Sentada nua numa cadeira, ela vê rapidamente os fios de cobre serem colocados em volta de seus dedos, nos lábios e nos olhos. 

Ramisfield: Então, Magda? Eu imagino que você deva ter um motivo bem forte para usar o codinome de "Vanda" pelas ruas tão agitadas, tão conspirativas desse estranho bairro. 

Ela nada responde, e ganha por isso uma descarga elétrica. Grita! Sente o frio terrível do choque na boca, nos olhos, nos dedos. Seus olhos se mexeram sozinhos, ela achou que fosse ficar cega. Ficaria com gosto de cobre até o fundo da garganta por muito e muito tempo. 

Ramisfield: Ô, Vanda... Colabora com a gente que você sofre menos. 

Vanda: Eu juro que não tenho motivos para estar presa aqui. E gostaria de saber que forma é essa de se tratar um prisioneiro? Me prenderam sem mandato, não tenho um único advogado, não tenho direito nem de avisar a colegas e familiares de que fui presa, não tenho nem o direito de saber onde estou, estou sendo torturada com choques elétricos, e tudo isso sem ter sido julgada! 

Ramisfield: Isso é uma técnica muito usada no mundo inteiro, sua ignorante! Você não é tão democrática? Tão conhecedora de seus direitos? Tão defensora dos fracos e oprimidos? Tão de esquerda? Deveria conhecê-la e criticá-la...

Vanda: De esquerda?

Ramisfield: Deveria saber que esse tipo de prática foi muito usada no Brasil, na Argentina, no Chile, na Nicarágua! Tem sido usada ultimamente com os talibãs presos em Guantanamo! Se bem que lá a tecnologia é bem melhor do que essa maquininha velha. É muito útil, Vanda. Nós conseguimos qualquer coisa de vocês usando esses nossos métodos. A população de bem e direita é sempre beneficiada por esse tipo de prática. É um bem para a humanidade, sua mutante imunda e subversiva! 

Vanda: E eu imagino que você já deva ter muita prática com ela, velho anormal, assassino! 

Ramisfield: Já dei muito treinamento para militares da América do Sul que vinham pra cá se inteirar melhor do assunto. Por isso, colabora, Vanda... Você não vai ficar de boca calada com alguém que sabe exatamente o que fazer para que você conheça o inferno mais rapidamente, vai?

Vanda se contorce na cadeira, recebeu outra descarga elétrica... Chega a babar pelos cantos da boca, fica com um olho mais aberto do que o outro.

Ramisfield: Rice, seu idiota?! Tá querendo matar o bicho? Freqüência mais baixa! Se não ela apaga e eu fico sem resposta nenhuma! 

Rice: Desculpe, senhor!

Ramisfield: Onde eram as reuniões, Vanda? Já sabemos de algumas casas, mas parece que vocês vão trocando de casas. Eu quero saber os dias e os horários e em quais locais vocês se encontram. 

Vanda: Não sei do que você está falando.

Ramisfield apaga o cigarro entre os seios dela. Logo após essa dor de queimadura terrível, mais choques. 

Ramisfield: Dias, horários e locais, Vanda. Todos os nomes, e seus intentos. 

Vanda faz de tudo para continuar com os olhos abertos... De repente, não sabendo nem da onde veio, uma mão pesada lhe esbofeteia o rosto! Ela chega a dar um jeito no pescoço, cai da cadeira no chão e Rice logo  a joga sentada de novo. 

Ramisfield: Pietro Lensheer... É seu amigo, não é?

Com a boca dolorida e inchada, ela tenta responder:

Vanda: Nunca ouvi falar.

Ramisfield: Soldados disseram ter visto um homem de cabelos brancos correr como o The Flash por esse gueto, e só por isso que não foi pego até hoje. Pelas minhas informações, o mutante conhecidamente rápido de cabelos brancos é um x-men. Filho do terrorista Eric Magnus Lensheer. O que você sabe sobre isso?

Vanda não sabia que o nome de Ernesto era Pietro, mas pela descrição de Ramisfield só poderia ser ele. Ela fica em silêncio, trêmula de medo e dos choques, de frio. Rice, o ajudante de Ramisfield, se enfurece e a pega pelo braço, forçando-a contra parede! 

Rice: Fala, aberração! Fala!

Ramisfield: Calma, Rice...

Rice: Fala! Fala, ou eu enfio esses fios de cobre em todos os buracos do teu corpo, começando pelos de baixo! Te enterro viva! Jogo querosene em você e meto fogo! 

Rice bate no rosto dela com um cassetete! Vanda cai no chão quase desacordada, vê o mundo girando, vozes ao fundo, o rosto irado de Rice indo para cima dela. Vanda chora, chora em silêncio e quando consegue ar chora em alto bom som. Grita horrores. Rice abre as pernas dela para massacrá-la com o cassetete! Nesse exato momento Vanda grita:

Vanda: ERNESTO! O nome dele é Ernesto!

Ramisfield faz um sinal com a mão para que Rice não faça o que ia fazer. Apenas ameace de novo fazendo ligeira força contra o local. 

Ramisfield: E o que vocês fazem nesse grupo, Vanda?

Vanda: Queremos o fim do gueto!

Ramisfield: Isso eu já percebi, estúpida! Mas como vocês vão tentar conseguir o fim do gueto?

Ela não podia falar sobre o treinamento dos mutantes internamente. Não podia... Ramisfield não podia saber que enfrentaria forças internas com poderes mutantes. Ele tinha que pensar que enfrentaria o que sempre viu pela frente: grupos humanos unidos contra uma força maior, agindo em guerras de guerrilha. Mas não era exatamente isso que enfrentaria, teria que lutar contra poderes mutantes internamente e externamente. Era uma pena que externamente, Ramisfield já desconfiasse de Magneto.

Ramisfield: Vamos, Vanda! Fale! Você conhece Magneto? Ele ajuda o filho Pietro de que forma nessa rebelião mutante?

Vanda: Não sei...

Ramisfield: Como um mutante poderoso, não autorizado, como o Pietro Lensheer conseguiu entrar nesse gueto? 

Vanda: Não sei...

Ramisfield: Existem outros mutantes com poderes nesse gueto, Vanda?

Vanda: Não sei... 

Ramisfield libera Rice para fazer o que bem entender. Quem sabe assim a pobre Vanda não falasse mais alguma coisa? O desumano do ajudante do general introduz com violência o cassetete em Vanda! Coisa que Ramisfield já fez muito em seu passado, era um método de tortura dilacerante para as mulheres. O pertencimento a classe dos seres humanos lhes era retirado, e os prisioneiros eram transformados em coisas, em animais, totalmente a mercê de seus algozes. Vanda luta para se sentir ainda humana, mas sabia que estava nas mãos deles, poderia viver ou morrer conforme seus humores. 

Rice: Eu posso enfiar essa coisa até chegar no seu estômago! Fala! Existem outros mutantes com poderes nesse gueto?

Vanda: Existe! Uma mulher azul que se transforma! 

Ramisfield: Rice, depois manda aquele idiota do seu subalterno fazer uma pesquisa para saber exatamente quem é essa mutante azul. Algo me diz que deve ser uma tal de Mística. Ela é conhecida... Outros nomes, Vanda!

Vanda: São muitos, nós somos muitos!

Ramisfield: Quero o nome de todos! 

Vanda fica em silêncio. Ramisfield a tira das mãos de Rice, e ele mesmo enfia a cabeça dela dentro de um aquário cheio de água! Vanda bate os braços desesperadamente, quando Ramisfield lhe tira a cabeça, ela puxa o ar loucamente! Ia gritar os nomes de todo mundo, mas sua cabeça foi enfiada na água de novo! Quando foi tirada mais uma vez para buscar ar, gritou o mais rápido que pôde todos os nomes que lhe vieram a cabeça!

Vanda: Ernesto, Joseph, Castro, o Velho e muitos outros! 

Ramisfield: Como é que é? 

Vanda: É isso. Mas acho  que não devem ser seus verdadeiros nomes. Assim como eu verdadeiramente me chamo Magda. 

Ramisfield solta uma gargalhada e diz um "não acredito" sorrindo, ainda meio sem ar. 

Ramisfield: Rice, bota os homens na rua. Vocês vão procurar um Che Guevara, um Stalin, um Fidel e um velho que ande com eles. 

Rice: Como assim, chefe? 

Ramisfield: Eles são ridículos, Rice. Uns amadores. Ernesto Che Guevara, Joseph Stalin, Fidel Castro... Ridículos! Chega a dar pena! Não tem nenhum Ghandi, não? 

Vanda: Tem... Tem um Mahatma Ghandi e um Mandela. Mas eu juro que não sei seus nomes de verdade. Por favor, não me afogue mais. Por favor. Eu falo o que vocês quiserem.  

Ramisfield pega Vanda pelos enormes cabelos e a vai arrastando até uma outra sala. 

Ramisfield: É, Vanda... Entregou seus amigos... Que vergonha, hein?! Mas é impressionante, não é? 

Vanda: ...

Ramisfield: É impressionante o que os seres humanos são capazes de fazer e até onde chegam para preservarem suas vidas. Nunca saberemos ao certo se não tentarmos, Vanda. E eu vi até onde você chegou para preservar a sua. 

Ramisfield tira uma chave do bolso e vai abrindo uma porta para Vanda entrar, ela estava morrendo de medo. Pensou que fosse morrer naquele exato momento. Mas não... Ramisfield não seria tão bondoso com ela. Queria que a pobre mutante sofresse ainda mais! A morte viria depois, muito depois, quando ele se cansasse dela e de todos os outros. Vanda ainda tinha muita coisa a dizer, e com o sofrimento terrível soltaria tudo aos poucos. 

Ramisfield: Todos os mutantes do mundo vão se extinguir logo, Vanda... Não precisa ter medo, seu fim também está próximo. Logo seu sofrimento irá acabar. Vou colocar você para dormir nessa sala agradável, que talvez faça a sua memória lembrar de mais coisas. 

Ramisfield a joga dentro da sala e tranca a porta rapidamente! Quando Vanda olha para o local, vê inúmeros corpos de bebês mortos apodrecendo! O cheiro era insuportável e existia apenas um pequeno basculante aberto! Vanda vomitou horrores, foi cambaleante até o basculante, ficou ali em baixo tendo náuseas, de olhos fechados. Sentindo todas as dores das torturas que sofreu, tremendo achando que a qualquer momento irão buscá-la para sofrer mais. Tremendo pensando no que seus amigos irão sofrer por culpa dela. Chorando pela resistência que julgava perdida, por sua condição de humana perdida, por seus sonhos perdidos, pelas injustiças do mundo. Tampando os ouvidos com força ao ouvir gritos de outros torturados que já estão ali ha dias e dias. 


Jean Grey dá um grito, despertando do sono da madrugada seu marido atordoado! Arfando incessantemente, a ruiva preocupa Scott. 

Scott: Jean? Querida, alguma coisa com nossa filha? - Já acordou pulando da cama e ascendendo a luz do quarto! Jean fecha os olhos com a agressividade da iluminação que Scott deu ao lugar.

Jean: Não, Scott. Eu apenas senti uma dor muito profunda. Uma dor de outra pessoa. Alguém do gueto, alguém do grupo de resistência, amor. 

Scott: O que você viu?

Jean: Não vi nada. Senti apenas... Senti dor, humilhação, desespero, loucos pedidos de socorro e clemência, morte. Alguém próximo de Mercúrio foi pego pela polícia do gueto, eu pude sentir isso. Senti o desespero dele na procura por alguém desaparecido, e senti os horrores que a pessoa presa está passando. 

Scott: Fica aqui e tente se acalmar. Deita e relaxa, não ha nada que possamos fazer agora. Já recebemos inúmeros informativos de Mística e Mercúrio dizendo que vários deles já foram presos. Por que você viria a sentir justamente essa tal pessoa?

Jean: Não sei, Scott. Meus poderes estão ora falhando, ora explodindo em crescimento. Alguma coisa nessa pessoa presa fez um contato desesperado de socorro e eu captei. O dia da destruição do gueto tem que ser antecipado, Scott. Acho que não podemos esperar muito mais tempo. 

Scott a deita na cama, diz um shiiii para ela. Apaga luz e deita ao lado da mulher, abraçando-a por trás. Fazendo um cafuné com o nariz entre as mexas ruivas daquele cabelo, ele segura aquela barriga já redonda que é a morada atual da concretização viva do amor de ambos. 

Scott: Não ha nada que vocês três possam fazer agora, nem a minha doce Jean, nem a minha pequena Rachel, nem a temida Fênix. Eu vou ter que acalmar essas três moças agitadas e poderosas. 

Jean se encolhe mais na posição fetal que fazia deitada na cama. Encolheu até onde sua barriga permitiu, Scott continuava abraçado com ela por trás; beijando sua nuca e ombro com ternura. 

Scott: Nós vamos acabar com aquele gueto, Jean. E faremos o possível para que nunca mais uma situação brutal, covarde, assassina e preconceituosa como essa volte a se repetir. Os direitos à vida e liberdade existem para todos.

Jean: Scott, poderia estar acontecendo conosco. Poderíamos sermos nós os mutantes aprisionados e torturados naquele gueto. Se estamos aqui nesse quarto confortável e aconchegante, é porque temos poderes muito fortes. E se não tivéssemos? 

Scott sente uma lágrima cair na parte de cima da sua mão, ele percebe que ela estava chorando.

Jean: Quanta injustiça, Scott. Quanta injustiça... 

Scott: Não chore, linda... Olha, estou sentindo a pequenininha se mexer. Ela não deve estar gostando dessa sua agitação emocional. - Scott acaricia a barriga na tentativa de fazer a filha se acalmar. - O fim do gueto está próximo, Jean. 


Enquanto isso, em outro quarto da mansão, sentada na poltrona do quarto iluminada pela lua estava a melancólica Vampira. Ficou olhando o chão a noite inteira, já nem sabia que horas eram. Lembrava do que Gambit fez naquela tarde: beijou Tempestade como quem a quisesse nua na cama todas as noites. Nos últimos tempos esteve tão nervosa e explosiva, chegou a sugar as memórias da Karen, chegou a surrar a própria mãe de criação, vivia de frases curtas e grossas pra cima e pra baixo: dessa vez desmoronou. Viu o que Gambit fez e não reagiu com ódio, entristeceu-se. Não conseguiu ver motivos para o ato dele, estavam tão bem. O motivo era o de sempre: Gambit é assim. E é tão contraditório... Faz sempre o que bem entende e depois sofre junto com ela. Se duvidar, sofre mais do que ela. Porque como ele mesmo define sempre, "Gambit morre por dentro toda vez que te faz sofrer, chere". Mas mudar os hábitos, ele não muda. É um eterno  arrependido do passado. E vai sempre construindo presentes que lhe tragam arrependimentos futuros. 

Vampira o perdoou, assim como perdoou Tempestade. Mas quando tentou dormir, não conseguia tirar a imagem que via da cabeça. Voltou a pensar se deveria ter perdoado o cafajeste. Já Tempestade, foi apenas uma vítima do charme dele. Mas Vampira volta a ouvir as frases que ela lhe disse com total franqueza e honestidade "gostei do beijo dele, me perdoe por isso." A sulista se contorce de ciúmes, respira fundo e vira-se para janela a contemplar a lua. Depois vira para o outro lado da poltrona e volta a apoiar a cabeça na mão. Ela sabe muito bem que se Tempestade fosse uma outra qualquer, e tirasse a roupa para ele ali mesmo naquela estufa depois daquele beijo; que Gambit a teria concedido o prazer indescritível de ser tomada por ele. Mas a força de Tempestade conseguiu combater a atração que Gambit exerce. E por falar em Gambit, duas mãos aparecem agarradas ao parapeito da janela aberta. Vampira se assusta, mas logo vê Gambit pulando para dentro do quarto. Ele cai no chão agachado, como sempre fez ao pular qualquer coisa. 

Gambit: Pardon. Pensei que você estivesse dormindo, amour. 

Vampira fica em silêncio um longo tempo, até que resolve falar.

Vampira: E se estivesse? O que você viria fazer aqui? Sabe que eu durmo sem a pulseira. 

Gambit: O que faço muito freqüentemente... Te olhar... Mas a porta estava trancada a chave, vim pela janela. 

Gambit olha profundamente para aquela mulher que faz seus galanteios profissionais se transformarem em simples gagueiras. 

Gambit: Olhar, olhar para você e esperar a noite passar, para que você saia do quarto com a pulseira e eu possa te tocar. 

Vampira: ...

Gambit: Talvez você não queira me tocar por algum tempo. ... Mas eu espero desesperadamente ansioso pelo dia que me permita essa dádiva, esse alento para o amor sufocante que eu sinto por você. 

Vampira: ...

Gambit: Talvez você não queira nem a minha presença por algum tempo. Posso voltar para meu quarto se te importuno, ma chere belle. 

Vampira: Pode ficar, Remy. Se eu te deixei ficar hoje a tarde, por que não deixaria agora? 

Gambit: ...

Vampira: ...   

Ela continuava a olhar para lua, Remy continuava abaixado no chão do quarto a olhar para ela. 

Gambit: Acho que seu amor por mim está diminuindo... e tudo por culpa minha. Decepção em cima de decepção, está soterrando o que sente por mim. 

Vampira: Não sei. Só sei que estou sofrendo.

Gambit: Tenho medo que com o tempo, você já nem sofra mais, nem se importe e perdoe-me sempre. Assim como perdoará as outras. E eu serei indiferente para você. Você vai olhar essas minhas ações estúpidas com indiferença e vai se distanciar de mim, não querer minha presença. Até um dia que o imbecil aqui ouvir da sua boca que está se desligando de mim oficialmente, porque já ama outra pessoa. 

Vampira: ...

Gambit: Ou quem sabe, eu possa estar afrouxando nossa relação? E um dia te ver nos braços de outro e ter que ouvir de você que estava só se divertindo com ele, mas que quer continuar comigo; assim como eu faço. 

Vampira: Parece uma visão do nosso passado triste, não parece? Mas agora não tem motivo para o passado se fazer presente, existe uma pulseira inibidora de poderes. 

Gambit levanta e se dirige até a escrivaninha dela, já sabia em qual gaveta estava a pulseira. Ele pega o pequeno bracelete e se dirige a Vampira. Ela sente ele vir por trás da poltrona e abraça-la, Gambit coloca a pulseira no braço direito dela; Vampira fecha os olhos. As mãos de Gambit podem finalmente passear pelos braços dela sem perigo, ele apóia de leve seu queixo na cabeça dela, enquanto a acaricia por trás da poltrona.

Vampira: E se eu quebrasse essa pulseira como fiz com o colar? Você sairia correndo para se aninhar no corpo escultural de Tempestade?

Gambit: Eu me aninharia no seu e morreria sugado por você. Ao menos estaria contigo para sempre, dentro de você.    Eu prometo não vol...

Vampira: Não prometa, por favor. 

Gambit: Pardon. 

Gambit, ainda por trás na poltrona, abre o laço do roupão de seda rosa dela. Revela uma mulher só usando uma calcinha de cetim também rosa. Ele sorri, entre o doce e o cheio de segundas intenções. O francês vai para frente da poltrona e puxa seu braço levemente, Vampira se levanta. Gambit a deita na cama e tira a própria camisa de uma forma que só um charmosão como ele sabe tirar, deixando qualquer mulher sem fôlego. Bate um pé no outro para tirar os sapatos, coloca uma das mãos na nuca dela, sussurra alguma coisa em francês no ouvido e a beija, deitando-se por cima dela. Nesse exato momento, Vampira chora! Chora mesmo, de enrugar as sobrancelhas e fazer beicinho. 

Gambit: Mon amour? Que foi, ma chere?

Vampira: Eu odeio você!

Gambit ouviu aquele odeio você dito entre soluções e ficou perplexo. Mas logo entendeu que aquilo era um "eu odeio amar você desse jeito que você é". No fundo, ela também disse um te amo, mas acabou colocando pra fora o atual estado de sofrimento, de se achar uma fraca idiota em perdoar os constantes erros dele. Gambit viu que aquilo não seria a noite de amor que ele pensou em ter. Pegou o edredom e se escondeu ali de baixo junto dela, deixou que a pobrezinha o abraçasse e repetisse, colada no corpo dele, que o odiava.  E foi assim, até ela dormir de cansaço nos olhos de tanto chorar. Gambit percebeu que a bela havia adormecido, beijou sua testa e soltou os braços dela do seu corpo. A colocou de forma mais cômoda para dormir. Escreveu um pequeno bilhete num post-it e colocou grudado no criado mudo ao lado da cama dela. "Amour, eu agradeço você ter permitido que eu te beijasse essa noite, também agradeço ter se permitido dormir ao meu lado, confiando em mim, mostrando que me ama apesar dos "te odeio" que tanto ouvi. Saiba que ninguém odeia mais Remy Lebeau do que ele próprio, e ninguém te ama mais do que eu." Gambit tirou a pulseira dela e guardou novamente na escrivaninha. Pegou sua blusa e seus sapatos, abriu a porta trancada a chave e saiu de fininho. No corredor, encostou as costas na parede, deslizou até o chão e chorou sozinho. Que medo que tinha de perdê-la, que ódio que tinha de magoá-la.

Nesse momento, Wolverine abriu a porta do quarto e andou pelo corredor bocejando; ia ligar a sala de perigo para das umas aquecidas nas garras. Odiava ficar dormindo. Se espantou ao ver Gambit sentado no chão, sem camisa e sem sapato.

Wolverine: Coé? Tu é outro que não dorme e vive igual a alma penada nessa casa... Que isso, xará? Tudo bem com você? Está ... chorando?

Gambit: Quem? Moi? Non...

Wolverine: Parece que tá saindo coisa dos seus olhos. Está chorando, homem?

Gambit: É... parece que tá saindo água, né? 

Wolverine: "Parece" sim.

Gambit levanta-se e vai andando até a porta do próprio quarto, antes de entrar acalma o durão da equipe.

Gambit: Não se preocupe comigo, mon ami.  Remy Lebeau vive para rir e não para ficar chorando pelos cantos. 

Wolverine: Quem disse que eu me preocupo com você? 

Gambit: Não pense que eu estava chorando. Não estava.

Wolverine: Tudo bem... Não tenho nada a ver com tua vida, e não vou dormir preocupado por causa de você, cajun...

Gambit: Ce bien, mon ami. Boa noite. 

Gambit abriu cabisbaixo a porta do quarto, jogou os sapatos no chão e a camisa na cadeira, quando ia fechar a porta, o Wolverine parado no corredor resolveu ser menos frio do que o normal.

Wolverine: Mas se tu quiser rolar um papo sobre tua fossa, cajun, eu te escuto.  De fossa eu entendo. Só não sou molenga igual a você... 

Gambit sorriu ao fechar a porta.

Gambit: Non, merci. Merci, mon ami. São os problemas de l'amour! Nada que você consiga resolver. 

Continua Aqui

Hosted by www.Geocities.ws

1