Ruas
e ruas adentro do gueto, bem longe dos portões principais, existe um cemitério
de casas, de esquinas, de antigas placas, de antigas sujeiras e de mutantes
vivos. Mercúrio continuava a treinar seus mutantes, misturando o estilo de seu
pai ao treinar a Irmandade de Mutantes; e o estilo de Xavier ao treinar os
X-Men. Suas últimas ações de conscientizar a população do gueto de que além
de presas, as que se rebelavam estavam sendo mortas, foram ousadas demais. Os
papéis nos topos dos prédios chegaram a inclusive vazar para fora dos muros do
gueto. O general chefe, que era responsável pelo gueto, chamou um amigo de
longa data para averiguar as sublevações do gueto.
General chefe:
Bom ter vindo, Ramisfield. Achei que você fosse gostar de ver essas fotos e
saber de algumas coisas.
O
general chefe mostrou ao amigo Ramisfield as fotos dos panos pendurados nos fios
de alta tensão, e falou sobre os papéis voando dos prédios sem ninguém
jogar; e de certeiras reuniões secretas. Ramisfield sorriu; ele próprio pôde
ver policiais pintando com cal branco uma parede pichada do outro lado da
calçada falando mal do gueto.
Ramisfield:
Você tem aqui dentro do gueto um grupo organizado que está mandando recados de
que não vai ficar pacífico por muito tempo. Agora, com isso eu estou muitíssimo
acostumado! – Ele gargalha – Já rodei o mundo,
a América inteira! O líder do grupo desse gueto age como meus antigos
vermelhinhos agiam.
General chefe:
É mesmo?
Ramisfield: É
mesmo... Engraçado, pensei que esse tipo de gente estivesse em extinção.
General chefe:
Eles não são propriamente gente, Ramisfield. São mutantes, monstros e vão
entrar em extinção; ao menos aqui nos EUA. Todo mundo nesse gueto vai, mais
cedo ou mais tarde, ser esterilizado.
Ramisfield: Deixa a resistência comigo, concentre-se na administração do gueto e nas suas esterilizações; que eu faço as minhas! Tô acostumado, e já estava com saudades!
Enquanto
isso na mansão, mais exatamente no Lambed, Mística abria os olhos no leito.
Fera estava de costas numa bancada, lendo e anotando coisas; ela fez força para
dizer alguma coisa.
Mística:
Fera?
Hank
vira-se para trás e ajeita a mulher azul no leito, checa os aparelhos, mexe no
soro.
Mística: Há
quanto tempo estou aqui desde que Vampira me deu aquela surra?
Fera: Ah uns
dois dias.
Mística: Ao
todo então, estou ha três ou quatro dias aqui?
Fera:
Exatamente quatro.
Mística: Eu
preciso ir ao gueto, Mercúrio me espera!
Fera: Não
diga insanidades, você irá embora dessa casa assim que estiver apta; e poderá
ir onde bem entender. Mas não agora.
Para
alegria de Fera, a outra interna no Lambed também estava acordando, era Karen.
Essa, Fera sabia que teria dificuldades em explicar tudo o que aconteceu,
resolveu fazer uma chamada para o quarto de Gambit; que veio descendo correndo
as escadas, entrou no lambed com cara de preocupado.
Gambit: E então,
mon ami? Onde está a loirinha?
Fera:
Acordando, já abriu os olhos e disse algumas palavras.
Gambit
passa pelo leito de Mística e percebe que ela está acordada, com desdém e sem
o menor interesse ele lhe dá um “oi, Mística”. Pára na frente de Karen e
segura sua mão, ele a ajuda sentar no leito.
Karen: Quem são
vocês?
Gambit: Você
não lembra mesmo, chere?
Karen: Não.
Gambit: Sabe
seu nome?
Karen: Sei, é
Karen.
Gambit: Sabe
onde mora?
Karen: Também
sei.
Gambit: Sabe
sua profissão? Qual é?
Karen: Sei,
mas não interessa. Não quero dizer.
Fera: Ah, então sabe mesmo. A memória perdida é apenas a bem recente, menos mal.
Karen: Que lugar é esse? Que homem azul é esse, e que mulher azul é essa?
Mística: Que
diabo pintado de loiro é esse do meu lado que não para de fazer perguntas
idiotas? Já não se pode mais recuperar-se nesse lambed em paz?
Fera arrasta Gambit para um canto da sala e fica falando baixo.
Fera: Gambit, acho melhor você explicar alguma coisa bem convincente para a menina. Pelo menos Vampira só sugou a memória recente dela.
Gambit: Acho que chere só sugou qualquer lembrança da Karen comigo.
Fera: Invente alguma coisa convincente e reze para que ela recupere essas memórias; isso costuma acontecer.
Gambit vai para perto do leito dela e inventa qualquer coisa.
Gambit: Chere, você foi atropelada por uma bicicleta quando atravessava uma rua aqui em Westchester. Bateu com a cabeça no meio fio, mas teve sorte que eu estava perto, e a trouxe para cá. Não lembra de nada? Nem mesmo do meu rosto?
Karen: Tá, obrigado. Mas eu já percebi que isso daqui está cheio de mutantes e têm vários aparelhos estranhos! Vocês fizeram alguma experiência bizarra em mim???
Fera: Não, minha cara. Absolutamente! Apenas tratamos de você, somos boas pessoas, não nos tema apenas por nossa aparência.
Karen: É um pouco difícil, você não acha? Acordo não sei aonde, com gente estranha, cheia de soro no braço! É natural que eu fique com medo de vocês! Isso aqui parece a NASA!
Mística: Ai, manda ela calar a boca! Não menospreza o lambed chamando ele de NASA não...
Fera convenceu Karen de que aquela casa era um reduto de bons mutantes, que só a trataram bem; e como prova da cordialidade deles, Gambit a levaria de carro em casa. O cajun concordou, mas antes de sair ainda disse um "certa pessoa não pode saber disso"!
Fera: Obviamente! E claro que eu não vou contar. Mas veja se simplesmente a entrega em casa e some de lá!
Os
novos feirantes do gueto, eram obviamente, membros do grupo de resistência; sem
que os milicos soubessem. Mas freqüentemente eram importunados sobre o
paradeiro dos antigos feirantes; um velho e um novo que corria muito. A resposta
era “não sabiam”, até quando eram ameaçados. Um deles, de nome Leon, saiu
da venda de frutas e foi andando normalmente pelas ruas mais movimentadas do
gueto, passou pelos prédios, pela pracinha entre o hospital e a escola, e foi
adentrando nas ruas escuras, sombrias, sujas e não recuperadas; onde muitos
mutantes tinham se mudado para terem mais privacidade daquela polícia bruta do
gueto. Mas a mudança para essas ruas estava se tornando tão intensa, que o
general percebeu a imensa importância delas serem mais patrulhadas do que as
outras ruas. Pois era ali onde a resistência deveria estar se reunindo. Por
isso, Leon teve que ser discreto mesmo nos becos mais imundos e desertos; chegou
numa rua tão estreita e vazia, que dava para ouvir a própria respiração.
Tirou umas latas de lixo de uma parede de um casarão, e entrou por um buraco.
Foi sair dentro de uma sala escura no casarão, onde Mercúrio, Vanda, o Velho e
todos os outros estavam.
Mercúrio: Mística,
é você?
Leon: Não, é
o Leon.
Mercúrio: Não
é você mesmo, Mística?
Leon: Não está
me vendo, Ernesto?
Mercúrio:
Estou. Mas sei que uma certa pessoa azul gosta de brincar.
Leon: Sei que
nós estamos desesperadamente precisando de novas notícias dela, mas não é
sobre isso que vim falar. É sobre o general chefe.
Mercúrio: Quê
que tem?
Leon: Ernesto,
ele chegou hoje acompanhado de outro sujeito fardado. E esse sujeito veio com
dois assistentes.
Mercúrio:
Tudo bem... O que você conseguiu captar?
Leon: Não
muito.
Mercúrio: Nós
estamos há um bom tempo treinando isso em você. Sua audição é maior, sua
visão é melhor, seu tato é mais sensível... Pra resumir, seus sentidos são
mais aguçados do que o de uma pessoa normal.
Leon: Mas
ainda não é grandes coisas... por isso não ouvi muito.
Mercúrio:
Diga qualquer coisa que tenha visto ou ouvido! Por favor, nossos treinos têm
que estar servindo para alguma coisa!
Leon: O
sujeito se chamava Ramisfield e estava vendo fotos de nossas ações de resistência!
Velho:
Ramisfield?! Qual o primeiro nome?
Vanda: Por
que? Você conhece, Velho?
Velho: Conheço.
Quer dizer... acho que conheço.
Mercúrio: E
você, Vanda? O que tem a dizer sobre isso?
Vanda: Se meu
poder, como você diz, é falar coisas que encantem e agradem as pessoas
instintivamente... Acho que não posso fazer uso dele agora.
Mercúrio: Por
que?
Vanda: Porque
eu instintivamente vejo o cerco se fechando contra nós.
Velho: Mas
isso está claro. Ramisfield veio aqui para ajudar a combater a resistência,
coisa que ele sabe fazer muito bem!
Mercúrio:
Como você sabe?
Velho: Porque ele trabalhou em nome da CIA em muitos países da América Latina, fazendo um rastro de muita e muita destruição.
Vanda: Destruição
contra quem?
Velho: Contra rebelados, como nós.
Jean
passou um bom tempo sem poder andar e isso a tirava do sério. Mas aquela mulher
não ficaria imóvel na cama nem ao menos por dois dias! Usava sua telecinésia
para flutuar o corpo pela casa, o único esforço que fazia era mental! As
pessoas se espantavam com ela quando a viam flutuando pela casa! Descia até a
cozinha para comer alguma coisa, descia para ver TV na sala com todo mundo,
ficava flutuando sobre a piscina
enquanto Tempestade pegava um sol, lia uma revista e conversava com sua amiga
ruiva, queria até participar dos treinos assim!
Scott: Jean!
Como? Como você vai participar dos treinos? Por que não espera passar o mês
inteiro de repouso, para participar de um treino mais leve?
Jean: Eu
participo com minha telecinésia e minha telepatia, Scott.
Scott: ...
Amor, não insiste...
Jean: Scott,
você é que não deve insistir em me proibir. Você sabe que não manda em mim.
Scott: Eu
sei... Quem pode acabar mandando em mim aqui é você.
Jean: Pois é...
Se não concordar que eu faça parte dos treinos por bem, vai acabar concordando
por eu te forçar mentalmente a concordar... E você não vai nem perceber isso!
E
Jean sai da cama flutuando, tira a camisola e coloca o uniforme ainda flutuando!
Desce as escadas flutuando e pousa na frente da porta da Sala de Perigo, coloca
os códigos na fechadura eletrônica e abre a porta. Era um treino de Fera,
Wolverine e os demais que eram comandados pelo Professor Xavier. Ela entrou
andando devagar na sala e logo pôs - se a flutuar! Wolverine lutava contra Fera
e mais algumas projeções holográficas! Fera além de enfrentar Wolverine, também
tinha suas próprias projeções holográficas para arrebentar. Os outros
integrantes da equipe dois, como Anjo, Sam e Jubileu, treinariam depois. Mas de repente,
a voz eletrônica da sala dá um informe:
Voz
eletrônica: Treino abortado! Treino abortado!
E
as luzes da sala de perigo ascendem, as projeções holográficas somem! Fera e
Wolverine olham para tudo e para Jean. O professor Xavier estava na sala de
comando ao lado da líder do grupo dois Tempestade, olhando para Jean pelo vidro. Pegou o microfone:
Professor:
Jean, fui eu quem interrompi o treino.
Jean: Eu sei
disso.
Professor: E só
vou reiniciar quando você sair da sala, meu bem.
Jean: Eu não
vou sair.
Professor: Então,
vai forçar Wolverine e Fera a ficarem sem treino por hoje.
Jean: Entro
nos treinos da equipe comandada por Magneto.
Professor:
Acho que estarão todos os x-men de folga hoje, então...
Jean
pousa no chão da sala, coloca a mão na cabeça, como quem estivesse cansada de
todo esse zelo.
Jean: Por
favor, professor.
Professor: Por
favor você, meu bem.
Jean
faz uma cara de ódio, fecha os olhos e os abre de volta completamente
vermelhos. Olha com um jeito de demônio para o professor Xavier que estava lá
em cima na sala de comando.
Wolverine:
Putz, a Ruiva ficou irritada mesmo! – Disse isso com
cara de espanto, de alguém que raramente a vê nervosa.
Ela
começou a invadir a mente do professor! Na sala de comando, ele colocou a mão
na cabeça e gemeu, mas tinha a mente mais poderosa do que a dela. Fez força
para falar.
Professor: O
que é isso, Jean? Enlouqueceu? O que pensa que está fazendo? Só pedi para que
saísse da sala para seu próprio bem e é assim que você reage?
O
professor resolve parar de apenas defender sua própria mente, e também ataca a
dela!
Jean: Ahhh! –
Ela ajoelha-se no chão.
Professor: Pára,
Jean! Pára que eu paro! Pára que ainda tenho a mente mais poderosa do que a
sua! Sempre te treinei esperando ver o dia que você me supere, mas não para
que se torne contra mim!
Era
uma batalha mental entre os dois maiores telepatas do mundo!
Uma
áurea de fogo vai surgindo em volta de Jean! Wolverine e Fera dão um passo atrás
com medo, muito medo! Jean levanta-se do chão, coloca fogo em alguns
equipamentos da sala e diz:
Jean: Olha
esse corpo, Xavier! Embora esse corpo carregue uma outra vida, está muito apto
para fazer qualquer coisa; veja! – Jean sobe até
o teto da sala a metros e metros de altura! Lá de cima faz as garras de
Wolverine pularem para fora sem que ele quisesse! Aumenta o fogo dos
equipamentos que Fera tentava apagar com o extintor de incêndio! – Esse
corpo quer se exercitar, está cansado de ficar parado por todos esses dias!
Professor:
Esse corpo carrega duas outras vidas! A de Rachel e a sua, Fênix! Não
queira sair do corpo dela, eu não permitirei!
Jean: Ela
quer participar dos treinos! Ela quer liberdade, eu sinto isso! E eu quero a
minha liberdade!
Professor: Foi
você quem escolheu esse corpo!
Jean: Então
deixe esse corpo fazer o que bem entende, ou vocês se verão comigo! De certa
maneira, esse corpo sou eu também, e o que ele quer, eu quero!
Professor: Você
já me disse uma vez que Jean Grey é apenas a casa onde você habita!
Jean: Exatamente!
Mas a casa faz parte da nossa vida, não faz? Obedeça o que a Entidade Fênix
deseja antes que seja tarde!
Professor: Já
não estou mais reconhecendo o que você quer e o que Jean quer; os desejos
parecem estar se misturando!
Jean: Então
faça as vontades dela! O que é Fênix e o que é Jean, só nós duas sabemos
ao certo!
Jean
abaixa a cabeça, depois a levanta com ar de cansada; leva a mão a testa e
desce ao chão quase que não controlando sua telecinésia. Fera dá um pulo e
um impulso na parede, e a agarra no ar! Cai no chão com um balanço de quem
entende das coisas! Xavier finalmente se liberta da interferência de Jean em
sua mente, vai com sua cadeira de rodas o mais rápido possível para o elevador
que o leve ao nível do chão da sala de perigo.
Professor:
Jean, tudo bem com você?
Jean: Acho que
sim... Professor, me desculpe... Eu quis controlá-la mas não consegui.
Xavier
envia uma fala mental para Jean, ela quase não o ouviu; seus poderes pareciam
baqueados.
Professor: {
Psilocke pode ter influenciado em alguma coisa ao se utilizar da Fênix! ... Ou
talvez, seja a presença da sua filha que esteja facilitando a saída da
Entidade. Você antes a controlava melhor.}
Jean
ficou receosa com o que aconteceu, mas acabou tendo o aval de Xavier para
treinar em seu grupo. Treinava usando sua telecinésia, mesmo quando o tempo de
repouso terminou. Três meses voaram entre treinos, conversas, preocupações
com o gueto, mensagens de Mística por Magneto (normalmente contando que o cerco
à resistência no gueto aumentava muito, que estava forçando Mercúrio a
treinar mais rápido a resistência interna, para que o grande dia chegasse
logo), felicidade escancarada de Vampira e Gambit, jogadas de charme de Jubileu
para Sam, compras de coisas de bebê, entre outras coisas. Jean trazia uma ainda
pequena barriguinha de quatro meses, mas a cintura tinha ido embora
completamente! Reclamava dizendo que nunca mais seria a mesma, forçava os seios
em sutiãs que cismavam de pular pelo decota das roupas, tinha o rosto levemente
mais cheio. As grávidas ficam inacreditavelmente mais bonitas de rosto; as
vezes, constatando isso em Jean, Gambit pensa que talvez tivesse sido bom
acompanhar a gravidez de Vampira. A ruiva tinha engordado três quilos, nada
demais; mas se achava um hipopótamo por causa da cintura perdida! Os amigos
riam disso, muitos nem notavam as diferenças, só quando usava aquele uniforme
colante que ficava mais fácil notar. De calça jeans, ou qualquer outra roupa
normal, ainda não se via a barriga. Só no uniforme! Mas a cintura, era motivo
de horas na frente do espelho... Vampira olhava aquilo tudo incomodada, lembrava
desse período que também passou, sem ser encorajada por ninguém; a sua
gravidez era estranha a todos, era motivo para deixar todos sem graça,
confusos, relembrando Gambit que tinha ido embora por causa dela, de fazer todos
pensarem que o pai Joseph não passava de Magneto, e de que ela não gostava
dele! Mas a gravidez de Jean não! Essa é uma gravidez que traz sorrisos,
comentários a todos os momentos, mãos a barriga, elogios ao rosto iluminado
pela beleza da vida e da felicidade! Vampira pensa que talvez as pessoas não
devessem estar tão felizes assim, a gravidez dela não era menos preocupante do
que a sua, menos alarmante; afinal, Sinistro existia! Deixa, deixa pra lá...
Talvez esses pensamentos fossem uma ponta de ciúmes, ou talvez não fossem. Até
Scott parecia se esquecer de Sinistro; ele, que antes nem conseguia ficar feliz
com a gravidez da mulher, agora babava! Foram fazer uma ultra-sonografia usando
aquele aparelho com gel por cima da barriga, e viram o feto já com formato de
um bebê! Ainda minúsculo, mas agora tinha formato de bebê e pulava como um
moleque brincalhão! Miriam explicou que enquanto o feto tem espaço para
brincar na barriga da mãe, ele brinca mesmo, pula muito; quando ficar maior,
Jean vai sentir os pulos e chutes! Scott ria na mansão, eita magrão feliz,
pensava Wolverine! Parava na porta do escritório do professor e dizia
“professor, a menina é agitada como eu!”. Wolverine pensava que se a menina
fosse “agitada” como ele, ia nascer uma mosca morta, isso sim!
Jean
começou a treinar sem a telecinésia, estava sentindo falta de pular um pouco,
dar uns chutes, fazer algumas defesas corporais. Quis ir um pouco ao chão,
depois do terceiro mês de gravidez, não há tanto risco da bolsa abaixar. Mas
Miriam pegava no braço de Jean, olhava também as costas e dizia “Que isso? Tá
fazendo flexão? Jean... Faça caminhadas, faça aula de tango, faça natação,
hidroginástica leve... flexão não!”
Miriam: Seu
peso está ótimo, mas pode engordar mais um quilinho.
Jean: Posso?
Diz isso não, já estou me achando gorda.
Miriam: Que
gorda?! Porque ganhou três quilos em quatro meses de gravidez??? Mulher, três
quilos ganho eu em um mês sem exercício físico! Que gorda o quê?! Nada de
fazer dieta!!! É mole? Scott, você deixa isso?!
Scott: Eu?
Quem come é ela...
Miriam: Eu
disse para senhorita que não te quero ver nem gorda demais, nem magra demais!
No peso certo... Você não deve estar fazendo dieta, está é fazendo exercícios
pesados... Percebo pelo seu corpo!
Scott
acena com a cabeça como quem concorda. Não gosta de ver Jean nos treinos, mas
não pode revelar a Miriam que eles são mutantes e que tipo de treino fazem;
nem mesmo Hank que estudou anos com ela revelou que usava um indutor de imagem e
que na verdade era uma Fera azul e peluda.
Miriam: Jean,
você deve fazer tanto exercício, que sua filha vai sair agitada, dançando
Macarena! – Ela própria ri, Jean também.
Jean: Eu quero
uma barriga de grávida, não essa barriga de gordinha...
Miriam: Meu
amor, isso é a barriga de uma grávida. Só que ainda no início da gravidez...
Se bem que caminhando para o meio da gravidez! ... Depois, você vai vir aqui no
meu consultório reclamando do peso da barriga e pedindo pela barriguinha de
antes!
Jean: Sou
ansiosa, né?
Miriam: Raras são as que não são! Todas querem logo seus filhos nos braços.
Os
dois voltaram para a mansão, Scott vai para garagem dar uma olhada no seu outro
filho: o Pássaro Negro! Jean senta no sofá da sala para ler os informes do
professor Xavier:
“
– Mística decidiu se mudar de vez para o gueto. Mas sempre que pode, sai e
faz contato com Magneto; os treinos por lá tem avançado, porém, membros da
resistência estão sendo presos.”
O
informe era importante, mas Jean não queria nem ouvir falar no nome Mística,
lhe dava asco, lembrava de tudo que aquela cobra tinha feito. De como foi vil, sórdida,
baixa, tarada, bruta, animalesca, cínica... E ainda por cima, tentou se vingar
de Jean de uma forma sexual e psicológica, quase matando uma pobre vida
inocente que crescia dentro daquele corpo. Estremeceu ao pensar em tudo isso, sentiu
que Rachel levou um susto lá dentro. Qualquer mudança de ânimo na mãe já
estava provocando reações na criança. Jean colocou a mão na barriga e falou
algo baixinho para acalmar a filha, continuou a ler o informe sentada no sofá
com as pernas cruzadas. Vampira passava pela sala para subir ao segundo andar e
viu a cena : Jean colocando a mão na barriga e sussurrando algo doce enquanto
lia o informe. As pestanas daqueles olhos verdes se fecharam com pesar, as
esmeraldas se umideceram; Vampira lembrou da relação amor/ódio que tinha com
a sua gravidez. São momentos doces que revelam que o que você mais quer é
aquele bebê, por mais que tivesse vindo de um pai não tão querido, e num
momento não tão certo. Mas Jean estava tão concentrada que não percebeu
Vampira parada olhando para ela, e continuava a ler o informe:
“ – O general Ramisfield tem feito incessantes buscas no gueto por locais de esconderijo do grupo de resistência, tem feito propaganda interna a população, dizendo que esse grupo é terrorista e quer destruir a ordem do gueto para instaurar um governo mutante, mas ditatorial! Faz propaganda, dizendo que muitos mutantes podem estar insatisfeitos com o “bairro mutante”, mas que isso é passageiro, porque outras enormes melhorias serão feitas no bairro e permissão de visitas de familiares não mutantes que moram fora do gueto vão ser autorizadas. E que no futuro, quando a economia do bairro estiver forte, e os mutantes nunca mais quiserem sair de lá, os muros serão derrubados e todos verão o bem que esse governo do bairro vem a trazer aos mutantes de todo os EUA.”
Jean
faz um muxoxo, não está acreditando na hipocrisia que está lendo... Lembra do
ódio que tem de Mística, mas também lembra de como ela está sendo necessária
nesse momento. Sem ela, informações assim não chegariam tão facilmente.
Quando Jean levanta os olhos do papel, encontra Vampira sentada no sofá da
frente, olhando para ela.
Jean: Oi,
Vampira! Nem te vi aqui... Estava tão concentrada na leitura... Mas estranho,
meus poderes não são mais os mesmos depois dessa gravidez! Eu deveria ter
percebido sua presença...
Vampira: ...
Jean: E você
nem disse nada, está sentada aí há quanto tempo?
Vampira:
Pouco.
Jean: Que foi?
Aconteceu alguma coisa? Parece triste... Alguma coisa com o Gambit?
A
palavra Gambit faz o rosto de Vampira se iluminar, ela sorri e balança a cabeça
dizendo que não.
Vampira: Não...
Por incrível que pareça, aquele dali só tem me trazido felicidade nesses últimos
meses!
Jean: Que bom,
você não sabe como é maravilhoso para todos nós nessa casa finalmente te
vermos feliz, Vampira! Está com a pulseira? Quero te dar um abraço que você
merece.
Vampira: Não
estou... ela está no quarto...
Jean: Veio
aqui me dizer alguma coisa ou só estava no sofá relaxando também?
Vampira: Vi
você mexendo na barriga e não consegui deixar de ficar olhando.
Jean
sorri.
Jean: Ah... é!
A Rachel tem ficado mais apta a reagir as minhas emoções e movimentação.
Vampira: É! E
tem vezes que a gente quer dormir e o danadinho está mexendo tanto que
não te deixa em paz! Se eu tivesse seus poderes, teria feito o Charles dormir
junto comigo em muitos momentos! – Vampira disse isso
sorrindo, com os olhos no passado e a voz no riso nervoso.
Foi
só então, que Jean percebeu que aquela mulher que a admirava acariciar a
barriga, não o fazia como Tempestade ou Jubileu. Vampira via aquela cena com
mais do que alegria e sentimento de doçura; via aquela cena também com um
estranho pesar, uma leve tristeza. Jean pensa que aquela menina de mexa branca
no cabelo teve uma vida muito solitária, e uma gravidez mais ainda!
Jean: Eu sinto
muito, Vampira.
Vampira: Não
sinta, eu já não sinto mais! ... Ou se sinto, é raro e doce/amargo.
Jean: Pelo o
que estou vendo, toda sua gravidez foi doce/amarga...
Vampira:... E
a sua tem sido só doçura, não é mesmo?
Jean: Tem...
tem sido só doçura... Exceto pela minha preocupação com a cintura e os seios
que querem voar das roupas! ... Bobeiras minhas...
Vampira: ...
Jean: Vampira?
– Jean coloca a mão direita em cima da mão de Vampira
devidamente enluvada – Você também vai ter seu filho com a pessoa
certa e na hora certa, para que te traga só felicidades. Você vai ver só.
Vampira: Ainda
não.
Jean: Quando
quiser! E se quiser. Existem muitas que optam por não terem filhos. –
Jean pensa que deveria ser uma dessas mulheres, Sinistro passou de relance por
seus pensamentos; ter Rachel talvez não fosse uma idéia muito brilhante.
Vampira: Mas
sobre suas reclamações com o corpo, eu também lembro que reclamava comigo
mesma de tudo! Eu lembro que queria uma barriga de grávida lá na frente,
enorme, que desse a entender que estava grávida; e não aquela barriga de
gordinha! – Fala isso pensando o quanto também queria
esconder a barriga, eram tempos de pensamentos e mente contraditórios,
pobrezinha.
Jean: Eu penso
a mesmo coisa!
Vampira: Não
pense – Vampira ri – Depois é um inferno
aquele barrigão!
Jean: Ah, mas
eu quero!
Vampira: ...
Jean: Sabe do
que as vezes fico receosa?
Vampira: Que?
Jean: O parto.
Sei que vou sofrer muito.
Vampira: Vai
nada! Quem sofreu fui eu, mas estou acostumada à dor! E você tem seus poderes, pode anular a dor! Você controla seu cérebro,
pode se auto-anestesiar!
Jean: É
mesmo... sabe que até agora não tinha pensado nisso? Você me deixou mais
aliviada, Vampira!
Vampira: Seu
parto vai ser a mais santa paz! Os médicos vão até comentar “ih, que mulher
estranha!” – Ela ri – Você tem sorte!
Jean
sobre risonha pelas escadas, entra no quarto e liga para garagem, Scott atende.
Ela manda que ele suba, e ele obedece. Chegando no quarto, Scott recebe a
proposta para um banho de banheira a dois, numa água bem quentinha; ao que ele
aceita na hora, mas só pode para tomar uma ducha rápida antes e tirar a graxa
das mãos e dos braços. Scott esta deitado na banheira com a cabeça para fora,
apoiada no mármore da borda da banheira. Jean colocou ali uma toalha, para não
machucar a cabeça dele. E deitada entre as pernas dele, está a ruiva, apoiando
a cabeça no peito dele e olhando para o teto do banheiro. Ficam ali jogando
conversa fora, Jean fica jogando levemente água na mão dele apoiada para fora,
ele fica assoprando a água que encosta no cabelo dela; vendo a diferença de
tonalidade da parte do corpo submerso na água e do corpo fora da água.
Wolverine passa pelo corredor dos quartos e escuta vozes doces ao longe, o casal
deixou a porta do quarto encostada, mas um vento a deixou entre aberta; assim
como a porta do banheiro. Não dava para ver a banheira, que ficava distante da
porta do “quatro de banhos” do casal, mas Wolverine sabia que os dois
estavam ali dentro. De repente, a porta do banheiro se abre mais um pouco e
Wolverine vê no espelho da parede de azulejos os dois na banheira! Se assusta e
vira o rosto, dá um passo para continuar o que tinha a fazer. Mas pára e volta
a olhar aquele espelho do banheiro, na pequena abertura da porta do quarto e da
porta do banheiro; que combinação cruel, com um ângulo tão mortificante
para ele! Talvez essa combinação de ângulos nunca mais aconteça para que
ninguém mais veja aquele reflexo no espelho, mas justo com ele aconteceu! Não
via nada demais, só via ombros e cabeças e braços fora da banheira branca,
mais nada! Mas deu para ver um risinho dela quando ele murmurou alguma coisa,
deu para ver que ele a abraçou, que esfregava seu nariz no cabelo molhado dela,
que ela as vezes levantava uma perna por provocação, ou colocava os braços
para trás para abraçar a cabeça e a nuca do marido mesmo de costas para ele;
e nesse movimento, Wolverine pensa ter visto um seio branco sair da margem de
decência da água! Viu ou não viu? Imaginou? Foi uma imagem clara por meio
segundo! Dane-se que tenha visto ou não, quem estava vendo agora era o odiado
Scott; e quem veria sempre seria ele! Tomado de ciúmes e raiva, ele puxa a maçaneta
da porta do quarto, a porta bate fazendo um imenso barulho!
Jean: Nossa! O
que foi isso?
Scott: Levei
um susto, foi o vento.
Jean: Bem, é bom saber que a porta está bem fechada, não é? Afinal, aqui dentro nós podemos fazer mais do que simplesmente relaxar.
Vampira escuta o barulho de porta ainda sentada na sala pensativa; resolve fazer alguma coisa da vida ao invés de ficar vendo o tempo passar com olhar de morta. Levanta e sobe as escadas, encontra um Wolverine descendo as escadas bufando de ódio e com os olhos úmidos.
Vampira: Oi, gato! Aconteceu alguma coisa?
Wolverine: Nada, Vampira! Te mete com a tua vida!
Vampira: Cruzes, mas você é grosso mesmo, hein!? Só perguntei porque sua cara esta passada, como se tivesse chateado com algo. ... Até está com os olhos vermelhos.
Wolverine: Tu tá igual e eu não disse nada!
Vampira
faz uma cara de "dane-se", e continua a subir as escadas; vai para o
quarto pensando em como Wolverine é estranho e grosso. Quando abre a porta,
encontra
Gambit sentado na cama com um saquinho plástico e várias fotos em
cima da cama. Ela esquece um pouco os aborrecimentos e tristezas de outrora e
senta na cama interessada, curiosa e feliz.
Vampira: Que isso, Remy?
Gambit: Nossas fotos de Angra dos Reis!
Vampira: Está vendo de novo? Nós já as revelamos ha uns meses.
Gambit: Eu ampliei algumas delas, achei que ficaram maravilhosas, mon amor! Essa vai ficar no porta retrato do meu quarto.
Vampira: Deixa eu ver.
Vampira se espanta com a beleza da foto! Era linda, ela e Gambit no fundo do mar, se olhando. Foi Jean quem tirou a foto, a danada deveria ser fotógrafa! Ela levanta, anda até a escrivaninha, abre uma gaveta e pega a pulseira. Corre em direção a Gambit sem camisa e o abraça apertado, querendo se perder ali dentro dele.
Gambit: Que foi, chere? Isso tudo é só amor pelo irresistível Remy Lebeau, ou aconteceu alguma coisa?
Ela responde com a voz abafada, de quem ainda está escondida entre o corpo dele; bem agarradinha.
Vampira:
Não é nada, Remy... Eu só quero ficar o mais próximo de você que eu puder.
Isso tudo parece um sonho e me assusta. Tenho medo de voltar a realidade.
Gambit: Shiii... Não vai voltar, ma vie; ma belle chere.
Vampira: E eu hoje já lembrei demais da minha realidade sem essa pulseira, quando conversava com Jean.
Gambit: Mas esse medo é bom, significa que você tem muito a perder, non?
Vampira: É, seu convencido. Tenho mesmo, muito a perder! E vou estar sempre lutando para te ganhar mais e mais; e administrar bem os meus sentimentos com a pulseira e sem ela.
Gambit: A mim você já ganhou há muitos anos, petite.
Vampira: Agora eu preciso ganhar força para não ficar emocionalmente abalada de não poder encostar em alguém quando estiver sem a pulseira; já que agora estou me dando ao luxo de supor que posso ser normal. Tenho medo de machucar emocionalmente, como acontecia antes.
Vanda, ao contrário de Mercúrio, ainda morava na parte mais movimentada do gueto. Dividindo seu apartamento com outra mutante, que não fazia parte da resistência; e nem sabia que Vanda fazia parte. Ela tentou muitas vezes jogar verde para colher maduro sobre os atos da resistência, para saber o que sua "colega"" de apartamento (colocada ali pelos militares que já não tinham mais apartamentos para tantos mutantes), achava sobre o movimento. A colega sempre dizia que também não gostava do gueto, que achava um absurdo ficar presa e tinha mais ódio ainda de não ter o direito de ver os parentes; mas sempre dizia não querer ver os membros da resistência nem pintados de ouro! Tinha medo que os militares a confundisse com alguns deles, e que encurtassem sua vida ainda mais. Ela sempre dizia:
_ Sabe, Magda? É um milagre que estejamos vivos até hoje, não é mesmo? Eu com essas orelhas de "elfo", esses dentes de monstro e esse cabelo super estranho, já sofri muito na escola. Teve um ano que os meus "colegas" de classe me jogaram pedras na volta para casa. Quase morri com uma que bateu na minha cabeça. Os médicos e os meus vizinhos disseram que eu não morri porque vazo ruim não quebra. Odeio esse gueto, odeio, odeio, odeio essa vida! Não sei se odeio ser mutante, ou se odeio ser odiada só porque sou diferente... Preconceito babaca! Mas aqui dentro desse gueto, não corro o risco de sofrer preconceito, nem nunca levei pedradas, ou fui xingada. Na verdade, descobri todo uma população igual a mim... Não sei o que pensar dessa resistência, acho que tenho medo dela... Os militares podem acabar com a vida de todos os contras ao gueto. E eu morreria junto com eles... mas quero viver. Não quero saber de resistência, quero viver!
Coitada, era uma conformada. Na verdade, uma inconformada, que carregava tristeza e ódio por tudo o que já passou; mas que luta pela vida! E não quer morrer fazendo parte da resistência; e ao mesmo tempo percebe o próprio preconceito embutido naqueles muros do gueto, naquela forma militar de tratar a população. Era por esse motivo, que Vanda não contava a amiga que fazia parte da resistência. Por sinal, o verdadeiro nome de Vanda era Magda; e nem isso a colega sabia! Bateram na porta, Vanda foi abrir.
_ Bom dia, é a lista telefônica.
Vanda: Lista telefônica? Só quem tem telefone nesse "bairro" são os militares, a escola, o hospital e a polícia.
_ O governo do Harlem vai implantar linhas telefônicas em todas as casas.
Vanda: Para fazer ligações internas e externas também?
_ Só interna, senhora. - Claro que seria só interna... - Vão começar a quebrar as ruas amanhã para colocar os cabos e fios! Mas a lista já está pronta, todos os números já foram registrados para cada apartamento de cada prédio! Pode procurar seu apartamento e seu nome, verá o telefone! E quando tudo estiver pronto, vai ser uma maravilha!
Vanda: Tá, obrigado... É de graça, né?
_ É sim, senhora. Eu estou passando de apartamento em apartamento, esse aqui é o 403; seu nome é...?
Vanda: Magda Rosemberg.
_ Ah sim, claro!
Vanda: Devem ter colocado o nome da minha colega de quarto na sua lista.
_ É foi isso, passar bem.
Vanda fecha a porta, o entregador de listas entra no elevador e faz uma ligação de celular.
_ Ramisfield? Descobri mais uma. .. É, aham... O nome verdadeiro dela é Magda Rosemberg! Isso mesmo, é a tal que descobrimos andando por aí a noite e entrando em casas abandonadas... Isso mesmo, a tal da Vanda! ... O quê? Ah..., hahaha, Ramisfield, você é muito engraçado! É isso aí, essa monstra subversiva já era! ... Aham, por enquanto só olhei o apartamento por alto; quando forem instalar o telefone o pessoal vasculha o local em busca de provas. ...O que? A outra? Não vi, fiquei só na porta... Putz, Ramisfield, a monstra é muito feia, dá nervoso olhar aqueles olhos de peixe morto... nojento! ... É eu sei, o Los Angeles Lakers vai jogar hoje, apostei uma grana alta nele.