Linux no micro
 
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Migrando para o Linux

01 de novembro de 2004

1. O início

2. Distribuições

3. Aplicativos



1. O início:

Hoje, não resta dúvida que o Linux está conquistando um grande espaço entre os usuários de computadores do mundo inteiro, sejam eles empresas ou usuários domésticos.Linux no mIcro

A idéia de software livre, na maioria das vezes gratuito, chama a atenção e faz com que pensemos de forma muito séria na possibilidade de sairmos do Windows e migrarmos para o Linux.

Como muitos, eu também me interessei por esta idéia e trilhei este caminho de migração para um novo sistema operacional. Alguns meses depois, após muitas instalações e reinstalações e muito “quebra-cabeça”, surpreendi-me ao encontrar no Linux um sistema robusto, confiável e que pode ser utilizado sem maiores dificuldades desde que você dedique um certo tempo para se familiarizar com seu funcionamento.

Muitas vezes, a pressa em querer logo abandonar o Windows se torna uma grande dificuldade e faz com que a pessoa não dê o devido valor ao Linux, acaba desistindo e voltando ao Windows (mesmo que o continue chamando de Ruindows).

Por isso, antes de pensar em algum tipo de migração definitiva, podemos ter o Linux trabalhando em paralelo com o Windows, desta forma fazemos uma migração tranqüila e vamos aproveitando o melhor dos dois sistemas.

 

2. Distribuições:

Nos anos 80, Richard Stallman começou a trabalhar no desenvolvimento de um sistema operacional com código livre, o GNU, compatível com o Unix. No início dos anos 90, ele e sua equipe já tinham um sistema quase completo, faltava apenas um Kernel, que é o núcleo do sistema operacional, responsável por fazer a ligação entre o computador e os diversos aplicativos para seu funcionamento. Uma espécie de gerente de todos os processos da máquina ou, como alguns costumam dizer, a espinha dorsal do sistema operacional.

De forma independente a este trabalho, Linus Torvalds escreveu um Kernel de código aberto baseado no Minix, uma versão livre do Unix, e o lançou na internet para quem quisesse testá-lo, chamando-o de Linux.

Com a união do Projeto GNU e o Kernel de Linus, surgiu o GNU-Linux ou simplesmente Linux como costumamos chamá-lo e logo apareceram pessoas e ou empresas interessadas no seu desenvolvimento.

Programadores começaram a juntar mais aplicativos ao Linux e a desenvolver ferramentas para a instalação do sistema e assim surgiram as diferentes distribuições como o Slacware, que foi a primeira, Red Hat, Debian, Suse, Mandrake, Conectiva e muitas outras. Cada uma interessada em algum ou alguns tipos de usuários.

Esta grande variedade de escolha no mundo Linux é algo realmente interessante e é curioso ver cada um defendendo a distribuição que mais gosta com unhas e dentes (Tudo Bem! Eu também estou “puxo sardinha pro meu lado”). Várias vezes li, em fóruns na internet, alguém querendo resolver uma dúvida e outro respondendo algo do gênero: mude para a distribuição “x” que resolve, ao invés de responder a dúvida da pessoa.

É normal que no início, fiquemos simplesmente perdidos diante de tantas opções. Quando lemos algo sobre uma distribuição nos empolgamos e queremos usá-la imediatamente, mas nem sempre nos adaptamos a suas características.

O fato é que estes aspectos, positivos ou não, fazem do Linux não apenas mais um sistema operacional, mas sim, muitos, muitas distribuições, e isto também faz parte de um dos princípios dos softwares livres - liberdade de escolha.

Abaixo, vemos alguns exemplos de distribuições bem conhecidas no Mundo GNU-linux.

Red Hat - uma distribuição tradicional, direcionada a empresas, que preza a estabilidade do sistema e a facilidade de instalação. Atualmente as atualizações da distro são feitas mediante contrato com a Red Hat. Para os demais usuários foi criada uma nova versão, a Fedora Core, onde as atualizações são mantidas por um grupo de programadores e são gratuitas. O chato é que esta distribuição vem com poucos aplicativos para uso doméstico, não tem nenhum programa para assistir vídeos, não vem com os principais plugins para os navegadores nem toca MP3. Ou seja, é uma distro bem empresa.

Slackware - Adorada por muitos, é estável, totalmente configurável, dá para instalar tanto num micro mais antigo, com poucos recursos, como em um sistema de grande porte. Só que não é para iniciantes, todas as principais configurações são feitas em modo texto, através de scripts, nada é habilitado automaticamente; até o instalador é em modo texto. Instalar um Slackware não é algo muito difícil, o problema é acertar as configurações depois. Existe uma versão do Slackware desenvolvida no Brasil, o Definity Linux, tem a facilidade do programa de instalação estar em Português, mas continua com suas características básicas.

Mandrake - Distro de fácil instalação, praticamente tudo é configurado automaticamente durante a instalação. Se você estiver com a impressora ligada durante a instalação, ele a detecta e configura sem que você intervenha; as diversas partições Windows que você tenha em sua hd também são detectadas e configuradas com acesso a leitura e escrita sem nenhum tipo de configuração manual (desde que o sistema de arquivos não seja NTFS, que no caso só é acessado para leitura). Esta distribuição é ideal para quem está começando e não quer se preocupar com o funcionamento do sistema (pelo menos não inicialmente). Possui um conjunto de ferramentas gráficas para configuração de quase todos os recursos do sistema (Mandrake Control Center). Basicamente com o Mandrake é escolher os programas que te interessam e sair usando. Toda esta facilidade faz com que o Mandrake seja uma das distribuições Linux mais utilizada na atualidade. O único aspecto que acho chato no Mandrake é a quantidade de serviços que são inicializados no boot do sistema, que faz com que a inicialização seja extremamente lenta, nada que não se possa alterar, mas já exige um pouco de conhecimento seu funcionamento.

Conectiva - Distribuição brasileira que está crescendo muito no Brasil e no Mercosul. Tem um instalador gráfico muito fácil de usar, e o site da conectiva traz uma grande documentação sobre Linux, além da possibilidade de contratação de suporte técnico para eventuais dificuldades que se tenha com a distro. Eu já instalei o Conectiva 8, mas tive alguns problemas com o reconhecimento de drives e com a instalação da impressora. No conectiva 9 ou 10, possivelmente, não teria estes problemas, mas não tive oportunidade de testá-lo.

Debian - A distro Debian não é feita por nenhuma empresa, e sim por um grupo de programadores. É um distribuição extremamente estável, antes do lançamento de uma nova versão o sistema é testado durante muito tempo o que elimina muitos bugs. A reclamação no uso doméstico é que, numa distribuição Debian atual, você não encontra os novos programas que estão sendo lançados, há uma diferença de quase 1 ano em relação a outras distros. Estabilidade e confiança também custam algo.

Kurumin - Distribuição brasileira baseada no Knoppix que roda direto do CD, não precisa ser instalada e tem um ótimo sistema de detecção de hardware que é capaz de detectar, configurar e ativar todos os periféricos praticamente sem nenhuma intervenção do usuário. É muito interessante ver o que o Carlos Morimoto conseguiu fazer com menos de 200mb; ele montou um sistema que inclui, além de vários aplicativos e ferramentas de configuração, drivers para winmodens que é um problema na maioria das distribuições; tudo isto em um ambiente gráfico fácil de usar, o KDE, o que faz do Kurumin uma ótima distro para quem está iniciando.

Atualmente o Kurumin não está mais limitado aos 200mb. O Morimoto resolveu incluir mais aplicativos.

Outro aspecto interessante do Kurumin é a condição de ampliá-lo conforme queiramos; instalando novos programas através dos ícones mágicos (scripts que baixam programas da internet) e do apt-get da Debian que instalam e configuram os aplicativos, deixando-os prontos para serem usados. Desta forma você pode manter o sistema sempre atualizado. Isto sem falar no fato de já vir com scripts que nos auxiliam remasterizá-lo, criando nosso próprio CD personalizado.

Atualmente o Kurumin é a distribuição que mais utilizo, seu desenvolvimento é extremamente rápido. As novidades que surgem no mundo linux são incorporadas quase que imediatamente, com um clique você pode atualizar os ícones mágicos e testar novas configurações e novos aplicativos.

O fato de poder ser rodado diretamente de um CD, sem precisar ser instalado e sem riscos ao seu sistema (você pode brincar a vontade, que depois de desligado seu micro está intacto), é um grande trunfo para transformá-lo em uma das distribuições que mais crescem no Brasil.

 

3. Aplicativos:

Uma outra questão que devemos levar em consideração ao migrarmos para o Linux são os aplicativos que usamos. Dependendo dos que utilizamos no Windows, pode não ser vantagem migrar definitivamente para o Linux, afinal não vamos encontrar no Linux programas como o Corel Draw, Photoshop ou o Autocad. Existem várias receitas que fazem alguns destes programas rodarem no Linux via Wine, um programa que cria um ambiente Windows dentro do Linux, mas não é uma tarefa exatamente fácil; O Wine consegue rodar muitos aplicativos para Windows, mas precisa das bibliotecas (.dll) destes programas para rodá-los. Eu instalei o Kazaa via Wine em meu velho K6, ele funcionava, mas usava quase que 100 % do processador para se manter funcionando, o que tornava seu uso inviável junto com outros programas. Ainda bem que, neste caso, logo surgiram outras opções que usam a rede Fast Track sem precisar instalar o Kazaa.

Mas se você não estiver preso aplicativos comerciais para Windows, saiba que existem bons softwares livres para executar as mais diversas tarefas, é uma questão de ir se adaptando e aprendendo a usar estes programas. O Mandrake traz uma quantidade enorme de aplicativos. No Kurumin, ótimos programas como o OpenOffice, Gimp, Blender e muitos outros, estão disponíveis via ícones mágicos. Assistir filmes, editar textos, planilhas, ouvir e gravar músicas, navegar na internet, gerenciar e-mails, não são problemas nestas distribuições.

Um ponto importante é que às vezes vemos a descrição de um programa como sendo clone de um outro, mas na hora de usar... Por exemplo o Scribus, diz ser clone do Page Maker, mas quem usa o Page Maker logo percebe que o Scribus tem muito ainda que crescer para se tornar um aplicativo profissional. Outro exemplo é o Sodipodi que diz ter as funções básicas de um Corel Draw, realmente é um programa interessante, mas na realidade muito distante de um Corel Draw

Enfim: existem projetos que estão bem maduros e que alcançaram um nível respeitável, outros ainda estão em desenvolvimento e muitos apenas engatinhando. O legal é que as novidades se espalham rapidamente e logo ficam disponíveis para todos. Um ótimo lugar para saber o que está acontecendo, o que está mudando, é o site www.guiadohardware.net do Carlos E. Morimoto, autor do Kurumin. No site tem um fórum permanente sobre o Kurumin onde são discutidos os problemas da distro, seu desenvolvimento, espaço para tirar dúvidas e muito mais.


    

 
 
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