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Uma sessão real de gravação - a mixagem

Se optarmos por mixar o material dentro do computador, aliás mais difícil na minha opinião, porque apesar das inúmeras facilidades, o computador nos dificulta coisas simples como girar um botão, temos que acertar os pans de cada trilha mais calculando do que ouvindo, porque não temos a rapidez para girar os botões como temos numa mesa, e acertar os volumes finais, além disso temos que fazer todas as trilhas saírem por apenas 2 canais da mesa para termos um controle dos picos que podem acontecer pela somatória de todas essas trilhas individuais. Podem ocorrer estalos durante a execução que devem ser evitados ajustadando-se alguns controles. Feito isso e depois de horas de ajustes de volumes e pans, chegamos a um acordo quanto a posição e intensidade de cada som para tornar a composição coesa dentro do seu propósito, daí se você estiver usando o mais comuns dos programas de sequenciamento após fazer umas conversões de formatos , pode exportar o áudio para um outro arquivo agora já com tudo pronto para a masterização.

Se optarmos pela mixagem numa mesa, no meu caso uma MACKIE 1604, o processo será semelhante ao descrito acima, como o material já foi devidamente editado no computador e está praticamente pronto serão necessários alguns ajustes que aparentemente são simples, mas podem demorar horas até se completarem ... inicia-se tocando-se cada instrumento já gravado separadamente e ajustando-se o ganho de cada pista para que não ocorram picos vermelhos. Esta primeira etapa é o controle do ganho de cada canal na mesa. Depois que o nível individual de cada instrumento foi ajustado vamos para o pan, o ajuste de pan é particularmente interessante porque é aí que se faz a distribuiçaõ espacial do som e é um dos pontos cegos para a maioria das bandas que nem sequer pensam a respeito até que alguém lhes pergunte. Ninguém imagina que uma coisa aparentemente tão insignificante possa ser decisiva para um bom trabalho.

O ajuste de pan não é definitivo, temos que tentar diversas posições com a presença dos músicos ... vamos agora novamente para o controle de volume de cada canal, como os ganhos já foram definidos, resta-nos agora fazer os ajustes sutis de acordo com a opinião deles. Aqui cabe ressaltar que sempre há discussões e opiniões variadas entre os músicos, fazendo com que o engenheiro ou técnico perca um pouco sua própria perspectiva em favor da opinião do grupo, o importante é que consiga manter claras suas posições técnicas.

A decisão aqui não é apenas artística nem apenas técnica, é uma mistura das duas. Por exemplo temos duas guitarras, nosso bom senso nos diz que deveríamos jogar uma para cada lado nos canais da mesa, para que na master apareçam separadas, mas nada impede que joguemos as duas no meio, ou que variemos a separação entre as duas ou uma opção mais radical seria colocar no mesmo lado. Tudo é uma questão de o que se quer produzir. Normalmente se deixam o baixo, bateria, percussão no centro desloca-se um pouco os pratos e deixa-se os tons um de cada lado para criar algum efeito de movimento. Claro que as possiblidade são praticamente infinitas assim como a música ... Esse processo envolve além de sensibilidade, frieza para achar a melhor solução. Particularmente gosto de fazer isso sozinho, quando a banda não faz questão de estar presente, a maioria não quer se envolver no processo. Aí o silêncio e o tempo para pensar me fazem encontrar a melhor solução. Na mixagem pode-se acrescentar efeitos às trilhas, que no nosso caso foi feito na fase da edição.

Não encontrei ninguém até agora que tivesse a idéia clara do que queria desde o início do processo, normalmente temos que testar várias possibilidades antes de optar por uma ou outra. Acho que a opinião do múscio é fundamental.
Após todos os ajustes na mesa, gravamos em dois canais no computador e passamos para a etapa seguinte.

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