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Madrigal - 1. Composição poético-musical sobre textos profanos, geralmente contrapontística, que foi muito comum na Europa entre os séculos XV e XVII. Seu claro caráter lírico e sua intensidade cromática, dramática e expressiva converteram-no num dos antecedentes da Ópera e da cantata . Estabeleceu-se na Itália como composição a duas ou três vozes, com acompanhamento instrumental (alaúde, clavicímbalo, harpa) ou sem ele e com um estilo muito livre (séc. XIV), mas foi evoluindo no séc. XVI até o denominado madrigal italiano, desenvolvido por Arcadelt e Verdelot (derivado da Canzona e da Frottola, a três ou quatro vozes). Constituiu um dos gêneros mais importantes da música profana italiana, no qual o elemento literário tem papel preponderante. Em meados do séc. XVI, Palestrina, Lasso e Willaert foram os encarregados de incrementar o número de vozes (cinco ou seis) e intensificar o conteúdo expressivo da música, enquanto Monteverdi, Gesualdo e Marenzio levaram-no à sua máxima expressão no final do mesmo século XVI (experiências cromáticas, acentuação da declamação dramática, substituição de algumas vozes por instrumentos). Foi sob a sua influência que se operou a secularização da música, mediante a utilização de textos profanos e o emprego de fórmulas melódicas novas, de um cromatismo intenso.O madrigal inglês do séc. XVI é ainda mais emotivo. 2. Pequena composição poética, engenhosa e galante; 3. Poesia pastoril; 4. Galanteio dirigido a damas. 5. Forma coral para designar um pequeno grupo de cantores.

Maestro - [Ital. "mestre"]. 1. Termo genérico que hoje se utiliza para designar o regente de uma orquestra, de um coro ou um professor de música. Também é o título outorgado historicamente a certos músicos ou compositores de destaque. No séc. XVII, designava o maestro de címbalo, que dirigia a orquestra e tocava o cravo. 2. Maestro de capela: músico encarregado da direção musical de uma capela (Kapellmeister).  

Magnificat - Cântico mariano do Novo Testamento, utilizado no ofício divino de vésperas católico-romano e nos serviços religiosos anglicanos. Utiliza os versículos 46-55 do primeiro capítulo do Evangelho segundo São Lucas e são as primeiras palavras da versão latina que dão nome a todo o cântico. "Magnificat anima mea Dominum" (Minha alma glorifica o Senhor). As primeiras versões polifônicas do séc. XV foram da autoria de Dunstable e Dufay. Destacam-se as contribuições de Obrecht, Morales e Palestrina e as composições ampliadas em forma de cantata de Schütz e J. S. Bach. As obras de Byrd, Gibbons, Purcell ou Standford estão inseridas na liturgia anglicana. Alguns organistas alemães do séc. XVII compuseram fugas de Magnificat completas.  

MAIOR E MENOR - Termos empregados a partir do século XV para definir a constituição, a maneira de ser de um intervalo, de um acorde e de um modo. (ver também escala).

Martellato - [Ital. "martelado"]. Termo utilizado, geralmente nos instrumentos de corda, para designar a técnica de arco que, por sua energia e rapidez, consegue executar as notas sem ligar, separadas e muito acentuadas. O arco não se levanta das cordas.

Matinas - Primeira parte do ofício noturno das horas canônicas que se compõe de uma introdução e três partes ou noturnos. Geralmente todas as partes são executadas em cantochão, mas, em efemérides específicas, algumas podem ser interpretadas polifonicamente.

Matiz - Gradação na intensidade do som.

Meane - Denominação que recebia a parte intermediária das composições polifônicas inglesas dos séculos XV ao XVII.

Meistersinger - [Al.. "mestres cantores"]. Grêmio musical e literário alemão dos séculos XIV ao XVI, que representava à classe média burguesa em contraposição à aristocracia de seus predecessores, os minnesingers dos séculos XII ao XIV. Compunham e interpretavam canções monódicas de fórumula fixa sem acompanhamento (meisterlieder).Seus membros se submetiam a normas e estruturas rígidas, passando por diferentes graus, desde aprendizes à maestros.

Melisma - No cantochão, o conjunto de notas cantadas sobre uma mesma sílaba. Estas passagens denominam-se melismáticas, sendo aplicadas, geralmetne, ao canto gregoriano e ao canto litúrgico oriental.

MELODIA - 1. Sucessão de notas adequadamente ordenadas em alturas e duração e dotadas de sentido musical. 2. Também chama-se melodia ao canto produzido por uma voz.

Menestrel - Músico profissional que sevia nas cortes européias dos séculos XII ao XVII. Geralmente acompanhava instrumentalmente o seu próprio canto e, até o séc. XI, a sua figura confunde-se com a do jogral. Agrupava-se em grêmios e exercia funções sociais e palacianas destacadas.

Meno mosso - [Ital. "menos movimentado"]. Indicação que assinala o tempo de uma passagem ou movimento em relação com o anterior.

Messa di voce - [Ital. "Impostação ou colocação da voz"]. É a técnica que permite aumentar e diminuir progressivametne a intensidade de uma nota longa. Foi um recurso expressivo habitual no séc. XVIII italiano.

Mesto - [Ital.]. De caráter triste e aflito.

Metamorfose - Técnica compositiva segundo a qual se transforma continuamente uma idéia ou um tema musical simples ao longo de um obra. Utilizam-se mudanças de ritmo, de modo, de cormatismo orquestral, instrumentação, etc.  

MÉTRICA - Parte da teoria musical que trata da alternação dos tempos fortes e fracos, dentro de um compasso ou de um grupo de compassos.

Metrônomo - Instrumento usado para marcar a regularidade do andamento musical. O aparelho é formado por uma caixa piramidal, tendo um pêndulo, cujas oscilações são reguladas por um peso móvel colocado em sua parte superior. Há uma régua frontal com numeração que vai de 40 (grave) até 300 (prestíssimo). Cada oscilação do pêndulo corresponde a "uma unidade de tempo". Foi aperfeiçoado por Mäzel, em 1815. Atualmente existem inúmeros metrônomos eletrônicos.

Mezzo - [Ital. "meio"]. Prefixo latino que acompanha várias palavras da mesma origem: Mezzoforte "meio forte", Mezzavoce "a meia voz", etc.

Mezzo soprano - voz de tessitura média, dentro das vozes femininas ou infantis (intermediário entre o soprano e contralto).

Minnesinger - [Al. "cantores de amor"]. Conjunto de poetas, músicos e literatos alemães de origem aristocrática que floresceu entre os séculos XII e XIV. Sua figura está inspirada nos trovadores e troveiros franceses. Seus cantos, de forte inspiração amorosa, eram acompanhados por vários instrumentos. Estes cantos, chamados Minnesang, incluiam um prelúdio e um poslúdio.

Minuetto - {Ital.]. Dança popular francesa (minuê), de compasso ternário e ritmo moderado, que chegou a ser extraordinariamente popular na Europa do séc. XVII. Assim formou parte dos movimentos da Suite barroca instrumental. Com a chegada do classicismo, acrescentou-se ao minuetto um episódio central, bem diferenciado, também de compasso ternário, chamado trio, passando a formar parte da estrutura da Sonata e da Sinfonia.

Miserere - [Lat. "misericórida", "piedade"]. Começo do Salmo 50 do Antigo Testamento: Miserere mei, Deus "apieda-te de mim, Deus". Na liturgia católica é cantado especialmente na Semana Santa e no Ofício de Finados. É o salmo mais importante na história das composições polifônicas do séc. XVI, sendo célebres os Misereres compostos por Palestrina (a quatro vozes e incluído nas Lamentações), Victoria e Gesualdo.  

Missa - 1. Conjunto de peças musicais compostas para serem cantadas numa missa cantada. [V. Liturgia da missa - FONTE: http://netpage.em.com.br/fonseca/ ]. 2. Na Igreja Católica, celebração da Eucaristia, sacrifício do corpo e do sangue de Jesus Cristo, feito no altar pelo ministério de um sacerdote. Está divida em duas partes: o Próprio, cujo texto varia segundo as diferentes efemérides e compreende o Introito, Gradual, Trato, Aleluia, Ofertório e Comunhão, e o Ordinário, que permanece invariável durante todo o ano e compreende o Kyrie, Gloria, Credo, Sanctus e Benedictus, Agnus Dei e Ite missa est. O Gloria não se canta durante o Advento e a Quaresma. A maioria das composições da missa limitam-se ao ordinário e ainda que se mantenham versões em cantochão do séc. XIII, é nos séculos XV e XVI quando aparecem as primeiras obras polifônicas completas [Missa de Tournai]. As mais famosas da época pertencem a Dunstable e Dufay e foram preparando o caminho para a chegada das obras-primas renascentistas de Ockeghem, Josquin, Morales, Victoria, Palestrina e Byrd. A partir do séc. XVII [Missa em Si menor, de J.S. Bach] são introduzidas uma série de modificações que terminam distanciando a missa de seu uso litúrgico para aproximá-la ao Oratório e à Cantata: orquestrações densas, durações muito longas, grande coros, virtuosismo vocal exaltado ou estruturas musicais claramente sinfônicas. Bach e principalmente Beethoven com a sua Missa Solemnis, levaram esta forma à sua mais perfeita e elevada expressão.

Moderato - [Ital. "moderado"]. Indicativo de tempo moderado, a meio caminho entre  o allegro e o andante.

MODO - Maneira exclusiva de cada formatação intervalar, escalar, acordal ou tonal, mediante a ordenação dos seus semitons e tons componentes na constituição intervalar, escalar, acordal e tonal. Forma de ordenação das notas musicais dentro de uma escala. Na Grécia clássica, os modos eram oito: dórico (Mi); frígio (Re); lídio (Do); mixolídio (Si); hipódrico (La); hipofrígio (Sol); hipolídio (Fa) e hipomixolídio (Mi). Os modos eclesiásticos medievais evoluíram até outros oito modos diferentes, mas um mal-entendido fez com que se confundissem com os primeiros e fossem acrescentados outros quatro: eólico, hipoeólico, jônico e hipojônico. Na prática, dois deles demonstraram ser os mais facilmente transportáveis ao sistema tonal, com o qual acabaram impondo-se aos restantes por razões práticas: o jônico (modo maior) e o eólico (modo menor).  

MODULAÇÃO - Passagem ou passagens de um modo para o outro, numa mesma peça musical, não confundir com tom.(tonular, mudar de tom; modular, mudar de modo. ex.: maior por menor;  A modulação pode ser: passageira ou ocasional:  transitória (acidentes ocorrentes); definitiva: estável (muda-se a armadura): mediata: através de nota(s) comum(ns); imediata: abruptamente, direta; por cromatismo:  mais comum (nota diferencial); convergente: há retorno ao modo inicial; divergente:  sem retorno ao modo inicial.

MOTETO - [Fr. mot "palavra"]. Peça musical coral que, partindo de textos latinos, utiliza-se nos serviços religiosos da Igreja Católica. Nasceu entre os séculos XII e XIII, da diafonia ou "organum" da Escola de Notre Dame, partindo da cláusula em duas partes: acrescentava ao "cantus firmus" ou tenor uma voz superior com um texto latino diferente (duplum ou motetus) e sem nenhum tipo de significado religioso. A partir do séc. XV voltou-se a utilizar o texto único, já claramente religioso e deixou-se a canção polifônica e o Madrigal os antigos textos amatórios. Os compositores Flamengos impuseram aos poucos o seu modelo, inspiração do definitivo moteto renascentista: de quatro a seis vozes, alternância de estilo limitativo e polifonia livre, com considerável atenção à expressividade das palavras. Josquin, Gombert e a partir do final do séc. XVI, Palestrina, Lasso, Victoria, Tallis, Byrd elevaram a forma à sua máxima perfeição. O moteto policoral veneziano da época (Gabrieli) destacava-se por dividir em dois ou mais coros as diferentes vozes (não menos que oito). Com o Barroco, acrescentam-se ao moteto vozes solistas, recitativos, árias, baixo contínuo e brilhantes partes instrumentais solistas (Monteverdi, Couperin, Charpentier), enquanto na Alemanha se dá prioridade absoluta à construção coral (Schütz). A partir do séc. XVIII, o desenvolvimento do moteto é tão complexo que se torna difícil diferenciá-los da Cantata [Motetos (BWV 225 - 230) de J.S. Bach], abrindo caminho, no séc. XIX para as obras de Brahms, Bruckner, Listz e Franck. Poulenc, Vaughan Williams e Sanford continuaram a tradição no séc. XX.

Moto - [Ital. "Movimentado", "animado"]. Andamento musical de caráter rápido.

Movimento - 1. As diferentes partes de uma composição de certa envergadura (sonata, sinfonia, concerto). 2. Direção da linha melódica das vozes de uma obra polifônica. Podem ser conjunto, disjunto, direto, contrário. oblíquo ou paralelo. 3. Sinônimo de tempo.  

MÚSICA ALEATÓRIA - Gênero de música em que o compositor deixa ao intérprete a liberdade de improvisar certos elementos da obra já previamente indicados na partitura. Dessa forma, o intérprete participa da criação da obra, que se renova a cada execução. Seus princípios foram desenvolvidos pelo norte-americano John Cage, no início da década de 1950, e, através de propostas paralelas, pelo francês Pìerre Boulez e pelo alemão Karlheinz Stockhausen.

MÚSICA DE CÂMARA - (ver Câmara, música de)

 

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