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Ensaio de Luciane Cristina de Oliveira, do Núcleo de Eventos Culturais |
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| A HORA ÍNTIMA | ||||||
| Contexto da poesia estudada | ||||||
| O tema do amor na obra do "Poetinha" | ||||||
| Bibliografia | ||||||
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QUEM PAGARÁ o enterro e as flores Se eu morrer de amores? Quem, dentre amigos,
tão amigo Para estar no caixão
comigo? Quem, em meio ao funeral Dirá para mim:
- Nunca fez mal... Que, bêbado,
chorará em voz alta De não ter
trazido nada? Quem virá despetalar
pétalas Do meu túmulo
de poeta? Quem jogará
timidamente Na terra um grão
de semente? Quem elevará
o olhar covarde Até a estrela
da tarde? Quem me dirá
palavras mágicas Capazes de empalidecer
o mármore? Quem, oculta em véus
escuros Se crucificará
nos muros? Quem,
macerada
de desgosto Sorrirá: -
Rei morto, rei posto... Quantas, debruçadas
sobre o báratro Sentirão as
dores do parto? Qual a que, branca
de receio Tocará o botão
do seio? Quem, louca, se jogará
de bruços A soluçar tantos
soluços Que há de despertar
receios? Quantos, os maxilares
contraídos O sangue a pulsar
nas cicatrizes Dirão: - Foi doido amigo.. |
Quem, criança,
olhando a terra Observará um
ar de critério? Quem, em circunstância
oficial Há de propor
meu pedestal? Quais, que vindos
da montanha Terão circunspecção
tamanha Que eu hei de rir
branco de cal? Qual a que, o rosto
sulcado de vento Lançará
um punhado de sal Na minha cova de cimento? Quem cantará
canções de amigo No dia do meu funeral? Qual a que não
estará presente Por motivo circunstancial? Quem cravará
no seio duro Uma lâmina enferrujada? Que, em seu verbo
inconsútil Há de orar:
- Deus o tenha em sua guarda, Qual o amigo que a
sós consigo Pensará: -
Não há de ser nada... Quem será a
estranha figura A um tronco de árvore
encostada Com um olhar frio
e um ar de dúvida? Quem abraçará
comigo Que terá de ser arrancada? Quem vai pagar o enterro
e as flores Se eu morrer de amor? Rio, 1950 |
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Vinícius de
Moraes, através de palavras ligadas à morte: enterro,
flores, caixão, funeral, túmulo, báratro
-, demonstra que a força de um grande amor, pode levar qualquer pessoa a morte - não a morte física,
mas a interior -
que é
a pior das mortes, pois morta por dentro, a pessoa torna-se obrigada a continuar vivendo com os sofrimentos de
um amor frustrado. Seu ritmo é imposto dependendo do leitor, pois ele é o responsável pela entonação e pela velocidade da leitura, que estabelecerá a cadência da poesia, os versos rimados estabelecem um padrão para o ritmo deste poema, com a predominância de versos em rimas pobres, sob forma de dísticos:
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QUEM
PAGARÁ o enterro e as flores Se
eu morrer de amores? (...) Quem,
macerada de desgosto Sorrirá:
- Rei morto, rei posto... Mas que também contém de uma forma bastante peculiar alguns versos brancos: (...) De
não ter trazido nada? Quem
virá despetalar as pétalas Do
meu túmulo de poeta? (...) Quem
dirá palavras mágicas Capazes
de empalidecer o mármore? (...) Quantas
debruçadas sobre o báratro Sentirão
as dores do parto? (...) Que
há de despertar receios? Quantos,
maxilares contraídos O
sangue a pulsar nas cicatrizes Dirão:
- fio doido amigo... Quem,
criança, olhando a terra Observará
com uma de critério? (...) Quem
cantará canções de amigo (...) Qual
a que não estará presente (...) Que
cravará o seio duro (...) Qual
o
amigo
que a sós consigo (...) Quem
será a estranha figura (...) Quem
abraçará comigo (...) Quem
vai pagar o enterro e as flores Se
eu morrer de amores? |
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Estes
versos são um resumo, uma forma de divagação do poeta, uma sucessão de perguntas, que
consistem na síntese do poema - quem se importa com a morte por amor? - mas estas mesmas pessoas que não
o ajudarão, estão representadas neste poema: |
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Qual
a que, o rosto sulcado de vento Lançará
um punhado de sal Na minha cova de cimento? Estas pessoas, as mal amadas na vida, que ao invés de um sorriso, possuem no rosto uma imagem cadavérica, são mortos vivos, como Vinícius já cantou: - Quem nunca curtiu uma paixão/nunca vai ter nada, não (Livro de Letras, 138), e estes mesmos falecidos, ainda um dia jogarão sal sobre o túmulo do poeta - sal jogado sobre a terra significa infertilidade, estabelecendo metaforicamente o fim da doença da paixão vivida por tantos.. Mas também há de talvez encontrar defensores do amor: Quem
jogará
timidamente Na
terra grão de semente? Para que assim possam
nascer mais apaixonados... |
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| O amor na obra de Vinicius de Moraes | ||||||
| O contexto da poesia "Hora íntima" | ||||||
| Bibliografia | ||||||
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