O JULINHO ESTÁ DE VOLTA E TRAZ NA BAGAGEM O FIO DE UMA CERTA MEADA...
 

Teatro de Bonecos para crianças e oficina de teatro em São Sebastião

Muitos prêmios na época áurea do Teatro Amador brasileiro

 

O Dagoberto Rebucci foi diretor do lendário grupo de teatro amador são-carlense, "Paus de Arara", do Dagoberto, do Leandro, do Júlio Ózio e de outros artistas reconhecidamente talentosos, de produções de altíssima qualidade e de muita criatividade. Quando ele soube que o "Julinho" tinha voltado a São Carlos e iria dar um curso de teatro na Oficina Cultural, fez uma visita ao amigo e ex-companheiro da fase heróica do Teatro.

Durante uma tarde inteira, os dois puseram a conversa em dia, resgatando a memória dos tempos gloriosos, de grandes festivais, concorridíssimos, de excursões pelo Brasil e de casas cheias.

 

  Estivemos lá, para conferir...  

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  TEXTO COMPLEMENTAR  

As raízes populares do Teatro  mergulhadas na história

São Carlos teve alguns grupos de renome no meio teatral paulista e brasileiro, entre eles o Porão-7, os Paus de Arara  e o TOB-Teatro Objetivo. Além de um calendário local e estadual intenso, de uma dinâmica apaixonada girando em volta das atividades desses grupos, os atores estavam organizados em Federações locais, as FETAC's. Essas associações organizavam e divulgavam cursos e espetáculos teatrais em suas regiões, com grande sucesso. Funcionaram muito bem até que as disputas políticas entre os atores acabaram ofuscando e atrapalhando a essência da atividade deles, que era o teatro. Infelizmente, vivia-se a época da ditadura e o teatro vivia sob terríveis pressões e sob a vigilância dos censores. Além de estarem sempre presentes para incomodar e restringir o trabalho dos grupos, esses "cartolas" do teatro coordenavam uma rede de intrigas que botava lenha na fogueira da comunidade teatral que, como se sabe, tem as emoções à flor da pele.

Mesmo sob fogo cruzado e sob amarras apertadas, vários festivais inflamaram os principais centros do teatro amador no Estado. Grandes Festivais foram organizados em Santos, Campinas e São Carlos. Nesses festivais as montagens dos grupos de São Carlos e de Araraquara, liderados pelos irmãos Martinez, foram os grandes destaques. E foi nesses eventos muito prestigiados que o Julio Cesar Ramalho de Almeida se consagrou, recebendo dois prêmios de melhor ator, merecendo várias críticas nos jornais das cidades em que se apresentava. Mesmo algumas críticas negativas - as exceções à regra - se dirigiam a aspectos políticos da montagem, quer dizer, foram feitas porque o ator chamou muito a atenção.

Após alguns anos o teatro amador, colecionando revezes políticas e bloqueios econômicos da sociedade sob o regime tecnocrático e totalitário, esmoreceu e praticamente desapareceu. O Julio Cesar trocou a promissora  carreira de ator pela antigamente muito valorizada carreira do Banco do Brasil. O teatro, contudo, como ele disse, ficou no sangue e não saiu. Em todas as cidades para onde foi levou a "chama" do ator e agora também de diretor, criando novos grupos teatrais entre jovens, crianças e adultos e dando diversos cursos de atuação.

Selecionamos algumas das frases...

"O Teatro Municipal precisa formar um grupo de teatro próprio, tendo o compromisso de fazer um determinado número mínimo de apresentações no ano. Isto estimularia bastante o teatro local"

"Antigamente, os reis e poderosos chamavam as companhias de teatro para se apresentarem em seus castelos, muitas vezes, para assistirem a uma crítica de si próprios, que só o teatro sabia fazer."

"Misturar política e teatro é uma m... aprendi isso em minha experiência. Uma vez fui criticado num jornal do ABC paulista porque interpretei o "Jorge Dandin" (O Marido Traído, de Molière) e fiz dele um personagem ridículo, como burguês. No ABC, ele tinha que sair com o chicote na mão, castigando os empregados."

"Quando alguém procura o curso pensando apenas em ser um ator de televisão e ficar famoso, já aviso: não contem comigo!"


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