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Para
as novas gerações fica muito difícil entender a
importância do Chico para a cultura, a sociedade e a história
brasileira. O que se pode fazer é tentar reconstituir muito
precariamente os contextos e os fatos ocorridos, desde o final dos anos
60 até o início dos anos 90, quando então o país, contrariando o
último apelo de Tancredo Neves, entrou num processo perigosíssimo e
gravíssimo de dispersão das forças sociais, no qual ainda está
mergulhado.
Aqui
também não há espaço para uma narrativa tão rica e tão complexa
quanto merece este tema. Procurem saber! Pesquisar, ouvir, conhecer, o
que está adormecido, ou entorpecido sob o manto do tempo, neste Brasil
triste e amorfo. A nação brasileira tem uma história recente
belíssima, associada ao processo de urbanização e modernização do
país, repleta de lutas, sempre brutalmente desiguais para os cidadãos
comuns.
As
letras e músicas do Chico são autênticos hinos à bravura dos
cidadãos simples e comuns do Brasil. Uma trilha sonora dessa história
de formação do Brasil moderno. Acompanhadas as músicas de uma
atuação pessoal destemida e indignada a favor da democracia brasileira
ainda embrionária . Se há uma coisa da qual ele nunca abriu mão, foi
de sua própria dimensão humana, de ser também um cidadão comum,
andando tranqüilamente pelas ruas e se interessando pelos assuntos e
interesses mais triviais de seus patrícios, homens e mulheres.
Para
a juventude dos anos 60 e 70 não havia uma cultura brasileira que se
apresentava primeiro, e depois, através dos canais culturais se
conhecia o Chico Buarque. Para essa juventude, primeiro se conhecia o
Chico Buarque, e isso já a partir dos 10, 12 anos, até os adultos
"com mais de 30", e depois, se formava a noção do que era a
cultura brasileira. De tal modo a obra de Francisco Buarque de Holanda
enraizou-se nos corações e mentes brasileiras, que ela já surgiu
eterna, parecendo ter sempre estado entre os brasileiros, desde o
início dos tempos.
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