Parte 6

 

Linda jamais pensou que ela podia se sentir ainda mais feliz do que quando acordou e encontrou Fraser no seu quarto, mas ela estava. Ela acordou e encontrou Ray no quarto, movimentando-se de forma desajeitada na tentativa de não acordá-la, ao mesmo tempo em que arrumava um grande animal de pelúcia na bandeja. Ela ficou comovida de verdade, um calor a aquecendo o peito.

- Ray?

- Desculpe, eu não queria acordá-la.

- Está tudo bem. Estou feliz que tenha me acordado, Ray.

- Trouxe um presente. - Apontou para o coelho de pelúcia e sorriu - Como está se sentindo, garota?

- Melhor, Ray, obrigada. É um lindo coelho. Como estão todos?

- Bem. Ma quer aparecer para ver você.

- Eu iria adorar.

- Fraser disse que não se lembra de muita coisa.

- Ray, eu não me lembro de nada sobre o que aconteceu. Dr. Lennyard disse que pode ser um truque da minha mente. Sabe, eu não me lembro porque tudo é muito doloroso.

- Acha que ele tem razão?

- Não sei, Ray. Para mim, a coisa mais dolorida que tive de fazer foi dizer a você e Ben para não me procurarem nunca mais.

Os grandes olhos verdes de Ray se tornaram ainda maiores:

- Você se lembra disso?

Linda abaixou a cabeça, envergonhada, e assentiu:

- Sim. Foi um erro, Ray. Eu peço desculpas. Eu amo você demais.

- Não se preocupe - disse ele (falando mais para si mesmo do que para ela, ele reparou) - Mas se você consegue se lembrar de algo tão doloroso quando isso, então não há razão para não se lembrar do que aconteceu a você.

- Eu ainda não faço a mínima idéia. Ninguém me fala sobre isso, Ray. Até Ben achou que seria melhor eu descansar a tentar saber.

Ray a encarou, os olhos com um brilho diferente. Ele disse:

- Foi mesmo muito ruim, Linda. Tem certeza de que quer saber sem antes tentar se lembrar por si mesma?

- Ray, eu tenho certeza que posso agüentar.

- Se você diz, eu acredito. Mas a verdade é que não sabemos exatamente o que houve com você. Tudo o que sabemos é que você foi encontrada num bordel clandestino. Estava subnutrida, ferida e em estado de choque. Havia evidências de estupro e violação coletiva. As investigações ainda não terminaram, e alguns acham que você poderia servir como testemunha. Depois do que aconteceu no caso Moreaux, não havia uma única pessoa que não quisesse ajudar, Linda. Todos no distrito estavam torcendo por você.

Linda não se retorceu, não piscou, sequer reagiu. Ray ficou inquieto, mas ela logo suspirou e deu de ombros:

- Eu não me lembro de nada disso, Ray, lamento. Gostaria de ajudar nessa sua... investigação.

- Não tem culpa disso. O caso nem está conosco. Mas isso não é tudo. Tem mais.

- Mais?

Ray parecia nervoso, ou envergonhado:

-Teve uma outra coisa também... Suponho que você deva saber também.

- O que foi, Ray?

- Você estava grávida.

Ela esperou que ele continuasse, e ele não continuou. Ela não podia acreditar.

- Não, eu não estou.

- Não, você não está mais, mas você estava grávida. Havia uma chance que o bebê fosse de Fraser, e ele o queria, mesmo que você não quisesse. Mas depois você o perdeu. Naturalmente, sabe? Foi uma complicação qualquer. De qualquer forma, ficamos felizes que você tenha sobrevivido. Foi por pouco.

Linda ficou quieta durante um bom tempo.

- Ray, eu... ainda não sei o que dizer, eu...tive o bebê de Fraser?

- Não sabemos, Linda. Poderia ter sido fruto de seu estupro.

- Eu podia ser mãe agora?

- Sim, Linda.

- Mas aí eu perdi o bebê, foi isso? - Ele assentiu - Como foi que eu perdi?

- Os médicos disseram que foi um aborto natural. A criança não sobreviveu. Era muito pequena. E você também quase morreu.

Ela assentiu, e olhou para o lado. Ficou parada um bom tempo. Depois ela chamou, a voz estranha:

- Ray?

Ray se emocionou tanto que pulou parou o lado dela, pegando sua mão.

- Sim, querida. Estou aqui.

- Por favor, Ray... Me abrace.

Ele obedeceu, uma dor espremendo seu coração. Linda sabia que não chorava por ter perdido seu filho, ela apenas precisava do toque, do apoio, do amor. Naquele amor, ela não pôde mais resistir e adormeceu, entre soluços. Ray a deixou descansando - ele tinha planos de passar a noite ali, para que Fraser descansasse. Agora que ela estava consciente, eles tinham combinado que alguém sempre estaria com ela - incluindo durante a noite.

A decisão provou ter sido a mais acertada Aquela foi a primeira noite que Linda acordou gritando. Ray estava lá para acalmá-la.

- Shh. Tudo bem, Linda, está tudo bem.

A moça estava agitada:

- Eu lembro, Ray, eu lembro!..

Ele tentou contê-la:

- Calma, Linda. Como assim, lembra?

- Eu lembro que estava indo para casa... E aí um homem...! Um homem... apareceu... Eu não podia respirar...! Eu queria me soltar!!...

- Onde?

- Na rua..! Era noite!... Ele colocou uma coisa no meu nariz!... E me segurou, Ray!!!

- Foi assim que eles a levaram, Linda. Agora pense bem, Linda: você o viu?

- Não, ele veio por trás... me agarrou pelo pescoço...!

- Lembra-se de alguma outra coisa? Do que mais você lembra?

Linda fechou os olhos e disse, ofegando:

- Eu me lembro de tudo... De tudo, Ray... De cada coisinha...

E depois ela não conseguiu falar mais nada, porque estava soluçando tanto que atraía a atenção das enfermeiras, e ela se agarrou a Ray, aos prantos. Ray foi forçado a deixar o quarto enquanto Linda era sedada, de acordo com as ordens do Dr. Lennyard. Ray tinha muito medo de que Linda não quisesse mais acordar e revertesse ao estado catatônico. Mas mais do que isso, Ray não queria ter de dizer a Fraser o que tinha acontecido.

O dia raiou e Ray chamou o distrito, alertando que ele tirara o dia para ficar com Linda, pois ela tinha começado a se lembrar de coisas e poderia ajudar na investigação. Welsh o advertiu de que, mesmo gostando muito de Linda, eles ainda eram policiais, e não podiam ficar brincando de "Essa é sua Vida". Ray insistiu que isso poderia dar boas pistas, e o tenente concedeu o dia fora do distrito.

Os piores problemas vieram de onde Ray menos esperava: o Dr. Lennyard.

- Ela não pode responder suas perguntas, detetive.

- Eu quero pegar as pessoas que fizeram isso a ela, o senhor não?

- Não posso permitir. Já tenho trabalho suficiente tentando consertar o estrago que já fez ao contar para ela o que tinha acontecido.

- Eu estava tentando ajudar! - exasperou-se Ray.

- Ela pode voltar ao estágio anterior, detetive. Eu estava tentando evitar isso.

- Eu também.

Dr. Lennyard abaixou a voz e trincou os dentes ao ameaçar:

- Não me pressione. Sabe que posso proibir que a veja.

Mas Ray não se deixava intimidar tão facilmente:

- Eu sei que ela me quer aqui. Ela me quer aqui e ela quer Fraser aqui, e eu estarei aqui, nem que eu tenha que conseguir um mandado de injunção para isso.

O brilho nos olhos de Ray era inequívoco. Contudo, o Dr. Lennyard também não arredou pé:

- Se ela retornar àquele estado, eu vou responsabilizá-lo pessoalmente e vou processar todo o Departamento de Polícia de Chicago.

- Nesse caso, nós nos veremos na corte, doutor!

O médico deu meia volta e saiu, e Ray pensou que seria melhor preparar-se para o que viria. Ele discou para o escritório do promotor público.

* * *

Linda abriu os olhos e olhou em volta do quarto de hospital. Dessa vez estava sozinha. Ela se sentia mais sedada, estava mais difícil levantar. Ela se lembrava de tudo que tinha acontecido. Ela estava muito triste.

Mais ainda assim havia coisas a fazer. Suspirando, ela tentou mover as pernas. Pareceu funcionar. Ela se arriscou a se sentar e depois se erguer, sempre usando a segurança da cama para se agarrar. Seria ótimo se ela pudesse ir ao banheiro. Aquelas comadres eram objetos muito desconfortáveis.

Devagar, com muito esforço, ela chegou ao banheiro. Quando ela estava voltando para a cama, ela percebeu que tinha sido esforço demais. E ela não tinha como chamar ninguém. Ela sentiu o mundo girar à volta dela, e ela se segurou o máximo que pode à porta do banheiro.

No exato momento em que Linda imaginou que ia se espatifar no chão do quarto, uma enfermeira entrou no quarto. A moça mal teve tempo de pedir, tentando se agarrar:

- Ajude...

O mundo de Linda ainda girou um pouco, mas conseguiu se manter mais estável depois que ela estava de novo na cama. Ela estava envergonhada.

- Desculpe.

A enfermeira disse:

- Está tudo bem. Aliás, você deve tentar andar mais. Mas precisa ter alguém com você. Vou falar com nossa fisioterapeuta, e ela vai ajudá-la, tá bom?

- Ótimo. Muito obrigada.

- Precisa de alguma coisa?

- Será que podia me pegar um pouco de água, por favor?

- Claro.

A porta se abriu quando ela estava bebendo a água e o Dr. Lennyard entrou:

- Então como está a minha paciente se sentindo agora?

- Cansada - admitiu Linda. - Tentei andar. Quase caí.

Com um olhar, o médico pediu as informações à enfermeira, que relatou todo o incidente. Ele ouviu atentamente a estória e disse, quando a enfermeira deixou os dois sozinhos:

- Você parece mais descansada e disposta, Linda. Agora eu preciso falar com você sobre uma coisa desagradável. Você precisa dar um depoimento à polícia.

Linda assentiu, mas permaneceu calada.

- Eu posso dizer a eles que você ainda não está em condições de fazer isso. Mas você precisará fazer isso mais cedo ou mais tarde. Só não precisa ser agora.

- Mas se eu fizer agora, eles podem pegar esses caras mais rápido, não é?

O médico concordou. Linda abaixou a cabeça e disse:

- Eu farei agora. Só que...

- O que é, Linda?

- Eu queria que Ben ou Ray estivessem comigo.

- Tenho certeza de que isso pode ser arranjado - Dr. Lennyard sorriu - Você é mesmo uma mocinha muito valente, Linda.

- Obrigada, doutor. Pode me dizer sobre o meu emprego?

- O que tem ele?

- Eu fiquei fora por muito tempo. Fui despedida?

- Não, você esteve de licença médica. Só que não teve remuneração. Olhe, eu vou falar com sua chefe, a Sra. Sorelli, e verei o que ela diz, está bem?

- Obrigada.

O médico se aproximou e indagou, cuidadosamente:

- Linda, você gostaria de falar sobre o que aconteceu?

Ela permaneceu de cabeça baixa, mas não demonstrou qualquer reação significativa.

- Está bem.

- Você se lembra do que houve?

- Sim. Mas não entendo.

- Como assim, Linda?

- Eu nunca soube quem fez aquilo, ou por quê. Eu não soube por que estava sendo castigada. Aliás, eu ainda não sei.

- Linda, você não estava sendo punida. Você não fez nada errado. Acredite em mim.

- Então eu não entendo coisa alguma, doutor - A moça estava genuinamente intrigada - Por que eles fizeram aquilo comigo?

- Não sabemos, Linda. Talvez a polícia possa descobrir.

- Mas eles precisam de minha ajuda.

- Sim, precisam. Olhe, que tal eu deixar você comer seu almoço agora?

- Bom - ela sorriu, timidamente - Estou com fome.

Então ela comeu, pensando no que o Dr. Lennyard tinha dito, quando houve uma batida polida à porta e Linda sabia que era Fraser. O sorriso dela era sincero e fez o coração do polícia montada derreter-se por dentro.

- Ben...

- Que bom que você está comendo.

- Eu estava com fome. Quer um pouco?

- Não, obrigada. Eu comi antes de sair do Consulado. Como se sente?

- Melhor, obrigada. Por que não se senta?

- Linda, eu não posso ficar. Só vim deixar uma mensagem para o Dr. Lennyard.

O desapontamento no rosto dela era quase palpável de tão visível. O coração de Fraser se encolheu.

- Você tem um recado?

- Ray pediu que dissesse a ele que tudo estava sendo arrumado para que alguém do escritório do promotor distrital venha tomar seu depoimento esta tarde.

- Tão cedo?

- Quanto antes melhor. Então o Dr. Lennyard poderá se programar, se quiser estar presente.

- Oh, isso é bom. Você também vem?

- Não posso. Tenho que trabalhar.

- Oh, claro. - Linda não disse, mas Fraser sentiu que ela queria que ele estivesse presente.

- Olhe, eu volto à noite, está bem?

- Claro. Estou com saudades de Diefenbaker, Ben.

- Ele não pode entrar. Lamento.

- Eu sei, eu só estou dizendo que estou com saudades. Pode dizer a ele?

- Claro. Ele também sente sua falta.

- Que lobinho adorável.

- É melhor eu ir agora.

- Tchau, Ben.

- Eu voltarei, Linda.

- Vou gostar.

Fraser sorriu antes de sair e Linda sentiu o coração se acelerar só de olhar para aquele sorriso. As coisas que ela estava pensando naquele momento não eram apropriadas para uma moça, então ela corou. Mas se eles estavam saindo, e namorando, não fazia mal que ela pensasse aquelas coisas, fazia? O desejo de fazer amor com Fraser lhe deu mais forças para tentar caminhar mais rápido.

Outros médico vieram vê-la aquele dia, e ela foi muito cortês com eles, como ela sempre era com estranhos. Eles pareciam satisfeitos com o progresso dela. Então ela conheceu a moça da fisioterapia e depois tentou tirar uma soneca. Apenas meia hora depois, ela ouviu uma batida suave na porta.

- Ei, garota.

Ela tentou se sentar.

- Ray... Entre.

- Acordei você de novo. Desculpe.

- Não, tudo bem. Se eu dormir de dia, de noite não durmo direito.

Uma moça jovem e bem-vestida, com uma pasta de couro na mão, seguiu Ray dentro do quarto e ele disse:

- Linda, essa é a Srta. Saint-Laurent. Ela é do escritório do promotor, e vai tomar seu depoimento.

- Prazer em conhecê-la, senhorita.

A moça elegante apertou a mão de Linda e disse:

- O prazer é meu, Linda. Lamento por tudo que aconteceu a você, e posso assegurar que faremos o máximo para pegar as pessoas que fizeram isso a você.

Linda disse:

- Obrigada.

Ray anunciou:

- Vou pegar o seu médico, Linda. Ele faz questão de estar presente.

O procedimento propriamente dito só começou quando Dr. Lennyard chegou à sala e deixou claro para Linda que ela poderia se recusar a falar com aquelas pessoas. A moça disse que tudo estava bem, e sentiu algo de Ray, algum tipo de hostilidade em relação ao médico.

- Bem - A Srta. Saint-Laurent chamou a atenção dela - talvez você gostasse de começar falando-nos mais sobre o seu rapto.

- Eu estava indo para casa, depois do trabalho. Era noite, ou pelo menos estava escuro. Eu estava indo para a parada do El. Aconteceu muito rápido. Não vi o carro parando, nem nada. Fui agarrada por trás no meio da rua, e acho que me arrastaram para o carro, mas depois eu não vi mais nada.

Saint-Laurent concluiu:

- Então eles a drogaram.

A moça concordou:

- Acho que sim. Depois é que me lembrei de ter sentindo uma picada na mão. Pode ter sido uma agulha.

A advogada incentivou:

- E depois, o que aconteceu?

Linda fechou os olhos e suspirou fundo. Era a hora mais difícil. As memórias ainda estavam bem frescas. Bem doloridas, também.

 

Quando Linda voltou a ter qualquer tipo de sentido, ela sabia que estava nua, amarrada com tiras de veludo, de pernas e braços atados a uma cama, os olhos cobertos. Havia um terrível sentimento de perigo pairando no ar, e ela desejou que Benny pudesse vir salvá-la. Então ela se lembrou que eles não eram mais namorados e ele talvez não quisesse salvá-la. O pensamento de que Benny poderia estar com raiva dela a despedaçou por dentro.

A porta se abriu, distraindo-a. Passos firmes soaram pelo piso de madeira e ela chamou:

- Olá?

Houve um barulhinho na cama e então lábios masculinos e fortes encontraram com os dela, silenciando suas palavras com sensualidade. Uma língua entrou na boca dela, explorando as vizinhanças. Mãos grandes, másculas, acariciaram as pequenas mãos dela, enquanto a língua se enroscava na sua boca, capturando a língua dela com grande talento sensual.

A cama chiou novamente e a língua e mãos cessaram todo o contato com Linda. Ela ainda tentava recuperar o fôlego quando o contato se reiniciou. A língua acariciava languidamente a parte de dentro das coxas da moça, subindo até estar em contato com o seu sexo, o âmago úmido de sua feminilidade. Linda se contorceu e gemeu ao toque úmido, quente e sensual, que não se deteve até que ela não pudesse mais pensar e ela chegou ao clímax com um gemido alto. Depois, quando ela ofegava, o homem beijou-lhe a barriga firme, acariciou-lhe os seios e depois saiu.

Linda chorou e caiu no sono, cansada.

No dia seguinte, quando a porta se abriu, Linda tentou indagar ao homem onde ela estava e por que estava ali. A língua entrou na boca dela de novo, e ela não resistiu. Em seguida, a boca dela foi preenchida por algo quente, comprido e duro, e Linda percebeu que era o pênis do homem. Ela quase engasgou quando percebeu o que estava na sua boca. A língua reapareceu entre as pernas abertas dela, direto na umidade de Linda. A moça gemeu mesmo de boca cheia, e à medida que a língua trabalhou os pontos certos, Linda explodiu na boca do homem. E logo depois, ele enchia sua garganta de sêmen quente e fresco.

O homem saiu da cama, então beijou a mão dela cerimoniosamente:

- Obrigado.

Linda virou a cabeça, enojada. Se a venda de veludo permitisse, ele teria visto as lágrimas nos olhos dela. Como ela queria que Ben estivesse ali!...

Ela recebeu água e comida, embora não a soltassem das amarras de veludo. Também pôde usar uma comadre para as suas necessidades. Uma esponja suave e sensual limpou-lhe o corpo, um pente deixou o cabelo novamente assentado. Seus dentes foram escovados e logo depois disso, o pênis estava dentro da boca dela e a língua na sua vagina. Mas dessa vez, os seus quadris foram erguidos e um segundo pênis estava em seu ânus. Linda tentou gritar de dor e medo, mas sua boca estava cheia e os gritos saíram abafados, mas os seus cabelos eram acariciados. Ao mesmo tempo, ela chorava convulsivamente, tentando sugar o órgão do homem. Quando tudo acabou, o sêmen foi deixado para secar na pele de Linda, o cheiro entrando em sua narinas, e ela tentou dormir, mas estava soluçando demais.

Onde estava Ben? Por favor venha. Mesmo como um amigo. Me ajude.

Linda era estuprada pelo menos três vezes por dia, em todos os modos imagináveis. Ela nunca era libertada para as refeições, eles a alimentavam na cama mesmo. A rotina também incluía o banho com esponja e óleos aromatizados. Depois de uma semana, eles a deixaram usar o banheiro, mas ficava acorrentada a ele. Ela também fazia exercícios físicos que ajudavam a não atrofiar o corpo. Mas todas as suas perguntas eram ignoradas.

Uma vez ela tentou erguer a venda sempre presente, e suas mãos foram amarradas acima da cabeça durante um dia inteiro, como punição. Ela tinha que realizar todos os seus "deveres" sentada, o que era muito mais doloroso.

Linda também reparou que embora no começo apenas um homem abusava dela, agora era precisava acomodar pelo menos três homens ao mesmo tempo. Eles se revezariam tomando-lhe a vagina enquanto ela chupava e manipulava os outros dois ao mesmo tempo. Ou ela chuparia um enquanto os outros dois fariam uma dupla penetração nela. As combinações variavam muito.

Depois de mais ou menos 20 dias, Linda estava pensando menos sobre o resgate, nem chorava tanto. Talvez eles a soltassem, se ela fosse boazinha. Se tudo o que eles queriam era sexo, então sexo ela daria a eles. Portanto, sexo era praticamente tudo que ela fazia. O tempo todo.

Durante as refeições, alguém lhe enfiava os dedos no sexo, e enquanto ela tomava banho, um homem se deitava por debaixo dela, num lento coito anal. Ela sabia que enquanto ela era penteada, uma boca a acariciava na sua vagina. Durante os exercícios físicos, então, havia muitas oportunidades para seus "tratadores" desfrutarem dela. Pelo menos dois ao mesmo tempo. Nem quando ela dormia, ela era deixada sozinha. No meio da noite (ou ao menos no melhor do sono dela), a porta poderia se abrir para que um homem a fodesse de maneira abrupta e lenta. Acontecia quase toda noite.

Vivendo num mundo de sombras, Linda não via coisa alguma. Ela sentia, mais do que sabia, muita coisa daquele estranho mundo novo. Ninguém falava com ela, embora ocasionalmente um dos homens gritasse ao chegar a um orgasmo sobre o corpo dela. Às vezes ela também ouvia palavras de apreciação enquanto sugava um pênis. Mas nada que ajudasse a investigação.

As horas de vigília se tornaram mais longas, e Linda se cansava. Ela deveria satisfazer mais e mais homens, e eles se posicionariam de maneira selvagem dentro da sua vagina, e a boca dela era obrigada a aceitar e sugar órgãos masculinos, engolir o sêmen. Depois de um tempo, as mãos que passeavam no corpo dela, o esperma deixado para secar em suas coxas, nada tinha qualquer sentido para ela. Era pura solidão. Ela só se consolava porque sabia que, fossem quem aquelas pessoas fossem, elas não a machucariam. Não, não a machucariam. Mas isso não era mais consolo.

Ela ficou fraca e passou a comer pouco. Ela mal participava das sessões orgiásticas, deixando apenas que eles desfrutassem dela. Ela se recusava a chupar pênis. Ela chorava enquanto a fodiam. Ben voltou aos seus pensamentos. Os homens a lambiam, a acariciavam, beijavam seus seios e uma vez ela ouviu:

- Por favor...

Eles a queriam de volta à ação.

Havia um gosto estranho na boca dela, e se ela pudesse ver, saberia que eram as gengivas sangrando. Também veria as imensas olheiras debaixo de seus olhos. A falta de sol e comida saudável estavam começando a afetar sua saúde.

Um dia Linda acordou com sons estranhos, sons que nunca ouvira naquele mundo estranho. Portas batiam, gritos. Poderiam ser tiros também.

Talvez fosse a polícia, ou alguém que pudesse salvá-la.

As vozes pareciam mais perto.

- Ei, Don, parece ter uma porta aqui.

A porta dela chiou. Depois ela ouviu uma inspiração forte e um desmaiado:

- Oh, meu Deus.

Linda sentiu as amarras de veludo sendo retiradas, e a venda também. Ela não podia ver, os olhos pareciam incapaz de suportar mesmo a escuridão daquele quarto. Os policiais disseram algo a ela, cobriram-na com um cobertor e a retiraram, no colo. Linda estava de olhos fechados e voltou à escuridão. O mundo exterior teria que esperar mais por ela.

 

Ray não disse coisa alguma, mas ele começou a sentir o estômago embrulhar diante das palavras que Linda dizia de maneira tão natural. Ele limitou-se a segurar a mão dela e a dar-lhe lencinhos de papel quando ela chorava demais. Ray sentia seu sangue italiano fervendo de raiva diante de tudo que tinha sido feito com ela.

Quando a moça do escritório do promotor se foi, Ray ficou com Linda. Ela disse, deitada e com um sorriso triste:

- Sabe, Ray, o que aconteceu comigo não foi de todo ruim.

O italiano precisou mesmo se controlar antes de dizer:

- Linda, eu sei que poderia ter sido muito pior. E que você poderia ter morrido. Mas precisa encarar: foi muito ruim.

- Foi muito ruim quando eu me senti sozinha. Eu não quero me sentir assim nunca mais, Ray - As lágrimas encheram os olhos dela e a voz ficou chorosa - É muito ruim.

Ray beijou a testa dela, acariciando o cabelo e garantiu:

- Prometo que nunca mais vai se sentir assim. Não deixarei isso acontecer.

Ela sorriu:

- Sei que não vai deixar, Ray. Eu agradeço muito.

Ele beijou a testa dela de novo e disse:

- Acho melhor você tentar descansar um pouco. Quer algo para comer?

- Não, obrigado. Tentarei dormir.

- Boa menina - Ele puxou as cobertas e certificou-se de que ela estava confortável - Eu vou ficar aqui, tá bom? Se precisar de qualquer coisa, pode me chamar.

- Obrigada, Ray.

Aquela foi uma noite dos Vecchio. Não só por causa de Ray, mas por causa da visita de todos os outros Vecchio a Linda. Foi surpresa até para Ray. A Sra. Vecchio trouxe comida, Francesca, um kit de maquiagem ("Assim você vai estar bonita quando Benton vier"), Maria trouxe flores e Tony trouxe Maria. Linda quase chorou com tanta demonstração de afeição. Ela prometeu à Sra. Vecchio comer bem e fazer tudo o que o médico dizia.

Quando Fraser chegou ao quarto, ele quase pensou estivesse no lugar errado. Estava tão barulhento e tão cheio de vida. Os olhos de Linda faiscavam quando ele a encarou, e quando ela o localizou, eles quase se desmancharam em poças verdes de amor. Fraser também se sentiu inchando de amor. Ray o retirou de todo aquele barulho até o corredor:

- Oi, Benny.

- Alô, Ray. Parece que sua família resolveu fazer uma visita.

Ray deu de ombros:

- Você os conhece, Benny. Quando eles vêm visitar, eles visitam mesmo.

- Oh, sim. Talvez seja melhor eu voltar mais tarde.

- Não, não vá. Linda ficaria arrasada.

- Ela parece bem.

Ray estremeceu e disse, amargo:

- Benny, ela passou por um mau bocado. Eu não tinha a menor idéia.

Fraser sentiu o desconforto do amigo e indagou:

- Ray, você sabe o que aconteceu? Ela falou?

- Ela prestou o depoimento esta tarde, Benny. Ela disse tudo o que aconteceu com ela nesses dois meses em que ela sumiu. Eu estava lá.

O canadense sentiu o aperto no estômago:

- Ela está bem?

- Acho que a visita vai ajudá-la.

- Eu quero ficar com ela, Ray.

- Isso vai ajudar ainda mais.

Os dois amigos sorriram e voltaram para o quarto do hospital, onde Fraser passou a noite. Na madrugada, enquanto Linda dormia, Fraser saiu disfarçadamente num rota predeterminada perto do estacionamento do hospital. Ele voltou rapidamente para o quarto, seguido por uma sombra que se esgueirava. Uma sombra branca lupina.

- Dief? Dief, é mesmo você? - Linda não podia acreditar que o lobo a acordara - Oh, Diefenbaker, eu estou tão feliz em vê-lo...!

Fraser disse:

- Ele me obrigou a trazê-lo. Não aceitaria um "não" como resposta.

- Lobinho amado - Dief lambeu o rosto dela, e ela deu um risinho, daqueles que Fraser amava - Eu senti saudades suas, sabia? Ben, ele pode ficar um pouco?

- Diefenbaker sabe que não pode ficar muito. Mas acho que podemos arriscar ficar até o amanhecer.

Linda abraçou Diefenbaker e sorriu, deixando o canino metade lupino partilhar sua cama. Em pouco menos de meia hora, ela estava adormecida de novo, envolta num cobertor de pelos brancos, e Fraser estava feliz de agradá-la. Diefenbaker também suspirou, contente.

Depois, Linda progrediu na fisioterapia e andava todos os dias, mesmo que a princípio ficasse exausta. A presença de Fraser ajudava-a muito. A mãe de Ray também insistia em estar com ela para que Ray e Fraser pudessem descansar. Linda também recebeu uma visita da Sra. Sorelli, e estava muito feliz. Ela perguntou sobre os pacientes, as enfermeiras, a turma da limpeza e o pessoal da segurança. A Sra. Sorelli indagou sobre ela e Fraser, fazendo Linda corar. Fraser parecia contente com o progresso dela e o Dr. Lennyard também. Assim que Linda pudesse andar sem ajuda, ela deveria ir para casa. A perspectiva a agradava imensamente.

Era cedinho uma manhã quando Fraser entrou no quarto. Linda não estava na cama. Ela estava de pé, perto da janela, o rosto de frente para o sol nascente. Mas havia lágrimas em suas bochechas, então ela provavelmente sequer estava vendo o sol nascer.

Fraser largou o Stetson que trazia nas mãos e a abraçou:

- Linda, o que houve?

Ela o agarrou, soluçando baixinho, molhando a túnica vermelha de sarja. Linda mal podia responder:

- Eu... tenho tanto.. medo...

- Shhh - fez Fraser, acariciando-lhe os cabelos. - Estou aqui. Nada vai acontecer.

Linda estava agarrada a ele como se sua vida dependesse disso. Meio chorando, meio zonza, ainda soluçando, ela conseguiu dizer:

- Eu o amo, Ben. E por isso talvez tenha que desistir de você. Mas não quero fazer isso.

Ben não entendeu o que ela dizia:

- Mas o que está dizendo?

- Eu - Ela respondeu - Não sei o que fazer... Tenho tido esses... sentimentos... a seu respeito.

- Sentimentos?

Ela ficou vermelha feito um pimentão:

- Sentimentos, sabe. Eu tenho desejos por você. Você sabe que tenho.

Fraser tentou manter a mesma cor, sem sucesso, mas a voz saiu normal:

- Sim. Eu também tenho por você.

- Então significa que se eu estiver doente, eu jamais posso ter você de novo - Disse ela, determinada e triste - Eu não quero que fique doente também.

- Como assim, doente?

- Sabe, AIDS. Eu fui usada, e não lembro de alguém sequer mencionar uma camisinha. Eles podem ter conseguido vencer, afinal.

- Você não sabe ainda - lembrou Fraser - Os resultados ainda não chegaram.

- Não, mas tem uma chance bem grande de isso acontecer. Se acontecer, pedirei ao Dr. Lennyard para me colocar de volta na instituição. Será mais fácil para você assim. Talvez para mim também. Pode haver alguma medicação que pare... - As lágrimas retornaram - essa dor que estou sentindo. A dor de perder você.

Fraser pegou o rosto de Linda coma s duas mãos e disse:

- Linda, escute, e escute bem: você não vai me perder, mesmo se estiver com AIDS. Eu não a quero trancada numa clínica qualquer, longe de mim. Se você estiver infectada, eu quero lutar com essa doença junto com você. Entende? Nosso amor vai fazer uma diferença, eu sei que vai.

A moça se enroscou no corpo de Fraser de tanta gratidão, tremendo. Ele a ergueu do chão, pegando-a pela dobra dos joelhos e a levou até a cama. A proximidade do corpo dela junto ao dela desencadeou todo tido de resposta dos dois. Eles sequer se beijaram, mas já estavam sentindo o calor um do outro, ofegando. Fraser a deixou ir de maneira vagarosa.

- Viu o que eu quis dizer? - Ele sussurrou sensualmente - Não tem jeito de eu conseguir me separar de você, Linda.

Antes que Linda pudesse responder, ele a beijou profundamente, fazendo-a estremecer de puro desejo. Ela desejava mais, Fraser também, mas só um beijo ia ter que dar, por enquanto.

Alguns dias mais tarde, Fraser chegou ao hospital à noitinha. Ele não vinha direto do consulado. Ao entrar no quarto de Linda, anunciou:

- Linda, eu tenho boas notícias e tenho más notícias.

- E elas são..?

- As boas notícias são que os seus exames chegaram. Os resultados foram negativos.

- Exames - Ela repetiu e não havia tom de pergunta, a não ser nos olhos verdes. - Que exames?

- Exames de AIDS. Eu os trouxe do laboratório. Todas as doenças sexualmente transmissíveis que eles testaram deram negativo.

Linda estava tão feliz e aliviada que mal podia falar. Depois ela se lembrou:

- E as más noticias?

- As mas notícias são - Ele sorriu maroto - eu vou querer você em breve.

Linda enrubesceu. Ela também queria Fraser.

O canadense aproximou-se dela e a abraçou com suavidade. A moça sentiu tamanha proteção e carinho que não queria sair daqueles braços.

Ninguém falava coisa alguma sobre dar alta a ela. Fraser sentiu que aquilo não o deteria. Pela primeira vez, ele não daria atenção à autoridade.

Era uma noite tranqüila, a vez de Ray dormir em casa e tomar conta de Diefenbaker. Linda estava rolando na cama. Então ela se sentou, frustrada. Fraser a olhou com uma interrogação no rosto e ela suspirou, dando de ombros e respondendo:

- Não consigo dormir.

Fraser indagou:

- Quer andar um pouco?

- Sim, isso deve ajudar.

Ele colocou um braço debaixo do dela e a ajudou a sair da cama. Seus olhos se encontraram. O tempo parou. Antes que dessem por conta, estavam se beijando de maneira faminta, as mãos se acariciando, ambos caindo na cama sem desgrudar os lábios um do outro, sem registrarem em suas mentes cheias de desejo que estavam num hospital, apenas sentindo um ao outro.

Linda sentiu Fraser tremendo em seus braços, as mãos deles atrapalhadas tentando abrir a camisola do hospital enquanto eles tentavam se ajeitar na estreita cama de metal. Ela o recebeu em seus braços, em seu corpo, quando os lábios dele a tocaram nos seios, e ela quase perdeu o fôlego quando a língua dele deixou um rastro quente e úmido no abdômen dela. Ela sabia o que queria.

Sem pedir, sem pensar, Linda retirou o cinto e abriu o zíper da calça jeans de Fraser, soltando seu desejo, já rijo e orgulhoso. De repente, ela se lembrou que era muito rude simplesmente ir pegando o que queria, portanto ergueu a cabeça, a boca dela a apenas centímetros da carne pulsante, e ela indagou:

- Ben... posso..? Por favor... eu posso...?

Fraser não sabia onde tinha encontrado voz para responder:

- Por favor...!

Ela mergulhou a cabeça, e ele teve de usar de muito controle para não fazer uso da boca dela. Mas Linda usou todas as técnicas que podia lembrar, só para enlouquecê-lo. Ela lambia, estocava, depois mordiscava e sugava, enquanto as suas mãos acariciavam as esferas rígidas, o par de pequenas bolas que ela tanto gostava. Fraser podia sentir um orgasmo chegando, crescendo, e ele explodiu com um grito silencioso.

Linda rapidamente limpou o corpo dele com sua língua, depois beijou amorosamente o órgão flácido, e foi agraciada com braços amorosos que a tomaram. Fraser ainda tentava recuperar o fôlego e Linda já lhe aplicava, com grande carinho, pequenos beijos por todo seu rosto e pescoço, tentando dizer, entre um beijinho e outro:

- Eu.. amo... você... Ben... Sempre amei...

Ele sorriu e disse:

- Eu é quem tinha de dizer isso. E agora, o que vou dizer?

- Diga que me ama também.

- Você sabe que sim.

- Sim, eu sei, mas...

Ele agarrou os pulsos dela e olhou dentro dos olhos verdes que o encaravam nervosamente para dizer:

- Estou brincando, Linda. Claro que eu amo você. Para sempre. Jamais se esqueça disso.

Linda estremeceu quando sentiu o quão era sério o que ele dizia. Ela o beijou apaixonadamente, e depois descansou a cabeça em seu peito liso e amplo. Ela finalmente teve coragem para perguntar:

- Ben... posso fazer uma pergunta?

- Claro que pode.

- Você ficou chateado comigo por não ter tido o nosso bebê?

A pergunta pegou Fraser completamente de surpresa. Ele tentou olhar para ela, mas Linda manteve a cabeça baixa. Com cuidado, indagou:

- Linda, o que a faz dizer algo assim?

- Bom... eu pensei muito nisso... Não tinha coragem de perguntar. Mas preciso saber.

- Não pense mais sobre isso. Eu não estou chateado com você por nenhum motivo.

Linda indagou:

- Então... tudo bem?

Fraser suspirou e disse, de maneira sincera e aberta:

- Linda, eu estou feliz que esteja aqui, porque você quase morreu. Os médicos me disseram que tentariam fazer o melhor para salvar sua vida, e eu tive muito medo perdê-la. É só nisso que eu penso.

A moça beijou a ponta do nariz dele e disse, solenemente:

- Bom, nesse caso, eu vou fazer o melhor possível para que você jamais me perca.

Eles beijaram e ficaram grudadinhos, sem nem se importara que o próximo exame estivesse vindo dali a umas poucas horas. Eles podiam ficar assim para sempre.

* * *

A alta de Linda foi precedida por muitos acontecimentos. Dr. Lennyard insistiu para que se recuperasse totalmente no hospital. Já a Sra. Vecchio limpou o apartamento de Linda e jogou fora todas as coisas que tinham ficado podres na geladeira. Depois, claro, repôs todos alimentos.

A Sra. Sorelli tinha tudo pronto para ela voltar ao trabalho. Ela estava tão nervosa. Mas tudo terminou saindo muito bem. As enfermeiras preparam uma pequena festa de boas-vindas, e o pessoal da segurança deu de presente para ela uma linda blusa branca.

Naquela mesma noite, Linda fez a verdadeira celebração, do jeito que mais desejava: em casa, com Ray, Fraser e Diefenbaker. Ela fez o jantar, Ray trouxe a sobremesa e Diefenbaker ficou feliz em degustar o bolo de carne que Linda tinha preparado. A noite passou muito agradavelmente, e Ray foi para casa. Quando os dois se viram a sós, finalmente, Fraser colocou Linda nos seus braços e a carregou para o quarto. Diefenbaker sabia que ele deveria ficar no seu cantinho na cozinha a noite toda.

Linda foi depositada com todo amor sua cama enquanto era beijada. Mesmo que ela pudesse sentir o coração martelando em seu peito de tanta emoção, ela tentou se mexer suavemente. Ela queria demorar, saborear a ocasião. Ela tinha esperado tanto por aquele momento.

Por outro lado, Fraser parecia ter outras idéias. As mãos dele pareciam estar por todo o corpo dela, retirando-lhe as roupas de maneira sôfrega, e à medida que a pele dela ia sendo desnudada, a boca dele queria se grudar em toda parte exposta. Aquilo estava incendiando o desejo dela mais do que ela imaginava, e ela começou a impacientemente desabotoar a camisa dele. Calçados, meias, calças - em minutos os dois estavam só na roupa de baixo, as mãos se acariciando, a respiração indicando que ambos estavam prontos.

Eles estavam entrelaçados cara a cara, e Fraser abriu o sutiã ao mesmo tempo que sua cabeça descia para se alojar entre os seios de Linda. Tão delicado, tão poderoso. A boca dele agarrou suavemente um seio, depois o outro, a língua dançando nos mamilos. Linda sentiu um raio no baixo abdômen e pôs as mãos nas faces de Fraser, erguendo a cabeça dele até lhe beijar alucinadamente nos lábios, a sua língua penetrando-lhe a boca. E depois a língua dela passeou pelo corpo dele afora, tentando marcar seu amor na pele alva canadense, imprimindo-a, saturando-a. Fraser sentiu seu desejo inchando, à medida que a boca de Linda viajava para as partes mais meridionais do corpo canadense.

Como se decidisse puni-lo, Linda foi devagar nas carícias às partes mais íntimas de seu amante. Primeiro, ela usou o dedo indicador para delicadamente traçar os contornos das duas perfeitas esferas, fazendo Fraser se contorcer. Depois ela as lambeu. Em seguida, capturou-as com carinho com a boca e sugou-as até Fraser começar a gemer de maneira desesperada.

Linda decidiu que era hora de beijar a coxa interna e soprar levemente no pênis inchado. A sensação de ar fresco na pele quente fez Fraser dar um pulo. A boca de Linda passou a ir para todos os lugares ao mesmo tempo, exceto o lugar que Fraser mais queria. Ele continuou a gemer, indefeso.

Finalmente, apiedando-se de seu amante, Linda lambeu lentamente toda a parte posterior do órgão. A língua dela passeou para cima e para baixo do talo, e ela precisou usar as mãos para parar os quadris de Fraser. Ela jamais havia visto Fraser tão grande ou tão rijo antes. Ela usou a língua para passear por toda aquela área, extraindo gemidos de prazer de seu amantes, enquanto a ponta da língua dava chibatadas amorosas na inchada cabeça peniana.

Tomá-lo com a boca era algo sagrado, e Linda sempre o fazia cheia de reverência e respeito. Naquele momento, ele estava tão grande que ela só pôde fazê-lo parcialmente Ao mesmo tempo que ela chupava, de maneira quase ritual, ela massageava as duas esferas perfeitas. Fraser sentiu que não duraria muito tempo.

Foi por isso que ele repentinamente agarrou os ombros dela, erguendo-a até que as bocas se encontrassem e jogando-a na cama para entrar nela com o ímpeto de um conquistador, reivindicando-a com sua propriedade. Linda gritou quando era penetrada, esticando todo o corpo para trás, e Fraser a agarrou pela cintura, para enchê-la com sua coluna firmemente ereta. E ele a cavalgou como seu senhor, e Linda amava o modo como seu corpo corcoveava de prazer, e ela sentiu como se fosse gritar. Ela terminou gritando mas saiu baixo, quando o corpo dela explodiu de prazer enquanto Fraser despejava sua semente dentro dela.

Linda sentiu seu corpo responder muito tempo depois que Fraser começou a beijar o pescoço dela. Ela se mexeu e estava totalmente sem graça:

- Acho que... perdi os sentidos.

- Wow - Ele sorriu - Acho que valeu a pena.

- Também acho - Ela sorriu, enrubescendo. - Eu amo você, Ben. Ninguém foi tão bom para mim antes.

- Eu amo você também, Linda - Ele beijou o pescoço dela com ternura - Você toda. Você é tão.,.. sexy... tão atraente. Poderia fazer amor com você durante dias.

Ela ficou ainda mais vermelha:

- Acha mesmo?

- Quer tentar passar dias fazendo amor?

Linda gargalhou baixinho - um som que Fraser amava - antes de dizer:

- Não, quero dizer... acha que eu sou sexy?

- Muito sexy. - Ele acariciou a mandíbula dela - E você também é... muito talentosa.

- Você me deixa sem graça.

- E você me faz perder o controle. Tem algo que você faz... Você tem mesmo muito talento, como eu disse. Eu.. às vezes... Tenho um impulso...

Ela sentiu que ele estava ficando embaraçado por dizer e indagou:

- Ben, tem algo especial que você goste? Pode dizer, sabe que pode. Eu faria tudo por você. Qualquer coisa.

- Sei que faria. Isso chega a me assustar. Devo manter o controle. Ainda não posso acreditar que você é minha, Linda.

Ela se aninhou nos braços dele, como um gato e ronronou:

- Hum, você é tão gentil. Amo você tanto que tudo o que quero fazer é lhe dar prazer. Acho que poderia fazer isso durante dias, sim. Mas só se fosse com você. E de novo, e de novo.

Fraser sorriu e beijou-a cheio de paixão.

- Sei que você tem sido muito magoada, Linda. Quero retirar essa dor de você, até que não consiga sequer se lembra dela. Eu farei de tudo para que essa dor vá embora. Acredite.

Linda apenas abraçou esse homem que achava cada vez mais maravilhoso, boquiaberta demais para responder. Tudo o que ela pôde fazer foi conter silenciosamente as lágrimas de alegria por ter seu amado em seus braços naquele momento, e as promessas de não mais ter dor.

* * *

A noite de sexta-feira estava bem fria quando o Buick Riviera verde parou no estacionamento do hospital e Linda entrou no banco de trás, dizendo:

- Oi, gente. Dief, chega mais pra lá, tá?

Fraser sorriu e Ray disse, dando partida no Riv:

- Linda, só temos que fazer uma parada rápida na escola Santa Fortunata. Depois podemos ir para o restaurante do Mario, tá bom?

- Por mim, tudo ótimo, Ray. Não estou com tanta fome assim.

Fraser indagou à moça:

- Dia cheio?

- Sim - disse Linda - Mas eu gosto de dias assim. Me faz sentir útil.

Ray disse:

- É como me sinto com relação a essa coisa com a Irmã Ann. Mas não vai nos atrasar. É um lance rápido, depois a gente sai.

O canadense repetiu:

- É um lance rápido, depois a gente sai?

Linda explicou:

- Ray quer dizer que nós não vamos nos demorar lá, Ben.

- Eu tinha deduzido algo parecido, Linda, é só que -

- Eu sei, uma questão de gramática - interrompeu Ray, rolando os olhos para o teto do carro - Mas é uma coisa de Chicago, Benny. Achei que estaria acostumado, a essa altura.

- Não sei se eu me acostumarei algum dia.

Eles chegaram rapidamente à escola, onde a amiga de Ray, Irmã Ann, foi apresentada a Linda e depois explicou seu problema,. Ela precisava de ajuda numa parte pouco usada da escola.

- Nós achamos essa parte subterrânea - explicou a freira, guiando-os com lanternas para as entranhas da escola - e agora podemos ter algo de valor aqui, mas não sabíamos se deveríamos chamar alguém da Prefeitura. Pode ter algum valor histórico para a cidade.

Fraser olhou em volta e disse:

- A irmã Ann pode ter razão, Ray. Mas não estou muito certo sobre a segurança desse complexo.

Linda disse, enquanto Diefenbaker corria por todo o lado no escuro:

- Parece ser tão excitante. Tem certeza de que tem mais de 50 anos?

A freira respondeu:

- Aquela parte ali certamente é mais antiga do que a própria escola. - Ela usou a lanterna - E as irmãs estão com medo de abrir aquela outra parte. Parece instável.

Ray comentou, enquanto Fraser se enfiava na parte mais escura do subterrâneo de pedra:

- Pode não ser seguro, como Fraser disse. Pode haver gases contidos ali dentro, gases instáveis. Eu recomendaria consultar um -

Ele não pôde terminar a frase. Em algum lugar da área mais escura daquele lugar, parte da estrutura caiu, assustando as mulheres. Ray tentou proteger as duas e indagou, quando a poeira baixou:

- Está todo mundo bem?

- Sim, estamos bem.

- E isso conclui nossas experiências por esta noite - decidiu o detetive. - Vamos embora.

Fraser disse:

- Ray, leve Linda e a Irmã Ann para fora agora. Isto tudo está para cair.

Linda indagou:

- Ben, e quanto a você?

- Não temos tempo para isso, Linda. Vá!

Ray agarrou a mão das duas mulheres e os três correram pela área subterrânea da escola antiga, até que voltaram à noite gelada de Chicago. A Irmã Ann suspirou quando passou a entrada e se viu em ar puro novamente:

- Oh, é bom sair daquela poeira toda.

Linda virou-se para o lugar de onde tinha vindo e indagou:

- E quanto a Ben?

No exato segundo que pronunciou essas palavras, um barulho alto veio do lado de dentro dos túneis, denunciando a queda de toda a estrutura e criando uma imensa nuvem de poeira que fez Linda encolher-se, num reflexo. Depois que tudo voltou à calma, os três se olharam, nenhum deles querendo dizer em voz alta o que estava pensando. Mas todos sabiam. Fraser não tinha saído. Podia estar ferido. Ray disse, apenas:

- Vou chamar 911.

Linda correu de volta à entrada:

- Eu vou entrar. Ben pode estar precisando de ajuda!

- Linda! - Ray a agarrou - Não vá! Vai ficar presa também!

- Mas ele está ali dentro, Ray! Temos que tirá-lo de lá.

- Linda, escute-me! - disse Ray, tentando detê-la, enquanto ela tentava se livrar de seus braços - A equipe de resgate vai tirá-lo de lá, ouviu? Podemos esperar por ele bem aqui.

Ray pode sentir o medo e o horror nos olhos de Linda, quando ela relutantemente cedeu:

- Está bem, Ray. Vou esperar aqui.

O italiano se virou, pedindo:

- Irmã, será que podia...?

- Claro. Vou tomar conta dela, Ray.

Em questão de minutos, um verdadeiro circo estava montado em frente à escola Santa Fortunata. Dois policiais saíram de seus carros-patrulha para conversar com Ray, enquanto a freira estava com Linda. A moça tinha os olhos fixos na pequena entrada, agora enlameada devido à chuva fina que caía. Os paramédicos e os times de resgate estavam discutindo a melhor forma de entrar no lugar onde tinham visto Fraser por último. Equipes de reconhecimento punham estetoscópios nos escombros para tentar captar sinais de vida. Não acharam nenhum.

Linda estava totalmente alheia aos movimentos que a cercavam. O foco dela estava na entrada, de onde esperava Fraser emergir. Até então, ela não se movia, sentada na chuva miúda de Chicago enquanto carros de serviço passavam por ela, ignorando-a tanto quanto ela a eles. Ela também ignorou todos os pedidos da irmã Ann para que ela entrasse na escola e os de Ray para comer alguma coisa.

Na verdade, ela só respondia a Ray, mas ainda assim, muito mal. Ela aceitou quando Ray colocou seu casaco nela para protegê-la da chuva, e respondeu a Ray que não queria chá, obrigada. A manhã chegou, e uma neve fina começou a cair, mas Linda jamais se mexeu do lugar que escolhera para vigiar a entrada: na esquina da escola, olhos pregados.

O sábado se passou todinho, e as turmas de busca não tiveram outra escolha a não ser desistir dos esforços. Tinha voltado a chover no final do dia, e Ray tentava fazer Linda voltar para casa.

- Vamos, Linda. Vamos para casa.

A voz dela estava muito baixa quando ela disse:

- Vou ficar mais um pouco, Ray.

- Linda, isso não vai lhe fazer bem.

- Ray?

- O quê?

- Sua voz está ficando mais longe, Ray. Eu quase não o ouço.

- Linda - Ele chegou perto dela - Linda, por favor.

- Você está ficando mais longe, Ray.

O italiano quase entrou em pânico. Ele sabia que Linda estava tentando com todas as suas forças não se fechar para o mundo, como costumava fazer em épocas de crise. Ele disse:

- Tá, Linda, eu vou tentar falar mas alto. Mas... não deixe minha voz ficar longe demais, tá?

Ele se sentou ao lado dela e ela deixou os braços dele a envolverem. Eles ficaram assim juntos por algumas horas. Linda sem se mexer, sem chorar. Quando a noite estava avançada, e muito gelada, Ray tentou de novo. Mas dessa vez, ele não deixou que ela recusasse.

- Linda, venha. Vamos lá.

- Para onde estamos indo, Ray?

- Para a sua casa - ele disse, com uma resposta pronta - Dief deve estar esperando por nós.

Aquilo fez a garota se mover, mas os músculos dela doíam:

- Tá bom. Mas depois podemos voltar, não é?

- Se você quiser, Linda.

- Está bem, Ray.

Ela entrou no Riv e Ray indagou:

- Linda, faz bem falar, sabia? Se quiser dizer alguma coisa, se quiser perguntar alguma coisa, por que não pergunta?

- Eu não posso fazer isso, Ray.

- Por quê?

- Estou com medo. Se eu começar a falar, posso começar a chorar, e se eu começar a chorar, ele pode... estar... - A moça não pôde continuar, e aquilo partiu o coração de Ray - Ele pode... estar... Eu não quero... que ele esteja...

- Ei, garota... Tudo bem.

Linda não olhou mais para ele nem disse qualquer outra palavra. Ray pegou uma lasanha no caminho para a casa de Linda, e agradeceu aos céus que ele tinha o domingo de folga. Ele poderia cuidar de Linda como ela deveria ser tratada. Ele tinha avisado sua mãe do que tinha acontecido, mas não queria levar Linda para lá. Além disso, enquanto Ray estivesse tomando conta de Linda, ele também poderia lidar com o fato de que seu melhor amigo poderia estar perdido para sempre...

Quando chegaram ao apartamento de Linda, a senhoria apareceu, após ver as notícias na TV, e colocou-se à disposição para o que eles precisassem. Ray agradeceu a mulher a dispensou discretamente, mas disse a Linda.

- Você tem uma senhoria simpática, Linda.

Linda estava sentada no sofá, encarando o nada absoluto, mas respondeu a Ray - num tom monocórdico:

- Eu gosto dela.

Ray tentou chamar a atenção dela:

- Linda. Por favor, tente comer alguma coisa. Você não comeu nada o dia todo.

Ela abaixou a cabeça e disse:

- Diefenbaker não está aqui, Ray. Achei que ele estivesse aqui.

- Não, ele não está. Linda, escute, precisamos conversar.

- Ray, por favor.

- Não, Linda, eu imploro - Ele perdeu a calma. - Não faça isso. Não faça o que está fazendo. Eu já perdi um melhor amigo. Não me faça perder dois.

Linda ergueu a cabeça de supetão diante daquelas palavras, e olhos verdes encontraram olhos verdes, e ela viu que eles estavam cheios de dor. Linda abriu os braços e disse:

- Oh, Ray...

Ray sentiu-se aceito e recebeu a amizade, o carinho, o apoio e o calor de Linda. Ela o tomou em seus braços por um longo tempo, deixando-o ajoelhado, a cabeça dele em seu colo, soluçando, as mãos dela acariciando sua cabeça. Por quase meia hora, eles se dedicaram ao conforto mútuo. Depois, Ray disse:

- Eu vou esquentar a lasanha. Prometa que vai comer um pouco.

- Eu não tenho fome, Ray. - Ela resistiu, sem ênfase alguma. - Não quero comer.

- Linda, por favor. Faça isso por mim.

Linda abriu a boca para reclamar, quando a campainha da porta tocou, e ela respondeu automaticamente:

- Eu atendo.

Não se deu conta de que era madrugada, feliz apenas por fugir da discussão com Ray, que disse, derrotado:

- Está bem.

Ray foi à cozinha enquanto Linda se dirigiu à porta. Quando ela viu quem estava do outro lado da sua porta, ela tentou falar, não conseguiu, e sem uma palavra foi ao chão, desmaiada.

Ray ouviu o barulho surdo e virou-se, congelando ao ver a cena. Linda estava caída no chão, desmaiada, e Fraser estava ao lado dela, empoeirado e sujo, tentando reanimá-la, enquanto Diefenbaker a lambia.

Fraser?!!?!!!?

- Benny...?

- Ray, por favor - Ele colocou Linda, totalmente desacordada, nos seus braços - Por favor, me ajude aqui.

Eles levaram Linda para a cama, e Diefenbaker decidiu latir para valer. Os latidos a acordaram, e ela ainda estava hesitante sobre a realidade. Encarava Benny com medo, como se ele fosse desaparecer em pleno ar:

- Ben...?

Ele acariciou o cabelo dela:

- Sim, Linda, sou eu.

- É você mesmo...? Está aqui?

- Sou eu e estou aqui, meu amor - Ele beijou a mão dela - Sou eu, sim.

- O que aconteceu?

Ray entrou com a pergunta que mais ansiava em fazer:

- É, cara, você me assustou para valer. Como saiu de lá?

- Eu saí andando - disse ele - Havia um outro túnel conectando os prédios. Quando a estrutura de madeira caiu, ela bloqueou uma passagem e revelou outra. Mas levei o dia inteiro para cavar a saída. Dief me ajudou, também.

Linda jogou-se nos braços dele:

- Tive tanto medo...!

Ray admitiu:

- Ela não foi a única, amigão. Fico feliz que esteja aqui.

Sentindo a moça tremendo em seus braços, Fraser disse:

- Acho que ouvi alguns barulhos lá fora. Vocês chamaram a polícia?

Linda respondeu:

- E os paramédicos, e times de resgate, equipes de busca, bombeiros, e sabe deus mais quem. Ray chamou todo mundo que ele conhecia em Chicago. Quando eles desistiram, eu... - Ela engasgou e agarrou-se a Fraser, que beijou o topo da cabeça dela.

- Está tudo bem, agora, Linda. Estou aqui, e nada aconteceu.

Linda respondeu de repente:

- Está ferido? Com fome? Oh, meu Deus, olhe só. Venha, Ray trouxe uma lasanha.

- Eu não tenho ferimentos. Grandes, pelo menos.

- Venha - Linda saiu da cama - Tome um banho. Ray e eu vamos fazer o jantar. Deve estar com fome.

- Na verdade, estou.

- Vou pegar uma toalha limpa.

Fraser tomou uma boa ducha, enquanto Linda esquentava a lasanha que Ray trouxera e fazia um pouco mais de comida, porque de repente o jantar para dois tinha virado ceia para quatro. Não que nenhum deles estivesse reclamando. Eles estavam famintos, exaustos e felizes. Diefenbaker adorava lasanha e não podia estar mais contente, ao sentir os outros membros de sua matilha alegres. Era uma combinação natural, integração total.

Foi durante o jantar que Linda teve uma idéia.

- Cara, eu comi feito um monge - disse Ray, suspirando - Estou até com sono.

Levando os pratos para a cozinha, Linda disse:

- Sim, também estou cansada.

Ray recomendou:

- É melhor descansar um pouco, mocinha. Está acordada há pelo menos umas 36 horas.

Linda começou a lavar a louça e disse:

- Não se preocupe, Ray. Vou descansar. Poderia me fazer o favor de levar Ben para casa?

- Claro. Benny, estou pronto quando quiser ir.

- Linda, não prefere que eu fique?

- Não, querido, tudo bem. Mas tem algo que eu gostaria de lhe falar. Pode esperar um minutinho, Ray?

- Com certeza.

Os dois foram para o quarto de Linda, enquanto Ray se agachou para brincar com Diefenbaker e viu os dois amigos à distância. Ele se prometera fazer o que fosse preciso para que não mostrasse seus sentimentos por Linda junto dos dois. Eles ficavam tão bem juntos, mas era tão doído para Ray. Mesmo que doesse, Ray sabia que era muito melhor do que a alternativa: ficar sem a amizade deles. Ele os amava muito, e não queria arriscar a amizade de nenhum dos dois.

Perdido em pensamentos, Ray não reparou que Ben e Linda estavam decididamente discutindo sobre alguma coisa. Quando ele reparou no rubor nas faces de Ben, ele parou de brincar com Dief.

- O que aconteceu?

Antes que Fraser abrisse a boca, Linda interveio:

- Eu lhe disse que vocês dois devem vir aqui amanhã à noite. Eu gostaria de tentar algo diferente e novo.

Ray sorriu:

- Parece ótimo. Mas você precisa dormir agora, Linda. Descanse bem.

- Descansarei. Obrigada, Ray - Ela o abraçou - Obrigada por tudo.

Ray não estava esperando aquilo. Ele enrubesceu e disse:

- É, bem, eu vejo você amanhã, então.

Os dois saíram, e Linda sorriu, o coração batendo mais rápido. Ela esperava que sua idéia desse certo.

* * *

Na noite de domingo, Linda parou para contemplar seus esforços. Havia velas na mesa e garrafas especiais na geladeira. Ela sempre tinha ouvido falar dos poderes da champanhe e dali a umas poucas horas poderia comprovar os rumores.

Ela tinha demorado um pouco mais do que o normal no supermercado e na loja de especiarias até ter certeza de que tinha tudo que iria precisar. Frutas eram uma boa pedida, e também o chocolate para derreter e se juntar às frutas. O queijo e os biscoitos teriam que ser abundantes, afinal, havia um italiano presente, e um muito familiar com os segredos da cozinha. Do outro lado, estava um homem de paladar e olfato apurados. Ela tinha que se esmerar.

No final das contas, Linda descobriu que não tinha motivos para se preocupar. Fraser ficou deliciado com a escolha dela de alimentos, Ray impressionado com a elaboração mais do que qualquer coisa. A champanhe provou ser um sucesso. Duas garrafas já tinham sido consumidas, e uma terceira foi aberta.

Fraser tinha uma voz engraçada quando disse:

- Oh, meu pai. Acho que bebemos demais.

Linda nunca tinha se sentido tão leve antes, e respondeu:

- Ray não deve dirigir esta noite. Ele pode ficar aqui em casa.

O italiano riu alto e disse:

- Não, não... Vai ser um incômodo.

- Incômodo? - repetiu ela - Claro que não. Eu insisto.

- Sabe... Arranjos para dormir podem ser embaraçosos, para dizer o mínimo. Eu devo ir.

Linda disse:

- Bom, não precisa embaraçar ninguém, se não quisermos.

Fraser ralhou:

- Linda! Não precisa deixar Ray sem graça.

A moça abaixou a cabeça, obediente e servil:

- Claro, Ben. Como quiser.

- Não, deixe ela falar - disse Ray - O que tem em mente, Linda?

Fraser tentou dizer:

- Ray...

- Não, eu insisto. Fale, Linda. O que você quer dizer?

- Bom, eu... quero dizer que amo você muito, Ray, você sabe disso. Não há motivo para não estarmos desfrutando desse amor. Sabe, nós três.

Os olhos verdes de Ray se arregalaram e a boca dele ficou pendurada. Seria a champanhe agindo? Ou será que Linda estava mesmo sugerindo o que ele achava que ela estava sugerindo?

Fraser disse a Linda:

- Eu disse que precisávamos primeiro discutir isso com Ray, Linda. Ele tem suas convicções morais, suas crenças religiosas. Não devemos embaraçá-lo assim.

Linda estava triste:

- Eu não quis embaraçá-lo, Ben. Eu o amo muito.

Ben suavizou sua voz:

- Eu sei que ama, querida. Eu o amo também.

Linda não tinha desistido:

- Mas se eu amo Ray tanto, por que não fazer amor com ele também? Eu posso fazer isso, Ben. Sabe que eu fui forçada a fazer sexo com três homens, até mais. Por que não posso fazer isso com os homens que eu amo?

Fraser continuou o diálogo normalmente, enquanto Ray ficava cada vez mais vermelho:

- Eu lhe disse, Linda, precisamos falar isso com Ray. É um assunto muito importante, um que deve ser tratado com toda a cautela. Isso poderia afetar nossa amizade.

- Eu lamento, Ben. Está aborrecido comigo?

- Claro que não, Linda. Eu a amo.

Enquanto eles trocavam um beijinho à mesa, Ray ainda não tinha parado de se espantar com as palavras deles. A cabeça do italiano estava um pouco alta devido ao álcool, mas ele não perdera o significado mais amplo do que eles falavam e ele estava tendo trabalho para acreditar no que ouvira. Pelo que ouvira, não só Linda queria que aquilo acontecesse, como também tinha conversado com Fraser a esse respeito, e o amigo soava como se não tivesse grandes objeções ao fato.

Ray tinham que perguntar.

- Vocês estão brincando, não é?

- Claro que não, Ray - disse Linda - Isso é um assunto muito sério.

Fraser completou:

- Entendemos que você precise de tempo para pensar no assunto. Ou podemos entender se você não quiser jamais tocar nesse assunto de novo.

Linda pegou a mão de Ray e disse, delicadamente:

- Gostamos muito de você. Não queremos perder você.

Ray estava confuso, sem saber o que dizer, e recolheu a mão dele como se estivesse queimando, tentando sorrir, totalmente embaraçado:

- Eu... Jamais ... Jamais pensei... Eu .... desculpe, gente... Eu sou... tímido demais...

Ben olhou para Linda, e viu nos olhos dela o mesmo pensamento que os deles transmitiam. Os dois coraram, mas Linda se ergueu da mesa e para a surpresa de Ray, ela tomou a mão dele com toda ternura, convidando-o:

- Venha conosco, Ray.

O italiano virou escarlate de tão corado, e olhou para Benny. O canadense se ergueu da cadeira, andou até a namorada e colocou as duas mãos nos ombros de Linda, os dois passando a olhar Ray com suavidade, sorrindo. Ben disse:

- Estamos mais do que dispostos a ter você, Ray.

Linda pegou a outra mão de Ray e ergueu as duas, antes de renovar o convite:

- Por favor.

O italiano ergueu-se, e Ben também tocou-lhe o braço, enquanto Linda esticou-se para ele, oferecendo seus lábios a Ray. Os dois beijaram-se, ao mesmo tempo que tropeçavam em direção ao quarto, já deixando peças de roupas no caminho. Quando caíram na cama, Ben já estava só de camiseta quando abriu a camisa de Linda, como se a desembrulhasse para Ray. A moça passou a desabotoar com vigor uma camisa Armani, e a boca dela se deliciou no peito peludo de Ray, antes de retirar as calças de seda de Ray. Enquanto Ben despia a namorada, Linda despia Ray, que se deliciava, flutuando numa dimensão recheada apenas por sensação e sons sensuais de gemidos baixos e guturais.

Ray sentiu os olhos se fechando e outras partes de seu corpo respondendo igualmente às atenções que Linda lhe dava. A moça estava ocupada beijando e despindo Ben suavemente, mas ela rapidamente se ocupou da garganta de Ray, onde deixou beijos doces e ternos, massageando o abdômen reto com movimentos circulares suaves. Ben não estava totalmente passivo, fazendo sua mão passear pelas costas nuas de Linda.

- Ray.

O italiano estava tão absorto em sensações que quase não ouviu:

- Sim?

- Preciso de sua permissão, Ray - sussurrou Linda, beijando o rosto dele - Por favor, deixe-me lhe dar prazer.

- Por que precisa de minha permissão?

- Seria muito grosseiro não pedir, Ray. É uma grande honra. Não devo simplesmente presumir que posso fazer sem pedir. Vai me deixar?

- Claro, Linda. Faça o que quiser.

Dito e feito. Linda rapidamente se ajoelhou, beijando o peito de Ray, fazendo-o estremecer. Ben olhava, tocando-se preguiçosamente enquanto olhava a interação de seus dois amigos. A moça experientemente começou a se dirigir para a parte baixa do corpo de Ray, seu objetivo evidente.

Mas ela tinha estilo e primeiro ela fez sua língua passear pelo baixo ventre de Ray, pelas coxas, a parte interior delas e pelas duas esferas que tanto a excitavam. E aparentemente excitavam Ray, também, pois as atenções dela foram recompensadas com gemidos e um pulo. Quando Linda finalmente tomou o italiano em sua boca quente e úmida, Ray soltou um grito curto e agudo.

Aquilo excitou Ben tanto que ele ergueu os quadris de Linda, com cuidado para não quebrar a concentração dela no meio das pernas de Ray. Gentilmente, ele abriu as pernas de sua namorada e enterrou-se em sua vagina por trás, provocando um gemido alto nela. Alto e abafado, porque a boca dela jamais abandonara a masculinidade de Ray, e o policial estava fazendo o melhor que podia para não se movimentar na boca da moça e deixá-la engasgada com seu membro farto. Ele estava impossivelmente rijo, e Linda movimentava a língua na cabeça do pênis circuncidado, de um jeito que Ray jamais tinha experimentado. Ele chamava por ela o tempo todo.

Ray se rendeu não apenas às sensações que Linda extraía dele, mas também às fortes emoções que ele reprimira, as mesmas emoções que ele acreditava jamais poder viver, e vivia naquele exato momento. A visão de Linda ajoelhada na sua virilha, a cabeça dela subindo e descendo, para cima, para baixo, para cima, para baixo - aquilo o deixou ainda mais teso de desejo. E ela fazia ruídos altos de sucção, e estava tão dedicada à sua tarefa, que Ray sentia o fim glorioso se aproximar. Ele tentou avisar Linda, mas Ben também estava bem animado, mexendo-se dentro dela com entusiasmo, e as palavras de Ray foram camufladas pelos gemidos de prazer do canadense.

Jamais fez diferença. Ray explodiu ruidosamente na boca de Linda, e a moça parecia ávida por sugar tudo, lambendo-o até ele ficar limpo. Ao mesmo tempo, Ben também estava perto do ponto de ebulição, movimentando-se com rapidez no âmago de Linda, e com um grito, caiu por cima do corpo da moça.

Linda engatinhou para aninhar-se a Ray, carregando Ben nas costas. Ela beijou o italiano, e ele demorou ao perceber de que gosto era o beijo. Ela sorriu e disse:

- Obrigada, Ray.

- Não, obrigada você.

- Você tem um gosto ótimo, Ray.

- Acha mesmo?

- É adocicado. Importa-se se Ben também provar?

- Só se ele quiser.

Ela se virou:

- Quer provar o gosto de Ray, Ben?

- Claro que quero.

Linda se virou totalmente para o namorado e beijou-o profundamente, passando os braços em volta do seu corpo e abrindo a boca para recebeu sua língua, sugando-a com sofreguidão. Lentamente, à medida que o beijo se prolongava, a ereção de Ben começava a dar sinais de vida, para surpresa até dele.

As mãos de Linda acariciaram o corpo de alabastro, e ela gemeu quando as ágeis e experientes mãos de Ray a acariciaram, e o pênis escuro do italiano começou a cutucá-la na altura dos rins, novamente rijo e faminto, o corpo dele agarrado ao dela, e os braços dele vindo por trás dela para que as mãos alcançassem os delicados seios de Linda. As mãos de Ray encontraram as de Ben já brincando com os mamilos de Linda, a moça em êxtase com as atenções dos dois homens sobre seu corpo ardente.

Ela usou a boca para acariciar o peito de Ben, carinhos delicados flutuando pelo peito pálido e descendo para o sul do corpo escultural canadense. Ray se dobrou para beijar as costas suaves dela, enquanto ela continuava a deixar uma trilha de beijos no abdômen de Ben. Então, para poder ter melhor acesso, ela estava de joelhos, e indo cada vez mais para baixo no corpo de Ben. Linda se posicionou entre as coxas alvas do amante e logo os gemidos do canadense mudaram de tom, à medida que as delicadas esferas começaram a receber massagens, e sua masculinidade orgulhosa foi totalmente coberta pela boca quente da moça.

Os sons entusiasmaram Ray, e também deu a ele oportunidade de fazer algo que ele estava ansioso por fazer. Galgando na cama, Ray pôde ficar atrás de Linda e penetrá-la enquanto ela estava de joelhos, curvada para frente, intensamente dedicada a servir Fraser oralmente. Só entrar no íntimo úmido e quente de Linda fez Ray ficar ainda mais rígido, dando mais prazer a Linda.

Ela gemeu e começou a mover os quadris para trás, incentivando-o a penetrá-la ainda mais profundamente, enterrando-se com intensidade em Ray. O italiano perdeu todo o controle e entrou em Linda com força e sofreguidão. Os três gemiam e se movimentam rapidamente, o desejo crescendo, a explosão se aproximando, sim, o orgasmo chegando.

Não demorou quase nada para eles ultrapassarem a linha da sanidade e entregarem-se à dimensão do prazer total. Primeiro foi Fraser, que parecia indefeso diante da boca voraz que o devorava todo de maneira amorosa e possessiva. Ele gritou o nome de Linda, antes mesmo que a garota se atirasse à sua semente, sorvendo e engolindo tudo de maneira ávida.

Logo em seguida, o corpo de Ray começou a ter espasmos que se transformaram em convulsões, agarrado aos quadris de Linda, e gritando algo em italiano que nem Ben nem Linda conseguiram detectar. Linda sussurrava para Ray amá-la com paixão, e isso fez o policial perder o resto de controle e despejar sua semente quente para dentro do corpo de Linda.

Quando o corpo exausto de Ray atingiu a cama, Linda alcançou-o e beijou-o. O italiano deu-se conta de que o gosto da boca da moça nada tinha a ver com ela. E sorriu:

- Benny, você também tem um gosto ótimo.

- Ray?

- Sim?

- Cale a boca e durma.

Ray sorriu e se ajeitou na cama, que parecia ainda menor com os três corpos adultos para sustentar. Os três se aninharam uns contra os outros: Linda no meio dos dois, descansando com a cabeça no peito de Fraser e Ray aninhado no ombro da moça. Os três tinham sorrisos satisfeitos, contentes nos lábios. Mas mais do que isso: a amizade entre eles estava fundada em amor, um amor agora palpável e fortalecido. Ninguém podia tirar isso deles.

Mas claro. Haveria quem tentasse...

 

Próxima parte

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