| Chico Xavier, o amoroso porta-voz do
alto
"A árvore que produz maus
frutos não é boa e a árvore que produz bons frutos não é má, porque se
conhece a árvore pelos seus próprios frutos. Não se colhem figos dos
espinheiros e não se cortam cachos de uva dos abrolhos. O homem de bem
retira boas coisas do bom tesouro do seu coração, porque a boca fala
daquilo que está cheio o seu coração". Jesus (Lucas
6:43-45)
O maior e mais
prolífico médium psicógrafo do mundo em todas as épocas, Francisco Cândido
Xavier (foto ao lado) nasceu em Pedro Leopoldo, modesta cidade de Minas
Gerais, Brasil, em 2 de abril de 1910. Vive, desde 1959, em Uberaba, no
mesmo Estado. Completou apenas o curso primário. Pais: João Cândido
Xavier e Maria João de Deus, desencarnados em 1960 e 1915,
respectivamente. Infância difícil; foi caixeiro de armazém e modesto
funcionário público, aposentado desde 1958. Em 7 de maio de 1927 participa
de sua primeira reunião espírita. Até 1931 recebe muitas poesias e
mensagens, várias das quais saíram a público estampadas, à revelia do
médium, em jornais e revistas, como de autoria de F. Xavier. Nesse mesmo
ano vê, pela primeira vez, o Espírito Emmanuel, seu inseparável mentor
espiritual até hoje.
O menino Chico Desde os 4
anos de idade o menino Chico teve a sua vida assinalada por singulares
manifestações. Seu pai chegou, inclusive, a crer que o seu verdadeiro
filho havia sido trocado por outro... Aquele seu filho era estranho!... De
formação católica, o garoto orava com extrema devoção, conforme lhe
ensinara D. Maria João de Deus, a querida mãezinha que o deixaria órfão
aos 5 anos. Dentro de grandes conflitos e extremas dificuldades, o menino
ia crescendo, sempre puro e sempre bom, incapaz de uma palavra obscena, de
um gesto de desobediência. As "sombras" amigas, porém, não o deixavam...
Conversava com a mãezinha desencarnada, ouvia vozes confortadoras. Na
escola sentia a presença delas, auxiliando-o nas tarefas habituais. O
certo é que os seus primeiros anos o marcaram profundamente; ele nunca os
esqueceu... A necessidade de trabalhar desde cedo para auxiliar nas
despesas domésticas foi em sua vida, conforme ele mesmo o diz, uma bênção
indefinível. Sim, a doença também viera precocemente fazer-lhe
companhia. Primeiro os pulmões, quando trabalhava na tecelagem; depois os
olhos; agora é a angina.
Começo de seu
mediunato Chico Xavier iniciou, publicamente, seu mandato
mediúnico em 8 de julho de 1927 em Pedro Leopoldo. Contando 17 anos de
idade, recebeu as primeiras páginas mediúnicas. Em noite memorável, os
Espíritos deram início a um dos trabalhos mais belos de toda a história da
humanidade. Dezessete folhas de papel foram preenchidas celeremente,
versando sobre os deveres do espírita-cristão. Depoimento de Chico Xavier:
(...) "Era uma noite quase gelada e os companheiros que se acomodavam
junto à mesa me seguiram os movimentos do braço, curiosos e comovidos. A
sala não era grande, mas, no começo da primeira transmissão de um
comunicado do mais Além, por meu intermédio, senti-me fora de meu próprio
corpo físico, embora junto dele. No entanto, ao passo que o mensageiro
escrevia as dezessete páginas que nos dedicou, minha visão habitual
experimentou significativa alteração. As paredes que nos limitavam o
espaço desapareceram. O telhado como que se desfez e, fixando o olhar no
alto, podia ver estrelas que tremeluziam no escuro da noite. Entretanto,
relanceando o olhar no ambiente, notei que toda uma assembléia de
entidades amigas me fitavam com simpatia e bondade em cuja expressão
adivinhava, por telepatia espontânea, que me encorajavam em silêncio para
o trabalho a ser realizado, sobretudo, animando-me para que nada receasse
quanto ao caminho a percorrer."
Emmanuel e duas orientações
para o resto de sua vida O Espírito Emmanuel, nos primórdios
da mediunidade de Chico Xavier, deu-lhe duas orientações básicas para o
trabalho que deveria desempenhar. Fora de qualquer uma delas, tudo seria
malogrado. Eis a primeira: - "Está você realmente disposto a trabalhar
na mediunidade com Jesus?" - Sim, se os bons espíritos não me
abandonarem... - respondeu o médium. - Não será você desamparado -
disse-lhe Emmanuel - mas para isso é preciso que você trabalhe, estude e
se esforce no bem. - E o senhor acha que eu estou em condições de
aceitar o compromisso? - tornou o Chico. - Perfeitamente, desde que
você procure respeitar os três pontos básicos para o Serviço... Porque
o protetor se calasse, o rapaz perguntou: - Qual é o primeiro? A
resposta veio firme: - Disciplina. - E o segundo? - Disciplina. - E o
terceiro? - Disciplina." A segunda mais importante orientação de
Emmanuel para o médium é assim relembrada: - "Lembro-me de que num dos
primeiros contatos comigo ele me preveniu que pretendia trabalhar ao meu
lado, por tempo longo, mas que eu deveria, acima de tudo, procurar os
ensinamentos de Jesus e as lições de Allan Kardec e disse mais que se
um dia, ele, Emmanuel, algo me aconselhasse que não estivesse de acordo
com as palavras de Jesus e de Kardec, que eu devia permanecer com Jesus e
Kardec, procurando esquecê-lo."
Produção
literária Em 1932 publica a FEB seu primeiro livro, o famoso
"Parnaso de Além-Túmulo"; hoje, as obras que psicografou vão a mais de
400. Várias delas estão traduzidas e publicadas em castelhano, esperanto,
francês, inglês, japonês, grego, etc. De moral ilibada, realmente humilde
e simples, Chico Xavier jamais auferiu vantagens, de qualquer espécie, da
mediunidade. Sua vida privada e pública tem sido objeto de toda
especulação possível, na informação falada, escrita e televisionada. Ápodos
e críticas ferinas têm-no colhido de miúdo, sabendo suportá-los
com verdadeiro espírito cristão. Viajou com o médium Waldo Vieira aos
Estados Unidos e à Europa, onde visitaram a Inglaterra, a França, a
Itália, a Espanha e Portugal, sempre a serviço da Doutrina Espírita. Chico
Xavier é hoje uma figura de projeção nacional e internacional, suas
entrevistas despertam a atenção de milhares de pessoas, mesmo alheias ao
Espiritismo; tem aparecido em programas de TV, respondendo à perguntas as
mais diversas, orientando as respostas pelos postulados espíritas. Já
recebeu o título de Cidadão Honorário de várias cidades: São José do Rio
Preto, São Bernardo do Campo, Franca, Campinas, Santos, Catanduva, em São
Paulo; Uberlândia, Araguari e Belo Horizonte, em Minas Gerais; Campos, no
Estado do Rio de Janeiro, etc., etc. Dos livros que psicografou já se
venderam mais de 12 milhões de exemplares, só dos editados pela FEB, em
número de 88. "Parnaso de Além-Túmulo", a primeira obra publicada em 1932,
provocou (e comprovou) a questão da identificação das produções
mediúnicas, pelo pronunciamento espontâneo dos críticos, tais como
Humberto de Campos, ainda vivo na época; Agripino Grieco, severo crítico
literário, de renome nacional; Zeferino Brasil, poeta gaúcho; Edmundo Lys,
cronista; Garcia Júnior, etc. Prefaciando "Parnaso de Além-Túmulo",
escreveu Manuel Quintão: "Romantismo, Condoreirismo, Parnasianismo,
Simbolismo, aí se ostentam em louçanias de sons e de cores, para afirmar
não mais subjetiva, mas objetivamente, a sobrevivência de seus
intérpretes. É ler Casimiro e reviver 'Primaveras'; é recitar Castro Alves
e sentir 'Espumas Flutuantes'; é declamar Junqueiro e lembrar a 'Morte de
D. João'; é frasear Augusto dos Anjos e evocar 'Eu'. Romances
históricos formam a série Romana de Emmanuel, composta de: "Há 2000
Anos...", "50 Anos Depois", "Ave, Cristo!", "Paulo e Estevão", provocando
a elaboração do "Vocabulário Histórico-Geográfico dos Romances de
Emmanuel", de Roberto Macedo, estudo elucidativo dos eventos históricos
citados nas obras. "Há 2000 Anos..." é o relato da encarnação de Emmanuel
à época de Jesus. De Humberto de Campos (Espírito) aparece, em 1938, o
profético e discutido "Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho", uma
história de nossa pátria e dos fatos a ela ligados, em dimensão
espiritual. A série André Luiz é reveladora, doutrinária e científica;
com obras notáveis e a maioria completa, no tocante à vida depois da
desencarnação, obras anteriores, de Swedenborg, A. Jackson Davis,
Cahagnet, G. Vale Owen e outros. Pertencem a essa série: "Nosso Lar", "Os
Mensageiros", "Missionários da Luz", "Obreiros da Vida Eterna", "No Mundo
Maior", "Agenda Cristã", "Libertação", "Entre a Terra e o Céu", "Nos
Domínios da Mediunidade", "Ação e Reação", "Evolução em dois Mundos",
"Mecanismos da Mediunidade", "Conduta Espírita", "Sexo e Destino",
"Desobsessão", "E a Vida Continua...". De parceria com o médium Waldo
Vieira, Chico Xavier psicografou 17 obras. A extraordinária capacidade
mediúnica de Chico Xavier está comprovada pela grande quantidade de
autores espirituais, da mais elevada categoria que por seu intermédio se
manifestam. Vários de seus livros foram adaptados para encenação no palco
e sob a forma de radionovelas e telenovelas. O dom mediúnico mais
conhecido de Francisco Xavier é o psicográfico. Não é, todavia, o único.
Tem ele, e as exercita constantemente, outras mediunidades, tais como:
psicofonia, vidência, audiência, receitista, e outras. Sua vida,
verdadeiramente apostolar dedicou-a, o médium, aos sofredores e
necessitados, provindos de longínquos lugares e também aos afazeres
medianeiros pelos quais não aceita, em absoluto, qualquer espécie de
paga. Os direitos autorais ele os tem cedido graciosamente a várias
Editoras e Casas Espíritas, desde o primeiro livro. Sua vida e sua obra
têm sido objeto de numerosas entrevistas radiofônicas e televisadas e de
comentários em jornais e revistas, espíritas ou não e em
livros.
Na tarefa mediúnica "Pergunta - Em seu
primeiro encontro com Emmanuel, ele enfatizou muito a disciplina. Teria
falado algo mais? Resposta - Depois de haver salientado a disciplina como
elemento indispensável a uma boa tarefa mediúnica, ele me disse: 'Temos
algo a realizar.' Repliquei de minha parte qual seria esse algo e o
benfeitor esclareceu: 'Trinta livros pra começar!' Considerei, então: como
avaliar esta informação se somos uma família sem maiores recursos, além do
nosso próprio trabalho diário e a publicação de um livro demanda tanto
dinheiro!... Já que meu pai lidava com bilhetes de loteria, eu
acrescentei: será que meu pai vai tirar a sorte grande? Emmanuel
respondeu: 'Nada, nada disso. A maior sorte grande é a do trabalho com a
fé viva na Providência de Deus. Os livros chegarão através de caminhos
inesperados!' Algum tempo depois, enviando as poesias de "Parnaso de
Além- Túmulo" para um dos diretores da Federação Espírita Brasileira, tive
a grata surpresa de ver o livro aceito e publicado em 1932. A este livro
seguiram-se outros e, em 1947, atingimos a marca dos 30 livros. Ficamos
muito contentes e perguntei ao amigo espiritual se a tarefa estava
terminada. Ele, então, considerou sorrindo: 'Agora, começaremos uma nova
série de trinta volumes!' Em 1958, indaguei-lhe novamente se o
trabalho finalizara. Os 60 livros estavam publicados e eu me encontrava
quase de mudança para a cidade de Uberaba, onde cheguei a 5 de janeiro de
1959. O grande benfeitor explicou-me, com paciência: "Você perguntou, em
Pedro Leopoldo, se a nossa tarefa estava completa e quero informar a você
que os mentores da Vida Maior, perante os quais devo também estar
disciplinado, me advertiram que nos cabe chegar ao limite de cem livros."
Fiquei muito admirado e as tarefas prosseguiram. Quando alcançamos o
número de 100 volumes publicados, voltei a consultá-lo sobre o termo de
nossos compromissos. Ele esclareceu, com bondade: "Você não deve pensar em
agir e trabalhar com tanta pressa. Agora, estou na obrigação de dizer a
você que os mentores da Vida Superior que nos orientam, expediram certa
instrução que determina seja a sua atual reencarnação desapropriada em
benefício da divulgação dos princípios espíritas-cristãos, permanecendo a
sua existência, do ponto de vista físico, à disposição das entidades
espirituais que possam colaborar na execução das mensagens e livros
enquanto o seu corpo se mostre apto para as nossas atividades." Muito
desapontado, perguntei: então devo trabalhar na recepção de mensagens e
livros do mundo espiritual até o fim da minha vida atual? Emmanuel
acentuou: "Sim, não temos outra alternativa!" Naturalmente impressionado
com o que ele dizia, voltei a interrogar: e se eu não quiser, já que a
Doutrina Espírita ensina que somos portadores do livre arbítrio para
decidir sobre os nossos próprios caminhos? Emmanuel, então, deu um sorriso
de benevolência paternal e me cientificou: "A instrução a que me refiro é
semelhante a um decreto de desapropriação, quando lançado por autoridade
na Terra. Se você recusar o serviço a que me reporto, segundo creio, os
orientadores dessa obra de nos dedicarmos ao Cristianismo Redivivo, de
certo que eles terão autoridade bastante para retirar você de seu atual
corpo físico!" Quando eu ouvi sua declaração, silenciei para pensar na
gravidade do assunto e continuo trabalhando, sem a menor expectativa de
interromper ou dificultar o que passei a chamar de "Desígnios de Cima."
Fonte: "O Espírita Mineiro", número 205, abril/junho de 1988.
Palavras de Chico Xavier ao contemplar 40 anos de
mediunidade "Estes quarenta anos de mediunidade passaram para
o meu coração como se fossem um sonho bom. Foram quarenta anos de muita
alegria, em cujos caminhos, feitos de minutos e de horas e de dias, só
encontrei benefícios, felicidade, esperanças, otimismo, encorajamento da
parte de todos aqueles que o Senhor me concedeu, dos familiares, irmãos,
amigos e companheiros. Quarenta anos de felicidade que agradeço a Deus em
vossos corações, porque sinto que Deus me os concedeu nos vossos corações,
que representam outros muitos corações que estão ausentes de nós. Agora,
sinto que Deus me concedeu por vosso intermédio uma vida tocada de
alegrias e bênçãos, como eu não poderia receber em nenhum outro setor de
trabalho na Humanidade. Beijo-vos, assim, as mãos, os corações. Quanto ao
livro, devo dizer que, certa feita, há muitos anos, procurando o contato
com o Espírito de nosso benfeitor Emmanuel, ao pé de uma velha represa, na
terra que me deu berço na presente encarnação, muitas vezes chegava ao
sítio, pela manhã, antes do amanhecer. E quando o dia vinha de novo, fosse
com sol, fosse com chuva, lá estava, não muito longe de mim, um pequeno
charco. Esse charco, pouco a pouco se encheu de flores, pela misericórdia
de Deus, naturalmente. E muitas almas boas, corações queridos, que
passavam pelo mesmo caminho em que nós orávamos, colhiam essas flores e as
levavam consigo com transporte de alegria e encantamento. Enquanto que o
charco era sempre o mesmo charco. Naturalmente, esperando também pela
misericórdia de Deus, para se transformar em terra proveitosa e mais útil.
Creio que nesses momentos, em que ouço as palavras desses corações
maravilhosos, que usaram o verbo para comentar o aparecimento desses cem
livros, agora cento e dois livros, lembro este quadro que nunca me saiu da
memória, para declarar-vos que me sinto na condição do charco que, pela
misericórdia de Deus, um dia recebeu essas flores que são os livros e que
pertencem muito mais a vós outros do que a mim. Rogo, assim, a todos os
companheiros, que me ajudem através da oração, para que a luta natural da
vida possa drenar a terra pantanosa que ainda sou, na intimidade do meu
coração, para que eu possa um dia servir a Deus, de conformidade com os
deveres que a Sua infinita misericórdia me traçou. E peço, então,
permissão, em sinal de agradecimento, já que não tenho palavras para
exprimir a minha gratidão. Peço-vos, a todos, licença para encerrar a
minha palavra despretensiosa, com a oração que Nosso Senhor Jesus Cristo
nos legou". (Fonte: "O Espírita Mineiro", número 137, abril / maio
/ junho de 1970.)
Considerações finais Em 1997,
Chico Xavier completou 70 anos de incessante atividade mediúnica da maior
significação espiritual, em prol da Humanidade, abrangendo seus mais
diversos segmentos. Até a presente data, outubro de 1997, Francisco
Cândido Xavier psicografou mais de 400 (quatrocentas) obras mediúnicas de
centenas de autores espirituais, abarcando os mais diversos e diferentes
assuntos, entre poesias, romances, contos, crônicas, história geral e do
Brasil, ciência, religião, filosofia, literatura infantil,
etc.
Excertos do livro digital "Francisco Cândido Xavier - Traços
bibliográficos", publicado pela Federação Espírita Brasileira -
FEB
(parte integrante da Home Page Consciência
Espírita)
Uma lição de humildade
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