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A Mercado de Trabalho na era da Globalização

O perfil do profissional da era da globalização está passando por radical transformação.  Os aspectos que atualmente são valorizados  quebram paradigmas que sustentaram o processo seletivo ao longo de toda a história da humanidade, onde características pessoais tornaram-se mais importantes que sua folha corrida de realizações.

* Luiz Roberto Bodstein

 H ouve uma época em que o curriculum a ser apresentado em uma entrevista de seleção profissional era uma das principais preocupações do candidato a emprego.   Era comum colecionar-se certificados de cursos a que se submetera ao longo da carreira, e listá-los, detalhada e cuidadosamente, para evidenciar conhecimento no assunto requerido.  A proporção do contato direto com os quesitos – traduzida pelo período de exercício efetivo das funções exigidas – era um componente decisivo na escolha do futuro ocupante de um cargo. 

Muita coisa mudou, desde então.  Atualmente o currículum se presta apenas como roteiro para que o entrevistador explore as questões que lhe interessam.  Detalhamentos são explorados na medida em que se relacionem com as características exigidas. 

Mas o que foi que mudou, realmente?  Quais as causas dessa nova forma de avaliação profissional?  Simplesmente uma questão de “continuous updating” , na linguagem globalizada, ou seja:  necessidade de atualização permanente.

Pode-se afirmar, sem muita margem de erro, que o vertiginoso desenvolvimento da tecnologia de comunicação foi responsável pela aceleração da maior parte dos processos, pois permitiu a democratização da informação e a rápida disseminação de referenciais – antes setorizados - pelos quatro cantos do planeta.  

Com isso, ouve uma inversão nos critérios de avaliação de profissionais no mercado de trabalho:  se antes um longo período de experiência em uma determinada função era referencial para melhores resultados por parte do candidato, agora já não poderia proporcionar essa certeza.   Como o contexto muda todos os dias, o sucesso anterior dificilmente será repetido no momento atual, se simplesmente repetir-se as ações da época.   A longa experiência anterior deixa de ser sinônimo de segurança e passa a representar vulnerabilidade por obsoletismo;  deixa de ser evidência de estabilidade e bom senso do candidato para ser visto como insegurança pessoal ou reduzido grau de ousadia.  Enfim, o que antes era o quesito mais representativo de garantia de sucesso,    veio a se constituir, por efeito da rapidez das mudanças, em uma ameaça ao resultado que se espera do candidato,   transformando o que antes era a melhor das qualidades no que hoje em dia veio a se constituir na maior das ameaças: apego ao passado e resistência a desafios. 

Em resumo, um histórico de sucessos no passado pode ser um grande obstáculo para que esse profissional seja considerado ajustado aos novos tempos.  Ele precisa antes provar que não ficou acorrentado a uma única forma de buscar resultados, que não conduz seu raciocínio sempre pela mesma lógica, que não traz para o seu presente os vícios e a estrutura de ação que utilizava no passado.

O que o mercado está buscando agora é o “profissional-camaleão”, aquele funcionário que desenvolveu uma inesgotável capacidade de adaptação a toda gama de situações que possa vivenciar,  que consegue enxergar no novo  a sua motivação para vencer, que vê obstáculos como desafios a serem transpostos, e não como empecilhos à sua trajetória

E é lógico que, num profissional com esse perfil, o que menos importa é o “background”  que ele possui.   Aliás, até essa designação em inglês, consagrada para se referir ao histórico profissional de uma pessoa, ou à sua sólida experiência em determinada área, passou a ter uma conotação depreciativa: a palavra  “back”, em si, já significa “atrás”,  “volta”, “retorno”,  o que vai frontalmente contra a tendência atual, contida nas máximas “pensar à frente”,  “projetar a visão no futuro”,  “antecipar-se aos acontecimentos”. 

Isto porque o contexto atual é outro, a forma de atuar é diferente,  e igualmente diversas são as formas de mensurar e tabular os resultados, até porque mudou também o conceito do que se espera como resultado, que não é apenas “fazer lucro” a qualquer preço,  mas consolidar a empresa enquanto função social, como fator de sobrevivência e valorização no mercado.           

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