The end is the beginning
is the end
.
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Meia-noite.
Day after
. Ai. Exatos 7 dias depois.
.
Condições climáticas: as
mais bizarras possíveis. Como ela foi se meter nessa enrascada é
um mistério, mas que vindo dela, ninguém se espanta.
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Retrospectiva: costumavam ficar sempre às
escondidas, pois ele tinha namorada. Ela se acomodava com a situação
- de fato até preferia de tal jeito, pois mantinha sua liberdade
plena e absoluta e não queimava muito o seu filme, digamos assim. Situação
ideal e tão confortável para ambos que o rolo foi durando,
durando... longos meses passando sem os dois terem noção disso.
Até que culminou com um afastamento emblemático depois de consumidas
todas as etapas de um relacionamento. Isso há meses atrás.
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Porém, eis que na semana passada ela é
surpreendida por um beijo do nada no meio de uma conversa amena entre os
dois. O que ela considerava ingenuamente ser o começo de uma amizade
com o rabo bem solto foi apenas uma deixa dele. E aí tudo (re)começou
- só que com ele solteiro. A pergunta feita a ela ressoava em sua
cabeça há 7 dias: "vamos ficar juntos?"
.
E agora? Que cretino! Bem depois que ela tinha
adorado ficar justamente com um amigo dele...! E uma semana depois de ter
sido preterida pelo mesmo
de forma lastimável. Seria estratégia de rebound? Seria
tesão incubado por vê-la com outro? Ahh, disso ela tinha certeza,
pois entre os dois sempre foi assim. Desde quando ficaram pela primeira
vez, eles podiam passar semanas sem se falar - mas era só a namorada
pisar na boate, ou ela se agarrar com um cara qualquer, que algo faiscava
entre os dois.
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Esse era o 'plus' dele... Ela podia ficar com
quantos quisesse, quantas vezes fosse possível, que isso só
ia aumentar (e melhorar) o que os dois tinham. Não era a sensação
de perigo, o medo de ser pego, ou a canastrice de ser a outra, ou de ter
duas sem uma delas saber... nada disso que tipicamente é a grande
sacada dos amantes. Era ela com outro que despertava sua cobiça - e
ele levando a namorada em casa e voltando pra boate que a deixava doida.
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Foram várias as situações...
como aquela vez em que ela estava ficando a noite toda com um rolo, e ele
estava sozinho mas cercado de amigas da namorada. Sequer se falaram nesta
noite, e na saída... Ele, indo atravessar a rua com o grupinho e
ela, seguindo a amiga para pegar um táxi; quando o grupo já
estava longe, e o sinal quase ficando vermelho, bastaram 3 segundos para se
verem e rolar o inevitável. Nenhuma palavra, nenhum diálogo,
nadinha para contar a história... E foi ali que ela viu razão
para tudo aquilo.
.
Por causa *disso*, pensou, é que ela ficava
com ele. Com nenhum outro ela tinha esta curiosa relação
de cumplicidade superficial. Quantos homens ela já não tinha
perdido por aí por ter sido vista com outro? E quantas vezes ela
não se revoltou com isso? Só por esse diferencial ele já
valia a pena, e como. A cara meio goofy que ele tinha, a sua total falta
de sex-appeal... meros detalhes contornáveis. Se ele fosse um Deus
grego, mas incapaz de porporcioná-la tal sensação,
de quê adiantaria?
.
Tais devaneios passavam por sua mente enquanto
o táxi rumava para buscar sua amiga. Seria uma night qualquer - um
day after qualquer - se não fosse pelo "vamos ficar juntos?". Aquilo
mudava tudo, e mexeu com ela de forma esquisita. Mas não é
isso que toda amante quer, ser a oficial? Então por que está
apreensiva a ponto de sair correndo a qualquer momento? Por que o jantar
não lhe caiu bem?
Sua amiga entra no táxi, amenidades
pra lá, trivia pra cá... e o assunto inevitável entra
em pauta. E ela acaba desabafando com a amiga: "A grande graça da
gente eram os *terceiros* do babado... e agora?"
E agora? Como será 'ficar junto'? "ficar
junto"??? Com ele livre pra ficar com ela, e ela por sua vez sem poder
ficar com mais ninguém? Bem, o stress de um possível flagra
não existirá mais, ponto positivo. Em compensação
agora ela pode ser vista com ele - ponto negativo! E lá iam as duas
amigas, ponderando dentro do táxi, medindo os prós e os contras...
e a boate ficando cada vez mais perto.
Pela janela do táxi ela avista o neon
e sente a velocidade diminuir - e sua espinha gelar. Paga a corrida, salta
do táxi, a amiga bate a porta. Vão se encaminhando até
a aglomeração de pessoas, com o intuito de passar por lá
o mais rápido possível e conseguir lugar na fila, despercebidas.
E ali, ai, bem ali à esquerda, está ele. Sozinho. Pior: Solteiro.
Ai. Ai caramba.
Quando os dois se olham...
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