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Um pouco sobre mim
Meu nome é Vitor, sou um escorpiano nascido em
Florianópolis, SC. No entanto, fui criado em meio a
tradições e costumes gauchescos e me considero
gaúcho de sangue, alma e coração com orgulho.
Sou uma pessoa bastante observadora, falo pouco e estou sempre atento a
tudo ao meu redor. Tenho poucos amigos, alguns colegas e uma
porção de conhecidos. Como qualidades posso citar a
honestidade, sinceridade, autenticidade, educação, o
respeito e a dignidade. Como defeitos cito o perfeccionismo, a
ambição, o materialismo, sou um pouco orgulhoso,
egoísta as vezes, enfim.
Tenho ensino médio completo e
alguns cursos como Mecãnica Automotiva, Motores Diesel,
Injeção Eletrônica, DJ entre outros. Você
já deve ter percebido que sou fanático por carros,
não? Isto é só o começo, no decorrer desta
página você verá que não se trata de
fanatismo, mas de paixão desmedida e incondicional,
principalmente pelos carros fabricados na década de 80 e no
início da década de 90. Além dos automóveis
eu tenho como paixões som automotivo, música
principalmente gauchesca e eletrônica, animais, natureza,
hotéis-fazenda, lugares sossegados, churrasco,
tradições e costumes gauchescos, rodízio de pizza e
claro, as mulheres. Costumo dizer que se Deus fez algo melhor e mais
cativante que elas ficou pra ele, porque aqui na terra não tem.
Cada uma tem um toque de charme e sensualidade próprio que a
torna única e especial, não sei o que seria de nós
homens sem elas.
Não posso reclamar de má sorte no
amor, muitas mulheres maravilhosas já me fizeram feliz. Nenhuma
de SC; namorei duas paranaenses e uma paulista, as outras foram todas
gaúchas. Sabe por que nenhuma foi de SC? Porque eu sou cego. Sim,
tal fato assusta as catarinas. A maioria foi gaúcha pois o povo
do RS, em sua grande maioria, tem a cabeça muito mais aberta para
a questão das diferenças e vê em mim alguém
absolutamente normal, apenas sem a visão. As catarinas...
barbaridade; até eu provar de todas as formas que sou apenas cego
e que um cego tem plena capacidade de envolver-se afetivamente como
qualquer pessoa, a maioria duvida, questiona, "torce o nariz".
Quanta ignorância, santo Deus! Aí, além das
catarinas preconceituosas, têm as catarinas que até
não são tão preconceituosas, mas temem a
opinião alheia. "O que meus familiares vão achar? E minhas
amigas? E as pessoas do meu convívio social, como vou lhes
apresentar como namorado um "ceguinho?" Sim, o povo acha a palavra cego
muito forte, pesada, desagradável; aí, tenta "diminuir o
peso do termo" e usa-o no diminutivo. Totalmente errado; cego é
cego, não ceguinho. Mas aí, como o pessoal de SC se
importa demasiadamente com o que os outros pensam, então a maior
parte das guriazinhas - deve ter no máximo 1 por cento que
realmente não vê problema - acaba preferindo não se
envolver com um cego. Eu só digo uma coisa: quer, queira;
não quer, tem quem qeira!hehehehee antes que alguém venha
dizer que sou grosseiro, afirmo que não se trata de grosseria,
mas de autenticidade. Muita gente mascara a verdade porque "fica chato",
mas eu não sou assim não. Verdade sempre, doa a quem doer.
Se as pessoas deixassem a hipocrisia um pouco de lado e procurassem
verdadeiramente a paz interior, tenhocerteza que o mundo seria bem
melhor. Mas, como eu tava dizendo, é bom ressaltar que essa
questão da discriminação não acontece
somente em meus relacionamentos amorosos, aqui em SC os cegos têm
uma imagem péssima para quase todas as pessoas. Existem
cegos chatos, mal cuidados, sujos, desiquilibrados emocionalmente mas e
aí? Tem muita gente que enxerga assim também, ou
não? O pessoal de SC generaliza, acha que todos os cegos
são inúteis e têm classe social baixíssima a
ponto de não conseguirem manter-se sem ajuda de esmolas
provenientes dele. Realmente têm cegos que são assim, mas
existem cegos que nada têm haver com isso. O povo gaúcho,
não somente as mulheres mas o pessoal do RS em si, entende e lida
melhor com as diferenças. A grande maioria das pessoas de SC,
homens ou mulheres, pensa que cego é dependente, infeliz,
desequilibrado, mal educado e só se relaciona com prostitutas ou
com garotas que também sejam cegas. Nada contra garotas cegas,
são tão especiais como qualquer mulher, só quero
dizer que um cego pode namorar qualquer garota, independente de ser cega
ou não. Mas lhe digo: viver em SC é arder no fogo do
preconceito, sou realmente muito discriminado por aqui. No entanto,
é importante deixar claro que a maior parte dos catarinas
não é composta por pessoas más, mas por gente
extremamente ignorante. A tal discriminação a qual me
refiro é proveniente da cultura pobre do pessoal daqui e, por
tanto, afirmo que a grande maioria não faz por mal. No fundo
é um povo digno de pena. Sem generalizar, claro; existe gente
muito culta e coerente por aqui, isso é raro, mas existe. Enfim;
aproveito o espaço para homenagear meu povo, o povo
gaúcho. Gaúchos de todas as querências, sintam-se
abraçados por mim. E nos outros estados brasileiros, como
será que as pessoas lidam com o preconceito? Acredito que SC
esteja em primeiro lugar na questão da
discriminação e não é só com cegos
não, a diferença, seja ela qual for, assusta a maioria das
pessoas aqui. O RS na minha opinião ganha nota 10, preconceito
lá é bem difícil. E nos outros estados? Quem souber
ou quiser tentar me dizer algo acerca,
Sou cego de nascença, o que não encaro como
um problema e sim como uma limitação. Uso o computador
graças a alguns programas falados que me possibilitam fazer tudo
que uma pessoa com visão faz em um computador. Mentira, tudo
não, quase tudo; a visualização de figuras ainda
é impossível.
Quanto a minha família... bom,
minha mãe
Isso é um resumo do que eu sou.