Parte 9

 

Novos começos

 

Havia definitivamente algum tipo de astral dentro do Riv naquele começo de noite. E não era bom. Nada bom, para dizer a verdade. Todos os três ocupantes do veículo mantinham-se em silêncio, o que apenas contribuía para aumentar a tensão no ar. Linda estava calada e procurava não falar. Fraser tinha uma aparência tensa, e parecia deprimido. Ray dirigia silenciosamente, depois de anunciar a má notícia de que ele estaria num trabalho disfarçado a noite toda. O trio tinha planos de jantar num restaurante, e agora tudo tinha ido por água abaixo. Fraser parecia ser o mais devastado.

Eles se aproximavam do apartamento de Linda, a primeira parada depois de um dia de trabalho. Tentando dissipar o clima, Linda disse:

- Bom, gente, não é tão rum assim. Tenho certeza de que teremos muitas oportunidades de jantar fora. Quem sabe sábado, se Ray tiver o domingo de folga.

Ray respondeu, meio desanimado:

- Eu não sei sobre a folga ainda.

A moça voltou a encolher os ombros, dizendo apenas:

- Oh.

- Chegamos, Linda - Ray encostou o carro numa vaga perto do prédio - Sã e salva.

- Ray, por que não sobe um pouco, só para tomar um café? Por favor.

- Você sabe que eu tenho que trabalhar.

- Prometo não demorar, Ray. Não vou querer que você chegue atrasado, mas você poderia relaxar um pouco antes de ir para o seu trabalho. Você parece triste.

O italiano sorriu para ela:

- Tá bom, se você insiste. Você vem, Benny?

O canadense abriu a porta do carro:

- Claro.

Linda tentou o máximo que pôde reprimir a excitação ao subir as escadas do apartamento. Então ela tirou as chaves da bolsa para abrir a porta. Dief passou a cheirar o rodapé insistentemente. Linda entrou em alerta. Foi quando a chave parecia ter prendido na fechadura. A moça chacoalhou um pouco a porta e disse, desanimada:

- Ai, não. Não quer abrir. Acho que está presa aqui. Ray, pode me ajudar, por favor?

- Claro - disse ele, tirando a elegante jaqueta italiana - Benny, segure isso, tá?

Antes que o canadense pudesse responder, a jaqueta tinha ido parar no chão. Foi o que bastou para Fraser prontamente se agachar, embaraçado:

- Ray, me desculpe. Eu jamais -

Ele jamais terminou a frase. A porta do apartamento de Linda se abriu rapidamente, as luzes foram acesas, e de dentro veio um unânime grito:

- Surpresa!

O pequeno apartamento de Linda estava totalmente decorado para uma festa de aniversário, incluindo uma faixa que atravessava a parede escrito Feliz Aniversário, Fraser. O clã Vecchio inteiro estava lá, além do pessoal do 27o. Distrito, e do corpo diplomático do Consulado Canadense, e até alguns amigos do seu antigo apartamento, o moquiço infestado de roedores e insetos na West Racine, de onde ele teve que se mudar após o prédio ter sido queimado num incêndio criminoso.

A conspiração entre Linda e Ray para organizar uma festa-surpresa no aniversário de Fraser durara semanas. Primeiro, ambos fingiram ter esquecido completamente a ocasião, mas combinaram o jantar daquela noite como faziam de vez em quando, sem nada especial. Depois pediram ao tenente Welsh que "escolhesse" Ray na última hora para um trabalho disfarçado.

O rosto de Fraser se abriu num sorriso que poderia alumiar todos os Territórios do Noroeste por pelo menos uma semana. A voz dele falhava quando ele olhou para Linda e disse, meio aparvalhado:

- Você lembrou...

Linda colocou os braços ao redor do pescoço dele e disse, com outro sorriso celestial:

- Claro, meu amor. Eu não iria esquecer. Feliz aniversário, Ben.

Ela o beijou na frente de todos, e quando os dois se deram conta disso, ficaram mais que vermelhos, mas os aplausos já estavam estrondosos. Em seguida, Linda empurrou seu amado para o seio das pessoas que o amavam, de quem ele recebeu cumprimentos e presentes. A festa foi animada e agradável, e havia gente feliz e risos, e comida, e bebida. Fraser parecia emocionado, pois não estava acostumado a essas celebrações. Mas Linda fez questão de dar uma grande festa - na verdade, a primeira festa que ela patrocinava. Ela se dedicou com afinco à tarefa de ser anfitriã de tanta gente ao mesmo tempo. Muita gente se aglomerou no pequeno apartamento, e também pelos corredores e escadas do prédio. Ela trabalhava feito uma abelhinha para garantir o conforto de todos, feliz e excitada.

Era mais ou menos meia-noite quando os convidados foram embora, porque era um dia de semana e quando a manhã chegasse, as crianças teriam escola e os adultos teriam que ir trabalhar. Linda aceitou ajuda para dar uma arrumada no apartamento, enquanto Ray levava Fraser e seus presentes para casa. O canadense agradeceu muito por tudo.

Não fazia uma hora depois disso, e Benton Fraser ainda estava admirando os presentes que ganhara (jamais tinham sido tantos!) no seu apartamento acabrunhado. Foi quando ele ouviu uma batida à porta, que fez Diefenbaker erguer as orelhas. Ficou intrigado e foi atender. Aí ficou mais intrigado ainda:

- Linda? Que está fazendo aqui?

Ela entrou, um meio sorriso no rosto baixo:

- Eu tinha que lhe dar o seu presente, Ben.

- Mas ele está aqui - ele apontou - Aquela camisa...

Ela o interrompeu, e parecia sem jeito:

- Não, aquele é da Inspetora Thatcher, não se lembra? Meu presente é outro.

- Então o que é?

Linda ficou ainda mais vermelha e fechou a porta, dizendo:

- Adivinha.

Então ela retirou da sua bolsa um pequeno objeto, que Fraser reconheceu:

- Seu presente é um gravador?

- Não, bobinho - Ela riu-se dele - Nem está embrulhado. Francesca me emprestou esse gravador.

- Por quê?

Linda não parou de sorrir (nem de enrubescer) ao responder:

- Porque eu estive praticando, mas preciso de música para lhe dar meu presente. Agora, por favor, sente-se. E também devo pedir que não me distraia, Ben. Eu não sou muito boa nisso, e se me distrair, não vai dar certo.

Fraser sentou-se como tinha sido pedido, e sentiu algo estranho no ar. Linda apertou o botão de "play" e a música começou. Era jazz. Dos mais quentes. Linda começou a dançar para ele. Não simplesmente dançar. Ela pôs-se a dançar.

O polícia montada estava de queixo caído e tentava com esforço dispersar os pensamentos que insistiam em povoar sua mente. Ele não queria pensar em Linda daquele jeito. Eles eram namorados, mas ele sempre demonstrara profundo respeito pela moça. Tudo indicava, porém, que Linda tentava atiçar precisamente aqueles pensamentos na sua mente.

O corpo dela girava, a cintura balançava em curvas impossíveis e o rosto adquiriu algumas nuances sombrias no pequeno apartamento, à medida que os movimentos dela estravam em sincronia com a música quente e sensual e seus membros ágeis e magros começaram a retirar o casaco de maneira lenta e agonizante. Em seguida, foi a vez da blusa ir parar no chão, e nesse ponto, ela estava mais próxima de Fraser. O canadense estava tendo sérios problemas para se lembrar como se respirava. Ela está fazendo um strip-tease para mim. Ai meu pai.

Não havia muita experiência em seus movimentos, mas Linda era bastante entusiasmada. Fraser não tirava os olhos dela, e ela começou a circundá-lo, acariciá-lo, o corpo dele experimentando súbitos aumentos de temperatura. Ela se preparou para desabotoar a saia escura. Ela fazia aquilo lenta, lentamente, e Fraser engoliu em seco.

A pequena peça de roupa terminou sendo balançada em frente aos seios, e ela também fez a diminuta saia passear pela pele de Fraser, antes de jogá-la para longe. E a música continuava, e Fraser olhou Linda de alto a baixo, dando-se conta de que ela estava vestida apenas com a roupa de baixo, meias pretas, salto alto e - ai meu pai - cinta-liga vermelha. A visão fez com que suas calças parecessem bem mais apertadas de repente.

Houve uma pequena aceleração na música, e Linda também dedicou-se a aumentar o seu contato com a pele de Fraser, embora jamais tivesse parado de dançar, de se mexer. Provocante, sensual e insinuante, ela deslizou no chão do pequeno apartamento até deslocar uma cadeira, sobre a qual ergueu uma perna para abrir a cinta-liga, sorrindo inocentemente para Fraser, cujas calças estava ficando muito, muito apertadas na altura dos quadris. Com um breve rebolado, a outra perna veio para a cadeira, e a outra cinta também foi parar no chão, caindo ao mesmo tempo que uma gota de suor cascateava pela fronte do canadense.

As mãos de Linda foram para as suas costas e ela jogou a cabeça para trás ao desabotoar o sutiã, depois ela se aproximou de Fraser e lhe ofereceu os seios semivestidos. O pobre canadense parecia indefeso ao sentir o sangue correndo avidamente para a região da virilha quando Linda pegou-lhe a mão e guiou-a para a alça do sutiã, primeiro uma e depois a outra, retirando-a suavemente, até que a lingerie estivesse no colo dele e os seios liberados à sua disposição. Mas antes que os dedos hesitantes dele pudessem tocar a pele alva e delicada, ela soltou uma risadinha matreira, contorcendo-se para longe dele, e dançou com os quadris, chutando para longe os salto altos. E foi quando chegou a hora de retirar as meias.

Minutos angustiantes se passaram enquanto Fraser observava as mãos dela acariciando suas próprias pernas, um toque delicado para retirar uma, depois a outra meia de seda preta. Não eram do tipo arrastão, nada vulgar. Fraser estava ficando mais rijo a cada segundo, e ele começou a duvidar se poderia agüentar aquela provocação por mais tempo. Sua respiração falhava, ele estava ficando literalmente tonto de desejo, o corpo inteiro tremendo na tentativa fútil de reprimir seus instintos.

As meias de seda preta flutuaram junto ao seu rosto, e ele teve que apertar os punhos enquanto fechava os olhos para que seu rosto pudesse sentir plenamente a carícia da seda, as narinas abrindo-se para um perfume exótico que ele sentia exalando do corpo dela. Então (e só então) ele percebeu que a música tinha acabado. Quando ele abriu os olhos, Linda parecia flutuar acima de seu rosto e ela murmurou:

- Por favor, me ajude com isso.

Os olhos dele pousaram no fecho da calcinha vermelha - um tipo exótico de lingerie que poderia ser desabotoado. Os dedos dele tremiam ao tocarem no tecido macio. De repente, a boca dele estava por toda a parte no corpo de Linda, e ele lutava para se livrar de suas próprias roupas. Fraser não se lembrava sequer de ter se mexido, mas quando viu os dois estavam na pequena cama dele, angustiados, desesperados um pelo outro. A respiração era entrecortada, alta, os movimentos rápidos, os gemidos altos, e eles sabiam que não iriam demorar muito. Fraser estava até dolorido de tão rijo, sua ereção pulsante em contato com a suave pele do estômago de Linda, que atacava o peito dele com beijos sensuais. De repente, uma umidade familiar surgiu entre os corpos deles, e Fraser gritou, tremendo como jamais tinha feito antes. Exausto, deixou-se cair na cama e Linda o recolheu em seus braços ternamente, acariciando-o quase que em adoração, enquanto ele dormia em seus braços.

Linda estava feliz. Era a primeira vez que ela tentava seduzir um homem. E aquele era o homem que ela mais amava, o homem para o qual ela faria qualquer coisa para agradar.

Um longo tempo depois, Fraser se mexeu, acordando Linda. No escuro, olhos verdes procuraram os dele. Os olhos azuis estavam cheios de amor quando ele a encarou e disse:

- Eu amo você.

Linda tremeu. Ela sempre se emocionava quando ouvia Fraser dizer que a amava.

- Eu também amo você. - Ela sussurrou - Muito. Espero que tenha gostado do presente.

Ele sorriu e disse:

- Foi... surpreendente.

- Você gostou?

- Apreciei imensamente. Você me surpreendeu. Como foi que aprendeu a fazer isso?

- Tenho praticado com uma dançarina profissional. Conheci-a no hospital. Ela ia até lá e então nós praticávamos sem ninguém saber.

- Eu pensei que a festa já tinha sido surpresa suficiente.

Linda parecia magoada:

- Você realmente achou que eu poderia me esquecer do seu aniversário, Ben?

- Não, mas você parecia disposta a esquecer tudo porque Ray não podia ir ao jantar. Aquilo doeu.

- Benton Fraser, você sabe o quanto eu amo Ray Vecchio. Mas por mais que eu ame Ray, eu jamais, e eu repito, jamais, deixaria que ele ficasse entre nós. Amo você demais para sequer arriscar que isso aconteça, Ben. Você é a minha vida. É tudo que eu tenho.

- Então você tem pensando sobre esse... presente - ele enfatizou a palavra e deu-lhe uma estranha intonação de voz - há muito tempo?

- Claro. É a primeira vez que passamos seu aniversário juntos. Eu queria que fosse especial.

- Mas nós nos conhecemos há mais tempo, então como é que esse é o primeiro... - Ele se deteve antes de completar a frase, chocado.

Linda desviou os olhos dele, porque queria esquecer o que tinha acabado de se lembrar. No último aniversário de Fraser, Linda estava afastada dele. Eles tinham sido separados por uma ordem judicial emitida por um juiz que tinha acreditado que o pai de Linda voltara após mais de 15 anos, e a quem dera custódia temporária da moça. Terminou que ela tinha sido usada, aparentemente por algum chefão da máfia local, para dar luz à uma criança que foi tirada dela logo depois de nascer. Custou ao Dr. Lennyard meses até que o efeito das drogas que tinham dado a Linda saíssem de seu corpo, drogas que a deixaram incapaz de reagir e a deixaram confusa além do que ela jamais tinha estado. Ela tinha revertido quase a um estado vegetativo, uma experiência que Fraser jamais gostaria de reviver. Nem Linda, mesmo em pensamentos e lembranças.

- Oh - disse ele - Lamento por isso.

- Tudo bem - respondeu Linda, encolhendo-se.

Tentando mudar de assunto, Fraser disse:

- Aliás, eu tenho uma pergunta. Sei que parece estranho, mas jamais descobri a data de seu aniversário. Está perto?

Linda desviou os olhos mais uma vez. E respondeu:

- Eu... não tenho aniversário.

Algo na voz dela vez Fraser estremecer, claramente percebendo que tinha atingido um nervo exposto. Linda era tão delicada, tão sensível, ele nunca sabia quando ela poderia se magoar.

- Quer falar sobre isso? - Ela meneou a cabeça e ele a abraçou longamente, beijando-lhe o topo da cabeça -Está bem. Eu só queria fazê-la feliz, não triste. Não falaremos sobre isso.

Ela ergueu a cabeça e encarou-o, os olhos verdes brilhando de lágrimas. Ao ver a dor neles, Fraser sentiu o coração apertando. Mas ela passou a gotejar pequenos beijos em seu rosto, dizendo:

- Eu amo você tanto, Ben. Você é tão bom para mim. Amo você mais do que todo o sempre.

Fraser sabia que ela estava sendo sincera.

De manhã, Linda acordou cedo, e Fraser, acordado desde o amanhecer, ficou a observá-la se mexendo ao redor da pequena cozinha, alimentando e acariciando Diefenbaker, depois preparando uma refeição para os dois. Ele estava no closet, vestindo-se para ir ao Consulado, e lembrou-se de indagar:

- Você tem aulas pela manhã hoje?

- Não, só à noite. Deixei meus livros no hospital. Não precisa ter pressa.

- Eu a levarei ao hospital, então.

- Não, Ben, obrigada, mas não precisa.

- Mas eu preciso ir até lá.

Foi o que bastou para a moça imediatamente se preocupar:

- Está doente? Por que não me disse antes? Eu poderia ter preparado uma sopa, ou algo mais substancioso. Prefere deitar mais um pouco?

Fraser sentiu o coração inchando com o amor que sentiu vindo dela, e acalmou-a:

- Não estou doente, Linda. Preciso fazer os exames regulamentares para o Consulado, e achei melhor fazê-los lá, só isso.

- Que bom. Posso ajudá-lo, então.

- Não, por favor. Eu ficaria - ele hesitou - embaraçado.

Linda olhou para ele, que parecia a ponto de corar. Ela achou aquilo adorável e beijou-o.

Eles saíram do prédio, com Diefenbaker à frente, no exato momento em que um certo conhecido Buick Riviera estava dobrando a esquina. Ray os deixou entrar e imediatamente perguntou sobre as aulas de Linda. A moça deu a mesma resposta que tinha dado a Fraser. Ray ofereceu carona para mais tarde, mas ela estava determinada a dizer que não havia necessidade. O cuidado e atenção de Fraser e Ray pelos estudos dela eram fonte eterna de emoção para Linda.

O fato, sem rodeios, era simplesmente que ambos estavam quase explodindo de orgulho desde que Linda tinha sido aceita na escola noturna. Assim ela poderia tirar o diploma de equivalência do nível médio e tentar ingressar no próximo ano escolar numa escola de enfermagem. Esse era o grande sonho dela, um que ela tinha há anos e jamais imaginaria conquistar antes de conhecer Ben e Ray. Da mesma forma que eles estavam orgulhosos dela, Linda era grata aos dois. Era por isso que havia longas sessões de estudo em todos os finais de semana de folga que ela tinha. Ela não admitiria ser qualquer coisa além da melhor estudante de toda a classe. Claro, o Dr. Lennyard também a fizera prometer dedicação total porque ela ainda fazia parte do projeto revolucionário na área de saúde mental.

A escola estava provando ser uma experiência altamente benéfica para Linda. O psiquiatra notou que ela tinha mudado em sua relação às pessoas: estava mais confiante, mais natural. Enquanto ela se concentrava nas matérias, ela naturalmente desenvolvia talentos sociais e aprofundava o relacionamento com Fraser. A vida dela estava tomando direção e propósito. Tornar-se enfermeira era importante para ela. Enfermeiras tinham sido, no passado de Linda, as únicas pessoas que a tinham ajudado quando todos os outros imaginavam que ela era uma paciente mental sem qualquer chance de recuperação.

Linda também era muito popular entre as colegas. Era bem verdade que o fato de Fraser vir apanhá-la ao final das aulas a tornou ainda mais popular entre as moças, mas ela também fez amizades. Uma delas era uma moça muito simpática chamada Martha. Ela era praticamente a melhor amiga de Linda. As duas se relacionaram muito bem, e Fraser estava feliz em ver sua namorada fazendo novos amigos.

- Oi, Fraser. - A franja da moça foi jogada para trás da orelha e ela agarrou os cadernos junto ao corpo.

- Olá, Martha. - Ele sorriu polidamente. - Linda ainda está na sala?

- Ela está fazendo uma pergunta para o professor de matemática. Ela é muito dedicada.

- Sim, ela é mesmo. Precisa de carona?

- Não, obrigada. Preciso ir agora. Minha irmã está me esperando. Até amanhã.

- Boa noite.

Linda saiu da sala de aula e arregalou os olhos:

- Ben! Eu não esperava você essa noite.

- Eu terminei mais cedo e pensei em levá-la até sua casa. Caminhar um pouco.

Ela sorriu e beijou-o antes de dizer:

- Você é tão atencioso, Ben.

De trás dos dois, havia risinhos das outras moças, e Linda corou, puxando Ben para as escadas e de lá para a rua, antes que houvesse provocações das colegas. Os dois caminharam abraçados no ar frio da noite de Chicago, em pleno fim de outono, e Linda convidou:

- Não quer entrar? Quer... tomar um café?

- Melhor não - ele disse - Você e eu precisamos de sono. Se eu entrar para um café, você sabe o que vai acontecer.

Linda enrubesceu até ficar cor de rosa e disse:

- Tem razão. Acho que tem trabalhado demais, Ben. Não quero vê-lo cansado.

- Adoro o jeito como toma conta de mim.

Eles se abraçaram, e após um longo beijo despediram-se. Fraser observou-a entrar no prédio e sorriu. O plano dele, que já tinha incluído uma visita ao hospital e também à antiga instituição onde Linda estivera internada, estava mais perfeito que um relógio.

* * *

Linda começou a ficar bem intrigada com o comportamento de Fraser nos dias que se seguiram à festa de aniversário. Ela podia ser uma paciente mental (não-hospitalizada, como o seu psiquiatra, Dr. Lennyard, gostava de enfatizar sempre que podia), mas ela não era imbecil. Fraser estava aprontando alguma coisa. Não demorou para que ela descobrisse o que era. Mas isso tinha vindo de uma fonte totalmente inesperada: o Dr. Lennyard.

- Linda, quero lhe fazer uma pergunta simples. Sabe me dizer quando nasceu?

Ela arregalou os olhos, depois desviou o olhar:

- Não, senhor.

- Não sabe quando nasceu?

- Não, doutor, eu não sei.

- Pode me explicar?

A moça parecia bem desconfortável.

- Bom, acontece que quando me entregaram para o Estado, houve uma grande confusão com meus papéis. Muita coisa tinha sido perdida ou destruída por meu pai durante suas... crises. Então, no orfanato, eles usavam a data que eu tinha dado entrada como minha data de nascimento. Depois, quando fui levada para a instituição mental, a data foi aquela que eles tinham adotado. Mas não é meu verdadeiro aniversário. Acho que... - Ela quase engasgou, lágrimas nos olhos - ninguém pode dizer que dia eu nasci de verdade.

- Isso é muito incomum. Todo mundo tem um aniversário.

Linda abaixou a cabeça, uma lágrima caindo:

- Bom, eu não.

- E isso a deixa infeliz, não é? - Ela concordou. O psiquiatra suspirou e mudou de assunto: - Falando em aniversário, soube que recentemente você deu uma festa de aniversário para seu namorado. Ele gostou?

- Sim, ele disse que sim - Depois ela se lembrou do "presente" que tinha preparado e corou - Ele disse que sim.

- Que bom. Gostaria que alguém fizesse uma festa assim para você?

Linda achou estranho:

- Mas eu não tenho aniversário. Como poderiam fazer uma festa sem ter uma data?

Dr. Lennyard sugeriu:

- Podia adotar a data que o Estado lhe deu. Não deixa de ser um marco pessoal. Todo mundo tem que ter um, Linda, e você mesma acabou de dizer que talvez ninguém possa saber o dia em que você realmente nasceu. Mas encare dessa maneira: com seu pai, você morreria logo. Portanto, o dia em que você foi entregue ao Estado pode ter sido o dia em que você começou a viver. O que você acha?

Ela pensou, pensou arduamente e depois cedeu:

- Pode ter razão.

O médico escarafunchou alguns dos papéis em cima de sua mesa e disse:

- Nesse caso, vou lhe pedir que vá com Mildred tratar disso agora mesmo. - Ele acionou o interfone - Mildred, pode levar Linda agora.

- Sim, doutor.

Linda não entendeu.

- Perdão?

- Minha secretária vai levá-la agora para tratar disso. Estarei lá num minuto, Linda. Só preciso terminar algumas coisinhas. Acredite, eu quero muito ir.

A porta se abriu e Linda olhou para Mildred, que sorria para ela:

- Vamos, Linda?

Linda ainda não entendia direito do que se tratava, mas obedeceu sem discutir, seguindo Mildred pelos corredores do conhecido hospital. Portanto, ela reconheceu o lugar para onde estava sendo levada, e avisou:

- Mildred, estamos indo para o lugar errado.

- Não, Linda, está tudo bem.

- Ali é a ala das enfermeiras. Não tenho permissão de entrar ali.

A secretária sorriu:

- Acredite, Linda, hoje você pode. Venha, não tenha medo.

Medo Linda não teve, mas experimentou muitas outras emoções ao entrar na sala toda decorada como uma festa de aniversário, não muito diferente do que ela mesma tinha feito para Fraser poucas semanas antes. Além das colegas de hospital, havia membros da família Vecchio e um sorridente Fraser. Mildred explicou a Linda, mostrando o papel que o Dr. Lennyard lhe dera:

- Essa é a data de seu aniversário. Estamos comemorando hoje. Feliz aniversário, Linda.

Linda olhou o papel, depois olhou para ele, depois para o papel de novo e finalmente disse:

- Mas foi no mês passado.

A secretária disse:

- Essa é a parte mais divertida. Quando descobrimos a data do aniversário, ninguém quis esperar um ano para fazer a festa. Então, combinamos para o mesmo dia, só que com um mês de atraso. Espero que não se importe. Vamos, todos querem lhe dar os parabéns.

Linda tinha ido a algumas festas antes, mas nunca tinha tido a sua. Viu-se cercada de gente, recebendo abraços, beijos, presentes. Então é isso que é uma festa de aniversário quando a gente é homenageado..., pensou Linda. Era uma sensação totalmente nova para ela, ela tinha que admitir. Quando Fraser se aproximou, ela indagou:

- Ben, foi você quem fez isso?

- Oh, bem, eu só...na verdade, eu apenas...

Ela não o deixou terminar, lançando-se em seus braços e beijando-o. Depois pôde apenas sussurrar:

- Amo você...mais que todo o sempre.

- Amo você também. Para sempre.

Eles ficaram abraçados em meio à festa em pleno hospital, Linda quase estourando de felicidade e Fraser sentindo o coração se aquecer ao reconhecer os olhos verdes brilhando de amor e alegria. Ele sabia que queria fazer Linda genuinamente feliz por toda a sua vida.

Foi então que outro plano começou a desenhar na sua mente canadense sempre alerta.

* * *

Durante alguns dias, Linda imaginou que o comportamento de Ben fosse voltar ao normal. Afinal, o mistério que cercara a festa o tinha feito agir estranho durante semanas, mas agora tudo tinha sido esclarecido, certo?

Errado.

De repente, o namorado canadense começou a indagar coisas a respeito da vida dela que ela jamais imaginou que ele podia estar interessado.

- Mas é um bom negócio - disse Fraser naquela noite, enquanto eles jantavam na cafeteria recomendada por Ray com o italiano - Seu aluguel é muito menor do que o que pago pelo meu apartamento.

Ray brincou:

- Claro, você mora numa cobertura - Fraser lançou um olhar que dizia claramente "Vai começar de novo?", e o italiano prontamente passou a se defender - Mas aquilo lá é uma ratoeira, Fraser, você tem que admitir que é.

O canadense deu de ombros e anunciou:

- Por isso é que estou pensando em me mudar.

Pela primeira vez naquela noite, Ray estava com a boca aberta mas não estava falando. Linda também estava tomada pela surpresa:

- Verdade? Pensei que gostasse daquele lugar. Você sempre o defendeu quando Ray o chama de lixeira, ratoeira e esses outros nomes.

Fraser explicou:

- Diefenbaker gosta do bairro. Além disso, tenho bons vizinhos Mas... acho que mudar vai ser bom - Ele rapidamente lançou outro olhar para Ray antes mesmo que o italiano tivesse chance de reclamar. Desta vez, Ray recuou. Fraser voltou-se para Linda - O que diz?

Ela foi sincera:

- Se você não está se sentindo bem ali, recomendo que se mude de lá o quanto antes. Tem algum outro lugar em mente para ser seu novo bairro?

- Na verdade, eu estava pensando em algo perto da sua área. Mas perto do Consulado, também.

Ray parecia animado:

- Ei, isso seria perto da minha casa também.

- Parece bom para todo mundo - Linda sorriu e brincou - Agora você vai ter que se mudar.

Fraser disse, parecendo preocupado:

- Sim, mas ainda tem outras coisas que eu preciso decidir primeiro. Eu não tenho muita certeza ainda.

Linda se ofereceu:

- Posso ajudar?

Fraser deu um daqueles sorrisos de meio milhão de dólares (canadenses):

- Na verdade, pode - Ray recebeu outro olhar de advertência e dessa vez ele nem sabia por quê - Linda, o que diria se que dissesse que eu gostaria ficar com você?

Ela nem pensou duas vezes:

- Claro que você seria bem-vindo, Ben. Você e Diefenbaker podem ficar no meu apartamento o tempo que quiserem até encontrarem um novo lugar para morar. Bom, vocês sabem que não tem muito espaço lá, mas tenho certeza que poderemos dar um jeito nisso.

Ray olhou para Fraser, mostrando que entendeu por que deveria se calar, e até ficou feliz. Fraser virou-se para Linda e pegou a mão dela, para dizer, calma e pacientemente:

- Não, Linda, você não entendeu. Estou dizendo que gostaria que morássemos juntos, num apartamento novo.

Linda o encarou, intrigada, sem ter certeza de tinha entendido o que ele estava dizendo:

- O que quer dizer, morar juntos, eu e você? Isso seria...

Fraser sequer deixou que ela terminasse:

- ... temporário, até que nós decidíssemos nos casar.

Num gesto abrupto, Ray derrubou a garrafa de cerveja, mas conseguiu apanhá-la antes que o líquido derramasse na mesa. A comoção capturou a atenção de Linda por um segundo, mas em seguida ela abaixou a cabeça, evitando olhar diretamente para Fraser. Ela não sorria. O coração do canadense pareceu afundar para dentro do peito.

Oh, não. Eu a assustei.

Os pensamentos de Linda corriam dentro de sua mente, e tudo o que ela podia pensar era numa pergunta:

- Por quê?

- Eu amo você, Linda. - Ele não parou de segurar as mãos dela, e a essa altura, beijou-as - Eu a amo mais do que qualquer pessoa que eu conheci. Já não posso mais pensar em viver sem você, então acho que esse é o passo lógico a ser tomado. Gostaria de saber se você também sente isso.

Ray começou a se sentir deslocado e tentou dizer:

- Bom, é melhor eu deixar vocês discutirem isso em paz, sossegados.

Foi Linda quem disse:

- Não, Ray, por favor. Você é bem-vindo para ficar se quiser. A menos que Ben não queira.

- Claro que não. Ray é meu melhor amigo. Não, Ray é bem mais do que isso, e eu posso falar de qualquer coisa com ele. Mas esse suspense está me matando, Linda. O que me diz?

Ela ainda tinha a cabeça baixa quando confessou:

- Estou bastante surpresa, Ben. Isso foi... inesperado.

Fraser tentou controlar sua exasperação e disse, procurando manter a voz suave:

- Se você não acha uma boa idéia, podemos esquecer tudo. Não quero aborrecê-la. Desculpe, Linda.

Ao ouvir essas palavras, Linda subitamente ergueu a cabeça e olhou diretamente para ele. Fraser sustentou o olhar e pensou que fosse derreter, tamanho amor que viu nos olhos verdes da moça. Tentando manter a voz firme, ela respondeu:

- Não, eu acho uma boa idéia. Eu fico muito honrada por me convidar, Ben. Não é que eu não queira morar com você, puxa. Isso para mim seria, sei lá, o paraíso. É só que não sei se estou pronta para isso. Não quero que você termine infeliz ou magoado de qualquer jeito, especialmente por minha causa. Também preciso consultar o Dr. Lennyard sobre isso, você sabe.

- Precisa da permissão dele? - Ray ficou espantado - Não sabia que ele controlava sua vida.

- Ele é meu tutor legal, Ray. Tenho responsabilidades para com ele.

Fraser prometeu:

- Eu também tenho que falar com ele sobre isso, Linda. Já tinha planejado fazer isso antes, mas primeiro precisava saber a sua reação.

- Tenho tanto medo de magoar você, Ben - ela disse, apertando a mão dele, de modo terno. - Eu jamais me perdoaria. Devo tanto a você. Só posso pedir que seja paciente comigo. Como sempre tem sido.

Menos ansioso, ele tentou acalmá-la:

- Mas não precisa me responder agora. Também não é como se isso fosse acontecer amanhã. Vamos aos poucos. Quem sabe podemos olhar os apartamentos juntos? Eu me mudaria, e depois você iria para lá, quando quisesse. Que tal?

Linda sorriu, embaraçada, e abaixou a cabeça, de modo recatado:

- Parece uma excelente idéia, Ben. - Ela tocou a mão dele de modo delicado - Amo você. Mais que todo o sempre.

Ele suspirou, aliviado e disse:

- Eu também amo você. E agora posso respirar de novo. Por um momento, achei que você ia dizer não.

Ray completou, com lágrimas nos olhos:

- E eu acho que vocês dois vão me deixar diabético! Isso é tão doce!...

Linda não resistiu e o abraçou:

- Oh, Ray!... Você é o nosso melhor amigo!

Fraser agregou:

- E certamente será nosso padrinho.

O italiano arregalou os olhos:

- Mesmo? Puxa, eu nunca fui padrinho de ninguém antes.

- Mas temos muito tempo para pensar nisso mais tarde, Ray - disse Fraser. - Em primeiro lugar, Linda ainda não disse sim. Por que não vemos como as coisas andam?

Linda disse:

- É uma boa idéia. Temos que conversar mais a respeito.

- Ótimo - disse Fraser - Eu posso fazer isso. E esperar também. Sabe que eu esperaria por você, Linda.

E ele a beijou, e Ray sentiu um nó na garganta quando viu a mancha de tomate nos lábios de Linda, a mesma nos de Fraser. Mas nada daquilo importava ao feliz casal e seu futuro padrinho. Mesmo o modo como Linda respondera implicara uma aceitação da proposta. Linda apenas precisava de tempo para se acostumar à idéia.

* * *

Propulsionada pelos Vecchios, a idéia de Fraser logo tomou a forma de um fim de semana dedicado à busca de um novo apartamento para o casal. Ray e Francesca insistiram em ir junto. Linda ainda pensava que Frannie estava com raiva dela por estar saindo com Fraser, a quem Frannie assediara durante anos. Se esse era o caso, a italiana jamais demonstrou. Ao contrário, ela tratava Linda e Fraser como irmãos.

Como qualquer italiano de boa estirpe, Frannie tinha um jeito muito peculiar de demonstrar esse amor fraternal - tagarelando:

- Ali - Frannie apontou para a frente - tem uma excelente cozinha. Você vai querer uma boa cozinha, Linda, acredite em mim.

A moça disse, olhando em volta do apartamento vazio:

- Sim, claro. Mas o lugar parece muito caro.

- Não se você puser o seu salário e o de Fraser combinados. Tem certeza de que não querer ver nada mais ao Norte? Os preços são melhores por lá. Bom, na verdade, vocês conseguiriam um apartamento melhor pelo preço que estão dispostos a pagar por um nessa área.

- Sim, mas precisamos ficar perto do hospital e do consulado. Ou pelo menos perto de uma estação do El.

- Benton - Francesca era praticamente a única pessoa que o chamava assim -, não tem planos de comprar um carro?

Ele estava embaraçado:

- Bem, eu... Na verdade....

Ela explicou:

- É que se você comprasse um carro você poderia deixar o carro com Linda e ir para o Consulado a pé. Assim vocês poderiam olhar os apartamentos mais ao norte. Com o transporte assegurado...

- Eu não sei dirigir, Frannie - lembrou Linda - Então não haveria mesmo muita necessidade de um carro tão imediatamente.

- Pode ter aulas de direção.

Antes que Linda explicasse a Frannie sobre sua condição de tutelada do Estado, e, portanto incapaz de ter responsabilidade para ter uma licença de motorista, Ray se impacientou:

- Frannie, não pode parar de se meter nem por um minuto? Eles estão tentando decidir uma coisa a cada vez, por São Genaro!

Ela não se deu por vencida:

- Pelo menos eu estou tentando ajudar. O que você está fazendo por eles, sabichão?

- Tentando não ser uma fonte de irritação. Eles sequer puderam decidir se querem um lugar com um ou dois quartos, com sua matraca aberta.

- É claro que eles querem no mínimo dois. Talvez até três!

Ray olhou para o teto, buscando lá alguma paciência extra:

- Eles não precisam de três quartos, Frannie. São só eles dois e o lobo!

- Agora, né, Ray? Mas você sabe, as famílias... bom, elas crescem.

- Mas você quer embaraçá-los aqui na frente de todo mundo?

- Ai, que coisa! - Ela ergueu as mãos para o céu, depois colocou-as na cintura - Quer parar de me dizer como agir?!

Linda e Ben assistiam ao diálogo por um tempo, atentos à discussão entre os dois irmãos. Mais tarde, os dois diriam que é uma coisa italiana. Verdadeiros Vecchios, ora se eram.

De repente, Linda se virou para Fraser e indagou, insegura:

- Ben, acha mesmo que vão ser necessários dois quartos? Existe uma diferença de preço, e eu não tenho certeza de que temos tanta coisa assim.

- É sábio prever circunstâncias - lembrou Fraser, pacientemente - E se alguém quiser passar a noite lá? Tipo Ray, ou a mãe dele? Além disso, os preços não variam tanto assim de apartamentos de um quarto para apartamentos com dois quartos. Não nesse bairro. Mas pense: um quarto de hóspedes seria bem pensado.

- Eu não tinha imaginado isso - Ela admitiu - Mas Dief vai dormir no nosso quarto, não vai?

Fraser teve que rir:

- Se ele quiser.

Ela pensou um pouco:

- É, talvez dois quartos seja mesmo uma boa idéia, afinal. Você também pode guardar o baú de seu pai lá dentro.

- Viu, você já está até pensando no que fazer com o espaço.

Linda sorriu:

- Você é mesmo muito esperto, senhor Constable.

Fraser a abraçou, também sorrindo:

- Não, a senhora é que é.

O casal estava tão distraído com sua própria conversa que nem se deu conta de que o barulhento diálogo entre os dois irmãos italianos tinha terminado e que os dois agora estavam encarando-os com sorrisos tolos nos rostos. Fraser sentiu algo no ar e indagou:

- Alguma coisa errada?

- Não, nada - respondeu Ray, um sorriso como só ele sabia dar - Na verdade, tudo está indo exatamente como deveria ser. Estou muito feliz por vocês dois.

Frannie disse:

- Eu também, Ray, mas ainda temos mais dois apartamentos para ver e Ma está nos esperando para o jantar. Portanto, vamos em frente.

Jornal na mão, o quarteto passou o dia vendo imóveis. À noite, todos se reuniram à mesa dos Vecchio. Ma tinha preparado uma lasanha especial, e perguntou muito sobre o progresso do dia. Linda respondeu pacientemente às perguntas, mas sabia que não conseguia esconder a emoção pela demonstração de carinho dos Vecchio. Ela jamais se sentira tão aceita no seio de uma família. Na verdade, aquela era a primeira família da qual se lembrava.

Isso, claro, foi cerca de nove semanas antes de que tudo se resolvesse. Com tanta ajuda, Fraser não demorou a encontrar um apartamento adequado. Fez questão de que Linda participasse da escolha, e depois de tudo acertado, rapidamente foi para lá com Diefenbaker. Era um daqueles apartamentos térreos na parte antiga da cidade, num prédio de apenas sete apartamentos, um pouco menos do que um sobrado, mas com peças grandes e uma lavanderia subterrânea. Haveria chance de ter plantas na janela, se Linda quisesse. Ainda havia alguns pequenos consertos a fazer dentro da casa, e Fraser encarregou-se de fazê-los pessoalmente, enquanto Linda se preparava para a mudança. Ela tinha detalhes legais a acertar com o Dr. Lennyard.

O novo lar de Fraser certamente não era um cortiço, mas padecia do mesmo mal que o apartamento anterior: falta de móveis. A iminente chegada de Linda provavelmente em nada mudaria, porque a moça morava num apartamento mobiliado. Nenhum dos dois tinha muitos pertences. Aliás, era um casal em que Fraser era o mais "abastado", por ter pelo menos o velho baú onde guardava as coisas do falecido Robert Fraser. Frannie conseguiu organizar um improvisado chá de panela, para que Linda e Fraser tivessem pelo menos utensílios de cozinha na sua nova casa.

Finalmente o grande dia chegou. Linda arrumou suas coisas, despediu-se longamente da senhoria, e pediu que ela viesse visitá-la na casa nova. A mulher mais velha a abraçou com carinho, disse que ela era quase como uma filha e que ela estava muito orgulhosa não só de Linda em si mas também por ela ter conseguido um companheiro maravilhoso como Fraser. A moça enrubesceu, e achou que a reação tinha sido bem melhor do que a de Mama Vecchio.

A mãe de Ray tinha um enorme coração. Italiano, católico, apostólico e romano. Inicialmente, ela se mostrara feliz com a decisão de Fraser e Linda e aceitou o convite para ir visitá-los, mas uns dias mais tarde, ela chamou Linda para conversar francamente. Falando como se fosse uma mãe com sua filha, a italiana tinha alertado a moça sobre a importância do passo que ia dar, que era como um casamento, mas que na verdade, era viver em pecado, e que ela não poderia por seus pés numa casa assim. Linda tentou explicar que o Dr. Lennyard era quem poderia decidir sobre um eventual casamento dela. Mas como toda mãe, Ma Vecchio tinha deixado claro para Linda que essa era a opinião dela, embora ela não deixasse de amar nem Fraser nem Linda pelo que estavam prestes a fazer.

Ma Vecchio tentou uma conversa semelhante com Fraser, mas desta vez Ray a interceptou antes que ela sutilmente implantasse culpa no canadense. Ray discutiu com sua mãe, e como toda discussão italiana, houve gritos, acusações voando, depois lágrimas, abraços e perdão. A comoção toda não durou mais do que três dias, e não houve grandes seqüelas, depois que Ray fez sua mãe prometer ir visitar o casal.

Quando Ray estacionou o Riv naquele sábado de manhã, Linda olhou sua nova casa e sentiu um aperto na garganta. Do que ela poderia estar com medo? Fraser jamais a magoaria, e ela contava que ele gentilmente a ensinaria a viver com alguém. Então ela só poderia estar com medo de falhar e magoar Fraser. Conscientemente ela sabia que jamais faria qualquer coisa para magoar a pessoa a quem mais amava na vida. Mas sem querer...

Ray sentiu os olhos verdes cintilando ao olhar a entrada do prédio e disse, sorrindo:

- Venha, Linda. Benny está esperando.

Ela olhou para ele e segurou-o pelo braço, ainda incapaz de dar um passo:

- Ray. Essa é minha casa.

- Sim, Linda. - Ele parou, colocou a mala dela no chão e apontou para o prédio. - Ali é sua janela. Você e Fraser a escolheram para ser sua casa. O que a fascina tanto?

Ela suspirou:

- É que essa é a primeira coisa realmente minha, Ray. O apartamento antigo foi escolhido pelo Dr. Lennyard, o emprego também. Eu não sei muito sobre a vida, Ray. Não posso ter muitas coisas minhas porque sou tutelada. Então, ter a minha casa...é...muito... importante.

O italiano sorriu com os olhos:

- E você tem todo o direito de ficar muito orgulhosa, Linda. Todos que a conhecem sabem que você sempre deu duro pelo que queria. Nada foi fácil para você. Agora pode-se dar ao direito de desfrutar o que conseguiu.

Linda estava com os olhos ainda mais verdes de lágrimas, e num impulso beijou-lhe a bochecha.

- Amo você, Ray.

- Eu também, Linda. Mas é melhor entrarmos, porque acho que tem um canadense bastante ansioso ali dentro esperando por nós.

Os dois entraram, mãos dadas. Fraser os esperava de porta aberta, Dief balançando o rabo. O sorriso dele iluminava todo o corredor térreo.

- Bem-vinda a sua casa, Linda.

Ela enrubesceu e abraçou-o, sem saber de onde teve voz para responder:

- Obrigada, Ben. Estou muito feliz.

- Está em casa agora.

Eles se beijaram, e Ray sorriu, para depois dizer, pondo a mala de Linda no chão:

- Bom, se não precisam mais de mim, agora tenho que voltar para casa. Prometi a mamãe que eu consertaria a torneira da cozinha.

- Obrigada pela carona, Ray - Linda se esticou para beijar-lhe a bochecha. - E por tudo mais.

- Não tem de quê. Ei, vocês querem sair mais tarde e comemorar num restaurante? Sabe, celebrar.

Fraser disse:

- Talvez amanhã, Ray. Linda deve ficar hoje o dia todo arrumando suas coisas e pode ficar cansada. Não quero estressá-la.

- Eu entendo - assentiu - Amanhã, então.

Linda prometeu:

- Então eu vou cozinhar. Se vamos celebrar nossa casa nova, deve ser feito aqui, não num restaurante.

- Isso - O italiano sorriu - Se precisarem de mim, sabem onde estou.

- Obrigado de novo, Ray - Fraser sorriu para o amigo, gratidão estampada nos dentes alvos.

Ray foi despachado de maneira gentil e decisiva, e então Fraser levou a mala de Linda para o quarto, dizendo:

- Eu deixei livre uma parte do closet para você. Mas se precisar de mais espaço, basta levar os uniformes de gala vermelhos para o outro quarto.

- Eu não uso tanto espaço assim.

- Bom, você tinha um quarto só para si.

Ela sorriu, tímida:

- Do jeito que fala, faz parecer um quarto enorme, Ben. Sabe que não era assim.

- Ao menos, agora você pode usar uma cama maior. Francamente, eu estou muito grato por isso.

Linda corou e pôs os olhos ao chão, recatada, enquanto Fraser colocava a mala em cima da cama. Então ele colocou as mãos dela entre as suas e indagou:

- Precisa de ajuda para desfazer as malas?

- Na verdade, não, obrigada. - Ela começou a abrir o grande volume. - Então, se tiver algo para fazer, não quero atrapalhar.

- Ótimo. Eu tenho mesmo algo para fazer. - Linda observou quando ele se sentou à cama, olhando-a abrir a mala. - Quero olhar você guardando sua lingerie.

O rosto de Linda ficou rosa e ela exclamou, escandalizada:

- Ben...!

Ele sorriu de modo inocente, parecendo ter 10 anos, olhos brilhando:

- Tenho esperado por isso.

- Para ver minha lingerie?

- Não só por isso - Ele sorriu de novo, e desta vez era um daqueles sorrisos de tirar o fôlego, como só Fraser podia dar, e só para os mais afortunados - Para ficar assim, de maneira íntima com você. Estou muito feliz.

- Eu também estou feliz - Ela sorriu e se curvou para beijá-lo - Mas é melhor eu começar a guardar isso, ou nunca terminarei.

- Está bem - Ele suspirou e se levantou - Então não vou atrapalhá-la. Vou fazer almoço para nós.

- Não precisa fazer isso. Posso fazer mais tarde, Ben.

- É que eu já comecei. É um almoço de boas vindas, e eu quero fazer algo especial. Uma surpresa.

Ela sorriu:

- Mal posso esperar.

- Então é melhor começar. Quanto mais cedo começar, mais cedo vai terminar.

- Certo.

Linda começou a retirar suas roupas da mala e encontrou ajuda em ninguém menos do que Diefenbaker. O lobo parecia chateado com Fraser, que o tinha expulsado sem a mínima cerimônia da cozinha. A ajuda lupina limitava-se a apoio moral, claro, mas Linda agradecia por ela. Ela estava começando realmente a ficar com medo de tudo aquilo. E se ela falhasse com Ben? Ela não queria desapontá-lo nem com as coisas mais corriqueiras como cuidados com a casa.

Ela já tinha arrumado toda a mala e estava no banheiro, ajeitando a perfumaria, quando Ben entrou e indagou:

- Como está indo?

- Quase pronta - ela indagou - E o almoço?

- Também quase pronto. Estamos indo muito bem.

Ela sorriu, depois indagou:

- Será que dá tempo de eu tomar um banho? Não quero comer me sentindo suja.

- Claro que o almoço pode esperar. - Ele chegou perto dela, por trás. - Mas eu não posso esperar.

Linda sentiu as mãos quadradas dele serpenteando em sua cintura, puxando-a para perto dele, e sentiu algo derretendo dentro de si. Ela fechou os olhos, deixou o shampoo que segurava cair das suas mãos. Fraser afastou o cabelo dela dos ombros, para que pudesse encher o lado direito de seu pescoço de tenros beijos, fazendo-a estremecer ligeiramente, e as mãos dela foram para os braços dele, para sentir a pele quente dele sob a dela. As mãos dele entraram dentro da camiseta que ela vestia, roçando na pele delicada da barriga dela. Então ele sussurrou no ouvido dela, enquanto tentava mordiscar o lóbulo de sua orelha:

- Sabe... Também começo a me sentir um pouco sujo... Importa-se se eu... me juntar a você?

As palavras dele e a voz rouca com que as pronunciou enviaram uma carga de energia direto à virilha dela, e ela mal podia falar:

- O chuveiro... é grande o suficiente para nós dois?

As mordidas atrás da orelha não pararam:

- Podemos... dar um jeito...

Linda estremeceu e acariciou os braços dele com sua unhas, tremendo:

- Claro que podemos...

As mãos dele encontraram a bainha da camiseta e puxaram a roupa para cima, os braços dela subiram no ar, olhos ainda fechados, saboreando as sensações. Fraser olhou para o rosto excitado de Linda pelo espelho em frente aos dois e sentiu-se ainda mais rijo só com a visão. Ele abriu o sutiã dela e a deixou nua da cintura para cima, os mamilos duros, os quadris dela se movendo na direção da virilha dele.

Linda virou-se e cobriu os lábios dele com os seus, as mãos dela puxando a camisa dele, tirando para fora dos jeans dele. A língua dela fazia acrobacias dentro da boca de Fraser, as mãos dela desfazendo o cinto dele, abrindo-lhe as calças. Fraser fez sua mão escorregar pelas costas dela e penetrar nas calças dela, agarrando as nádegas por baixo da calcinha.

Foi uma operação estranha e delicada, mas eles conseguiram jamais separar os lábios enquanto se despiam no pequeno banheiro. Mas precisavam se separar, o que fizeram relutantemente. Linda chutou as roupas aos seus pés e ajoelhou-se em frente a Fraser, a ereção dele encostando na bochecha dela. Ela olhou para cima, viu a expectativa no rosto dele quando seus olhos se encontraram, e o sangue dela cantou em suas veias. As mãos dela acariciaram as coxas grossas dele, depois o interior delas, enquanto a boca dela enchia a pele pálida de pequenos beijos cheios de reverência. Fraser sentiu os joelhos falhando quando os lábios dela tocaram os pequenos globos e as mãos delas acariciaram o seu traseiro rígido. As sensações que Linda o fazia sentir o fizeram duvidar de sua sanidade.

As mãos dele agora estavam no cabelo sedoso dela, os olhos dele estavam fechados, e a língua dela estava envolvendo a sua masculinidade numa carícia doce, sensual e lânguida. Ela abocanhou-o por inteiro durante um instante, mas Fraser estava tão inchado que ela teve medo de engasgar, e pôs-se a usar a língua para atacar a ponta rosada do pênis dele. Ele sibilou de prazer, excitado, mas não queria terminar tão rápido.

Repentinamente, Fraser a deteve, tomou-a em seus braços, agarrou-lhe as coxas com os braços e ergueu-a no ar para que pudesse enfiar o rosto entre seus seios e mordiscá-los apropriadamente. Linda soltou um grito diante da impetuosidade dos movimentos dele, e usou suas mãos para guiar a cabeça dele para o peito dela, e naturalmente ela colocou suas pernas ao redor da cintura dele para prolongar o contato dos lábios dele em seus seios, para então enganchar os braços nos ombros dele, a fim de se sustentar totalmente no ar.

A boca de Fraser viajou para cima, para o pescoço de Linda, e ele requebrou a cintura, procurando guiar a sua inchada virilidade para a entrada dela. Sentindo a masculinidade dele cada vez maior perto de seu centro úmido, Linda gemeu e trancou os tornozelos nas costas dele, usando os quadris para ajudar Fraser a entrar dentro de si.

Quando Fraser conseguiu juntar os dois corpos num só com os dois de pé no banheiro, ele grunhiu em triunfo, e Linda soltou um grito de prazer. Cabia a ela se mover para trazê-lo ainda mais dentro de si, e ela sentiu que ele ficava ainda mais inchado dentro de seu ventre. Ela enterrou a cabeça nos ombros dele, segurando-se apenas à sua paixão, o fogo crescendo em suas entranhas. Fraser estava perdido no movimento de quadris, ganhando mais e mais acesso ao interior dela, cavalgando-a de modo selvagem e jogando a cabeça para trás em êxtase.

A intensidade do orgasmo dos dois não foi inesperada - nem parecida com nada que já tivessem sentido. Linda viu estrelas, sentiu seu corpo sacudindo em espasmos dentro de Fraser, e os espasmos dele foram tão fortes que ela não pôde dizer de quem eram os tremores que sacudiam os corpos unidos. Mas puderam sentir o fogo líquido em erupção de seus corpos, os sucos corriam tão livremente quanto a exclamação que suas bocas não conseguiam fazer.

Estranhamente, nem Linda nem Fraser puderam cair no chão, como supunham. Ela o desmontou, pernas trêmulas feito geléia, e encostou-se com as costas na parede, ofegante. Ela viu Fraser agarrar a pia com ambas as mãos, cabeça afundada entre ombros pálidos, tentando recuperar o fôlego. Linda o observou até que sua respiração voltasse ao normal, e quando ele ergueu a cabeça. A expressão no rosto dele quando seus olhos se encontraram simplesmente não tinha preço: bochechas rosadas, olhos azuis de doer e um sorriso capaz de fazer mulheres matar.

- Creio que agora o banho é imperativo - disse, com um meio sorriso - Para os dois.

Ela abraçou o corpo nu dele e concordou:

- Venha. Eu o lavarei.

Foram para o chuveiro e Linda cumpriu a promessa de lavá-lo meticulosamente. Sob a água, os corpos escorregadios estavam mais do que prontos para novas carícias, e eles simplesmente se acariciaram, sentindo o corpo um do outro, embriagando-se no aroma delicado do sabonete que Linda acabara de trazer. Fraser se enxaguava e disse:

- Adoro esse seu cheiro.

- É só sabonete - disse ela, alegremente - Tem sabonete no Canadá, não tem?

- Eu não saberia com certeza - Fraser deu de ombros - Não chegava com freqüência no Yukon.

Linda virou-se do chuveiro e o encarou, de olhos arregalados:

- Está brincando, não está?

Ele riu alto e disse:

- Claro. Mas adoro a sua cara quando pergunta coisas assim.

Ela estava a ponto de reclamar da brincadeira, quando um latido alto se ouviu do lado de fora do banheiro. Fraser disse:

- É melhor sairmos logo. Dief está ficando com fome.

Linda sorriu e desligou a água:

- Oh, é tudo que precisamos. Um lobo faminto.

Fraser saiu do chuveiro, o rosto contrito.

- O que é que está - Oh, não.

E correu para fora do banheiro, agarrando uma toalha enquanto saía. Linda chamou:

- Ben!

Ela rapidamente pegou outra toalha e tentou secar-se um pouco, para não pingar na casa toda. Quando ela se lembrou que Fraser provavelmente já deixara tudo molhado, ela se enrolhou na toalha e saiu, chamando angustiada:

- Ben? - Um cheiro horrível pareceu atingi-la direto no rosto, como a um golpe - Oh, o que é isso?

Fraser estava na pia da cozinha, fumaça saindo. Linda entendeu o que acontecera:

- Oh, não. Esse é o nosso almoço?

Ele parecia muito envergonhado ao dizer, enquanto abria a janela para o cheiro sair:

- Bom, isso nos dá oportunidade de experimentar os restaurantes da região. Lamento, Linda. Queria que fosse uma refeição especial de boas-vindas para você.

Ela aproximou-se dele, beijou-lhe a ponta do nariz com ternura e disse:

- Não se atormente. Sabe, valeu a pena.

- Também achei.

Diefenbaker latiu com força. Fraser deu de ombros:

- Dief discorda.

- Vamos compensar isso tudo para você, Dief - disse Linda, ajoelhando-lhe para acariciar o grande animal branco - O que você acha de pizza? Parece uma compensação satisfatória?

Um latido alegre.

- Ótimo, então vai ser pizza.

Levou algum tempo para que Diefenbaker voltasse a ter algum bom humor, mas os componente humanos da matilha não estavam prestando atenção a ele. Depois do almoço (que terminou sendo pelo meio da tarde), eles terminaram sem sair da cama pelo resto do dia. O primeiro dia de Linda na sua nova casa foi aconchegante ao máximo, e Fraser tinha se prometido demonstrar a ela toda sua felicidade. Mesmo que ele tivesse dificuldade em demonstrar seus sentimentos, teria sido impossível escondê-los, porque ele estava estourando de orgulho. Durante o resto do dia, Linda e Fraser não fizeram coisa alguma além de ficar abraçados na cama, conversando, rindo. Eles estavam contentes de poder ficar assim sem se preocupar se alguém iria entrar. Eles tinham a vida inteira para ficar assim.

- Vai ser assim daqui para frente? - Linda quis saber, aconchegada entre os braços de Fraser - Podemos ficar juntos, e ninguém vai falar nada?

Ele riu baixinho e respondeu:

- Pode ser se quisermos que seja.

- É um casamento?

- Algumas pessoas dizem que sim. O que você acha?

Linda pensou muito, e disse:

- É melhor eu esperar um pouco mais antes de responder.

Fraser beijou o topo da cabeça dela, inalando o cheiro bom que vinha de seus cabelos, e observou:

- Boa resposta. Mas então vou ter que esperar muito até me dizer como se sente?

- Não, isso eu posso dizer agora. Eu estou feliz. E ansiosa.

- E por quê?

- Não quero desapontá-lo, Ben. Estou com medo de fazê-lo infeliz. Você não merece.

- Não pense assim. Você vai conseguir, eu já disse. E não precisa fazer nenhum esforço extra, acredite. Talvez, se não puser tanta energia nisso, venha mais naturalmente.

Linda ergueu a cabeça para encará-lo, os olhos brilhando de maneira humorada, os lábios num meio sorriso. Fraser sentiu algo ali:

- Eu disse alguma coisa?

- Fiquei imaginando o que Ray diria se ouvisse você falando assim.

Ele suspirou, sorrindo:

- Entendo o que quer dizer.

- Não estou muito certa. - Linda disse, sinceramente - Só quis dizer que devia ouvir suas próprias palavras. Ray vive falando para você relaxar mais e não levar tudo a sério.

- Eu tenho tentado.

- Eu também - falou Linda - Acho que merecemos crédito pelo menos por tentar.

- Quer créditos? - indagou Fraser de modo maroto - Venha aqui, vou lhe dar alguns créditos.

Então ele puxou-a mais contra si e a beijou de forma apaixonada. Linda abriu a boca para dar acesso à língua de Fraser e correu as mãos pelas costas nuas dela, deixando as pontas de seus dedos admirarem seus músculos. As línguas entraram em duelo, e eles começaram a ofegar. Linda interrompeu o beijo, e ergueu a mão para acariciar-lhe a face maravilhosa, fixando os olhos verdes nos azuis dele. A voz dela era embargada quando sussurrou:

- Obrigada.

Ele inclinou a cabeça, as mãos acariciando os braços dela:

- Não entendo.

As lágrimas nos olhos dela os deixaram ainda mais verdes quando ela explicou:

- Nunca me senti tão feliz antes. Não lembro jamais ter sido tão feliz assim antes de ter conhecido você, e agora, nesse momento, sei que estou no auge de minha felicidade. Agradeço por isso, Ben. Não sei o que fiz para merecer isso.

Fraser secou as lágrimas dela e a apertou ainda mais, dizendo:

- Você também me fez muito feliz. Não só hoje. Fez com que eu encarasse coisas a meu respeito que não teria feito sem você. Você é gentil, honesta e muito intrigante. Ainda há muitas coisas que quero saber sobre você.

- Não há muito para saber a meu respeito, Ben - disse ela, encabulada - E você sabe tudo.

- É o que você pensa. Você vive se desmerecendo, como diz Ray. Você é uma pessoa maravilhosa e tem todo direito de ser feliz. Lamento que sua vida tenha sido tão dura até agora. Sei que há coisas no seu passado que não podem ser desfeitas, mas podemos trabalhar nelas. Não acha?

- Ben - ela hesitou - Eu gostaria... de perguntar uma coisa, mas tenho medo de sua reação.

- Não precisa ter medo e você sabe disso. Pode me perguntar qualquer coisa.

- O que você viu em mim? Poderia ter tido qualquer mulher que quisesse, todas que quisesse. Por que eu?

- É exatamente sobre isso que eu estava falando. Você ainda se vê com alguém indigno de ser amado, uma pessoa marcada pela vida toda por ter estado numa instituição mental. Mas você não está mais lá. Saiu faz tempo, Linda. Você é uma jovem atraente, saudável, com um lindo sorriso. E eu amo você - Ele sorriu, maroto. - Portanto, lamento ser o portador de más notícias, mas está encalhada comigo. Porque eu não vou deixar você fugir de mim facilmente, mesmo que você acha que não merece.

As palavras dele a emocionaram muito, e ela o encarou, lágrimas por todo o rosto:

- Eu também amo você. Eu poderia ficar assim pelo resto da minha vida.

Fraser estava sério quando olhou dentro dos olhos dela e pronunciou:

- Espero que sim. Espero mesmo, porque quero você para o resto da minha vida. Tenho sido sozinho por um bom tempo, Linda, e você também. Agora estou me acostumando a não ser sozinho, e não estou disposto a voltar ao que era.

- Oh, Ben...

Eles se beijaram, e então ele disse:

- Mas a realidade é inexorável. O sol já se pôs, então acho que poderíamos caminhar e jantar fora, o que me diz?

- Ótimo. Mas não se acostume a comer fora com tanta freqüência.

- Hoje é um dia especial.

- E amanhã é outro. Isso me faz lembrar. Podemos ir ao mercado depois do jantar? Preciso de algumas coisas para o jantar que prometi a Ray.

- Está bem. Diefenbaker vai gostar do exercício.

- Perfeito - disse Linda, e então o rosto dela ficou sombrio - Só tem uma desvantagem.

- Qual?

- Temos que sair da cama.

Fraser fez cara de quem pensava intensamente, e depois disse, com um sorrisinho:

- E se eu prometesse compensá-la quando voltássemos?

Linda fez cara de quem também pensava intensamente, e depois respondeu:

- Só assim poderei sobreviver.

 

A noite estava gelada e sem vento, e Diefenbaker se sentiu bem ao ver os vapores saindo de seu focinho. Fraser também sentiu. Ele se lembrava de seu lar. Do Norte. Contudo, no norte, ele não tinha ninguém com quem caminhar abraçadinho, como naquela noite gelada de Chicago. Linda ergueu os olhos para ele, sorrindo e sabendo o quanto ele gostava das temperaturas mais baixas. Ela se aninhou mais ainda contra ele.

Eles tomaram sopa num restaurante pequeno, e Linda contrabandeou uns poucos pedaços de pão para Dief quando pensou que Fraser não estava olhando. O lobo ia ser alimentando quando eles voltassem para casa, mas ele se comportou tão bem até aquele momento que Fraser deixou que ele tivesse um pouco de comida extra.

Depois de pegar alguns ingredientes no minimercado local, eles voltaram para casa, alimentaram Diefenbaker apropriadamente e rapidamente retornaram à atividade anterior: passar a noite na cama. Mas desta vez foi Linda quem começou a beijar Fraser antes mesmo que ele terminasse de se despir. Ela tinha subido sobre ele justo quando ele estava removendo as calças e tomou a boca canadense de maneira tão frenética que em breve ela tinha dificuldades em se lembrar de como respirava. Muitos minutos mais tarde, Fraser estava deitado de costas na cama, Linda sobre ele, ainda mantendo seus lábios ocupados, as mãos se espalhando pela vastidão de um peito pálido e macio.

De gatinhas, Linda usava sua boca para venerar as curvas do pescoço e orelha de Fraser e depois escorregou para beijar o peito dele repetidamente, a língua lambendo um depois o outro mamilo sensível. O canadense ofegava, o cérebro paralisado e incapaz de fazer nada além de se concentrar nas emoções, o corpo trêmulo à mercê da moça. Ela desceu para o umbigo, depois beijou ternamente as coxas irrepreensíveis, sem qualquer pressa, abrindo-lhe as pernas para ter acesso à parte interna, a cabeça se movendo da esquerda para direita enquanto ela beijava a magnífica pele clara, avançando para a parte alta da coxa. Em seguida, a língua chegou ao alvo.

Foi difícil para Fraser erguer os joelhos e plantar os pés na cama, mas o movimento deu Linda o melhor ângulo para permitir que sua boca atacasse as tenras esferas entre as pernas dele. Ele tentava arduamente se manter imóvel, mas suas pernas tremiam e ele começava a gemer. Então ela refastelou sua língua na coluna rija diante de seus olhos, lambendo para cima e então fazendo a pontinha da língua encostar brevemente a pontinha da cabeça rosada. Fraser choramingou, as mãos fechadas agarradas aos lençóis, a respiração em grandes golfadas.

Com as mãos nos globos rijos e a boca no mais íntimo toque, Linda suspirou alegremente, o desejo dela também aceso. Poucas coisas a deixavam mais orgulhosa do que provocar essas reações no seu sisudo namorado. Ela estava empenhada a servi-lo a qualquer custo, a fazê-lo gritar de prazer e fazê-lo perder o controle. Para obter isso, ela sabia que tinha que ser muito cuidadosa e precisa com a língua, ciente dos pontos sensíveis no corpo de seu amante, aplicando pressão crescente à medida que os gemidos aumentavam de intensidade.

De repente, as mãos dele alcançaram o queixo dela e ergueram-lhe o rosto, enquanto ele chamava:

- Linda... Por favor...

Ela imediatamente cessou o que fazia e instantaneamente correu para ele, ficando sob seu corpo. Fraser ia lhe pedir algo. Era dever dela obedecer rápida e eficazmente.

- Sim, meu amor.

Fraser tremeu diante do som da voz dela - havia confiança implícita, total entrega, rendição completa a ele. Ele mal podia falar:

- Preciso... de você... Por favor...

Ela o beijou repetidamente no rosto:

- Qualquer coisa... Amo você, Ben... faço tudo...

- Você.... em mim....

Sem hesitação, Linda abriu as pernas, girando uma delas para montá-lo. Com uma mão, ela guiou gentilmente o pênis inchado na sua direção, mas no último minuto, pôs a roçar o membro com amor. Então, lentamente, ela tomou a ponta do objeto de seu desejo para o centro de seu fogo feminino e deliberadamente olhou para o rosto de Fraser.

Os olhos dele estavam espremidos, as bochechas rosadas, o corpo todo teso, os músculos tensos, feições revelando que estava sendo torturado de forma exótica e prazerosa. Seu membro na mão dela não só estava quente e vermelho, mas também pulsava furiosamente, implorando para adentrá-la. Linda também sentia seu âmago pingando intensamente, como se chorasse para ser preenchido. Ela não podia esperar nem prolongar mais seu prazer.

Era uma ironia que ela o penetrasse. Devagar, da mesma forma que Fraser fazia para se unir a ela, Linda desceu seu corpo dentro do sexo dele, saboreando todas as efêmeras e intensas sensações à medida que ele preenchia sua feminilidade. Esse momento sempre era muito importante para Linda: receber Fraser dentro dela significava aceitá-lo totalmente, completamente, integralmente. Ao mesmo tempo que ele a possuía, ela o possuía. Dentro dele, ele era tanto dela quanto ela era dele.

À medida que Linda se movia para tomá-lo mais e mais fundo, os movimentos dela perderam a coerência que tinha escapado de seus pensamentos há muito tempo. Foi aí que a paixão animal tomou conta, e os quadris dele também ajudaram a Linda se empalar dentro dele. Ela se curvou para frente, tentando abraçá-lo, procurando fazer dele uma âncora para a realidade, enquanto a explosão se armava dentro dela tanto quanto dentro dele.

Logo, o corpo inteiro de Fraser se arqueou para cima e, cabeça para trás, ele abriu sua boca como se fosse gritar, mas nenhum som saiu de lá, nem mesmo um suspiro. Foi quando o vulcão em erupção dentro de Linda sentiu o rio de lava vindo de Fraser a adentrá-la. Era uma espécie de sinal, e a moça gemeu alto, antes de cair no topo do corpo alvo embaixo de si. Quando o corpo dela parou de tremer, Linda desmontou o polícia montada, e o abraçou, suspirando de saciedade. Fraser se mexeu brevemente, só para ter certeza de que Linda estava tão perto dele quanto era possível. Depois, ele se deixou escorregar para um sono profundo.

A primeira noite juntos na casa nova tinha sido tudo que Fraser sempre sonhara. Mas de verdade.

* * *

O dia seguinte foi frenético. Linda acordou antes de Fraser, já em preparações para o prometido jantar da noite. Ela estava nervosa, mas sequer sabia por quê. Ela estava ansiosa para agradar Ray, ao mesmo tempo que sabia que ele era uma pessoa exigente, de gostos refinados.

Fraser estava ao lado dela. Diefenbaker cuidadosamente os espiava e à comida que estavam preparando. Fraser tentou mais uma vez acalmá-la:

- Linda, é só Ray. Ele adora sua comida.

Ela parecia estar em todos os lugares da cozinha ao mesmo tempo, ainda tentando aprender o lugar certo dos objetos.

- Isso tem que ser especial, Ben. Ele é nosso melhor amigo. Peneira?

Ele abriu a porta do armário de baixo, ela tirou o que precisava e ouviu-o insistir:

- Fico feliz que você seja tão esforçada, mas você pode estar exagerando.

- Eu sei que estou - ela admitiu - Mas Ray é um homem de bom gosto, Ben. Não que você também não seja, mas você tem que admitir que Ray é mais experiente, ao menos mais do que nós dois. Não quero que ele pense que eu não sou capaz sequer de cozinhar um bom jantar para ele. - Então ela olhou em volta. - Você guardou as cebolas na geladeira?

- Sim. Eu pego.

- Também seria bom tirar os ovos. Eles têm que estar à temperatura ambiente.

Fraser fez o que ela pediu, e depois indagou:

- Posso perguntar onde aprendeu a cozinhar assim? Você só tem morado sozinha por uns poucos anos, e só esse tempo não é suficiente para transformar ninguém em um chef autodidata.

- Eu não sou um chef, Ben. Mas você parece se esquecer que eu costumava ajudar na cozinha da instituição mental onde cresci. Os cozinheiros de lá eram muito legais comigo, e respondiam todas as minhas perguntas.

- Oh, isso explica muita coisa.

Linda continuou a cortar as cebolas, e ao invés de lágrimas, parece que a atividade provocou risos nela. Fraser ficou curioso com a reação:

- Por que está rindo?

Ela ficou vermelha de tanta vergonha e não o encarou, mas respondeu:

- Eu me lembro das primeiras refeições que cozinhei para mim. Eu tinha que reduzir os ingredientes em 50 vezes. Todas as minhas receitas eram para alimentar uma ala inteira. Eu comecei a doar comida para a cozinha do hospital, e eles me deram novas receitas. Quero dizer, receitas individuais dessa vez.

Fraser estava se controlando para não rir alto. Só falou:

- Tenho duas sugestões: nunca mencione isso para Diefenbaker, ou ele pode jamais perdoar você por cozinhar tão pouco.

- E a segunda?

- Ray vai adorar ouvir isso. Conte isso para ele essa noite. Ele pode até encorajá-la a ajudar a cozinhar para a família dele no Dia de Ação de Graças.

Os olhos de Linda brilharam e ela olhou para Fraser, o sorriso de uma criança:

- Acha mesmo que ele faria isso?

Fraser sentiu alguma coisa no ar, mas achou melhor perguntar, cuidadosamente:

- Acho o quê, Linda?

- Acha que ele vai me convidar para Ação de Graças? - Ela estava mesmo excitada, mal se controlava, como uma criança que tinha recebido a promessa de ser levada ao circo - Quero dizer, com a família dele?

Ela estava genuinamente ansiosa com a idéia. Ainda com cuidado, incapaz de perceber o motivo de tanta animação, Fraser disse:

- Ainda há muito tempo até Ação de Graças, Linda. Por que pergunta?

- Eu iria adorar ir para o jantar de Ação de Graças na casa de Ray, Ben. É que eu nunca estive num, antes. E Ray tem uma família tão grande. Ia ser como nos filmes, sabe? Eu ia adorar que meu primeiro dia de Ação de Graças fosse assim, cheio de gente.

Fraser a encarou, espantado. Ele sempre se considerara uma pessoa solitária, especialmente depois da morte da mãe e do distanciamento do pai. Sua família não era muito aberta a demonstrar sentimentos. Às vezes ele era envolvido numa onda de autopiedade pois sabia que a solidão tinha sido o seu destino mais provável até vir a Chicago.

Ele tinha a maior gratidão por Ray e sua amizade. Tinha significado muito para ele, uma possibilidade de um futuro menos solitário até Linda aparecer. Agora Fraser tinha certeza que suas visões de solidão e amargura estavam no passado.

Mas Linda era uma verdadeira prova a tudo que ele achava que tivera de ruim na sua vida. A moça jamais tivera um Dia de Ação de Graças, provavelmente nem um único Natal de verdade. Ela jamais tivera uma família, nem sequer um gostinho de tudo que até mesmo ele, sozinho como era, tivera na infância. Ele sentiu uma dor no peito, mágoa pela mulher que amava, alguém a quem tinha sido negado tudo. Até o que não se podia negar.

Linda se deu conta de que os olhos azuis dele estavam fixos nela com uma expressão estranha, e ela sentiu algo errado. Imediatamente, largou as cebolas e chegou até ele.

- Ben? Tudo bem?

Ele se levantou para abraçá-la ternamente. Ele a amava tanto. Ela era tão inocente, tão sincera, e isso derretia o coração dele. Ela talvez nem soubesse o quanto ela o tocava.

- Tudo bem, Linda. Tudo vai ficar bem.

Linda honestamente não sabia por que Fraser tinha ficado tão sensível de repente, então ela o beijou de modo muito terno e amoroso, sorriu e voltou para seus afazeres na cozinha, achando que seria melhor apenas dar um silencioso apoio a ele. Quando ele estivesse pronto para falar sobre fosse lá o que o incomodava, ele falaria, e ela faria tudo que pudesse para ajudá-lo. Ela o amava. Por isso ela ficou discretamente de olho nele, principalmente quando achava que ele não estava vendo.

Enquanto isso, Linda descobria que embora ela não tivesse muita coisa na vida, ela sentia falta de uns pequenos objetos deixados no antigo apartamento para decorar a mesa. Talvez ela pudesse improvisar alguma coisa para servir de candelabro, e - oh-oh - não tinha velas.

- Preciso voltar ao mercadinho - ela anunciou - Volto já.

Fraser prontamente se ofereceu:

- Posso comprar o que precisa.

- Não, tudo bem. Andar vai me ajudar a aliviar a pressão.

- Pode levar Dief, se quiser.

- Boa idéia - Linda se agachou e olhou para o lobo - Vamos, Dief. Quer passear um pouco?

O lobo a seguiu alegremente até o mercado, depois de volta para casa no dia nublado e frio. Assim que ia chegando ao apartamento, Linda ouviu uma voz:

- Você deve ser Linda.

A garota esticou o pescoço além da sacola de compras e viu uma mulher sorridente de mais de 70 anos perto da escada. Ela perguntou polidamente:

- Sim, eu sou Linda. Nós nos conhecemos?

- Acho que não, mas eu conheço o cachorro adorável de seu marido - Diefenbaker reprimiu um rosnado. Ele odiava ser chamado de cachorro, mesmo que soubesse que a velha senhora não fizesse por nós.

Linda tentou dizer:

- Na verdade, ele não é meu -

A mulher nem se incomodou em ouvi-la:

- Eu sou a Sra. Mutchnik, moro ali no 2A. - Ela apontou para a outra porta no corredor, e sorriu ainda mais - Somos vizinhas, querida.

Linda se lembrou do que lhe diziam na instituição. Seja polida, Linda. Jamais esqueça as boas maneiras.

- Prazer em conhecê-la, Sra. Mutchnik. Eu sou Linda, como sabe. Acabei de me mudar.

- Posso ver que agora está bem ocupada, mas seria tão bom se nós nos conhecêssemos. Por que você e seu marido não aparecem uma outra hora? Meu marido Elmer e eu adoraríamos conhecer os novos vizinhos e saudá-los apropriadamente no prédio.

Linda enrubesceu e disse, procurando a chave:

- Isso é muito gentil, Sra. Mutchnik. Vou falar com Ben. Fico muito agradecida mesmo.

- Não quero atrapalhá-la mais do que já está, querida, então podemos nos ver outra hora. Até mais!

A mulher desapareceu no corredor adentro enquanto Linda entrava no apartamento, ainda maio intrigada. Dief saltou para o seu lugar favorito perto da janela da sala de estar, e Fraser a beijou:

- Tudo bem?

- Sim - disse Linda, pondo as compras no balcão da pia - Eu encontrei uma vizinha, a Sra. Mutchnik. Ela disse que conhecia o Dief.

- Ela parece ser uma excelente pessoa. Eu mencionei que ela cozinhou uma refeição para mim assim que me mudei?

- Oh, quanta gentileza.

- Aparentemente existe esse costume de recepcionar novos vizinhos. Não sabia que isso era comum em Chicago. Ao menos não era na minha antiga vizinhança. Mas os inuit fazem isso. A atividade pode mobilizar a aldeia inteira.

Linda estava genuinamente espantada:

- Eu nunca soube disso. É tão bonito, Bento. Faz a gente se sentir... sei lá, bem-vinda.

Ele sorriu:

- É essa a intenção. Falando nisso, quando formos aos Mutchniks, lembre-me de levar um remédio indígena para a perna do Sr. Mutchnik.

- E eu acho bom também preparar um bolo, para agradecer a recepção que fizeram a você. Mas podemos pensar nisso depois. Agora já tenho muito o que fazer.

- Em que posso ajudar?

- Er... Eu realmente não sei.

- Chame se precisar.

- Está bem, Ben.

À medida que a noite chegava, Linda ia ficando mais e mais frenética. Fraser já tinha tomado banho e observava enquanto ela dava olhares procurando detalhes de última hora para arrumar na mesa.

- Acha que assim está bom?

- Está perfeito, Linda.

- Ótimo. Tem que estar perfeito. Ai, não. Ainda tenho que tomar banho.

- Então pode ir - disse Fraser, pacientemente - Talvez isso a acalme. Você está muito tensa. Você sabe cozinhar, Ray vai gostar de tudo, tenho certeza.

Ela colocou a palma da mão delicadamente no rosto dele, e sorriu, emocionada:

- Você é tão bom para mim. Não sei o que faria sem você.

- Provavelmente você já fez, porque não me deixou ajudar - Ele sorriu e beijou a mão dela. - Agora pode ir tranqüila.

- Sim, meu amor.

Esses se beijaram rapidamente e Linda se banhou, depois engajou-se num rápido ritual de beleza feminina aprendido com Francesca, e maquiagem leve. Depois disso, ela escolheu um par de brincos entre os parcos que tinha, e colocou um vestido creme também herdado de Francesca. Ela saiu do banheiro para colocar os sapatos e ficou tão concentrada em achá-los que não reparou no olhar que Fraser lançou-lhe discretamente. Dief ganiu baixinho, imaginando quando seus companheiros de matilha iriam sair do cio.

Quando Ray chegou, a mesa estava toda posta, e Linda estava na cozinha quando Fraser abriu a porta. O italiano passou a garrafa ao anfitrião:

- Oi, Benny. Não sei o que estão servindo, mas achei melhor arriscar uma garrafa de vinho tinto assim mesmo. Um Cabernet, para variar.

- Olá, Ray - disse Fraser, e logo puxou o recém-chegado para junto de si, abaixando a voz. - Linda está meio nervosa por ser a anfitriã hoje.

- Por quê?

- Não sei direito. Acho que é a casa nova. Então, se você por favor... pudesse... er... Sabe...

- Tudo bem. Vou devagar - Ele se mexeu ao ver Linda saindo da cozinha - Ei, moça bonita. Está fantástica.

- Obrigada, Ray.

- Eu trouxe vinho, mas não precisamos beber se você tiver planejado outra coisa.

- Na verdade não, e o vinho vai cair muito bem, obrigada pela lembrança - Linda sorriu. - Por favor, sente-se Ray.

O italiano olhou em volta, e viu que a sala de estar não tinha sofá, poltrona, ou qualquer outro móvel, então ele tinha que se sentar mesmo à mesa.

- Então, Linda, como foi o primeiro dia na casa nova?

A moça ainda estava na cozinha, preparando o molho da salada, e respondeu:

- Excelente. Tem um mercadinho aqui perto, e eu até conheci a vizinha hoje.

- É bom conhecer os vizinhos - observou Ray. - Aposto como você logo vai se acostumar com o novo bairro.

Fraser disse:

- Amanhã de manhã podemos ir andando até o trabalho, para que Linda saiba o quanto demora chegar até o hospital a pé.

- Eu preciso dizer - confessou Ray - Sinto-me muito mais confiante estacionando o Riv aqui do que no antigo bairro. Até os bêbados aqui parecem mais normais. E tem uma estação do El perto daqui, em algum lugar, não é?

- Duas quadras abaixo - confirmou Fraser - Pode ser útil para Linda na escola noturna.

- Vai precisar me mostrar onde é, Ben - disse ela, ainda da cozinha - Tem muitas coisas sobre o bairro que eu ainda não conheço.

- Levamos Dief para caminhar numa praça ontem à noite.

- À noite? - Ray se espantou. - Ontem à noite estava muito frio, Benny. Todo mundo sabe que você é o Nanook do Norte, mas Linda podia ter pego um resfriado.

Linda defendeu Fraser:

- Não estava tão frio assim, Ray. De verdade. Foi mesmo revigorante. Além disso, eu não pude negar a caminhada a Diefenbaker. Ele parecia tão feliz, e nós nos divertimos muito.

- Eu não estou dizendo que vocês não se divertiram. Além disso, vocês dois parecem tão felizes que nem mesmo uma nevasca seria capaz de apagar esse sorrisinho.

Linda corou, e Fraser de repente achou os sapatos muito interessantes. Linda indagou, sorrindo, salada na mão:

- É mesmo?

O italiano jogou as mãos para o ar, exasperado:

- Não sabem que os dois estão radiantes? Deviam ter pensado em morar juntos há muito tempo.

Linda colocou a salada na mesa e disse:

- Ainda temos muito a fazer, na casa também. Mas podemos ir devagar.

- Sim - disse Fraser, olhando em volta. - Agora vejo a necessidade de um sofá.

Ray disse:

- Pode dizer isso de novo, Benny. Eu já estou salivando em cima da comida e Linda nem trouxe tudo...

Trazendo o segundo prato, Linda disse:

- Espero que vocês estejam com fome. Eu lamento, mas tenho uma tendência para... exagerar na quantidade... e acho que...

Fraser completou, maroto:

- Ela cozinhou para a ala inteira, de novo.

- Ben!

Enquanto Linda enrubescia furiosamente e Fraser dava um risinho bem pouco característico, Ray se sentiu muito confuso. Em seguida, a história foi contada. Virou o sucesso da noite.

Durante toda a refeição, enquanto eles conversavam e comiam, Linda podia sentia os olhos de Fraser nela, quando ele achava que ela estava distraída falando com Ray ou cuidando da cozinha. Ela também notou um brilho diferente nos olhos dele, algo que ela não tinha visto antes, não com aquela intensidade. Ele estava se comportando de uma maneira bem diferente, e sequer tentava se controlar. Na verdade, estava relaxado e à vontade demais para se controlar.

Enquanto Linda tirava a mesa, Ray se reclinou no assento da cadeira, dando tapinhas no estômago estufado e disse, suspirando:

- Preciso dizer, Linda. Um desses dias você vai superar minha mãe na cozinha.

- Ora, muito obrigada, Ray - A moça estava até embaraçada com tamanho elogio - Você sabe que eu acho sua mãe a melhor cozinheira do mundo.

- Isso estava muito bom - disse o italiano.

Fraser concordou:

- Sim, obrigada, Linda.

Ela anunciou:

- Vou fazer um café agora. Ben, você prefere chá?

- Não, um café vai cair bem.

Ray suspirou:

- Ah, os prazeres da quietude doméstica...

Da cozinha, Linda indagou:

- Ray, você vai se juntar a nós essa noite?

- Se juntar?

- Você é muito bem-vindo se quiser passar a noite, Ray.

Ele olhou em volta. Não havia sofá, e ele sabia que também não havia nenhuma cama extra no outro quarto, só a do casal. Então, Linda só podia estar falando de uma coisa.

Ray precisou limpar a garganta e inspirar profundamente para dizer:

- Er... Sobre o convite, Linda, eu gostaria de falar algo.

- Sim, Ray?

Ele esperou até que ela trouxesse as xícaras fumegantes e então explicou:

- Bom, não é que eu não aprecie seu convite, ou sua disposição, nem seu carinho, seu amor. Aliás, eu me sinto mesmo honrado, de verdade. Quero deixar bem claro. Mas você e Ben são um casal, e eu só sou um extra. Funcionou bem até agora, mas sempre tem uma chance de que algo aconteça, e nossa amizade pode sair machucada. Eu odiaria isso. Sabe, três sempre é demais, e eu não quero arriscar a prejudicar nossa amizade.

Linda disse, com grande sinceridade:

- Nós amamos você, Ray. Muito.

- E eu também amo vocês, Linda, não é isso que estou falando. Mas é que... estou pensando em voltar para o mercado de solteiros disponíveis.

- Mesmo? - Fraser parecia curioso - Você não falou isso antes.

- Eu estava pensando. Sabe, talvez eu pudesse convidar Martha para sair.

- Martha? - Linda repetiu - A minha Martha?

- Sim, sua amiga Martha. Sabe se ela tem namorado, ou algo assim?

- Eu não sei, Ray. Quer que eu pergunte a ela para você?

- Oh, eu não sei - O italiano parecia amolecido e ansioso feito um adolescente, e Linda achou que aquilo era tão emocionante - Você faria isso?

Ela sorriu:

- Claro que sim. E também vou dizer a ela que ela tem muita sorte.

Ray beijou a palma da mão da amiga:

- Obrigada.

Quando fecharam a porta do apartamento, depois de se despedirem de Ray, Fraser observou Linda ir à cozinha, sabendo que ela ia terminar de limpar os pratos. Dief já estava no local, esperando as sobras. Fraser a seguiu e encostou-se na porta, braços cruzados, antes de indagar:

- Tudo bem?

Linda abriu a torneira e começou a colocar os pratos na água cheia de sabão, indagando de costas para ele:

- Que quer dizer, Ben?

- Tudo bem com você, depois que Ray preferiu não .... pernoitar aqui?

Ela nem se virou, e disse, fechando a água e pegando a esponja:

- Sim, claro. Acho uma pena, e é claro que vou sentir saudades dele, mas somos amigos. Além disso, eu estou feliz que eles esteja querendo uma namorada. Nós somos tão felizes, e Ray me parece um pouco solitário. Mais do que ninguém, ele merece ser feliz, e ter uma garota que o ame.

Fraser pareceu ficar um pouco sem jeito:

- Fico feliz que se sinta assim. Mas para ser franco com você, eu hoje não queria que Ray ficasse aqui.

Linda tinha tudo pronto para começar a lavar a louça e indagou, intrigada:

- Por quê, Ben?

- Eu não quero compartilhar hoje.

O modo como ele disse aquelas palavras fez Linda estremecer e virar-se para encará-lo. Fraser tinha um olhar diferente nos olhos, como se estivesse faminto apesar da refeição deliciosa. Então Linda percebeu o que eram os olhares que ela vinha recebendo a noite toda, e sentiu uma corrente de sangue inundando suas entranhas.

Fraser chegou-se perto dela e sussurrou:

- Esperei o dia todo. Por favor... venha para cama.

A corrente de sangue no corpo de Linda foi direto para o baixo ventre, e ela sentiu os joelhos ficarem moles, e a respiração falhando, quando Fraser a tomou em seus braços e pedindo, enquanto beijava o pescoço dela suavemente:

- Deixe os pratos. Venha. Agora.

A urgência na voz dele fez Linda gemer suavemente enquanto ele a puxava mais contra si, atacando os lados do pescoço sem dó nem piedade. A cabeça dela foi para cima, e ela ofereceu-lhe a garganta, que ele tomou avidamente, e suas mãos passaram a explorar as costas dela, procurando a ponta do vestido. Linda estava ofegante quando abaixou a cabeça para procurar os olhos azuis, mas não teve tempo para isso. Fraser invadiu sua boca com um beijo.

Não era exatamente um beijo casto, e Fraser esforçou-se para explorar o interior aveludado e quente da boca de Linda, enquanto ela sugava a língua dele em desespero, as mãos molhadas dela percorrendo os perfeitos músculos das costas do canadense. Os corpos deles rapidamente se transformaram em geradores de calor de grandes proporções, os gemidos ficando cada vez mais altos, e eles foram cambaleando para o quarto, Diefenbarker sendo obrigado a sair rapidamente da frente deles antes que fosse sumariamente atropelado.

Antes mesmo de os dois chegarem ao quarto, roupas voaram pela casa, Fraser retirando as dele de maneira atabalhoada e impaciente, e imediatamente retirando as que Linda ainda não tinha tirado. Ele se ajoelharam na cama, nus, mãos tocando o corpo amado do parceiro. Havia impaciência em Fraser, excitado como Linda poucas vezes o vira, os olhos irradiando um fogo que a excitava. Ele tremia quando a abraçou de novo, beijando tão ferozmente que Linda começou a temer que ele entrasse num surto violento. Embora ela soubesse que ele jamais a machucaria, Linda sentia uma espécie de declaração de posse no jeito como Fraser exigia seu corpo feminino.

Quando ele a deitou na cama, os lábios sempre grudados nos dela, as mãos foram direto aos seios, para serem tocados, acariciados, a pele delicada em fogo. Os mamilos já estavam duros e erguidos com as sensações que ele a fazia sentir, e ela arqueou para trás, a respiração fraquejando quando ela sussurrou:

- Ben... Oh, Ben...

A voz dela saiu em jatos, e Fraser se excitava só de pensar que ele a deixava naquele estado. Ele se curvou sobre ela, beijando-lhe os seios, as mãos dele indo ainda mais para baixo, passando pela selva encaracolada de pelos sedosos abaixo do umbigo dela, o dedo roçando o delicado botão de prazer. Linda quase uivou e arqueou-se contra a mão dele, tentando com esforço não gritar em delírio, enquanto os quadris dela subiam, buscando mais contato com a mão dele.

Imediatamente a mão dela começou a se insinuar para baixo, buscando a impressionante coluna de tecido firme que a cutucava na perna, e acariciando a pele delicada quando a encontrava. Linda não tinha muito espaço para se mexer, então ela compensou roçando avidamente a masculinidade de Fraser e tentando alcançar os dois sensíveis globos entre as pernas dele. Quando ela conseguiu, ele começou a grunhir.

As reações logo fizeram Fraser entrar em atividade. Ele usou a mão para alcançar a parte interna da coxa de Linda e mover as duas pernas da moça de tal maneira que sentiu os joelhos dela na cintura dele, e os dedos dele estavam se alternando entre exercer uma pressão deliciosa no clitóris e escorregar para interior úmido e fogoso dela. A moça se espremia, se expandia, os quadris indo para cima e para os lados na direção dos dedos dele, o corpo todo arqueado, os olhos espremidos de tão fechados e as mandíbulas cerradas para prevenir que ela gritasse.

Então Fraser mexeu nas pernas dela de novo, abrindo-as o mais que podia para poder entrar nela. Primeiro devagar, depois arremetendo, tirando todo o fôlego e a voz de Linda, retirando-lhe até a mera habilidade de gemer. Quando ela conseguiu respirar de novo, ele estava intento em se deitar sobre ela, movimentando os quadris não só para frente e para trás, mas também para os lados, pressionando o clitóris, aumentando o prazer de ambos.

Linda podia jurar que dessa vez ela via estrelas riscando o céu de sua mente à medida que o prazer se transformava numa doce dor nas suas entranhas. Então veio a explosão branca e quente, pela segunda vez, e ela abriu a boca como se fosse gritar, mas não conseguiu emitir um som. Os músculos dela se contorciam, fechando-se sobre o pênis dele enterrado dentro dela. Ela quase engasgou.

O orgasmo dela foi tão poderoso que jogou Fraser rumo ao êxtase antes que ele tinha planejado originalmente. Quando ele sentiu a pressão em seu membro e a umidade que o inundou, ele gemeu, enviando sua semente para o ventre dela, o som como o uivo de um lobo, um grito de um guerreiro em triunfo, uma declaração de possessão.

Fraser jogou-se sobre Linda, os braços dela já preparados pela recebê-lo, para beijá-lo gentilmente no cabelo escuro enquanto ele se aninhava nela, usando-lhe os seios como um par de travesseiros macios e quentes, rapidamente adernando para a letargia induzida pela delícia pós-coital. Como geralmente acontecia, Linda lutou contra as lágrimas de alegria pelo amor a esse homem, um amor tão grande que quase a assustava. Ela se aninhou para que ele estivesse coberto pelo corpo nu dela, protegido e tranqüilo, antes que ela mesma caísse no sono.

Desacostumada a dormir com alguém, Linda acordava a qualquer pequeno movimento de Fraser, depois voltava a dormir, acarinhada pela suave batida de um coração canadense. Talvez ele estivesse tão nervoso quanto ela sobre o dia seguinte, quando ambos iriam para o trabalho com um novo status. Agora eles "moravam juntos".

Linda se levantou para lavar os pratos ainda sujos na pia, o que ela fez o mais quieta que podia fazer. Depois voltou para a cama, recebendo censuras silenciosas de Dief por expor sua nudez ao andar pela casa à noite.

Quando voltou para o quarto, a visão de um Fraser adormecido a fez derreter-se por dentro, como sempre acontecia. Ela o amava tanto. E agora, tudo indicava que isso seria para sempre. Ela mal podia acreditar. Estava tão feliz.

Ele entrou na cama com cuidado, e o movimento fez Fraser se virar e esticar os braços, para puxá-la para perto de si. Quando ele falhou em encontrar a pele macia, ele ergueu a cabeça de maneira sonolenta:

- Linda...?

Ela sussurrou, beijando-lhe o peito:

- Aqui, Ben, meu amor.

Enfiando-se entre os braços dele, ela pôs a cabeça no vasto e musculoso peito, sentindo a pele quente dele contra a sua. A batida do coração dele, tranqüila e regular, deu toda a paz necessária para que ela voltasse a dormir.

 

As primeiras horas da manhã foram das mais frenéticas na nova casa. Linda terminava a ducha matutina quando viu que Fraser estava no banheiro, o rosto coberto de espuma, e ele erguia uma lâmina comprida com a mão direita. De maneira embaraçada, ele justificou, sem desgrudar os olhos do espelho:

- Preciso me barbear.

Linda tinha uma toalha contra o corpo quando saiu do chuveiro e indagou:

- Posso olhar?

Os olhos dela pareciam cintilar, do modo que Fraser sabia acontecer toda vez que ela achava alguma coisa fascinante e excitante. Ele se intrigou:

- Quer olhar?

- Você se importa? Mas se você vai ficar sem graça...

- Não, Linda, não é nada disso. Por que você ia querer me olhar fazer a barba?

Ela parecia meio sem jeito:

- Eu sei que é estranho. Mas é uma coisa que os homens fazem, não é?

- É, sim.

-É tão... masculino. Acho fascinante. - Ela abaixou a cabeça. - Eu sou boba, eu sei. Deixei você sem graça. Desculpe, Ben. Esqueça isso.

Linda estava saindo, e Fraser a deteve:

- Não, Linda, não vá. Você pode assistir, se quiser. Quer que eu a ensine?

Os olhos dela brilharam ainda mais:

- Me ensinar a barbear você?

- Isso mesmo.

- Mas Ben, é uma lâmina afiada. Posso machucar você.

- Por isso estou me oferecendo para ensiná-la. Mas vou avisando: tem um preço.

- Um preço?

Ele sorriu de modo malicioso:

- Quero olhar e aprender a depilar suas pernas.

Linda não compartilhou do sorriso e disse, intrigada, e genuinamente confusa:

- Mas Ben, eu não depilo as pernas.

A revelação o pegou de surpresa. Ele a olhou, ela o olhou, depois ele não resistiu à tentação: abaixou-se e acariciou as pernas delas com as mãos. Ele estava abismado:

- Mas são tão macias.

Ela deu de ombros:

- Eu nunca as depilei. Frannie disse que é por isso que são assim. Sei que há mulheres que fazem isso, mas elas parecem ter muitos pelos. Não acho que eu precise fazer isso. Se você quiser, eu faço. Quer que eu faça?

- Claro que não, Linda. Elas são lindas do jeito que são. Mas agora preciso me barbear, ou chegaremos atrasados.

- Sim, claro, eu também preciso me vestir. Mas... promete que posso ver você se barbeando outro dia?

- Prometo.

Linda devolveu o sorriso que ele deu e foi se vestir. Eles foram caminhando juntos, Dief trotando ao lado deles, e a primeira parada foi no hospital. Eles não tinham tempo para almoçar juntos, e Linda tinha aulas à noite, então Fraser decidiu vir buscá-la depois da aula. Ela sorriu ternamente quando ele ergueu a cabeça para dar-lhe um beijo de adeus na entrada do hospital. Depois ela entrou no hospital, e ele e Diefenbaker saíram rumo ao Consulado. Homem e lobo fizeram um bom tempo: a Inspetora Thatcher ainda não tinha chego, mas Turnbull tinha terminado de aquecer um bule de água no ponto exato para o chá de ervas. Fraser teve tempo de processar os relatórios que a superiora tanto queria. Fraser descobriu que estava feliz, mas não exatamente frenético de tão feliz. Era uma felicidade calma e quieta, paz de espírito e segurança. A maior parte daquele estado de espírito tinha a ver com Linda, claro. Ele suspirou, contente.

Fraser ainda pensava naqueles sentimentos à noite, enquanto esperava ver Linda descer as escadas da escola. Então ele a localizou, emergindo no meio da multidão de alunos, conversando distraidamente com a amiga Martha, e o coração dele pareceu inchar. Linda brilhava de felicidade. Fraser podia jurar que havia luz emanando dela, suave e gentil como ela. Quando ela ergueu a cabeça e o encontrou, os olhos faiscaram, faróis verdes do mais puro amor que brilhavam só para ele. Como poderia resistir a isso? De repente, as calças da Polícia Montada parecem extremamente apertadas.

- Alô, Fraser.

Ele nem tinha percebido que quase deixara de cumprimentar Martha. Enrubesceu, constrangido:

- Oh, boa noite, Martha. Você está bem?

- Ótima, obrigada. Ei, Fraser, pode nos ajudar? Eu estava falando com Linda. Talvez possamos estudar juntas na quinta-feira à noite, quando não temos aula. Eu estou tendo dificuldades para acompanhar História Americana.

- Então lamento não poder ser de grande ajuda para vocês, senhoras. Eu sou canadense.

Linda disse:

- É verdade. E quanto a Ray, Ben? Ele é americano.

- Tenho certeza de que Ray vai ficar feliz em ajudar. Vou conversar com ele amanhã de manhã.

- Ótimo - disse Martha - E aí podemos fazer um jantarzinho.

- Sim - disse Linda - Venha para o nosso novo apartamento. Eu cozinho.

- Mas eu trago a sobremesa - ofereceu Martha - Legal, então estamos acertados. Agora tenho que ir, gente, senão minha irmã fica preocupada. Tchau, Fraser. Vejo você amanhã, Linda.

- Boa noite, Martha.

O casal saiu com Diefenbaker, e caminhou até em casa, cada um falando sobre seu dia. À exceção do lobo, eles terminaram sem jantar, mas Linda preparou sanduíches, enquanto conversavam sobre a noite de estudos com Martha. Fraser sugeriu que Linda também podia pegar um cartão da biblioteca, e consultar livros sobre História Americana. Já que era algo sobre o qual Fraser também não sabia muito, eles talvez pudessem ler juntos. A idéia a entusiasmou:

- Jamais pensei que esse dia fosse chegar.

- Como assim?

- Finalmente o dia em que iria aparecer algo sobre o qual você não soubesse tudo.

- Eu não entendo.

- Ben, você às vezes parece saber de tudo no mundo. Você sempre tem uma resposta para as coisas, você leu muito, você é tão inteligente. Ray vive dizendo isso para você, então não é novidade. Por isso eu acho estranho quando surge algo que você não conheça profundamente.

- Viu? - O sorriso que ele deu a iluminou por dentro, e ele a colocou no colo dele antes de beijá-la - Eu posso surpreender você, apesar de você e Ray viverem me dizendo que eu não sou... espontâneo.

- Eu? Eu jamais disse isso. Mas fico feliz de ver que quer aprender algo comigo - Ela o beijou e depois saltou do colo dele - Mas agora preciso tirar a mesa, tá?

- Precisa? Por que, vai estudar agora?

- Não vou estudar, mas quero limpar isso. Estou cansada. Vou dormir. Mas primeiro preciso tomar uma ducha.

Fraser sorriu e tocou os braços dela, sussurrando:

- Boa idéia. Ducha é bom. Eu gosto de ducha.

O toque dele era sensual, a voz sussurrada estava quase rouca, e Linda sentiu-se fraquejando:

- Ben... O que você...

Ele não a deixou terminar, sussurrando dentro do ouvido dela:

- Deixe-me lavar a louça. Tome sua ducha rápido, OK?

Enquanto ele beijava o pescoço dela, Linda tremeu e quase se perdeu na resposta:

- Tá.

Difícil como era, os dois se separaram, e Linda foi para o banheiro, o coração dela batendo mais rápido com desejo. Ela foi para baixo da água, deixando a cascata quente relaxar-lhe os músculos e fazê-la suspirar, pensando em Ben. Era bom poder relaxar assim.

De repente, Linda sentiu braços vigorosos agarrando sua cintura e uma pele quente como fogo envolver seu corpo molhado e nu. Ela deu um pulo de susto apenas por uma fração de segundo, só até perceber que só podia ser Ben. O toque dos dois era elétrico e vagaroso, um zilhão de energias sendo trocadas. Acariciando-se mutuamente, beijando corpos, eles se limparam, se aqueceram, se secaram e depois foram para a cama.

Dentro do aposento, Linda finalmente pôde se dedicar a uma tarefa que vinha querendo muito: ela lavou o corpo de Fraser novamente, com seus lábios, da cabeça aos pés, parando e mudando a cada movimento que ele fazia, provocando-o até o limite. Os dedos dela acariciaram-lhe as costelas, enquanto a boca dela estava ocupada nos mamilos masculinos macios e rosados, e no momento seguinte, ela estaria passando a língua na parte de trás do tornozelo dele, fazendo cócegas nas costas do pé de Apolo. Fraser mal podia tocá-la, pois ela estava constantemente trocando de posição, subindo por cima dele, dando a impressão que ela estava em toda parte ao mesmo tempo, pois ele sentia beijos e carícias pelo corpo inteiro. Não parecia haver uma única parte do corpo dele que Linda não tinha atendido pessoalmente.

A tremedeira no corpo marmóreo escultural só começou a ficar séria quando a língua deixou uma trilha de fogo selvagem na parte interna das perfeitas coxas dele, e ela posicionou a cabeça dela entre as pernas dele. Ele sabia o que viria a seguir, e só de pensar nisso, sentiu que crescia, rijo e latejante, gemendo mais alto.

Sentindo a excitação de Ben, Linda gentilmente envolveu a impressionante ereção dele entre seus dedos, e usou os lábios para acariciar as esferas rijas logo abaixo do cilindro quente e pulsante. A língua dela foi usada por todo o lugar, e até mesmo além do que ela imaginava. Naquele ponto, Fraser se contorcia tanto que ela precisou usar as mãos para mantê-lo quieto. E assim ela ficou em posição mais do que excelente para lamber vagarosamente a tenra camada inferior dos globos enrijecidos. O toque inesperado fez Fraser arquear e tentar buscar ar, excitado. Os gemidos mudaram, e Linda entendeu que era uma espécie de sinal.

As mãos dela se moveram para tocar o períneo e a língua viajou para a ereção crescente, agora se movendo da base em direção à cabeça. O nome dela virou um mantra sussurrado, e ela colocou a ponta da língua na ponta molhada da cabeça do pênis, gotejante, dura e inchada, furiosamente rosada. Num movimento rápido, Linda afundou a cabeça e enterrou sua boca para enchê-la ao máximo com a essência dele. Fraser estava tão grande que ela não conseguiria engoli-lo de uma vez só, como iria adorar. Ela temia sufocar, e preferiu deixar que a língua fizesse acrobacias e contorcionismos ao redor da cabeça peniana.

Nesse ponto, o canadense se sentia indefeso, incapaz até de se dar conta de que tinha há muito perdido o controle de seu corpo. Os quadris se moviam de acordo com sua própria volição, tirando vantagem dos lábios sedosos de Linda para sentir a fricção na delicada pele de sua ereção. Só então ela fez suas ações incluírem o ato de sugar. As mãos dele foram para o cabelo dela, enquanto as mãos dela roçavam as esferas de maneira especial: buscavam estimular a próstata.

Fraser estava tão excitado que toda a área de sua virilha estava começando a exalar puro calor, e a respiração falha o deixava intoxicado por falta de oxigênio. O cérebro estava chegando à zona crítica, e ele sentiu uma sensação de formigamento familiar pressionando o sangue, fazendo as veias incharem. Ele tentou avisar Linda. Mas um som fraco foi tudo que saiu de sua garganta, e ele podia jurar que tinha parado de respirar quando a semente líquida jorrou direto para a garganta de Linda e o corpo dele todo sacudia em espasmos violentos, como correntes elétricas, ar sendo engolido em grandes golfadas, o rosto contrito numa dor lancinante e amorosa. Ela estava tão excitada em ouvir aqueles sons abafados que engoliu rapidamente todo o leite, depois limpou de forma apaixonada o corpo dele, que começava a se estabilizar.

Ali, enquanto ele ruidosamente tentava recuperar o fôlego, ela acariciava o cabelo dele e olhou o rosto dele. Fraser estava absolutamente estonteado, e ela podia ter virado uma massa disforme de emoções ali mesmo. A mão dela chegou perto daquele rosto de sonho, trêmula, como se temesse tocar objeto tão precioso. Ele estava adormecendo naquele momento, Linda sabia, e esse pensamento fez o coração dela doer de tanto amor. Ela gostaria de invadir os sonhos dele, só para ter certeza de que não seriam ruins, de que não o machucariam.

Cuidadosa como sempre, Linda pegou as cobertas e cobriu o corpo dele antes que perdesse mais calor. Então ela tinha que se concentrar em se acalmar, pois ela ainda estava excitada e seus desejos não tinham sido satisfeitos. Não que ela se importasse. Só o que importava, só o que sempre importava era que Fraser estivesse satisfeito. Ela faria qualquer coisa por ele, e ignorar os próprios desejos por ele não era nem sacrifício. Linda não tinha qualquer tipo de orgulho em se tratando de Fraser. Com aquilo em mente, ela tentou dormir um pouco.

 

O movimento era quase imperceptível, mas Linda acordou assustada. Ela não estava acostumada a dormir com alguém, então mesmo o menor movimento de Fraser a acordava. Ela ergueu a cabeça, que estava no peito de Fraser e ficou aliviada ao ver que a estupidez dela não tinha perturbado o sono dele. Linda ficou envergonhada do que sentia, e lentamente se desvencilhou dos braços dele, para que ele pudesse dormir melhor. Ela sabia que ela não conseguiria dormir por um bom tempo, o coração ainda acelerado. Ela estava feliz que Diefenbaker tivesse escolhido aquela noite para dormir perto do fogão, onde era quente.

Tudo aquilo ainda era tão novo para ela. Mesmo Linda podia sentir que ela mesma estava diferente. Ela nunca tinha se sentido assim antes. Ela estava tão apaixonada por Fraser que não negaria seu menor desejo, anteciparia seu menor capricho. Agora que estava junto dele de modo permanente, Linda quase desejava não ter que ir para o trabalho, para que pudesse passar seus dias inteiros adorando-o, idolatrando-o.

E era mais ou menos o que ela fazia naquele exato momento. Linda já tinha observado Fraser dormindo antes, mas toda vez que fazia isso seu coração dava cambalhotas. Livre daquela máscara de severo Mountie, Fraser parecia um menino adormecido, e muitas vezes essa visão lembrava Linda de estórias que uma enfermeira contou para ela no orfanato, quando ela era uma criança. Sim, Fraser era uma espécie de anjo pessoal dela. Muitas vezes e de muitos modos, ele a protegera e salvara sua vida.

Para começar, agora Linda se sentia mais confiante em si mesma, mais digna de ser amada. O corpo dela também já era olhado como algo que tinha que ser cuidado, não um instrumento para que as pessoas usassem. Sexo era um ritual, mas não com violência e degradação, como ela sempre experimentara. Tornara-se um ato de amor, respeito, doação e comprometimento.

Linda sempre se sentia muito respeitada quando faziam amor. Na visão de Linda, era a primeira vez que ela fazia amor, em comparação a ter seu corpo abusado e humilhado. Havia ternura além dos limites, e o modo como os olhos azuis cintilantes brilhavam para ela quase levaram lágrimas aos seus olhos verdes quando ela se lembrou, no meio da noite, dos momento que compartilharam.

Antes que ela começasse a chorar de alegria, ela preferiu admirar o homem adormecido ao seu lado. Ela se sentou cuidadosamente, e Fraser se mexeu um pouco, a cabeça indo para o lado dela, o cabelo se espalhando, uma mão indo pousar no seu peito, onde os botões do pijama vermelho comprido estavam semiabertos, revelando uma pele impecavelmente alva. O estômago de Linda experimentou estranhas sensações quando ela se lembrou o que tinha feito horas antes com aquele peito, cobrindo-o de beijos, os lábios dela traçando um caminho até o lindo sexo agora coberto por lã vermelha.

O fôlego dela falhou quando ela se recordou da expressão no rosto de Ben quando a boca dela alcançou a parte mais alta da coxa dele. Linda beijou as cicatrizes da coxa (uma facada e um tiro, ele tinha dito) e o consultou com os olhos, para ter autorização de dar prazer a ele. A visão do rosto dele era de tirar o fôlego - sempre. Os olhos eram cheios de confiança e de amor, e tudo que ela queria era fazê-lo gritar, enchê-lo de felicidade e tanto prazer sexual quanto ela pudesse lhe dar. Era o modo de Linda devolver um pouco da felicidade que ele tinha dado a ela.

Todos esses pensamentos em nada ajudavam Linda a relaxar. Na verdade, a moça estava ficando ainda mais inquieta e excitada. Era estranho se sentir tão disposta apenas poucas horas depois de atividade tão apaixonada. Se Fraser estivesse acordado, ela poderia estar acariciando seu corpo, fazendo o sangue dele ferver ao colocar as mãos nos pontos que ela já sabia serem sensíveis. Ela adorava ouvir aqueles gemidinhos na garganta dele, as respirações falhas escapando da boca dele quando ela fazia coisas inesperadas. Ela adorava ainda mais saber que ela era capaz de provocar essas emoções em Fraser, e que agora ela também podia sentir algum prazer. Que Fraser a deixasse sentir isso era um tesouro além de qualquer expectativa.

Linda desejou que Fraser estivesse acordado, para que ela pudesse fazer tudo que sua mente lhe expunha naquele momento, no meio da noite. E ela sabia que não seria capaz de dormir, não em tamanho estado de excitação sexual. Se ela fosse um homem, ela provavelmente estaria com o sexo rígido naquele momento...

A mão trêmula se esticou em frente à face de seu amado, e ela sentiu o calor do corpo dele acariciando a ponta de seus dedos antes de decidir recolher a mão, temerosa em acordá-lo. E então aqueles olhos impossivelmente azuis se abriram direto para ela.

Linda se assustou e recolheu as mãos, vermelha num quarto escuro.

- Desculpe, Ben. Não quis acordá-lo. Por favor, volte a dormir.

Ele mexeu a cabeça e anunciou:

- Não me acordou. Eu estava imaginando quanto tempo levaria até me acordar.

- Eu não fiz de propósito, Ben. Eu jamais o acordaria - desculpou-se - Por que pensaria uma coisa dessas?

- Não, você não entendeu. Você poderia me acordar.

- Por que diz isso?

- Porque se eu estivesse acordado e olhando para você do modo como você estava olhando para mim, eu a teria acordado.

- Teria?

- Sim, porque se eu estiver correto, acho que... você precisa... gastar um pouco da energia extra...

O modo como ele disse aquilo não deixava dúvidas sobre suas intenções. Linda sentiu a pele do seu rosto ficando mais quente e sabia que enrubescia ainda mais, mas conseguiu perguntar:

- Eu sou tão... transparente assim?

Fraser ergueu a parte de cima do corpo para se sustentar nos cotovelos e olhar para ela, dizendo em uma voz suave:

- Linda, acho que entendeu errado. Deixe-me dizer isso claramente - ele também estava enrubescido, ela notou - Você pode expressar seus desejos sexuais quando você quiser. Querer fazer amor não é crime, e também expressa que nós nos queremos mutuamente.

Ela estava envergonhada ao máximo, e estava de cabeça baixa ao praticamente murmurar para ele:

- Desculpe, Ben.

- Não precisa se desculpar - Ele disse gentilmente, agora sentando-se na cama, antes de colocá-la em seus braços com carinho - Eu só quero que você saiba que não há nada errado nisso. Na verdade, isso até me poderia deixar bem mais... er... interessado.

Linda olhou para dentro dos olhos de Ben, que refletiam as luzes da rua, e declarou fervorosamente:

- Eu amo você tanto, Ben. Sem você, minha vida não seria nada. Eu sei que eu morreria sem você.

- Então você vai viver para sempre - disse ele, sorrindo, a voz suave quando ele aproximou o rosto dele do dela - Eu nunca vou deixar você. Nem vou deixar você ir. Você é minha...

Ela repetiu:

- Sua...

Eles se beijaram apaixonadamente, e Linda sentiu o fogo crescendo dentro de si, a trilha quente nas veias. Sem se separar dele, ela fez seus dedos irem aos botões do pijama vermelho, e as mãos de Fraser foram para a barra da camisola leve para retirá-la. Quando ela sentiu a pele nua contra o ar do quarto, ela estremeceu levemente, excitada, e gemeu sob os lábios dele, os dedos ainda desabotoando o pijama de Fraser.

Eles finalmente quebraram o beijo para ajoelharem na cama, um de frente para o outro, um despindo o outro. Os pijamas inteiros de Fraser sempre tinham sido um problema, mas desta vez, eles resolveram ir mais devagar, Linda acariciando cada parte recém-exposta da pele canadense com suas mãos ou lábios. Mesmo que ela estivesse altamente excitada, ela sentiu o desejo de Fraser em ir mais devagar, saboreando todas as sensações ao máximo.

Fraser jogou longe a roupa de lã vermelha e gentilmente deitou Linda na cama, seus olhos varrendo o corpo dela por inteiro enquanto os olhos verdes ficavam grandes e quase acinzentados de tanto desejo, encarando-o com expectativa, cheios de paixão e confiança. Ele se ajoelhou ao lado dela, as grandes mãos quadradas acariciaram o estômago e os seios, mandando ondas de desejo direto para as estranhas dela. Linda não pôde evitar gemer baixinho, e então Fraser a beijou de novo, as mãos dela acariciando-lhe as faces, então os lábios dela indo para o pescoço dele, e de lá para as orelhas. Só então ela pôde ouvir os gemidinhos que ele fazia. Tremendo novamente, ela pôs as mãos nas costas macias e quentes enquanto ele se deitava sobre ela, as mãos dele na delicada cintura dela. Então a boca dele voltou para a orelha dela e ele sussurrou:

- Linda... Você quer isso, Linda?

- Oh, Ben... - Onde ela tinha encontrado voz? - Por favor...

- Shhh... - Ele continuou a acariciá-la - Pode pedir, querida... Seja paciente.... Você é minha....

- Ben... - Ela chamou, arfando, a voz alterada - Oh, Ben...

Ela beijou o ombro dela, depois desceu até os seios, fazendo Linda contorcer-se e arquear-se na cama, os gemidos aumentando de volume e intensidade e a respiração se acelerava. Por muito tempo, ele atacou-lhe os mamilos, e os dedos de Linda passeavam por negras madeixas de cabelo sedoso, as mãos se espalhando para desalinhar o cabelo.

Então as mãos dele se voltaram novamente para a cintura dela e enquanto a boca dele se juntava à dela, ele fez a mão ir para a parte de trás das coxas, e ela se contorceu ainda ainda mais, agora totalmente enlouquecida de desejo. Fraser tremia, a paixão rapidamente tomando conta dele também, e ele separou-lhe os joelhos. Linda o ajudou e ergueu uma perna até a esguia cintura de Farser. Ele usou a mão livre para guiar o sexo inchado para dentro do dela, e Linda soltou um gritinho ao sentir o canadense dentro de seu ventre desejoso, completando-a, fazendo-a sentir-se esticada, saciada. Ela precisou deter um grito que acompanhou o primeiro orgasmo - um que ela teve assim que Fraser a entrou, seguido por vários outros desencadeados pelo primeiro.

Mas ela não estava pronta para o fim. Instintivamente, eles começaram a se mexer um contra o outro, os corpos grudados um no outro, bocas unidas, Linda com dificuldade de respirar. Eles estavam tão trancados um no outro que ela podia sentir o coração dele batendo junto ao peito dela, batidas rápidas e aceleradas. Fraser provavelmente sentira o primeiro clímax de Linda e queria logo se juntar a ela, que já sentia uma outra explosão a caminho.

Por total falta de oxigênio, eles tiveram que separar os lábios, respirando pela boca. Ele a puxou contra si, como se quisesse entrar na pele dela, e Linda gemeu do fundo da garganta, um som que excitou Fraser ainda mais, as sobrancelhas arqueadas, a boca aberta sem soltar som algum e a ponta de sua língua no lábio inferior.

Os movimentos de Fraser jogaram Linda num estado de superexcitação. Ela jogou a cabeça para trás e precisou morder o lábio para evitar de gritar alto, com tudo o que ele fazia o corpo dela sentir, as mãos delas agarradas a ele e provavelmente deixando marcas na pele tão clara. Ela usou as pernas para agarrá-lo com força, e ele a sacudia para frente e para trás, o sangue bombeando furiosamente nas veias.

Quando Fraser repentinamente gemeu e espasmou, respiração suspensa, Linda sentiu o jorro de líquido quente entrando dentro dela e a preenchendo de maneira espantosamente maravilhosa, Fraser explodindo acima dela. Ela se apressou a abraçá-lo, e sentiu o fogo borbulhando também dentro de si. Dsta vez, ela tentou chamar o nome dele, e aparentemente falhou, porque dos lábios dela saíram apenas sussurros, entre golfadas de ar:

- Bennnny....

Ela sacudiu com violência, agarrada a ele, a pele superaquecida grudada à dele, outra fornalha de energia e calor. Por longos minutos, tudo que ela pôde fazer foi se agarrar a ele, Fraser ainda dentro dela, também tentando recobrar o fôlego. Quando os dois corpos começaram a esfriar, ele se desembaraçou das pernas dela e a ergueu no ar, assustando-a:

- Oh!.. Ben!..

- Está tudo bem. - Ele deu um daqueles sorrisos milionários - Não tenha medo.

Fraser a levou para o banheiro e rapidamente lavou o corpo dela com carinho, esquentando-o na água aquecida e deixando-a fazer o mesmo com ele. Em seguida, ele secou os dois corpos e a levou de volta para a cama. Quando eles deitaram de volta, ela ergueu a mão para tocar seu rosto e encarou-o, olhos cheios de devoção e amor.

- Ben, eu te amo tanto. Mais do que todo o sempre.

Ele a beijou e disse:

- Eu amo você, também. Para sempre. E você pode me acordar a qualquer hora para dizer isso. Entendeu?

- Sim, Ben.

- Agora é melhor dormirmos um pouco - Ele sorriu e Linda sentiu-se derreter nos braços dele. - Boa noite.

Ela se ajeitou e, quase adormecida, sussurrou:

- Amo você mais do que todo o sempre, Ben.

- Amo você para sempre.

Próxima parte.

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