“Humm.. vejamos...
Andrezinho — pode me dar uma força, um apoio moral... mas pouco
pode fazer para me aproximar dela, já que não se
conhecem. É “o amigo de fora que vai me levar para a
esbórnia sempre que eu fracassar”.
Thaís — idem, mas apoio moral é sempre importante.
É “a amiga que pode me apresentar a meninas consoladoras
para quando eu estiver carente”. Pode me ajudar também com o
Pedro.
Pedro — talvez eu consiga fazê-lo escutar minhas
lamentações se nos esbarrarmos pela noite. Pedro é
gente fina, chapa de todo mundo. Por que também não seria
meu? Não conhece a Crica, o que faz dele automaticamente meu
aliado – apesar de Anas e Alines...
Ana — acho que perdi muito quando ela e Crica brigaram. A amizade das
duas poderia me ser bastante útil agora. Metade dos meus
problemas estariam solucionados, pois ela seria a “amiga da Crica que
é minha amiga também e gosta de mim”. A via de
comunicação 100% garantida. Mas, infelizmente, agora ela
é a “ex-amiga de Crica que também é
minha amiga e gosta de mim”. Isso não é lá muito
útil, já que nada no mundo a faria manter contato com
Crica - nem mesmo eu! Mas de qualquer forma vou tentar. Ela pode
neutralizar a Aline se esta for na onda da Vivi.
Aline — um quebra-cabeça. Pode parecer impossível no
início, mas com as peças certas, o encaixe é em
segundos. Amável de vez em quando, mas esporrenta se eu deixar.
Acho que posso contar com ela no meu “time”. É fácil
conseguir fazê-la escutar o meu lado da história. É
só a Vivi não estar junto, senão fica
impossível uma brecha. Tenho certeza de que Aline vai ficar
solidária a mim – ela sempre fica. Aline gosta de mim. Posso
convencê-la facilmente da minha boa índole – então
ela começa a ficar
revoltada com o comportamento de Crica e conta tudo para mim
espontaneamente.
Vivi — eu não sei, eu... eu tenho o maior pé atrás
com ela. Nunca dá pra saber o que ela vai
fazer, ou como vai agir.
Quando a Crica está junto dela, chego a suar frio! Não
que eu tenha medo de algo que ela possa fazer, nada disso!!! Mas
é que... bem... talvez eu esteja sendo mal-interpretado por ela
e... sei lá, vai ser meio chato se, por causa disso, ocorram
mal-entendidos colaterais que me impeçam de voltar com a Crica.
Não acho que Vivi seja contra nós dois, mas ela me parece
muito... ahn... revoltada demais. Pode acabar tirando
conclusões erradas ao me ver por aí... ela não
entende essas coisas. Logo, esse convívio pode não fazer
muito bem à Crica. Vou tentar passar um papo nela, mas acho que
vai ser difícil. Desconfio dela. Não sei porquê,
mas tenho a impressão de que ela sabe de muitas coisas que eu
não sei – especialmente sobre a Crica. Bom, só de impedir
que ela me atrapalhe já saio no lucro.
Eventuais encontros da turma da faculdade — é a maior
dificuldade, pois não sou da turma e não posso aparecer
lá de bicão sem parecer extremamente
patético. Crica vai me avisar mas não chamar,
claro, ainda mais se Túlio confirmar presença. Minha
única esperança de informação é a
dupla Aline-Vivi. Mas como a Aline nunca vai....... fico num mato sem
cachorro. Resta torcer para que o Túlio consiga aquela vaga em
São Paulo e vá para bem longe.
Colegas de trabalho (redação) — essas são
fundamentais, porém há um empecilho. A mulherada do
jornal dela é fã da minha banda. Preciso, perante a
galera de lá, manter minha aura de rockstar. E não pega
bem para um ícone do underground correr atrás da
ex-namorada que ele próprio chutou dois anos
atrás. Então vou ter que sondar sobre a Crica com aquele
desprezo, aquela pose de “estou por cima”. É, vai funcionar.
Elas todas me adoram.
Crica — com ela é fácil, sei como funciona o mecanismo.
Sem influências nefastas externas, tê-la sob
controle é comigo mesmo. Basta enchê-la de flores e mimos
e coisas que o outro lá não faz. Enviar e-mail
é praticamente obrigatório - de preferência, manter
uma correspondência eletrônica diária, que é
para acompanhar os horários e a rapidez na resposta. Assim, como
quem não quer nada, me aproximo e fico sabendo dos eventuais
compromissos que ela possa ter. Eu ganho de qualquer forma: se ela
estiver bem com outro, vai fazer questão de me contar – e
sabendo da estratégia do inimigo fica facílimo de armar
um esquema e ganhar de goleada. Se ela estiver carente, chega
até a ser covardia – ela vai fingir que não quer saber de
mim, vai me evitar e não me dar qualquer
informação, mas aí eu a surpreendo na saída
do jornal com um buquê e um convite de jantar romântico.
Tá no papo.
Plano de ação — angariar o maior número de pessoas
solidárias a mim nesta missão. Apoio moral é
fundamental. Avisar muitos homens, em especial. De mulheres, só amigas
precisam saber (claro). Como não temos mais amigas
*íntimas* em comum, posso ficar tranqüilo que
ninguém vai dedurar meu plano - e se isso acontecer, aposto que
Crica vai é gostar muito. De qualquer forma, a única que
poderia fazer isso é Aline, pois Ana não fala com Crica;
e Vivi, provavelmente, não vai querer me ouvir - mas pode saber
pela própria Aline. O negócio é agir para cima de
Aline, deixando-a sentimental e faladeira, enquanto sondo o
terreno; e depois ser rápido para impedir que Crica se encontre
com ela ou Vivi depois disso. Nunca se sabe...”
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