Mais alguns meses se passam. Meses decisivos! A batalha final no gueto mutante deveria acontecer a qualquer momento, os X-Men só estavam aguardando um sinal. O tal dia era tão sigiloso, para que nenhuma contra-resistência fosse armada, que os X-Men nem sabiam se receberiam o sinal enviado por Mística, ou Mercúrio, ou o próprio Magneto! Só treinavam e aguardavam, roendo as unhas... Jean Grey sentia-se deprimida. Além de estar com sua enorme barriga do nono mês de gravidez, tinha perdido completamente o controle sobre seus poderes! Podia passar dias sem telecinésia ou telepatia, como poderia acordar um dia com esses poderes alucinadamente fortes e descontrolados! Estava óbvio que ela não participaria da batalha no gueto, e isso a frustrava. Se ao menos fosse uma grávida com poderes... mas nem isso... Era uma simples grávida. 

A Ruiva estava sozinha no quarto, deitada na cama, pensando em como sua participação na batalha seria tão importante... Sentia-se inútil, queria ajudar o grupo; mas estava claro que não podia. Jean estava naquele momento, milagrosamente, com sua telecinésia! Aproveitou para pegar uns objetos que queria a distância, andar já era complicado.

Jean: Ora, ora ora... Minha telecinésia está funcionando! Telecinésia é realmente ótimo! Com essa barriga já não agüento andar como antes.

 Fera bateu na porta do quarto da ruiva, ela disse que ele poderia entrar. E em dois pulos, ele caiu agachado ao lado da cama dela. 

Fera: Esse humilde animal azul veio ver como está a mais linda grávida do mundo.

Jean: Mal.

Fera: Parece muito bem, senhorita Grey. 

Jean: Mal, interiormente mal. 

Fera dá um impulso no chão e pula, agarrando o lustre do quarto, Jean não se espanta. Ele cai diante de uma mesinha de canto no outro lado do quarto, tira uma florzinha amarela de um vazo de flores e volta a pular para o lustre e a cair ao lado da cama. 

Fera: Uma flor para animar você. 

Jean sorri tristinha, beija a mão peluda de Hank. 

Fera: O que disse minha adorada Miriam hoje?

Jean: Disse que ao que tudo indica, Rachel deve nascer em menos de uma semana. 

Fera: E se não nascer, parto induzido, ou cesariana.

Jean: Certo. ... Mas eu queria que ela viesse hoje. Agora!

Fera: Virá quando estiver pronta para vir. 

Jean senta na cama e tenta flutuar pelo quarto, não consegue. Mais uma vez estava sem os poderes... A barriga fazia peso contra a bexiga e ela queria ir ao banheiro de novo. Fera puxou seu braço para que ela se levantasse da cama. Ficou de pé com as pernas meio abertas e foi andando devagar como uma barca, pendendo para um lado e para o outro, até o banheiro do quarto. Quando voltou, encontrou Fera sentado no chão com um sorriso maroto, ela foi andando como uma barca de novo para a cama.

Jean: Que foi? Porque o risinho?

Fera: Nunca imaginei te ver andando assim. 

Jean: Eu estou assim porque a Rachel desceu. Estou sentindo ela aqui em baixo...

Fera: Encaixada na bacia, já na saída do colo do útero.

Jean: Exatamente. 

Fera: É... pode nascer a qualquer momento mesmo. 

Jean: Queria agora! Agora! 

Fera antes de sair do quarto, deu um beijo na testa da mãe ansiosa. 

Fera: Deixa de ser ansiosa, que eu te conheci como o poço da serenidade, da compreensão, da calma, da sabedoria telepática. Esse não é o momento de mudar de personalidade, por mais que essa revolução de hormônios da gravidez estejam como loucos dentro de você. 

Jean: Eu sei...

Fera: Quanto mais ansiosa, nervosa, agitada, pior o parto. E não pense que se essa criança nascer hoje, nós vamos permitir que você saia amanhã ou depois para uma batalha! Não pense, senhorita Grey, não pense... 

Fera mandava uma piscadela de olho a distância enquanto fechava a porta, levando mais um livro do Kafka debaixo do braço. Jean o interrompeu antes de fechar completamente a porta.

Jean: Fera?

Fera: Sim.

Jean: Só agora eu fui lembrar que talvez eu não esteja com minha telepatia para me ajudar no parto. Será que eu vou sofrer muito? Nem me preocupava com isso antes e...

Fera: Não pense nisso. Estamos no século XXI e a medicina tem diversas anestesias a seu dispor. 

Jean sorri tranqüila e Fera se vai pelo corredor, pulando enormes e enormes distâncias. 


Enquanto isso no gueto, Mercúrio preparava uma enorme disseminação do aviso final a todos os habitantes do gueto. Obviamente, por envolver um enorme número de pessoas, os militares que tomavam conta do gueto já sabiam o que ocorreria naquela manhã. Ocorreria o nada! O sol nasceu e as pessoas foram se arrumando para saírem de casa e irem para seus trabalhos no gueto, ou para escola, ou para um passeio dentro do lugar feio e murado. Saíram todas de casa e ficaram simplesmente paradas na calçada! paradas em frente de casa, todas as pessoas! Um mar de gente, simplesmente parada, sem protestar, sem ação... Simplesmente paradas. Era como se o tempo tivesse parado, como se a economia, a política, a cultura não existissem! Porque ninguém falava, namorava, comprava, produzia, discutia! Era o nada! O protesto pacífico silencioso! Os militares andavam pelas ruas com seus cachorros pastores olhando para as calçadas repletas de pessoas imóveis, era incrível! Ramisfield resolveu esperar antes de reagir. Deu meia hora, uma hora para ver se a situação mudava. Mas nada! Algumas pessoas sentaram na calçada, ou no meio fio, mas estavam todas lá, na rua, sem fazerem nada! Então, ouve-se a voz de Ramisfield em todos os alto-falantes do gueto:

Ramisfield: Muito bem... Bem bolado e bonitinho. Mas vocês vão ficar todos parados na rua por que? E até quando? Os médicos desse gueto não vão cuidar de seus pacientes? As crianças não vão para a escola? Os verdureiros não vão vender nada? Ninguém vai produzir ou comprar? Assim a vida pára, pessoal! Vocês vão ficar em pé aí até morrerem de fome?

Ramisfield pensava que isso seria até bom! Uma espécie de suicídio coletivo! Todos ali parados, até morrerem. Isso lhe pouparia trabalho. Mas ele tinha que argumentar e saber o que todos queriam afinal.

Ramisfield: Vamos, pessoal! O Harlem é o bairro de vocês! Ele precisa funcionar! 

Mais uma hora passou e nada! O máximo que as pessoas fizeram, foi andar um pouquinho a diante na rua, para depois paravam de novo. E na hora seguinte a mesma coisa, as pessoas andavam um pouco adiante e paravam. Já não eram só as calçadas com pessoas, tinha gente nas esquinas, nas ruas, uma multidão que ia a passos de tartaruga em direção ao portão principal! 

Ramisfield: Muito bem! Voltem todos para casa agora! Se não vão trabalhar, estudar, comprar; vão pra casa agora! Quem fica vadeando na rua sem ter o que fazer vai preso aqui no Harlem! 

Mais meia hora, Ramisfield não podia dizer aos soldados que atacassem toda a população. Nenhum governante gosta de povo na rua, ele estava com medo.

Ramisfield: Eu avisei que quero todos em casa! Voltem para suas casas! Vocês não têm o direito de ficarem na rua sem fazerem nada! Estão destruindo a ordem e o bom funcionamento de sua própria sociedade! Vão ver o caos, a desordem, a carência, a carestia, a fome, a discórdia, a violência! Voltem para casa ou façam o que devem fazer!

Mais meia hora! Ramisfield ordenou que os brutucús entrassem em ação. E lá estavam os tanques e caminhões com jatos de água fortíssimos sendo jogado em cima da população! Se o jato batesse em alguém, a pessoa poderia ser jogada longe! Todos se uniram em blocos bem juntinhos um do outro! Os jatos de água batiam e machucavam pela força, mas dispersar a população, (que era seu objetivo), não dispersava. Então, entraram em ação as bombas de gás lacrimogêneo! Todo mundo começou a correr, mas ninguém voltou para casa! Foi até pior, pois o caos e a zona se instalaram! Enormes grupos de uma rua corriam em direção a outra por causa de uma bomba de gás lacrimogêneo! Grupos de uma rua poderiam se dividir em três e correrem para se unirem a outros grupos de outras ruas e praças! Os milicos estavam sem o controle da situação.

Foi então, que no céu do gueto apareceu uma figura que flutuava em sua majestade! Como um rei, dono da situação, Magneto olhava para o gueto lá em baixo! Os milicos já olharam para cima atirando, mas Magneto parava todas as balas no ar! E derretia as armas como se fossem de manteiga.

Magneto: Ramisfield, eles querem apenas uma coisa para voltarem a ter suas vidas normais: liberdade! Você e seus guardinhas saiam dessa redoma murada, que este povo aprisionado se libertará!

Ramisfield coloca todos os seus guardas na rua, todos os tanques, cachorros, armas, chama a aeronáutica e mais ajuda do exército externo! A ordem era matar qualquer um na rua ou no céu: ou seja, todos!

Magneto: Mutantes, coloquem em prática o que meu filho ensinou a vocês! Todos verão a força mutante, a força provocada pela opressão, humilhação, ódio, preconceito!

Os militares nas ruas se assustaram! Além de Magneto estar desparafusando qualquer comboio militar que se aproximasse de um determinado grupo, a própria população estava reagindo com poderes mutantes! Um rapaz flutuou e deu chutes na cara de dois soldados, uma menina ia ser pega ao mesmo tempo por três milicos, mas ela os paralisou rindo como bobos olhando para ela felizes da vida! Um rapaz andava no meio da confusão, dos tiros, das correrias, dos poderes mutantes sendo acionados, como se ninguém o visse! Como se fosse transparente, e assim ia andando até chegar ao lado de um soldado e lhe tirar a arma! Enquanto a Resistência interna começava, Magneto fez contato com os X-Men. Apesar de ser muitíssimo poderoso, ele não poderia arcar com tudo sozinho!


Enquanto isso na mansão, todos esperavam pelo sinal, mas não achavam que fosse chagar naquele exato momento. Vampira fazia um minúsculo rabo de cavalo no cabelo de Gambit, enquanto ele lia mais um livro da Revolução Francesa, para lhe inspirar bastante no dia do ataque! Warren chegava na sala, vindo da garagem. Tinha acabado de estacionar o seu jaguar, foi num supermercado mais próximo comprar caviar, azeite grego, champanhe para guardar para o dia da vitória. Comprou com o próprio dinheiro. 

Gambit: Supermercado, é?

Anjo: Pois é. 

Vampira: Indutor de imagem ou casacão mesmo?

Anjo: Indutor de imagem!

Jean vinha descendo as escadas toda lerdinha em direção a sala, Vampira ficou apreensiva. A ruiva sorriu para Gambit, que lhe retribuiu com uma piscada de olho e um beijinho jogado de longe. Warren foi até a escada e a ajudou a descer os últimos degraus.

Anjo: Onde está sua telecinésia, Jean? Facilitaria sua vida.

Jean: Meus poderes estão caprichosos, vêm e vão quando querem. 

Ela se soltou das mãos de Warren e foi andando como uma barca para uma poltrona, sentou toda de mal jeito, colocou uma almofada em cima das pernas. 

Jean: Já não consigo mais fechar as pernas por inteiro, e como senhor Remy Lebeau se encontra presente na sala, a almofada é necessária.

Vampira: Ótimo! Muito prudente você... - Ela sorri, Jean também. 

Warren joga para Vampira um embrulho! Ela o agarra no ar perguntando "que isso?", ao que Warren responde que viu numa loja e comprou pra ela.

Gambit: Ihhhh. Mon ami, que história é essa? 

Anjo: Deixa de ser ciumento, Gambit. Comprei pra você também. - E joga para o cajun um outro embrulho. Para Jean ele entrega em mãos. 

Vampira se surpreende ao ver que o presente era um vestido de cetim lilás! Gambit mais ainda, ao ver que seu presente era um baralho de cartas comprado num antiquário! Francês, do século XVIII, com números e naipes gravados a ouro em cada carta! 

Anjo: Esse não é para você ficar explodindo por aí... 

Gambit resolve brincar.

Gambit: Mon ami, você era daquelas crianças chatas que só tinha amigos na escola porque comprava todo mundo, não era? 

Vampira sobe as escadas correndo, rindo da brincadeira de Gambit sobre a infância de Warren, ela iria trocar o vestido para ver como ficava! 

Anjo: Na verdade, era isso mesmo. Eu não era chato, mas era esquisito, mutante. Porém, tinha uma penca de falsos amigos, sempre dei festas lotadas de gente na minha casa. Mas eu não comprava nenhum daqueles chatos, eles é que se vendiam. 

Jean abre o embrulho e se enternece, era um boneco de pelúcia no formato do Noturno! Warren mandou uma loja especializada fazer o boneco especialmente para Rachel. Vinha escrito o nome do "bichinho" BAMF! 

De repente, Jean começou a respirar de forma agitada, colocou a mão na cabeça, gemeu! Todos acharam que poderiam ser as primeiras contrações do parto, ou mais um ataque de seus poderes, agora incontrolados. E então, uma ventania invade as janelas, levantando as cortinas, fechando os olhos de todos na sala! As portas batem, um jarro de cristal de murano explode, se quebrando em minúsculos pedaços! Vampira volta para a sala, usando o vestido lilás, e se segurando nas paredes por causa da ventania! As árvores estavam como loucas no jardim, a piscina estava encrespada, o clima mudava rapidamente, mas entre as nuvens cinza chumbo que se formavam, um raio de sol invadiu divinamente a porta da sala com o jardim! E como por encanto, um espectro brilhante começou a se formar! Na porta, bem no centro daquela luz, uma forma humana se formava, brilhava, era feita de luz! Ganhava, e ganhava forma, até ficar visível que era Psilocke! Warren correu para abraça-la, mas só conseguiu tocar o ar! Ela estava em outra dimensão!

Psilocke: Warren, eu até poderia tocar você, se fizesse força, mas não é hora para isso. Meu anjo, eu vim trazer uma notícia de extrema importância! Mercúrio tentou uma última forma de ganhar a liberdade, com uma manifestação pacífica. Mas não deu certo, então Magneto entrou em ação. Se preparem, a resistência interna começou, o mestre do magnetismo deve fazer contato com vocês em poucos minutos! Formem os grupos agora mesmo, lutem pelos nossos direitos, pelos direitos de todos no mundo! Eu ajudarei da forma que puder! 

A luz começou a enfraquecer, Warren correu de novo para porta.  

Anjo: Betsy!!!!! Volta! Fica!

Quase sumindo no ar, quase invisível e com a voz baixíssima, Psilocke ainda conseguiu dizer algumas palavras para Warren.

Psilocke: Warren, não faça isso com você, meu amor. Eu já fui há muito tempo, é hora de você ganhar novamente a felicidade. Se a minha visão ainda te alimenta alguma vã esperança, não volto nunca mais!

Anjo: Não! Volte sempre, sempre que puder. 

Psilocke: Adeus, Anjo. Não pense que sou fria, só estou pensando no seu bem... Quero sua felicidade, por isso não quero te tocar, falar muito com você, ser doce com você. Viva sua vida sem sofrer por mim, que eu te esperarei aqui, pelo dia que possamos ficar juntos de novo. 

E a luz some! 

Anjo: Nããão!

Não houve muito tempo para Warren sofrer, enquanto Jean levantava com dificuldades da poltrona e ia abraçá-lo para acalmá-lo e dizer coisas boas de incentivo, Vampira acionou o alarme de emergência! Scott saiu correndo da sala de perigo, Wolverine também, Tempestade, que estava no jardim tentando entender a estranha mudança climática, também veio correndo! Em poucos minutos estavam todos juntos! Gambit contou a todos da mensagem de Psilocke! 

Scott: X-Men! A formação das duas equipes está valendo desde agora! Equipe um liderada por mim: Vampira, Gambit, Bobby Drake, Noturno e Bishop.

Tempestade: Equipe dois liderada por mim: Wolverine, Fera, Anjo, Sam e Jubileu. 

O professor Xavier vinha com sua cadeira de rodas do escritório.

Professor: Pela prontidão de todos, acho que vocês também já sabem! Magneto acabou de se conectar comigo! A hora é agora! 

Vampira tirou a pulseira do braço e foi guardá-la rapidamente no seu quarto! 

Scott: Professor, o senhor que irá ficar, olhe pela Jean todos os instantes. 

Professor: Não precisava nem pedir, meu filho. 

Scott corre para abraçar Jean e dizer a ela que tudo ia ficar bem e que eles iriam voltar logo. Que ela deveria ficar calma em casa e pensar na filha que iria nascer. E que ele faria de tudo para estar presente com ela nesse momento especial. 

Jean: Eu quero ir, Scott. Quero ir com vocês.

Scott: Meu amor, você mal anda... Por favor, não pense besteira. O professor vai ficar e se precisar de qualquer coisa ele fará por você. 

Todos entraram no pássaro negro, que levantou vôo em direção ao gueto! Jean e o professor Xavier ficaram no jardim, olhando para céu, vendo a aeronave sumindo no ar, com os corações nas mãos. Jean ainda viu o rosto preocupado de Scott grudado na janela do pássaro negro. Ele tinha medo que a filha nascesse enquanto ele estava fora. 

O professor e a ruiva voltam para a sala cabisbaixos. Um silêncio total, uma tristeza profunda que ela sentia. Teria uma depressão anti-parto, ao invés da pós parto, pensava Xavier.  


Os x-men chegam no gueto e fazem contato visual com magneto, que reinava absoluto nos ares daquela fortaleza murada! Ele flutua do céu, para o lado de fora do gueto, onde se encontravam os x-men.

Scott: Eles ainda não conseguiram derrubar nenhum dos portões?

Magneto: Ainda não.

Vampira: E por que você não fez isso ainda com o seu poder?

Magneto: Estou tendo que evitar mortes, segurando balas, derretendo armas, destruindo tanques... 

Vampira: Então deixa comigo!

Vampira ajeita o cabelo, faz uma cara de ódio e parte para cima do portão! Ela começa a puxá-lo com toda a sua força! Estava arrancando-o do chão, era impressionante! Magneto resolveu ajudá-la a distância no que podia, e com seu magnetismo ajuda-a a arrancar o portão! A  população dentro do gueto grita vivas ao ver o portão arrancado, e por mais que militares fizessem uma barreira humana na frente do portão arrancado, e atirassem nos X-Men; a população do gueto passava por cima dele e corria para fora do gueto! Muitos ficavam do lado de fora com martelos, pás e britadeiras, quebrando os muros, sem serem importunados pelo perigo e pela zona interna do gueto! Mas durou pouco tempo, logo helicópteros chegaram e começaram a atirar em quem estivesse perto do muro, interna ou externamente! 

Os X-men, antes de entrarem definitivamente no gueto, foram segurados por Gambit, que disse que entraria na frente com Vampira! O cajun deu a sua mulher uma enorme bandeira branca!

Gambit: Ma chere, entre na frente, segurando esta bandeira!

Vampira: Que isso, Gambit? Tá maluco?

Gambit: Segure-a bem no alto, com a mão direita e entre flutuando no gueto! Que atrás iremos nós!

E foi isso que Vampira fez! Segurou a enorme bandeira branca com a mão direita e entrou voando baixo no gueto mutante! Por cima dos soldados e dos mutantes da resistência! Pairando no ar como a justiça, como a liberdade dos povos, como a revolução, a igualdade, a mudança! Voavam ela e seus cabelos, enquanto sua bandeira branca tremulava no ar!

Gambit: Vamos, X-Men! É a Liberdade que entrou nesse gueto! Agora entramos nós!

E então os dois grupos entraram correndo, os que sabiam voar entraram voando! Gambit entrou correndo, gritando, com os braços abertos e os olhos fechados! Como quem mergulhava sem ver o que tem adiante!

Gambit: LIBERTÉ, EGALITÉ, FRATERNITÉ!

Cada X-Men já entrou usando seus poderes para se defenderem dos ataques dos soldados! Aquela batalha não seria rápida!


Enquanto isso na mansão, Jean Grey comia as mãos de tanto nervoso e ansiedade. O professor Xavier tinha medo do que ela poderia fazer! Ela levantou-se e caminhou lentamente e desajeitada até a porta da mansão.

Professor: Jean? Onde é que você pensa que vai?

Jean: Para o gueto mutante!

Professor: Não!

Jean: Impeça-me, então!

E foi isso o que o professor fez! Com sua telepatia, ele paralisou Jean na frente da porta! Ela não tinha como lutar contra a mente dele. Mas fez muita força, muita força para voltar a ter controle de seus poderes! E então, como vinha acontecendo regularmente, os poderes de Jean vieram numa intensidade incrível! Veio apenas sua telepatia, mas de uma forma extremamente poderosa! E ela lutou contra a ordem de paralisação do professor!

Professor: Ahhhh! Não, Jean! pare! Estou fazendo isso para o seu bem!

Jean já conseguia mexer a cabeça e os braços, estava se libertando! Estava vencendo a mente do professor!

Professor: Jean! Você quer ter sua filha no meio da rua? Durante uma batalha? Não lute contra mim! Se não está me obedecendo, eu que sempre fui como um pai para você, ao menos obedeça aos direitos da sua filha de nascer com saúde!

Ela estava se libertando da paralisação mental e física do professor!

Professor: Nãããão!!!

Incrível! Jean podia se movimentar! O professor Xavier não tinha comandos sobre ela!

Professor: Você finalmente me superou, minha filha! O desejo de toda a minha vida se realizou justamente nesse momento em que eu deveria estar comandando seus desatinos! 

Jean, porém, estava sem sua telecinésia. Não poderia voar até o gueto, teria que ir andando e pegar um táxi! Mas se o professor Xavier não tinha comandos mentais sobre Jean, ao menos ele poderia detê-la manualmente! E foi com sua cadeira de rodas até aquela ruiva que se locomovia a passos de lesma. Ele segurou-a pelo braço, mas ela continuou andando. O professor Xavier estava agarrado a ela! Pareciam dois deficientes físicos, que não podiam andar e mesmo assim juntavam todas as suas forças para correrem! Xavier chegou a cair da cadeira e sua mão se desprendeu do braço dela. Jean continuava a andar da forma que podia, o braço esticado do professor tentava agarrá-la mais uma vez. Porém, vagarosamente, Jean se distanciava, andando desajeitada, segurando a barriga baixa pelo jardim. Xavier ainda se arrastou um pouco pelo chão na direção dela, mas mesmo lenta, ela se locomovia enquanto ele era imóvel.

Jean pegou um táxi e pediu para descer próximo ao gueto, o taxista achou estranho, e teve que parar a duas quadras de distância. O exército já tinha fechado os quarteirões em volta do gueto. Jean saiu do carro sabendo da extrema necessidade que iria ter de seus poderes agora. Mas ainda só tinha sua telepatia. Há poucos minutos extremamente forte, conseguindo até superar o professor Xavier, agora seu poder voltava a ficar mais fraco. Jean tinha medo de perdê-lo de vez justo naquela hora. Foi enfrentando a barreira do exército, induzindo-os a pensarem que ela era mais um soldado! Mesmo andando bem vagarosamente e segurando a barriga, todos eles viam um soldado armado caminhando! Ao chegar perto dos portões, viu o caos! Inúmeras pessoas travando uma batalha na muralha externa do gueto, inúmeras pessoas travando uma batalha na parte interna do gueto. Algumas partes do muro já haviam sido derrubadas. Jean subiu os escombros de um pedaço do muro derrubado e entrou no gueto. Pôde ver no céu uma deusa negra, de olhos e cabelos brancos causando estragos catastróficos! Ao seu lado, como se fosse o rei dos céus, estava Magneto! Todos os soldados estavam espantadíssimos com o fato dos mutantes do gueto terem poderes! Ramisfield resolveu acionar o plano B!

Ramisfield: É chegada a hora do plano B!

Cientista-militar: Ramisfield, o protótipo ainda não está completamente pronto...

Ramisfield: Dane-se! Vai ser usado assim mesmo!

O plano B era o seguinte: Uma arma que disparava um chip sub cutâneo indutor de poderes! Tecnologia conseguida graças a engenharia reversa! O ladrão que roubou a pulseira de Vampira, há poucos meses, e a devolveu logo em seguida, fez um escaneamento da tecnologia usada.  Assim, foi muito mais fácil para Ramisfield reproduzi-la.

Ramisfield: Disparem essa arma em todos os mutantes que vocês virem pela frente! Principalmente nesses condutores da rebelião!

Jean caminhava pelas ruas em guerra do gueto, estava sentindo-se fraca e caiu sentada no chão. Seus poderes voltavam a falhar, seus olhos ficaram úmidos e choraram. Talvez tivesse feito a maior burrice da vida, desobedecer o professor daquela forma, vê-lo caído no chão querendo detê-la e nem ao menos ter voltado para colocá-lo sentado na cadeira, estar no meio daquela guerra sem poder ajudar; e como grávida, só atrapalhando... mas queria ajudar, de alguma fora queria ajudar! Um soldado passou correndo pela calçada dela e a viu chorando. Ele estranhou... Uma mulher grávida. Era uma mulher, não era uma mutante! Não tinha orelha pontuda, não tinha a pela azul, não tinha o cabelo branco, não tinha os olhos estranhos: era uma mulher grávida! Ele agachou-se ao lado dela.

Soldado: Moça, eu posso ajudá-la? O que você está fazendo nessa confusão?

Jean: Eu preciso da sua ajuda.

Soldado: Claro. Eu te coloco no colo e te levo para fora do gueto, coloco você num taxi para sua casa ou para uma maternidade.

Jean: Não... Não é isso que eu quero. Eu estou aqui buscando uma amiga de infância. Ela é mutante e foi trazida para cá. Quando fiquei sabendo dessa guerra, corri para ver se a encontrava.

Soldado: Moça, eu vou te levar para casa. Aqui você não vai conseguir encontrar ninguém!

Jean: Mas eu fiquei sabendo que ela foi presa! Presa, bem antes dessa guerra começar. Por favor, eu preciso vê-la.

Soldado: Moça, eu nem tenho acesso aos presos, e visita a eles é proibida. Sem contar que existem problemas demais aqui fora para alguém se preocupar com aqueles presos.

Jean: Mas eu me preocupo. Ela era minha amiga de infância!

Não estava adiantando dialogar, obviamente! Mas Jean já não tinha mais poderes para comandar os pensamentos daquele soldado. Ele a colocou no colo e a foi levando para fora do gueto. Jean fez muita força mental, tentando recobrar seus poderes! O soldado viu aquele rosto sério, fechado, sofrendo na busca dos poderes; ele pensou que a grávida estivesse tendo contrações.

Soldado: Calma, moça... Já, já eu vou te colocar num táxi.

Foi então, que a telepatia de Jean voltou mais uma vez! Mas ela já estava extremamente fraca para fazer uso dela. Muitas coisas aconteceram, o uso extremado dela contra o professor, o uso rarefeito nos soldados que bloqueavam os acessos ao gueto, e agora, Jean tinha que buscar esse poder quase morto do fundo da sua alma. Somado a tudo isso, sentia-se mal por causa da sua gravidez. Mas queria ajudar de alguma forma! Juntou forças e fez a cabeça do soldado!

Jean: Leve-me aos presos agora!

Soldado: Claro.

O soldado a colocou no chão. Jean apoiou seus braços nos ombros dele e foi andando capenga por vários quarteirões, até chegarem a um estabelecimento sem placa nenhuma, com um enorme portão de ferro. A guerra exigia tamanha dedicação de todos os soldados do gueto, que ninguém guardava o lugar dos presos! Eles estavam lá dentro sozinhos, acorrentados em seu cubículos imundos, amarrados a uma árvore do pátio, mortos a dias expostos ao sol, presos dentro de celas. Ramisfield não se preocupou em deixar soldados guardando aquele lugar, pois ninguém no gueto sabia que os presos ficavam ali. Apenas os soldados sabiam e nenhum deles iria abrir os portões para que os presos, ainda vivos, fugissem! O único soldado que fez isso, fez a mando de Jean!

Jean: Abra os portões!

Os portões se abriram e Jean fez o soldado adormecer, ali mesmo na calçada. Ela entrou pelo pátio e já sentia o cheiro de fezes, urina e carne morta. Vomitou, se agarrou a uma parede, achou que não conseguiria prosseguir. Foi segurando a barriga com as mãos e andando como uma barca em direção a árvore no fundo do pátio. Lá estava um mutante todo cheio de hematomas e cortes no corpo, acorrentado ao tronco. Estava molhado também, pegou chuva na noite anterior ali mesmo na árvore. Jean bateu de leve no rosto dele para acordá-lo. O mutante se assustou ao ver uma mulher grávida.

Jean: Não se assuste. Vim ajudá-lo. Você sabe como posso tirar essas correntes da árvore?

Mutante: Tem... ... um ... machado escondido atrás daquela ... primeira porta da casa.

Jean pegou o machado e cortou as correntes. O homem também se levantou mais capenga do que ela.

Jean: Onde estão os outros?

Mutante: Em vários lugares dessa casa, são muitas ... salas e celas.

Jean: Tente soltar os outros, eu vou acordar aquele outro homem deitado aqui no pátio.

Mutante: Não encoste nele... Ele está frio desde ontem, morreu. Mataram ele.

O mutante levou o machado consigo, ao entrar na casa, numa das celas tinham 4 presos juntos! Eles gritaram de ansiedade ao ver o mutante solto e com o machado! Ele quebrou os cadeados com o machado e soltou os outros quatro!

Jean: Vocês podem sair pelo portão! Não tem ninguém vigiando! Mas há uma guerra lá fora, tomem cuidado!

Os quatro agradeceram e disseram que foram presos justamente porque participavam de reuniões que os treinavam para essa guerra, eles saíram felizes e ansiosos por vencer. Jean e o mutante com o machado prosseguiram, encontraram outros presos que conseguiram sair com suas própria pernas mancas, encontraram outros mortos e outros fracos demais, desacordados. Jean viu a máquina de choques, um aquário com água imunda, fezes pelo chão, urina! Teve visões das torturas, ouviu os gritos, viu o rosto de Vanda gritar! Lembrou que meses atrás tinha ouvido e sentido o mesmo grito, durante uma madrugada inquieta!

Mutante: Não se assuste. Uma das coisas que os desgraçados faziam era não nos dar o direito de irmos ao banheiro. Fazíamos tudo por aí mesmo, as presas ficavam menstruadas sangrando pelas pernas por dias e dias, e eles nada faziam; a não ser torturarem mais!

Os dois chegavam perto da estranha porta que exalava um cheiro terrível! Quase desmaiavam só de chegarem perto. E quando abriram a porta, viram inúmeros corpos de bebês mortos, já apodrecendo, com os músculos, vísceras e ossos aparecendo! Bebês mutantes, assim como a Rachel! Jean teve uma vertigem, e o mutante a amparou!

Mutante: Moça? Moça? Tudo bem com você?

Jean abriu os olhos lentamente, as lágrimas lhe embaçavam a vista, e quando rolaram rosto abaixo; ela pôde ver o corpo de uma mulher estendido no chão. Era o rosto que viu, ouviu e sentiu gritar! Estava morta, também já apodrecendo!

Jean: É terrível demais, é terrível demais! Terrível!!!

Mutante: Shiiii, calma, moça. Calma.... É a coisa mais horrível que eu também já vi e sofri em toda a minha vida, mas a senhora tem que se acalmar. Se não, aqueles desgraçados terão matado além desses presos e bebês inocentes, o seu filho também. Fique calma.

Jean fecha os olhos e faz um último contato que suas forças e poderes poderiam fazer: ela avisa Mercúrio para que a encontre naquelas coordenadas. Ela havia soltado os presos e Vanda não estava nada bem. O próprio Mercúrio já sabia que alguém tinha soltado os presos, porque viu inúmeros amigos presos pelas ruas do gueto, ajudando na batalha! Obviamente, não teve tempo de bater papo para perguntar como eles tinham conseguido aquilo!

Mercúrio: Estranho... Jean Grey fez um contato mental comigo. Ela está aqui no gueto.

A equipe dois, liderada por Tempestade, que estava próxima de Mercúrio naquele momento da batalha não acreditou no que ele disse.

Fera: O que? Jean aqui dentro?

Fera e Mercúrio decidiram correr até o destino de Jean, mas Fera ficou muito atrás comendo a poeira do papa-léguas! Mercúrio chegou muito antes e a encontrou adormecida nos braços do último mutante vivo ali dentro. Todos os demais estavam mortos, ou quase mortos. Fera chegou bufando de cansaço e se apoiou no portão aberto, viu Jean no colo de um mutante muito machucado, e viu corpos de mutantes já em decomposição.

Fera: Mercúrio, eu não vou poder fazer isso agora, peço sinceras e envergonhadas desculpas... Não vou poder discernir ao certo quem está ou não está vivo. Tenho que fazer alguma coisa com essa louca grávida. Por favor, os que ainda estiverem vivos, devem ser levados para o hospital do gueto, ou para qualquer um desses apartamentos vazios do gueto! Devem ser tratados! Organize um grupo de ajuda, entre os mutantes menos poderosos e mais idosos. Eles cuidarão dos feridos em algum apartamento ou no hospital.

Mercúrio: É... Atravessar esse campo de batalha com os feridos nas costas até o hospital não seria muito inteligente.

Fera: Faça isso, por favor. Desculpe-me, mas eu vou levar Jean para aquele prédio ali na frente. Vou entrar no primeiro apartamento de porta aberta. Vou te deixar sozinho com essa difícil missão. Se você vir Scott ou Tempestade, avise-os de onde eu me encontro com Jean.

Mercúrio: Pode ir.

O mutante que foi solto por Jean se candidata para ajudar Mercúrio! E diz para Fera, enquanto ele a levava para o prédio logo adiante, que:

Mutante: Senhor.... quando ela acordar, avise-lhe que se não fosse por ela, eu teria morrido acorrentado naquela árvore.  Que eu vou ser eternamente grato a ela!

Fera: Eu aviso, meu jovem.

Mercúrio e o mutante ficaram sozinhos ali dentro. O filho de Magneto pediu que o prestativo ex preso corresse para uma das concentrações de mutantes e perguntasse quem tinha alguma noção de primeiros socorros que pudesse vir para onde eles estavam. E foi isso que ele fez. Mercúrio ficou sozinho, tampando o nariz por causa do cheiro terrível que o local exalava. Caminhando pelo pátio e pelas partes interna da casa, ele viu muitos mortos. Um homem gemeu no chão. Mercúrio logo correu para socorrê-lo. Colocou-o sentado no chão, já que antes estava de bruços com o rosto na sujeira. Foi então, que ele viu uma porta entre aberta e quando chegou perto: a visão dos infernos! Inúmeros bebês mortos! E o corpo de Vanda lá ao fundo da sala!

Mercúrio: Ah, não! Não pode ser verdade!

Ele correu para ela, quando virou seu rosto já cadavérico, teve uma vertigem e vomitou no chão. Não conseguia mais olhar para ela, mas a reconhecia pelas roupas, pelo cabelo pelo o que ainda sobrava de Vanda nela. O cheiro de todos os corpos era insuportável, mas Mercúrio fechou os olhos e abraçou aquele corpo morto!

Mercúrio: Vanda, Vanda! O que fizeram com você, Vanda? É tudo minha culpa... Fui eu quem te induzi e te chamei para fazer parte do grupo de resistência. No fundo, todas essas mortes podem ser creditadas a mim e a meu pai, que tivemos essa idéia de resistência!

O homem que Mercúrio acabara de colocar sentado no chão, levantou-se com os gritos na sala ao lado. Ele foi capengando, apoiado nas paredes até a porta da sala.

Homem: Não é culpa sua. Vocês foram os mentores da idéia de liberdade, e nós a acolhemos sabendo dos riscos. Não se culpe, você só quis ajudar. Quem quis que ela sofresse foram outras pessoas.

 Enquanto isso, no prédio bem enfrente ao antigo presídio, Fera só foi encontrar um apartamento com a porta aberta no terceiro andar. Estava vazio, assim como todos estavam vazios, todos os mutantes se encontravam nas ruas. O apartamento era simples: o quarto, que tinha um banheiro ao lado, possuía duas camas de solteiro e alguns outros poucos móveis. Fera colocou Jean deitada em uma das camas, ela dormia exausta de tudo que tinha feito. Ele olhava pela janela e via ao longe grupos de mutantes lutando contra grupos de soldados e helicópteros. Queria descer e voltar para a batalha, mas não podia. Não podia deixar Jean sozinha naquele apartamento. Fera sabia, que a partir daquele momento, sua função naquele gueto não era mais lutar; e, sim, cuidar da ruiva.


E nas ruas do gueto a situação só piorava! Tempestade não entendeu porque um dos membros da sua equipe dois, Fera, abandonou a batalha. Mas ela não podia ficar pensando nisso, nem se preocupar com ele, tinha que reunir suas forças para derrubar os helicópteros! Ao longe, sem que eles a vissem e atirassem nela, Tempestade embranquecia os olhos e atraía uma forte ventania, que direcionava para cima dos helicópteros! Por mais que os pilotos tentassem estabilizá-los no ar, os helicópteros estavam como loucos no e uma hélice bateu na hélice do outro! Os helicópteros começaram a cair em parafuso em cima do gueto! Os mutantes e soldados que lutavam lá em baixo, pararam rapidamente o que estavam fazendo e saíram correndo para salvarem suas peles! Tempestade se desesperou! Não queria ferir ninguém, nem mesmo matar os pilotos! Mas era tarde demais, era óbvio que aqueles dois helicópteros que se espatifaram no chão, matando os dois pilotos! Ela começou a voar desolada sem rumo pelos ares, odiava a guerra profundamente. Desejava sempre impedir o inimigo de fazer alguma coisa, mas não matá-lo.

Foi então que Ramisfield viu seu primeiro alvo a ser atingido facilmente!

Ramisfield: Ali! Atire naquela coisa que voa como uma barata asquerosa sem rumo!

E não deu outra! Seu ajudante mirou bem no braço de Tempestade e atirou o micro chip inibidor de poderes! O artefato penetrou na pele da mutante e ela imediatamente sentiu-se fraca, sem o menor controle dos ventos, dos raios, das marés! Caiu no teto de um prédio e machucou um pouco a perna! Atordoada, viu lá em baixo um homem de meia idade gordo rindo e dizendo!

Ramisfield: Há! O plano B é um sucesso! Menos uma! Peguem-na!

E foi ao escutar peguem-na, que mesmo manca, ela resolveu correr. Mas correr era burrice, se descesse pela escada do prédio, encontraria os soldados pela subida! Foi então que lembrou que ainda estava com o rádio transmissor do uniforme e chamou por Vampira!

Tempestade: Vampira! Vampira, está me ouvindo?

Naquele exato momento, Vampira estava ajudando um grupo de mutantes que não tinha muitos poderes! Mística estava com ela!

Vampira: Tempestade?

Tempestade: Preciso da sua ajuda, estou no topo de um prédio bem próximo de você! Suba aos ares e me encontre, estou sem meus poderes!

Vampira: Como isso?

Tempestade: Alguma coisa entrou na minha pele, venha rápido!

Quando Vampira subiu ao topo do prédio onde estava Tempestade, dois soldados irromperam pela porta da escada de incêndio!

Vampira: Oi, gatos! Vocês dois estavam procurando por ela? Ela não tem namorado, mas eu tenho certeza que ela nunca iria querer vocês!

Na mesma hora, um dos soldados mirou em Vampira e atirou o projétil! Mas ela voou e nada lhe aconteceu!

Vampira: Que isso na mãozinha de vocês? É um brinquedo?

Percebendo que aquela mutante não seria fácil de combater, o saldado tem uma idéia quase suicida! Ele joga a arma com os projéteis inibidores lá em baixo! Eram cinco andares que espatifariam a arma lá no chão! Mas não foi isso que lhe passou pela cabeça! Ele teve uma última luz de salvar a arma, se Ramisfield a conseguisse agarrar! 

Ramisfield: Que isso caindo? Nããão! A arma!

E ele se jogou no ar para pegá-la, caiu todo de mal jeito no chão, ralou o queixo no asfalto, se sangrou todo, bateu com a barriga no chão, ficou com os órgãos doendo; mas inacreditavelmente salvou a arma e entrou num carro de fuga! Vampira pensou em seguir o carro, mas sabia que se deixasse tempestade com aqueles dois abutres, ela seria presa.

Vampira: E então? Agora que você jogou a arma, vai pular também?

Tempestade: Vampira, pela Deusa, não o faça pular! Eu já cometi uma atrocidade que nunca vou esquecer!

Soldado: Quem disse que eu iria pular porque um troço desse mandou?

E ele sacou uma arma convencional! Vampira nem pensou duas vezes, sorriu, voou e pegou os dois pela camisa e saiu voando com eles pelos ares cantarolando! Tempestade via ao longe os rostos dois dois se desfigurando pelo medo! Pousou no topo de um outro prédio e deu um beijo em cada um deles. Tempestade viu os dois caírem desacordados no chão. Ela voltou e pegou Tempestade no colo, voou para longe.

Vampira: E aí, lindinha? O que é que a gente faz agora?

Tempestade: Eu agora sou nula nessa operação. Não tenho nem um mínimo poder, só corro riscos ficando pelas ruas. Preciso me esconder e fazer alguma coisa para arrancar essa coisa do meu braço.

Vampira: Onde você quer que eu te leve?

Tempestade: Ao meu grupo. Eu sou a líder e preciso me explicar e escolher um substituto... mas até Fera sumiu!

Vampira levou Tempestade para seu grupo de ação, a Deusa pediu que todos eles parassem o que estavam fazendo e a ouvissem.

Tempestade: Meus liderados, algo terrível aconteceu. Me injetaram um micro chip pele adentro, e ele é inibidor de poderes. Até eu conseguir ter coragem de arrebentar minha pele para tirar isso, preciso escolher outro líder para o grupo dois. Mas até Fera sumiu...  ANJO! Passo o comando para você!

Anjo: Não estou fugindo de nada, Ororo... Mas... estou ha anos longe da equipe, e os meses que treinei com vocês ainda não me faz apto para ser líder.

Tempestade: Mas você é um X-Men original! Trabalha ha anos e anos com o professor.

Anjo: Passo a liderança para Wolverine!

Wolverine: Ih! Fala sério!!! Eu?

Tempestade: Você aceita, Logan?

Wolverine: Então é pra eu liderar Sam, Jubi e Anjo?

Tempestade: Isso mesmo.

Wolverine: Certo! Tempestade, tu se esconde no primeiro buraco que encontrar pela frente! Não quero te ver no meio da rua correndo risco! Jubi, Sam e Anjo: sem mais palavras! Sejam os melhores naquilo que vocês fazem, seja lá o que vocês fazem! Vai cada um pra um canto ou fiquem unidos, pouco me importa! Eu só quero ver todo mundo na porrada, agora!

E todos eles se dispersam, Tempestade fica sozinha com o coração na mão; pensando na louca liderança que um errático como Wolverine poderia fazer. Vampira chega perto dela e lhe faz um carinho no cabelo.

Vampira: Tô indo, linda. Por favor, se cuida, tá? Não quero que aconteça com você o que aconteceu comigo...

Tempestade: Obrigada, criança. Pode deixar, eu não sairei do meu esconderijo, que será aqui mesmo.

Vampira voa para longe, reencontrando seu grupo um! Ororo volta a lembrar, na solidão do esconderijo, ouvindo os tiros, gritos, bombas e destruição ao longe, dos dois pilotos que matou. Olha para si mesma e sente-se um nada, uma inútil, inútil assassina. Os pilotos também eram, mas quem mata assassino, assassino também será. Ela deita no chão encolhidinha, chorando desesperada, é terrível saber para sempre que matou alguém. Isso será enterrado com ela, não ha como mudar, matou duas pessoas!


Fera estava sentado numa cadeira com a mão na cabeça, pensando no que fazer com aquela ruiva adormecida. Manteria ela ali dentro até a situação no gueto ser resolvida, e então a levaria para casa ou algum hospital. Mas e se a guerra no gueto demorasse? E se o bebê nascesse naquele mesmo dia? A criança já tinha abaixado, estava encaixada na bacia, no máximo uma semana! Esse era o máximo que a sorte poderia lhe dar. O sol já estava se pondo no horizonte da janela, mas os tiros, bombas, gritos e barulhos continuavam lá fora. Será que tudo seria resolvido naquela noite? Será que brigariam noite adentro e amanheceriam ainda na mesma situação? Mais e mais reforços chegavam! Muitos mutantes ficavam feridos, mas era uma multidão de poderes mutados contra todos aqueles soldados. 

Jean abriu os olhos, estava acordando, viu um mutante azul preocupado.

Fera: Oi.

Jean: Oi.

Fera: Tudo bem?

Jean: Estou ótima. O que nós estamos fazendo aqui nesse quarto dessa casa?

Fera: O que você está fazendo aqui no gueto? Ficou maluca? Perdeu o juízo? Essa, definitivamente, não foi a Jean Grey que eu conheci. 

Jean: Hank... por favor, sem sermões. Eu só queria ajudar... Eu só quero ajudar. E ajudei! E posso ajudar muito mais, vamos sair daqui e fazer algo mais que seja compatível com a minha situação.

Fera: Nada é compatível com a sua situação. Nada... Como você saiu da mansão, onde estava o professor, ele não tentou impedir?

Jean: Tentou.

Fera: E como, você, sem poderes, conseguiu vencê-lo?

Jean: Pois é... Meus poderes voltaram de uma forma tão avassaladora, que eu venci a mente do professor. Mas durou pouco tempo, logo perdi tudo de novo. Agora estou sem poder nenhum, mas se eu tentar, talvez os consiga de volta e...

Fera estava com os olhos arregalados, imaginando Jean vencendo a mente do professor. Tudo o que Xavier sempre disse, então, era verdade! Jean Grey um dia o superaria. A ruiva, naturalmente, não tinha noção da grandiosidade de seu feito. Superou o maior telepata do mundo, além disso tinha telecinésia e misteriosos poderes de uma força Fênix, ainda independente dentro dela. Mas naquele momento, não conseguia controlar nada do que tinha, e só falava em sair e ajudar de alguma forma.

Fera: De jeito nenhum! Daqui você não sai!

Jean: Mas eu estou ótima!

Fera: Não sabemos até quando.

Jean: Ficaremos aqui até quando e fazendo o que?

Fera: Bom... eu sei que é enervante ficar aqui ouvindo tudo lá fora, mas ficaremos falando sobre... arte!


Scott Summers não cansava de dar rajadas ópticas e guiar seus liderados. Bobby Drake tentava continuar o trabalho que Tempestade fazia com maestria, estragar o clima dos oponentes. Era uma pena que com ele, o máximo que poderia acontecer era congelar tudo. Mas isso era muito bom também, quantas vezes as armas dos soldados não dispararam porque estava tudo congelado!?!? Gambit tentava explodir tanques de guerra jogando um imenso número de cartas explosivas, também fazia combate corpo a corpo com a ajuda do seu cajado. Vampira tudo via de cima, e facilitava muito o trabalho dos colegas, acabando com certos oponentes antes deles chegarem perto do grupo. 

E Scott também estava muito encantado com o rendimento dos mutantes do gueto, que por mais que tivessem seus limites, estavam atuando muito bem! Mas sempre que tinha um descanso, o caolho não parava de imaginar e pensar na sua mulher. Como será que ela estaria na mansão com o professor?

O grupo dois já não era bem um grupo! Wolverine os deixou bem livres, mas era um ótimo líder se levarmos em conta que ele impedia qualquer perigo grandioso de atacar seus liderados! Logan não tinha a mesma consciência pesada de Tempestade, e matava quem ele achasse que deveria matar! Mas ele, assim como Scott, toda vez que tinha um segundo de descanso, pensava na Jean. Mesmo que não a amasse mais, aquele canadense sempre nutriria uma preocupação muito grande com ela. E ele ainda a amava! Apertava os dentes e torcia para que a criança não nascesse até tudo terminar. Mas logo Jean desaparecia de sua mente, e sua outra adoração aparecia diante de si: uma vítima! As garras dele sairiam bem afiadas depois de tudo isso.

A noite escureceu tudo, nenhuma luz... Os dois lados estavam receosos em lutar. Não dava para ver um palmo diante de si. Mas ninguém tinha desistido de nada! Passariam o dia inteiro nas ruas, em esconderijos! Raros foram os que voltaram para casa! Raros foram os soldados que voltaram para os quartéis. Estavam todos apreensivos, com olhos bem abertos, achando que o inimigo chegaria na escuridão por trás! 

Era esse silêncio lá fora que fazia Fera ficar apreensivo no apartamento. Via as estrelas no céu, via os helicópteros iluminando raros pontos no gueto, vai vultos de pessoas correndo pela escuridão. Um vulto encontrando o outro, cochichando com o outro "fulano, cadê você?" "estou aqui?" "onde, não estou te vendo..." e barulho de passos na escuridão, vultos que correm "achei você", vultos que corriam juntos para junto de grupos de outros vultos encolhidinhos em esconderijos. Raros tiros! Raras demonstrações de poderes. Seria assim até o amanhecer... 

Jean: Por que o silêncio?

Fera: Não sei... Mas nada terminou... O lado vencedor sempre faz festa e algazarra. Nada terminou... 

Jean: É pior essa apreensão do que a batalha em si...

Fera: Não diga isso... São duas tensões completamente diferentes... Mas nas duas tem-se o medo de morrer. 


Enquanto isso, Tempestade continuava encolhida no chão, chorando, sozinha, no frio, na escuridão. Até que Mercúrio a encontra assim largada no chão. A princípio não a reconheceu. Era só um vulto largado no chão chorando, ele pensou que fosse uma mutante ferida, mas essa estava ferida só na alma. Foi só quando chegou bem perto que a reconheceu.

Mercúrio: Tempestade? O que houve? Está ferida? Não... Não se mexe, eu te levo... Já estou cuidando de outros feridos, antigos presos e...

Tempestade: Não, Mercúrio. Obrigada... mas não estou ferida... Só estou perturbada com tudo isso. 

Mercúrio: Por que você não está com o seu grupo?

Tempestade: Tenho que ficar escondida aqui, Pietro... Estou sem meus poderes, é um risco eu ficar perambulando pelas ruas.

Mercúrio: Então venha comigo, que eu te levo até o esconderijo de Fera. É bem melhor do essa rua horrível e fria, é um apartamento.

Tempestade: Fera!? Você sabe onde está Fera? Ele está escondido? Sofreu alguma coisa também?

Mercúrio: Não... ele está cuidando de Jean mesmo...

Tempestade: O que?????

Mercúrio foi escoltando a incrédula Tempestade pela negritude das ruas adentro. Ela não acreditava no que tinha acabado de ouvir! Jean Grey no gueto??? Fazendo o que? 


Fera e Jean estavam dormindo. Na verdade, nenhum dos dois conseguia dormir profundamente, volta e meia acordavam. Jean estava preocupadíssima com a guerra lá fora, estava ansiosíssima por não estar participando, estava se achando um estorvo que impedia a participação de Fera, estava preocupada com o marido e tinha uma enorme barriga que cada vez mais complicava a sua vida. Levantou para ir ao banheiro três vezes em menos de duas horas que já tinha ido se deitar. Fera sempre acordava bem alerta quando ela levantava. Também estava ansioso por não estar participando das batalhas, estava nervoso de ter que possivelmente fazer um parte de Jean; também não dormia direito. Na escuridão do quarto, ele olhava para o teto, volta e meia escutava baixinho lá em baixo as vozes dos vultos que conspiravam, os passos apressados dos vultos. Ouvia também a respiração pesada de Jean.

Fera: Jean? Está acordada?

Jean: Estou.

Fera: Você está respirando tão profundamente, pesado...

Jean: Rachel tinha que nascer logo, essa barriga já está me dando trabalho até para respirar. Eu estou sentindo umas dores também...

Fera: Que espécie de dores?

Jean: Como cólicas... mas elas são bem fraquinhas... a respiração é que está bem difícil...

De repente, os dois escutam batidas na porta da sala. Fera levanta rápido, faz um sinal com a mão para Jean ficar escondida entre as cobertas.

Jean: Não seriam os mutantes donos do apartamento?

Fera: Talvez sejam soldados fazendo revista...

Fera olha pelo olho mágico, era Tempestade; abre a porta feliz!

Fera: Minha cara e doce, Ororo Munroe! Você não sabe a felicidade que trás vindo aqui! Sua augusta visita vai me tranqüilizar um pouco.

Tempestade: Eu tenho muito que te contar... E onde está ela?

Jean levanta-se da cama segurando a barriga com as mãos, aparece na sala sorrindo.

Tempestade: Pela Deusa, então é verdade!

Tempestade conta da arma que dispara micro chips que penetram na pele e são inibidores de poderes! Mostra para os dois o braço em que foi inserido o dispositivo.

Fera: Certamente fruto da Engenharia Reversa, feita a partir da pulseira de Vampira! Sempre achei essa tecnologia muitíssimo perigosa!

Tempestade: Eu vou realmente ter que rasgar meu braço para tirar essa coisa... Ai, vai doer tanto! Faz isso para mim, Hank... Eu acho que não teria coragem...

Fera: Mas nesse apartamento só tem faca de cozinha e tesoura, Ororo... 

Jean segura a barriga com mais força e apóia a testa na parede gemendo e franzindo as sobrancelhas.

Tempestade: Bom...  pelo visto vão ser com essas facas e tesouras que vamos fazer um parto... 

Fera coça a cabeça, o pescoço e o peito... Pega Jean pelos braços e a conduz até sentá-la na cama, ascende a luz do quarto.

Fera: Tudo bem? O que exatamente você está sentindo?

Jean: Já passou... Foi só outra cólica... Eu estou bem... estou mesmo.

Fera: Ela teve uma outra cólica dessa antes...

Tempestade: Tem relógio aqui? Nós temos que marcar o tempo entre uma e outra... 

Fera: Será trabalho de parto ou alarme falso? Por que eu fiz tão poucas matérias na área de biomédicas... Tinha que me guiar tanto na engenharia genética e na área de mutação? Não poderia ter feito mais do básico?

Tempestade: Pela Deusa, que seja alarme falso! Alarme falso, por todos os Deuses! E você pare de dizer besteiras, que você é um cientista renomado, com inúmeras publicações vendidas no mundo inteiro! Um Físico, químico e geneticista! 

Fera: E filósofo nas horas vagas, minha cara... Bom... Deseja comer alguma coisa, Tempestade? Eu vi que tem comida nessa geladeira. Nós já estávamos deitados... mas eu não dormia muito. Só queria que Jean dormisse bastante, o que ela não vai conseguir muito bem.

E foi o que eles fizeram, resolveram dormir para ver o que acontecia ao amanhecer. Como só tinham duas camas no quarto, Fera resolveu dormir no sofá da sala. Ficou com as pernas todas para fora, era enorme e o sofá pequeno. Durante a madrugada, Jean acordou várias vezes reclamando de cólicas, Tempestade sempre acordava também, ascendia a luz e marcava o tempo no relógio. Anotava tudo num papel. Fera também saía do sofá e ia para o quarto. Ora era ele que sentava ao lado dela dizendo "vai passar", ora era Tempestade que sentava e dizia "vai passar, criança"; e sempre passava. 


Mal os primeiros raios de sol começaram a iluminar o gueto, as armas e poderes entraram em ação um contra o outro. Scott não gostou nem um pouco da noite de vigília, não queria que aquilo se repetisse, disse que queria tudo terminado antes do anoitecer daquele dia! Queria falar com a líder do outro grupo, Tempestade. Mas qual não foi sua surpresa quando descobriu que o líder era Wolverine?!?!

Scott: Onde está Tempestade?

Wolverine: Escondida num lugar seguro! Ela foi atingida por um projétil inibidor de poderes!

Vampira: Eu só não disse ontem porque estava muito ocupada salvando a minha pele e a pele dela e mais a pele de outros vários mutantes! 

Scott: X-Men, de tudo que vocês tiverem que se proteger, lembrem-se de se protegerem principalmente dessa arma! E agora voltem a ação!

Scott estava extremamente preocupado, já que Tempestade era uma mutante imprescindível no combate e seus poderes são quase divinos! Bobby Drake fazia o que podia, mas não chegaria nunca a ser como ela! Magneto apareceu no céu mais uma vez, outra chuva de balas dos soldados foram direcionadas a ele! Todas paravam no ar, até os helicópteros ficavam parados! Enquanto isso, os mutantes de resistência podiam fazer o que quisessem naqueles soldados sem munição e sem armas! Muitos deles fugiam para longe!

Vampira: Demais! Esse trabalho em conjunto dá super certo! Se Tempestade tivesse aqui, isso tudo acabaria bem mais rápido!

Os mutantes que moravam no gueto, toda vez que conseguiam expulsar os soldados para longe por um período determinado, voltavam suas atenções contra os muros! Eles destruíam o muro das mais variadas formas! Os que tinham super força davam socos e murros, Vampira também ajudava, arrancando vigas e muito concreto! Os que podiam levitar subiam até o topo e destruíam os arames farpados, outros davam pé-pé um para o outro e subiam para ficar quebrando os tijolos com marretas! 

Já Mística resolveu chamar o filho Noturno para fazer outra coisa, acabar com o gueto pelos poderosos! Mística se transformou em Ramisfield e pegou as algemas de um soldado caído. Colocou-as nos pulsos do filho, mas obviamente também levou as chaves consigo.

Mística: Eu sou Ramisfield, e você, Noturno, foi atingido pela arma inibidora de poderes! Fija que mexe no braço como se tivesse alguma coisa aí dentro!

Mística era realmente uma cobra escorregadia! Tê-la como sua aliada era sempre uma bênção! E lá foi aquele "Ramisfield" arrastando Noturno gueto abaixo até o quartel general! E ela, muito viva e esperta, sabia que ele não estava lá naquela hora! Deveria estar em alguma rua do gueto, caçando os x-men, para lhes injetar mais inibidores!

Ramisfield: Está aqui mais uma coisa azul asquerosa! Eu disse que aquela arma seria uma glória!

Cientista-militar: Agradeço os elogios, Ramisfield... Deu realmente muito trabalho para copiar a tecnologia daquela pulseira. 

Ramisfield: Com esse aqui quantos nós já prendemos?

Cientista-militar: Prender... prender... só esse mesmo! Porque a mulher do ontem fugiu!

Ramisfield: Fugiu???? E só foram dois? Vocês estão muito lerdos! Onde está a arma que eu quero fazer isso por contra própria! - Muito viva! Muito esperta!

Cientista-militar: Mas senhor, foi o senhor mesmo quem a levou consigo hoje mais cedo. 

Ramisfield: Claro! Mas eu a deixei nas mãos de um ajudante! - E então, arriscou algo que poderia ser a morte de seu plano : - Onde está a arma reserva? Vou usá-la! - E se não existisse uma arma reserva???

Cientista-militar: Está aqui senhor - e entregou a dita cuja na mão de Mística - Mas eu pensei que nós só fôssemos usá-la em último caso! Caso a outra quebrasse, como o senhor mesmo disse que quase quebrou. 

Naquela mesma hora, Mística soltou as algemas de Noturno calmamente, segurando a arma e dizendo "sem poderes ele não precisa muito ficar com isso, levem-no daqui"; e quando o soltou, ela se transformou naquela coisa azul e destruiu a arma na frente de todos os soldados ali presentes!

Cientista-Militar: Nãããão! A arma reserva! Ramisfield vai nos mataaaar!

Todos os soldados abriram fogo contra os dois mutantes azuis! Noturno se abraçou com Mística e BAMF! BAMF! BAMF! Sempre aparecia atrás dos soldados e lhes dava rasteiras, os puxava por seu rabo de demônio, os envenenava com seu cheiro de enxofre toda vez que se teletransportava pela sala! Um dos soldados correu para outra sala e avisou o que estava ocorrendo ao verdadeiro Ramisfield! Enquanto isso, Noturno abraçado a Mística fazia o maior estrago! Noturno foi se teletransportando para tantos lugares da sala, e os soldados atiravam tanto e para todos os lados, que dois deles acabaram se matando! Essa foi a hora que Mística e Noturno resolveram dar no pé! Saíram pela janela e correram pelos telhados! 

Ramisfield chegou no carro do exército! Noturno agarrou a mãe e se teletransportou para o lugar onde estavam antes com os X-Men! Mas no momento em que ele tinha começado a se teletransportar, foi atingido pelo projétil da arma! Apareceu diante dos x-men cutucando o braço! Tentou fazer qualquer coisa e não conseguiu, foi realmente atingido!

Noturno: Estou sem meus poderes!

Gambit correu para ajudá-lo!

Gambit: Venha comigo, mon ami! Ao lado de Remy Lebeau não ha o que temer!

Vampira: Não, Gambit! Ele não pode! É um risco... além dele não poder nos ajudar em nada, pode ser pego facilmente! Eu não quero que ninguém sofra o que eu já sofri nas mãos dessas pessoas... E ainda me sentiria duplamente culpada, porque essa arma foi feita com base na minha pulseira.

Gambit: Shiii... Non, não diga isso. 

Vampira: Noturno, eu quero você longe da gente! E longe de todos! Fique longe dessa gente! Esconda-se!

E os x-men continuaram seu caminho! Noturno levantou os olhos e viu Vampira voar para o lado de Magneto! Ele fazia reais estragos lá em cima! Enquanto a população do gueto se aproveitava disso e podia fazer um uso maciço de seus poderes nas ruas, sem os guardas expulsos por ele! Parecia que os mutantes do gueto tinham sido realmente treinados para agirem de acordo com os poderes de magneto! Era visível que Mercúrio e o Velho tinham feito um bom trabalho. Inclusive a pobre Vanda, que também foi de uma enorme contribuição! Noturno também viu Gambit olhando para o céu constantemente! Volta e meia subia em casas e escalava prédios, para agir de lugares mais privilegiados e olha-los mais de perto! Se coçava de ciúmes só de vê-la ao lado dele, mordia os lábios toda vez que ela esbarrava nele! Morria de ciúmes em ver que o poder dele triunfava no ar ao lado do poder dela!

E foi nessa boba distração, de olhar a meia-irmã brilhando no céu, que Noturno foi pego pelos soldados e arrastado para longe! Ele nem queria pensar no que lhe fariam!


Enquanto isso, em um dos simples apartamentos do gueto, uma mulher ruiva gemia na cama. Ela mesma sentava e levantava, andando sentia menos dor.  Fera anotava o tempo de duração e o espaçamento entre uma e outra. Jean andava se arrastando pela parede, gemendo e dando socos contra ela.

Fera: Vai ferir a mão, meu bem... 

Tempestade pegou um banquinho baixo de madeira que ficava no banheiro, colocou-o diante da cama. 

Tempestade: Senta nesse banquinho, Jean, com as pernas bem abertas e apóia a cabeça na cama. - E assim, Tempestade fazia uma massagem na parte baixa das costas de Jean. - Melhora?

Jean: Um pouco...

Tempestade: Já vai passar.

Jean: As dores estão durando mais tempo, demoram a passar agora... E também dói cada vez mais intensamente.

Fera: É assim mesmo... A tendência é sempre de crescimento.

Tempestade fuzila Fera com os olhos. Ele faz uma cara de quem só disse a verdade... 

Jean: Agora está passando. 

Fera: Jean, você realmente não consegue controlar nada com os seus poderes?

Jean: Nada. Se eu conseguisse, eu juro que não estaria importunando vocês com minha choradeira e meus gemidos. 

Fera: Você não é inoportuna nunca, meu bem... Mas é tudo tão confuso... Você superou a mente do professor e agora não tem o menor controle sobre seus poderes... Na certa, a presença da sua filha faz uma enorme revolução no seu corpo... 

Jean volta a deitar na cama com aquela respiração ofegante, ao menos não estava mais gemendo. Fera puxa Tempestade para a cozinha, o cômodo mais distante do quarto.

Fera: Ela deve estar a umas 10 horas em trabalho de parto, Tempestade. 10 horas com dores que vêm e vão, que não a deixaram dormir direito. Essa criança vai nascer em algumas horas nas nossas mãos e aqui dentro desse apartamento. 

Tempestade: Também já percebi isso. Onde ela estava com a cabeça para sair da mansão X naquele estado? Parece que não é a Jean!

Fera: Faz um favor para mim? Enche aquela banheira com água morna para quente. Pegue várias toalhas limpas no armário e uma tesoura de costura. Uma bacia com água limpa e uma bacia com água fervendo para colocar a tesoura dentro. 

Tempestade: Tudo bem... Pode contar comigo. Quando eu era criança, na minha tribo na África Equatorial, eu vi muitos partos.

Jean: Ahhhhhhaaaiii!

Mais uma vez eles escutam do quarto outro gemido suplicante, ás vezes ela gemia sem som, só movia a boca e soltava lágrimas dos olhinhos verdes sofridos. Se agarrava ao encosto da cama e ficava em pé, meio curvada para frente.  Mas a dor estava tão forte, que ela quase caiu desacordada para frente, em cima da cama. Fera a segurou, e sentou-a no seu colo. Jean escondia o rosto dentro do pescoço daquele grande mutante, apertava seus pelos azuis com força, gemia e suplicava que não ia agüentar mais.

Jean: Eu não vou agüentar mais... Não vou conseguir agüentar mais.

Fera: Vai sim... Agüentou até aqui. Vai agüentar até o final... Você vai ver. Vai passar logo...

Enquanto isso Tempestade fazia tudo o que Fera havia pedido e olhava tristemente para Jean. Volta e meia passava pelo quarto com as toalhas nas mãos, e as deixava em cima da cama para fazer um carinho na amiga. 

Tempestade: Se eu pudesse fazer alguma coisa por você, amiga... Isso me parte o coração. Mas olha, vai logo passar. Desde sempre as crianças vêm ao mundo da mesma forma, e todas sempre agüentam. 

Jean mais uma vez aperta o corpo de Fera e geme, chora, bate nele; e ele sempre alisa o cabelo dela calmamente, dizendo palavras doces, comentando sobre os olhos dela, sobre como Tempestade estava bonita, como o bebê seria lindo! 

Jean: Eu quero o meu marido... Tempestade chama o Scott pra mim... Eu não vou agüentar mais...

Tempestade: Shiiiii... Eu não posso sair pelo gueto sem meus poderes, criança.

Fera: Jean, presta muita atenção no que eu vou lhe dizer agora. Não sei se a Miriam já te explicou isso... O parto é dividido em três fases: O trabalho de parto, a expulsão, e a expulsão da placenta. Você agora está em trabalho de parto, que pode durar muitas horas, dependendo da mulher. A tendência, é que com o passar das horas, as dores aumentem de intensidade e duração.

Jean: Ah, não...

Fera: E por que dói?

Jean: Por que?

Fera: Porque o colo do seu útero está abrindo até chegar em mais ou menos 10 centímetros. É muita coisa, é por isso que dói! Mas nossa amiga Tempestade fez algo muito bom para você! Ela encheu uma banheira com água morninha para você ficar dentro e sentir menos dor! Que tal?!

Enquanto Jean estava na banheira, Fera e Tempestade forraram a cama com muitas toalhas brancas. Colocaram uma bacia com água e uma pequena toalha de rosto dentro bem perto deles, e a outra bacia com água bem quente e a tesoura dentro. Eles também colocaram quatro travesseiros no encosto da cama, não queriam Jean totalmente deitada; e sim semi sentada. 

Tempestade começou a ouvir estranhos barulhos numa casa bem na frente do prédio.

Tempestade: Fera, tem alguma coisa estranha acontecendo ali naquela casa.

Fera: Era o antigo presídio, foi Jean quem soltou os presos.

Quando Tempestade olhou pela janela, viu soldados arrastando Noturno pelos braços, e o jogaram no pátio do antigo lugar de torturas! Começaram chutando ele e xingando de todos os nomes! Noturno tentava proteger a cabeça! Tempestade foi tomada por um ódio incontrolável! 

Soldado: Levanta, merda azul!

Soldado2: Chora aí, monstro horroroso!

Soldado: Tua mãe não tem vergonha de você não?

Um dos soldados pegou um pedaço enorme de madeira e bateu com toda força na cabeça de Noturno, ele caiu desacordado! O outro soldado o arrastou lá para dentro e voltou sorrindo! Tempestade deu um grito na janela, e inacreditavelmente seus poderes foram ressurgindo! 

Fera: Minha Santa Querupita! Todos os X-Men estão agora evoluindo seus poderes??!! Jean e Tempestade?

Os olhos de Tempestade se embranqueceram, seu cabelo voltou a voar ao vento, e quando ela olhou para o próprio braço, ele estava se abrindo! Se abrindo, como se uma ferida brotasse do nada; e apareceu ali, ao alcance dela o maldito chip inibidor de poderes! A própria Tempestade o tirou e jogou fora! Foi então que seus poderes aumentaram mais e mais! Nuvens cor de chumbo se aproximavam do gueto, já dava para sentir a umidade do ar! Seus cabelos já não voavam mais no vento! Eles estavam virando água! Fera chegou a sentar no chão quando viu aquilo! Saiu voando pela janela uma Tempestade nunca vista antes! A primeira coisa que ela fez, foi eletrocutar aqueles dois soldados de uma forma que eles desmaiassem por um bom tempo! E assim, mais poderosa do que Zeus, ela subiu bem alto aos ares e se colocou al lado de Magneto! Até Vampira resolveu recuar! Dois deuses estavam no comando dos ares! 

Fera correu e colocou a cabeça bem para fora da janela, queria ver exatamente o que estava acontecendo!

Fera: Jean! Tempestade está dando muito trabalho para o exército e a aeronáutica!  Acho que eles nunca mais vão se esquecer dela, e vão se arrepender de terem injetado aquele inibidor de poderes! Essa guerra no gueto vai acabar em menos de uma hora! Você vai ver, minha cara!

Mas ele percebeu que Jean não demonstrava muita felicidade na banheira, estava novamente tendo fortes contrações. Fera correu para ver o que era e Jean logo afundou mais o corpo na água. Mesmo assim, colocou as mãos sobre os seios, que poderiam ser vistos pela transparência da água. Fera percebeu que ela ainda estava desconfortável em relação a isso.

Fera: Pensando bem... Talvez fosse melhor nada daquilo ter acontecido com Tempestade, para que ela fizesse seu parto. Ainda tem vergonha de mim, Jean? Eu vou te ajudar a colocar essa criança no mundo, não vai existir mais nada em você que eu já não tenha visto. Esqueça o corpo, Jean, pense na vida. 

Fera estendeu os braços com uma toalha na mão, ela saiu da água morrendo de vergonha.

Jean: Além de nua, nua nesse estado grandioso.

Fera: Shiii. 

Fera a conduziu até a cama, e quando ela estava quase chegando lá, a bolsa rompeu e muita "água" foi jorrada no chão.

Jean: Ai... nossa, mas parece uma torneira.

Fera: Não se assusta, é assim mesmo. Jean, a bolsa rompeu, e agora essa criança vai nascer aqui mesmo. Eu vou pedir, humildemente, que você se entregue por inteiro. Pode gritar, pode me xingar, pode xingar minha amada mãe, pode falar palavrão... apesar de que você nunca faz nada disso, não é agora que vai fazer. Mas eu só te peço que faça força. Quando sentir uma contração, faça força! 

Jean não tinha mais como fugir daquela situação, resolveu fazer exatamente aquilo que Fera lhe dizia. Sentou na cama, semi deitada e abriu o máximo as pernas; fechou os olhos com vergonha, e quando os abriu, encontrou Fera olhando firmemente para os olhos dela, esperando uma contração. Ela percebeu que realmente não tinha do que ter vergonha, Fera sempre foi um cientista atencioso, grande amigo, e olhava angustiado para o rosto dela. Então, veio a primeira contração, Jean gemeu horrores.

Fera: Tudo bem, força até 10. 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9 e 10!

Jean colocou os braços para frente e Fera ficou segurando suas duas mãos. Ela gemeu e se contorceu de novo.

Fera: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9 e 10!

Jean: Ahhh! ... Está ... indo tudo bem?

Fera: Estamos no início... Mas vai indo tudo muito bem. 

Jean: Vem outra!

Fera: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9 e 10! Força agora, Jean! Eu já estou vendo a cabeça da sua filha!

Jean sorriu, gemeu, contorceu o rosto, sorriu de novo e gritou um gritinho seco de força e dor. 

Fera: Faz mais força, meu bem. Ajude sua filha a nascer, que ela também faz muita força. Está saindo a cabeça, nossa! Mas que parto fácil!

Jean fez uma última grande força e Fera a ajudou colocando a mão e puxando a cabeça para fora! Então, ele examinou para ver se o cordão não estava enrolado no pescoço dela, e a puxou para fora! Toda suja de um líquido viscoso branco e sangue bem vermelho, a menina tinha aquela carinha de emburrada, quase chorando!

Jean: Ah, minha filha!

Fera colocou a menina entre os seios de Jean, ela pegou a pobrezinha assustada, que dava aqueles espasmos de recém-nascido. Aqueles gritinhos choros de quem está respirando pela primeira vez, abrindo os pulmões pela primeira vez, sofrendo horrores! 

Jean: Oi, meu amor... Eu sou sua mãe. Shiiii, não chora... Logo você vai ficar limpinha, no quentinho de uma roupinha linda. 

Fera sorriu e foi pegar a tesoura dentro da bacia com água bem quente. Levantou o cordão umbilical e cortou! Pegou a menina no colo e levou-a para perto da bacia com água e a toalhinha de rosto, Limpou-a como pôde, pegou uma outra toalha sequinha e enrolou-a dentro, como um embrulhinho bonitinho. Colocou a menina deitada na cama al lado.

Jean: Ah, Hank... Coloca ela no meu colo.

Fera: Não. Agora somos eu e você de novo. Na próxima contração, faça força! Vamos colocar essa placenta para fora! A sua filha é linda e perfeita, mas você ainda não terminou esse parto!


Em menos de meia hora, dava para ouvir os gritos de vencedores dos mutantes! Todos os soldados foram, finalmente, escorraçados do gueto! A mídia, que estava lá desde ontem a noite, pôde finalmente entrar e filmar tudo por dentro! Os mutantes do gueto davam viva a Tempestade e Magneto, os grandes deuses da conquista! Vampira foi abraçá-la, ainda não acreditando ter visto o cabelo dela virar água e seus poderes aumentarem incrivelmente! 

Scott improvisou um palanque, para falar aos mutantes e a todo o mundo que o assistia pelas câmeras de TV que lá chegaram.

Scott: Bom tarde. Boa tarde a todos os habitantes desse planeta, sejam eles brancos, negros, índios, asiáticos, mutantes, misturados, gordos, magros, feios, bonitos...  O que se viu aqui hoje, foi a última alternativa infeliz para que esse grupo de mutantes, enjaulados, conseguissem sua liberdade. Nós não queríamos lutar, somos adeptos da paz, mas não nos deram alternativas. Talvez, os governos de todo o mundo estejam apreensivos, já que derrotamos exército, aeronáutica, marinha e qualquer outra força. Mas saibam, que não queremos mais confusão... Não queremos tomar o poder, queremos apenas conviver!

Nessa hora, Magneto dá sinal de que vai interrompê-lo, mas Mística o segura pelo braço! 

Scott: Não queremos mais brigar e lutar com ninguém. Chega! Queremos descanso, e queremos ser respeitados, ter nossos direitos atendidos, não sofrermos preconceitos, sermos aceitos. Esses estranhos óculos no meu rosto, são as únicas diferenças que me separam de vocês. Não façamos desses óculos motivo de ódio e brigas. Eu espero que nunca mais um lugar, vilarejo ou cidade seja murado; para separá-lo de nada. E esse é um recado para Ariel Sharon e seu muro na palestina! Nós esperamos que isso nunca mais ocorra. Um muro de Berlim já foi derrubado, esse daqui já está quase todo no chão! Eu espero que as autoridades competentes venham a esse lugar re alocar os mutantes para as suas antigas moradias, e aqueles que queiram continuar vivendo aqui, que tenham o direito garantido de ir e vir. Os responsáveis pela administração desse gueto foram presos por nós, e nós temos sérias acusações de assassinatos e torturas contra eles. Eu... Nós esperamos que a justiça seja feita! 

Scott já estava saindo do palanque e já estava começando a receber algumas palmas, quando resolveu voltar.

Scott: Eu reafirmo que ninguém aqui quer mais lutas e brigas, não tomamos o poder. O exército, a marinha e a aeronáutica serão respeitados por todos nós, assim quando eles nos respeitarem. Esperamos que as organizações anti-mutante parem de uma vez por todas com suas idéia direitistas nazistas, de raça superior humana e pura. Um amigo meu, chamado Pietro, pediu-me que déssemos o nome desse bairro de VANDA, ao invés de Harlem! Vanda foi um dos mártires das atrocidades contra a liberdade, a democracia e os direitos humanos que aconteceram nesse gueto!

E então, finalmente, uma chuva de palmas! E lá em baixo, no meio da multidão estava Fera, que gritou o mais alto que pôde:

Fera: Scott! Sua filha nasceu! E é linda como a mãe!

E então, nenhum dia poderia ser mais feliz do que aquele!


FIM!

Leia a continuação: INFÂNCIA MUTANTE!

 

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