Mais
umas duas semanas se passaram, a situação no gueto só piorava. Muitos
integrantes mais novos do grupo de resistência já tinham sido presos, pois
ainda não tinham aprendido todas as regras de sigilo e discrição: deram
bandeira e foram pegos. A maioria deles continuava presa ou morta, quem sabe?
... Uns três ou quatro foram
libertados dias depois. Vanda sabia de tudo isso, e tentava tomar todo o
cuidado. Tentava demonstrar ser uma leal mutante moradora do Harlem, que
obedecia todas as regras do estado de sítio eterno! Era meio dia e o sol estava
forte, Vanda caminhava pela calçada em direção a seu prédio, trazia uma
sacola cheia de verduras e frutas. Viu que toda a rua do quarteirão do seu prédio
estava sendo esburacada. Estavam “colocando os fios para os telefones”,
disseram a ela quando chegou perto
para perguntar. Vanda agradeceu a explicação e entrou no prédio, lembrou da
lista telefônica que recebera em casa semanas antes. Ela abriu o apartamento e
já da porta entendeu tudo! O sofá da sala estava virado e todo cortado, vários
papéis jogados no chão, os livros estavam rasgados, a mulher que morava com
ela não estava! Vanda correu para o banheiro, arrancou o basculante em cima do
vaso sanitário e tentou passar pelo mínimo buraco, mas desistiu ao colocar a
cabeça para fora e lembrar que morava no quinto andar! Por que não comprou
aquela corda??? Saiu atônita, deixando a porta do apartamento aberta e desceu
dois andares pela escada do prédio! Entrou no elevador no terceiro andar, se
dirigia para o térreo, sabia que os milicos estiveram em seu apartamento! No térreo,
ao abrir-se a porta, quatro metralhadoras
apontavam para sua cabeça!
Ramisfield: É
ela, ou não é?
Um
outro soldado respondeu que sim balançando a cabeça! Cretino, Vanda se
lembrou! O homem que a reconhecia num balançar de cabeça, duas semanas antes
era o entregador da lista telefônica! Um deles já cai em cima de Vanda,
algemando-a e a empurrando para fora do prédio.
Vanda: O que
é isso? Por que estou sendo presa?
Soldado: Sem
gracinhas, senão vai ser pior pra você.
As
pessoas que passavam na rua e a viam arrastada para um carro, logo mudaram o
percurso, tinham medo dos milicos. Vanda foi colocada no banco de trás do
carro, entre o falso entregador de listas telefônicas e um homem alto que
fumava. Na frente, o mais magro deles dirigia; e Ramisfield, já de meia idade,
ia no banco do carona. Pra onde estava indo? Não fazia a menor idéia...
Lembrou que tinha um poder mutante! Mas seria inútil, seu poder era agradar as
pessoas com uma boa conversa, Vanda encantava ao abrir a boca.
Vanda: Isso
deve ser um mal entendido, senhores. Tenho certeza que não procuram por mim, eu
admiro tanto o trabalho de vocês em criar um espaço só para os mutantes, onde
eu não sofra preconceitos, onde eu possa ser realmente feliz...
O
homem que fumava a seu lado gritou um “cala boca” enquanto apagava o cigarro
no braço dela! Vanda gritou de dor, o homem fez um “shiiii” com a mão. Ela
já imaginava que coisas piores viriam.
Ramisfield: É
engraçado... Depois, quando quisermos que ela realmente fale, vocês vão ver
como vai ser difícil que abra a boca...
O
carro parou diante de um estabelecimento cheio de militares fazendo a guarda nos
portões, mas não tinha nada escrito que pertencia ao exército ou a polícia.
Foi arrancada do carro e empurrada portão adentro, no pátio aberto do prédio
foi recebida logo na entrada por porradas com cabo de vassoura nas pernas, nas
costas, nos braços; tentava defender a cabeça. Caia no chão e tentava se
levantar e se defender de novas vassouradas, gritava como louca. Ouvia sempre ao
cair, a mesma frase que a perseguiria por mais dias e dias: “Levanta, filha da
puta, mutante subversiva!” Depois de chorar ao gritar “por favor, parem!”,
foi levada para uma sala onde encontrou sua colega de apartamento, presa horas
antes dela.
_ Magda! Que
diabos está acontecendo com a gente? Por que fomos presas? Por que nos tratam
assim?
Vanda
não sabe se sofre mais por si mesma ou pela colega, presa por motivo nenhum.
Sente-se culpada pela prisão da amiga, que nada entendia. Mas ela tinha que ser
forte.
Vanda: Não
sei... Não sei... Não sei de nada.
Vanda percebeu que tinha mais alguém na sala. Era um rapaz agachado no chão, também algemando, chorando com a cabeça entre os joelhos. Quando levantou a cabeça, reconheceu Vanda das reuniões do grupo de resistência, e Vanda também acha que já viu aquele rosto antes. Mas pobre da amiga de quarto, não sabia de nada, completamente ignorante e inocente.
Enquanto
isso na mansão, Jean caminhava pelo jardim, já quase chegando em seu quinto mês
de gravidez. A barriga aumentava e já começava a apontar no vestido largo e
florido que usava. Estava ajudando Tempestade a plantar novas roseiras,
carregava alguns sacos de terra preta adubada para a amiga mentalmente, fazendo
uso da telecinésia.
Tempestade:
Obrigada. Assim eu não tenho que carregar esses sacos pesados. Mas não te
quero abaixada cavando a terra, deixa que eu faço isso.
Mas
já era tarde, Jean já estava de cócoras no jardim, usando luvas para abrir
buracos na terra. Queria relaxar com as plantas, sabia que daqui algumas horas
teria mais um treino na sala de perigo que a perturbaria. Mesmo fazendo uso de
sua telecinésia em boa parte do treino, seu corpo já não respondia da mesma
forma que antes. Além do crescimento de Rachel demandar uma velocidade mais rápida
de seu metabolismo, que respirava mais intensamente, comia mais e tinha maior
dificuldade do que antes para se locomover; Rachel às vezes a cutucava de forma
dolorida. Uma pontada na costela, um aperto nos rins, isso a desconcentrava um
pouco nos treinos. Como se não bastasse tudo isso, seus poderes de telecinésia
e telepatia as vezes falhavam. Jean não estava entendendo o motivo. Viva no
escritório do professor Xavier, fazendo trabalhos e pesquisas mentais para
entender o que acontecia. Xavier dizia que talvez isso fosse temporário, podia
ser por causa da Rachel. As falhas de poderes também eram intercaladas com
intensas manifestações da Fênix, que dava sinais de agitação. Não estaria
a entidade gostando da presença de Rachel no corpo de Jean? Ou estava só se
aproveitando das falhas dos poderes para se liberar mais?
Tempestade:
Jean, se o Fera te vir de cócoras aqui no jardim, ele vai reclamar comigo
depois.
Jean: Calma,
Ororo. Eu posso ficar de cócoras um pouquinho, não estou fazendo força
nenhuma.
Ela
levanta e senta num banquinho, fica admirando as camélias rosas, que árvore
mais linda! Sorri, coloca a mão na barriga.
Jean: Corre
aqui, Tempestade! Ela está se mexendo!
Tempestade
levanta rápido, tira uma das luvas das mãos, passa rápido limpando na roupa e
coloca na barriga de Jean.
Tempestade: Não
estou sentindo nada, Jean.
Jean
pega aquela mão negra de pele maravilhosamente sedosa e coloca exatamente em
cima de onde Rachel está mexendo.
Jean: Sente?
Tempestade: Não...
Jean: Ah...
que pena. Acho que por enquanto só eu sinto, e sinto por dentro; não por
fora.
Tempestade: Não
se afobe, você está quase no quinto mês. Quando estiver no meio dele, já
vamos estar sentindo essa menina mexer perninhas e braços!
Jean: Mexeu de
novo!
Tempestade
sorri e volta a trabalhar a terra, fica ouvindo Jean falar sobre a última
ultra-sonografia que fez enquanto ficava olhando as camélias, sentada no
banquinho acariciando a barriga.
Jean: Eu já
te disse que na última ultra-sonografia a Rachel estava chupando um dedinho?
Tempestade:
Falou! Achei lindo quando vi a fita da ultra que Scott trouxe. Rachel também
brincou com o cordão umbilical.
Jean: É!
Linda... estava puxando o cordão. – Fala olhando a árvore, sorrindo, com os
olhos úmidos da lembrança.
Wolverine
estava atrás do banco e Jean sente sua presença, vira-se de costas e sorri ao
vê-lo. Wolverine deu aquele sorriso amarelo que sabe dar, deu mais um gole na
cerveja que trazia e sentou ao lado dela; colocou a cerveja no chão. Tempestade
olhou de longe o canadense sentar, fez um muxoxo e continuou a plantar as rosas.
Ela percebeu que os dois estavam num silêncio incômodo e dê presente, colocou
um lindo arco-íris no céu!
Jean: Que
lindo, amiga! Adorei os tons de azul e lilás!
Wolverine
pegou a cerveja do chão e deu mais uns enormes goles, colocou-a no chão de
novo e limpou o canto da boca.
Wolverine:
Muito gay isso, Tempestade!
Jean: Você
também viu a fita da última ultra-sonografia, Logan?
Wolverine: Não...
Tu sabe que eu não sou chegado nessas fitas momento família.
Jean: Como
fita de férias, formatura, aniversários e ultra-sonografias.
Wolverine: É.
Muito chato!
Jean: Mas ela
tem crescido muito. Está ficando grande.
Wolverine: Eu
tô percebendo... – Diz isso fazendo um sinal com a mão
em volta do corpo, como que indicasse que Jean estava se arredondando na
barriga, nos seios, num todo! Jean deu uma gargalhada, Tempestade tentou
segurar, mas também riu ainda agachada no chão.
Tempestade: É...
Eu também vi!
Jean: Me
chamou de gorda, Tempestade!
Tempestade: Eu
vi! Ele é um exagerado, não se importe com isso! Você está ótima! Só
engordou cinco quilos até agora!
Wolverine
terminou a cerveja e deixou o casco de vidro no chão. Tentou se explicar na
maior seriedade do mundo.
Wolverine: Só
um anormal te chamaria de gorda, Jean. Eu só disse que você está aumentando,
sinal de que a guria aí dentro está espichando.
Jean
e Tempestade ficam em silêncio, perceberam que Wolverine não estava muito bem.
Sério até mesmo quando as duas gargalharam, passou as duas últimas semanas
mais emburrado do que o normal. Não conseguia esquecer a cena que viu no
espelho do banheiro: Jean e Scott juntos. Não conseguia olhar para a ruiva sem
lembrar da cena.
Jean: Logan, o
que foi? Você não está bem, está?
Wolverine: Tô
ótimo!
Jean
não liga para o “tô ótimo” grosso dele, porque Rachel mais um vez deu
seus chutinhos. Ela colocou rápido a mão na barriga e disse um “mexeu” com
cara de felicidade. Wolverine nem perguntou se podia colocar a mão também,
rapidamente meteu a mão na barriga de Jean.
Wolverine: Onde?
Nem
mesmo Jean teve tempo para sentir-se incomodada, nem para lembrar que já havia
dito que não o queria tocando sua barriga; pegou a mão dele e colocou bem em
cima da Rachel.
Jean: Aqui!
Sentiu?
Wolverine: Não!
Jean
apertou a mão peluda dele em cima da barriga! Wolverine mexeu a cabeça de um
jeito estranho, sorriu desengonçado!
Wolverine:
Senti a guria! Senti!
Jean: Você é
o primeiro a sentir! Corre Tempestade!
Tempestade
resolveu não correr: voou e aterrissou na frente do banco em menos de um
segundo! As duas mãos disputavam a barriga de Jean, a de Wolverine e a de
Tempestade. Jean afastou um pouco a mão de Logan e colocou a da amiga bem em
cima.
Tempestade:
Senti!!!! Isso foi um braço ou uma perna?
Jean: Eu não
sei!
Tempestade:
Nossa, Logan! Finalmente te vejo sorrindo em duas semanas!
Wolverine,
que já estava em pé com os braços esticados ao lado do corpo, na frente de
Jean sentada risonha no banquinho, viu em câmera lenta sua mão ser pega pela
ruiva e colocada em sua barriga. Não foi ele quem fez o movimento, foi ela! O
momento pareceu eterno, a mão dela sobre a dele, fazendo pressão contra a
barriga. Wolverine só olhava para o rosto iluminado de Jean, depois abaixava a
vista e via sua mão ser conduzida por aquele corpo, conduzida por ela! Sua mão
estava agarrada pelas mãos dela, Tempestade percebeu o olhar de Logan e se
retirou para suas roseiras. Como estava em pé, ele a via por um ângulo
superior, viu os seios brancos maiores do que o normal surgindo no decote do
vestido, lembrou da cena da banheira! Olhou para o rosto risonho dela, e lembrou
do riso lindo de dentes alvos e alinhados surgindo do rosto meigo ao ouvir um
sussurro de Scott na banheira; Wolverine puxou sua própria mão das mãos dela!
Jean desfez o sorriso, não entendeu... Pensava que ele também estava feliz em
sentir Rachel. Logan não deu tempo para Jean pensar em ler sua mente, pegou o
casco de cerveja do chão e andou apressado para a mansão.
Jean:
Que estranho, como pode mudar de humor tão facilmente, não é mesmo? ... Eu
nem me atrevo a invadir seus pensamentos.
Tempestade: Eu
vou ver o que ele tem.
Jean: Não
demore, temos treinos pesados hoje!
Ororo
voa até a porta da mansão, pergunta a Bobby que assistia Sport TV, se ele
tinha visto Wolverine.
Bobby: Subiu.
Tempestade
sobe as escadas e bate na porta do quarto dele. Não recebe resposta, resolve
arriscar e abri-la. O canadense não estava lá. Onde estaria? Ela solta o ar
com pesar, queria ajudá-lo, mas ele fugia da ajuda. Nutrir esperanças por Jean
Grey era fugir da ajuda. A própria ruiva já tinha mostrado a ele o caminho das
pedras: esquecê-la. Lembrar dela como uma amiga, apenas isso. Tempestade
resolve subir para o última andar, e entrar na sua estufa de vidro, recheada de
orquídeas, bonsais, azaléias e camélias. Qual não foi sua surpresa ao ver
que Wolverine também estava lá?!
Tempestade:
Logan! Estava te procurando, meu amigo.
Wolverine: Por
que?
Tempestade:
Por motivos óbvios, você vai ter uma úlcera se continuar assim, amargo.
Wolverine: Tô
no meu estado normal.
Tempestade:
Logan, não faça isso consigo mesmo. Esqueça. Esqueça a Jean, ela só te quer
como amigo.
Wolverine: Não
sei como ainda não dei no pé... Como ainda não peguei minha moto e sumi! Até
pensei em fazer isso, mas acho que esse sentimento idiota de pertencimento a uma equipe tem entrado em mim. Não
consigo deixar vocês sozinhos contra aquele gueto, sei que vão precisar da
minha ajuda.
Tempestade:
Ninguém pode negar que você é um elemento de extrema importância numa ação
de ataque.
Wolverine:
Parece que só quem ataca aqui nessa casa sou eu!
Tempestade: Na
verdade, eu sei o real motivo para você não ter nos abandonado... A sua ruiva
pediu para que você ficasse.
Wolverine:
Ninguém manda em mim, Ororo! Te enxerga!
Tempestade:
Logan, para seu próprio bem, esqueça ela. Esqueça. Você mesmo nutre falsas
esperanças.
Wolverine:
Fica quieta, Tempestade. Escuta, eu não tenho muito passado dentro dessa minha
cabeça! Quase tudo que eu lembro é de estar nessa casa com vocês, ou em missões
pelo mundo... E você me pede para que eu esqueça mais alguma coisa? Para que
eu lembre dela como algo vago?! Já não basta as várias lembranças vagas que
povoam minha cabeça?!
Tempestade:
...
Wolverine:
Quero me agarrar nas certezas de hoje, quero ter a certeza que nunca vou
esquecer de mais nada na vida! Não quero esquecê-la.
Tempestade:
Pior para você, meu amigo.
Wolverine:
Dane-se! O pior é pra mim e não pra você, então fica na tua!
Tempestade: Eu
me preocupo com você.
Wolverine:
Sabe, Ororo, ao menos Jean está viva! Vou ficar nutrindo amor a quem? A Mariko?
Ficar igual ao Anjo ajoelhado horas e horas diante de um túmulo??? Não... Já
passei muito tempo assim, pensando nela. Acho que a amei muito mais do que um
dia já
amei a
ruiva. Mariko foi tudo, mas ao menos Jean está viva e eu quero o direito de tê-la
ao meu lado; já que ela me ascende alguma coisa aqui dentro!
Wolverine
pára de falar, fica a lembrar da mão dela agarrando a sua, e de ser guiado
pelo corpo dela. Lembra de ter sentido o bebê chutar, bebê filho do Scott. Ele
faz um rugido de estremecer dentes e SNIKT! Tempestade leva um susto, o que ele
estaria pensando? Como um animal contorcendo a boca de ódio, pensa que é tão
babaca quanto esses homens que adotariam um filho da mulher mesmo que não fosse
dele. Logan lembra com ódio que aquele bebê é do Scott, isso o faz lembrar
mais uma vez da visão do rosto iluminado, do sorriso, do seio, da felicidade,
da intimidade, da mágica de ser pai tendo ao lado uma mulher que ama.
Transtornado, Wolverine derruba muitos vasos de Tempestade no chão!
Tempestade:
Que isso???!!! Minhas plantas!!!
O
canadense não pára! Cortas com as garras muitos galhos de plantas ao mexer os
braços com ódio para todos os lados. Tempestade sabe que não pode ir pará-lo
com suas próprias mãos! Ela abre os braços e
embranquece os olhos, seus cabelos brancos e lisos voam pelo rosto, e
Wolverine começa a ter dificuldade para ficar em pé; ela direcionava uma forte
corrente de ar na direção dele, tentando não danificar as plantas! Wolverine
não daria o braço a torcer, não cairia na frente dela; se ajoelha e finca as
garras no chão! Ororo pára com o vento e caminha na direção dele, que estava
de cabeça baixa. Ela ajoelha-se.
Tempestade:
Pelos Deuses de todo o mundo, Logan! Ficou maluco?
As
garras de Wolverine se recolhem e ele pula em cima dela! Agarra Tempestade num
beijo profundo, ela faz força para se soltar dele, não adiantava nada! A mão
enorme do canadense já penetrava entre aqueles cabelos brancos, fazendo carinho
e forçando a cabeça dela contra a sua. Tempestade solta uma pequena descarga
elétrica nele e solta-se! Esbaforida, de olhos azuis arregalados, a deusa da
natureza tenta entender de que natureza foi aquele beijo incendiário!
Tempestade: O
que deu em você hoje?
Wolverine: Me
faz esquecer, então!
Tempestade: Te
fazer esquecer o que?
Wolverine:
Seria tudo tão mais fácil se eu fosse louco por alguém descompromissada, não
seria?
Tempestade: Não
iria fazer o seu estilo. Mas sim, seria tudo bem mais fácil.
Wolverine: Você
pode me fazer esquecer a ruiva, Ororo!
Wolverine
a agarra de novo em outro beijo, ela gritou um não, mas foi sugada pela força
bruta dele. Gambit estava no corredor dos quartos, no andar abaixo e ouviu
Tempestade dizer um não e ficar gritando lá em cima. Ajudar damas em defesa
era um trabalho para Remy Lebeau, ele ajeita a camisa e sobe de fininho as
escadas que davam para a estufa de plantas.
Tempestade:
Logan, não é assim que você vai esquecê-la. E eu não nasci para ser usada
com válvula de escape! Procure outra, você já teve tantas mulheres... Por que
eu?
Wolverine:
Porque você é verdadeiramente minha amiga.
E
Wolverine a beija de novo, Gambit abre um enorme sorriso ao ver aquilo! Fica
quietinho, desce mais alguns degraus, senão Wolverine facilmente sentiria seu
cheiro.
Tempestade: Me
solta, senão eu posso fazer um uso mais forte de meus poderes contra você!
Wolverine:
Tudo bem... Desculpa. Espero que não tenha ficado com nojo, como Jean fica.
Tempestade:
Ninguém tem nojo de você, Logan. Eu sou amiga dela, e de todos os seus beijos,
Jean nunca teve nojo de nenhum sequer. Teve foi medo de se deixar vencer pela
sua masculinidade aflorante. Ela também ama uma pessoa e não quer nem pensar
em esquecê-la.
Wolverine
balança a cabeça dizendo que compreende.
Tempestade:
Tente esquecê-la com outra mulher, comigo não.
Wolverine
desce as escadas correndo e encontra Gambit no meio delas. O canadense o agarra
pela roupa e encosta na parede!
Gambit: Mon
ami, que violência!
Wolverine: O
que você viu?
Gambit: Moi?
Nada! Tinha alguma coisa para ver?
Wolverine
o solta encabulado...
Wolverine: Não.
– E num rugido desce o resto das escadas.
Gambit
sobe os degraus restantes e encontra Tempestade limpando os cacos dos vasos que
Wolverine destruiu. Wolverine vai descendo até a sala como um louco grosso.
Vampira:
Wolverine, você viu o Gambit por aí?
Wolverine:
Estufa! – Foi só o que disse, e se embrenhou na
floresta do jardim.
Na
estufa, Remy Lebeau tentava ser o cavalheiro prestativo, e limpava a zona de
Wolverine para ela. Depois de tudo limpo, levantou com ar de sedutor.
Tempestade:
Que cara é essa, Remy?
Gambit: Ora,
ma chere Tempestade... A cara que eu sempre tive.
Tempestade:
Cara de safado!
Ele
estende os braços para abraçá-la, mas Tempestade dá um passo atrás.
Tempestade:
Pela Deusa! O que está acontecendo com os homens dessa casa?
Gambit: É você,
Tempestade... Sempre tão linda.
Tempestade:
Gambit, eu não estou ouvindo isso! Vampira não merece isso.
Gambit: Que
isso, ma belle? Você deu um beijo no Wolverine... E sabe que eu sempre te pedi um!
Tempestade:
Gambit, some!
Gambit: Um só,
chere! Você hoje foi tão legal com ele... Ah... vai, Tempestade, deixa!
Tempestade:
Ele me agarrou!
Gambit: Não
seja por isso!
Tempestade
corre para trás de uma mesa com vasos de plantas.
Tempestade: Eu
vou eletrocutar todos vocês!
Gambit
sorri com ar de galanteador, anda para um lado da mesa e Tempestade corre para o
outro! Ele corre mais rápido para o mesmo lado dela e a pega!
Gambit: Oui!
Voilá! Consegui você, chere!
Tempestade: Não
faz isso, Gambit. Você não vai morrer de remorso?
Gambit: Morrer
de remorso por que? Eu amo a Vampira, por que morreria de remorso em pedir um
beijo que eu espero por mais de 4 anos?!
Tempestade:
Porque é uma traição a ela!
Gambit:
Chere... Se Wolverine pode, eu também posso.
Tempestade
leva o rosto para trás com a proximidade do maravilhoso hálito do Gambit. Ele
estava fazendo uso de seu charme, na certa mais um poder mutante. Pois estava
deixando Tempestade fraca para reagir.
Tempestade:
Gambit, pense na Vampira.
Gambit: Eu
penso nela todos os dias da minha vida.
Tempestade:
Então por que vai fazer isso?
Gambit: Leve a
vida mais facilmente, Ororo. É só um beijo, só unzinho. Você sabe que para
Remy Lebeau isso não é traição... Você não está louca para me beijar?
Tempestade: N
– ã – o !
Gambit
sorri, Tempestade também! Ele fica simplesmente irresistível sorrindo,
principalmente assim tão de perto, tão colado.
Gambit: Tô
vendo...
Tempestade:
Gambit, me solta! Solta que isso pra mim é trair a confiança e a amizade de
Vampira. E eu já a estou traindo
em permitir que você fique tão perto, em me permitir encantar por você.
Gambit: Shiii.
Não é culpa sua... Isso acontece com todas.
Gambit
beija Tempestade, levando seu rosto para trás! O francês passa as mãos pela
cintura dela, e pelos cabelos sedosos. Ela é apertada contra o corpo dele, que
a puxa para si. Gambit termina o beijo, Tempestade está enlevada.
Gambit:
Pronto. Agora você me comprovou o que eu já sabia! Eu beijo inacreditavelmente
melhor do que o Wolverine! Ou do que qualquer outro homem!
O
enlevo de Tempestade dura pouco. Ela recobre a consciência, e o encanto de
Gambit se quebra. A mão pesada dela estala no rosto do francês! Um incrível
tapa na cara bem dado!
Tempestade:
Some! Olha só o que você me fez fazer! Eu nunca vou me perdoar! Nunca!
Gambit: Você
é muito séria, Tempestade. Muito rígida.
Vampira: Acho
que eu sou igual a ela, séria e rígida.
Vampira corre
os degraus da escada da estufa em direção aos quartos!
Gambit: Ah, não,
não, não, não, non!
Tempestade: Ótimo!
O dia hoje vai ótimo! Tudo de ruim acontecendo! Bem feito pra você!
Gambit
corre atrás dela, ao entrar no corredor de quartos, a vê voando em direção
ao próprio quatro e bater a porta numa violência incrível. Escuta também os
trincos da porta. Ele encosta a testa na porta e fecha os olhos, apóia os
pulsos na madeira importada e pensa no que dizer.
Gambit: Amour,
eu estava só brincando. Você me conhece... Eu não teria feito aquilo se não
tivesse visto que Wolverine também fez.
Ele
pára e pensa na idiotice que está dizendo... Como podia ser tão idiota? Quer
dizer que agora se alguém novo beijar a Jean, ele também tem a obrigação de
beijar? Gambit cruza os braços, encosta as costas na porta e desliza até o chão.
Fica lá sentado pensando em alguma coisa melhor para dizer.
Gambit: Abre a
porta para você me insultar, Vampira. Deixa eu entrar para ouvir tudo de ruim
que você tem a me dizer.
Remy
escuta um soluço de choro, uma respirada molhada nas lágrimas abafadas de
dentro do quarto.
Gambit: Ah,
que merda!
Tempestade
aparece no corredor e pára na frente do quarto de Vampira, empurra Gambit com o
pé, que a atrapalhava sentado na porta. Bate na porta.
Tempestade:
Vampira? É Tempestade, criança. Queria
conversar com você.
Vampira
abre a porta, Tempestade entra, Gambit se levanta para entrar também, mas é
empurrado pela deusa da natureza. As duas fecham a porta do quarto de novo.
Tempestade:
Vampira... eu vim aqui te pedir, implorar meu perdão.
Vampira: Por
que?
Tempestade:
Por ter permitido que aquilo acontecesse.
Vampira: Não
é culpa sua, não, Tempestade... Ele enfeitiça as mulheres. Nós perdemos a
cabeça com ele.
Tempestade
senta ao lado dela na cama e abaixa o rosto.
Tempestade:
Mesmo assim... Eu acabei permitindo, fui fraca demais, não consegui usar meus
poderes. E você teve que ver aquela cena horrível.
Vampira: Mesmo
que você o tivesse empurrado, eu já teria visto a cena terrível dele pedir um
beijo seu.
Tempestade
deixa rolar uma lágrima de vergonha, de líder que fracassou, de deusa fraca,
de amiga desleal.
Tempestade:
Eu... eu... também tenho que me desculpar por... por ter gostado do beijo dele.
A
deusa negra esconde o rosto entre as mãos, mas não guardaria segredos a uma
amiga, era completamente leal e não guardaria segredos sobre o marido dela.
Tempestade:
Poderia até mesmo ter dado outro beijo nele.
Vampira
sorri triste, também deixando uma lágrima rolar. Ela abraça Tempestade,
fazendo de tudo para não encostar nela.
Vampira: Isso
é normal, miga.
Tempestade:
Normal???? Eu não presto! Olha só o que fiz com você!
Vampira: Você
esperava ser beijada pelo Gambit e não gostar? Tá maluca?
Tempestade:
Isso me parte o coração...
Vampira: A mim
mais ainda... Já pedi a ele milhares de vezes que não fizesse isso. Mas ele
faz.
Tempestade: Não
sei se você tem muita sorte, ou muito azar em ter um homem desse a seu lado.
Vampira:
Ultimamente, a sorte estava imperando mais do que o azar. Mas ele teve uma recaída.
Tempestade: Não
estou te reconhecendo... Você está tão calma... Tão diferente da Vampira que
sugou a Karen de ódio, que surrou a Mística, sua própria mãe, por tudo que
fez a Jean...
Vampira: Foi
decepção demais para eu explodir de raiva.
Tempestade:
Você me perdoa?
Vampira:
Claro.
Tempestade:
Ele estava brincando, Vampira. Você o conhece... Até disse que te amava e que
pensava em você todos os dias.
Vampira:
Gambit acha que amar é só dizer que ama e sentir o amor por dentro. Ele ainda
não percebeu que amar também é ação. Agir como alguém que ama; beijar você
não é agir da melhor forma. Mesmo que o beijo fosse só uma brincadeira pra
ele.
Tempestade
ainda pede que Vampira o perdoe, antes de sair do quarto. Ela iria fechar a
porta, mas ouviu Vampira dizer que a queria aberta. Gambit entendeu e entrou.
Ficou sozinho com ela, sem saber o que dizer.
Gambit:
Pardonnez moi.
Vampira:
Quantas vezes vou ter que ouvir isso?
Gambit: Nunca
mais.
Vampira: E
“nunca mais”, quantas vezes também vou ter que ouvir?
Gambit: Eu não
tenho desculpas a dar, nem explicações. Agi como um idiota, é isso. E agora
estou pagando por isso.
Vampira: Está
sofrendo?
Gambit: Claro.
Vampira: Se
isso te faz sofrer, por que você repete e repete e repete?
Gambit: Não
tenho o que responder...
Vampira: O que
você mais queria agora?
Gambit: Voltar
no tempo e não ter feito nada daquilo.
Vampira
vai na escrivaninha e pega a pulseira, coloca no pulso e diz “vem cá”.
Gambit chega perto dela, Vampira podia encostá-lo. Ela deu um tapa na cara dele
e chorou, Gambit fechou os olhos... Tão fraca com a pulseira, não doeu nada...
Só doeu internamente, saber que ela colocou a pulseira justamente para não
machucá-lo de verdade... Não teria coragem. Ela deu socos de punhos fechados e
deitados no peito dele, o empurrou ( ele nem saiu do lugar), deu outro tapa ( e
ele nem saia do lugar ou abria os olhos); por fim, Gambit a abraçou. Ela
continuou, mesmo abraçada, a dar socos nas costas dele. Depois de muito bater,
ela parou com lágrimas nos olhos.
Gambit:
Pardonnez moi, chere.
Vampira
o abraçou forte, como se quisesse se esconder naquele corpo grande e forte.
Gambit a colocou no colo e sentou com ela na poltrona do sofá. Ele a abraçava
no colo como uma criança abraça um ursinho de pelúcia querido.
Gambit: Posso
ficar aqui no quarto? Com você no colo?
Vampira: Pode.
Gambit: Merci.
Je t´aime.
Vampira: Te
amo, também.
Gambit: Estou
muito envergonhado.
Vampira:
Shiiii. Já esqueci.
Gambit: Eu não.
Vampira: Tudo bem, melhor assim que você não repete o ato.
As
torturas com cabos de vassoura, ou mangueiras ou cassetetes que batem em sua
pele são as primeiras dores ao chegar naquele presídio de mutantes
subversivos. A dor profunda seria o choque elétrico, mas a maior humilhação,
o símbolo da derrota e do ultraje, é tirar a roupa.
_ Vai
tirando a roupa.
A
amiga de apartamento de Vanda já estava de calcinha e sutiã, o rapaz agachado
estava completamente nu. Um dos guardas agarra-se a camisa de Vanda e também
puxa sua saia. A reação dela foi gritar:
Vanda: Tira
a mão de mim! Eu mesma tiro!!!
Na
crença que se defendia dos abusos do guarda, Vanda obedeceu e se despiu, não
chegou a tirar a calcinha ou o sutiã; mas de fato estava sem roupa, como o
guarda queria. Ela se dobrou a vontade do guarda, na ilusão inconsciente de
corrompê-lo e atenuar a tortura seguinte. O guarda voa em cima de Vanda para
tirar-lhe a calcinha e o sutiã que ainda restavam, a amiga de apartamento se
desespera. Vanda tenta ficar calma e argumentar.
Vanda: Você
faria isso com sua irmã, com sua mulher ou sua mãe?
Um
tapa na cara foi a resposta que teve, jogada no chão, e tendo suas últimas peças
de roupa arrancadas, o guarde abre-lhe as pernas e introduz o fio de cobre na
vagina. Dá uma descarga elétrica que faz Vanda conhecer o inferno, seus olhos
brancos viram a sala escurecer... Ao invés de ser o requinte cruel e final da
tortura, o guarda usou o choque na vagina como boas vindas a ela. A amiga de
apartamento se desespera e é arrastada por outro guarda para outra sala. O
rapaz nu, agachado no chão, já havia sofrido de tudo que Vanda ainda iria
sofrer. O choque elétrico não é aplicado no prisioneiro para matá-lo, mas
para triturar o prisioneiro, reduzi-lo a nada, reduzi-lo a impotência e
inferioridade absoluta. Vanda, ainda se recuperando do que sofreu, escuta em
outra sala, a amiga de quarto ser torturada. Gritos de homens e mulheres varando
seu ouvido, como se o inferno falasse. Ramisfield entrou na sala.
Ramisfield: Então, Magda? Tem sido bem tratada? Nós precisamos conversar... Preciso conhecer um pouco mais sobre sua vida e seus amigos.