Parte 3

Sacrifícios

 

 

Linda Lyme manteve os olhos fechados e o corpo imóvel enquanto ouvia a respiração regular e tranqüila de Benton Fraser, indicando que ele dormia a sono solto. A mente dela estava agitada, tamanha a excitação. Ela ainda não acreditava que Benton Fraser, Constable da Real Polícia Montada do Canadá (a RCMP), estivesse apaixonado por ela e a quisesse como amante. Agora eles estavam deitados juntos no pequeno apartamento dele, ambos nus, na caminha dele, depois de uma estranha atividade sexual.

Ela amava Fraser há algum tempo, mas jamais pudera lhe dizer isso. Linda se convencera firmemente que a amizade deles era a melhor coisa que já acontecera a ela. Arriscar isso seria inaceitável, portanto contar para ele seus sentimentos estavam fora de cogitação. Ela se portara assim desde que eles tinham se conhecido.

Tudo começara num turno noturno no hospital onde ela trabalhava. O amigo dele, o detetive Ray Vecchio, tinha sido ferido na linha do dever e estava no Centro de Tratamento Intensivo, mais morto do que vivo. O cuidado dela para Ray e Vecchio havia garantido a Linda a base de uma amizade sólida tanto com Benton quanto com a unanimidade do clã Vecchio.

Era questão de tempo até que aquela amizade se transformasse em amor. Talvez o amor sempre estivesse presente, e Linda resistisse em vê-lo. Mas o amor bateu-lhe na cara quando o bandido Carver, antigo inimigo de Ray, a raptou e a estuprou. Benton Fraser rastreou o bandido e também foi capturado. Mas Ray e o resto da polícia chegaram a tempo.

Carver, porém, não os deixara em paz nem preso. Ele pusera um sugestão pós-hipnótica na mente de Fraser, que se revelou ser desejo sexual por Linda. Portanto, ambos se entregaram à tensa atividade sexual, mas terminaram confessando o amor ardente que sentiam um pelo outro.

Para Linda, ainda era difícil acreditar que aquele homem estivesse apaixonado por ela. Ele era tão bonito, o sonho de metade da população feminina de toda a Chicago, e talvez alguns da população masculina também. Ela jamais pensou que fosse bonita a ponto de atrair um homem como aquele. E seu background emocional certamente espantaria qualquer candidato.

Após morar com um pai abusivo, Linda se fechou do mundo, passando mais de 10 anos num hospício, considerada uma pessoa com deficiências mentais. Quando ficou constatado que ela tinha severos problemas emocionais, mas nenhuma lesão cerebral, começou a receber tratamento adequado. Isso conseguiu fazê-la reintegrar-se ao mundo exterior e voltar à sociedade. O psiquiatra dela, Dr. Lennyard, a colocou como trabalhadora voluntária no próprio hospício, depois mudou-a para o hospital no centro, e por fim deu-lhe permissão para ter um apartamento próprio, mas ainda sob sua supervisão. Recentemente, Linda confessara sua vontade de entrar numa escola de enfermagem e ajudar os doentes. Ela tinha planos para o futuro. Não terminar num hospício.

Muito do progresso de Linda se devia à amizade com Vecchio e Fraser. Depois que se conheceram, eles se tornaram excelentes amigos. Agora a amizade parecia crescer ainda mais.

Deitada nos braços de Fraser, ouvindo sua respiração ritmada, Linda indagou-se como ela poderia dar ao homem que amava o amor que sentia. Ela não tinha talento naquela área. E pouca prática, também. Instituições para doentes mentais não eram os melhores lugares para se arranjar namorados. Ela era uma pessoa diferente. Estranha. Como ela podia trazer esse tipo de sofrimento a Fraser, amando-o tanto?

Ela se mexeu nos braços dele, ainda incapaz de dormir. Fraser imediatamente se retesou, como ele tinha feito antes quando ela acordara chorando e gritando. Ela tivera um pesadelo com Carver. Depois que Ben a acalmara, ela tentara dormir. Mas aí ela começou a pensar sobre Ben. Sobre Ben e ela. Ela e Ben.

Tantas coisas para pensar...

Ao abrir os olhos, ela teve que reter a respiração, ou ficaria sem fôlego. Ben estava tão lindo adormecido, com o cobertor na altura da cintura. As feições magníficas estavam relaxadas, o cabelo escuro despenteado, a pele clara levemente iluminada pelas luzes externas no quarto escuro. O peito sem pelos subia e descia num ritmo tranqüilo e sedutor. Linda o observou por um longo tempo, hipnotizada pela sua beleza, pelas feições clássicas do deus grego ao seu lado. Ela examinou as linhas retas da boca, as linhas suaves que formavam o delicado nariz dele, bem como os pelos escuros da sobrancelhas. As mãos deles estavam no peito, e ela olhou para os dedos deles: longos, fortes, quadrados, masculinos, as unhas curtas e também quadradas. Na verdade, até as mãos dele pareciam claras e quadradas também. Os antebraços eram cobertos por pelos claros e pequenos, e tudo isso era tão bonito que Linda sentiu vontade de chorar diante de tanta beleza. Ela se sentia ridícula e feia diante daquele monumento à graça e harmonia chamado Benton Fraser. A única coisa que ela não estava conseguindo apreciar naquele momento era os olhos, indescritivelmente perfeitos em intensidade, profundidade e cores hipnotizantes.

No momento preciso em que ela pensava sobre os olhos perfeitos, eles se abriram.

Fraser ergueu a cabeça interrogativamente e indagou, preocupado:

- Você está bem?

Ela puxou o cobertor até os seios e assentiu:

- Sim.

- Não consegue dormir?

- É cedo para mim - ela disse, sorrindo como se pedisse desculpas - Costumo dormir às tardes. É que eu trabalho à noite, sabe?

- Precisa descansar, Linda. Fará bem depois que tudo que passou.

Ela simplesmente abaixou a cabeça, quieta. Havia algo ali, algo que ela não conseguia dizer. Fraser já a conhecia tão bem que pôde adivinhar qual era o problema. Ele sabia que ela jamais confessaria, então cabia a ele fazer algo a respeito. Ele colocou o short e ergueu-se, dizendo:

- É melhor eu dormir no colchão.

- Não, por favor - disse Linda, chocada. - Não quero tirá-lo de sua própria cama em sua própria casa.

- Estarei tão confortável quanto na cama, Linda - ele falou, desenrolando o saco de dormir no chão perto dela, enquanto ela colocava a sua blusa. - É verdade. Eu já dormi assim muitas vezes na vida, e geralmente em condições bem piores. Eu estarei bem.

Linda sentiu a curiosidade penetrando nela, enquanto observava Ben preparar a cama no chão:

- No seu lar? Quero dizer, no Canadá?

- Sim. Na verdade, no Yukon - Ben estendeu um cobertor e sentou em cima do saco de dormir - Fica no norte do Canadá. Era onde eu trabalhava. No relento.

- Não tinha casa? Nem cama?

- Não, eu usava a do posto avançado, mas na maioria das vezes eu estava nos Territórios. Eu tinha uma área muito grande para patrulhar. Às vezes eu usava um cavalo, outras vezes tinha que andar, escalar montanhas, essas coisas. Diefenbaker já fez parte de uma turma de trenó.

- Como assim?

- Ele e outros cães puxam um trenó. Agüentam os piores temporais e nevascas, sabia?

- Não.

Fraser sorriu diante da sinceridade da moça. Ela indagou muito mais coisas sobre a terra natal dele. Ela adorava ouvi-lo, e suas histórias, até mesmo as histórias e fábulas inuit que pareciam aborrecer Ray imensamente. Ele conversou com ela durante muito tempo, até que ela eventualmente se cansou e adormeceu. Então Fraser certificou-se de que ela não sentiria frio com um cobertor extra sobre ela.

Quando Ray apareceu na manhã seguinte para apanhar o colega para o trabalho, Fraser rapidamente o levou de volta ao corredor do prédio, para o barulho não acordar Linda.

- Shh. Não tão alto, Ray.

- O que foi, Benny? - Então o detetive se deu conta que o amigo estava de roupa civil, não o uniforme da RCMP. - Não vai para o trabalho?

Fraser ainda cochichava:

- Não, ganhei dispensa obrigatória de três dias depois do caso Carver.

- Falando nisso, estou curioso: como foi que aquela coisa de maldição terminou, afinal?

- Foi... emocional. Linda também ficou emocional, por isso eu pedi que ela dormisse aqui. Não seria prudente deixá-la sozinha.

- Aqui? E ela concordou?

- Sim. Mas se você continuar falando alto, vai acordá-la.

- Tá bom, tá bom.

Ray colocou a cabeça para dentro do apartamento e viu a figura deitada na cama de Fraser. O saco de dormir da Polícia Montada estava ao lado da cama, no chão. Ray abaixou a voz:

- Como ela está?

Fraser deu de ombros:

- Ela teve pesadelos. Por fora ela parece bem, mas eu sei que ela está assustada.

- Coitada. Ela é uma garota tão legal, Benny.

- Sim, também acho.

- Por que não passa um pouco da sua folga com ela, Benny? - sugeriu Vecchio - Ela pode gostar. Gostaria de poder, mas o tenente está no meu pé. Tente fazer companhia a ela, Benny. E trate-a bem. Não arraste a pobre garota para essas confusões, como vive fazendo comigo.

Fraser sorriu e disse:

- Vou ver o que ela diz. Obrigada, Ray.

- Não tem problema, Benny.

Então uma voz feminina veio do apartamento, cumprimentando:

- Bom dia, Ray. Quer café?

Os dois policiais entraram no apartamento e Ray cumprimentou a moça, que estava na cozinha de Fraser:

- Oi, Linda. Obrigada pelo convite, mas tenho que ir. Desculpe se eu acordei.

- Tudo bem, Ray. Acho que vou fazer café para o Sr. Fraser, depois eu preciso ir, também.

- Então tá bom. Vejo vocês depois.

Linda observou Ray partir e Ben fechou a porta da frente, antes que os vizinhos curiosos resolvessem ver o que acontecia no apartamento. Ela estava se sentindo estranha, e disse, procurando objetos e utensílios na pequena cozinha desconhecida, sempre envergonhada:

- Hoje vai ter que comer mingau. Não acho que tenha mais nada aqui.

- Não precisa fazer isso, Linda.

Ela não o encarou para dizer:

- Eu quero fazer isso, Sr. Fraser.

- Esperava que você continuasse a me chamar de Ben - ele disse, as feições preocupadas. - Linda, eu realmente falei sério ontem. Eu amo você.

Linda parou de mexer na cozinha e manteve a cabeça baixa por um minuto, evitando os olhos dele. Ela tremia, e estava incapaz de encará-lo. A voz dela também era trêmula quando ela disse:

- Também amo o senhor. Mas não sei como.

- Posso ensinar - A voz dele era suplicante, e ele sentiu o coração apertar, tamanho desejo de tocá-la, mas temeroso de que ela se assustasse - Por favor, deixe-me ensiná-la, Linda.

Ela quase soluçou, mas conseguiu se controlar a tempo. Depois ela mal pôde dizer, a voz num fiapinho de som:

- Por favor... Preciso... de tempo.

Muito gentilmente, Ben aproximou-se dela por trás e pôs as mãos no ombro dela suavemente. O toque a fez derreter por dentro. Então ele garantiu:

- Posso esperar, Linda. Posso esperar por você.

Linda sentiu o mundo girando mais uma vez e com esforço, concentrou-se em preparar-lhe amorosamente uma refeição e foi para o seu apartamento. Ela tinha muito em que pensar, mas queria tomar um banho e trocar as roupas. Além disso, ela sempre conseguiu pensar melhor no chuveiro. Era como se a água na sua pele também ajudasse a clarear os pensamentos.

A senhoria a cumprimentou assim que ela entrou:

- Linda, eu quase chamei o seu amigo detetive para avisá-la. Eu não estarei aqui essa semana inteira.

- Por quê?

- Minha irmã que mora em Delaware está doente, e ela precisa que eu ajude a tomar das crianças. Não sabia se você voltaria para casa logo, depois do que aconteceu.

- Quer que regue as plantas ou cuide do cachorro?

- Linda, você sabe que não tenho cachorro. Não, não precisa fazer nada. Só fiquei preocupada e não queria partir sem falar com você. Soube do que aconteceu. Você está bem?

- Sim, tudo ficou bem, no final. Obrigada por se preocupar.

- Precisa de algo? Se precisar, posso chamar minha irmã e dizer que não vou mais.

- Não, por favor! - Linda ficou escandalizada. - É muito gentil, mas sua família precisa da senhora. Vá sem se preocupar. Eu estarei bem.

- Então está bem. Cuide-se, menina.

- Espero que a sua irmã melhore. E dirija com cuidado.

Ela entrou em casa com um suspiro. Era bom chegar em casa. Mas ela não podia ficar parada. Tinha muito em que pensar.

Linda pensou enquanto tomava banho. Pensou mais ainda enquanto secava o cabelo. Continuou pensando enquanto se vestiu e saiu.

No ônibus rumo ao centro, ela pensou muito. Comprou um pacote grande de doughnuts e um capuccino e ainda estava pensando quando entrou no 27º distrito. Então os pensamentos dela fugiram quando ela começou a distribuir sorrisos para todas as pessoas que conhecia.

- Olá, belezura - saudou Ray Vecchio - O que a traz aqui?

Ela tinha uma desculpa pronta:

- Eu me senti mal por não alimentá-lo apropriadamente hoje de manhã, Ray, então decidi me redimir - Ela ergueu a sacola com as guloseimas - Doughnuts e capuccino, e coma antes que Diefenbaker apareça. Tudo pelo nosso heróico tira que ficou trabalhando na madrugada.

Ray a agarrou pelos ombros e tascou-lhe um beijo barulhento na testa:

- Cara mia, eu amo você!

Linda ficou cor de rosa no rosto e disse:

- Pare com isso, Ray! Aqui, pegue uma rosquinha.

Ela se sentou em frente à escrivaninha dele e começou a servi-lo. O italiano a observou e disse:

- Achei que iria passar o dia com Benny.

À menção do canadense, Linda se esforçou para manter a compostura:

- Não pude. Muito o que fazer.

- Mas você está de folga.

- É verdade, mas tinha outras coisa para fazer.

- Além de me alimentar, o que mais teria para fazer?

Ela não o encarou, e enrubesceu mais um pouco. Respondeu, apenas:

- Outras coisas, Ray. Não seja tão enxerido.

Naquele momento, Ray ficou muito sério e forçou Linda a olhar em seus olhos, a voz dele extremamente solene, ao dizer:

- Você sabe que pode me contar qualquer coisa, não sabe, Linda?

Ela sentiu as lágrimas voltando aos olhos, mas conseguiu manter a voz firme o suficiente para dizer:

- Claro que sei, Ray.

Ele insistiu:

- Se houvesse alguma coisa errada, você me diria, não é?

- Ray, você é um irmão para mim. Sabe que isso é verdade. Mas..

- Mas...?

Ela abaixou a cabeça e disse, embaraçada, enrubescida e envergonhada:

- Mas há coisas que irmãs não falam com irmãos. Você sabe.

- Claro que não - insistiu - Irmãos e irmãs conversam sobre tudo, Linda.

- Até mesmo... coisas de mulheres?

A expressão no rosto do italiano mudou.

- Oh. Isso. É, acho que tem razão. Irmãos e irmãs não falam sobre isso.

Linda assentiu, cada vez mais embaraçada, o rosto chegando a um tom de rosa jamais obtido antes. Tentando dispersar a atmosfera incômoda, ele sugeriu:

- Talvez possa falar com Frannie mais tarde.

- Não... Não se fala disso com outra irmã. - Ao menos não quando ambas estão interessadas no mesmo homem, pensou.

Ray quase riu.

- E quanto a Ma?

Ela abanou a cabeça:

- Velha demais.

- Talvez aqui no distrito - ele olhou em volta - Tem Elaine, ou as moças do...

- Ray - Linda interrompeu-o com uma gentileza à toda prova -, está tudo bem. Pensei em falar com alguém lá no trabalho.

Ele se aliviou tremendamente:

- Oh, uma de suas amigas enfermeiras, então? Isso mesmo. Faça isso.

- Eu farei, Ray. Mas agora - Ela se ergueu - Vou deixar você tomar seu café em paz Até mais.

Ela se virou para sair e Ray disse, pegando uma rosquinha:

- Vejo você hoje? Jantar?

- Não, vou dormir cedo hoje. Adeus!

Linda deixou o distrito com uma nova luz nos olhos. Ela ainda tinha muito em que pensar, mas pelo menos agora ela sabia o que fazer. Era muito, mas ela não precisava fazer tudo sozinha.

* * *

 A enfermeira-chefe Sorelli piscou.

- O quê?!

Linda abaixou a cabeça, extremamente embaraçada, ainda mais do que se sentia normalmente:

- Desculpe, mas não confio em mais ninguém para falar disso.

A enfermeira indagou:

- Foi por isso que veio para o hospital mesmo estando de folga?

Linda assentiu de novo e justificou:

- Acho isso muito importante. Mas se não quiser, tudo bem. Agradeço mesmo assim.

Não, não estava nada bem. A Sra. Sorelli era a escolha perfeita e a última esperança de Linda. Se ela não quisesse, Linda não tinha mais ninguém a quem recorrer. Ela não tinha antecipado que a Sra. Sorelli, sempre tão gentil e interessada em ajudar Linda, pudesse não querer fazer isso agora. Se a chefe dela não quisesse ajudar, então ela teria que descobrir tudo sozinha.

A italiana encarou a moça cheia de pena. Era tão difícil. Ela nunca tinha se sentido confortável falando disso, mesmo quando era adolescente. Devia ser algo por ser católica. Mas por outro lado, Linda sempre fora tão solícita. Ela queria ajudar a moça, porque Linda parecia precisar de toda ajuda que conseguisse. Além do mais, os Sorelli dificilmente diziam não. Como ela poderia fazer isso a uma criatura tão doce?

- Isso vai demorar um pouco, Linda. Pode esperar um pouco? Poderemos almoçar juntas.

A garota se alegrou. Elas almoçaram, depois se deram conta que conservar sobre sexo em público não era uma boa opção, então acharam melhor ir ao apartamento de Linda, onde conversaram, conversaram. Até riram um pouco.

Linda preparou um lanche, e a Sra. Sorelli disse que ela cozinhava bem, para quem nem era italiana.

-Talvez eu seja - disse ela - Mudaram meu nome no orfanato, depois que me tiraram de meu pai. Mas depois não fui adotada, então fiquei com nome de fruta: Lyme. Chega a ser engraçado.

A Sra. Sorelli sorriu e sentiu o coração se partir por dentro pelo fato de que uma coisa assim acontecesse com uma menina tão adorável. Só no final da tarde Linda conseguiu relaxar mesmo. Ela tinha se segurado porque não queria que ninguém descobrisse que seu misterioso homem, aquele por quem Linda estava fazendo tudo aquilo, era Benton Fraser. Mas disse tudo o que podia:

- Eu agradeço muito mesmo, Sra. Sorelli. Sabe, isso é muito difícil para mim.

- Eu sei, Linda, por isso quero ajudar. É que eu também não fico muito confortável com essas coisas.

- Mas eu estou desesperada. Amo esse homem, de verdade. Mas não sei o que fazer. Acho que se ele me quiser, eu posso fazer amor com ele, mas nunca fiz antes. E não é que eu seja virgem. É que desde menina todos me abusaram, meu pai, enfermeiros, até médicos. Sempre fui violentada. Por isso não sei o que é fazer amor, entende?

A Sra. Sorelli ficou chocada ao ouvir Linda falar tão naturalmente de experiências terríveis como aquelas. Linda se precipitou em assegurar:

- Eu posso falar sobre isso sem medo agora. Sei o que me aconteceu e sei que isso não acontece à maioria das pessoas. Eu nunca fiz amor. Fui estuprada. Por isso não sei o que fazer com esse... namorado. Nunca achei que um dia pudesse amar alguém, por isso nunca me esforcei em saber como é, fisicamente.

- Linda, eu não posso ensiná-la sobre isso. Você tem que usar os seus sentidos. Você sabe o que vai aonde, não sabe?

- Sei.

- Ótimo, então você tem a mecânica da coisa, isso facilita muito. À medida que o tempo passar e vocês se conhecerem mais intimamente, vocês saberão como dar prazer um ao outro.

Linda pareceu intrigada:

- Não entendo. Do jeito que fala, até parece que ele pode me dar prazer.

A italiana olhou para ela com curiosidade com as palavras, e então se deu conta que Linda sequer reconhecia a possibilidade de vir a sentir prazer. Com cuidado, a Sra. Sorelli disse, como se falasse com uma criança de quatro anos:

- Linda, fazer amor é um ato em que os dois participantes sentem prazer. Eles se desfrutam e se compartilham porque se amam. Você dá prazer a seu namorado, e ele a você. Sabe o que é um orgasmo?

A moça ficou ainda mais rosa no rosto e respondeu:

- É quando... um líquido branco salta do... pênis de um homem...

- Não, Linda, esse é um orgasmo masculino. Uma mulher também pode ter um, mas é diferente.

Linda nem piscou, o queixo caiu. A informação era tão extraordinária que ela se esqueceu até de respirar. A Sra. Sorelli inspirou profundamente, depois pediu lápis e papel. Mostrou para ela o clitóris, e explicou que se tratava de um ponto extremamente sensível.

- Alguns homens não sabem, mas esse botãozinho no corpo da mulher tem o mesmo número de nervos que muitas partes do corpo juntas. Por isso é tão sensível. Só as mulheres têm.

Linda ainda estava de olhos arregalados.

- E... por causa dele podemos ficar... satisfeitas?

- Claro, querida. Acredita-se que parte do prazer de um homem é satisfazer sua mulher.

- O que devo fazer para satisfazê-lo?

- Depende de quais sejam os pontos sensíveis dele. É algo que você vai aprendendo à medida que a coisa se desenvolve, por assim dizer. Deve procurar tocá-lo em diferentes lugares, e diferentes toques. Isso é muito sutil. Alguns gostam de ser mordiscados, outros de ganhar longos beijos. Varia muito.

- Posso perguntar o que a senhora faz?

Ela sorriu, mas respondeu:

- Meu marido e eu gostamos de nos tocar muito. Também usamos a boca e a língua. Achamos muito prazeroso.

Linda pareceu intrigada e virou a cabeça:

- Usam a boca... em todo lugar?

A Sra. Sorelli não pôde evitar enrubescer:

- Linda, fazer amor é uma experiência de entrega. Não se deve fazer fronteiras ou estabelecer limites.

Envergonhada, mas curiosa, Linda sabia que teria que perguntar diretamente. Mas fez isso em voz baixa:

- A senhora põe a boca... no... sabe, no... pênis?

A mulher italiana disse, também baixinho:

- Sim, e acho que todos os homens gostam disso. Mas precisa ter cuidado. É uma área sensível, com uma pele macia e delicada. Se você fizer isso, seu namorado vai adorar.

Linda estava pintada de rosa tamanho o rubor quando pediu:

- Poderia por favor... me ensinar? Tenho medo de... machucá-lo...

A Sra. Sorelli suspirou, mas não podia negar a informação a Linda. A garota parecia mesmo interessada, e constantemente brigava com suas inibições para saber o que queria. A enfermeira imaginou que o homem a quem ela amava era um homem de incrível sorte ou alguém que iria ter sexo de primeira qualidade.

A conversa continuou e as duas consumiram uma refeição que Linda preparou e passava das nove horas quando a Sra. Sorelli disse que não podia ficar mais. A garota ficou envergonhada:

- Eu sinto muito, Sra. Sorelli. Não me dei conta de que estava monopolizando seu tempo. Peça desculpas ao Sr. Sorelli por isso, é culpa minha. Eu sou tão distraída e...

- Não, Linda, não foi culpa sua. Eu também me empolguei - Ela riu - Mas agora preciso ir.

- Deixe-me levá-la até a estação do L.

- Não precisa. Já sou bem crescida.

- Mas eu estava saindo de qualquer modo. Não é incômodo. Só preciso pegar um casaco.

 

Alguma coisa não deixava Constable Benton Fraser adormecer, mesmo depois de ele ter se deitado na cama do apartamento escuro. Talvez fosse a inquietação que o acompanhara o dia inteiro também se manifestando à noite. Ele imaginou que um pouco de sono pudesse curar isso. Ele poderia ter se enganado.

O maior problema do Constable Fraser era que ele mentira. Depois de dizer a Linda que esperaria pelo amor dela, ele se dera conta de que era uma tarefa maior do que ele previra inicialmente. A emoção não era nova para ele, mas ainda assim era. Ele jamais tinha sentido tanta ternura e afeição por uma mulher antes. Ele também sentia um enorme desejo de amá-la por inteiro, com paixão, com luxúria e intensidade. Mas ele tinha dado sua palavra de que não forçaria coisa alguma.

Linda era tão especial para ele. Ela era tão frágil que ele temia que ela pudesse se quebrar. E isso poderia ser verdade, figurativamente. Mas ela o enlouquecia de desejo com o sorriso fácil, os gritinhos quando Dief a lambia no rosto, ou o jeito que ela enrubescia quando Ray implicava com ela.

Ali, naquele quarto escuro, Fraser sentia falta dela. Dief o encarava, uma censura lupina muda que Fraser conhecia desde os Territórios do Noroeste. Mesmo se o lobo pudesse falar, não falaria com Fraser naquele momento. Ele estava amuado. Achava que seu parceiro humano estava tratando mal sua consorte.

Então houve um toque na porta. Fraser sabia que já passara das 10 horas da noite, e imaginou quem podia ser. Pôs uma camiseta e abriu a porta.

Linda estava em pé, parecia ofegar um pouco. Ela não o encarava. O coração de Fraser disparou, cheio de apreensão.

- Linda, está tudo bem?

- Sim, tudo bem - Ela realmente ofegava, notou Fraser - Só precisava falar.

- Entre. Sente-se. Parece agitada.

Obedecendo, ela se sentiu ainda mais agitada do que estava. Ela sabia que tinha coisas importantes para dizer e não queria deixar nenhuma delas de fora. Sem parar de encarar os pés, ela deixou cair duas lágrimas e Diefenbaker chegou-se perto dela para que fosse acariciado. Isso deu à jovem coragem para dizer:

- Precisava dizer que se quiser esquecer tudo o que falamos na outra noite, está tudo bem. É que... Se mudar de idéia sobre me amar, está tudo bem. Eu só gostaria que pudéssemos ser amigos. Mas se preferir não me ver nunca mais, vou entender. Sério. Prometo jamais falar mal, nunca mesmo, nem falar sobre isso.

Fraser sentiu o coração dele se encolhendo:

- Por que eu faria isso?

Ela mal podia manter a voz dela audível, tamanha a dor que sentia no peito, as lágrimas caindo sem controle:

- Se não quiser que os outros riam do senhor, ou que lhe digam que está saindo com uma doida, ou façam piadas com o senhor por minha causa, eu vou entender. Compreendo que tem uma posição e não pode se expor por minha causa.

Ele tentou se aproximar dela, ela recuou e ele parou, mas não mudou o que dizia:

- Linda, eu jamais farei isso. Eu realmente falava sério quando lhe disse que eu a amava. Jamais a magoarei e jamais deixarei que outras pessoas riam de você ou caçoem de você ou a chamem de nomes. Prometo.

Aquilo deu um pouco de confiança a Linda. O primeiro cenário (o pior) já tinha passado e ela tivera medo de que ele tivesse mudado de idéia. Mas ele não mudara, e ela tinha se alegrado. Ela previra que ele diria algo assim, porque tudo que ela sabia dele era que ele era um cavalheiro perfeito.

Ainda assim, ela tinha outras coisas a dizer a Fraser. Diefenbaker tinha se afastado um pouco e ela levou a mão ao rosto para secar as lágrimas e falou, hesitante:

- Sabe que eu não sou.... experiente.

- Nem eu - garantiu ele. - Fui criado num ambiente que não podíamos falar sobre sentimentos. Devo dizer que Ray me ajudou muito quanto a isso. Mas eu sei que juntos podemos resolver isso, Linda. Eu disse que não estava disposto a abrir mão de você, Linda, e era verdade.

Não havia jeito de Linda encará-lo. O rosto dela provavelmente estava vermelho feito um pimentão, mas ninguém poderia dizer, naquele apartamento escuro. Ela indagou, mal podendo respirar:

- O senhor vai ter... paciência comigo?

- Só se você tiver paciência comigo também. Como você, eu não tenho experiência, Linda.

Ela arriscou olhar para ele e quase se derreteu diante da visão daquele olhos azuis arregalados brilhando de tanto amor no apartamento escuro. Ela disse, solenemente, como se recitasse um voto:

- Eu prometo que jamais mentirei ao senhor, ou lhe trazer dor de qualquer espécie. Também quero lhe dar prazer, mas nesse ponto ainda não posso fazer isso. Prometo dizer quando estiver pronta.

Fraser conseguiu aproximar-se dela e dizer docemente:

- Eu poderia ter dito a mesma coisa. Eu também disse que esperaria por você. Sei que não está sendo fácil para você e agora estou muito, muito orgulhoso de você, Linda.

Linda disse:

- Não seria justo mentir. Mas preciso de tempo... para pensar. Isso tudo é muito novo para mim. Tem muitas coisas que não sei ainda.

- Entendo, e eu também não sei muitas coisas. Podemos descobrir tudo juntos, Linda. Não quero que se sinta sob pressão. Talvez não tivesse sido a melhor hora, mas estou feliz que a maldição tenha nos dado uma chance de revelar o que sentíamos. Sei que agora você está se sentindo vulnerável, depois do que aconteceu com Carver. Queria ajudá-la.

Linda se encolheu mais um pouco.

- Tenho sonhado... Com o Sr. Carter, quero dizer, agora sei que o nome dele é Carver - Ela não conseguiu segurar as lágrimas - E eu... lamento tanto...

Ela chorou profundamente, enterrando a cabeça entre as mãos. Fraser decidiu invadir o espaço pessoal dela e juntou-a em seus braços. Ele a levou para se sentar na cama, onde ela afundou a cabeça no peito dele e chorou a ponto de deixar a camiseta dele molhada. Quando os soluços dela começaram a se espaçar, ele trouxe um copo de água e indagou:

- Melhor?

- Sim, obrigada - Ela se ergueu - Estou cansada.

- É pela catarse emocional. É natural. Pode até parecer que tem febre.

- Sim, parece isso. Acho melhor ir.

- Tem certeza? Pode dormir aqui, se quiser.

- Não, eu... devo ir.

- Tudo bem. Vou levá-la para casa.

- Não, por favor. Não precisa. Posso ir sozinha.

- Linda, por favor. Se você vai sair daqui, preciso levá-la para casa. Eu vou me sentir melhor assim.

- Se é o que quer...

Eles andaram pelas ruas de Chicago à noite e Fraser levou-a em segurança até casa. Devido ao nível de estresse emocional de Linda, Fraser achou melhor polidamente recusar o convite para entrar, limitando-se a observar atentamente a moça entrar no prédio. Suspirando, ele fechou o zíper da jaqueta de couro marrom e voltou para casa. Linda, por outro lado, mal teve tempo de cair na cama, cansada quanto cansada podia ser.

 

Linda acordou de manhã se sentindo mal. Na verdade, ela se sentia péssima após uma noite horrível. Teve pesadelos e virou-se de um lado para o outro, sentia-se quente, como se tivesse febre. O Sr. Fraser realmente sabia das coisas, pensou. Levantar foi um sacrifício, mas ela tinha que fazer isso. Ela provavelmente tinha mesmo febre, e podia estar ficando doente. Talvez Fraser pudesse ajudá-la.

Apesar do péssimo estado de saúde, Linda se lembrou de pegar o El. Só que subir as escadas até a estação do elevado era demais, e ela preferiu encarar andar 10 quadras na chuva para chegar à residência de Fraser. Não admira que ela estivesse se sentindo ainda pior quando chegou ao apartamento do canadense.

Para nada. Estava vazio. Ninguém em casa, nem Dief. Linda suspirou e tossiu alto. Ela sabia que precisava de ajuda. Onde poderia conseguir? Próxima parada: casa dos Vecchio.

As coisas já começam a ficar fora de perspectiva quando ela chegou (também andando) à residência dos Vecchio, na North Octavia. Os sentidos de Linda estava totalmente difusos, quando ela subiu, com dificuldade, as escadas até a porta da frente. Ela bateu na porta e mal olhou Francesca, quando a irmã de Ray abriu a porta e fez uma pergunta que Linda não pôde ouvir.

Linda tinha caído nos braços de Francesca, balbuciando coisas incoerentes sobre Fraser, chamando por Ray, pedindo desculpas.

- Mãe! Maria! É Linda! - Francesca gritou, tentando ajeitar a garota - Ela está delirando!

Rapidamente, havia uma comoção italiana em marcha, e Linda tentou resistir, sem querer incomodar uma família que era tão boa para ela. Mas Linda estava fraca demais para protestar efetivamente, portanto foi levada de maneira abrupta ao sofá mais próximo e enterrada sob pelo menos três cobertores. Ma Vecchio era das mais assustadas:

- Oh, minha bambina! Que aconteceu?

Linda não pôde fazer nada além de tremer, os olhos dançando, os sentidos fracos. Frannie colocou a mão na testa da garota e ficou chocada:

- Mamma mia! Ela está ardendo em febre!

- Temos que chamar uma ambulância!

- Não se preocupe, bambina. Tudo vai dar certo.

Linda pensou que as coisas não podiam ficar mas confusas do que aquilo. Mas ficaram.

Ela não viu a porta se abrir, mas ouviu o grito inacreditável de Frannie quando algumas pessoas muito estranhas invadiram a casa. Estavam vestidos em algum tipo de traje espacial, mas era azul, com capacetes, microfones e uma tremenda parafernália que tornava tudo ainda mais confuso para a garota febril. Todos foram expulsos de casa, e Linda foi examinada por aquelas pessoas, que tiraram sua temperatura, examinaram seus olhos, usavam luvas e gritavam muito umas com as outras. Linda estava horrorizada, petrificada de medo, sem entender coisa alguma do que acontecia, e confusa demais para tentar imaginar alguma explicação. Ela conseguiu manter a consciência enquanto era posta numa maca, recebia soro e foi levada a uma ambulância como ela nunca tinha visto antes, e tentava gritar por ajuda. Os Vecchios também foram levados.

Ela sacudiu todo o caminho até um lugar que deveria ser uma estranha espécie de hospital, mas não era bem isso. Em seguida, ela começou a se cansar e lutar bravamente para manter-se acordada. A maca foi levada até uma estranha sala de operações. Havia uma luz brilhante acima da cabeça dela, cegando-a, e muitas pessoas em trajes espaciais olhando para ela antes que ela perdesse a batalha pela consciência.

Deus eu posso estar morrendo

* * *

 Pela décima vez (e não que estivesse contando), Fraser suspirou e tentou fazer Linda beber um pouco do antídoto que ele estava segurando. As esperanças dele eram grandes, porque parecia que a febre dela estava cedendo. Ao menos, a pele dela parecia mais fresca e menos pálida. Mas ela não acordava.

As últimas horas tinham sido frenéticas. Nem amanhecera, e o apartamento de Fraser tinha sido tomado por técnicos de saúde no controle máximo de contaminação. Ele tinha passado pela descontaminação e depois fora levado para o isolamento. Lá soube que a polícia tinha encontrado uma toxina no apartamento de Carver. Eles ainda não sabiam se Carver usara a substância, mas como era letal, não podiam arriscar. Todos os que tinham estado em contato com Carver nas últimas 48 horas tinham sido recolhidos e testados - policiais, reféns, contatos. Em seguida, testaram todos os que tinham entrado em contato com os que tinham tido contato com Carver - familiares, colegas de trabalhos, vizinhos. Mais de 500 pessoas tinham entrado no prédio da Saúde Pública Federal de Chicago. A imprensa estava histérica.

Terminou que apenas Linda reagira à toxina. Mesmo sendo uma substância letal, o tratamento era simples: um antídoto deveria ser administrado nas primeiras 24 horas para que os piores sintomas fossem evitados. Depois era mais simples de desintoxicar normalmente. Contudo, sendo uma dessas novas substâncias usadas pelos militares, os funcionários civis tinham se mostrado receosos a administrar o antídoto e se infectar. Fraser tinha sido voluntário em ficar com Linda no isolamento e tratar dela, sob o monitoramento dos técnicos.

Fraser tinha ficado tão apavorado com a perspectiva de Linda morrer que sequer mediu risco pessoal. A cabeça dele estava focalizada apenas numa possível morte dela. Os dois foram instalados numa bolha de vidro, o nome dado à cabina transparente que seria monitorada 24 horas pelos médicos. Eles esperavam que esse tempo fosse suficiente para ela reagir ao antídoto. Caso contrário, ela estaria perdida. Fraser iria em seguida.

Embora dispensado pela equipe médica, o clã Vecchio decidiu permanecer no local. Ray tentou persuadir a família a voltar para casa, mas enfrentou a resistência ferrenha da mãe e da caçula Francesca. Só Maria voltou para a casa, porque ela temia que o bebê ficasse ali e pegasse algum micróbio.

Ray era o mais frenético. Ele atendia repórteres, avisava os colegas do precinto sobre as novidades e tentava acalmar a família, que não arredava o pé do centro de saúde. A intensa atividade ajudou-o a dispersar um pouco da tensão acumulada. Ray temia perder dois bons amigos ao invés de um. Ele também se sentia culpado por tudo que estava acontecendo. Afinal, Carver tinha perseguido seus amigos para se vingar do tira de Chicago que o prendera. Na maior parte do tempo, o italiano tentava chegar à ala onde estava o cubículo e acenava para Fraser.

O canadense enxergou Ray e quase pôde sentir a tensão do amigo, e então sorriu para ele, como modo de assegurar que ele estava bem. Mas só uma coisa acalmaria Fraser, e isso seria uma reação de Linda. Se ela o reconhecesse, ou pelo menos acordasse... Os médicos garantiram que o sono dela era natural, e portanto restaurador. O antídoto também a fazia ficar letárgica. A temperatura crescente do corpo, porém, não era bom sinal.

Linda tinha que tomar muitos líquidos constantemente para prevenir desidratação. A febre não cedera totalmente, porém. O balbuciar delirante dela tornou-se constante, e sempre parecia ter a ver com a agressão de Carver. Fraser se condoía ao vê-la em tamanha dor, e uma vez a tomou nos braços, desesperado com a dor dela. O toque pareceu acalmá-la um pouco, e as pessoas que os monitoravam o encorajaram a fazer isso com freqüência. Fraser adorou a idéia. Qualquer coisa para ajudar Linda e segurá-la em meus braços, pensou Fraser. Ainda assim, ele sentiria o peito arder cada vez que ela movia a cabeça para os lados, choramingando, enquanto suava profusamente:

- Não...! Por favor...! Não o machuque! - Linda se debatia na cama, jogando cobertas para o lado - Por favor... Não machuque o Sr. Fraser...! Não, machuque a mim, por favor!!

O canadense a tocou como já tinha se acostumado: ele se sentou na cabeceira da cama, junto com ela e ele a abraçou por trás, deixando a cabeça dela descansar no peito, sussurrando palavras em seus ouvidos. Quando ela terminou de soluçar sua dor, ele cantou para ela, bem baixinho. Depois, quando ela estava totalmente adormecida, ele a pousava gentilmente na cama e a cobria com amor.

Depois ele voltou a ler, os ouvidos ignorando todo o chiado e zumbido dos aparelhos médicos do cubículo, concentrado apenas nos movimentos dela. Menos de meia hora depois, ele sentiu que ela se mexia. Depois ela gemeu. Quando o movimento se intensificou, Fraser a segurou em seus braços e a acalmou, dizendo:

- Tudo bem, Linda. Tudo vai ficar bem...

E uma voz sumida pronunciou:

- Sr. Fraser?...

Ele olhou os olhos verdes tentando se focalizar no rosto dele e arriscou:

- Linda?

- O que... aconteceu?

- Você ficou doente com uma toxina. Teve febre alta e chegou a delirar. Como se sente?

- Cansada... E com sede...

Fraser se esticou para pegar o copo e ajudou-a a beber um pouco do antídoto. Depois disse:

- Por que não descansa um pouco agora?

Quando ele se mexeu, sentiu a mão dela tentando segurar-lhe o braço:

- Por favor... Não vá...

- Não vou a lugar nenhum. Agora durma.

Linda se aninhou no colo de Fraser, como já tinha feito antes, e o polícia montada permitiu-se um suspiro de alívio e um sorriso discreto. Do outro lado do vidro, fora do campo de visão do amigo canadense, Ray Vecchio fazia a mesma coisa.

Depois de alguma atividade e intimidação por parte da família Vecchio, Linda recebeu alta da Unidade de Isolamento do Departamento de Saúde no dia seguinte, sem qualquer vestígio do mal que a acometera. Em seguida, ela foi levada diretamente a uma celebração do tipo italiana. Ma Vecchio estava especialmente sensível, e havia lasanha para virtualmente todo o 27º distrito. Mesmo pessoas que nem eram tão amigas de Linda estavam lá, celebrando sua alta e o fim da terrível ameaça que era Carver. Contudo, Linda não estava totalmente feliz.

- Mas não é justo, Ray - ela disse, sentada na varanda da casa dos Vecchio - Eu causei o problema de sua família, eu é que deveria estar organizando a celebração. Estou dando trabalho para sua mãe.

Ele deu de ombros:

- Você sabe como Ma é quando coloca alguma coisa na cabeça, Linda.

- Igual ao filho?

Ray olhou feio para Linda, que riu sem graça, e Fraser corrigiu, sarcástico:

- Na verdade, por uma questão cronológica, Linda, eu diria que o filho é que é igual à mãe.

Estranhamente, a moça seguiu a brincadeira:

- Tem razão.

Vecchio ficou passado:

- Engraçados, os dois. Riam, riam bastante!

Linda continuou:

- Mas é verdade, Ray, eu quero fazer algo para celebrar. Talvez algo novo. - Os olhos de Linda adquiriram um brilho diferente, surpreendendo até mesmo ela. - Sim, quero mesmo tentar algo novo. Amanhã à noite, na minha casa.

Ray sorriu:

- Parece ótimo. Conte comigo.

- Ótimo - sorriu ela, que se virou para Fraser - Por favor, não se esqueça de trazer Diefenbaker, também. A opinião dele é muito importante para mim.

Fraser disse:

- Tenho certeza de que ele ficará encantado com o convite. Muito agradecido.

Linda disse:

- E eu preciso ir logo para casa e fazer os preparativos.

- Não antes de comer - disse Ray - Ma ficará arrasada.

- Eu jamais faria algo assim, Ray - Linda parecia magoada que ele pudesse pensar algo assim. - Sabe disso. Além do mais, você sabe também que adoro a comida de sua mãe.

- Sim, eu sei - Ele a abraçou com ternura, Fraser olhou para o lado, constrangido - O mais importante é que você está de volta, sã e salva. Aquela história de vírus me assustou.

Fraser completou:

- Foi mesmo fortuito encontrar aquelas ampolas no apartamento de Carver a tempo de impedir o desenvolvimento da incubação. As equipes de Atlanta chegaram bem a tempo.

Linda estremeceu ligeiramente ao lembrar as coisas que tinha passado nos últimos dias. Mas sempre tivera o apoio de Fraser e sorriu para ele, quieta. Ele não a olhava. Foi quando Ma Vecchio interrompeu seu devaneio.

- Raymondo! Benton! Linda! Veni a mangiare!

Ray traduziu:

- Está pronto. Vamos, venham, ou ela não nos perdoa.

* * *

Tamanho cuidado na preparação fez Linda se dar conta que o coração dela estava tomado de amor. Ela realmente estava ansiosa pelo jantar e se esmerou nas técnicas de cozinha. Também deixou o apartamento brilhando, com tudo limpinho, e colocou um dos seus melhores vestidos. Estava excitada.

Tudo era tão novo para ela. Não o jantar em si - ela já cozinhara para Ben e Ray antes. Mas agora havia algo excitante. Só por causa da decisão que ela tinha tomado: experimentar. Ela decidira experimentar tudo que queria. Durante a conversa com a Sra. Sorelli, ela tinha sentido que tinha vontade de experimentar. Depois da péssima experiência com a toxina, ela tinha sentido que não valia a pena postergar para tentar o que tinha em mente.

Quando Ben Fraser chegou à casa dela, ele ainda usava o uniforme marrom da Polícia Montada. Linda abriu a porta para ele e Dief, e quando os deixou entrar, notou:

- Ray não trouxe vocês?

- Não, na verdade, Ray não vem.

- Por que não?

- Ele foi chamado para um homicídio na última hora e pediu que eu lhe expressasse seu pesar.

Fraser se sentia constrangido. Estava sozinho com Linda e tinha problemas terrivelmente grandes para manter a promessa que fizera a ela, de não avançar o sinal. O problema é que ela estava tão bonita que lhe encheu a visão. O perfume dela tinha sido uma das primeiras coisas que ele tinha notado, e o resto dos sentidos dele também estavam em alerta. Ele tinha que tomar cuidado, ou outras partes de sua anatomia breve entrariam em alerta também, por assim dizer. Melhor tentar mudar de pensamento, pensou ele.

Sem nada perceber, Linda sorriu (e que sorriso lindo, pensou Fraser) e disse:

- Vamos ter que guardar algumas sobras para ele.

Dief protestou e a moça garantiu:

- Não, Dief, desta vez Ray vai ficar com as sobras. Você é um convidado.

O lobo latiu diferente e Linda riu dele. Fraser lhe passou o casaco e ela indagou:

- Quer algo para beber? Comprei um vinho.

Fraser estava surpreso:

- Mas você não pode beber.

- Não, eu não, mas Ray gosta de tomar um pouco ao jantar. Pensei em fazer uma surpresa para ele.

- Tenho certeza de que ele ficará encantado com sua consideração. Quanto a mim, eu não faço questão de vinho. Melhor... manter a mente alerta. Oh, meu pai.

Linda enrubesceu um pouco e disse, tentando quebrar o gelo:

- Espero que esteja com fome. O jantar ficará pronto logo.

- Precisa de ajuda?

- Não, por favor - Ela estava constrangida, e Fraser achou aquilo adorável - Ficarei feliz em servi-lo.

Dali para frente, Fraser realmente se sentiu servido. Linda tinha ajeitado uma receita para lá de exótica, usando champignons e camarões, uma verdadeira orgia para os sentidos já em alerta de Fraser. Ela também preparara um suco de frutas especialmente para ele, um de frutas naturais, reconheceu ele com seu apurado paladar. Ele ficou totalmente enternecido com tamanha atenção e dedicação.

- Eu não sei o que dizer - confessou ele, encerrando o segundo prato - Isso está além de palavras.

Linda indagou, com intensidade:

- Mas você gostou?

Fraser viu que ela não fazia uma ironia, os olhos verdes dela tinham apreensão.

- Está melhor do que qualquer restaurante, Linda. Nem a mãe de Ray poderia ter feito melhor, e ela é a melhor cozinheira que conheço.

Linda enrubesceu profundamente, chegando ao rosa choque, e disse:

- Isso é bom. Fico feliz que tenha gostado. - Então ela se virou para o chão - Dief, um pouco mais, amigão?

Olhos lupinos a encararam com adoração genuína e ela ouviu um uivo curto, mas antes que ela se mexesse para pegar o prato dele, Fraser advertiu:

- É melhor não. Ele já comeu três porções. Posso dizer que ele adorou.

Linda sorriu para a criatura branca e peluda.

- Lobo bonito. É a primeira vez que faço esse prato. Desculpe ter sido a cobaia.

- Terá que fazer mais uma vez. Tenho certeza de que Ray vai querer experimentar.

Ela recolheu os pratos e Fraser se apresentou:

- Deixe-me ajudá-la com a louça.

- Não, por favor - disse Linda - Sério, eu posso fazer isso mais tarde. Gostaria de uma sobremesa?

Fraser soltou um sorriso nervoso:

- Depois do que eu comi? Não seria nem prudente.

- Então por que não se senta no sofá, enquanto eu tiro a mesa? Já estarei lá.

- Posso ajudá-la.

Linda insistiu, gentilmente:

- Por favor, não tem mesmo necessidade. Além disso, se realmente comeu muito, não é muito bom ficar se mexendo por aí. E eu realmente gosto de servi-lo.

Fraser enrubesceu:

- Talvez seja melhor eu ficar em pé um pouco.

- Como queira.

Ele a circundou um pouco, enquanto ela tirava a mesa cuidadosamente e colocava os pratos na pia. O constrangimento dos dois era palpável, era como se ambos estivessem num primeiro encontro e fossem adolescentes. Linda voltou para a sala de estar com um sorriso:

- Espero que tenha gostado do jantar. É praticamente a minha primeira recepção como anfitriã. Ainda estou aprendendo.

- Tudo estava perfeito, Linda.

- Gentileza.

- Não, eu falo sério. Tudo estava mesmo perfeito, Linda.

Ela o encarou, tentando determinar se ele estava mentindo por polidez ou se havia sinceridade nele. O fato é que ela se viu encarando aqueles olhos azuis como se estivesse notando a cor deles pela primeira vez. Por sua vez, Fraser descobriu que também não podia tirar os olhos daqueles fugidios olhos verdes, que pela primeira vez tinham se fixado nos dele.

Fraser não saberia recapitular seus movimentos, mas quando deu por si ele tinha Linda em seus braços, os lábios dele grudados nos dela, as bocas abertas, e as línguas explorando-se mutuamente, uma dança frenética que acompanhava braços. O beijo se tornou mais profundo e a respiração faltava. Linda logo sentiu a evidência física do desejo de Fraser pressionando-lhe a coxa.

Ambos tiveram que ofegar, procurando ar, e Fraser tentou capturar o fôlego, pedindo:

- Com licença... Preciso... usar o banheiro.

Linda não desgrudara do corpo dele e disse:

- Não... por favor. Como anfitriã... deixe-me cuidar... do seu... desconforto... Por favor.

- Não precisa -

- Por favor, sente-se.

Ele tropeçou e caiu sentado no sofá, e então Linda o beijou novamente, serpenteando seus braços, e as mãos dela começaram a desabotoar a jaqueta marrom da RCMP, Fraser disse:

- Por favor, não é necessário -

- Sim, é - disse ela, baixinho - Primeiro, não iríamos querer sujar seu uniforme. Depois, eu sei que seu desconforto pode ser bastante doloroso. Como uma anfitriã ainda em treinamento, não posso permitir. Por favor, deixe-me cuidar disso. Só sente-se, e eu sentirei prazer em servi-lo mais uma vez.

Antes que ele pudesse protestar, ela estava sentada no colo dele e sofregamente adentrou sua boca na dele, enquanto as mãos pareciam ávidas, abrindo a jaqueta, desafogando a gravata e desabotoando a camisa cinza. Fraser tentou ficar imóvel, mas à medida que Linda o despia, sua garganta emitia sons guturais dos mais impróprios, abafados porque a boca dele estava tomada pela dela. Os sons ficaram ainda mais altos quando seu peito ficou exposto e as mãos dela passearam sobre seus mamilos, fazendo-o estremecer ligeiramente. A boca dela jamais deixara a dele, e as línguas estavam entrecruzadas.

Depois disso, Linda quebrou o beijo, e justo quando Fraser imaginou que poderia respirar um pouco, ela escorregou no colo dele e afundou a cabeça dela para começar a gotejar beijos rápidos em todo o pescoço dele, fazendo os tremores dele aumentarem de intensidade. Depois, a boca dela encontrou a junção entre ombro e pescoço, enquanto as sempre atarefadas mãos dela acharam o cinto da calça. Fraser ouviu um ruído mais alto: eram seus gemidos amplificados.

Dedos ágeis abriram botões, baixaram suspensórios, abriram o zíper e em seguida libertaram sua masculinidade de suas cuecas. Fraser se retorceu diante do toque, a boca aberta soltando pequenos ruídos. Linda aproveitou para afrouxar-lhe as calças, e em seguida, usou toques delicados para tamborilar os dedos nas pequenas e compactas esferas que tinha achado entre as pernas dele. Mexer nelas era não só gentil como muito sensual, e ela ergueu o seu próprio corpo para que a boca dela capturasse o lóbulo da orelha de Fraser. Então, abaixo, as mãos dela se mexeram, atingindo a bela glande com o polegar e ela fechou os dedos ternamente em volta do membro, mordiscando o pescoço do canadense.

Ele estava muito além de qualquer controle ou qualquer pensamento racional. Tudo que ele podia repetir na cabeça é que aquilo era maravilhoso. Ele começou a erguer os quadris instintivamente, tentando criar um ritmo, os gemidos irregulares. E Linda tentou acompanhar o ritmo enquanto ela percorria a mão para cima e para baixo da bela ereção que pulsava ente seus dedos.

Primeiro Linda se manteve gentil e delicada, como a pele sensível e suave pedia, mas logo ela se revelou apaixonada, para em seguida, chegar a um ritmo que acompanhasse a velocidade do pensamento de Fraser, e então a explosão inevitável aconteceu, enquanto a semente de Fraser jorrava em sua barriga e ele gemia sons inarticulados, os músculos tesos ao extremo. Então ele ficou imóvel, ofegando.

Linda o viu exaurido no sofá e começou a lhe tirar as botas e meias. A jaqueta, camisa e camiseta ela dobrou com carinho e depositou numa cadeira, deixando que ele descansasse um pouco. Ela não pôde evitar ficar encarando alguns segundos. Tão bonito, com o rosto rosáceo pelo esforço, a testa brilhando de suor, o cabelo escuro em desalinho. Ele estava magnífico.

Quando Fraser reabriu os olhos azuis cintilantes, Linda sorriu e disse, encabulada:

- Preciso de ajuda.

Ele precisou de ajuda para recobrar a voz:

- Quê?

Ela explicou:

- Não consigo carregá-lo até a cama.

Fraser sorriu antes de encará-la. Linda colocou os braços dele nos ombros dela e disse:

- Venha, eu o ajudo.

Fraser aceitou a ajuda e caminhou descalço, seminu, ao quarto. Lá, assim que ele se jogou na cama, Linda disse:

- Não, espere, preciso tirar o resto de suas roupas.

- Linda -

Ela rapidamente o puxou contra seu corpo e o beijou profundamente, fazendo-o esquecer sobre o que ele protestava. Em questão de minutos, ele estava nu, deitado na cama, e Linda o beijava, pedindo entre beijos:

- Por favor.. Deixe-me... dar-lhe prazer... Por favor... preciso de sua permissão...

Fraser começou a sentir um puxão abaixo da cintura, e disse, também em sussurros:

- Tem minha permissão.

Linda sorriu e o beijou ainda mais profundamente. Depois ela pôs-se a viajar na boca dele, deixando pequenos e delicados beijos no pescoço dele e abaixo, com as mãos explorando o peito nu e liso. A pele macia de alabastro recebeu todo o cuidado delicado dela, postada sobre ele de maneira a percorrer o corpo dele profusamente. Os dedos dela logo encontraram os mamilos dele, e ela começou gentilmente a beliscar um deles, causando gemidos baixos vindos da garganta de Fraser. Ela sorriu diante do ruído e atacou o mamilo com a boca, fazendo-o estremecer enquanto ela lambia e gentilmente chupava o botão delicado. Depois ela fez o mesmo com o outro mamilo e Fraser sentiu a virilha esquentando enquanto seu desejo reacendia.

As mãos exploradoras continuaram indo para baixo, e a boca seguiu o mesmo caminho. Linda lambeu toda a barriga de Fraser, limpando os resto de sêmen, provando a essência dele. A proximidade com a virilha fez Fraser sentir seu corpo retesando mais intensamente, jogando a cabeça para trás em pura volúpia.

E todo o contato com Linda cessou.

Frustrado, Fraser ergueu a cabeça e viu Linda de pé no pé da cama, encarando-o, um meio sorriso nos lábios, um rubor tímido enquanto ela desabotoava a parte de cima do vestido. Só então Fraser viu que a garota ainda estava totalmente vestida. Logo ela estava nua da cintura para cima e ajoelhou-se em frente à cama, a cabeça desaparecendo do ângulo de visão de Fraser.

Em segundos, o canadense sentiu uma boca úmida e quente sugando-lhe os dedos dos pés com ternura. O contato era tão sensual e amoroso que ele fechou os olhos, relaxando, sem perceber que recomeçara a gemer baixinho. A língua e a boca subiram, rumando para os seus tornozelos, e depois para a parte de cima de suas pernas alvas e musculosas. Como um gato, a língua de Linda subia-lhe pelo corpo, causando uma miríade de sensações e sentimentos, deixando-o totalmente além da capacidade de raciocínio.

Gentilmente, a moça lambeu-lhe a coxa e surpreendeu-se quando Fraser repentinamente se retesou e ergueu a cabeça, ordenando firmemente:

- Não.

Ela o encarou, magoada. O rosto dele não trazia raiva, nem repulsa, só... - seria vergonha? Ela indagou:

- Não entendo. Por quê?

Ele tinha dificuldade de dizer:

- É muito... humilhante...

Linda jogou-se nos braços dele e o cobriu de beijos, dizendo, quase numa súplica que a deixava sensualmente parecida a uma garota mimada:

- Disse que poderia lhe dar prazer... Por favor... deixe-me servi-lo... Quero muito... É importante.. Por favor...

Desta vez Fraser não pôde nem disfarçar o desejo, e Linda tomou total vantagem da momentânea falta de raciocínio dele para voltar à parte de baixo do corpo dele. A cabeça dela foi direto para o meio das pernas dele, de onde o cheiro dele emanava, masculino, almiscarado, misterioso. Primeiro a língua dela circundou gentilmente os pêlos crespos do baixo ventre, depois as mãos dela chegaram de maneira delicada às duas esferas logo abaixo, acariciando-as, e Fraser gemeu mais alto, quase gritando quando a língua dela lambeu-lhe amorosamente as bolas. Depois os lábios dela se fecharam sobre as tenras esferas, fazendo seu possuidor chamar o nome dela em delírio.

Em seguida, Linda decidiu que sua boca e sua língua deveriam ser apresentadas à masculinidade do seu amado e lambeu-o da base à coroa de uma vez só. Fraser enfiou os quadris para cima, no ar, enquanto a língua de Linda fazia exatamente a mesma coisa ao longo de toda a sua extensão. Depois disso, ela mudou de posição na cama (sempre acima de Fraser), e a boca dela cessou o contato com o canadense por um segundo, evocando nele um som tão agudo quanto um choramingo. No segundo seguinte, porém, a boca dela inteira recebeu-o e ele quase gritou, fazendo sons inarticulados, enquanto o calor e a umidade que o envolviam o levavam a alturas que ele jamais tinha imaginado. A língua dela envolvia a coroa em círculos perfeitos, fazendo-o quase uivar de prazer, e uma voz distante (a dele) repetisse que aquilo era bom, aquilo era muito bom.

Linda ficou feliz e redobrou seus esforços, porque os quadris de Fraser se mexiam tanto que ameaçavam jogá-la para fora da cama. As mãos dela estavam na parte de trás das coxas de seu amado enquanto a boca dela continuava a abrigar a masculinidade dele com todo o cuidado pela pele sensível que ela podia sentir tremendo em sua boca, à medida que Fraser fazia sons engasgados. Ela delicadamente enfiou mais daquela pele rija para dentro da sua boca, sentindo a cabeça do membro encostar no seu palato. Quando ela bateu contra a garganta, Linda quase engasgou com o volume em sua boca. Mas Linda estava feliz, pois o som e o olfato a excitavam. Assim, excitada, ela passou a sorver, chupar e sugar com sofreguidão, e Fraser passou a quase uivar. Ao mesmo tempo, os dedos brincavam delicadamente com as duas lindas esferas tão bonitas bem ali perto.

Os tremores de Fraser realmente evoluíram para ter aspecto de convulsões e ele sabia que não duraria muito. Sentia o clímax chegando à medida que ele repetia o nome de Linda alto, e apesar de ardentemente desejar que aquilo jamais tivesse um fim, os músculos deles repentinamente se retesaram e ele sentiu uma explosão dentro de si, uma descarga elétrica por todo o seu corpo. A garganta de Linda encheu-se com sua essência líquida e esbranquiçada. Ela não parou de sugar e sofregamente engoliu todo o leite quente que estava sendo produzido, ordenhando-o com carinho.

Por uma pequena eternidade, Fraser não conseguiu pensar, nem se lembrar de coisa alguma que não uma sensação branca de paz e plenitude. A primeira coisa que se lembrou de sentir foram beijinhos delicados sobre todo o seu rosto. Então ele abriu os olhos azuis e Linda olhou para dentro deles, tentando se lembrar quando ela teria tido uma visão mais bonita do que aquela. Ela podia quase chorar.

A respiração de Fraser ainda estava em golfadas e ele indagou, surpreso:

- Onde... foi que você...

Linda o calou com um beijo nos lábios e disse, com um sorriso doce:

- Descanse. Posso dar-lhe mais prazer se quiser, mas por agora deve poupar suas forças. Por favor, por agora procure descansar.

Era a vez dele de sorrir:

- Acho que fiquei sem. Você me desgastou.

- Da próxima vez farei todo o trabalho - prometeu ela, acariciando-o com ternura. - Não terá que fazer coisa alguma. Estou aqui para servi-lo, dar-lhe prazer.

Ele pediu:

- Venha aqui.

Fraser segurou Linda nos braços e então viu que ela ainda estava vestida, mesmo que apenas parcialmente. Ela sentiu a curiosidade dele e indagou:

- Quer que eu tire?

- Sim, por favor.

Ela obedeceu, formando uma pilha desleixada no chão, e depois cobriu os dois com uma manta grossa, enquanto ele a tomava em seus braços e a beijava, sentindo o gosto do seu sêmen nela. O fato o excitou.

Linda pousou a cabeça no peito dele e pediu, sem poder encará-lo:

- Por favor, fique.

- Não tenho intenção de sair agora.

- Eu digo, essa noite. Por favor.

Ele beijou a testa dela e disse:

- Claro. Eu só sairia se me pedisse.

Linda disse:

- Eu jamais poderia pedir isso. Quero ficar para sempre assim. Amo você. Eu - ela engasgou de emoção - Eu nunca me senti assim...

Fraser a apertou ainda mais contra si, ao sentir uma lágrima cair em seu peito:

- Estou aqui, Linda e não vou deixar que você seja machucada. Não permitirei que ninguém magoe você, Linda. Porque eu te amo.

Ela ergueu a cabeça para encará-lo, os olhos verdes brilhando de lágrimas. E ela o beijou com paixão, com ardor. Quando eles conseguiram fazer uma pausa para respirar, ela sorriu como uma garotinha e disse:

- Quero lhe dar muito prazer! Sim, muito e muito! Diferentes tipos de prazer!

Fraser deu um sorriso malicioso:

- É uma promessa?

- Claro que sim! - Linda parecia animada, como uma criança que tinha acabado de descobrir um brinquedo novo. - Mal posso esperar. Talvez deva deixá-lo descansar um pouco, para depois lhe dar prazer. Gostaria disso?

Ele a encarou:

- E você?

- Adoraria lhe dar prazer. É só o que quero.

- Não, quero dizer sobre o seu prazer.

Linda não entendia do que ele falava:

- Mas isso não é importante.

Fraser finalmente sentiu do que estavam falando. Ele tomou o cuidado de manter Linda sempre junto de si, protegida e aquecida, enquanto ele se sentava na cama e dizia, de maneira delicada:

- Linda, não é assim. Isso não é verdade. Seu prazer também é importante. Pelo menos para mim. Além disso, você estaria me negando um prazer. Faria isso?

Ela pareceu horrorizada:

- Nunca...! Juro...! Nunca lhe negarei qualquer prazer, qualquer capricho!

- Então deixe-me amá-la, Linda. Eu quero você - Ele a puxou para si, os olhos azuis dançando nos verdes dela. - Muito, muito mesmo.

Ele selou suas palavras com um beijo profundo, um que deixou Linda quase sem fôlego, enquanto os braços dele envolviam o pequeno corpo dela. Ela se sentia girando por dentro de tanta felicidade, e pensou que fosse se desmanchar nos braços daquele homem. Fraser, por outro lado, estava tocado pelo tanto de amor e ternura que lhe estava sendo oferecido por aquela menina que mal sabia o que era o amor. Esse conhecimento também incendiou-lhe o desejo, e enquanto o beijo se aprofundava, ele podia sentir o corpo despertando para o amor.

A respiração de Linda era ofegante quando as mãos de Fraser passaram a subir de sua cintura e encontraram seus seios. O toque a fez arquear para frente e jogar a cabeça para trás, quando a boca dele encontrou a pele delicada do pescoço para sugar e lamber com delicadeza. Os polegares dele estavam nos mamilos dela, a língua tinha ido parar dentro da orelha, e as mãos dela alisavam o cabelo escuro e sedoso dele. Fraser passou a então a gentilmente sugar-lhe os pequenos seios, primeiro um e depois o outro em carícias, enquanto as mãos dele voltam a acariciar-lhe a cintura e as dela escorregavam para a nuca e os ombros dele.

Depois foi a vez da respiração dela falhar, quando Fraser inclinou-se para enfiar a língua no umbigo dela, e os braços dela se abriram para trás, enquanto ela arqueava toda na cama, a cabeça batendo no colchão. Linda suspirou, quase um soluço:

- Oh, Ben...!

A língua dele voltou a ir para baixo e ultrapassou a suave floresta de cachos escuros para chegar à umidade de sua feminilidade. Linda gritou de espanto, jamais tinha experimentado aquela sensação divina. A língua e os lábios então exploraram, mordiscaram, circularam, sugaram, chuparam e lamberam freneticamente, e Linda sentiu cargas elétricas percorrendo seus músculos, algo que ela nem tentou descrever, com seu cérebro paralisado por convulsões de prazer. Os sons engasgados que ela passou a fazer só encorajaram Fraser a explorá-la ainda mais, e ele ficou duro e rijo quase ao ponto de sentir dor.

As carícias líquidas sumiram por um segundo, e antes que ela pudesse recompor sua respiração, Fraser a penetrou com um grunhido de triunfo, enquanto Linda perdia a voz, ar confinado em seus pulmões enquanto a surpresa de tamanho prazer lhe fazia arregalar os olhos. Era um intrusão doce em seu corpo, uma rigidez que ela abrigava com amor e desejo. As emoções eram demais para ela, e estavam vindo tão rápido, e era tão bom tão bom tão bom. Ela podia ouvir uma voz distante repetir a Benny que o amava e só então se deu conta de que a voz era dela.

Logo em seguida, o corpo de Benny entrou em rápida convulsão e ela pôde sentir um líquido quente e viscoso jorrando para dentro dela. O calor nas suas entranhas a fez explodir e o corpo dela tremeu da cabeça aos pés, enquanto a voz crescia duas escalas para ela gritar o nome de Fraser enquanto pensava que estava morrendo. Era como se algo realmente tivesse sido jogado para dentro do corpo dela, inutilizando-o totalmente. Acima, o corpo de Fraser parecia sofrer de sintomas similares, enquanto os dois tentavam recuperar o fôlego.

A princípio, Linda sequer tinha certeza de estar viva. O mundo girava em sua cabeça, ela flutuava no espaço. Depois, quando o raciocínio voltou, ela pareceu sentir que voltava ao corpo, respirando de maneira bem irregular. Ela queria poder se abraçar a Fraser, mas o corpo dela parecia feito de borracha, e ela não podia se mexer, os olhos ainda fechados.

- Linda? - Fraser arriscou - Você está bem? Linda, por favor, diga algo.

Num esforço supremo ela tentou, num fiapo de voz bem fininha:

- Algo... aconteceu...

- Oh, céus, o que eu fiz? Linda, você está bem?

Ela finalmente abriu os olhos e viu duas esferas azuis como o céu a encarando, cheias de preocupação. Ela falou:

- Eu... nunca. O que... foi... aquilo?

Fraser aliviou-se e sorriu, numa maneira que jamais tinha feito para qualquer outra pessoa antes:

- Você teve um orgasmo, Linda.

- Eu... nunca... senti isso antes.

- E como se sente?

Linda sorriu:

- Eu não sabia... que podia ser tão feliz - Ela se atirou em seus braços de repente - Estou tão feliz! Amo você tanto!

- Eu também a amo. Muito.

Ele se inclinou para beijá-la, as costas das mãos acariciando os braços dela. Ela acariciou-lhe as costas então ergueu os olhos verdes para encarar os olhos azuis:

- Você é tão bonito. Como um sonho.

Ben se deitou de lado, mantendo uma mão na cintura dela e admirou-a da cabeça às pés pela primeira vez, o corpo com o qual tanto sonhara, um sorrisinho fazendo os lábios se curvarem.

- Você também não é nada má. Você se incomodaria se eu -

Ela o interrompeu amorosamente, pondo delicadamente um dedo em seus lábios:

- Sou sua, Benny. Não precisa pedir licença para fazer nada.

Ele pegou a mão dela entre as dele e a beijou com ternura, sussurrando:

- Deus, eu a amo. Eu a quero tanto, Linda. Como consegui esperar tanto?

- Eu poderia esperar para sempre por você, meu amor. Teria esperado, sem sequer esperar, eu não tinha... esperança... - Ela disse, com lágrimas nos olhos. - Jamais... pensei que eu... pudesse ter...

Ela engasgou de emoção, incapaz de completar a frase. Fraser a apertou contra si, enquanto ela soluçava quieta. Depois ele disse:

- Espero que esteja chorando de felicidade. Se não, ficarei magoado.

Ela tentou enxugar as lágrimas e apressou-se a dizer:

- Jamais poderia magoá-lo! Você me fez tão feliz...! Não, eu jamais vou magoá-lo!

Fraser a encarou de modo sério:

- Posso lhe pedir uma coisa?

- Qualquer coisa.

- Quero que me diga o que sente, Linda. Sei que tudo isso é bem novo para você, e você sempre tem medo de magoar as pessoas. Mas quero que seja honesta comigo, está bem?

- Eu jamais poderia mentir para você, Ben. - Então ela mexeu a cabeça. - Importa-se se eu chamá-lo de Ben?

- Claro que não - ele sorriu - Mas não me respondeu. Quero que seja honesta comigo, mesmo que sua opinião seja diferente da minha. Sei que você gosta de algumas coisas e não gosta de outras, Linda, e às vezes você está disposta a relegar isso para não magoar as pessoas. Mas eu ficarei magoado se fizer isso comigo. Entende?

Linda pensou bastante. Era um esforço, Fraser podia sentir. Ela disse, finalmente:

- Sabe que eu tenho que seguir as normas. Se não, o Dr. Lennyard terá que me mandar de volta para a clínica.

- Não quero que desobedeça a nenhuma das regras - Ele explicou - Tudo que peço é que me diga como você realmente se sente.

Ela ficou pensativa de novo e depois assentir.

- Está bem. Farei isso. Mas se eu ofendê-lo sem querer, preciso que me diga, para não repetir isso, tá bom?

Fraser sentiu o coração se inchar de tanto amor que sentia por ela e respondeu:

- Combinado. Agora me responda uma coisa. Por que você violou as regras por mim no hospital? - Linda olhou para ele, intrigada. Fraser explicou: - Quando Ray foi ferido, e você não me conhecia, você arriscou seu emprego e tudo que tinha ao me deixar entrar na UTI. Por quê?

Ela abaixou a cabeça, enrubescendo violentamente, de uma maneira que fez o coração de Fraser se derreter, e ela respondeu, baixinho:

- Fiquei com pena. Você não arredou pé dali por dias. Eu nunca tinha visto isso antes. Parecia que vocês eram amigos, ou amantes, e parecia tão injusto que você não pudesse vê-lo só por não ser da família. Conheço as regras do hospital, e nem sei por que terminei fazendo aquilo. Depois falei com minha chefe. Ele não se importou.

- Fiquei tão grato por isso - disse Fraser - Acho que comecei a amá-la ali. Eu fiquei com medo por você algumas vezes. Eu... acho que forcei algumas situações antes que você estivesse pronta para enfrentá-las.

Linda ergueu a cabeça e confessou:

- Não entendo.

- Senti-me culpado ao falar com Dr. Lennyard sobre você e aqueles machucados. Senti que traí sua confiança. Mas não sabia mais o que fazer para ajudar você. Pode me perdoar?

- Você não fez nada de errado. Não há o que perdoar.

Fraser pôs dois dedos no delicado queixo dela, obrigando-a a olhar dentro dos olhos dele, dizendo:

- Mas é importante para mim do mesmo jeito. Pode me perdoar?

- Claro que sim - Ela encostou os lábios nos dele - Perdôo qualquer coisa.

Ele a beijou com paixão e depois passou a despejar pequenos beijos no pescoço dela, dizendo:

- Amo você, Linda... Seu corpo também.

A boca dele logo chegou ao colo dela, e Linda arqueou o corpo, jogando a cabeça para trás e oferecendo a ele seus seios. Fraser tomou a oferta em suas mãos e depois em sua boca, enquanto Linda sentia o desejo ardendo dentro de si.

Os corpos se esfregaram um contra o outro e não demorou para que a coxa de Linda sentisse o desejo de Fraser entumecendo-lhe a carne. Ela o tomou na mão delicadamente, sentindo o homem estremecer sobre seu corpo.

De repente, Fraser agarrou os braços dela, virando-a de costas para seu rosto. Tomou-lhe os seios com as mãos, enquanto sua masculinidade era esfregada na delicada pele da nádega de Linda. A moça jamais poderia imaginar que isso fosse tão excitante, e ainda assim, era, pois ela estava gemendo e suspirando em questão de segundos, a respiração entrecortada. Os lábios de Fraser começaram a passear pela sua nuca, pela junção entre o pescoço e o ombro, e ela sentiu que a razão lhe fugia novamente.

Com um movimento suave, Fraser pôs seu joelho entre as pernas dela e penetrou-a sem qualquer preâmbulo, e ela gritou de prazer. Um dos joelhos dela estava erguido, pressionado pela perna de Fraser, enquanto ele desfrutava dela, as mãos nos quadris, puxando-a contra si num movimento de vaivém. O ritmo se acelerou, Fraser pôs-se a sussurrar o nome dela numa voz alterada, e o desejo dela crescia, fazendo-a também gemer e tentar respirar. Não demorou para que ela sentisse de novo aquela estranha explosão dentro de seu interior, o corpo estremecendo, enquanto Fraser segurava-lhe os seios por trás ao mesmo tempo que mordia-lhe o ombro para não gritar de prazer, gemendo alto. Em seguida, Linda sentiu a umidade aumentar dentro do seu corpo, e ela parecia estar exalando....

Após um longo tempo, Fraser juntou-a com os braços, e ela voltou-se para beijar-lhe o rosto - todo o rosto, seu nariz, seus olhos, todos os lugares. Ele sorriu e ela sussurrou, os olhos cheios d'água:

- Quero amar você... Você todo.... Por favor, deixe-me.... - Fraser abriu os olhos para encará-la, e ela tinha o rosto molhado, lágrimas correndo silenciosamente - Oh, eu amo você tanto...!

Por aquilo o canadense não esperava e emocionou-se, ao ver a sinceridade e gratidão nos olhos verdes que o espiavam, arregalados. Ele a confortou e lambeu-lhe as lágrimas das bochechas, o cheiro dela impregnando-lhe nas narinas. Por um tempo, Linda apenas soluçou baixinho, sem nem mais chorar, apenas choramingando. Finalmente, a respiração dela se estabilizou. Fraser quase pensou que ela dormira, quando ela de repente indagou:

- Está com fome? Posso lhe trazer algo.

- Acho que devemos dormir um pouco.

- Mas você tem dificuldade de dormir se estiver com fome, eu sei. Vou trazer algo leve, tá?

- Está bem. E um pouco de água.

- Está bem.

Linda recolheu o robe e caminhou descalça até a cozinha. Da sala de estar, olhos lupinos a encararam com adoração enquanto ela caminhava até a cozinha. Ela quase pulou tamanho o susto. Tinha se esquecido totalmente de Diefenbaker! Talvez ele estivesse com sede, como seu amo. E também a pobre criatura quisesse dormir.

Usando uma toalha velha como ninho improvisado para o lobo, Linda conseguiu um lugar quentinho na sala para Diefenbaker, e deu-lhe água numa tigela. Em seguida, ela foi à cozinha e de lá só saiu para voltar para o quarto com um jarro de água e uma tigela de frutas cortadas. A visão que ela teve ao entrar no quarto lhe causou um calafrio na espinha.

Fraser tinha adormecido, talvez exausto pela sofreguidão de seu amor. Parecia um anjo deitado na cama. Linda colocou as coisas da cozinha de cabeceira e sentou-se na cama, só para olhar para ele. Ela poderia ficar assim por meia encarnação, ouvindo a respiração tranqüila do homem que amava, os olhos fixos em seu rosto magnífico. O coração dela disparou no peito.

Como poderia um homem tão maravilhoso ter se apaixonado por ela? Além disso, ele também tinha um posto importante no Consulado Canadense. Ela era uma antiga paciente de uma instituição mental. Que casal mais estranho e improvável...

Tudo aquilo ainda era um mistério para ela, algum sonho do qual ela tinha medo de acordar. Ainda havia um bocado de coisas em que pensar. Mas o coração dela estava cantando de alegria, um sorriso vagarosamente surgia no rosto dela. A fome que ela

própria sentia ficou esquecida ao olhar para ele. Tudo o que ela reconhecia naquele momento era um paraíso que jamais conhecera em toda a sua vida. E ela jamais pensara que conheceria tampouco.

Com grande cuidado para não despertar a beleza ao seu lado, ela se deitou ao lado de Fraser, aproximando-se dele, para poder examinar os detalhes do rosto. Ela percebeu a pequena cicatriz na bochecha, e imaginou onde ele a teria conseguido. Fraser já tinha falado brevemente sobre outra cicatriz, uma no peito, causada por um episódio bizarro protagonizado por uma lontra na sua juventude. E também havia uma cicatriz nas costas. Essa sempre deixava Fraser triste, fazia Ray parar de falar e ficar com uma expressão que deixava Linda apavorada. Ela decidiu que era um assunto delicado, e que ela não queria aborrecer os seus dois melhores amigos.

Ela fechou os olhos e o sorriso cresceu ainda mais enquanto ela se lembrava como era sentir os braços de Ben em seu corpo. Tão bom...

De repente, Fraser se mexeu, assustando-a. Mas ele não acordou, embora a mão dele repousasse sobre a cintura de Linda, fazendo-a estremecer. Não era desejo, não era excitação, mas um sentimento diferente. Havia a temperatura que o corpo dele emanava - um calor que poderia aquecer a solidão e o vazio. Ela se aconchegou ao corpo dele, e ele a acolheu em seu sono, o corpo masculino cobrindo o dela como um cobertor quentinho. Ela sentia-se tão segura e protegida nos braços dele. Sem se dar conta, o sono a venceu, após um longo dia e uma longa noite cheia de emoções.

Próxima parte

Hosted by www.Geocities.ws

1