Infância Mutante - Oitava Parte!


Uma fada voava baixo atravessando o Atlântico Norte, fazendo a rota Nova York – Paris, na mesma velocidade supersônica que os antigos Concordes costumavam fazer para os multimilionários na mesmíssima rota. Tempo de voo era, então, somente inacreditáveis 3 horas! Vampira avistou um aglomerado de luzes e brilhos, era Paris iluminada. Gambit, agarrado a ela, apontou para uma praça redonda de onde se irradiavam 12 ruas, era o Champs Etoile (a conformação das ruas que nasciam na praça parecia mesmo um estrela). E bem no meio da praça, o Arco do Triúnfo, que Napoleão mandou construir. A fada aterrisou ali mesmo, no topo de um prédio para que a população não os vissem. O rei Sol Luis XIV pôde finalmente soltar-se dela sem medo de cair. Rachel chorava muito, de ficar com o rostinho todo vermelho.

Gambit: Chere! Paris, mon amour! Vous êtes dans Paris, chere!

Vampira: Chega de tanta empolgação, Gambit! Quem se importa com Paris, não tá vendo que a garota tá chorando horrores?!

Gambit: Ali, bem no meio, é o Arco do Triúnfo! Essa enorme e larga rua é a famosa Champs Elysée!

Vampira: Gambit!

Gambit: Bom... Bebês choram... Eu só estava mostrando os pontos turísticos, já que estamos aqui no alto.

Vampira: Bebês choram, mas essa daqui nos destrói a mente quando fica desesperada! Você está aguentando ela extravasando esse medo e desconforto para gente?

Gambit: Mon amour, eu estou passando por isso há 3 horas! Já estou me acostumando...

Vampira: Rachel tem motivos claros pra chorar. Tiramos ela da mãe!

Gambit: A mãe nos deu.

Vampira: Ela voou em velocidade supersônica por três horas no escuro e frio da noite. Eu até voei bem baixo por causa do frio absurdo, mas as mãozinhas dela devem estar congelando!

Gambit: Devem?

Vampira: Só podem, né?! Encosta você pra saber! ... Sabe que eu não posso!

Gambit: Mon Dieu! Rachel está morrendo de frio!!!

Gambit pega o bebê de Vampira e aperta contra seu colo, tentando cobrir ela todinha.

Vampira: Além de termos voado por horas no vento frio, Paris é tão terrivelmente fria como Nova York! Mas com um agravante! Não temos Tempestade aqui para fazer a temperatura dos jardins e piscinas ficarem agradáveis e com arco íris, enquanto neva no outro quarteirão!

Gambit: Tudo bem. Vamos a Galeria Lafayette e depois...

Vampira: Galeria Lafayette? Você acha que eu não sei o que é isso?! Que eu não vejo programas de moda e catálogos de cosméticos?! Rachel não pára de chorar e você quer aproveitar a noite parisiense!

Gambit: Relaxa, mon amour! Paris é uma festa e lá nos vamos comprar tudo que precisamos.

Desceram pela escada de incêndio do prédio de arquitetura oitocentista, pegaram um metrô na Champs Elysée enquanto eram observados pelos pedestres que sorriam ao vê-los fantasiados. Quando Vampira entrou na galeria Lafayette, suspirou e exclamou com a beleza interna do prédio.

Vampira: Uallll! Emma Frost ia se sentir em casa por aqui...

Gambit: Não disse que conhecia de catálogo, chere?

Vampira: Bem, na foto não era tão impressionante!

Compraram roupas para vestirem na mesma hora e nos dias que viriam. Gambit aproveitou o cartão do Instituto Westchester para comprar as melhores marcas, fez questão de adquirir um sobretudo novo; Vampira também se aproveitou para comprar perfumes e vestidos. Rachel se sentia mais quentinha com o aquecimento da loja, mas ainda estava choramingando com beicinho triste. Quando saíram da loja em direção a rua, a menina chorou por causa do frio, dos carros, das luzes; quando morava com os x-men, quase nunca saía de casa. Mas logo entraram numa loja de departamentos mais diversificada para comprarem produtos de bebê. Rachel acalmou-se de novo com o quentinho e os brinquedos coloridos, ela dizia "uhgn", "guh". Quando saíram de novo a rua, estavam carregados de sacola e mais um bebê de colo! Não que os dois não tivessem força, de maneira alguma, é que não tinham mais jeito com as mãos para carregar tudo aquilo. As fraldas eram a pior parte, os brinquedos também.

Vampira: Gambit, onde que eu vou carregar essa menina? Na cabeça?

Gambit: Eu também estou carregado, chere!

Vampira: Ela já está quase escorregando pelos meus braços! Precisamos de um taxi que nos leve a algum lugar. Um hotel, uma casa de algum conhecido seu, sei lá! Algum lugar, nem que seja debaixo da ponte!

Gambit: As pontes aqui ficam em cima do rio Senna. Esqueça essa possibilidade, mon couer! Ah! Couer! Eu sei um lugar!

Vampira: Onde???

Gambit: Montmartre! Bairro boêmio, de pintores, restaurantes aconchegantes, ruelas antigas e estreitas. Pertinho da Sacre Couer!

Vampira: Sacre Couer, a tal igreja no monte?

Gambit: Oui, chere!

Vampira: E que lugar mirabolante é esse que vamos ficar?

Gambit: Um velho apartamento de um conhecido meu.

Vampira: E você tem a chave, gatinho?

Gambit: E eu preciso de chaves, ma petite?!

Já tinham andado alguns quarteirões, iam chamar um taxi que os levasse até o apartamento.

Vampira: Olha! O que é aquilo? Um templo romano?!

Gambit: Parece, mas é uma igreja. La Madeleine. Essa é uma igreja interessante e é quentinha por dentro.

Vampira: Ótimo, vamos entrar antes que a pobrezinha congele.

Os dois entraram, e se impressionaram com o lugar. Gambit sempre se impressionava com Paris, não interessava quantas vezes já tivesse visitado. Jogaram todas as tralhas e bolsas nos bancos da igreja e foram caminhando até o altar, Gambit ia explicando tudo a Vampira.

Gambit: Essa igreja começou a ser construída antes da Revolução, mas só terminou de fato já no período da monarquia restaurada. Napoleão queria fazer um templo romano clássico que glorificasse suas vitórias e soldados, mas quando começou a perder batalhas, voltou a idéia de fazer uma igreja.

Vampira: Que engraçado! Achou que deus ia ajudar...

Gambit: Pois é, mon amour. Mas como você pode ver, o estilo clássico de templo romano é toda a arquitetura do prédio. Tanto as colunas romanas lá fora, como aqui por dentro. Isso foi mantido mesmo depois da queda de Napoleão, quando a obra foi terminada pela monarquia restaurada. A igreja é dedicada a Maria Madalena. Foi um escândalo, na época nem todas a consideravam santa! O Vaticano implicou muito com a igreja. Como você pode ver, no altar, ao invés de Jesus: Maria Madalena!

Vampira: E esses anjos lindos em volta dela! Não são anjinhos gordinhos, são anjos adultos, fortes, grandes! Me lembram o Warren!

Gambit: Oui. Imponentes, anjos de força que ascendem Madalena ao céu! Me parece que a força da Revolução está muito presente na força da arquitetura e das esculturas dessa igreja, non? Ah! E... Como você pode ver, chere... Madalena está grávida.

Vampira: Ih! Caraca! É mesmo... Bem, bem...

Gambit: Não é pouco grávida.

Vampira: É mesmo, é bem grávida. E grávida de quem?

Gambit: Pois é! – Gambit sorri.

Vampira: Que barato!

Gambit: Eu disse. Paris é uma festa! Vamos pegar logo o taxi, ma chere.


Enquanto isso, na mansão X, o clima era triste e pesado. Sinistro não conseguiu sequestrar Rachel, mas em compensação, Jean e Scott tiveram que se afastar dela, para desviar um pouco a atenção dele. E Sinistro, além de ferido (o que logo seria cicatrizado por seu poder de regeneração), estava nutrindo um ódio doentio por Gambit. Justo Gambit, que ele achava que dominava por saber demais por seu passado, foi quem levou Rachel para longe com Vampira. Sinistro estava considerando a atitude de Gambit uma traição. Jean e Scott estavam no quarto, ela tomava banho e colocava nova roupa para ver se acalmava-se, Scott fazia o mesmo. Os demais X-Men estavam na sala. 

Tempestade: Que coisa horrível! Jean e Scott devem estar arrasados, vão precisar muito de nosso apoio e ajuda.

Emma revira os olhos com nojo da frase da Deusa dos ventos, senta no sofá e solta o ar com força, como quem estava cansada da batalha e agora aproveitava o silêncio das pessoas tristes.

Fera: Embora Jean seja a mãe, a que mais sofreria com essa situação, não devemos esquecer que se trata de uma telepata. Não só poder ler como controlar nossas mentes. Se ela tiver força para lutar contra a própria dor, pode se auto-anestesiar, não cair em depressão. Já Scott...

Emma: Tadinho, deve estar sofrendo muito por causa da idéia insana daquela louca!

Jubileu e Sam se entreolharam, Bobby arregalou os olhos, Fera e Tempestade deixaram o queixo cair: um sentimento de piedade e dó saiu do coração daquela fria mulher, era um milagre!

Bobby: Nossa! Vai chover, Tempestade?

Tempestade: Acho que vai...

Emma: Mas quem aqui não está feliz com o fato de cada escândalo que aquela garota dá, não extravasar mais na gente aqueles sentimentos infantis de medo, desespero, fome, frio e tudo mais?!

Jubileu: Bruxa!

Emma: Pirralha inútil, estorvo, patética, infeliz! ... Você me acha ruim, mas eu lutei contra Sinistro e a favor da chorona! Eu durmo tranquila no meu travesseiro, linda e maravilhosa! Só estou dizendo que cuidar daquele bebê devia ser um horror! É sofrer mais do que o normal. Bem feito para Gambit, deve estar sendo engraçado!

Tempestade: Engano seu, Emma. Jean me dizia que da mesma forma que Rachel extravasava os sentimentos ruins, ela extravasava a alegria. Estar ao lado daquela menina, que estava rindo sempre, era maravilhoso! Invadia nossa mente com risos e nos deixava feliz!

Fera: É um surpreendente mecanismo de sobrevivência! Não há quem não realize seus desejos, já que serão afetados por suas angústias e felicidades.

Sam: Ela logo deve ter que controlar isso, é um pouco egoísta.

Jubileu: É um bebê, é involuntário!

Sam: Mas quando ela estiver maiorzinha, né?!


Enquanto isso, no quarto do casal Summers, o clima era ainda mais pesado e desesperador. Jean sofria muito com a falta dela e, incrivelmente, ainda estava sofrendo com a falta que a filha tem dela!

Scott: Jean, você está bem?

Jean: Scott, me perdoe.

Scott: Que isso?! Eu entendo muito bem o motivo para você ter feito o que fez.

Jean: Mas ela nossa e não só minha. Eu devia ter perguntado sua opinião.

Scott: Não tínhamos tempo. Vamos sofrer, mas se tivéssemos feito ao contrário, sofreríamos muito mais.

Jean: Não quero nem imaginar!

Scott: Será que Gambit e Vampira estão tratando ela bem, meu Deus?!

Jean: Devem estar, claro! devem estar fazendo o possível e o impossível, mas eu sinto ainda a dor de Rachel aqui dentro de mim!

Scott: Mas como? Ninguém mais sente!

Jean: Eu ainda sinto. E é terrível, porque eu não só imagino que ela esteja sofrendo com a nossa falta, como eu tenho a comprovação exata na minha mente e sofro fisicamente com isso. Mal consigo ficar em pé. Me abraça, Scott.

Scott: O que eu posso fazer para você melhorar, amor?

Jean: Para o bem de Rachel e para o meu bem, é bom que Gambit e Vampira consigam acalmar e fazer elazinha sentir-se protegida e amada.

Scott: E para o bem deles também! Ficar ao lado dela é como fazer regressão, voltamos a sentir as mesmas coisas de quando éramos desprotegidos bebês! Emoções fortes!


Em Paris...

Gambit: Gostou do seu novo lar parisiense, mon amour?!

Vampira: É legalzinho, aconchegante, bom que tenha mobília! Pena que esteja tão sujo. O dono não vai voltar não, né?!

Gambit: Non... O dono tem outra residência agora, sete palmos abaixo da terra, ma chere!

Vampira: Cruzes, Gambit! E você ainda ri!

Gambit: Paris também tem suas gangues e seus ladrões. Ela não era dos melhores, como eu! Acabou na pior, mas também não era flor que se cheire!

Vampira foi ajeitando as coisinhas de Rachel e enchendo a banheira da suíte com água quente, ia pedir a Gambit que desse um banho na menina. Enquanto a água enchia, ela ia arrumando as novas roupinhas da menina numa gavetinha especial para ela, colocando os brinquedos e ursinhos próximos ao sofázinho que ela dormiria enquanto ainda não tivesse um berço. Vampira estava visivelmente triste e abatida. 

Gambit: Que foi, mon amour? Não está contente com Paris?

Vampira: Não foi a viagem que eu pedi a Deus, nem a situação... Mas não é isso não. Achei a cidade linda de morrer!

Gambit: Sabia! Ah, Paris, Paris...

Vampira: Você vai dar banho nela, sabe que eu não posso. Escuta, Gambit! Vê se cresce, hein?! Rachel vai precisar muito de você.

Gambit: Só de mim???

Vampira: Praticamente. - Vampira senta triste no sofá. Ela sabia que o bebê precisaria de carinhos, mas ela não poderia encostar na pele da menina. - Gambit, meu filho morreu por minha culpa. Eu não vou correr o risco de matar a filha da Jean.

Gambit: Non, ma chere... - Gambit se agacha para ficar mais pertinho dela e segurar sua mão enluvada.

Vampira: Naquela correria você acha que eu trouxe a bendita da pulseira?! Não! ... A lindinha vai precisar muito de você, Remy. Rachel sofre demais e eu nem posso encostar nela. Nós duas vamos sofrer muito, Gambit.

Gambit: E você acha que Remy Lebeau ia deixar isso acontecer??? - Gambit tira do bolso da roupa de Luis XIV largada numa cadeira a pulseira de vampira! Ela abre um sorriso imenso!

Vampira: Nossa, Gambit! Ai, gatinho, eu não acredito!

Gambit: Acredite! Gambit é sempre surpreendente, mon amour!

Vampira coloca a pulseira e agarra ele, fazendo-o cair no chão. Vampira beija ele todinho, os dois ficam rindo no chão, Rachel (de barriguinha para baixo na cama deles, peladinha esperando pelo banho) mexe as perninhas de alegria e ri também. Vampira levanta e pega ela no colo com muito carinho, beija Rachel também e promete cuidar dela com muito amor. Que ela não precisa mais extravasar aquelas coisas horríveis em cima dos outros.

Vampira: Pode ficar tranquila, gatinha fofa! Eu e o Remy vamos deixar você o mais feliz possível, na medida do possível. Eu sei que Jean vai fazer falta, mas nós dois vamos nos esforçar.

Gambit: Oui!

Vampira: E se Gambit fizer alguma das malandragens dele, nós duas jogamos nossos poderes mutantes em cima dele!  

Gambit: Ha ha ha ha ha!

Gambit e Vampira resolvem dar banho na menina juntos, acabaram encharcados. Deram mamadeira com leite de soja para a menina e a colocaram para dormir. Em volta do sofá, encheram o chão de travesseiros caso ela viesse a cair. Resolveram os dois irem tomar banho juntos naquela mesma banheira. Com medo de que a menina tivesse feito xixi na água, eles esvaziaram e encheram de novo. Ficaram ali dentro, nas espumas, abraçados e felizes. Parece que as brigas tinham ganhado um período de trégua.  

Vampira: Gambit, nós precisamos parar com nossas besteiras. Quer dizer, com as suas! Rachel precisa de nossa união.

Gambit: Eu sei, ma chere. Eu sei.


Continua Aqui!

Hosted by www.Geocities.ws

1