Mais umas duas semanas se passaram, a situação no gueto só piorava. Muitos integrantes mais novos do grupo de resistência já tinham sido presos, pois ainda não tinham aprendido todas as regras de sigilo e discrição: deram bandeira e foram pegos. A maioria deles continuava presa ou morta, quem sabe? ...  Uns três ou quatro foram libertados dias depois. Vanda sabia de tudo isso, e tentava tomar todo o cuidado. Tentava demonstrar ser uma leal mutante moradora do Harlem, que obedecia todas as regras do estado de sítio eterno! Era meio dia e o sol estava forte, Vanda caminhava pela calçada em direção a seu prédio, trazia uma sacola cheia de verduras e frutas. Viu que toda a rua do quarteirão do seu prédio estava sendo esburacada. Estavam “colocando os fios para os telefones”, disseram a ela  quando chegou perto para perguntar. Vanda agradeceu a explicação e entrou no prédio, lembrou da lista telefônica que recebera em casa semanas antes. Ela abriu o apartamento e já da porta entendeu tudo! O sofá da sala estava virado e todo cortado, vários papéis jogados no chão, os livros estavam rasgados, a mulher que morava com ela não estava! Vanda correu para o banheiro, arrancou o basculante em cima do vaso sanitário e tentou passar pelo mínimo buraco, mas desistiu ao colocar a cabeça para fora e lembrar que morava no quinto andar! Por que não comprou aquela corda??? Saiu atônita, deixando a porta do apartamento aberta e desceu dois andares pela escada do prédio! Entrou no elevador no terceiro andar, se dirigia para o térreo, sabia que os milicos estiveram em seu apartamento! No térreo, ao abrir-se a porta, quatro metralhadoras apontavam para sua cabeça!

Ramisfield: É ela, ou não é?

Um outro soldado respondeu que sim balançando a cabeça! Cretino, Vanda se lembrou! O homem que a reconhecia num balançar de cabeça, duas semanas antes era o entregador da lista telefônica! Um deles já cai em cima de Vanda, algemando-a e a empurrando para fora do prédio.

Vanda: O que é isso? Por que estou sendo presa?

Soldado: Sem gracinhas, senão vai ser pior pra você.

As pessoas que passavam na rua e a viam arrastada para um carro, logo mudaram o percurso, tinham medo dos milicos. Vanda foi colocada no banco de trás do carro, entre o falso entregador de listas telefônicas e um homem alto que fumava. Na frente, o mais magro deles dirigia; e Ramisfield, já de meia idade, ia no banco do carona. Pra onde estava indo? Não fazia a menor idéia... Lembrou que tinha um poder mutante! Mas seria inútil, seu poder era agradar as pessoas com uma boa conversa, Vanda encantava ao abrir a boca.

Vanda: Isso deve ser um mal entendido, senhores. Tenho certeza que não procuram por mim, eu admiro tanto o trabalho de vocês em criar um espaço só para os mutantes, onde eu não sofra preconceitos, onde eu possa ser realmente feliz...

O homem que fumava a seu lado gritou um “cala boca” enquanto apagava o cigarro no braço dela! Vanda gritou de dor, o homem fez um “shiiii” com a mão. Ela já imaginava que coisas piores viriam.

Ramisfield: É engraçado... Depois, quando quisermos que ela realmente fale, vocês vão ver como vai ser difícil que abra a boca...

O carro parou diante de um estabelecimento cheio de militares fazendo a guarda nos portões, mas não tinha nada escrito que pertencia ao exército ou a polícia. Foi arrancada do carro e empurrada portão adentro, no pátio aberto do prédio foi recebida logo na entrada por porradas com cabo de vassoura nas pernas, nas costas, nos braços; tentava defender a cabeça. Caia no chão e tentava se levantar e se defender de novas vassouradas, gritava como louca. Ouvia sempre ao cair, a mesma frase que a perseguiria por mais dias e dias: “Levanta, filha da puta, mutante subversiva!” Depois de chorar ao gritar “por favor, parem!”, foi levada para uma sala onde encontrou sua colega de apartamento, presa horas antes dela.

_ Magda! Que diabos está acontecendo com a gente? Por que fomos presas? Por que nos tratam assim?

Vanda não sabe se sofre mais por si mesma ou pela colega, presa por motivo nenhum. Sente-se culpada pela prisão da amiga, que nada entendia. Mas ela tinha que ser forte.

Vanda: Não sei... Não sei... Não sei de nada.

Vanda percebeu que tinha mais alguém na sala. Era um rapaz agachado no chão, também algemando, chorando com a cabeça entre os joelhos. Quando levantou a cabeça, reconheceu Vanda das reuniões do grupo de resistência, e Vanda também acha que já viu aquele rosto antes. Mas pobre da amiga de quarto, não sabia de nada, completamente ignorante e inocente.  


Enquanto isso na mansão, Jean caminhava pelo jardim, já quase chegando em seu quinto mês de gravidez. A barriga aumentava e já começava a apontar no vestido largo e florido que usava. Estava ajudando Tempestade a plantar novas roseiras, carregava alguns sacos de terra preta adubada para a amiga mentalmente, fazendo uso da telecinésia.

Tempestade: Obrigada. Assim eu não tenho que carregar esses sacos pesados. Mas não te quero abaixada cavando a terra, deixa que eu faço isso.

Mas já era tarde, Jean já estava de cócoras no jardim, usando luvas para abrir buracos na terra. Queria relaxar com as plantas, sabia que daqui algumas horas teria mais um treino na sala de perigo que a perturbaria. Mesmo fazendo uso de sua telecinésia em boa parte do treino, seu corpo já não respondia da mesma forma que antes. Além do crescimento de Rachel demandar uma velocidade mais rápida de seu metabolismo, que respirava mais intensamente, comia mais e tinha maior dificuldade do que antes para se locomover; Rachel às vezes a cutucava de forma dolorida. Uma pontada na costela, um aperto nos rins, isso a desconcentrava um pouco nos treinos. Como se não bastasse tudo isso, seus poderes de telecinésia e telepatia as vezes falhavam. Jean não estava entendendo o motivo. Viva no escritório do professor Xavier, fazendo trabalhos e pesquisas mentais para entender o que acontecia. Xavier dizia que talvez isso fosse temporário, podia ser por causa da Rachel. As falhas de poderes também eram intercaladas com intensas manifestações da Fênix, que dava sinais de agitação. Não estaria a entidade gostando da presença de Rachel no corpo de Jean? Ou estava só se aproveitando das falhas dos poderes para se liberar mais?

Tempestade: Jean, se o Fera te vir de cócoras aqui no jardim, ele vai reclamar comigo depois.

Jean: Calma, Ororo. Eu posso ficar de cócoras um pouquinho, não estou fazendo força nenhuma.

Ela levanta e senta num banquinho, fica admirando as camélias rosas, que árvore mais linda! Sorri, coloca a mão na barriga.

Jean: Corre aqui, Tempestade! Ela está se mexendo!

Tempestade levanta rápido, tira uma das luvas das mãos, passa rápido limpando na roupa e coloca na barriga de Jean.

Tempestade: Não estou sentindo nada, Jean.

Jean pega aquela mão negra de pele maravilhosamente sedosa e coloca exatamente em cima de onde Rachel está mexendo.

Jean: Sente?

Tempestade: Não...

Jean: Ah... que pena. Acho que por enquanto só eu sinto, e sinto por dentro; não por fora.

Tempestade: Não se afobe, você está quase no quinto mês. Quando estiver no meio dele, já vamos estar sentindo essa menina mexer perninhas e braços!

Jean: Mexeu de novo!

Tempestade sorri e volta a trabalhar a terra, fica ouvindo Jean falar sobre a última ultra-sonografia que fez enquanto ficava olhando as camélias, sentada no banquinho acariciando a barriga.

Jean: Eu já te disse que na última ultra-sonografia a Rachel estava chupando um dedinho?

Tempestade: Falou! Achei lindo quando vi a fita da ultra que Scott trouxe. Rachel também brincou com o cordão umbilical.

Jean: É! Linda... estava puxando o cordão. – Fala olhando a árvore, sorrindo, com os olhos úmidos da lembrança.

Wolverine estava atrás do banco e Jean sente sua presença, vira-se de costas e sorri ao vê-lo. Wolverine deu aquele sorriso amarelo que sabe dar, deu mais um gole na cerveja que trazia e sentou ao lado dela; colocou a cerveja no chão. Tempestade olhou de longe o canadense sentar, fez um muxoxo e continuou a plantar as rosas. Ela percebeu que os dois estavam num silêncio incômodo e dê presente, colocou um lindo arco-íris no céu!

Jean: Que lindo, amiga! Adorei os tons de azul e lilás!

Wolverine pegou a cerveja do chão e deu mais uns enormes goles, colocou-a no chão de novo e limpou o canto da boca.

Wolverine: Muito gay isso, Tempestade!

Jean: Você também viu a fita da última ultra-sonografia, Logan?

Wolverine: Não... Tu sabe que eu não sou chegado nessas fitas momento família.

Jean: Como fita de férias, formatura, aniversários e ultra-sonografias.

Wolverine: É. Muito chato!

Jean: Mas ela tem crescido muito. Está ficando grande.

Wolverine: Eu tô percebendo... – Diz isso fazendo um sinal com a mão em volta do corpo, como que indicasse que Jean estava se arredondando na barriga, nos seios, num todo! Jean deu uma gargalhada, Tempestade tentou segurar, mas também riu ainda agachada no chão.

Tempestade: É... Eu também vi!

Jean: Me chamou de gorda, Tempestade!

Tempestade: Eu vi! Ele é um exagerado, não se importe com isso! Você está ótima! Só engordou cinco quilos até agora!

Wolverine terminou a cerveja e deixou o casco de vidro no chão. Tentou se explicar na maior seriedade do mundo.

Wolverine: Só um anormal te chamaria de gorda, Jean. Eu só disse que você está aumentando, sinal de que a guria aí dentro está espichando.

Jean e Tempestade ficam em silêncio, perceberam que Wolverine não estava muito bem. Sério até mesmo quando as duas gargalharam, passou as duas últimas semanas mais emburrado do que o normal. Não conseguia esquecer a cena que viu no espelho do banheiro: Jean e Scott juntos. Não conseguia olhar para a ruiva sem lembrar da cena.

Jean: Logan, o que foi? Você não está bem, está?

Wolverine: Tô ótimo!

Jean não liga para o “tô ótimo” grosso dele, porque Rachel mais um vez deu seus chutinhos. Ela colocou rápido a mão na barriga e disse um “mexeu” com cara de felicidade. Wolverine nem perguntou se podia colocar a mão também, rapidamente meteu a mão na barriga de Jean.

Wolverine: Onde?

Nem mesmo Jean teve tempo para sentir-se incomodada, nem para lembrar que já havia dito que não o queria tocando sua barriga; pegou a mão dele e colocou bem em cima da Rachel.

Jean: Aqui! Sentiu?

Wolverine: Não!

Jean apertou a mão peluda dele em cima da barriga! Wolverine mexeu a cabeça de um jeito estranho, sorriu desengonçado!

Wolverine: Senti a guria! Senti!

Jean: Você é o primeiro a sentir! Corre Tempestade!

Tempestade resolveu não correr: voou e aterrissou na frente do banco em menos de um segundo! As duas mãos disputavam a barriga de Jean, a de Wolverine e a de Tempestade. Jean afastou um pouco a mão de Logan e colocou a da amiga bem em cima.

Tempestade: Senti!!!! Isso foi um braço ou uma perna?

Jean: Eu não sei!

Tempestade: Nossa, Logan! Finalmente te vejo sorrindo em duas semanas!

Wolverine, que já estava em pé com os braços esticados ao lado do corpo, na frente de Jean sentada risonha no banquinho, viu em câmera lenta sua mão ser pega pela ruiva e colocada em sua barriga. Não foi ele quem fez o movimento, foi ela! O momento pareceu eterno, a mão dela sobre a dele, fazendo pressão contra a barriga. Wolverine só olhava para o rosto iluminado de Jean, depois abaixava a vista e via sua mão ser conduzida por aquele corpo, conduzida por ela! Sua mão estava agarrada pelas mãos dela, Tempestade percebeu o olhar de Logan e se retirou para suas roseiras. Como estava em pé, ele a via por um ângulo superior, viu os seios brancos maiores do que o normal surgindo no decote do vestido, lembrou da cena da banheira! Olhou para o rosto risonho dela, e lembrou do riso lindo de dentes alvos e alinhados surgindo do rosto meigo ao ouvir um sussurro de Scott na banheira; Wolverine puxou sua própria mão das mãos dela! Jean desfez o sorriso, não entendeu... Pensava que ele também estava feliz em sentir Rachel. Logan não deu tempo para Jean pensar em ler sua mente, pegou o casco de cerveja do chão e andou apressado para a mansão.

 Jean: Que estranho, como pode mudar de humor tão facilmente, não é mesmo? ... Eu nem me atrevo a invadir seus pensamentos.

Tempestade: Eu vou ver o que ele tem.

Jean: Não demore, temos treinos pesados hoje!

Ororo voa até a porta da mansão, pergunta a Bobby que assistia Sport TV, se ele tinha visto Wolverine.

Bobby: Subiu.


Tempestade sobe as escadas e bate na porta do quarto dele. Não recebe resposta, resolve arriscar e abri-la. O canadense não estava lá. Onde estaria? Ela solta o ar com pesar, queria ajudá-lo, mas ele fugia da ajuda. Nutrir esperanças por Jean Grey era fugir da ajuda. A própria ruiva já tinha mostrado a ele o caminho das pedras: esquecê-la. Lembrar dela como uma amiga, apenas isso. Tempestade resolve subir para o última andar, e entrar na sua estufa de vidro, recheada de orquídeas, bonsais, azaléias e camélias. Qual não foi sua surpresa ao ver que Wolverine também estava lá?!

Tempestade: Logan! Estava te procurando, meu amigo.

Wolverine: Por que?

Tempestade: Por motivos óbvios, você vai ter uma úlcera se continuar assim, amargo.

Wolverine: Tô no meu estado normal.

Tempestade: Logan, não faça isso consigo mesmo. Esqueça. Esqueça a Jean, ela só te quer como amigo.

Wolverine: Não sei como ainda não dei no pé... Como ainda não peguei minha moto e sumi! Até pensei em fazer isso, mas acho que esse sentimento idiota de pertencimento a uma equipe tem entrado em mim. Não consigo deixar vocês sozinhos contra aquele gueto, sei que vão precisar da minha ajuda.

Tempestade: Ninguém pode negar que você é um elemento de extrema importância numa ação de ataque.

Wolverine: Parece que só quem ataca aqui nessa casa sou eu!

Tempestade: Na verdade, eu sei o real motivo para você não ter nos abandonado... A sua ruiva pediu para que você ficasse.

Wolverine: Ninguém manda em mim, Ororo! Te enxerga!

Tempestade: Logan, para seu próprio bem, esqueça ela. Esqueça. Você mesmo nutre falsas esperanças.

Wolverine: Fica quieta, Tempestade. Escuta, eu não tenho muito passado dentro dessa minha cabeça! Quase tudo que eu lembro é de estar nessa casa com vocês, ou em missões pelo mundo... E você me pede para que eu esqueça mais alguma coisa? Para que eu lembre dela como algo vago?! Já não basta as várias lembranças vagas que povoam minha cabeça?!

Tempestade: ...

Wolverine: Quero me agarrar nas certezas de hoje, quero ter a certeza que nunca vou esquecer de mais nada na vida! Não quero esquecê-la.

Tempestade: Pior para você, meu amigo.

Wolverine: Dane-se! O pior é pra mim e não pra você, então fica na tua!

Tempestade: Eu me preocupo com você.

Wolverine: Sabe, Ororo, ao menos Jean está viva! Vou ficar nutrindo amor a quem? A Mariko? Ficar igual ao Anjo ajoelhado horas e horas diante de um túmulo??? Não... Já passei muito tempo assim, pensando nela. Acho que a amei muito mais do que um dia já amei a ruiva. Mariko foi tudo, mas ao menos Jean está viva e eu quero o direito de tê-la ao meu lado; já que ela me ascende alguma coisa aqui dentro! 

Wolverine pára de falar, fica a lembrar da mão dela agarrando a sua, e de ser guiado pelo corpo dela. Lembra de ter sentido o bebê chutar, bebê filho do Scott. Ele faz um rugido de estremecer dentes e SNIKT! Tempestade leva um susto, o que ele estaria pensando? Como um animal contorcendo a boca de ódio, pensa que é tão babaca quanto esses homens que adotariam um filho da mulher mesmo que não fosse dele. Logan lembra com ódio que aquele bebê é do Scott, isso o faz lembrar mais uma vez da visão do rosto iluminado, do sorriso, do seio, da felicidade, da intimidade, da mágica de ser pai tendo ao lado uma mulher que ama. Transtornado, Wolverine derruba muitos vasos de Tempestade no chão!

Tempestade: Que isso???!!! Minhas plantas!!!

O canadense não pára! Cortas com as garras muitos galhos de plantas ao mexer os braços com ódio para todos os lados. Tempestade sabe que não pode ir pará-lo com suas próprias mãos! Ela abre os braços e  embranquece os olhos, seus cabelos brancos e lisos voam pelo rosto, e Wolverine começa a ter dificuldade para ficar em pé; ela direcionava uma forte corrente de ar na direção dele, tentando não danificar as plantas! Wolverine não daria o braço a torcer, não cairia na frente dela; se ajoelha e finca as garras no chão! Ororo pára com o vento e caminha na direção dele, que estava de cabeça baixa. Ela ajoelha-se.

Tempestade: Pelos Deuses de todo o mundo, Logan! Ficou maluco?

As garras de Wolverine se recolhem e ele pula em cima dela! Agarra Tempestade num beijo profundo, ela faz força para se soltar dele, não adiantava nada! A mão enorme do canadense já penetrava entre aqueles cabelos brancos, fazendo carinho e forçando a cabeça dela contra a sua. Tempestade solta uma pequena descarga elétrica nele e solta-se! Esbaforida, de olhos azuis arregalados, a deusa da natureza tenta entender de que natureza foi aquele beijo incendiário!

Tempestade: O que deu em você hoje?

Wolverine: Me faz esquecer, então!

Tempestade: Te fazer esquecer o que?

Wolverine: Seria tudo tão mais fácil se eu fosse louco por alguém descompromissada, não seria?

Tempestade: Não iria fazer o seu estilo. Mas sim, seria tudo bem mais fácil.

Wolverine: Você pode me fazer esquecer a ruiva, Ororo!

Wolverine a agarra de novo em outro beijo, ela gritou um não, mas foi sugada pela força bruta dele. Gambit estava no corredor dos quartos, no andar abaixo e ouviu Tempestade dizer um não e ficar gritando lá em cima. Ajudar damas em defesa era um trabalho para Remy Lebeau, ele ajeita a camisa e sobe de fininho as escadas que davam para a estufa de plantas.

Tempestade: Logan, não é assim que você vai esquecê-la. E eu não nasci para ser usada com válvula de escape! Procure outra, você já teve tantas mulheres... Por que eu?

Wolverine: Porque você é verdadeiramente minha amiga.

E Wolverine a beija de novo, Gambit abre um enorme sorriso ao ver aquilo! Fica quietinho, desce mais alguns degraus, senão Wolverine facilmente sentiria seu cheiro. 

Tempestade: Me solta, senão eu posso fazer um uso mais forte de meus poderes contra você!

Wolverine: Tudo bem... Desculpa. Espero que não tenha ficado com nojo, como Jean fica.

Tempestade: Ninguém tem nojo de você, Logan. Eu sou amiga dela, e de todos os seus beijos, Jean nunca teve nojo de nenhum sequer. Teve foi medo de se deixar vencer pela sua masculinidade aflorante. Ela também ama uma pessoa e não quer nem pensar em esquecê-la.

Wolverine balança a cabeça dizendo que compreende.

Tempestade: Tente esquecê-la com outra mulher, comigo não.

Wolverine desce as escadas correndo e encontra Gambit no meio delas. O canadense o agarra pela roupa e encosta na parede!

Gambit: Mon ami, que violência!

Wolverine: O que você viu?

Gambit: Moi? Nada! Tinha alguma coisa para ver?

Wolverine o solta encabulado...

Wolverine: Não. – E num rugido desce o resto das escadas. 

Gambit sobe os degraus restantes e encontra Tempestade limpando os cacos dos vasos que Wolverine destruiu. Wolverine vai descendo até a sala como um louco grosso.

Vampira: Wolverine, você viu o Gambit por aí?

Wolverine: Estufa! – Foi só o que disse, e se embrenhou na floresta do jardim.

Na estufa, Remy Lebeau tentava ser o cavalheiro prestativo, e limpava a zona de Wolverine para ela. Depois de tudo limpo, levantou com ar de sedutor.

Tempestade: Que cara é essa, Remy?

Gambit: Ora, ma chere Tempestade... A cara que eu sempre tive.

Tempestade: Cara de safado!

Ele estende os braços para abraçá-la, mas Tempestade dá um passo atrás.

Tempestade: Pela Deusa! O que está acontecendo com os homens dessa casa?

Gambit: É você, Tempestade... Sempre tão linda.

Tempestade: Gambit, eu não estou ouvindo isso! Vampira não merece isso.

Gambit: Que isso, ma belle? Você deu um beijo no Wolverine... E sabe que eu sempre te pedi um!

Tempestade: Gambit, some!

Gambit: Um só, chere! Você hoje foi tão legal com ele... Ah... vai, Tempestade, deixa!

Tempestade: Ele me agarrou!

Gambit: Não seja por isso!

Tempestade corre para trás de uma mesa com vasos de plantas.

Tempestade: Eu vou eletrocutar todos vocês!

Gambit sorri com ar de galanteador, anda para um lado da mesa e Tempestade corre para o outro! Ele corre mais rápido para o mesmo lado dela e a pega!

Gambit: Oui! Voilá! Consegui você, chere!

Tempestade: Não faz isso, Gambit. Você não vai morrer de remorso?

Gambit: Morrer de remorso por que? Eu amo a Vampira, por que morreria de remorso em pedir um beijo que eu espero por mais de 4 anos?!

Tempestade: Porque é uma traição a ela!

Gambit: Chere... Se Wolverine pode, eu também posso.

Tempestade leva o rosto para trás com a proximidade do maravilhoso hálito do Gambit. Ele estava fazendo uso de seu charme, na certa mais um poder mutante. Pois estava deixando Tempestade fraca para reagir.

Tempestade: Gambit, pense na Vampira.

Gambit: Eu penso nela todos os dias da minha vida.

Tempestade: Então por que vai fazer isso?

Gambit: Leve a vida mais facilmente, Ororo. É só um beijo, só unzinho. Você sabe que para Remy Lebeau isso não é traição... Você não está louca para me beijar?

Tempestade: N – ã – o !

Gambit sorri, Tempestade também! Ele fica simplesmente irresistível sorrindo, principalmente assim tão de perto, tão colado.

Gambit: Tô vendo...

Tempestade: Gambit, me solta! Solta que isso pra mim é trair a confiança e a amizade de Vampira. E eu já  a estou traindo em permitir que você fique tão perto, em me permitir encantar por você.

Gambit: Shiii. Não é culpa sua... Isso acontece com todas.

Gambit beija Tempestade, levando seu rosto para trás! O francês passa as mãos pela cintura dela, e pelos cabelos sedosos. Ela é apertada contra o corpo dele, que a puxa para si. Gambit termina o beijo, Tempestade está enlevada.

Gambit: Pronto. Agora você me comprovou o que eu já sabia! Eu beijo inacreditavelmente melhor do que o Wolverine! Ou do que qualquer outro homem!

O enlevo de Tempestade dura pouco. Ela recobre a consciência, e o encanto de Gambit se quebra. A mão pesada dela estala no rosto do francês! Um incrível tapa na cara bem dado!

Tempestade: Some! Olha só o que você me fez fazer! Eu nunca vou me perdoar! Nunca! 

Gambit: Você é muito séria, Tempestade. Muito rígida.

Vampira: Acho que eu sou igual a ela, séria e rígida.

Vampira corre os degraus da escada da estufa em direção aos quartos!

Gambit: Ah, não, não, não, não, non!

Tempestade: Ótimo! O dia hoje vai ótimo! Tudo de ruim acontecendo! Bem feito pra você!

Gambit corre atrás dela, ao entrar no corredor de quartos, a vê voando em direção ao próprio quatro e bater a porta numa violência incrível. Escuta também os trincos da porta. Ele encosta a testa na porta e fecha os olhos, apóia os pulsos na madeira importada e pensa no que dizer.  

Gambit: Amour, eu estava só brincando. Você me conhece... Eu não teria feito aquilo se não tivesse visto que Wolverine também fez.

Ele pára e pensa na idiotice que está dizendo... Como podia ser tão idiota? Quer dizer que agora se alguém novo beijar a Jean, ele também tem a obrigação de beijar? Gambit cruza os braços, encosta as costas na porta e desliza até o chão. Fica lá sentado pensando em alguma coisa melhor para dizer.

Gambit: Abre a porta para você me insultar, Vampira. Deixa eu entrar para ouvir tudo de ruim que você tem a me dizer.

Remy escuta um soluço de choro, uma respirada molhada nas lágrimas abafadas de dentro do quarto.

Gambit: Ah, que merda!

Tempestade aparece no corredor e pára na frente do quarto de Vampira, empurra Gambit com o pé, que a atrapalhava sentado na porta. Bate na porta.

Tempestade: Vampira? É Tempestade, criança.  Queria conversar com você.

Vampira abre a porta, Tempestade entra, Gambit se levanta para entrar também, mas é empurrado pela deusa da natureza. As duas fecham a porta do quarto de novo.

Tempestade: Vampira... eu vim aqui te pedir, implorar meu perdão.

Vampira: Por que?

Tempestade: Por ter permitido que aquilo acontecesse.

Vampira: Não é culpa sua, não, Tempestade... Ele enfeitiça as mulheres. Nós perdemos a cabeça com ele.

Tempestade senta ao lado dela na cama e abaixa o rosto.

Tempestade: Mesmo assim... Eu acabei permitindo, fui fraca demais, não consegui usar meus poderes. E você teve que ver aquela cena horrível.

Vampira: Mesmo que você o tivesse empurrado, eu já teria visto a cena terrível dele pedir um beijo seu.

Tempestade deixa rolar uma lágrima de vergonha, de líder que fracassou, de deusa fraca, de amiga desleal.

Tempestade: Eu... eu... também tenho que me desculpar por... por ter gostado do beijo dele.

A deusa negra esconde o rosto entre as mãos, mas não guardaria segredos a uma amiga, era completamente leal e não guardaria segredos sobre o marido dela.

Tempestade: Poderia até mesmo ter dado outro beijo nele.

Vampira sorri triste, também deixando uma lágrima rolar. Ela abraça Tempestade, fazendo de tudo para não encostar nela.

Vampira: Isso é normal, miga.

Tempestade: Normal???? Eu não presto! Olha só o que fiz com você!

Vampira: Você esperava ser beijada pelo Gambit e não gostar? Tá maluca?

Tempestade: Isso me parte o coração...

Vampira: A mim mais ainda... Já pedi a ele milhares de vezes que não fizesse isso. Mas ele faz.

Tempestade: Não sei se você tem muita sorte, ou muito azar em ter um homem desse a seu lado.

Vampira: Ultimamente, a sorte estava imperando mais do que o azar. Mas ele teve uma recaída.

Tempestade: Não estou te reconhecendo... Você está tão calma... Tão diferente da Vampira que sugou a Karen de ódio, que surrou a Mística, sua própria mãe, por tudo que fez a Jean...

Vampira: Foi decepção demais para eu explodir de raiva.

Tempestade: Você me perdoa?

Vampira: Claro.

Tempestade: Ele estava brincando, Vampira. Você o conhece... Até disse que te amava e que pensava em você todos os dias.

Vampira: Gambit acha que amar é só dizer que ama e sentir o amor por dentro. Ele ainda não percebeu que amar também é ação. Agir como alguém que ama; beijar você não é agir da melhor forma. Mesmo que o beijo fosse só uma brincadeira pra ele.

Tempestade ainda pede que Vampira o perdoe, antes de sair do quarto. Ela iria fechar a porta, mas ouviu Vampira dizer que a queria aberta. Gambit entendeu e entrou. Ficou sozinho com ela, sem saber o que dizer.

Gambit: Pardonnez moi.

Vampira: Quantas vezes vou ter que ouvir isso?

Gambit: Nunca mais.

Vampira: E “nunca mais”, quantas vezes também vou ter que ouvir?

Gambit: Eu não tenho desculpas a dar, nem explicações. Agi como um idiota, é isso. E agora estou pagando por isso.

Vampira: Está sofrendo?

Gambit: Claro.

Vampira: Se isso te faz sofrer, por que você repete e repete e repete?

Gambit: Não tenho o que responder...

Vampira: O que você mais queria agora?

Gambit: Voltar no tempo e não ter feito nada daquilo.

 Vampira vai na escrivaninha e pega a pulseira, coloca no pulso e diz “vem cá”. Gambit chega perto dela, Vampira podia encostá-lo. Ela deu um tapa na cara dele e chorou, Gambit fechou os olhos... Tão fraca com a pulseira, não doeu nada... Só doeu internamente, saber que ela colocou a pulseira justamente para não machucá-lo de verdade... Não teria coragem. Ela deu socos de punhos fechados e deitados no peito dele, o empurrou ( ele nem saiu do lugar), deu outro tapa ( e ele nem saia do lugar ou abria os olhos); por fim, Gambit a abraçou. Ela continuou, mesmo abraçada, a dar socos nas costas dele. Depois de muito bater, ela parou com lágrimas nos olhos.

Gambit: Pardonnez moi, chere.

Vampira o abraçou forte, como se quisesse se esconder naquele corpo grande e forte. Gambit a colocou no colo e sentou com ela na poltrona do sofá. Ele a abraçava no colo como uma criança abraça um ursinho de pelúcia querido.

Gambit: Posso ficar aqui no quarto? Com você no colo?

Vampira: Pode.

Gambit: Merci. Je t´aime.

Vampira: Te amo, também.

Gambit: Estou muito envergonhado.

Vampira: Shiiii. Já esqueci.

Gambit: Eu não.

Vampira: Tudo bem, melhor assim que você não repete o ato.  


As torturas com cabos de vassoura, ou mangueiras ou cassetetes que batem em sua pele são as primeiras dores ao chegar naquele presídio de mutantes subversivos. A dor profunda seria o choque elétrico, mas a maior humilhação, o símbolo da derrota e do ultraje, é tirar a roupa.  

_ Vai tirando a roupa.

A amiga de apartamento de Vanda já estava de calcinha e sutiã, o rapaz agachado estava completamente nu. Um dos guardas agarra-se a camisa de Vanda e também puxa sua saia. A reação dela foi gritar:

Vanda: Tira a mão de mim! Eu mesma tiro!!!

Na crença que se defendia dos abusos do guarda, Vanda obedeceu e se despiu, não chegou a tirar a calcinha ou o sutiã; mas de fato estava sem roupa, como o guarda queria. Ela se dobrou a vontade do guarda, na ilusão inconsciente de corrompê-lo e atenuar a tortura seguinte. O guarda voa em cima de Vanda para tirar-lhe a calcinha e o sutiã que ainda restavam, a amiga de apartamento se desespera. Vanda tenta ficar calma e argumentar.

Vanda: Você faria isso com sua irmã, com sua mulher ou sua mãe?

Um tapa na cara foi a resposta que teve, jogada no chão, e tendo suas últimas peças de roupa arrancadas, o guarde abre-lhe as pernas e introduz o fio de cobre na vagina. Dá uma descarga elétrica que faz Vanda conhecer o inferno, seus olhos brancos viram a sala escurecer... Ao invés de ser o requinte cruel e final da tortura, o guarda usou o choque na vagina como boas vindas a ela. A amiga de apartamento se desespera e é arrastada por outro guarda para outra sala. O rapaz nu, agachado no chão, já havia sofrido de tudo que Vanda ainda iria sofrer. O choque elétrico não é aplicado no prisioneiro para matá-lo, mas para triturar o prisioneiro, reduzi-lo a nada, reduzi-lo a impotência e inferioridade absoluta. Vanda, ainda se recuperando do que sofreu, escuta em outra sala, a amiga de quarto ser torturada. Gritos de homens e mulheres varando seu ouvido, como se o inferno falasse. Ramisfield entrou na sala.

Ramisfield: Então, Magda? Tem sido bem tratada? Nós precisamos conversar... Preciso conhecer um pouco mais sobre sua vida e seus amigos.

Continua Aqui

 

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