Quebrando as Regras


 

Capítulo 11

 

 

Shuuichi estava andando pelo pátio de um lado para o outro, seguindo o caminho desde o banco de concreto, onde Hiei estava sentado, até o telefone público, só para em seguida refaze-lo em sentido contrário. As mãos dele estavam no bolso do uniforme e a camisa branca estava aparecendo por baixo do paletó azul. Os olhos pareciam ausentes e orelhas roxas começavam a ficar visíveis sob eles. Apenas os sapatos amarrados impecavelmente quebravam a aparência desleixada do ruivo aquela manhã.

– O que está fazendo? – perguntou Hiei.

Girou os olhos quando o outro garoto continuou andando sem se preocupar em responder. Aquela era uma cena que estava se repetindo desde o dia anterior pela manhã: Shuuichi passava horas procurando por alguma coisa em todos os cantos do prédio do colégio e quando não tinha sucesso, ia até ali, andar sem direção alguma como um idiota. Quando se cansava disso, voltava a procurar. Estava quase ficando tonto só em observá-lo.

Hiei olhou para o relógio de pulso e cruzou os braços, contrariado.

– Quase sete horas – disse em voz alta. – Hoje vamos ter aquele estúpido teste com Yomi e você vai acabar dormindo por cima do papel... – Pouco ligava se o colega de quarto desmaiasse a caminho da classe, mas aquele comportamento estranho estava começando a incomodá-lo. Saber o que estava acontecendo não ia fazer nenhum mal. – Kurama, você está me escutando?

Shuuichi acenou como se aquilo não tivesse importância, mas parou de andar, olhando para Hiei forçando os olhos. Não tinha conseguido dormir na noite anterior e o mundo parecia estar ficando embaçado. Precisava urgentemente de algo com que se ocupar ou acabaria dormindo de pé, ali mesmo.

– Vai passar a manhã inteira com essa cara de zumbi? – Hiei resmungou. – Por que não vai procurar aquele seu amigo? Sabe, o Touya... Parece que ele desapareceu ontem, não é mesmo?

O baixinho sorriu quando percebeu que finalmente tinha a atenção do ruivo. Shuuichi olhou para ele, os olhos brilhando em surpresa como se tivesse recebido um balde de água gelada na cabeça. Por acaso Hiei tinha algum tipo de dom que o permitisse ler seus pensamentos? Era verdade que passara praticamente todo o dia anterior procurando por alguém que parecesse uma garota de sua idade, tivesse cabelos na altura dos ombros e um rosto razoavelmente proporcional. Mas ele também tinha procurado por Touya. Queria conversar com alguém sobre os acontecimentos estranhos da noite de sábado e, justamente quando precisava tanto, o amigo resolvia ser engolido pela terra.

– O que você está sabendo, Hiei? – perguntou, aproximando-se do banco. Olhou para baixo, pensando em se sentar, mas achou melhor continuar de pé. Se relaxasse em qualquer lugar naquele momento acabaria dormindo.

– Eu? – o baixinho pegou um dos livros que levaria para a aula da pilha jogada sem nenhum cuidado a seu lado e começou a folheá-lo fingindo prestar atenção. – Eu só estava especulando... Você e o Touya estão sempre jogando conversa fora por ai e ontem eu não os vi. Pensei que talvez você tivesse descoberto alguma coisa sobre ele de que não gostou...

– Eu não vi o Touya ontem – respondeu Shuuichi. – Não o vejo desde sábado se quer saber... Será que ele se assustou com aquela conversa sobre nadar? Ou terá sido porque eu falei que tenho interesse por jardinagem? – olhou para Hiei interrogativamente. – O que quer dizer com descobrir alguma coisa? Há algo que eu deveria ficar sabendo?

– Você disse a ele que gosta de jardinagem?

– Disse...

– Que tipo de homem gosta de mexer com flores?

– Eu gosto – Shuuichi fuzilou Hiei com o olhar, apesar do resto do rosto manter-se em uma expressão neutra. – Você tem alguma coisa contra?

– Eu não – o baixinho arqueou uma sobrancelha, achando melhor manter a boca fechada sobre aquele assunto. – Mas o que isso tem a ver com a parte sobre nadar?

– Nada, eu só achei que seria divertido se fossemos todos nadar qualquer dia na piscina do colégio – Shuuichi deu de ombros e largou-se no banco, ao lado de Hiei. Apertou o joelho com força, concentrando-se na dor, tentando assim se manter acordado. – Acho que o Touya não ficou muito entusiasmado com a idéia, só isso. Mas ele não desapareceria por causa de uma bobagem assim, o que acha? Não é como se eu fosse empurrá-lo na piscina mesmo contra a vontade dele.

– Touya, você disse? – Hiei abriu um sorriso malvado. – Na piscina? Na frente de todos? Nadando? Com roupas apropriadas a natação?

– Essa é a idéia – o ruivo respondeu. – Por quê? Acha que ele se sentiria envergonhado com roupas de banho? Ele é um pouco magro para um rapaz de dezesseis anos, mas nem todo mundo gosta de praticar esportes ou se matar em academias...

– Jura que percebeu isso? – o sorriso pareceu fixar-se no rosto de Hiei. – Pois eu acho que é uma idéia maravilhosa essa de nadar. O pobre Touya deve sentir tanta falta do que fazia fora daqui. Vamos dar essa alegria ao pobre garoto, eu faço questão de ajudar.

Shuuichi olhou para Hiei, pela segunda vez nos últimos minutos parecendo ter sido acordado de repente.

– Você disse que quer ajudar o Touya?

– Eu disse, por quê? – Hiei perguntou como se fosse algo absolutamente natural vindo dele.

– E vai fazer isso sem pedir nada em troca? Ou por acaso está armando alguma brincadeira idiota?

– Quando foi que eu fiz alguma coisa contra o seu precioso amigo? – Hiei se fez de ofendido. – Eu posso ser um pouco intolerante com pessoas estúpidas como todo mundo nesse colégio, a exceção de mim, mas isso não quer dizer que eu não esteja disposto a ajudar quando aparece uma chance de ver um sorriso de felicidade no rosto de um deles.

– Agora sim eu estou te reconhecendo... Acho.

Shuuichi balançou a cabeça com um sorriso divertido. Soltou o aperto do joelho e escorou-se na parede, mal contendo um bocejo.

– Não se preocupe com nada. Eu dou um jeito de descobrir o melhor dia para irmos todos até a piscina.

– Se está mesmo tão feliz em ajudar, eu agradeço – disse Shuuichi, a voz soando arrastada por causa do sono.

– Eu mal posso esperar por isso.

-o-o-o-o-o-

Botan colocou a cabeça para fora da porta do dormitório. Olhou para os dois lados e, quando viu que não havia ninguém a vista, se ergueu respirando fundo em alívio. Um segundo e ela sentiu uma mão empurrando-a para fora. Deu um salto, os braços balançando no ar na tentativa de manter o equilíbrio, mas foi inútil, caiu de joelhos no chão, bem no meio do corredor.

– Você tem que acabar com essa bobagem de uma vez por todas!

Yusuke saiu atrás dela, os livros de ambos empilhados no braço direito dele enquanto o esquerdo estava apoiado na cintura, dando a ele uma postura autoritária. Botan o encarou por debaixo do boné, ao mesmo tempo em que olhava de esgoela para os lados.

– Não é bobagem coisa nenhuma... – disse em voz baixa. – Não sei o que custava me deixar ficar no dormitório hoje. Só precisava dizer a Yomi que eu estava com uma febre de quarenta graus e não podia sair!

O primo girou os olhos.

– Botan, eu aceitei falar ontem para o Minamino que você tinha desaparecida porque pensei que finalmente tinha colocado um pouco de juízo nessa sua cabeça dura – ele disse, olhando-a com severidade –, mas mentir que você está doente para um professor é burrice. E se ele chamar um médico? Acho que não demorariam a descobrir... Você sabe o que.

– Você falando sobre burrice, tenha dó... – a garota levantou-se, passando as mãos pelas pernas da calça do uniforme, livrando-se da poeira. – Eu não estou com vontade de assistir aula hoje, tudo bem?

– E quem é que estÿ Só o seu precioso Shuuichi mesmo...

Yusuke parou de falar ao ver como Botan abaixava a cabeça e o rosto adquiria um forte tom de vermelho. Desde o dia anterior ela estava tendo aquela reação quando ouvia o nome do ruivo. Um fato altamente suspeito.

– Escuta, Botan, você vai me contar o porquê dessa sua mudança sim ou não? Hoje temos teste com Yomi, sabia? Pensei que você ia estar muito ansiosa por isso. Afinal, uma das suas metas ao entrar aqui era provar ser melhor aluna do que eu.

– Não preciso provar o que já é fato! Não posso querer me rebelar contra o sistema uma vez na vida?

– Exatamente na noite em que você desaparece e volta para o quarto com cara de quem acabou de roubar algo de alguém?

Botan mordeu o lábio inferior, sentindo que estava ruborizando novamente. Por que Yusuke tinha que conhecê-la tão bem? E, afinal, se ele a vira voltar naquela noite por qual razão estava falando nisso agora, quando ela precisava desesperadamente esquecer o que tinha feito? Beijar o melhor amigo no corredor no meio da noite... Oh, sim, tinha sido uma brilhante idéia para escapar dos braços dele. Imaginou mil vezes naquela mesma noite as coisas que poderiam ter acontecido se tivesse ficado simplesmente làesperando que ele a soltasse, e nenhuma lhe parecera muito melhor. Depois disso vieram os pensamentos sobre o que aconteceria depois, quando visse Shuuichi. Ele a reconheceria, apesar de não ter dito nada? Talvez a tivesse procurado tanto no dia anterior por desconfiar de alguma coisa... Mas e se mesmo assim ele não tivesse ligado o amigo Touya à garota da noite de sábado? Ela conseguiria agir na frente dele como se nada tivesse acontecido?

– Vamos logo para a estúpida aula – disse ela, pegando seus próprios livros dos braços de Yusuke e começando a andar, cabisbaixa.

O garoto balançou a cabeça, pensando que mais cedo ou mais tarde a faria falar sobre o que a estava incomodando tanto.

– Vá sem mim, eu tenho uma coisinha para fazer. Daqui a pouco te alcanço.

Botan nem se preocupou em responder. Yusuke a seguiu com o olhar até vê-la dobrar no corredor. Em seguida voltou para o quarto, deixou os livros em cima da cama e saiu novamente. Teste de química... Pois sim. Ele só faria aquela prova arrastado. Não tinha feito nenhum exercício da semana anterior e não fazia a menor idéia de qual assunto deveria ter estudado, então por que se dar ao trabalho? Olhou para os lados, exatamente como a prima tinha feito antes, e foi andando pelo mesmo caminho que tomaria para ir à classe. Se esconderia no auditório ou em algum laboratório desocupado até o término das aulas, depois, antes que os alunos voltassem das mesmas, correria de volta para o quarto e fingiria estar doente. Simples como tirar doce de criança.

O corredor dos dormitórios estava deserto. Todos os alunos já estavam nas salas. Dali podia ouvir as conversas altas vindo de mais adiante, mas sabia que elas não durariam muito tempo. Logo o relógio da sala dos professores marcaria sete horas e eles passariam apressados por ali. Tinha que se esconder o mais rápido que pudesse ou acabaria realmente sendo arrastado para a prova. Olhou mais uma vez em volta; se fosse para o pátio e encontrasse com Tiyu, não só não conseguiria matar aula como ainda correria o risco de pegar detenção, se entrasse em uma das salas em volta a esmo, poderia encontrar alguém e, mais tarde, quando tivesse que estar doente, possivelmente chegaria aos ouvidos de Genkai que ele estivera xeretando aquelas portas mais cedo, vendendo saúde.

Ponderou por um instante. Não tinha muita escolha. Nunca fora mesmo o tipo de pessoa que pensava rápido e acertadamente. Deu de ombros e entrou na primeira porta que viu na frente.

Ótimo. Ele era mesmo um cara de sorte por entre todos aqueles laboratórios entrar justamente em um quarto pequeno cheio de pedaços de madeira por todos os lados. Suspirou resignado. Aquilo teria que servir. Qualquer coisa era melhor que fazer o teste de Yomi. Olhou em volta, procurando onde poderia se esconder. Havia um lugar escuro, onde mais madeira estava empilhada sob uma espécie de lona. Correu até lá e afastou o material para o lado, com o cuidado de não fazer barulho, e escondeu-se atrás de tudo, cobrindo-se em seguida com a lona. O silencio e a escuridão logo o fizeram sentir sono e não demorou muito para que Yusuke Urameshi estivesse completamente adormecido.

Acordou com o som de vozes bem perto. O primo de Botan abriu os olhos sonolentamente, pensando se ainda estaria sonhando. Ergueu-se devagar, tentando se lembrar de onde estava e por que suas costas estavam doendo como se tivesse se deitado sobre um pedregulho. Esfregou os olhos com as mãos e ergueu-se um pouco, só o suficiente para ver os donos das vozes.

– Você tem certeza de que tem tempo de me ajudar com esse material? – perguntou uma mulher – Não quero que perca nenhuma aula importante.

Ela era alta e ruiva. Estava vestindo um uniforme que lembrava a Yusuke o da equipe de kendo do seu antigo colégio. Estava quase de costas para ele, então não conseguia ver o rosto dela, mas a pessoa que a acompanhava, ao contrário, estava bem visível... Inclusive a expressão mal disfarçada de completa adoração com a qual encarava a desconhecida.

– Não tenho nada para fazer – disse Hiei. Em seguida pegou alguns dos objetos que Yusuke identificou como pedaços de madeira a princípio, mas que agora via que se tratava de bokkens.

– Hiei – a mulher o chamou. O garoto parou antes de chegar à porta e olhou para trás. – Obrigada.

– Não tem problema.

Os dois saíram, fechando a porta atrás de si e deixando tudo novamente na penumbra de antes.

Yusuke esperou menos de cinco minutos, excitado demais com o que tinha visto para conseguir permanecer quieto por mais tempo, e saiu do esconderijo. Hiei estava olhando para aquela mulher da mesma maneira idiota como a prima dele olhava para o Minamino. Mas quem era ela? E ele tinha mesmo visto o que pensara ter visto?

Andou de um lado para o outro tentando pensar em uma maneira de tirar a história a limpo. Se descobrisse que o baixinho estava interessado por uma mulher que tinha, o que, o dobro da sua idade? Nesse caso poderia chantageá-lo para sempre! Sorriu muito feliz, sabendo o que tinha que fazer. A única maneira de ter certeza sobre a identidade da estranha e os sentimentos de Hiei era perguntando a única pessoa que sabia tudo o que acontecia naquele colégio e um pouco mais.

Kuwabara.

-o-o-o-o-o-

– Acabei!

Botan sorriu amplamente olhando para o teste completamente respondido. Olhou para o lado, onde Shuuichi cochilava com a cabeça apoiada na parede e sorriu. Quando Yomi dissera que faria o teste em duplas e o ruivo se sentara ao seu lado, dizendo que precisavam conversar sobre uma coisa importante, ela tinha sentido o ímpeto de fingir um desmaio apenas para voltar para o quarto e não ter que falar com o ruivo. No instante em que começaram a falar sobre o teste, porém, ela percebeu quão cansado o amigo parecia estar e, ao contrário do que imaginara, em nenhum momento a olhara como se desconfiasse de alguma coisa. Felizmente, ela tinha estudado a matéria. Respondera tudo rapidamente, poupando o garoto ruivo o máximo possível, para então perguntar o que ele queria falar. Shuuichi estava com a aparência de que estivera estudando a noite inteira, mas ela tinha outra idéia sobre o que estava errado com ele. Abaixou a cabeça e tocou-o no braço, chamando-lhe a atenção.

– Shuuichi, está acordado?

O ruivo sorriu fracamente. Tentou acomodar-se corretamente na cadeira, mas não conseguiu manter-se assim por muito tempo. Apoiou o cotovelo na mesa e a cabeça na palma, olhando na direção da garota.

– Estou tentando, pelo menos.

– Bom... – Botan aproximou o rosto relutantemente dele, sem querer dar-lhe a chance de vê-la melhor, mas também se esforçando para que seu tom de voz soasse o mais baixo possível. – Há algo que você queria me dizer, não? Alguma coisa a ver com você parecendo que passou a noite inteira praticando sapateado?

– Não, eu apenas fiquei revirando na cama, pensando em uma experiência estranha que tive no sábado à noite.

– Experiência? – a garota olhou rapidamente para a prova como se estivesse conferindo as questões. Na verdade não queria olhar diretamente para o ruivo, temendo se trair em algum momento ou começar a ruborizar novamente. – Que tipo de experiência?

– Você acreditaria se eu dissesse que uma garota me agarrou no corredor no meio da noite?

– Conversa! – Botan olhou para ele, indignadamente. Como assim ela o tinha agarrado? Ele a segurara e se recusara a deixá-la ir embora. Homens... Talvez Shuuichi tivesse mais em comum com o primo e toda a parcela de população masculina que conhecia do que tinha pensado.

– Conversa?

Shuuichi a encarou, arqueando a sobrancelha e a garota percebeu que tinha exagerado na reação.

– Estamos em um colégio para homens – disse ironicamente. – Tem certeza que foi uma garota quem te agarrou?

– Touya! Acha que não conheço uma garota quando vejo uma?

– Ah, então você a viu...?

– Não exatamente... – o ruivo bocejou, acomodando melhor a cabeça sobre a mão que já começava a doer. – Eu achei que tinha esquecido um livro na sala de aula, sai para procurar e na volta esbarrei com a garota. Eu sei o que você vai dizer...

– Como sabia que era uma garota se estava tudo escuro?

– Eu sabia que ia dizer isso... – Shuuichi suspirou antes de continuar: – Ela escorregou, ia cair no chão e eu a segurei. Depois toquei o rosto dela. Era uma garota, pode acreditar em mim.

– Certo... – Botan pegou um lápis de cima da mesa, apertando-o entre as mãos de maneira a canalizar seu nervosismo. – Então há uma garota no colégio Meiouh... Quem diria, não?

– Não acredita em mim?

– Você não pode ter sonhado?

– O beijo que ela me deu para me deixar sem ação e sair correndo foi bem real.

O lápis quebrou de repente e Botan deu um grito pequeno de dor ao sentir a madeira pontiaguda perfurar-lhe a mão.

– Touya, você parece nervoso.

– Pois é... A perspectiva de garotas andando pelo colégio à noite e agarrando estudantes indefesos como eu me deixa mortificado.

– Eu pensei que Yusuke tivesse dito que você adorava esse tipo de coisa.

– Yusuke também disse que Clarke Kent foi o primeiro presidente dos Estados Unidos e eu nunca vi uma gravura de George Washington com uma capa vermelha e voando nos livros de história.

Shuuichi riu. Olhou para frente, onde Yomi escrevia, lançando de vez em quando um olhar desinteressado para os estudantes, mas o professor não parecia estar nem um pouco interessado na conversa deles.

– Touya, por que você desapareceu ontem o dia todo? Eu te procurei como um desesperado.

– É mesmo? – Botan pegou os pedaços do lápis quebrado e começou a passá-los de uma mão para a outra. – Eu estava estudando por ai... Você queria algo importante?

– Você precisa me ajudar a encontrar aquela garota – disse Shuuichi. Botan teve que morder o lábio para não rir da ironia. – Eu não conheço muitas delas que beijariam um desconhecido no escuro. E eu tenho a impressão estranha de que já nos encontramos antes.

– Pois é... Vai ver ela anda te seguindo por todo o colégio e estava só esperando uma boa oportunidade de atacar...

– Muito engraçado...

– Mas é sério – Botan deu de ombros. – Supondo que haja mesmo uma garota aqui dentro, de que adiantaria encontra-la? O que você ia fazer? Acusa-la de assédio?

– Eu tenho idéias bem mais interessantes...

Botan deixou novamente o lápis quebrado deslizar e machucar sua mão. A sacudiu rapidamente, sentindo o rosto esquentar. Por Kami... O que ele queria dizer com aquilo? Mais importante: o que ela ia fazer a respeito? Não podia ficar andando pelo colégio a esmo, procurando por ela mesma. Tinha que convencer Shuuichi de que havia sonhado com a tal garota misteriosa. Ele não podia somar dois mais dois...

– Touya, você vai me ajudar?

– Você tem mesmo certeza de que não sonhou com isso?

– Eu nem tenho dormido pensando sobre o assunto!

– Talvez você tenha esbarrado com Genkai e imaginado o resto...

– Você acha mesmo que Genkai ia me dar um beijo no corredor?

– Tudo bem que ela ia precisar de uma escada para isso, mas é a única mulher que eu estou sabendo que vive nesse colégio...

– Por favor, Touya – Shuuichi riu novamente. Ergueu-se na cadeira, abafando um bocejo. – Eu estou começando a achar que você não quer que eu encontre aquela garota. Por acaso a conhece?

– Não! – Botan suspirou. Shuuichi não era burro. E aparentemente ele sabia exatamente como conseguir o que queria. – Tudo bem, eu ajudo a procurar... – disse descontente. – Mas eu aviso que isso é uma grande perda de tempo. É claro que não há nenhuma garota aqui...

– Isso é o que eu pretendo descobrir.

Botan olhou para o outro lado, quem a visse diria que com uma expressão de quem queria morrer. Aquilo era mesmo o que faltava. Como ela conseguiria ficar ali o semestre inteiro com Shuuichi muito disposto a encontrar uma garota no colégio masculino? As coisas não podiam ficar piores...

– A propósito... – o ruivo disse alegremente. – Hiei ficou de encontrar um dia e horário ideais para que possamos utilizar a piscina.

As coisas sempre podiam ficar piores.

-o-o-o-o-o-

Kuwabara entrou no dormitório de cabeça baixa. Tinha se dado mal no teste de Yomi e aquele era o primeiro do semestre, segundo ele o com a matéria mais simples. Claro, tinha que ter escolhido uma dupla melhor que Mitarai, um garoto louro que sentava sempre no fundo e tinha idéias estranhas sobre Sensui estar planejando dominar o mundo. Ele levava muito tempo pensando em uma maneira de sobreviver em um mundo pós-apocaliptico para pensar em estudar. Garoto maluco... Provavelmente estava lendo HQs demais. Ou pior ainda, passando muito tempo ouvindo as teorias ridículas de Hiei.

Entrou no quarto sem prestar atenção para onde estava indo e deu um salto, assustado, ao ouvir a voz de Yusuke:

– Que cara de limão azedo é essa? Andou encontrando Hiei no corredor?

Kuwabara grunhiu em voz baixa. Então ele tinha permanecido no quarto toda a manhã... Típico. Mesmo correndo o risco de ficar com um enorme zero na nota, talvez devesse ter feito o mesmo. Duvidava que tivesse acertado muita coisa no teste e assim pelo menos não teria tido que ouvir as conversas estranhas de Mitarai a aula inteira.

– Você está aqui desde que acordou? – perguntou se jogando na própria cama. – Pensei que não fosse desgrudar da Botan hoje. Ela parecia doente ontem, sem falar que não queria ver o Minamino nem pintado. Tem certeza que ele não fez nada a ela?

– Pode ficar sossegado – disse Yusuke –, se bem conheço minha prima é mais fácil ela ter feito alguma coisa a ele e agora estar com medo de enfrentar as conseqüências.

– Não sei não... Aquele ruivo tem cara de sonso, mas quem sabe já descobriu tudo e está tirando uma casquinha da sua prima?

– Deixa de falar besteira e me escuta – Yusuke sentou-se na cama e olhou para Kuwabara pensando no quanto deveria dizer sobre a cena que presenciara mais cedo. Seria muito útil para ele descobrir um segredo de Hiei, mas se todo mundo ficasse sabendo antes do tempo, de nada valeria a informação. – Você sabe de tudo o que acontece aqui nesse colégio, não é?

– Modéstia parte...

– Eu tenho uma pergunta sobre uma mulher.

Kuwabara sorriu.

– Bom, eu tenho mais experiência que você nessa área, mas não vou ficar contando as minhas intimidades...

– Quer calar essa boca? Mas será possível... – Yusuke respirou fundo. Será que o outro não conseguia ouvir uma pergunta simples sem distorcer completamente o sentido da mesma? Estava começando a achar que era com ele que devia se preocupar perto de Botan. – Eu quero saber sobre uma mulher que trabalha nesse colégio. Ela é alta, ruiva, acho que ensina algum esporte...

– Ah, você deve estar falando da Mukuru! – Kuwabara sorriu. – Ela dá aulas de kendo. Eu sabia que ela tinha ido embora para Kyoto por causa de um rolo com Yomi...

– Eles eram amantes? – Yusuke perguntou, interessado.

– Não seja bisbilhoteiro! – o colega de quarto reclamou. Em seguida sorriu novamente: – Parece que os dois andaram brigando porque Genkai disse que escolheria apenas um para dirigir o lugar quando ela se aposentasse.

– Ah, entendo. – o primo de Botan exibiu seu melhor sorriso debochado. – E você não ficou sabendo disso bisbilhotando.

Kuwabara fechou a cara, se mostrando ofendido. Sentou-se na cama também, tirando os sapatos de qualquer maneira com os próprios pés e estirando as pernas em seguida.

– Se você se apóia um pouco na parede vizinha a sala da diretoria acaba ouvindo coisas. Eu não tenho controle sobre em que parte do colégio vou me sentir cansado.

– Tudo bem... E eu faltei aula hoje porque não tenho controle sobre em qual dia da semana vou pegar alergia a matemática.

– Yomi dá aula de química.

Yusuke balançou a mão desinteressadamente.

– Pois que seja. Só queria saber quem era a tal professora – viu a interrogação no rosto de Kuwabara e completou: – Eu pensei que tivéssemos apenas professores homens...

– Mukuru é bem pior que um homem, acredite. Precisava ver como Hiei apanhava dela nos treinos logo quando chegou. Ele costumava desrespeita-la e responder com grosserias, mas ela mostrou para ele.

– Ah, é? Não me diga...

– A propósito, Hiei também não foi fazer o teste – disse Kuwabara. – Pensei que você dois estivessem se matando por ai em algum lugar.

– Eu tenho mais o que fazer – respondeu Yusuke. – Para que matar o escalador de meio fio quando há muitas maneiras muito mais divertidas de acabar com ele? A propósito, você me lembrou bem. Vou agora mesmo mostrar a Hiei que cruzar o meu caminho foi a pior coisa que aconteceu a ele.

O garoto riu sinistramente e Kuwabara balançou a cabeça. Se Yusuke gastasse metade daquela energia estudando... Ouviu a porta bater e só então se lembrou. Àquelas horas Yomi já devia ter reportado as faltas e provavelmente Tiyu ou algum outro professor já o estaria procurando para levá-lo até a Genkai. Seria melhor ir atrás do colega de quarto e avisar? Pensou nisso um minuto antes de desistir. Cedo ou tarde ele acabaria descobrindo mesmo...

-o-o-o-o-o-

– Hiei, amigo do peito!

Yusuke abriu um grande sorriso enquanto se aproximava do baixinho. Abriu os braços como se fosse abraçá-lo, mas recolheu-os no último instante. Cruzou-os, sentando no banco de concreto do pátio, mas sem desfazer a expressão de felicidade. O colega de quarto de Shuuichi o encarou confuso, imaginando o que Urameshi estava tramando daquela vez.

– Sabe o que é que é... – o primo de Botan apoiou a mão no ombro de Hiei. – Eu precisava te pedir um favorzinho hoje. Eu sei que você tem uma grande admiração pela minha pessoa e não vai me negar uma coisa dessas...

Hiei afastou-se como se a mão de Yusuke queimasse e o olhou estranhado.

– Você andou fumando o que, idiota? Eu não vou te fazer nenhum favor!

– Ah, Hiei, não faz isso comigo... – Yusuke chegou mais perto e sussurrou: – Eu aposto que você não vai se negar a me apresentar àquela ruiva. Sabe, a professora de kendo. Kuwabara disse que ela é durona e eu adoro mulheres assim. Deve ser destino, cara. Eu vim para esse colégio para encontrar com a mulher dos meus sonhos.

O sorriso do garoto alargou quando ele viu o rosto de Hiei mudar para um vermelho vivo. Imaginou se seria vergonha, ciúme ou se ele tinha entendido onde estava realmente querendo chegar.

– Nós podemos ir procurá-la agora mesmo! Você só tem que me introduzir e eu cuido de ganhar a confiança dela usando toda a minha lábia. Sempre fui muito bom em conversar com mulheres mais velhas...

Ele puxou Hiei pelo braço e já o conduzia para dentro do prédio quando o sentiu livrar-se com um puxão violento.

– Onde pensa que está me levando, imbecil? – o baixinho gritou, chamando a atenção de um grupo de garotos que conversavam ali perto. Lançou a eles um de seus olhares mortais e imediatamente todos voltaram ao que estavam fazendo.

– Ao ginásio, imagino – respondeu Yusuke. – Não é lá que a minha musa costuma ficar durante os treinos?

– O que pensa que está fazendo? – perguntou Hiei. – Não pode estar apaixonado pela Mukuru!

– Por que não?

– Você nunca sequer a viu!

– Eu a vi sim... De relance... E Kuwabara me falou grandes coisas dela!

Hiei resmungou qualquer coisa sobre matar o imbecil mais tarde e Yusuke sorriu amplamente. Estava chegando onde queria.

– A não ser que haja algum problema com você – o primo de Botan disse, novamente segurando o ombro de Hiei como se fossem mesmo amigos de longa data. – Não vai me dizer que você gosta da professora de kendo. Sim, porque se gosta eu terei que respeitar o fato de você tê-la conhecido antes de mim. Quem diria – sorriu –, nosso Tarzan de samambaia está crescendo.

– Mas do que é que você está falando? – Hiei deu um salto, ficando na frente de Yusuke, dessa vez indiscutivelmente vermelho de raiva. – Eu não sei qual foi a estupidez que saiu da boca do imbecil dessa vez, mas você devia saber que não pode me chantagear com isso. Pensei que o episódio infeliz da revista tivesse lhe servido de lição.

– Ah, como se eu fosse me abalar por causa de uma chantagenzinha que não deu certo. Você já devia ter percebido que eu não sou cara de desistir no primeiro obstáculo.

Yusuke sorriu novamente. Aquele sorriso debochado que Hiei odiava tanto. O baixinho respirou fundo, sabendo que naquela ocasião era melhor controlar a língua antes que Urameshi se convencesse de que realmente tinha alguma coisa que pudesse usar contra ele.

– Eu sei que você tem se comportado – ele continuou sem desmanchar a expressão de triunfo. – O problema é que eu não sei até quando vai continuar com a mesma atitude, não o quero por ai espalhando boatos sobre garotas perambulando por esse colégio.

– E o que me diz de Kurama? Não o vejo preocupado com ele...

– Com esse eu não estou nem ai.

– E eu posso saber por quê? Aquele ruivo pode ser avoado, mas não é imbecil – disse Hiei, satisfeito em desviar a conversa de cima dele. – É claro que ele vai acabar descobrindo.

– Se não descobriu até agora, não descobre mais.

Yusuke retomou o sorriso, parecendo pronto a voltar a falar sobre Mukuru. Hiei olhou em volta desesperadamente, procurando uma maneira de se manter falando e mantendo a conversa longe do que dizia respeito a pessoa dele. Sorriu perversamente ao ter uma idéia.

– Você parece muito preocupado com a sua... O que ela é mesmo sua... Ah, claro, prima. Estou começando a desconfiar das suas intenções.

– Ora, não mude de assunto, nós estávamos falando...

– Eu acho – Hiei o interrompeu – que você gosta dessa sua prima, sabe? Caras metidos a Bad Boy como você costumam ser uns mulherengos, mas olha só – olhou para Yusuke de cima a baixo. – O que estou vendo aqui é praticamente um celibatário.

– Muito cuidado, ô surfista de pia... Eu o aconselho a não falar como se me conhecesse...

– Não preciso conhecer você para ver esse tipo de coisa. Por que mais você ficaria olhando a modelo da revista o dia todo se tivesse algo de carne e osso para entretê-lo? A não ser que a Botan...

Hiei não teve tempo de completar a frase, sentiu a mão fechada de Yusuke atingir-lhe bem na face esquerda. Cambaleou por um instante, surpreso pela velocidade do soco. Nem mesmo tinha visto o outro garoto se aproximar... Ficou de pé um pouco afastado, com a mão sobre o rosto. O grupo de estudantes que conversavam ali perto tratou de encontrar o que fazer em outro lugar deixando-os sozinhos no pátio.

– O que foi? – ele riu, debochando do golpe. – Não gosta de ouvir a verdade? Urameshi, quem diria... Ela é sua prima, isso não é certo.

Yusuke avançou novamente, mas Hiei conseguiu se esquivar, dessa vez com facilidade, desde que já esperava pelo ataque. Subiu no banco de concreto e encarou o primo de Botan com um sorriso.

– Tem gente que não agüenta ouvir nada mesmo... – balançou a cabeça negativamente.

– Se você não calar essa sua boca eu vou subir ai e te encher de tanta pancada que você vai ficar parecendo o Gollun daquele filme dos duendes!

– São hobbits, imbecil!

– Fico feliz que tenha entendido o recado!

Hiei abriu a boca para responder, mas voltou a fechá-la, olhando para algo além do adversário com os olhos muito abertos. Yusuke se virou lentamente, desconfiado se seria mais um truque do baixinho, mas deparou-se com a figura furiosa de Tiyu avançando em passos rápidos na direção deles. Assim que os alcançou, o zelador puxou ambos pelas golas dos uniformes e começou a arrastá-los na direção do prédio.

– Que pensa que está fazendo? – Yusuke perguntou.

– Os dois faltaram o teste de Yomi hoje, sabem o que isso significa? – sorriu ao ver o entendimento nos rostos de ambos. – Não se preocupem, prometo caprichar na detenção que darei aos dois.

– Que milagre é esse que está sóbrio, idiota?

– Darei um tratamento especial para você, Hiei. Ou acha que não sei o que andou fazendo a manhã toda? Vê se te enxerga e para de dar em cima da professora de kendo!

Yusuke sorriu.

– Eu estou começando a gostar desse cara...

– Cala essa boca ou falo com o Touya sobre os seus pensamentos impuros com relação à prima de vocês...

Hiei sorriu quando Yusuke tentou agarra-lo pela camisa e Tiyu o empurrou.

– Mas o que há com vocês dois, querem passar o resto do semestre na detenção? Sabem o que vou fazer? Leva-los imediatamente até Genkai!

O baixinho carranqueou.

– E o que é tão ruim em ir ver aquela velha? – perguntou Yusuke.

Tiyu deu um meio sorriso sádico.

– Você não perde por esperar.

-o-o-o-o-o-

– Shuuichi...

– Ela tem que estar por aqui em algum lugar.

Botan atravessou a cozinha, seguindo o ruivo. Ele a estava conduzindo pelo colégio inteiro desde que as aulas acabaram, parecendo estar com ânimo renovado pela curiosidade. Falava o tempo todo sobre como precisava encontrar a tal garota misteriosa, embora ela não estivesse muito certa de que era realmente isso que ele estava fazendo. Na opinião dela, o garoto ruivo ainda estava chateado com a mãe e o padrasto e estava se empenhando com a primeira distração que encontrara.

– Eu vou parar um pouco – disse ela, ao saírem para o pátio.

– Aquele lá não é o seu primo?

A garota acompanhou o olhar do ruivo bem a tempo de ver Tiyu arrastando Yusuke e Hiei para dentro do colégio.

– Ah, sim... Ele faltou o teste de Yomi. Tenho a impressão de que não vou vê-lo tão cedo hoje.

– Então é melhor procurarmos pelo outro lado...

– Shuuichi – Botan cruzou os braços. – Por que você quer tanto encontrar essa garota?

– Tenho os meus motivos... – ele ficou de costas para ela.

– Quais?

– Motivos pessoais...

– Que são...

– Touya, não seja curioso.

– Sou eu quem precisa de um bom motivo para continuar procurando uma garota que pode muito bem ser fruto da sua imaginação! – disse Botan. Não estava muito disposta a continuar independente da resposta de Shuuichi, mas se pudesse segura-lo falando por algum tempo... – Por favor...

O ruivo se virou, com uma expressão de quem estava sendo obrigado a fazer alguma coisa embaraçosa. Inclinou a cabeça para o lado antes de se aproximar a falar em voz baixa:

– O que você faria se a primeira vez que beijasse uma garota tivesse sido quando uma te agarrou no corredor no meio da noite? E você nem tivesse tido a chance de ver o rosto dela.

– Ora, eu... O que?

Botan encarou Shuuichi incredulamente.

– Não grite! Não queremos que toda a escola fique sabendo disso, não é mesmo?

– Não é possível!

Aquilo tinha que ser brincadeira. Não era possível que Shuuichi nunca tivesse... Não, definitivamente não. Caras bonitos como ele viviam cercados de garotas o tempo todo, certo? Além de que, se fosse verdade, tornaria ainda mais complicado convence-lo de que estivera sonhando.

– Nem todos os homens são conquistadores como você, Touya – o ruivo deu de ombros. – Eu estive muito tempo pensando na Maya e no meu padrasto idiota para prestar atenção nesse tipo de coisa. Eu tenho dezesseis anos, não tenho idade para agir como um desesperado.

– Sim... Certo... Espero que pelo menos tenha sido uma experiência agradável.

– Ah, foi sim... Mas não vou sossegar enquanto não vir o rosto dela às claras.

Botan suspirou, sentindo-se infeliz. Se ele continuasse com aquela insistência, acabaria tendo que contar a Yusuke o que acontecera e realmente ficar longe dele. O primo ia matá-la quando soubesse... Ou talvez ele contasse a Touya e ai os dois poderiam planejar como fariam para matá-la mais tarde, juntos.

– Touya! – alguém gritou a distância.

Os dois olharam para o lado e deram com Kuwabara, correndo e acenando loucamente para Botan. Ele parou ao lado deles, ofegando com as mãos apoiadas nos joelhos por um instante antes de conseguir falar:

– Bo... Touya, acho melhor você correr. Sua mãe está na sala de Genkai, veio te visitar. E ela não parece nada contente...

 

 

Continua

 

 

Anterior          Próximo

Hosted by www.Geocities.ws

1