Nasci em Campo Grande, Zona Norte do Recife, em 29 de março de 1942. Meu primeiro contato com a música, segundo contava meu pai, foi nos braços da minha mãe, ouvindo um samba de Noel. Eu estava muito doente, mas mesmo assim comecei a me sacudir nos braços dela provocando risos. Foi na Matriz de Nossa Senhora do Carmo, cantando na Schola Cantorum (coral de meninos) onde senti que devia estudar música.
Meu primeiro instrumento musical foi a requinta, espécie de clarineta. Com ela fiz o meu primeiro carnaval, com Mestre João Santiago, em 1957, nas ruas de Olinda. Mas a requinta era um instrumento que me limitava a só tocar no carnaval. Eu precisava ganhar dinheiro e perguntei a um amigo de nome Pitelo como era a escala do saxofone. Ele me ensinou e eu comecei a estudá-lo. Foi assim que iniciei a minha carreira de saxofonista. Tudo isso aconteceu na Escola Industrial, na Encruzilhada. Em 1958, por meio de concurso, entrei na Banda Municipal do Recife, tocando requinta.
Sou casado desde 1961. Tenho duas filhas e um casal de netos. A menina é o meu xodó e a minha alegria.
Em 1975 concluí o curso de Jornalismo na UNICAP e no ano seguinte Leonardo Dantas Silva convidou-me para assessorá-lo no Departamento de Cultura da Secretaria de Educação e Cultura do Estado. Eu o conheci quando fui campeão com o meu primeiro frevo-de-rua (Duas Épocas), no concurso da Prefeitura do Recife, em 1966. Ele foi à minha casa para fazer uma matéria e não pôde me fotografar porque eu estava com catapora.
O ano de 1975 me deu muitas alegrias, entre elas a dupla premiação no concurso de músicas carnavalescas da Prefeitura, quando classifiquei em primeiro lugar o maracatu Casa Grande/Senzala e em terceiro lugar o frevo-canção Minha Mariza. O fato interessante é que o cantor Ivanildo Silva não apareceu e eu tive qaue cantar. Imaginem o cantor! Novamente, em 1976, fui campeão com o frevo-de-rua Recordando a Tabajara, no concurso da Prefeitura.
Quando em 1976 o Maestro Nelson Ferreira faleceu, fui chamado pelo seu filho para assumir a direção da orquestra. Aceitei dirigi-la e chegamos a fazer alguns eventos assumidos pelo Maestro antes de morrer. A minha relação com ele sempre foi de muito respeito e chegamos a trabalhar na mesma casa noturna (Vis-a-Vis), na rua da União, onde dávamos boas risadas com os trocadilhos inteligentes dele - um dos seus hobbies. Depois que assumi a orquestra, fui procurado pelo Lourival Oliveira, saxofonista do grupo, meu amigo. Ele falou que sempre fora seu sonho tomar conta da orquestra, que trabalhara com o Maestro por cerca de trinta anos, etc, etc, etc. Eu entendi a sua colocação, falei com Luiz Ferreira, filho do maestro Nélson e passei o comando para o Lourival. Infelizmente a orquestra não continuou.
Em 1979 Leonardo foi convidado para presidir a recém criada Fundação de Cultura da Cidade do Recife e, novamente, me deu a chance de assessorá-lo e reger a Banda Municipal, situação que se estendeu até 1983.
A partir a década de 80, desgostoso com o tratamento que o Governo Municipal vem dando à música do carnaval de Pernambuco, deixei de participar dos concursos com frevos-de-rua, mas continuo a compô-los. Procurado por Raul Valença, passamos a trabalhar em parceria fazendo maracatus, frevos-canção e de bloco. Dessa parceria, que vem desde fins da década de 80, nasceu a idéia de fazermos um CD, que lançamos em 8/10/2004, com quinze composições, algumas delas premiadas.
Em 1985 licenciei-me em Geografia pela UNICAP, mas só lecionei essa disciplina quando estava estagiando no Ginásio Pernambucano. Espero poder, ainda, dar aulas de Geografia Humana, pois é essa a Geografia que eu adoro. Hoje sou professor de Teoria Musical e de saxofone no Conservatório Pernambucano de Música e dou aulas particulares a alguns alunos.
Em 1998 concluí a licenciatura em Música pela UFPE. Lá, recebi informações que mudaram a minha percepção de música e, sobretudo, passaram a influenciar o meu modo de escrever, tocar e compor.
Participei de apresentações com Francis Hime, Alceu Valença, Sivuca, as saudosas Elizete Cardoso e Clara Nunes. Fiz gravações com Nelson Ferreira e Clóvis Pereira. Dirigi a série o Bom do Carnaval com Claudionor Germano, pelo selo RCA, em São Paulo. Fui diretor artístico e regente da Orquestra Brasileira de Forró, com a qual gravamos quase uma centena do melhor da música nordestina, tendo como centro a figura de Luiz Gonzaga. Realizei a direção musical dos dois CDs do Coral Madeira de Lei e fiz os arranjos dos metais no CD de Pastoril, produzido pela Professora Dinara Pessoa.
Atualmente toco na Contrabanda (clic no link para saber um pouco mais sobre a banda), grupo dos irmãos Rangel (Niltinho na guitarra e Nando no baixo), do qual faço parte desde 1987, quando fizemos o CD Summertime, cuja primeira faixa é de minha autoria - Bluesmania. Fazemos apresentações em bares, restaurantes, eventos variados como casamentos, shows, participações em festivais, etc.
Também toco na Banda Sushi que, como diz Sivuca, é a massagem do ego. Os componentes sentem uma satisfação enorme quando se encontram para tocar. O time começou com Zé Maria, trompete; Edson, sax; Israel, trombone; Fábio, teclados; João Lyra, guitarra; Tony Fuscão, baixo e Adelson, bateria. Hoje não temos mais o trombone, Lalão substituiu João Lyra e Bráulio assumiu o lugar de Tony, falecido. Tony era o alto astral do grupo. O cara mais carismático com quem trabalhei. Ele era o termômetro do grupo. Se ele estava UP, tudo bem. Se ele estivesse DOW, sai de baixo! O clima era contagiante. Depois que ele partiu, o grupo nunca mais foi o mesmo. Musicalmente, na SUSHI está tudo como antes, mas o astral, jamais será o mesmo sem o Tony.
É uma barra a vida dos que fazem música no Brasil, particularmente em Pernambuco, onde não somos muito achegados à música instrumental. Ainda assim me julgo um vitorioso, pois tive o prazer de trabalhar nos melhores grupos e com grandes profissionais, tais como Guedes Peixoto, Clóvis Pereira, Mário Griz e Fernando Borges, ambos falecidos. Com Fernando Borges fiz várias viagens ao exterior - Portugal, Bahamas, Estados Unidos - Nova York, Miami, Califórnia, Washington-DC e Atlanta - e Amsterdã, na Holanda (clic no link para ver as fotos). Com Clóvis Pereira fui ao Japão.
O meu sonho é realizar um disco que enfeixe parte do meu trabalho. Gostaria de mostrar a diversidade dele, num espectro que vai da valsa ao choro, MPB, algumas incursões por gêneros americanos (jazz, blues), músicas inspiradas em informações sobre países de língua hispânica e até a música com raízes nordestinas, com um tratamento de tendência erudita.
A música me deu o pouco que tenho, mas adoro o que faço e, palavra, no dia em que tiver que tocar só para ganhar dinheiro, eu paro. Para mim, Música é um ato de amor e amor não se faz por dinheiro.
O fundo musical desta página é o Tango n° 1, gravado pelo Quarteto de Saxofones Minasax.