STEVE HARRIS
Steve Harris é, sem sombra de dúvida, uma
das figuras mais importantes da estória do rock em geral e do Heavy Metal em
particular. Um homem com uma missão. Talvez seja essa a melhor definição deste
inglês que levou seus ideais de música honesta e sem compromissos por toda a sua
vida. Sempre colocou a honestidade e integridade em primeiro lugar e nunca cedeu
a nenhuma pressão do caminho que significasse se desviar, ainda que apenas um
pouco, de seus objetivos. Cabeludo, tatuado, não muito alto (mal passa de
1,70m), ainda assim é o tipo de sujeito que você não gostaria de entrar numa
briga. A não ser que fosse para brigar até a morte. Essa atitude fanática e sem
concessões não raro feriu os sentimentos e sensibilidades de outros que, por um
motivo ou outro, não compartilhavam a mesma visão e/ou atitude deste inglês
criado num bairro operário da baixa classe média londrina. Ainda assim Harris
jamais deixou de inspirar respeito e admiração mesmo nos seus piores desafetos,
seja por seu talento natural, por sua honestidade também nata, ou, mais
freqüentemente, por ambos os motivos. Steve jamais cobrou de qualquer um mais do
que ele mesmo estava disposto a sacrificar.
Mais importante que esses acidentes de percurso, Harris também se transformou
num exemplo e ídolo para milhares e milhares de outros jovens, que - mesmo sem
nunca chegar a conhecê-lo pessoalmente - puderam admirar seu talento,
inteligência e integridade através de seu trabalho com a banda que criou e se
tornou famoso: O Iron Maiden. Baixista virtuoso, mas sem exageros, compositor de
inacreditáveis hinos metálicos, letrista privilegiado e, ainda por cima, um
showman no palco, Steve Harris extrapolou todos os limites impostos aos
baixistas comuns. Mesmo vindo de um background relativamente pobre, mesmo tendo
deixado a escola cedo e caído na estrada desde jovem, nunca deixou de aprender e
absorver mais cultura. Oriundo de um ambiente pouco intelectual, adora ler.
Mesmo rico e famoso, nunca abandonou sua simplicidade, sua dedicação aos fãs
,nem seus sonhos e mantêm na ativa sua banda mesmo depois de crises de todos os
tipos ao longo de sua carreira.
Hoje Steve Harris é um quarentão cabeludo que leva o filho pequeno para jogos de
futebol e cuida bem da saúde. Vive numa mansão em Sussex e tem o respeito e a
admiração de milhões por todo mundo. No entanto, seu lar verdadeiro continua
sendo na estrada, tocando e compondo com seus companheiros através de todos os
continentes. Até parece que nada mudou realmente para ele. Mas antes de chegar a
essa posição teve que ralar muito. E não tem medo de continuar ralando até que
seja chamado para uma jam lá no céu, onde certamente tocaria com grandes que lá
estão esperando um baixista como ele. Gente como Jimi Hendrix, Keith Moon. Jim
Morrison, etc. Mas, Heaven Can Wait. Vamos voltar um pouco ao tempo e saber um
pouco sobre o início da vida de nosso herói.
Steve nasceu em Leytonstone, East London, Inglaterra, no dia 12 de março de
1956, “No quarto dos fundos da minha avó” . Era o filho mais velho de quatro,
tendo ele três irmãs mais novas. Seu pai era motorista de caminhão e sua mãe uma
dedicada dona de casa que ocasionalmente trabalhava em empregos temporários, mas
que sempre colocou em primeiro lugar cuidar dos filhos. Havia bastante música na
casa: Ele se lembra das irmãs e suas amigas dançando ao som dos hits do momento:
“Coisas como Beatles, Simon & Garfunkel. Eu não consigo me lembrar se eu gostava
disto desde o princípio, mas estava sempre no tocando. Da maneira que eu fui
crescendo eu decidi que eu gostava. Eu consigo me lembrar de algumas letras
delas até hoje, então fica claro que eu absorvi aquilo tudo.” Mas antes de
música havia outra coisa na vida do jovem inglês: Steve era bom em esportes na
escola, tendo praticado tênis, cricket e futebol. Desde o princípio ele foi
atraído por desenho e música, mas sua paixão infantil foi completamente dominada
pelo futebol. Tanto que ele sonhava em se tornar jogador profissional, de
preferência no seu amado time do coração, o West Ham United, um time local que
deu ao mundo alguns dos jogadores que fariam parte da seleção campeã do mundo em
66: Bobby Moore, Geoff Hurst e Martin Peters.
“Eu costumava jogar futebol na rua” lembra-se ele hoje “Podia ser tanto com
colegas quanto sozinho, só chutando a bola contra um muro. Se eu não tivesse uma
bola uma latinha jogada fora servia. Eu estava sempre jogando com meus amigos e
música ainda não tinha entrado na minha vida naquele momento. De fato eu devo
dizer que futebol foi a primeira coisa que realmente senti uma coisa muito
forte.”
Seu primeiro contato com uma jogo profissional aconteceu quando tinha nove anos
e um colega o levou para ver uma partida do West Ham no seu estádio, perto de
Upton Park. Ele mesmo se recorda da ocasião: “Você podia ir de ônibus até lá. E
lá fomos nós, por nossa própria conta - sem adultos – e então o vimos bater o
Newcastle por 4 a 3. E foi então que aconteceu, fiquei louco, um fã completo dos
Hammers! Meu pai e meu avô eram torcedores do Leyton Orient (outro time local do
East End) e eles não gostaram nem um pouco quando ficaram sabendo. Mas meu pai
estava sempre fora de casa a trabalho e eles nunca realmente me levaram a um
jogo, então é culpa deles eu virado fã do West Ham. Eu tinha a camisa oficial do
time e tudo mais.” Futebol passaria o foco da vida de Steve pelos próximos sete
anos, tempo durante o qual ele fez tudo para realizar seu sonho de se tornar
realmente um jogador de seu time do coração. Passional em tudo que se dedica,
esse sonho dominou todos os seus pensamentos de infância.
“Eu jogava futebol no time da escola, e também tênis. “ Ele se recorda “Eu
gostava de música e de desenho, mas o futebol era sempre a prioridade número um
para mim, quando eu era garoto.” Tão logo Steve começou seu estudo secundário na
Leyton High, já estava jogando para o time da escola todo sábado e, para um time
amador local (o Beaumont Youth), todo domingo. “Eu jogava bem em qualquer
posição, exceto meio de campo e goleiro. E isso apenas porque eu era muito
baixo. Eu podia correr muito bem com a bola dominada. Nós tínhamos um bom time
em Beaumont. Dos doze caras que jogavam no primeiro time sete ou oito viraram
profissionais de vários clubes. Nós jogamos contra o Orient Youth uma vez e os
derrotamos por 5 a 1! Meu pai e meu tio vieram ver a partida. Eu marquei dois
dos gols e meu pai ficou muito contente. Foi nesse ponto que pensei na
possibilidade de me tornar profissional.”
Steve era, de fato, um bom jogador. Tão bom que chamou a atenção de um “olheiro”
famoso no local, Wally St. Pier, que o convidou para treinar no time juvenil do
West Ham. Ele mal pode acreditar quando isso aconteceu: “Ele era uma figura meio
lendária por ali, sempre rondando meio escondido. Nunca ninguém conseguia dizer
se ele estava por ali ou não, mas eu acho que ele me viu jogar umas duas ou três
vezes e então eu recebi uma proposta, via Beaumont, para ir treinar no West Ham.
Eu tinha apenas 14 anos e não podia acreditar naquilo! O diretor do clube chegou
até mim e me contou. Eu estava nas nuvens! Quando eu fui pela primeira vez ao
West Ham eu estava me borrando todo, para ser honesto. Mas por sorte eu tinha um
outro cara que eu conhecia do clube, Keith Taylor, que também foi escolhido para
ir lá – eu ainda o vejo algumas vezes. Até meu pai ficou encantado. Ele fez um
comentário maldoso por ser do West Ham, mas eu sabia que ele estava feliz. Era
uma coisa muito excitante para a época.”
O que parecia um sonho tornado realidade logo azedou quando Harris descobriu que
o ritmo e a dedicação exigidos pelo futebol profissional eram muito maiores do
que imaginava. E, aos 14 anos, o jovem adolescente não estava muito a fim de
abrir mão das festas, da turma e das meninas para ficar treinando e jogando dia
após dia, praticamente sem descanso. “O ponto focal de ser um jogador
profissional é que você tem que ser incrivelmente dedicado. É algo assim como se
tornar um monge, e isso é muito difícil quando você tem apenas 14 ou 15 anos.
Você está na idade em que todos os seus amigos começam a sair e se divertir e
você sabe que você simplesmente não pode. Eu queria muito sair, encontrar com as
meninas, tomar uns goles e me divertir com meu colegas. Eu estava treinando
todos os dias da semana – duas vezes por semana no West Ham, uma vez pelo time
da escola, então tinha os domingos. No único dia em que eu não estava treinando
era época dos jogos da escola e isso também era futebol. E ainda por cima tinha
três jogos todos os finais de semana. Era inacreditável, eu estava tão em forma
que não dá para crer. Mas você não percebe isso na época.” Logo Steve concluiu
que precisaria escolher entre a dedicação total ao futebol ou partir para outra.
“Eu acabei concluindo que aquilo não era o que eu queria fazer, o que foi um
choque para mim de uma certa forma. Desde que eu tinha sete ou oito anos e vi o
West Ham pela primeira vez eu pensava: ‘Isso é o que eu quero ‘. Meu filho aos
sete anos fala a mesma coisa: ‘Eu quero ser jogador de futebol quando crescer’.
Eu era do mesmo jeito. E então quando você tem que enfrentar a dura realidade
você descobre que tem que ser realmente dedicado ou então está perdendo tempo.
Há um monte de jogadores talentosos que simplesmente não agüenta isso. Eu não me
achava melhor nem pior do que qualquer outro jogador daquele tempo. Eu apenas
pensei: ‘Eu não posso fazer isso. Eu não posso ser tão dedicado a isso.’ E me
perguntava, se eu não posso me dedicar a algo que eu amo, o que é que eu quero
mesmo fazer então?
“Meus pais não me pressionaram muito. Sei que muitos pais fazem isso, mas os
meus não. Eu é que tentei me pressionar, mas eu pensei: ‘Não quero mesmo fazer
isso.’ Foi um choque concluir isso. Eu até deixei completamente de jogar futebol
durante um ano depois de me decidir e isso quase me levou à loucura. Quer dizer,
o que eu ia fazer?”
Com um grande peso no coração deixou de lado seu antigo sonho de ser “um novo
Geoff Hurst”. É certo que Steve jamais abandonou de todo sua antiga paixão: um
ano depois voltou a jogar por prazer. “Eu voltei a jogar pelo prazer da coisa.
Eu comecei a jogar de novo por um clube que eu costumava participar, o Melbourne
Sports, e eu ainda estou jogando com eles, de vez em quando, até hoje.”
Assim, Harris passou para sua outra paixão: a música. Tinha decidido se tornar
um rock star. E logo começou a deixar o cabelo crescer, como era moda entre
roqueiros da época. Não sem que tenha causado certos acidentes de percurso.
Steve: “No futebol as pessoas costumavam me chamar Georgie Best por causa do meu
cabelo ser tão longo. Mas isso não tinha nada a ver com George Best, era mais
por causa do Chris Squire (baixista do Yes). Meu cabelo nunca tinha sido um
problema até eu me juntar a um clube de tênis, quando eu tinha uns 16 anos. E na
hora esse cara veio e me disse: ‘Oh, seu cabelo é um pouco cumprido, não é?’ E
eu me virei e disse: ‘Olha, antes de começarmos, nem meu pai me diz para eu
cortar o meu cabelo, então eu não tenho que dar satisfações a você.’ Ele me
disse: ‘Bem, não é necessário ser desse jeito.’ E eu disse: ‘Bem, não fique me
falando sobre o meu cabelo.’ Me levantei, fui embora e foi isso – eu não joguei
tênis por um bom tempo depois disso. Eu não sei se coisa assim ia acontecer no
futebol, com esse códigos de como se vestir que eles tem impõe quando você
assina um contrato profissional. Mas eu tinha essa coisa, naquele tempo, sobre
não cortar o meu cabelo. Era apenas (uma questão de) princípio.”
Música era uma ocupação que permitiria Harris expressar-se e manter seu cabelo
grande.
“Eu realmente não comecei a tocar guitarra até os 17 anos.” Relembra ele “Mas eu
costumava comprar discos de vez em quando desde que eu tinha 14 ou 15 anos. O
primeiro disco que eu tive foi comprado para mim. Eu tinha só uns cinco anos e
pedi aos meus pais que comprassem o tema do filme ‘Exodus ‘. Eu realmente
adorava aquele tipo de música, eu acho que ainda tenho o disco em algum lugar. É
bem épico, bem do estilo que sempre me chamou a atenção. Então desta época em
diante eu passei a pegar discos de vez me quando. Mas eu tinha 14 anos quando
comprei meu primeiro LP – um álbum compilação desses sucessos de reggae – coisas
como ‘Monkey Spanner’ de Dave e Anselmo Collins e ‘Big Five’ do Judge Dread.
Era 1970: Reggae, por mais estranho que pareça, era a música escolhida para a
primeira geração na Inglaterra de um movimento que seria conhecido como
skinheads (ou Carecas, como ficaram conhecidos no Brasil). Os uniformes eram
parecidos com os atuais desse infame grupo. Mas naquela época as coisas eram
diferentes, havia menos idealismo ligado ao neonazismo e Steve entrou nessa por
motivos menos violentos dos que os que adotaram o estilo em tempos recentes. Ele
mesmo se recorda bem da fase:
“A maioria de nós era o que hoje em dia costumam chamar de skinheads, eu acho.
Mas eu não era realmente um grande fã dessa coisa toda. Eu apenas comprei aquele
disco para aprender alguns passos da dança. Você sabe, para poder chegar mais em
festas. Se você não soubesse a dança você não conseguia descolar meninas. Nenhum
de nós estava totalmente envolvido com isso (com o movimento skinhead). Eu nunca
cortei o meu cabelo, nunca tive aqueles cortes máquina zero, mas cheguei a usar
todo o aparato, uniforme completo, botas e coisas assim. Mas depois de um tempo
você passa para a moda seguinte e depois para outra, até chegar às calças de
couro, cruzes de madeira e fica ouvindo Free e Black Sabbath.”
Nessa época, já tendo deixado a moda skin para trás há um bom tempo, Harris fez
amizade com um colega de escola, Pete Dayle, e juntos passavam muitas horas na
casa de Dayle, jogando xadrez ou outro jogo qualquer. Acontece que o novo amigo
tinha uma boa coleção de rock que punha para tocar durante as partidas, o que
chamou a atenção de Steve. “Era um tipo de coisa que eu nunca tinha ouvido
antes. E eu ficava pensando ‘O que é isso?’. Basicamente era o que hoje chamamos
de rock progressivo. Artistas como Jethro Tull, King Crimson e Genesis.”
Steve ficava intrigado já que todo mundo na sua turma gastava todo o dinheiro
com coisas relacionadas a futebol, enquanto que seu amigo torrava toda a grana
em discos, além de ter um aparelho de som muito bom. Steve começou a ficar
curioso e gostar do que ouvia. Pediu para que o amigo lhe explicasse o que era
aquilo. Ainda meio verde, Steve descobriu que achava alguns bons e outros,
“esquisitos”.
Mas a grande virada de sua vida aconteceu quando Pete deixou que Steve levasse
alguns discos de sua coleção para ouvir em casa, onde poderia escutar com mais
atenção. Assim, Harris levou discos como This Was do Jethro Tull, um antigo
Genesis e um Deep Purple. “Aquilo me enlouqueceu! – fiquei numas de ‘eu vi a
luz, cara!’ Especialmente o material do Genesis e Jethro Tull. Eu não podia
acreditar em algo tão bom assim. Coisas como The Musical Box (do disco Nursery
Crime do Genesis). Quero dizer, até hoje sinto um nó na garganta quando ouço
estas coisas.”
Até hoje Harris assusta os fãs quando lhe perguntam quais são seus álbuns
preferidos de todos os tempos: ele sempre cita Foxtrot do Genesis, provavelmente
Recycled do Nektar ou algum disco do Jethro Tull.
Apesar de alguns fãs terem dito que tais discos seriam coisas datadas e antigas,
Steve chegou mesmo a escrever a alguns deles respondendo que “eles mudaram a
minha vida, realmente. Achei aqueles sons fodidos de tão bons. E o próximo passo
era, eu queria imediatamente tentar tocar aquele material.”
(Obs. Harris renderia algumas homenagens a essas influências iniciais em lados B
de compactos do Maiden e, principalmente, no EP Aces High, gravando músicas do
Jethro Tull, Nektar e Mountain.)
Inicialmente, como é muito comum com qualquer garoto que não sabia nada sobre
música, Steve se interessou pela bateria: “Mas aí eu pensei: ‘não posso tocar
bateria, porque não tenho lugar para praticar e é muito barulhento.’ Ao invés
disso nosso herói resolveu comprar um violão usado para começar a praticar. “Eu
decidi que ia pegar a coisa mais próxima à bateria, que é o baixo e tocá-lo
junto com a bateria.” Alguém tinha dito a Harris que deveria primeiro aprender
violão, o que ele começou a fazê-lo, chegando a ensaiar alguns acordes. Quando
viu que não tinha nada a ver com o baixo, tratou de conseguir juntar 40 libras
duramente, até poder comprar uma cópia de um baixo Fender.
Um colega de escola, Dave Smith, lhe ensinou os quatro acordes básicos para
tocar rock: Mi, Lá, Ré e Sol. Steve começou então a praticar no seu baixo todos
os dias. “Uma vez que coloquei as mãos num baixo eu vi que podia fazê-lo.”
Lembra ele “Foi algo como ‘foda-se com os acordes’, apenas toque as cordas, você
sabe, e a coisa foi maravilhosa. Eu fui logo começando a fazer aqueles sons
esquisitos, para cima e para baixo.” E acrescentou modestamente: “Eu acho que o
baixo é mais fácil de tocar do que a guitarra, que é muito complicada de se
tocar da forma devida, sério. Você pode aprender a tocar as linhas de baixo de
‘Smoke On The Water’ muito mais rápido que levaria para aprender a seqüência de
acordes, e essa é a seqüência mais simples de todas. Eu amei isso. Pensei: ‘Isso
é para mim.’ Eu ainda tentei pegar alguns songbooks e coisas assim, mas eles não
tinham nada para baixo, a maioria era para guitarra e mesmo aqueles que chegavam
a ter notas de baixo, geralmente estavam errados.”
Mas tocar as complicadas seqüências neoclássicas de grupos como Yes ou Genesis
não era tão simples assim. Então o jovem baixista resolveu tentar começando por
alguns rocks mais fáceis que estavam na moda como ‘Smoke On The Water’ do Deep
Purple ou ‘All Right Now’ do Free. Aos poucos foi melhorando o bastante para
conseguir pegar coisa mais complexas e sutis de baixistas como Geezer Butler do
Black Sabbath, cujas harmonias simples escondiam belas passagens de baixo
bastante difíceis. “eu me lembro claramente de estar tentando tocar ‘Paranoid’
junto com o disco e simplesmente não conseguia. Eu então joguei o baixo na minha
cama e fui dar uma volta. Mas no dia seguinte eu peguei de novo meu instrumento
e quando toquei eu conseguia seguir nota por nota! Uma vez que eu conseguia o
básico, eu buscava as notas mais sutis e começava a tentar ser um pouco mais
esperto e conseguir tocar material de gente como Chris Squire e caras como ele,
coisa que eu não conseguia ir muito longe durante um bom tempo.”
Esta mistura de estilos hard e progressivo fizeram com que Harris conseguisse
desenvolver um estilo de compor raro até então, onde as ‘quebradas’ de ritmo
comuns dos grupos progressivos se juntava ao peso e agressividade do heavy
metal. Isso tudo, é claro, aliado a um ouvido antenado para melodias e uma
imaginação fértil para letras. Harris era tão ligado a seu instrumento que até
passou a compor nele, ao contrário da maioria dos baixistas (isso até os anos
80, quando passou a se dedicar também aos teclados).
Mais tarde outras bandas influenciaram decisivamente seu estilo de baixo e suas
composições (Judas Priest, Scorpions, Wishbone Ash e outras). Mas a principal
influência de sua persona de palco parece ter sido vinda de uma banda muito
importante que influenciaria toda uma geração de músicos de metal dos anos 80 e
seguintes: o UFO. Embora nunca fossem grandes vendedores de discos, a banda
inglesa foi uma das primeiras a utilizar elementos do que hoje é chamado de
metal melódico e fascinou o pequeno Steve muito pelo seu som avançado, pelo
solos limpos e virtuosos do guitarrista Michael Schenker, mas principalmente
pela performance do baixista Pete Way. Way, além de grande instrumentista e
compositor, era um maluco no palco, não ficando quieto nem um minuto, bem ao
contrário da tradição dos baixista de rock, mais discretos. Steve mais tarde
copiaria não só grande parte de sua movimentação nos shows, mas também seu
visual, como pode ser observado no documentário Too Hot To Handle do UFO (em que
o próprio Steve aparece prestando depoimentos sobre a banda).
AS PRIMEIRAS BANDAS
Steve estava praticando duramente com seu baixo havia dez meses quando convenceu
seu amigo Dave Smith a formar uma banda com ele. Ela levaria o nome de Influence.
Steve: “Nós nos batizamos de Influence. Dave era um anos mais velho que eu e
tocava a guitarra. O vocalista era um cara chamado Bob Verschoyle, com quem eu
costumava jogar futebol e ele estava só pensando em tentar fazer os vocais, e
ele não era ruim, do jeito que foi. E tinha este outro cara chamado Tim – eu não
consigo me lembrar de seu sobrenome – que tocava guitarra base e o baterista era
um rapaz chamado Paul Sears que era fodíssimo; Ele era realmente um grande
baterista, melhor do que o restante de nós juntos. Ele era veterano, tocou um
algumas tours por clubes e coisas do gênero, e ele era dois anos mais velho que
nós. Ele tinha começado muito cedo e era muito bom – ele costumava tocar como o
Simon Kirke do Free e do Bad Company. Ele detonava nos tambores e eu adorava
isso.”
Havia, claro, uns poucos shows muito preciosos nessa época, mas boa parte do
tempo era gasto por eles apanhando dos seus respectivos instrumentos na casa de
sua avó de Steve, tentando tirar as músicas dos sucessos da época até que
conseguisse fazer algumas imitações passáveis delas.
Steve comenta sobre esses ensaios iniciais: “Nós tocávamos umas duas canções do
The Who e ‘I’m a Mover’ do Free, então mais tarde eu incluí ‘Mr. Big’ também do
Free, porque nessa eu podia fazer um solo de baixo. Tocávamos um par de músicas
próprias com títulos bobocas como ‘Heat Crazed Vole’, que o Paul, o cantor,
tinha escrito e outra chamada ‘Endless Pit’, que eu tinha vindo com o riff
inicial e que acabaria sendo o riff de ‘Innocent Exile’ que acabaria sendo
gravada no segundo disco do Maiden. Eu acho que o Bob escreveu as letras para
uma outra canção, mas eu não consigo me lembrar o que era.
“Nós costumávamos ensaiar no quarto dos fundos da minha vó, e era bastante
engraçado, porque eu ficava preocupado se não estaríamos perturbando a mulher
que morava na casa ao lado com todo aquele barulho. Mas a minha avó era dura
como ela só e sempre falava algo como ‘Eu não ligo merda nenhuma para o que ela
pensa, se ela chegar aqui para ficar se lamuriando sobre isso, diga a ela que vá
se foder!’ Dura como carvalho, minha vó. Então um dia ela veio do pub e me disse
que tinha visto a vizinha e perguntou a ela sobre o barulho, se isso a estava
incomodando, e a velha senhora respondeu: ‘Oh, não, eu não ouço nada, eu sou um
pouco surda, querida.’!”
Com o nome de Influence o grupo de Steve só tocaria uma vez, ainda que a modesta
apresentação tivesse conseqüência positivas mais tarde. Foi em Poplar, perto de
onde moravam, num pequeno concurso de bandas amadoras: “Só tivemos que tocar por
15 minutos, o que era ótimo porque nós só tínhamos umas quatro músicas que
podíamos tocar bem, e aí apresentamos as três originais que escrevemos. Foi numa
velho hall de uma igreja daquele lugar, e nós ficamos em segundo lugar! A banda
que venceu era uma do tipo The Osmonds (banda teen americana da época, bem na
linha Hanson, só que ainda mais comercial e bonitinha), você sabe, terrível. Não
que fôssemos muito melhores. Eu estava tão nervoso que fodi com essa longa
introdução que tínhamos trabalhado para a primeira música e o cantor pensou que
eu estava afinando o baixo e não entrou quando deveria tê-lo feito. Então eu
tive que começar de novo e desta vez todo mundo entrou na hora certa e o público
pensou que era parte da canção (o erro) de qualquer maneira e conseguimos dar a
volta por cima. Mas era bem ruizinho, realmente. Nós não fomos pagos nem nada,
nós éramos bem baratos naqueles tempos! Eu acho que deveria ter uns cinco ou
seis outros grupos, então não era nada de importante e não havia muita gente
assistindo.”
O mais importante naquele dia foi que acabariam fazendo amizade com uma pessoa
muito importante para o futuro da banda: o promotor do concurso, David Beazley,
que seria mais tarde conhecido mundialmente pelo seu apelido/nome profissional
de Dave Lights.
Dave Lights: “Eu vivia num vicariato da vila chamado Bridgehouse, que também era
um centro comunitário. E eu estava promovendo coisas como noites dançantes para
jovens desde que eu tinha 15 anos. Naquela noite em particular – deve ter sido
em 1973 – eu tinha decidido que ia promover um concurso de talentos e Steve e
sua banda entraram. Eles ficaram em segundo. Os vencedores foram uma daquelas
bandas em que os pais botam um monte de dinheiro neles – duas garotas e dois
garotos, um tipo de conjunto familiar, como o Abba. Mas, claro, sendo eu mesmo
mais rockeiro, eu achei que o bando do Steve tinha sido a melhor coisa da noite
e foi assim que cheguei para conversar.”
Eles voltariam a se ver mais vezes por causa de uma coincidência: Lorraine, a
namorada de Steve já naquela época (depois sua esposa), era colega de escola de
Kim, namorada de Dave. Assim os dois casais estavam saindo juntos, inclusive
indo para um pub que Steve gostava muito, situado em Barking Road, que
ironicamente também se chamava Bridgehouse – e que quase sempre tinha
apresentações de bandas ao vivo. (a primeira vez que Steve e Lorraine saíram
juntos havia sido também no mesmo lugar, quando foram ver uma banda de alguns
amigos dele tocar lá.
Quando a banda de Steve foi tocar ao vivo de novo, num pub chamado Cart And
Horses, em Maryland Point, Stratford, Steve decidiu que o nome Influence deveria
ser mudado. “Eu queria um nome mais divertido, mais para cima, porque estávamos
tentando conseguir algumas apresentações e Influence soava um pouco sério
demais. Não soava como uma coisa engraçada, sabe?” Foi por isso que resolveram
trocar para Gypsy’s Kiss por ocasião de sua nova apresentação (Obs. o nome, na
gíria cockney, significa ir ao banheiro). Mas a mudança não ajudou a banda a
durar mais tempo, como Steve explica: “Fizemos três apresentações no pub Cart
And Horses e duas no Bridgehouse, em Canning Town. E então acabamos! Diferenças
musicais! (risos) A verdade é que não consigo me lembrar quais foram as
verdadeiras razões pelas quais nós nunca conseguimos ficar juntos. Mas nós nos
separamos, basicamente. Eu suponho que os outros perderam o interesse, ou
qualquer coisa assim. Essas coisas acontecem nessa idade. Você faz cinco shows
aos 18 anos e isso parece muita coisa para algumas pessoas. Eles ficam
satisfeitos então, era tudo o que queriam. Só uma experiência. Mas uma
experiência não foi o bastante para mim, eu realmente gostava de me apresentar e
queria que isso durasse para sempre!”
Steve se achava muito novato para conseguir outros músicos para formar sua
própria banda. “Basicamente, eles eram os únicos que eu conhecia e eles meio que
sumiram.” Então o jovem baixista pensou que a melhor coisa a fazer talvez fosse
se juntar a alguma banda estabelecida para tocar e se aperfeiçoar. Claro que ele
ainda não tinha experiência suficiente para tentar alguém muito conhecido, mas
apenas uma banda que levasse a música a sério como ele fazia. Isso o levou ao
Smiler.
O Smiler era liderado por dois irmãos gêmeos, Tony e Mick Clee, ambos
guitarristas. Steve fez um teste com eles num pub chamado White Hart, em Enfield,
em fevereiro de 1974. “a idéia era me juntar a pessoas que fossem mais
experimentadas do que eu, porque que queria aprender as coisas, eu queria me
ligar. E o Smiler era razoavelmente conhecido no circuito de bares. Eles já
tinham feito algumas apresentações; eles tinham um repertório formado e eu
estava me cagando de medo quando fui para a audição. Foi a primeira audição que
eu tinha ido na minha vida. Então, claro, eu disse a eles: ‘Bem, eu já fiz um
monte de trabalhos com várias bandas’. Você sabe, fazendo um pouco de cera. Eu
tinha apenas 18 anos e eles todos tinham algo como 26 anos, o que eu pensava que
eram realmente velhos naquele tempo.
“Eu perguntei que tipo de material eles estavam tocando e um deles me disse:
‘Bem, nós tocamos um pouco de Wishbone Ash, uma música do Free e algumas coisas
do Savoy Brown’. Eles tinham um som mais para o boogie do que o material que eu
tocava até então, mas isso era bom porque então eu tinha que ir para casa e
aprender a coisa, e eu acho que consegui dar conta bastante bem daquilo. Eles
tinham essa de duas guitarras soando iguais, estavam muito numas de Wishbone Ash.
Então eu pensei: ‘Yeah, é isso aí.’ E eu consegui o lugar com eles e tive que
aprender todo o set de uma hora e quinze minutos. Eram todas covers, tinha uma
original eu acho, mas de novo era todo material baseado no boogie. E então
aquela foi realmente uma boa experiência, indo fundo e tendo que aprender um set
inteiro. E estávamos literalmente excursionando em poucas semanas. Eu entrei
meio que em cima da hora, mas eu gostei disso. Nenhuma confusão. E nós nos demos
bem – este tipo de material funciona muito bem em bares de qualquer maneira, é
fácil de bater os pés no ritmo.”
Um problema acabou acontecendo quando Steve estava tocando nos pubs há apenas
algumas semanas na banda. “O baterista queria sair porque o Smiler estava
recebendo mais e mais ofertas de apresentações e ele simplesmente não podia
ficar dispondo de tempo.” O grupo saiu à cata de outro baterista para
substituí-lo e acabou encontrando um jovem muito bom: Doug Sampson, que seria um
dos primeiros bateristas do Iron Maiden. Um outro nativo da região (mais
exatamente em Hackney, no dia 30 de junho de 1957), ele fez uma audição para o
Smiler quando tinha então 18 anos, num quartinho detrás de um pub perto de
Chingford, em North London. Steve comenta sobre esse teste: “Nós tínhamos outros
bateristas e para ser totalmente sincero os outros eram tecnicamente melhores do
que Doug. Mas o Doug era um cara local, uma figura e era divertido. Você sacava
isso no momento em que ele chegou, então isso pesou. Ele era um bom baterista,
não me leve a mal, mas a sua atitude e sua personalidade é que realmente o
qualificavam – a banda se chamava Smiler (sorridente) afinal e Doug estava
sempre sorrindo.”
Doug Sampson: “A banda tocava um material mais voltado para o blues e o boogie,
principalmente covers do Savoy Brown, Wishbone Ash e ZZ Top. Os gêmeos eram os
chefes, mas ficou claro que Steve tinha idéias próprias também. Essa for a minha
primeira banda de verdade; antes do Smiler eu tocava em pequenos conjuntos com
colegas de escola, nenhum que se destacasse. Apenas tocando aquelas coisas
básicas de rock – Cream, Hendrix, essas coisas.”
Com novo baterista à bordo, o grupo voltou ao circuito de bares do circuito de
East London. Também começaram a incluir uma ou outra composição própria,
escritas pelos irmãos Clee. E foi nessa época que Steve começou a experimentar
escrever alguma coisa sua. Logo também notaram que um vocalista ia ser uma coisa
boa para a banda e ajudaria a valorizar as novas músicas que estavam compondo.
Até então os dois guitarristas se revezavam nos vocais.
Através de um anúncio na Melody Maker eles acabaram recrutando um certo Dennis
Wilcock (outro futuro Iron Maiden, ainda que por pouco tempo). Steve comenta
sobre essas mudanças: “Nós começamos a chamar pessoas para a banda e eu comecei
a escrever uma ou outra música de vez em quando, tentando fazer a coisa ir mais
para o hard rock. Eu consegui convencê-los a tocar ‘Rock Candy’ do Montrose e
coisas como essa, e chegamos a fazer uma versão primitiva para ‘Endless Pit’ que
é a que nós hoje em dia chamamos ‘Innocent Exile’, e tinha a ‘Burning Ambition’,
que teve uma versão que acabou sendo o lado b do primeiro compacto do Maiden, o
‘Running Free’.
“Então quando eu comecei a escrever umas duas outras músicas que eram um pouco
mais o que seria o estilo do Maiden, eles disseram: ‘Ah, não... há muitas
mudanças de tempo nelas.’ Eles não disseram: ‘Nós não vamos tocá-la’, apenas não
mostravam muito entusiasmo por elas e eu pensei: ‘Eu vou ter que sair, eu tenho
que formar minha própria banda porque eu acho que estas canções são muito boas.’
Quando Steve saiu do Smiler, ele convidou Doug Sampson para se juntar a ele, mas
o baterista hesitou. Como Steve explica: “Doug Sampson deixou o Smiler comigo
mas levou um tempo antes que fôssemos tocar juntos de novo. Nós nos dávamos bem
e nós formávamos uma boa seção rítmica, e eu achava que eu devia isso a ele de
avisá-lo o que estava na minha cabeça. Eu não pedi para ele deixar o Smiler
comigo, eu só falei: ‘Olha, é isso que eu vou fazer, eu estou te dizendo porque
você é meu amigo. Mas você faz o que você quiser.’ Porque a banda estava
acontecendo, eles tinham muitos shows marcados. Tudo que eles tinham que fazer
era me substituir e seguir em frente. Eu não sei porque mas ele me disse: ‘Oh,
foda-se, eu tive o suficiente e eu estou saindo também.’
“Então basicamente foi isso: eu saí para formar minha própria banda mas eu não
tinha outros músicos ou qualquer pessoa envolvida naquela época. Eu só pensei em
escrever algumas músicas e tentar juntar algumas pessoas, então eu não tinha
como oferecer um trabalho para Doug ou nada assim, você sabe, e só disse: ‘Eu
vou te ligar daqui a algum tempo se alguma coisa acontecer’, ou coisa assim. Mas
aí ele se juntou a uma outra banda e quando eu reuni o pessoal do Maiden ele não
estava realmente disponível, então eu acabei recrutando o Ron Mathews.”
Doug Sampson se lembra de ter sido convidado por Steve para integrar sua nova
banda, mas diz que recusou o convite porque “não era só com o Smiler que eu
estava cheio, realmente, eu estava farto daquela coisa toda de bandas de rock,
naquelas alturas. Eu estava completamente duro e eu precisava de arranjar algum
dinheiro, então eu decidi arranjar um emprego.” Ele arranjou um, mas a vontade
de tocar voltou logo e ele acabou se juntando a uma banda chamada Janski: “Era
uma banda especializada em tocar covers dos Eagles e coisas tipo latin-rock
(como Santana).”
A PRIMEIRA FORMAÇÃO DO IRON MAIDEN
Enquanto isso Steve estava começando do zero com sua nova banda, usando seus
contatos que adquiriu nos tempos do Smiler para ajudá-lo. Eles passou as últimas
semanas de 1975 juntando o que seria a primeira formação real do Iron Maiden.
Ela seria formada no dia de natal de 1975, com Steve no baixo, Dave Sullivan e
Terry Rance nas guitarras, Ron Mathews na bateria e Paul Day nos vocais.
Steve Harris: “Bem, Ron e Dave... eu não consigo me lembrar se foi através de um
anúncio num jornal ou o amigo de um amigo, ou o que fosse, eu não consigo me
lembrar agora como eles chegaram na banda. Eu sei que Terry costumava tocar numa
banda meio pop e soube de nós através de conversas, ou num anúncio no jornal -
tudo era baseado no Melody Maker naquele tempos, era aquele que tinha todos os
telefones para shows e os anúncios para músicos no verso. E Paul Day era
basicamente um cara local, que queria tentar cantar. Ele bastante bom,
realmente. Ele acabaria entrando numa banda chamada More, que ironicamente,
abriria para o Maiden numa tour européia algum tempo depois.”
Dave Sullivan e Terry Rance eram de Waltthamstow, também no East End, e se
conheciam há muitos anos. Antes de se juntarem a Steve Haris, eles tiveram
durante pouco tempo uma banda chamada The Tinted Aspects, que hoje Dave fala que
era: “uma dessas bandas em que o maior show que deram foi num quarto. Terry era
um pouco mais velho do que eu e ele já tinha tocado em umas duas bandas
diferentes, eu acho. Então começamos a escrever juntos, apenas um material que
nunca foi realmente tocado ao vivo. Os Tinted Aspects não duraram muito. Aí o
Terry respondeu ao anúncio (de Steve Harris) no Melody Maker e eu meio que fui
junto. Eu devia ter uns 21 anos naquela época. Eu comecei um pouco tarde. Eu
havia começado a tocar guitarra aos 17 anos e as coisas aconteceram um pouco
rápido.
“Eu estava ouvindo heavy rock, talvez não tão pesado quanto o Maiden estava
começando a fazer. Mas para começar a gente fazia um monte de covers – Wishbone
Ash, Thin Lizzy, tudo que você podia encaixar um trabalho de duas guitarras
solo. E estava se desenvolvendo bastante bem. Ainda estava tudo muito cru, mas a
base estava toda ali.”
Sullivan se lembra que a audição incluía uma demonstração de ‘Smoke On The Water’,
do Deep Purple. Ele comenta: “Foi tipo só uma vez que tocamos e eles disseram:
‘Yeah, bom o suficiente. Vocês estão dentro’. Eram Steve e Ron, em primeiro
lugar, então chegamos eu e Terry e quase que na mesma hora Steve disse que tinha
um vocalista em mente. Eu não consigo me lembrar se Paul (Day) estava lá quando
fizemos a audição. Mas Steve já tinha Paul em mente... eu acho que éramos bons.
O fato de algumas das músicas ainda estarem nos shows deles até hoje já diz
tudo. Elas precisavam de ser trabalhadas mas isso viria com o tempo...”
Steve veio com o nome da nova banda: Iron Maiden – um instrumento medieval de
tortura que pode ser descrito como um tipo de caixão cheio de longos espinhos na
parte interna. A escolha aconteceu, como diz Steve, “porque ele soava bem para a
música. Eu estava sentado no quarto da minha mãe, falando sobre nomes para a
banda e esse foi um dos que saíram e eu disse: ‘Yeah, esse é grande. Eu gosto
dele.’ Eu não me lembro se eu pensei nele ou se foi minha mãe, ou alguém mais da
minha família, eu não consigo me lembrar. Mas eu me recordo falando isso para
minha mãe e ela disse: ‘Oh, esse é bom.’ Eu acho que tinha uma lista de uns
quatro ou cinco nomes e ela disse: ‘Oh sim, este é o melhor deles.’
“O filme O Homem Da Máscara de Ferro estava passando naquela época, eu o tinha
visto e acho que o nome veio dali, apesar de não haver realmente um iron maiden
no filme. Eu só pensei que seria um bom nome para a banda. Iron Butterfly era
conhecido antes disso e o engraçado é que quando fizemos nossas duas primeiras
apresentações no Cart and Horses nós recebemos um telefonema no bar uma noite e,
até hoje, eu não sei se era um trote ou coisa que valha, mas alguém telefonou e
disse: ‘Nós nos chamamos Iron Maiden e vocês não podem usar esse nome!’ e toda
aquela besteira. Mas eu só disse: ‘Isso é pura merda, porque nós nos chamamos de
Iron Maiden, então vão tomar no rabo.’ Eu tenho que admitir, eu estava todo
bravatas no telefone, mas quando eu desliguei eu pensei: ‘Oh, merda’ porque eles
tinham registrado o nome. E você sabe, mesmo que estivéssemos apenas tocando em
bares, nós não poderíamos usar o nome e naquela época isso me deixou preocupado.
Mas nós nunca mais ouvimos falar deles. Mas aquilo pode ter sido um dos meus
colegas me passando um trote, fingindo um sotaque nortista, eu não sei.”
Certo dia Steve comentou com Dave Lights que não tinha um lugar decente para
ensaiar. Dave ofereceu sua casa, na Folly Street, bem atrás de um bar chamado
Sir John Franklin. “Eles ensaiaram lá cerca de um ano.” relembra Dave
“Geralmente umas três ou quatro vezes por semana. Eu estava na minha própria
banda também naquele tempo, como cantor. Mas, quero dizer, nós nem sequer
tínhamos um nome e não conseguíamos ir além das primeiras notas de ‘Smoke On The
Water’ sem entrar em colapso. Mas o Steve estava com coisa muito boa, eu achava,
bom de verdade. Além do mais, eu tinha de gostar, realmente, vendo que eles
estavam em minha casa ensaiando três vezes por semana horas a fio. Você pode
dizer que pelas alturas em que fizeram o primeiro show, eu conhecia as canções
bastante bem!”
Steve Harris: “O lugar onde ele vivia era essa casa velha que pertencia a
algumas freiras ou coisa assim. Apenas que elas não estavam mais lá e Dave
Lights estava vivendo ali. E ele nos ofereceu algum espaço para ensaios, nesse
lugar debaixo das escadas. (...) E ele então nos disse que: ‘Eu sei um bocado
sobre lidar com iluminação, sabe.’ E esse tipo de coisa, e então foi mais ou
menos daí que começamos.”
David Lights está até hoje com o Iron, cuidando da iluminação de palco e sendo
uma espécie de assessor pessoal de Steve durante as tours.
Nesse tempo o Maiden se tornou uma espécie de banda semi residente do Cart And
Horses. Era Dave quem dirigia a Van e Steve começou a usar os contatos que tinha
estabelecido durante seus tempos no Smiler para conseguir apresentações. E havia
gente nova para ajudar a promissora banda: um cara que tinha sido um dos
ajudantes do Smiler, Vic Vella.
Steve Harris: “Ele era alguns anos mais velho do que nós. E ele tinha esta
característica de estar sempre atento que você precisa tanto por perto quando
está dando um show.” Vic permanece na trupe do Maiden até hoje e trabalha como
auxiliar pessoal de Steve ajudando-o a manter suas quadras de tênis, seu campo
de futebol e o bar que ele mantêm em sua mansão de campo em Essex. Mas nos
primeiros tempos ele era, nas palavras de Steve, “Nosso motorista, nosso técnico
de equipamento de palco e um tipo de irmão mais velho. Vic era um cara legal
para se ter ao seu lado, e você precisava um pouco disso nos lugares em que
estávamos tocando naquela época. Se alguém precisava falar com o nosso
‘empresário’ a gente apontava o Vic.”
Desde o princípio Steve deixou bem claro para os outros que ele queria uma banda
que se concentrasse em tocar material próprio. “Eu sabia que precisaríamos
começar tocando algumas covers, apenas para conseguirmos algumas apresentações.
Mas eu já tinha algumas canções escritas, e isso é que era importante, tanto
quanto eu me importava, levando os outros a aprender as canções primeiro e
depois fazendo as coisas se acertarem em torno delas.”
Claro que Steve estava escrevendo seu material, mas ele não desencorajou os
outros de trazerem suas próprias idéias, como Dave Sullivan revela: “Geralmente,
se nós tivéssemos uma idéia, Steve a ouvia e se ele gostasse, ela entrava. Eu e
Terry costumávamos ir à casa de Steve com dois violões e ele ligava seu baixo
num velho gravador, que eu me lembre, assim ele ficava amplificado, mas não
muito alto. Ele vivia na casa de sua avó, naqueles dias. Nós começamos apenas
uma algumas idéias que ele tinha trazido de sua banda anterior. Coisas como o
riff de ‘Innocent Exile’, que veio dos tempos do Steve com o Smiler. E eu e
Terry sugeríamos algumas coisa também.”
Sullivan diz que o riff de entrada daquilo que se tornaria o hino da banda,
‘Iron Maiden’, foi idéia sua. “Eu me recordo bem que o riff do começo de Iron
Maiden era meu” relembra ele “Nós só o tocamos e ficamos brincando com ele entre
nós. Então o Steve o moldou ligeiramente e veio com outra coisa, que acabou
virando a canção.”
Steve: “Eu toquei algumas das canções e eu disse a eles que tipo de material eu
queria fazer. Eles estavam numas de Wishbone Ash e esse tipo de coisa. David
Sullivan, em particular, estava curtindo muito Wishbone Ash. Eu não vou dizer
que sabia totalmente o que eu queria fazer, porque eu não acho que você nunca
sabe realmente isso, mas eu tinha uma direção que eu sabia que eu queria ir. Eu
queria tocar um hard rock, material pesado com muito agressividade incluída. Mas
também queria tocar material com muita melodia e muitas duetos de guitarra.
Poderia ter sido canções de qualquer pessoa mas apenas aconteceu de eu estar
escrevendo o material, e tentando juntar o repertório de qualquer maneira,
porque eu pensei: ‘Bem, eu não posso trazer as pessoas para a banda se não tiver
nada para tocar pra eles, então vou ter que escrever mais canções do que eu já
tenha escrito.’
Livre da tarefa de ter que tocar músicas de outras pessoas, Steve deu corda à
sua imaginação e foi durante este período que sua criatividade disparou e, na
busca de uma identidade para a banda, que canções como ‘Iron Maiden’, ‘Wrathchild’,
‘Prowler’ e ‘Transylvania’ começaram a ser rascunhadas. Como o próprio Steve
diz: “Elas estavam ainda em suas primeiras versões, por assim dizer. ‘Purgatory’
também é desses tempos, só que naquela época o título dela era ‘Floating’. Era
então bastante diferente mesmo. Eles ficaram impressionados com o material,
sabe, mas o resto do nosso repertório era de covers. A idéia era sempre de que,
se fizéssemos uma cover, deveríamos tentar fazer uma que não fosse muito
conhecida. No Smiler muito do nosso material era bem imprevisível, não era bem
do tipo que o pessoal no pub conheceria, e muitas vezes eles pensavam que era
uma canção nossa. Então eu decidi que preferia ir por este caminho , ao invés de
tocar músicas que eram conhecidas demais.
“Então ao invés de tocarmos ‘All Right Now’ do Free, nós tocaríamos algo como
‘I’m A Mover’ (do mesmo grupo só que menos conhecida). Nós tocávamos algumas
músicas que ficariam mais conhecidas mais tarde, mas que não eram na época:
‘Jailbreak’ do Thin Lizzy era uma delas. E tocamos uma canção chamada ‘Striker’
dessa banda chamada Tucky Buzzard – eles eram um grupo que gravava pelo selo do
Deep Purple e eu os conheci através dos gêmeos do Smiler, porque eles gostavam
deles. Nós não estávamos tentando enganar as pessoas, nós não estávamos mentindo
sobre as músicas (sobre serem deles), nós apenas achávamos que havia algo mais
legal do que simplesmente ir lá e tocar covers (conhecidas). Porque todas as
outras bandas estavam tocando Doobie Brothers e ‘All Right Now’. Eu pensei
‘Foda-se com isso. Eu realmente quero fazer nosso próprio set.’ Então assim que
uma música original entrava uma cover caía fora.
Já naquela época ficava clara uma marca registrada do Iron Maiden: as súbitas
mudanças de andamento nas músicas. Uma coisa que se tornaria comum nos seus
maiores trabalhos.
Steve Harris comenta sobre isso: “Naquelas alturas, o material mais intrincado
que tocávamos era ‘Transylvania’ e provavelmente ‘Iron Maiden’, que era uma
coisa meio esquisita para algumas pessoas. Na época os outros com certeza
acharam que era um pouco estranha. Mas eu era muito influenciado pelo rock
progressivo e para mim estas mudanças de andamento não eram nem um pouco
estranhas. Eu achava que elas caíam como uma luva. Bandas quer eram do estilo
progressivo, como o Genesis, Emerson, Lake & Palmer, Jethro Tull, Yes, King
Crimson – Eu adorava ‘In The Court Of The Crimson King’ (obs. recentemente
regravada por outra banda de metal, o Saxon). Então eu estava acostumado a essas
mudanças doidas que pareciam vir do nada. Tipo ‘De onde diabos isso veio? O que
eles estavam tentando fazer?” Você sabe.”
No entanto, Steve não andava muito satisfeito com seus guitarristas, como ele
mesmo explica: “As coisas não estavam ficando muito fáceis, porque apesar de
Dave e Terry serem dois excelentes guitarras base, e eles conseguiam levar o
conceito de dupla de guitarras muito bem, nenhum dos dois conseguia tocar
guitarra solo do jeito que eu queria. Eu queria uma banda que iria tocar um
repertório bem veloz e um material que era um pouco mais complicado, mas que
também iria arrancar sua cabeça com alguns solos também. E nem Terry nem Dave
conseguiam realmente fazer isso. Eu comecei a pensar que eu precisava de um
outro guitarrista para fazer isso.”
No entanto, o primeiro a perder o seu posto na primeira versão do Maiden não
seria nenhum dos dois guitarristas, mas sim o cantor Paul Day. É Dave Sullivan
que conta como foi que ocorreu: “Eu tinha viajado para a Flórida numas férias, e
eu acho que quando voltei Paul já tinha saído e Denny (Dennis Wilcock) tinha
entrado. Eu estava razoavelmente satisfeito, mas eu não tinha certeza de sua
habilidade vocal. Mas Denny tinha a imagem que Steve estava buscando. Den já
tinha estado em algumas bandas e ele era um pouco mais velho do que nós, e ele
gostava de ditar algumas regras. Eu sempre me lembro dele rodando seu microfone
no Cart & Horses e ele quase que me acertou. Eu pensei: ‘Yeah, isso é
diferente.’”
“Nós sentimos que Paul era legal como cantor mas ele não tinha bastante energia
ou carisma no palco.” Recorda Steve Harris “Nós fizemos uns bons 25 shows com
ele, eu acho. Todo o tempo eu esperava que ele ficasse melhor, porque tinha uma
grande voz. Mas no palco ele não era nem um pouco seguro, não naquele tempo pelo
menos. Ele ficava muito nervoso e a coisa toda apenas não acontecia, então
decidimos substituí-lo e foi aí que o Dennis Wilcock entrou.”
Wilcock era um fã ardoroso do Kiss, tinha bastante experiência de palco e não
pensou duas vezes antes de usar vários truques teatrais para impressionar a
platéia. Foi idéia dele o visual macabro que acabaria se tornando uma das marcas
do Iron Maiden. Ele subia no palco usando a pintura de uma estrela vermelha no
seu olho direito (não por acaso muito parecida com a pintura de seu ídolo Paul
Stanley do Kiss). Na música ‘Prowler’ ele usava uma máscara de soldador (idéia
que tirou de um show do Genesis). Durante alguns solos ele se transformava num
vampiro, atacando as costas do guitarrista e fingindo que mordia seu pescoço.
Mas o ponto alto dessas apresentações era em ‘Iron Maiden’ quando ele passava o
fio (cego) de um florete através de sua boca e cuspia golfadas de sangue falso.
Steve e os demais membros da banda ficaram fascinados quando duas garotas
desmaiaram ao ver a cena durante um show em Margate.
Steve Harris: “Den não era um cantor tão tecnicamente bom quanto Paul, mas ele
tinha carisma e um lado divertido. Eu tenho que admitir, eu achava que ele
parecia meio que criança quando ele costumava aparecer com aquele coração
vermelho pintado sobre um olho – igualzinho ao Paul Stanley saído do Kiss, você
sabe. Dave talvez usasse um pouquinho de lápis no olho também, algumas vezes –
quando ele estava bêbado sua garota punha isso nele antes dele subir no palco.
Mas eu enchia o saco dele por isso!
“Mas com o Dennis era uma maquiagem de um jeito diferente. Pelo menos ele tinha
uma persona de palco, o que era uma evolução em relação ao Paul. E não importava
a maneira que você encarasse o visual do cara, ele pelo menos se atirava de
cabeça naquilo. E isso era importante. Eu queria tocar naqueles bares e botecos
que tocávamos como se estivéssemos no palco do Hammersmith Odeon ou coisa assim.
E Den era muito bom nisso.”
Mas com a chegada de Dennis veio junto a notícia sobre um guitarrista colega de
Den, que segundo ele, podia detonar com tudo. Seu nome era Dave Murray. Steve:
“Eu disse, ‘Bem, se ele é tão bom assim, traz ele aqui!’ E ele veio. E foi aí
que tudo mudou...”
Hoje em dia pode parecer estranho, ou irônico, mas Steve tinha mesmo a idéia de
ter três guitarristas ainda nos anos 70! “Eu sabia que poucas bandas tinham tido
três guitarras, como o Lynyrd Skynyrd, que tinham feito algo realmente bom com
elas.” explicou Steve em 1998 “E, em princípio, eu pensei que seria legal tentar
algo similar. Dave e Terry eram bons na dupla de guitarras e eu pensei que se o
cara que Den está trazendo fosse realmente tão bom quanto ele falava, ele bem
que poderia arrebentar em cima dessas bases. Mas, do jeito que as coisas foram,
isso não era para acontecer.”
Dave Sullivan dá a sua versão: “Os solos estavam carecendo talvez da qualidade
daquilo que o Steve e o Den procuravam naquela época, e houve algumas discussões
a este respeito, sim. Em princípio, Steve só queria incluir um terceiro
guitarrista. Eu não me importei muito, mas o Terry não estava gostando. Ele não
achava que um terceiro guitarrista era necessário. Mas as pessoas levam a coisa
pelo lado pessoal algumas vezes, como se isso fosse um desprezo pelo sua
habilidade. E esse foi o jeito que Terry entendeu. Mas eu era bastante aberto a
isso naquela época. Dave Murray já estava rondando por ali, eu acho. Eu não
estava lá quando ele fez a audição. Eu acho que fez a audição só com o Steve e o
Den (mais o Ron).”
Steve Harris: Eu queria o Dave Murray na banda. Eu sempre achei que ele era um
grande guitarrista e que ele podia tocar melhor do que qualquer um que eu
conhecia. Então pensei: ‘Bem, foda-se, sabe, Lynyrd Skynyrd tem três
guitarristas, por que não nós?’ Eu não tinha problema em ter os três lá, mas os
outros não estavam nessa, eles não estavam numas de ter outro guitarrista. Eu
não sei se isso foi porque eles tinham uma combinação e pensavam que não estava
dando certo ou coisa assim – e não estava dando certo, eles apenas não eram
solistas particularmente bons. Era só isso, realmente. Eu apenas disse: ‘Bem, se
vocês não aceitarem alguém entrar para a banda, então vocês terão que sair.’
Porque então eu já tinha me decidido que era aquilo que eu queria.”
Dave Sullivan se recorda bem desta época: “Foi um pouco antes do natal de 1976.
Nós tínhamos tocado no Walthamstow Assembly Hall, e foi a primeira vez que
tivemos um poster promocional para uma apresentação. Foi o primeiríssimo poster
do Iron Maiden, que o Steve desenhou pessoalmente. Eu ainda tenho um. Mas eu e o
Terry tínhamos saído pouco depois disso. Nós tivemos uma reunião num pub e Steve
mais ou menos disse isso: ‘Nós vamos separar a banda e dar um descanso.’ Eu não
estou certo se foi mencionado sobre Dave Murray se juntar a nós. Eu acho que
havia algumas coisas que as pessoas não estavam contentes e as discussões
ficaram um tanto obscuras naquele momento. Tinham sido ditas algumas coisas
sobre economizar dinheiro para comprarmos um PA melhor e meio que passamos por
cima da coisa toda. Nós estávamos chateados sobre isso, sim, mas eles estavam
muito determinados. Eles disseram algo como, por enquanto nós vamos dissolver a
banda e talvez trabalhar algo mais tarde. Mas eu acho que o Dave já estava
rondando por ali.”
Steve Harris admite que foi mais do que simples técnica que determinou as
primeiras baixas nos guitarristas do Maiden: “Havia algumas coisas a respeito
deles (Rance e Sullivan) na época. Não era só como tocavam. Algumas vezes eles
não estavam muito convictos sobre seus compromissos com a banda, como fazer
certos shows e coisas assim, porque ambos tinham bons empregos durante o dia, eu
acho, e ambos estavam um pouco preocupados com isso. Eu não estava interessado
nisso. Eu estava numas tipo ‘Fodam-se os empregos! Eu não estou nem aí sobre o
quão bem você está fazendo o seu trabalho, a banda tem que estar em primeiro
lugar!’ Eu disse isso a todos eles, qualquer um que entrasse na banda. Essa tem
que ser a atitude. Era meio assim: ‘Eu não me importo se o seu irmão ou irmã
estão se casando, ou o que for, se tivermos um show naquela noite, nós faremos o
show.’ Esta sempre foi a minha posição: O Maiden vem primeiro.”
Sullivan diz que foi somente “uns seis meses depois” que ele e Terry descobriram
que o Maiden estava de volta à ativa – com Dave Murray na guitarra. “Eu tinha
falado com o Ron (Rebel) e ele me disse que eles estavam levando a banda
adiante. Mas eu não fiquei muito aborrecido naquelas alturas. Eu me lembro de
estar tentando comprar um apartamento, porque eu estava indo me casar na época e
eu tinha um monte de outras coisas mais importantes na minha cabeça.”
Naturalmente houve muito arrependimento mais tarde, como o próprio Dave Sullivan
admite, quando viu o nome do Iron crescer assustadoramente pelo mundo todo.
Embora ele tenha uma visão bastante filosófica sobre o que aconteceu: “Claro, eu
acho que eu sempre vou ter arrependimento de não ter sido parte de tudo aquilo,
porque estávamos lá bem no princípio.” Confessa ele mais de vinte anos depois
“Mas eu não saberia dizer se eu estaria lá agora. Porque eu acho que
simplesmente não era para ser. Boa sorte para eles, eu digo. Eu sou um designer
autônomo para companhias de petróleo agora. Mas ainda estou em contato com o
Terry, nós ainda escrevemos juntos e fazemos algumas coisinhas aqui e ali. Mas
apenas por divertimento, sabe. Muito diferente do Maiden. Steve sempre foi tão
sério sobre aquilo tudo, desde o princípio.”
Steve levaria seu sonho adiante contra todas as adversidades que encontraria no
caminho – e que não seriam poucas. Mas nunca deixou de ser objetivo e dedicado.
Quem acreditou e o acompanhou sabe disso. Milhões de fãs no mundo todo diriam em
coro: Amém!
Steve nasceu em Leytonstone, East London,
Inglaterra, no dia 12 de março de 1956, "No quarto dos fundos da minha avó". Era
o filho mais velho de quatro, tendo ele três irmãs mais novas. Seu pai era
motorista de caminhão e sua mãe uma dedicada dona de casa que ocasionalmente
trabalhava em empregos temporários, mas que sempre colocou em primeiro lugar
cuidar dos filhos. Havia bastante música na casa: Ele se lembra das irmãs e suas
amigas dançando ao som dos hits do momento: "Coisas como Beatles, Simon &
Garfunkel. Eu não consigo me lembrar se eu gostava disto desde o princípio, mas
estava sempre tocando. Da maneira que eu fui crescendo eu decidi que eu gostava.
Eu consigo me lembrar de algumas letras até hoje, então fica claro que eu
absorvi aquilo tudo."
Mas antes de música havia outra coisa na vida do jovem inglês: Steve era bom em
esportes na escola, tendo praticado tênis, cricket e futebol. Desde o princípio
ele foi atraído por desenho e música, mas sua paixão infantil foi completamente
dominada pelo futebol. Tanto que ele sonhava em se tornar jogador profissional,
de preferência no seu amado time do coração, o West Ham United, um time local
que deu ao mundo alguns dos jogadores que fariam parte da seleção campeã do
mundo em 66: Bobby Moore, Geoff Hurst e Martin Peters.
"Eu costumava jogar futebol na rua" lembra-se ele hoje: "Podia ser tanto com
colegas quanto sozinho, só chutando a bola contra um muro. Se eu não tivesse uma
bola uma latinha jogada fora servia. Eu estava sempre jogando com meus amigos e
música ainda não tinha entrado na minha vida naquele momento. De fato eu devo
dizer que futebol foi a primeira coisa que realmente senti uma coisa muito
forte."
Seu primeiro contato com uma partida profissional aconteceu quando tinha nove
anos e um colega o levou para ver uma partida do West Ham, no seu estádio perto
de Upton Park.
Ele mesmo se recorda da ocasião: "Você podia ir de ônibus até lá. E lá fomos
nós, por nossa própria conta - sem adultos - e então o vimos bater o Newcastle
por 4 a 3. E foi então que aconteceu, fiquei louco, um fã completo dos Hammers!
Meu pai e meu avô eram torcedores do Leyton Orient (outro time local do East
End) e eles não gostaram nem um pouco quando ficaram sabendo. Mas meu pai estava
sempre fora de casa a trabalho e eles nunca realmente me levaram a um jogo,
então é culpa deles eu virado fã do West Ham. Eu tinha a camisa do time e tudo
mais."
Futebol passaria a ser o foco da vida de Steve pelos próximos sete anos, tempo
durante o qual ele fez tudo para realizar seu sonho de se tornar realmente um
jogador de seu time do coração. Passional em tudo que se dedica, esse sonho
dominou todos os seus pensamentos de infância.
"Eu jogava futebol no time da escola, e também tênis." Ele se recorda: "Eu
gostava de música e de desenho, mas o futebol era sempre a prioridade número um
para mim, quando eu era garoto." Tão logo Steve começou seu estudo secundário na
Leyton High, já estava jogando para o time da escola todo Sábado e, para um time
amador local (o Beaumont Youth), todo Domingo. "Eu jogava bem em qualquer
posição, exceto meio de campo e goleiro. E isso apenas porque eu era muito
baixo. Eu podia correr muito bem com a bola dominada. Nós tínhamos um bom time
em Beaumont. Dos doze caras que jogavam no primeiro time sete ou oito viraram
profissionais de vários clubes. Nós jogamos contra o Orient Youth uma vez e os
derrotamos por 5 a 1! Meu pai e meu tio vieram ver a partida. Eu marquei dois
dos gols e meu pai ficou muito contente. Foi nesse ponto que pensei na
possibilidade de me tornar profissional."
Steve era, de fato, um bom jogador. Tão bom que chamou a atenção de um "olheiro"
famoso no local, Wally St. Pier, que o convidou para treinar no time juvenil do
West Ham.
Ele mal pode acreditar quando isso aconteceu: "Ele era uma figura meio lendária
por ali, sempre rondando meio escondido. Nunca ninguém conseguia dizer se ele
estava por ali ou não, mas eu acho que ele me viu jogar umas duas ou três vezes
e então eu recebi uma proposta, via Beaumont, para ir treinar no West Ham. Eu
tinha apenas 14 anos e não podia acreditar naquilo! O diretor do clube chegou
até mim e me contou. Eu estava nas nuvens! (...) Até meu pai ficou encantado.
Ele fez um comentário maldoso por ser do West Ham, mas eu sabia que ele estava
feliz. Era uma coisa muito excitante para a época."
O que parecia um sonho tornado realidade logo azedou quando Harris descobriu que
o ritmo e dedicação exigidos pelo futebol profissional eram muito maiores do que
imaginava. E, aos 14 anos, o jovem adolescente não estava muito a fim de abrir
mão das festas, da turma e das meninas para ficar treinando e jogando dia após
dia, praticamente sem descanso. "O ponto focal de ser um jogador profissional é
que você tem que ser incrivelmente dedicado. É algo assim como se tornar um
monge, e isso é muito difícil quando você tem apenas 14 ou 15 anos. Você está na
idade em que todos os seus amigos começam a sair e se divertir e você sabe que
você simplesmente não pode. Eu queria muito sair, encontrar com as meninas,
tomar uns goles e me divertir com meus colegas. Eu estava treinando todos os
dias da semana, e ainda três jogos todos os finais de semana".
"Meus pais não me pressionaram. Sei que muitos pais fazem isso, mas os meus não.
Eu é que tentei me pressionar, mas eu pensei: "Não quero mesmo fazer isso." Foi
um choque concluir isso. "Eu até deixei completamente de jogar futebol durante
um ano depois de me decidir e isso quase me levou à loucura. Quer dizer, o que
eu ia fazer?"
Com um grande peso no coração deixou de lado seu antigo sonho de ser "um novo
Geoff Hurst". É certo que este amor jamais abandonou de todo sua antiga paixão:
um ano depois voltou a jogar por prazer, no Melbourne Sports, e continua no
mesmo time até hoje, sempre que tem uma folga no Iron Maiden.
Assim, Harris passou para sua outra paixão: a música. Tinha decidido se tornar
um rock star. E logo começou a deixar o cabelo crescer, como era moda entre
roqueiros da época. (Steve afirma que seu corte foi inicialmente baseado no de
Chris Squire, baixista do Yes).
Os liberais pais de Harris não se importaram, mas sua obstinação em nunca baixar
a cabeça diante de qualquer situação lhe custou, aos dezesseis anos, seu curso
de tênis, já que o jovem adolescente não queria cortá-lo para fazer as aulas.
Isso se tornou seu princípio.
Música era uma ocupação que permitiria Harris expressar-se e manter seu cabelo
grande.
"Eu realmente não comecei a tocar guitarra até os 17 anos." Relembra ele: "Mas
eu costumava comprar discos de vez em quando desde que eu tinha 14 ou 15 anos. O
primeiro disco que eu tive foi comprado para mim. Eu tinha só uns cinco anos e
pedi aos meus pais que comprassem o tema do filme "Exodus". Eu realmente adorava
aquele tipo de música, eu acho que ainda tenho o disco em algum lugar. É bem
épico, bem do estilo que sempre me chamou a atenção. Então desta época em diante
eu passei a pegar discos de vez me quando. Mas eu tinha 14 anos quando comprei
meu primeiro LP - um álbum compilação desses sucessos de Reggae - coisas como
"Monkey Spanner" de Dave e Anselmo Collins e "Big Five" do Judge Dread.
Era 1970: Reggae, por mais estranho que pareça, era a música escolhida para a
primeira geração na Inglaterra de um movimento que seria conhecido como
skinheads (ou Carecas, como ficaram conhecidos no Brasil). Os uniformes eram
parecidos com os atuais desse infame grupo. Mas naquela época as coisas eram
diferentes, havia menos idealismo ligado ao neonazismo e Steve entrou nessa por
motivos menos violentos dos que os que adotaram o estilo em tempos recentes. Ele
mesmo se recorda bem da fase:
"A maioria de nós era o que hoje em dia costumam chamar de skinheads, eu acho.
Mas eu não era realmente um grande fã dessa coisa toda. Eu apenas comprei aquele
disco para aprender alguns passos da dança. Você sabe, para poder chegar mais em
festas. Se você não soubesse a dança você não conseguia descolar meninas. Nenhum
de nós estava totalmente envolvido com isso (com o movimento skinhead). Eu nunca
cortei o meu cabelo, nunca tive aqueles cortes máquina zero, mas cheguei a usar
todo o aparato, uniforme completo, botas e coisas assim. Mas depois de um tempo
você passa para a moda seguinte e depois para outra, até chegar às calças de
couro, cruzes de madeira e fica ouvindo Free e Black Sabbath."
Nessa época, já tendo deixado a moda skin para trás há um bom tempo, Harris fez
amizade com um colega de escola, Pete Dayle, e juntos passavam muitas horas na
casa de Dayle, jogando xadrez ou outro jogo qualquer. Acontece que o novo amigo
tinha uma boa coleção de rock, que tocava durante as partidas, o que chamou a
atenção de Steve. "Era um tipo de coisa que eu nunca tinha ouvido antes. E eu
ficava pensando "O que é isso?". Basicamente era o que hoje chamamos de rock
progressivo. Artistas como Jethro Tull, King Crimson e Genesis.
Steve ficava intrigado, já que todo mundo na sua turma gastava todo o dinheiro
com coisas relacionadas a futebol, enquanto que seu amigo torrava toda a grana
em discos, além de ter um aparelho de som muito bom. Steve começou a ficar
curioso e gostar do que ouvia. Pediu para que o amigo lhe explicasse o que era
aquilo. Ainda meio verde, Steve descobriu que achava alguns bons e outros,
"esquisitos".
Mas a grande virada de sua vida aconteceu quando Pete deixou que Steve levasse
alguns discos de sua coleção para ouvir em casa, onde poderia escutar com mais
atenção. Assim, Harris levou discos como "This Was" do Jethro Tull, um antigo
Genesis e um Deep Purple.
"Aquilo me enlouqueceu! - fiquei numas de "eu vi a luz, cara!" Especialmente o
material do Genesis e Jethro Tull. Eu não podia acreditar em algo tão bom assim.
Coisas como "The Musical Box" (do disco Nursery Crime do Genesis). Quero dizer,
até hoje sinto um nó na garganta quando ouço estas coisas."
Até hoje Harris assusta alguns fãs quando lhe perguntam quais são seus álbuns
preferidos de todos os tempos: ele sempre cita "Foxtrot" do Genesis,
provavelmente "Recycled" do Nektar ou algum disco do Jethro Tull. Apesar de
alguns fãs terem dito que tais discos seriam coisas datadas e antigas, Steve
chegou mesmo a escrever a alguns deles respondendo que "Eles mudaram a minha
vida, realmente. Achei aqueles sons fodidos de tão bons. E o próximo passo era,
eu queria imediatamente tentar tocar aquele material."
(Obs. Harris renderia algumas homenagens a essas influências iniciais em
ocasionais lados B de compactos do Maiden e, principalmente, no EP Aces High,
fazendo covers de músicas do Jethro Tull, Nektar e Mountain)
Inicialmente, como é muito comum com qualquer garoto que não sabia nada sobre
música, Steve se interessou pela bateria: Mas aí eu pensei: "Não posso tocar
bateria, porque não tenho lugar para praticar e é muito barulhento."
Ao invés disso nosso herói resolveu comprar um violão usado para começar a
praticar. "Eu decidi que ia pegar a coisa mais próxima à bateria, que é o baixo
e tocá-lo junto com a bateria." Alguém tinha dito a Harris que deveria primeiro
aprender violão, o que ele começou a fazê-lo, chegando a ensaiar alguns acordes.
Quando viu que não tinha nada a ver com o baixo, tratou de conseguir juntar 40
libras duramente, até poder comprar uma cópia de um baixo Fender.
Um colega de escola, Dave Smith, lhe ensinou os quatro acordes básicos para
tocar rock: Mi, Lá, Ré e Sol. Steve começou então a praticar no seu baixo todos
os dias. "Uma vez que coloquei as mãos num baixo eu vi que podia fazê-lo."
Lembra ele: Foi algo como "foda-se com os acordes, apenas toque as cordas, você
sabe" e a coisa foi maravilhosa. Eu fui logo começando a fazer aqueles sons
esquisitos, para cima e para baixo." E acrescentou modestamente: "Eu acho que o
baixo é mais fácil de tocar do que a guitarra, que é muito complicada de se
tocar da forma correta, é sério!"
"Você pode aprender a tocar as linhas de baixo de 'Smoke On The Water' muito
mais rápido que levaria para aprender a seqüência de acordes, e essa é a
seqüência mais simples de todas. Eu amei isso. Pensei: 'Isso é para mim.'. Eu
ainda tentei pegar alguns songbooks e coisas assim, mas eles não tinham nada
para baixo, a maioria era para guitarra e mesmo aqueles que chegavam a ter notas
de baixo, geralmente estavam errados."
Mas tocar as complicadas seqüências neoclássicas de grupos como Yes ou Genesis
não era tão simples assim. Então o jovem baixista resolveu tentar começando por
alguns rocks mais fáceis que estavam na moda como "Smoke On The Water" do Deep
Purple ou "All Right Now" do Free.
Aos poucos foi melhorando o bastante para conseguir pegar coisa mais complexas e
sutis de baixistas como Geezer Butler do Black Sabbath, cujas harmonias simples
escondiam belas passagens de baixo bastante difíceis. "eu me lembro claramente
de estar tentando tocar "Paranoid" junto com o disco e simplesmente não
conseguia.
Eu então joguei o baixo na minha cama e fui dar uma volta. Mas no dia seguinte
eu peguei de novo meu instrumento e quando toquei eu conseguia seguir nota por
nota! Uma vez que eu alcançava o básico, eu buscava as notas mais sutis e
começava a tentar ser um pouco mais esperto e tocar material de gente como Chris
Squire e caras como ele, coisa que eu não conseguia ir muito longe durante um
bom tempo."
Esta mistura de estilos hard e progressivo fizeram com que Harris conseguisse
desenvolver um estilo de compor raro até então, onde as "quebradas" de ritmo,
comuns dos grupos progressivos se juntava ao peso e agressividade do heavy
metal. Isso tudo, é claro, aliado a um ouvido antenado para melodias e uma
imaginação fértil para letras. Harris era tão ligado a seu instrumento que até
passou a compor nele, ao contrário da maioria dos baixistas (isso até meados dos
anos 80, quando passou a se dedicar também aos teclados).
Mais tarde outras bandas influenciaram decisivamente seu estilo de baixo e suas
composições (Judas Priest, Scorpions, Wishbone Ash e outras). Mas a principal
influência de sua persona de palco, parece ter sido vinda de uma banda muito
importante que influenciaria toda uma geração de músicos de metal dos anos 80 e
seguintes: o UFO.
Embora nunca fossem grandes vendedores de discos, a banda inglesa foi uma das
primeiras a utilizar elementos do que hoje é chamado de metal melódico e
fascinou o pequeno Steve muito pelo seu som avançado, pelo solos limpos e
virtuosos do guitarrista Michael Schenker, mas principalmente pela performance
do baixista Pete Way. Way, além de grande instrumentista e compositor, se mexia
o tempo todo no palco, não ficando quieto nem um minuto, bem ao contrário da
tradição dos baixistas de rock, mais discretos.
Steve mais tarde copiaria não só grande parte de sua movimentação nos shows, mas
também seu visual, como pode ser observado no documentário "Too Hot To Handle"
do UFO (em que o próprio Steve aparece prestando depoimentos sobre a banda).
Steve estava praticando duramente com seu baixo havia dez meses quando convenceu
seu amigo Dave Smith a formar uma banda com ele. Ela levaria o nome de
Influence. O resto, como se diz, é história.
Produzido Por MaidenFans.cjb.net