” e “desatar-se”; Doze tem um caráter mais positivo e se mostra mais suave em suas relações; Treze tende a interiorizar-se; Quatorze a expandir-se; Quinze particulariza e organiza: Dezesseis alcança novamente um termo médio mais agradável”. Mas o problema do crescimento do homem é complexo. Sua constituição orgânica, como por exemplo: seus órgãos, são bilaterais (2 mãos, 2 olhos, 2 hemisférios cerebrais, 2 lados do coração), seus movimentos são de dupla ação: flexão e extensão. Da mesma forma, são suas emoções e outros comportamentos que apresentam tendências contraditórias.

Crescer consiste em manter as oposições sob controle efetivo e seguro, não passivo, mas dinâmico, canalizando as tensões e os conflitos duplos, de maneira a que o indivíduo consiga: integração, seleção e direção. Por isso, o indivíduo que está crescendo se apresenta, num período, introvertido, no outro, extrovertido, a seguir, novamente introvertido ou em equilíbrio relativo. Este último tende a aumentar de freqüência, à medida que o crescimento se consolida.
Para adquirir-se maior compreensão das “correntes dinâmicas do processo evolutivo”, separamos o estudo e observação do comportamento juvenil em idades cronológicas, embora se saiba que o crescimento dos indivíduos depende, não só do próprio organismo, como do ambiente onde vive. Contudo, há características gerais do jovem de 11 a 18 anos que merecem estudo e conhecimentos especiais, pelo menos até aos 16 anos, idade que constitui um dos marcos da fase evolutiva da juventude para a adolescência, apontando o adulto que será.  

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