Wolverine usava a sala de perigo como playground. Destruía todas as projeções holográficas e acabava também com os perigos reais que colocava nos comandos dos computadores da sala. Já era alta madrugada, mas aquele canadense raramente tinha sono. E no meio das brincadeiras, uma surpresa! Um aviso de alerta urgente na sala dos monitores. Logan desligou a aparelhagem da sala de perigo e correu até a outra sala, mas não não sabia como ligar os aparelhos de vídeo conferência direito.

Wolverine: Ah, merda! Como é que se liga essa joça? 

Não pensou duas vezes, deu uma porrada nos botões e tudo ligou! Ele deu uma viradinha de cabeça com um sorriso irônico.

Wolverine: Ligou... 

Mercúrio: Logan?

Wolverine: Coé? Isso é hora de se comunicar com a gente, Pietro?

Mercúrio: É de extrema importância! O general Ramisfield prendeu Vanda! 

Wolverine: Pensei que sua irmã Vanda já estivesse morta faz muito tempo...

Mercúrio: Não. É Vanda do grupo que estou treinando aqui no gueto junto com Mística. Ela sabia de muita coisa, por isso todos nós ficaremos quietos por uns dias. Não vamos nos reunir e já marcamos novos lugares totalmente desconhecidos dela. 

Wolverine: Sei... e eu com isso? Quer que a gente ataque agora? Por mim tudo bem... Já tô de saco cheio com essa espera toda! 

Mercúrio: Também não agüento mais viver nesse inferno, ver esses meus novos amigos e colegas serem presos, torturados e mortos. Se eles estivessem prontos, eu juro que permitia uma ataque agora mesmo! 

Wolverine: Deve ser barra mesmo. Tu é um cara de coragem, Pietro. Apesar de ser filho de quem é, gosto de você. 

Mercúrio: Avise a todos que a situação aqui não está fácil. Mística se transformou num guarda para ver se conseguia encontrar Vanda, mas não foi possível. Ela está muito bem escondida, são poucos os que sabem dela, só a nata desses assassinos. Mas Mística descobriu, por ouvir dizer dos outros guardas, que existe uma sala, não sei aonde, cheia de bebês mortos! São os bebês mutantes que eles têm recolhido dos hospitais aí fora, Logan! Pede para Jean tomar todo cuidado! Até as raras grávidas desse gueto preferem ter os filhos em casa! Se nos hospitais de fora as crianças já são levadas, imagina as que nascerem no hospital daqui! ... Logan... minha incrível velocidade só tem conseguido me livrar do pior. Mas eu sozinho não tenho conseguido fazer muita coisa por esses mutantes. Avise a todos, que o grande dia está chegando. Vou me virar aqui como posso. 

Wolverine: Sorte aí para encontrar seus amigos seqüestrados. 

A conexão se desfaz. Wolverine sente vontade de ir até o gueto e quebrar aqueles muros na porrada, e acabar com todos os guardas nas garras!


Mais algumas semanas se passam. A barriga de Jean, a tensão e a desumanidade no gueto só fazem crescer mais e mais. Ela já estava no sexto mês de gravidez, cada dia se inquietava mais com os desequilíbrios de seus poderes. Por mais que se esforçasse mentalmente, sua telecinésia poderia falhar, como poderia começar a jogar coisas na parede sem a menor intenção. Sua mente ora perdia totalmente a telepatia, ora a sentia apenas mais fraca, quase como um bobo sexto sentido; ou podia tê-la aumentada: ouvindo todas as mentes da mansão! Um horror, tentava se controlar e não conseguia! Fortes dores de cabeça com todas aquelas vozes invadindo seu sossego: "Pela Deusa, o professor Xavier tem feito pouca fisioterapia... isso não é bom...  Coé da porcaria desse filme que Bobby tá vendo? Que saco não posso fumar em lugar nenhum... Vou enfiar o charuto na cara do próximo que me disser que a fumaça incomoda! Oh, voilá! Que moto linda, dá até vontade de trocar a minha por essa! Onde será que tem o preço aqui nesse encarte? Oui! É tão linda que merece até ser roubada... Ah, uma mulher trés belle em cima dessa moto! Que visão do paraíso! Eu odeio quando deixam só o sorvete de morango na caixa de napolitano! Aposto que é o Bobby e o Sam que fazem isso! Ah essa mexa branca que não fica boa nem para um lado nem para o outro! Dá vontade de fazer franja nessa parte branca do cabelo. Se bem que todo mundo diz que é meu charminho... E mais soldados americanos mortos no Iraque... Ah, falta inteligência nos altos comandos dessa nação, se continuarmos a agir de forma tão prepotente e cruel, só receberemos violência em retorno. Já estou envergonhado dessa falsa pregação de Democracia, quando o que fazemos na verdade é invadir vários países pelo mundo afora e plantarmos destruição, em nome dos nossos interesses econômicos! Não há nação mais anti-democrática do que os Estados Unidos."

Jean costumava se contorcer quando isso acontecia, tinha horror de não controlar seus poderes! Scott sempre corria para chamar o professor Xavier, que entrava na mente da Ruiva até estabilizar sua telepatia. Ela se acalmava e sorria nervosa, com medo da próxima crise. Já estava no sexto mês de gravidez e tinha medo de não estabilizar todos os poderes até o dia do parto. 


Vampira ainda passou algumas semanas frias com Gambit, fato que o deixou sentindo-se a pior pessoa do mundo. Mas é largamente conhecida a capacidade de insistência de Remy Lebeau, que marcou presença ao lado dela noite e dia. Chegava a enjoar o número de vezes que pediu perdão com os olhos, ou os momentos em que brincava e agia como se nada tivesse acontecido, fazendo piadinhas, dando cantadas, abraçando por trás; e ganhando foras secos e frios dela! Era como se a pulseira não existisse mais e Vampira tivesse novamente se transformado na intocável. Mas o único que verdadeiramente não a tocava era ele! Pois Vampira, muitas vezes colocava a pulseira para tocar a barriga de Jean; que ultimamente estava bem movimentada, cheia de chutinhos e mexidinhas internas. Jean deitava na cama e Vampira a tocava sorrindo, já não tinha mais o mesmo ar melancólico de sempre ao ver aquela barriga. O baque de ver outra grávida, e as inúmeras vezes que teve que relembrar tudo o que passou, já tinham abrandado as lembranças dos sentimentos tristes. Obviamente ficaria para sempre marcado como um período triste, mas já podia curtir a gravidez da amiga com mais alegria! Mas isso só veio a acontecer quase no sétimo mês! 

Vampira: Está gostando da barriga agora?

Jean: Agora estou. Fui na Miriam ontem com o Scott e várias pessoas me elogiaram, disseram que minha barriga era linda!

Vampira: E o peso dela?

Jean: Nossa! Fiquei arqueada para frente! Minha coluna resolveu ir na mesma direção da barriga...

Vampira: Eu disse! Eu disse!

Jean: Quando meus poderes estão normais, raridade ultimamente, faço tudo com telecinésia! Pego coisas a distância, me locomovo flutuando, faço de tudo para não andar muito com esse peso nas costas. 

Vampira: Já está dormindo de lado para a esquerda?

Jean: Estou. As outras posições são muito desconfortáveis. Tem vezes que estou deitada de barriga para cima e elazinha aperta meu pulmão! Ela comprime tanto minha bexiga, vou ao banheiro várias vezes!

Vampira: Lembrando bem, é bom mesmo eu não querer filho nem tão cedo! - Ela ri, Jean também. Scott sai do banheiro do quarto só de short, colocando uma camisa. Vampira fica sem graça e pára de rir, mas depois o incômodo passa, e ela resolve fazer o que entende bem: brincar.

Vampira: Quê isso, Scott? Tá se mostrando pra mim ou pra sua mulher, grandão?

Scott: Obrigado pelo grandão, Vampira. Mas obviamente eu estou me mostrando para minha mulher querida. - Ele se abaixa um pouco e dá um beijo carinhoso na mulher, passando a mão na barriga dela. Vampira o escuta cochichar baixinho para a mulher "tudo bem com você?" Jean sorri meiga e balança a cabeça consentindo, Scott acaricia de novo a barriga na outra direção. "E a mocinha aí dentro? Continua apertando a mamãe dela?"

Jean: Não... Hoje ela está um amor. Tadinha, está ficando grande aqui dentro, é natural que queira buscar mais espaço me empurrando toda. 

Scott beija a barriga dela e vira-se para o espelho, fecha os olhos; ia tirar os óculos e colocar o visor. Vampira sorri ao ver aquilo, nunca ninguém beijou sua barriga. Ela balançou a cabeça e logo esqueceu dessa besteira, passado é passado. Se quisesse que alguém beijasse sua barriga, que ficasse grávida de novo. E como não quer, paciência! 

Jean: É filha, mas não chuta muito a mãe enquanto ela está dormindo não... 

Jean sorri.

Scott: Que foi? Falou com ela e a danadinha passou a mão de novo na barriga?

Jean: É... ela sabe que sou eu falando com ela. Isso é impressionante! 


Vampira passou o resto do dia pensando em Gambit, pois viu todo aquele amorzinho de Jean com Scott. Ela já estava perdoando-o de vez, e Gambit também estava dando sinais de que se arrependeu mesmo. Podia estar alegre com Bobby Drake, com Jean, com Wolverine; e era só Vampira passar, que ele ficava cabisbaixo. Quando foi dormir, já imaginava que Gambit viesse a seu quarto pela janela, como tinha feito nos últimos dias. Ele fazia de tudo para não acordá-la e admirá-la o máximo que pudesse, já que quando acordava, o enxotava para fora! Essa noite não foi nenhuma exceção, Gambit pulou a janela e ficou admirando a bela adormecida, sonhando acordado em poder tocá-la de novo. Que angústia de saber que o colar existia e não poder ficar com ela! Gambit cometeu o erro de fazer um pequeno barulho e despertá-la! vampira acordou num susto!

Gambit: Oi, ma chere.

Vampira: Gambit! Remy... Qual é a sua de ficar me olhando dormir toda noite, hein?! Vê se dorme também, gato... É um saco ficar acordando de madrugada toda vez que você faz um barulho! 

Gambit: Pardon, belle. Você sabe que eu sou viciado em você...

Vampira: "Pardon" é uma das coisas que eu mais escuto de você!

Ela deita de novo com força na cama, ajeitando o travesseiro! Vampira sorri, tenta esconder o riso no travesseiro, mas Gambit percebe que ela não está mais zangada.

Gambit: Que foi, ma belle? - Pergunta sorrindo também.

Vampira estava achando engraçado Gambit agachado se equilibrando na madeira da cama dela. Parecia que estava empoleirado! 

Vampira: Você parece um galo no poleiro, Remy!

Gambit: Hahahahaha! É mesmo! - Ele pula no chão!

Vampira: Se disser que eu sou mais uma das suas galinhas que veio visitar, eu te quebro no meio!

Gambit se agacha do lado do travesseiro dela, a olha de um jeito que atravessa a alma.

Gambit: Moi? Vampira, você é a única coisa que realmente importa na minha vida. Nunca te chamaria de galinha, muito menos "mais uma das minhas galinhas". No máximo de minha franguinha linda! Hahahaha!

Ele recebe uma travesseirada na cara! E muitas outras! Levanta-se e fica se defendendo do ataque rindo! Ela também estava rindo, achou graça e não achou graça ao mesmo tempo. Voltou para cama fazendo beicinho, não queria mais rir.

Gambit: Linda!

Vampira: Bobo!

Gambit vai até a escrivaninha para pegar a pulseira, iria tentar fazer com que ela o aceitasse de volta por inteiro. Mas não estava lá! Quando virou-se para Vampira com ar de preocupação, viu que ela já estava com a pulseira no braço, rindo.

Vampira: Estava debaixo do travesseiro hoje, bobinho.

Gambit entendeu o recado, ela o queria de volta. Ele revirou os olhos de felicidade, fechou os punhos em sinal de vitória, mordeu os lábios e correu para o lado dela. Os dois dormiram juntos, Vampira essa noite nem se importou com o medo de dormir usando a pulseira, nem Gambit a lembrou de tirar. Estavam muito cansados para se preocuparem com alguma coisa na hora que realmente pegaram no sono. Mas nada deu errado, aquela casa era uma fortaleza, ninguém entraria nela para roubar a dita pulseira, ou para seqüestrar Vampira, como aconteceu no hotel. 


No dia seguinte, Vampira e Gambit eram só chamegos. O professor Xavier, que estava sendo levado por Tempestade para a fisioterapia na piscina, sorriu com gosto ao ver os dois pombinhos na cozinha, tomando um café entre beijinhos e risinhos. 

Tempestade: Ora, ora, professor... Contente em fazer sua fisioterapia?

Professor: Eu contente em dar trabalho para os outros, Tempestade? Claro que não... Estou contente em ver Gambit e Vampira em paz novamente. Nem quis saber o que aconteceu da última vez, mas sei que estavam brigados. 

Tempestade faz um muxoxo, sabia muito bem o motivo da briga: Vampira tinha visto Gambit dar um super beijo na Deusa dos Ventos! Ainda bem que ela o perdoou de vez, e que ele parece estar mais calmo. 

Tempestade: Que todos os Deuses queiram que eles fiquem desse jeito para sempre. 

Na cozinha...

Vampira: E aí, gatinho? Quer dar um passeio comigo por Manhattan?

Gambit: Oui, chere. Onde você quer ir mais especificamente? 

Vampira: Quero andar de charrete no Central Park tomando sorvete na casquinha!

Gambit: Passeio caro e para turistas, mon amour. Mas seus pedidos são ordens para mim. Se quiser, ainda faço o charme de pagar tudo com o dinheiro de algum roubo especial... Quer?

Vampira: Não, seu bobo... Vamos usar o dinheiro que o professor deposita na conta de todo mundo aqui. 

Gambit: Um dia a gente ainda deixa esse pobre velho na miséria... 

Vampira: Um dia ainda te vejo atrás das grades, ladrão de galinhas! 

Gambit: Nem de galinhas e jameis atrás das grandes, ma belle! Jameis! 

Os dois saíram rindo da cozinha... Gambit ia pegar a chave do carro, mas Vampira fez questão de ir voando pelo céu azul de Nova York, carregando Gambit. Ele achava aquilo um vidão! 

E andaram de charrete pelo Central Park tomando sorvete de chocolate crocante na casquinha! Sentaram num banquinho em baixo de uma árvores já de folhas todas amarelas e laranjas para contarem piadas e rirem um do outro, se agarravam momentaneamente nos muros de pedras de pequenas pontes do parque. Era momentaneamente, porque o medo de Vampira logo o afastava para que ela pudesse guardar a pulseira novamente na bolsa. 

Gambit: Chere? Por que tanto medo?

Vampira: Você lembra do nosso acordo! Não durmo com a pulseira em hipótese alguma e nem saio na rua com ela! O que é que nós fizemos ontem?

Gambit: Dormimos com a pulseira...

Vampira: O que estamos fazendo agora?

Gambit: Fora da mansão com a pulseira...

Vampira: Ótimo! Que bom que você compreende que isso que eu estou fazendo é até mais do que eu poderia. 

Gambit a abraça com carinho e sorrindo, ele compreendia tudo e aceitava. Fez com que ela mudasse o arzinho de preocupada. Pegou na mão dela, puxando-a para continuar as andanças pelo enorme parque. 

Gambit: Tudo bem, mon amour. Não precisa tirar mais essa pulseira da bolsa enquanto estivermos na rua. Eu posso me segurar e não te agarrar por algum tempo. Mas só por algum tempo, ma belle...

Vampira sorri e se enternece com ele. Ela o adorava, Gambit era tão cheio de galanteios, sorrisos na medida certa, olhares penetrantes, voz perfeita, que ninguém resistiria. Ela abre a bolsa e coloca a pulseira no braço.

Gambit: Mas mon amour... Eu não pedi para você colocar.

Vampira: Eu sei, seu convencido! Você acha que tudo o que eu faço é por que você quer?

E ela pulou dando um beijo nele! Gambit não sabia se sorria ou se a beijava; por fim, acabou beijando-a intensamente, os dois chegavam a atrair os olhares dos transeuntes do parque. Ali estava a forte e durona Vampira transformada numa simples e fraca mulher entre os braços de Remy Lebeau. Essa era a função da pulseira, transformar a poderosa mutante Vampira numa mulher como outra qualquer. E foi assim, que um sujeito todo de roupas pretas, conseguiu o que queria! Um dito cujo saiu de trás de uma árvore, sem que o casal apaixonado nem abrisse os olhos para perceberem, e deu um enorme esbarrão em Vampira! Ela logo se descolou de Gambit e disse um "Eiii, cara! Não te deram educação quando você era pirralho não?" Disse isso enquanto via o sujeito se abaixar no chão e sair correndo! Foi quando ela olhou para o próprio braço e viu que estava sem a frágil pulseira! Muito frágil, assim como ela ficava quando a usava; a pulseira era frágil justamente para que a mutante pudesse tirá-la do braço na maior facilidade quando estivesse em perigo. O sujeito de preto esbarrou nela, quebrou o trinco do bracelete e pegou-o no chão enquanto corria para longe! 

Mulher na rua: Moça, ele pegou sua pulseira que caiu no chão!

Vampira: Eu sei!

E Vampira voou na direção do homem de roupas pretas, chamando a atenção de todas as demais pessoas do parque, que saíram correndo de perto de Gambit, o namorado da "voadora". 

Gambit: Chere!

Foi inútil gritar, ela já estava bem alto, procurando pelo dito cujo dentro do parque. Ela o viu sair por um dos portões gradeados e correr pelas ruas movimentadas de Manhattan. Ela o viu entrar num beco sem saída, sorriu de felicidade! Era agora que iria esbofetear o sujeito até ele cantar todas as músicas country com um só dente na boca. Quando ela já estava aterrisando no beco, ele subiu nas latas de lixo e pulou para o muro e telhado de uma casa. Vampira aterrisou no telhado e o agarrou pelo ombro!

Vampira: Pode parando, gatinho! Cadê minha pulseira???

Sujeito: Não está comigo!

Vampira o sacolejou no ar com raiva!

Vampira: Anda! Fala logo! Por que você pegou minha pulseira e onde ela está? 

Sujeito: Eu juro! Não está comigo! Eu deixei largada ali no beco!

Vampira: Mentira!

Sujeito: Eu juro, juro mesmo! Eu roubei pensando que fosse algo de valor... mas quando vi que não era de ouro, nem tinha nenhuma pedra preciosa, larguei ela ali no chão! Juro por Deus! Pode ir lá ver!

Vampira: Eu ir lá ver e te deixar aqui para fugir com ela? Você está maluco!

Foi nessa hora que Gambit pulou do chão do beco para o telhado da casa com a ajuda de seu cajado! Ele tinha em uma das mãos a bendita pulseira!

Gambit: É verdade, chere! Corri atrás de você, e quando entrei no beco vi a pulseira no chão.

Vampira solta o sujeito ao ver Gambit com a pulseira na mão. 

Vampira: Você acha que nós deveríamos levá-lo para mansão para que o professor fizesse uma varredura psíquica nele, e descobrisse se fala a verdade ou não?

Sujeito: Eu juro! Só peguei essa pulseira porque pensei que era de valor. Mas larguei ela ali no chão, porque só parece que é feita de lata. É feia...   

Gambit fez um sinal para que Vampira o deixasse ir embora. Não passava de um simples ladrão, assim como ele também era. A diferença é que Gambit nunca passaria uma vergonha dessas! Vampira viu o sujeito pular de volta ao chão e correr esbaforido! Que susto, agora que o ódio pelo ladrão passava, ela tremia de nervoso. Gambit pediu que ela sentasse e se acalmasse. 

Gambit: Não precisa tremer. Tudo já passou... 

Vampira: Ai, foi por pouco, Remy...

Gambit: Shiii. Está tudo bem... Fica calma. Você estava muito bem segurando o sujeito pela gola da camisa, não desabe emocionalmente agora. Continue firme que nada aconteceu.

Vampira: Mas quase aconteceu, Remy. Eu poderia ter sido seqüestrada de novo... Ai, só de pensar já me arrepio toda!

Gambit: Non... Isso não iria acontecer! O que eu disse foi comprovado. Ao menor toque mais brusco na pulseira, o trinco se desarma e ela cai no chão! Seqüestrada você nunca mais será! 

Vampira: Tudo bem... Mas poderia ter perdido realmente a pulseira para esse ladrão. Ele poderia até mesmo até destruído essa coisinha tão frágil. 

Gambit: Mon amour, não pense nessas coisas ruins. O que importa é que ele não fez nada demais. 

Gambit percebeu o quanto Vampira estava tremendo de nervoso. Ele a abraçou e pulou com ela para o chão, foi conduzindo-a pelas ruas de Manhattan; enquanto guardava a pulseira dentro da bolsa dela. 

Vampira: Onde estamos indo?

Gambit: Vamos numa lanchonete pedir uma água para você se acalmar, e um milkshake de ovomaltine pra mim. Afinal, não vai ser aquele ladrãozinho de araque, fajuto, que vai estragar nossa tarde, ma belle. 

Na lanchonete, Vampira se acalmava um pouco, a água foi muito bem vinda. O Milkshake de Gambit também já estava quase no fim. Mas agora quem começava a se preocupar e ficar com a pulga atrás da orelha era o próprio cajun.

Gambit: Realmente, isso tudo foi muito estranho...

Vampira: Quero ir pra casa tomar um banho e esquecer a cara desse sujeito! Que susto que ele me deu! Meu nervoso estava convertido para o ódio, iria rachar aquele idiota ao meio! Mas depois que tudo se normalizou, fiquei tremendo, vendo o que realmente poderia ter perdido. 

Gambit: Por que ele roubaria sua pulseira, pra depois jogá-la numa calçada qualquer?

Vampira: Ele disse mais de três vezes! Porque achou que fosse algo de valor.

Gambit: Estranho... Bom, ao menos a pulseira não está com ele. 

Vampira: Acho melhor nós contarmos tudo ao professor quando chegarmos em casa.

Gambit: Non... Melhor não. O velho vai dar uma bronca homérica na gente, ma chere! 

Vampira: Tem razão... Tivemos culpa em usar essa pulseira na rua... Nem pense em dormir no meu quarto hoje de novo.

Gambit: Oui, je sé...  Vou sentir sua falta, mas já ter você até a hora de fechar a porta do meu quarto é o maior dos sonhos.

Vampira: Em pensar que poderia ter perdido tudo isso por causa desse idiota do parque hoje...

Gambit: Shiii... Não pense isso. Estamos juntos e continuaremos juntos. 

Vampira: O idiota disse que a pulseira não tinha valor. Não sabe ele o real valor que essa tecnologia tem... A ignorância é um problema sério... 

Gambit: Oui.

Vampira: Sem contar o valor sentimental que isso tem para nós dois. 

Os dois não demoram muito na lanchonete e voltam para casa.


Enquanto isso na mansão, Jubileu andava pelo corredor dos quartos. Ela sabia que provavelmente não participaria no dia da grande ação contra o gueto, inclusive ainda treinava em níveis mais baixos na sala de perigo. Mas ao andar pelos corredores do quarto, ouviu Jean dar uns angustiados gemidos em seu quarto. A menina sabia que Scott estava treinando seu grupo na sala de perigo e que o professor estava na fisioterapia com Tempestade na piscina. Ela tinha que entrar no quarto e saber o que era. Ao entrar, viu Jean com a mão na barriga já bem grandinha de seus 7 meses de gestação. Ela tentava sentar na cama.

Jubileu: Ihhh. Que foi, Jean? Olha, eu vou correndo lá em baixo chamar o Scott!

Jean: Não, Jubileu. Está tudo bem comigo.

Jubileu: Mas você está gemendo. 

Jean: É a Rachel que me aperta inteira, me chuta o tempo inteiro. Ela é agitada demais. 

Jubileu: E sua telecinésia, não ajudaria a mexer a criança para outro lugar?

Jean: Estou sem telecinésia, Jubileu...

Jubileu: E sua telepatia para impedir essas dores?

Jean: Estou sem minha telepatia também, querida. 

Jubileu: Jean! O que vai ser de você?

Jean: Isso é passageiro, meu bem. Eu estou assim agora, não se preocupe... Logo, logo, um dos meus dois poderes volta.

Jubileu fica olhando o quarto, vê um porta retrato com uma foto de casamento de Jean e Scott. E outra foto do casamento de Vampira com Gambit. 

Jubileu: Essa foto é linda, Jean! Quando eu me casar, quero ser feliz como você e o Scott...

Jean: E como Vampira e Gambit?

Jubileu: Ah, sei lá! Também... É que eles não são propriamente um exemplo de felicidade, né? 

Jean: Não sei bem ao certo, querida... Mas e você? Já escolheu seu noivo?

Jubileu: Ah! Tá muito cedo ainda... Fala sério...

Jean: Mas eu aposto que você escolheria um rapaz bem loirinho, de olhos azuis e jeitinho tímido. Mas que apesar da timidez pode explodir facilmente. 

Jubileu: Você está descrevendo o Míssil. Não... o Sam não quer mais nada comigo. Sacaniei o cara, ele não iria mais confiar em mim como namorada. Ele tem jeito de jeca caipira, mas não é idiota. 

Jean: E o Bobby Drake?

Jubileu: Bobby? Bobby quer mulheres com a beleza da Vampira pra cima! Ele se espelha no Gambit, o ídolo dele! 

Jean: É... mesmo que ele fosse caidinho por você, eu sei que você não ficaria com ele. Eu sou telepata e sei que gosta do Sam. 

Jubileu: Não vou mentir pra você... Até porque, quando você recuperar sua telepatia, vai descobrir que eu menti. Gosto mesmo do Sam, aqueles olhinhos azuis tímidos me tiram do sério. Mas acho que vou ter que amargar minha burrada por muito tempo.

E foi falando em olhos, que Jubileu percebeu uma foto de Scott Summers sem os óculos ou o visor. Era uma foto em que estava rindo de olhos fechados, obviamente.

Jubileu: Nossa! Que foto legal! O magrão sem os óculos! É até engraçado, né? Tão estranho ver os olhos dele. Tá certo que não estão abertos, mas mesmo assim... Ver os olhos dele é coisa tão rara... 

Jean: Eu sempre tive vontade de carregar uma foto dele comigo em que estivesse sem os óculos. Uma foto do rosto maravilhoso dele, puro, sem nada tampando. Tenho uma cópia dessa foto na minha carteira. Eu lembro quando tirei a foto. Ele tinha tirado o visor para colocar os óculos, sempre fecha bem os olhos para fazer isso. Então, eu disse alguma coisa engraçada e ele riu! Não pensei duas vezes: tirei a foto! 

Jubileu: Posso dizer uma coisa sem você ficar brava?

Jean: Claro...

Jubileu: É estranho ver o cara sem óculos, a gente não está acostumado e se espanta. Mas olhando a foto com calma agora... o Scott é lindo, Jean!

A ruiva sorri.

Jean: Eu sei, querida. Eu já sei disso ha muito tempo. 

Jubileu: Você realmente gosta muito dele... Fico com pena do Wolverine.

Jean fecha o sorriso. 

Jean: Mas não devia ter pena de ninguém. Essa fase vai logo passar. 

Jubileu: Desde que eu cheguei aqui essa fase dele não passou. 

Jean tenta mudar de assunto. Ela pede para Jubileu subir num banquinho e pegar uma caixa de sapatos no alto do armário. A menina baixinha faz tudo isso com muito esforço, mas consegue o que quer! 

Jean: Se eu estivesse com minha telecinésia teria te ajudado...

Jubileu: Eu sei.

Jean: Quer ver uma coisa que eu nunca mostrei a ninguém?

Jubileu: L-ó-g-i-c-o!

Jean tira da caixa de sapatos uma foto do Scott com os olhos abertos! Eram lindos olhos azuis! Jubileu não acredita no que vê!

Jubileu: Gente! Como foi que você conseguiu isso? Que demais! Olha! Ele tem olhos azuis... Desculpa, mas é bonito. Bonito mesmo...

Jean: Ele ficou irado por causa dessa foto! Você sabe que o poder do Scott é sempre alimentado pela luz do Sol. Se ele ficar preso numa caverna por mais de 48 horas, perde os poderes, até ser banhado pelo Sol novamente. Eu fiz ele ficar trancado no quarto por dois dias, com as cortinas muito bem fechadas e plástico preto nas janelas! Só para tirar essa foto que anda comigo para onde eu for! Ele ficou irado, e disse que só faria isso uma única vez. Tadinho... Ele ficou esse tempo todo preso só para que eu visse a cor dos olhos dele. Um amor mesmo...  

Jubileu: É... você gosta mesmo do magrão. 

Jean: E você incorporou mesmo o vocabulário do Wolverine.

Jubileu: Quê que eu faço para o Sam um dia ser apaixonado assim por mim também, Jean?

Jean: Continue por perto, meu bem. Continue por perto e deixe o tempo passar. E não conte a ninguém sobre essas fotos, nem sobre a Rachel estar me incomodando um pouquinho, tá?

Jubileu: Certo! Adoro segredos!

Continua Aqui

 

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