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Nostradamus |
"Carta à Henrique II" Uma de suas obras mais claras, mesmo porque foi escrita naturalmente sem a preocupação de rimas como as Centúrias. Escrita em 14 de março de 1557, nesta carta ele confessa seu temor ao Rei da França, justificando a forma "nebulosa" com que escreveu as Centúrias. Vamos a alguns trechos: "Os reinos, as classes e as religiões serão de tal modo subvertidos e radicalmente diferentes do que são hoje, que, se eu revelar o futuro, tanto do reino como da classe privilegiada, da religião e da fé atualmente estimados, o acharão tão diferentes do que gostariam de ouvir, que condenariam estas profecias, as quais no entretanto serão cumpridas nos séculos futuros... Por isto decidi não falar inteligentemente para o vulgo... Escrevi o conjunto em forma nebulosa pois esta é a harmonia dos escritos proféticos". Neste preâmbulo Nostradamus previu, sem mais delongas, a queda da monarquia (da classe então dominante e privilegiada) que iniciou em 1792. As mudanças religiosas que aconteceram e estão acontecendo, manifestar-se-ão com mais contundência no próximo milênio. "E com efeito, ó Rei humaníssimo, a maior parte delas são de tal modo ásperas, que não poder-se-á dar o seu sentido nem mesmo interpretá-las. Todavia, na intenção de deixar por escrito os nomes das cidades, nações e países, nos quais acontecerão os principais acontecimentos futuros, mesmo os dos anos 1585 e 1606, contando a partir de hoje, 14 de março de 1557 até a vinda que realizar-se-á muito mais tarde, no começo do sétimo milenário, momento profundamente previsto pelo meu cálculo astronômico, no qual os adversários de Jesus Cristo e de sua igreja começarão a pulular ao máximo e calculei o conjunto em dias e horas escolhidos, dispostos tão exatamente quanto me foi possível". A vinda ou o retorno de Cristo está claramente previsto pelo vidente, para o início do sétimo milenário, que, conforme vimos, coincidirá com o terceiro milênio após Cristo, ou a partir do ano 2001. Mas vamos verificar como Nostradamus, com seus estudos místicos e astronômicos, determina a época do sétimo milenário: "Com
efeito, quanto ao espaço de tempo, passado desde os nossos primeiros
antepassados e baseando-me sobre o julgamento mais seguro, o primeiro
homem Adão precedeu a Noé cerca de 1242 anos... seguindo
os cálculos das santas escrituras e tanto quanto a fraqueza de
meu espírito possa astronomicamente calcular. Eusébio
viveu do ano 267 à 340 e foi bispo de Cesaréia e autor da
célebre obra "História Eclesiástica" que
narra em ordem cronológica, as datas bíblicas. Nostradamus,
certamente, não concorda com ele. "... apontei tudo em relação ao curso dos astros, como se percebesse, num espelho de fogo e através de uma visão nebulosa, os grandes acontecimentos tristes ou prodigiosos, assim como os calamitosos casos que se aproximam, com seus principais responsáveis... Porque Deus verá a queda da monarquia...". Em seguida narra com detalhes impressionantes os acontecimentos da França desde o seu tempo até à terceira república francesa atual, tais como: Tomada da Bastilha em 1789; Primeira República em 1792; Império Napoleônico em 1804; Abdicação de Napoleão em 1814; Luiz XVIII, Retorno de Napoleão e a Batalha de Waterloo em 1815; Carlos X e Luiz Felipe até a Segunda República em 1852; o Segundo Império e a Terceira República que foi instalada oficialmente em 30 de janeiro de 1875. "A terceira inundação de sangue dar-se-á...". A
terceira inundação de sangue parece relacionar-se com a
primeira guerra mundial de 1914 a 1918. O
que realmente aconteceu a partir de 1928. Isto confere com a Centúria
VII, quadra XXV que diz: "a moeda francesa semelhar-se-á à
meia-lua" que significa perda de valor uma vez que após a
primeira guerra mundial o franco foi terrivelmente desvalorizado, bem
como aconteceu também a grande queda da Bolsa de Valores nos Estados
Unidos. Os próximos presságios estarão na próxima
mensagem. "Em seguida o Grande Império do Anticristo começará a desenvolver-se em multidões inumeráveis ao lado de Ardas e Zerfas , de tal modo que o Espírito Santo aparecerá no paralelo 24, lutando contra a abominação do Anticristo, prestes a atacar o Homem Real que será Papa, a igreja de Cristo e seu reino, no tempo e no momento preciso. E a um eclipse do sol sucederá o mais escuro e o mais tenebroso verão, que jamais existiu desde a criação até a paixão e morte de Jesus Cristo e de lá até este dia, e isto será no mês de ouro, quando uma grande translação produzir-se-á de tal modo que julgarão a Terra fora de órbita e abismada em trevas eternas". Esses
acontecimentos, como ficou claro, são para "após a
queda do comunismo", ou seja, para nossa época e\ou anos próximos.
Porém os símbolos ou "dicas" citadas pelo vidente
são totalmente inexpressivos. "Ardas" é uma pequena
localidade na região de Andrinopla. "Zerfas" geograficamente
não existe. Certamente são símbolos de regiões
mais importantes. "Estes eventos serão precedidos por uma época em que o povo será admitido a votar. Eles sucederão depois de mudanças consideráveis, de mudanças contínuas de regimes políticos, assim como a germinação da Nova Babel, filha miserável que virá juntar sua abominação à do primeiro holocausto e cuja duração não passará dos 73 anos e 7 meses". Com esta profecia Nostradamus pretende orientar de que o Anticristo será precedido pelo tempo das repúblicas modernas, quando o povo é chamado a votar (dias de hoje); e que estes eventos acontecerão depois de consideráveis mudanças de regimes políticos (Monarquia, República, Comunismo, Socialismo), bem como da formação da Nova Babel. Podemos entender que tais acontecimentos suceder-se-ão após a democracia moderna e após a consolidação do sistema capitalista-consumista dos nossos dias, chamada por São João de "a Grande Babilônia" e por Nostradamus de Nova Babel, talvez querendo denominá-la de "Nova Babilônia". "Depois dela sairá do ramo que tinha ficado estéril durante muito tempo, um Príncipe que virá do paralelo 50 para renovar toda a igreja cristã". Traduzindo,
depois da queda do período capitalista, implantar-se-á um
novo regime de vida baseado nos primórdios da igreja cristã
(que está estéril deste os primeiros tempos do cristianismo),
liderado por um Príncipe que virá para renovar a igreja. "E uma grande paz será feita; a união e a concórdia voltarão para reinar entre os irmãos, cujas idéias tinham-se afastado e separado (união das igrejas). Em diversos reinos será estabelecida uma tal paz, que o suscitador e promotor da revolta belicosa, que tinha nascido da diversidade das místicas, será preso no mais profundo do Inferno". Até
este ponto da carta, as profecias de Nostradamus mantêm-se perfeitamente
coerentes com as profecias de São João, que prevê
um período de paz e prosperidade espiritual que denominamos de
Nova Era, quando Satanás será preso por mil anos no poço
do abismo. Satanás foi o promotor da "revolta belicosa"
no reino angelical, conforme observa a Bíblia Sagrada. "E o reino do raivoso disfarçar-se-á em justo, será unido. E as regiões, cidades, povoações, reinos e províncias que tinham abandonado suas tradições (monarquia), julgando libertá-las, refletindo mais profundamente, serão, sem o saber, despojadas de sua liberdade, e perderão sua perfeita religião; e começarão a pender para os partidos da esquerda para voltar para os da direita, e reporão a Santidade reprimida durante tanto tempo em sua lei orgânica primitiva (cristianismo primitivo do tempo dos Apóstolos); mas depois o Anticristo aparecerá, o mais corpulento cão de fila, destruindo tudo, mesmo o que tiver sido anteriormente organizado". É
um trecho de difícil interpretação, porém
está claro que "o reino do raivoso" não refere-se
ao Anticristo, uma vez que a mesma profecia alega que ele aparecerá
depois. Então devemos entender que refere-se ao reino da Nova Babel,
a democracia moderna, o sistema materialista consumista dos dias atuais.
Confirma esta interpretação o trecho que diz: "E as
cidades, países, etc., que tinham abandonado suas tradições
(a monarquia), julgando libertá-las, serão, sem o saber,
despojadas de sua liberdade", insinuando que a troca da Monarquia
pela República democrática, embora libertando o povo das
tiranias monárquicas, estará subjugando-o a um outro regime
igualmente injusto, sem que se perceba. "Os templos sagrados serão erguidos e restaurados como nos primeiros tempos e o sacerdote será reposto no seu primeiro lugar, mas depois ele entregar-se-á à luxúria, cometerá e fará cometer mil perversidades". Está
claríssima a relação desta profecia com o novo regime
do terceiro milênio, retornando o cristianismo original, o primitivo.
Confirma também que este regime não será eterno e
durará mil anos bíblicos. Certamente Gogue (o Anticristo)
perverterá este regime e substituirá o seu líder
(o Sacerdote) e cometerá muitas atrocidades. Do livro "O Fim dos Tempos" de Arnaldo Lopes |