Infância Mutante - Vigésima Sexta Parte
Amanhece uma fria luz de Dezembro. O sol belo, porém fraco, ilumina os quartos dos mutantes que dormem no hotel a beira do lago. As árvores já perdem as folhas, o vento é úmido e cortante, as águas afugentavam banhistas e a temperatura era bem baixa. Só faltava uma única coisa: neve. Eles demoraram a sair da cama, muito pela madrugada avançada em que foram dormir, ou pela exaustão de terem estado dentro daquela prisão de mutantes. Magneto foi o primeiro a acordar, apesar da idade, não ficou moído de dormir no sofá do andar de baixo do chalé enquanto Tempestade dormia na cama. Ele abriu um pouco a porta do chalé para ver o gramado e tremeu de frio com o ar que veio lá de fora. Subiu as escadas e viu Ororo dormindo. Foi colocar mais roupas de baixo de sua roupa. Ainda não podia usar o uniforme vermelho, ia ser um pouco suspeito de ser ou um carnavalesco ou um mutante andando pelo hotel. Tempestade acordou com a movimentação dele.
Tempestade: Hein?! - Estava meio grogue de sono. Mas logo cobriu-se com o edredom até quase a cabeça.
Magneto: Bom dia, Ororo Munroe.
Tempestade: O combinado foi que você dormisse no sofá do andar de baixo.
Magneto: São quase 10 da manhã e seus amigos estão naquela prisão de mutantes. Estou aqui em cima porque já acordei ha algum tempo.
Tempestade: E por que não saiu para tomar café e juntar os outros para a reunião?
Magneto: Ontem de noite estava fazendo uns 15 graus Celsius. Não me surpreenderia que estivesse fazendo 10 graus ou 8 Celsius aí fora, gelei quando abri a porta. Vim colocar mais roupa. Posso ou o quarto é só seu, senhora Munroe?
Tempestade: Hum. - Não mudou muito sua cara de indiferença. - Claro que pode, Erik. - Depois fez um olhar de preocupação, Magneto percebeu aquele olhar enquanto colocava um sobretudo.
Magneto: O que te perturbas?
Tempestade: Que aqueles animais colocaram todos os mutantes nus, em um frio de 20 graus, ontem de 15, agora de 10 ou menos... Dezembro na costa nordeste dos Estados Unidos só não é pior do que o Janeiro! Estamos ainda mais ao norte do que Manhattan! Eles vão morrer de frio! ... Talvez faça 5 graus hoje de noite.
Magneto: Talvez menos.
Tempestade: E se nevar? O que vai ser deles?
Magneto: ...
Tempestade: Vou fazer o possível para melhorar o tempo nessa
região, mas não garanto nada.
Ororo levantou da cama vestindo uma longa camisola de flanela com desenhos de árvores, comprada na loja do hotel, daquelas que ela nunca mais vestiria. Mas roupa estava sendo um problema sério para aquele grupo de mutantes fora de casa. Um problema pior ainda para aqueles que estvam presos na fábrica.
Tempestade abriu a janela do quarto e gelou de frio. Fechou os olhos e sentiu o cheiro do inverno, os sons das árvores quase sem folhas, as energias das águas congelantes, o vento lamuriento do inverno. Quando voltou a abrir os olhos, eles estavam brancos! Seus cabelos voavam revoltos pelo vento que inundava o quarto.
Tempestade: Cada estação tem seu tempo. Não é natural nem certo lutar contra isso, mas eu peço que mude!
E algo que, aparentemente, é invisível, estava acontecendo no ar. As águas do rio se movimentavam de outra forma, as folhas das árvores no chão faziam rodamoinhos, o vento mudava de direção. E aqueles 8 graus celsius rapidamente transformaram-se em 16 graus. Nuvens saíram e o sol brilhou um pouco mais forte. Passarinhos ficaram confusos. Ela fechou os olhos novamente e quando voltou a abri-los, estavam azuis. Virou-se para Magneto no quarto.
Tempestade: Sei que não é grande mudança, principalmente para pessoas que estão sem roupas, mas é o melhor que posso fazer. Não posso agredir a natureza. Não posso modificar o clima e causar cataclismas em outras partes do mundo.
Magneto: Acredite, é uma grande mudança. Eles ainda estão com frio, mas você lhes deu uma grande ajuda calorosa. - Disse isso enquanto tirava o sobretudo do corpo.
Bateram na porta do andar de baixo. Os dois desceram para abrir, eram Vampira e Gambit com várias caixas cheias de coisas para comer; mais Wolverine e Jean. A telepata não estava com a cara muito boa, muito menos Wolverine.
Tempestade: Ah, mas que surpresa! E eu de camisola!
Vampira: Por sinal, horrível.
Tempestade: Eu sei. - Ela não sabia se ria ou se ficava triste. Era verdade, mas aquilo incomodava. - Vou trocar de roupa.
Vampira: Liga não, todas as roupas desse lugar são horríveis. Mas é melhor assim do que sem nada, acredite! - Dizia enquanto arrumava as coisas em cima da mesa de jantar do chalé. Eram croissants, queijo, presunto, potinho com manteiga, panqueca com calda de morango, leite e pote com chocolate em pó. Gambit ajudava na arrumação, enquanto Wolverine sentou emburrado no sofá que Magneto dormiu. Fungou um pouco o ar e resolveu levantar, ele detestava Magneto, até mesmo o cheiro; que só ele sentia. Jean sentou depois que ele levantou.
Gambit: Se Ororo quiser ficar de camisola, Gambit não se opõem. Muito pelo contrário, até apóia.
Tempestade, que trocava de roupa no segundo andar, ouviu tudo. E gritou lá de longe.
Tempestade: Vampira está mesmo do seu lado, Gambit?!
Vampira: Pois, é! Deixa esse espertinho comigo! - Disse com biquinho de zangada. Gambit achou aquilo lindo.
Não perdeu tempo e abraçou-a por trás,
dizendo mil coisas fofas e charmosas. Dizendo que só estava brincando com
Tempestade.
Vampira: Não, Remy. - Ela tirou os braços de Gambit da sua cintura com força. E afastou-se rápido. - Você sabe que não é mais para chegar... ... perto de mim.
Gambit: ... Oui. ...
Um silêncio geral na sala. Inclusive de Tempestade que já estava no último degrau da escada de madeira. Todos ficaram tristes e sem jeito com a cena que viram. Desacostumaram-se a ver aquela velha Vampira. Que por força maior, tinha que voltar a existir e afastar todos de perto dela.
Gambit: ... Pardon.
Vampira fechou os olhos, com aquelas lindas sobrancelhas que faziam um desenhos triste no rosto e voltou a arrumar a mesa enquanto tentava mudar de assunto para ver se não chorava.
Vampira: Cara... O tempo mudou aí fora. Muito estranho. Estava super frio e de repente ficou friozinho apenas.
Tempestade: Eu aumentei a temperatura, mas receio que não vá ser de grande ajuda aos presos.
Já estavam todos sentados à mesa, cada um comendo o que mais gostava. Jean era uma das que tinha o rosto mais depressivo. Logan, com cara emburrada, empurrava para Jean o que ele sabia que ela gostava. Jean nem levantava os olhos para ele, mas aceitava as comida com um movimentar de cabeça que agradecia.
Gambit: É por isso que é pra sair dessa panqueca com calda para aquele maldito lugar!
Magneto: Não sem planos, francês.
Gambit: Eu te perguntei alguma coisa, mon "ami"?!
Se Jean não olhava para Wolverine, em compensação, Magneto não tirava os olhos de Vampira. Quando ela finalmente olhou diretamente pra ele, para saber o que ele tanto olhava, Magneto estendeu o braço sobre a mesa e segurou a mão dela com leve pressão.
Magneto: Tudo bem com você?
Vampira percebeu que ele se referia a tudo o que ela havia passado naquela prisão. Magneto não sabia de nada, mas tinha conhecimento de todos os horrores que prisões por motivo eugenista e de limpeza étnica faziam. Perdeu seus pais na fúria nazista e por pouco não morreu também. Que interessava se ela tinha apanhado, sofrido tortura psicológica, passado fome e vergonha, frio e medo, se tinha sido estuprada ou molestada, ou se tinha quase morrido?! Exatamente o que ocorreu, ele nem queria saber! Magneto tinha horror àquilo tudo! Só queria saber se ela estava bem.
Gambit jogou o garfo do outro lado da mesa, deixando-o cair no chão. Bateu forte com as mãos na mesa. Antes que pudesse dizer alguma coisa, Magneto o interrompeu.
Magneto: E com vocês dois, Gambit e Jean Grey? Estão bem? - Magneto ainda segurava a mão de Vampira.
Gambit: Não seja educado comigo. Não faz seu feitio, e comigo parece até zoação! Você sabe que eu não suporto você perto dela.
Magneto soltou a mão de Vampira e sorriu para ela. Voltou a comer alguma coisa.
Magneto: Mas está tudo bem com vocês?
Gambit: Não,
não está. Chere não está bem, não queira saber o que aconteceu com ela. Pense
nas chagas que eu tenho que abrir ao lembrar por tudo o que passou a mulher que
eu amo! - Gambit deu um soco na mesa -
E eu não pude fazer nada! - O cajun estava
transtornado. - Portanto, não encosta na minha mulher! Não encosta
porque eu já fui obrigado a suportar demais na última noite!
Vampira, que usava luvas, colocou a mão em cima da de Gambit. Jean teve pena daquela dor.
Jean: Calma, Remy...
Gambit: O que eu próprio passei na pele é duro, mas é mais fácil de acalmar. Mas eu também não estou bem. Jean não está bem. Nem sei ao certo o que fizeram com ela, mas não deve ter sido nada bom.
Jean: Não, não foi mesmo... Mas vamos ter calma e tentar não pensar nisso, já que outros tantos continuam dentro daquele inferno.
Magneto: Foi o que eu imaginei. ... Que vocês não estariam curados desse trauma nem com uma noite de sono, nem com muitas outras. Mas isso vai ser bom para nossa ação.
Tempestade: Por que?
Magneto: Ódio. Sede de vingança. Muito sentimento de injustiça retido nas veias.
Wolverine: Podes crê! Vou acabar com cada palhaço que der com as fuças na minha frente!
Jean contou a todos que tinha visto, por intermédio de seus poderes, Fera ser baleado! A comoção na mesa foi geral, mesmo por parte de Tempestade que já tinha ouvido a história pela boca de Wolverine. Ela confirmou o que ouvira, não era apenas um pesadelo. Jean também contou que todos os mutantes foram transferidos para a antiga fábrica, bem próxima ao hotel.
Magneto: Então, com Fera não podemos mais contar... Ainda deve haver nessa fábrica muitos metais que eu possa controlar. Parafusos de portas, talvez correntes.
Jean: Algemas!
Vampira: Ficamos de braços livres a maior parte do tempo.
Jean: Talvez eles não estejam...
Magneto: Grades das janelas... A fábrica é antiga, devem ser de ferro!
Jean: Vou usar toda a minha telecinésia para fazer um escudo protetor, enquanto tento desestabilizar a mente dos guardas com minha telepatia.
Wolverine: Eu entro e enfio as garras nos guardas e nos x-men!
Tempestade: Nos x-men????
Wolverine: Para arrancar o maldito chip!
Vampira: Eu vou contigo e faço seu escudo protetor!
Gambit: Como, se você não é nem Jean Grey, nem Erik Lensheer?
Vampira: Com socos! Se aparecer um do lado de Wolverine, leva!
Gambit: É arriscado... Você pode ser alvejada de chips inibidores facilmente, chere. Ou de balas, o que é ainda pior.
Wolverine: Bom seria se Vampira conseguisse sugar parte do magnetismo do idoso aqui! Ela própria faria um escudo por certo tempo.
Magneto: Ela não consegue me sugar.
Wolverine: Não consegue porque você é sacana pra caraca! Tu se protege e só aproveita!
Tempestade: Wol-ve-ri-ne... - Ororo tentava lembrar a Logan que Gambit estava do lado dele e nem um pouco amigável.
Wolverine: Não faça a proteção do fino escudo magnético. - Ele riu - Faz igual ao Gambit. SSe larga nos braços dela e deixa Deus ou o Diabo mostrar o que ele tem guardado pra você.
Magneto: Não
é má idéia. - Tinha um sorriso de Joseph que Jean
conseguiu ver sob aquele rosto por tantos anos odiado.
Vampira não gostava de ouvir os outros decidirem a sua vida.
Vampira: Olha aqui, eu decido o que vou fazer!
Wolverine: Bom, entrar naquele antro desprotegida é que não pode.
Vampira: A primeira coisa que eu deveria fazer é buscar roupas para os x-men que vão sair de lá.
Tempestade: Isso não é o mais imprescindível, Vampira.
Vampira: Gente, eu tava com muito frio naquele lugar horroroso! Já que temos que agir logo, eles vão precisar de roupas logo! Eu e Gambit podemos voltar na mansão para pegar algumas.
Gambit ouviu aquilo e achou incrivelmente melhor do que ver Vampira sugando Magneto.
Gambit: Excelente! Merveilleux! Vamos logo, chere!
Gambit fez com que Vampira largasse a caneca com leite e já foi puxando-a para fora do chalé. Os demais nem imaginavam como aqueles dois chegariam na mansão e voltariam tão rápido. Na certa, Vampira iria voando! O silêncio se fez naquela mesa de café. Os quatro restantes ficaram imaginando como agiriam enquanto apertavam as mãos, ou uma faca, ou qualquer outra coisa que evidenciasse nervoso.
Jean: Eu esperei os dois saírem para falar sobre um assunto.
Wolverine: Qual, ruiva?
Jean: Minha filha Rachel. Não posso só pensar nos mutantes presos aqui na fábrica. Tenho que saber o estão fazendo com minha filha.
Magneto: Você quer deixá-los esperando naquele inferno para antes encontrar sua filha?
Jean: Ela também está esperando em outro inferno! E é completamente desprotegida, ainda mais com um chip dentro dela!
Magneto: A missão sem você perde muito!
Jean: Não vou ouvir conselhos seus, péssimo pai!
Magneto: Faça como quiser.
Enquanto isso, a situação dentro da fábrica não era fácil. Todos os mutantes, sem exceção, estavam com frio. Os x-men ficavam o mais próximo que conseguiam. Às vezes se abraçavam para afugentar o frio, ou o medo, ou a desesperança.
Jubileu: Meu Deus! Não dá para acreditar que Fera tenha sido baleado... Ele não pode morrer. Não pode morrer.
Sam: Calma, Jubileu, ele não vai.
Jubileu nem pensou em boas maneiras ou na distância que Sam estava mantendo dela na mansão, foi direto para os braços dele. Sam abraçou-a, ali, estavam todos próximos. Todos muito unidos.
Warren deitou no chão. Estava muito machucado da briga que teve com os guardas para defender Fera. Scott e Bobby também estavam muito machucados. O Anjo queria dormir no chão frio daquela fábrica, porque a madrugada inteira ele ficou pensando em Fera e remoendo o ódio.
Warren era milionário, talvez bilionário. Mesmo assim, estava ali naquela situação deplorável, só porque era mutante. E mesmo que fosse o mais pobre dos homens, aquilo não se faz nem a um cachorro! Pois o preconceito e a vontade de eliminar os mutantes era tão grande, que nem mesmo o dinheiro de Warren livrou-o daquilo. Se até mesmo Bill Gates fosse mutante, estaria ali. Warren já não sentia mais frio, nem se via mais como um anjo nu. Estava em algum lugar que o deixava contente, o clima era agradável e ele estava feliz. Viu ao longe uma figura de que tinha enorme saudade! Era uma chinesa linda que andava calmamente em um jardim oriental. Warren não acreditou que estivesse vendo Psilocke! Ele correu para ela e pegou-a no colo!
Anjo: Betsy!
Psilocke: Oi, Warren.
Anjo: Que saudade sua! Eu morri e estou do seu lado? Ainda bem que eu morri... Já não suportava mais sua falta, menos ainda os sofrimentos daquela prisão. Já não sinto mais dor alguma.
Psilocke: Você não morreu, Warren. Está vivo.
Anjo: Mas como? E como te vejo? É tão real.
Psilocke: Usei seu sonho para vim te ver nesse momento tão horrível para você.
Anjo: Não é real?
Psilocke: Não.
Anjo: Pois eu não vou mais acordar.
Psilocke: Me solta, Warren. Por favor...
Anjo: Não. - Ele a apertava mais contra o colo.
Psilocke: Isso é apenas um sonho. Você precisa me libertar e se libertar também. Eu não existo mais...
Warren: ...
Psilocke: Sou sonhos e lembranças. Ame o passado, mas tenha um presente!
Warren voltou a sentir as dores dos machucados e feridas e acordou gritando, ao mesmo tempo que ouvia gritos de uma mulher em algum lugar. Abriu os olhos e levantou-se rápido para ver o que era. Pois era Edward Northon puxando uma mulher pelos cabelos. Parecia estar louco de raiva! A mulher era Angélica! A loira alada que estava na mesma cela de Warren anteriormente. Era puxada ora pelos cabelos, ora pelas asas, o que fazia cair penas pelo chão.
Edward: Vocês vão me pagar por isso! Eu não respondo mais por MIM!
Professor: Meus alunos, o que será que deu nele?
Scott: Não sei, professor.
Professor: Pela transfiguração do rosto, deve ter sido algo muito grave.
Edward: Vocês pensam que vão conseguir nos derrotar? Estão MUITO enganados! As coisas vão mudar aqui dentro! E é culpa de vocês! Traidores, cobras! Mutantes de merda! Vocês vão se ver comigo!
Edward Northon entrou numa sala reservada, sem nenhum material dentro porque suas coisas ainda não tinham sido trazidas, arrastando Angélica e chamando os soldados chefes do lugar.
Anjo: Meu Deus! Eles vão fazer tudo de novo com ela! - Warren esfregou a mão no rosto com um ttapa.
Jubileu: Eu não quero nem ouvir.- Ela colocou os dedos nos ouvidos e foi se esconder atrás do professor que estava o tempo inteiro sentando no chão.
Anjo: Essa moça vai querer morrer se sair viva daqui...
Professor: Vai mesmo.
Por incrível que pareça, nenhum barulho vinha da sala. Edward estava falando bem baixinho com os soldados chefes da fábrica.
Edward: Eu acabei de receber um telefonema e uma foto pelo fax!
Os soldados se entreolharam. Edward entregou a eles a foto do fax. Eles demoraram a entender o que era aquilo.
Edward: Isso é o senador Zack Abraan morto no banheiro de casa. E segundo o marechal Din, quem me ligou, Abraan está morto há mais de 24 horas.
Os soldados pularam num enorme susto.
Soldado1: Fantasma! - E fez o sinal da cruz.
Soldado2: Zack Abraan veio aqui nesta madrugada, quando o complexo foi destruído! O fantasma nos fez uma última visita!
Edward: Nos fez uma "visita" e me fez uma estranha pergunta. Se eu sabia o que estava sendo feito com as crianças mutantes.
Soldado1: O fantasma queria saber pelas crianças! Que nobre dele!
Edward: E poucas horas depois, já ao amanhecer, o "fantasma" foi ao abrigo das crianças e levou consigo uma menina em especial: Rachel Grey Summers!!!! Enquanto o fantasma fazia isso, Zack Abraan começava a feder no banheiro de casa!
Soldado: Mas o fantasma é Zack Abraan!
Edward: NÃO! Zack Abraan foi assassinado pelo homem que roubou a sua forma! Assim como a secretária dele, Bruna, também foi copiada por aquela mutante azul. Um mutante, talvez com ajuda de outros vários, não está preso. Não tem o chip inibidor. Assassinou o nosso principal homem dentro do governo, violou o abrigo das crianças e levou uma poderosa com ele! Em pouco tempo isso tudo aqui vai ruir! Não dá mais para ter paciência e piedade com esses mutantes! Muito menos seguir as leis demoradas do governo para acabar com eles!
Soldado: Você quer dizer com a esterilização forçada.
Edward: É. Esqueçam isso! Esqueçam porque esses vermes são poderosos demais! Eles vão vencer dessa forma! Temos que levar a cabo, e agora mesmo, o nosso plano B! Em menos de uma hora, eu quero a primeira leva! Nós vamos vingar a morte de Zack Abraan, que sonhava com um mundo melhor para seus filhos e netos!
Soldado: E com essa coisa de asas aqui, a gente faz o que?
Edward: O show da humilhação vai começar agora. Leve-a para o
meio do galpão e faça com que todos os guardas façam com ela e mesma coisa que
eu costumo ver no Discovery Channel.
Edward saiu chutando o ar de ódio enquanto os soldados levavam Angélica para o meio do galpão. Quatro guardas ficaram formando um amplo quadrado, que tinha ela como centro, e apontando suas armas para os mutantes em volta. Um quinto guarda aproximou-se dela e começou a apertá-la como se fosse feita para isso. Lambia e mordia todo o corpo dela, Angélica gritava e às vezes não tinha mais ar sequer para chorar.
Warren lembrou do que Psilocke lhe disse e visualizou bem o que queria dizer ame o passado, mas tenha um presente. Ele percebeu que no presente sentia algo de bom por aquela pobre criatura. Talvez fosse só compaixão, afinal só a conhecia há poucas horas. Mas mesmo que fosse alguém que odiasse, ou nada sentisse, vê-la sofrer daquela forma suplicante e ordinária era aviltante.
Warren pulou na direção do homem que estava com Angélica, mas os quatro guardas apontaram as armas para sua cabeça. Warren ajoelhou-se no chão e ouviu os gritos de "não, Warren" vindos de Jubileu, Scott, Professor e demais pessoas. Fechou os olhos e pensou se deveria parar como um covarde e vê-la ser humilhada e abusada daquela forma, como já havia sido diversas outras vezes. Ou se devia prosseguir, morrer com a cabeça baleada e não impedir que os animais continuassem a fazer o que faziam. Ele não impediria. Mas ao menos, ela veria que alguém fez alguma coisa por ela.
Já era tarde, o soldado já estava mais uma vez a entrar e sair das partes mais íntimas do corpo dela, daquela forma agressiva e curvada que os cachorros fazem com as cadelas. Seus seios não eram poupados, nem suas asas. Outros guardas vinham e arrancavam suas penas enquanto ela sofria no chão. Edward aproximou-se daqueles dois seres que cruzavam no chão, o soldado tampou a boca que gritava de Angélica, para que Edward pudesse falar. Mas não parou de fazer o que fazia.
Edward: Vocês são todos animais! Tão animais que ficam inertes! Sem fazer nada! Vocês não amam nem sua própria raça! Ninguém vai vir fazer nada? Todos tem medo? Como as baratas que fogem dos humanos correndo pelos esgotos! Vocês são animais! Olha a anjinha toda aberta aqui na frente de vocês, seus monstros, animais! Passivos!
Anjo: Nós é que somos os monstros???
Edward: Vem anjo! Vem defender a sua anja destruída pelos
guardas! Não! Você tem medo! Não quer morrer, covarde! Só tem coragem quando
estão com poderes idiotas! Covardes!
Até mesmo Charles Xavier chorou ao longe da cena. Warren de fato não queria morrer e saber que mesmo assim ela continuaria sofrendo. Voltou arrasado para perto dos x-men e de longe, como todos os outros mutantes, viu outros vários guardas fazerem o mesmo com Angélica. Outras mutantes também foram levadas para o centro e sofreram a mesma coisa. Pasmem, uma delas, todos conseguiram reconhecer mesmo ao longe: era Emma Frost. Talvez, Vampira tenha tido sorte. Para muitas ali dentro, Vampira teve foi sorte.
Enquanto isso, em outros lugares do galpão da fábrica, mutantes eram espancados ou humilhados. O cheiro das fezes e da urina deles já estava empestando o local, mas os soldados proibiam que eles saíssem dali para qualquer coisa, até mesmo usar o banheiro. Xavier sentia-se dentro de um navio negreiro. Via que muito em breve estaria dormindo por cima da própria urina, das fezes dos demais, dos vômitos dos doentes, por cima dos corpos podres dos mortos.
Professor: E tudo isso... por que? Por que?
Gambit foi andando para a estrada e encontrou um bar rústico a meio quilômetro do hotel. Vampira já imaginava o que ele iria fazer, foi seguindo-o. Chegando lá, Gambit deu uma de malandro sedutor e boa praça como ele sempre fazia. Uma leve cantada que derreteu a balconista, um "oi" para os grandões que bebiam cerveja já de manhã, e perguntou onde era o banheiro.
Balconista: E lá trás, nos fundos, gato. Tem que dar a volta por fora.
Ele saiu para dar a volta no bar. Vampira ficou encarando a balconista e depois foi atrás de Remy Lebeau. Encontrou-o energizando cartas e passando-as, enquanto brilhavam e eram encandecentes, na corrente que prendia uma das motos. Quando a carta ia explodir, ele a posicionava exatamente onde já tinha começado a arranhar e saia correndo.
Vampira: Louco! Eles vão ouvir o barulho!
Gambit ria, adorava fazer aquilo.
Gambit: Pardon, mon amour. Gambit não teve tempo de pedir sua opinião sobre a cor da moto. Escolhi essa daqui. Tudo bem para você?
Quando Gambit conseguiu soltar a corrente, sentou na moto e Vampira posicionou-se atrás dele, o brucutu dono dela apareceu com uma garrafa quebrada na mão ameaçando os dois.
Dono: E aí? Vão levar mesmo a minha moto?! Será que vai ter serventia no céu, babacas?!
Vampira odiava ter que intervir, afinal, Gambit estava roubando a moto! O dono tinha todo o direito de colocar os dois para correr. Mas se ela não fizesse nada, Gambit ia demorar mais tempo para se livrar do sujeito, e eles tinham pressa naquela manhã! Vampira levantou da moto.
Vampira: Moço, ainda bem que o senhor apareceu. Eu estou sendo sequestrada por esse maluco! Ele pensou em roubar um carro, mas só viu essas motos!
Dono: Quê?
Vampira abraçou o dono da moto, todo gordo e fedorento, e continuou dando seu show. Como se de fato, estivesse tentando se proteger de Gambit abraçando aquele sujeito.
Vampira: Nós precisamos ligar para a polícia.
Ele olhou para ela. Vampira não perdeu tempo, tirou uma das luvas e grudou a mão bem no rosto do bêbado. Os dois gritavam, tanto ele quanto ela. Gambit teve que puxá-la para soltá-lo, senão ele poderia morrer. Ainda em transe, Vampira foi colocada na moto por Gambit, que saiu em disparada! Já longe dali, ela foi voltando ao normal.
Gambit: Muito bem, petit! Ao menos você não beijou aquele nojento!
Vampira: Fala sério! Aquele cara era cruza de Cruz Credo com Deus me Livre!
Vampira estava completamente coberta com suas roupas de frio. Aproveitou para abraçar o corpo de Gambit que dirigia a moto. Ela fechou os olhos, suspirou e relaxou um pouco.
Vampira:
Espero que esse pesadelo duplo acabe logo, Remy.
Gambit: Duplo?
Vampira: Todos os mutantes presos é um deles. O outro, é eu não poder mais tocar você, nem ninguém...
Gambit: Nós dois estamos enfrentando duas barras, nes' t ce pa, cherre?! Estou tendo que digerir e suportar tudo o que ocorreu naquela prisão, e ainda suportar a distância que nos foi imposta novamente pelos seus poderes. ... Mas isso vai acabar logo, belle.
Vampira: Tomara, gatinho. Porque eu estou precisando de você para me reconfortar. E ainda vou precisar muito mais. A fixa ainda não caiu para muitas coisas que aconteceram ali dentro. Ainda não caiu.
Gambit: O jeito é a gente arrebentar logo com aquele lugar.
Gambit acelerou a moto absurdamente. Os cabelos de Vampira e os dele voavam para trás. Vampira apreciava a paisagem de inverno daquela região.
Gambit: Gambit já te leva até a mansão X, chere.
Mas ele sentiu uma estranha movimentação no banco atrás. Vampira tinha ficado em pé na moto e levantado vôo!
Gambit: Quê? Onde vai, belle?
Vampira: Para a mansão, Gambit. Voando eu chego lá bem antes que uma Ferrari, que dirá dessa moto. Não temos tempo a perder. Volta para o hotel, que não vai dar tempo nem de você conseguir me alcançar lá e voltar.
E ela sumiu no céu. Gambit freou bruscamente a moto.
Gambit: Ah, que mulher!
Enquanto isso, dentro da fábrica...
Os mutantes pararam de olhar fixamente para o chão e voltaram a levantar a cabeça. Isso porque os soldados largaram todas as mulheres no chão e voltaram a montar guarda nas portas. Angélica estava deitada no chão e não conseguia levantar. Mal conseguia mexer os braços ou a cabeça. Emma Frost, muito pelo contrário, levantou correndo, gritando de ódio e foi se esconder em algum lugar. As outras também demoraram muito até conseguirem sentar. Outras até levantaram e andaram, mas caíram de vertigem. Vertigem da humilhação, vertigem da injustiça, da dor. Vertigem de não acreditarem que aquilo estava mesmo acontecendo e ninguém podia fazer nada. Eram como animais que não tinham direito a serem defendidos por nenhuma lei. Não foram julgados e acusados de nada, e mesmo assim não tinham direito a nada que os libertasse dali! Estavam simplesmente presos, como ficam os cachorros em gaiolas.
Warren levantou e foi até a mulher alada que estava largada no chão. Ele a colocou no colo e achou que ouviu algum gemido. Foi com ela até a roda onde estavam os x-men. Sentou e continuou com ela no colo, como quem segura um enorme bebê de asas. Ninguém dizia nada. Warren só ficou acariciando o cabelo dela. Angélica não falava, raras vezes abria os olhos e não se mexia. Só tinha falando com Warren uma única vez e mesmo assim nem se mexia para sair dali. Aqueles desconhecidos não a estavam maltratando. Ela só precisava de um pouco de paz e cuidados.
Pouco tempo depois, algo parecido com um milagre aconteceu!
Soldado: Atenção! Atenção, seus fedidos! Banho coletivo em outra área da fábrica! Banho coletivo! Nós vamos formar algumas filas!
Jubileu: Eu não acredito! Banho! Um banho!
Sam: Coletivo?
Bobby: É... Igual a banheiro de academia, vários chuveiros. As pessoas tomam banho juntas.
Angélica voltou a abrir os olhos. Com uma voz fraca, disse alguma coisa importante.
Angélica: Senador Zack Abraan está morto.
Charles Xavier arregalou os olhos!
Professor: Ninguém vai nesse banho! Ninguém!
Angélica: Parece que o que visitou o complexo de madrugada era um impostor. Roubou uma criança... Uma menina mutante.
Scott bateu com a cabeça na parede de propósito, depois ficou chutando o concreto.
Scott: Eu tenho que sair daqui!
Professor: Fujam das filas que os soldados formarem para o banho!
Enquanto isso, no hotel, Vampira já voltava com vários uniformes e outras roupas de frio. Trouxe o cajado de Gambit, o que o deixou muito feliz. Mais ainda quando viu seu sobretudo de estimação! Todos colocaram seus respectivos uniformes, quando Jean pareceu ter uma forte dor de cabeça. Ela colocou as mãos ao lado da testa, como se estivesse tendo uma visão. Sua telepatia estava sendo acionada. De repente, um grito.
Jean:
AHHHHHHHHHHH!
Ela começou a se debater contra os móveis e as paredes. Wolverine abraçou-a, mas ela continuava a se debater contra o corpo dele.
Wolverine: Jeanny??? Quê que foi, ruiva? Pára! Tá deixando a gente preocupado!
Jean: AHHHHHHHH!
Tempestade: Pela Deusa! É muita agitação para uma grávida!
Jean: SCOTT!
Vampira: Alguém quer que eu segure ela? Comigo qualquer um pára!
Jean: Não, Scott! Não! SAM! BOBBY! Saiam! Saiam!
Os olhos verdes de Jean Grey começaram a ficar vermelhos. Seu cabelo liso e ruivo, ajeitado e bem caído sobre a cabeça começou a criar enorme volume. Ela começou a esquentar, Wolverine teve até que soltá-la. Jean estava ficando encandecente.
Vampira: Tudo bem, a situação está ficando sinistra.
Soldado: Anda, loiro! Pra fila! É pra tomar banho, seu mutante imundo!
E o soldado agarrava Sammuel Guthry pelo braço, com ajuda de outros guardas e o empurrava para fila. O garoto era novo, mas muito forte para sua idade. Jubileu agarrou-se ao corpo dele.
Soldado: Ótimo! Mais uma!
Professor: Não, Jubileu! Não!
Scott puxava Jubileu do corpo de Sam.
Scott: Solta ele, Jubileu!
Jubileu: Não!
Quando Scott conseguiu arrancar Jubileu da fila, ele e Bobby Drake começaram a puxar Sam de lá.
Soldado: Sem arruaça! Pára com esse empurra e puxa! Na primeira leva vão 400 mutantes! Depois vão os outros! Vocês podem ficar aí na fila!
Os soldados, com toda a violência, agarraram Bobby, Sam, Jubileu e Scott Summers.
Jean: NÃOOOOOOOOOOO!
Jean levantou do chão, ficou flutuando no quarto. Fogo saía de seu corpo.
Gambit: Seja lá o que está acontecendo, mas ninguém pode contra isso!
O formato da Fênix já estava claro por trás do corpo de Jean Grey. Jean dizia com uma voz que era quase sua, quase da fênix:
Jean: Não! Eles não!
À distância, ela tentava comandar as várias mentes daqueles soldados da fábrica. Era uma enorme confusão de homens, armas, empurra empurra, mas ela tentava comandar os pensamentos e influenciar suas ações. Tarefa árdua. Jean fazia muita força no ar, volta e meia labaredas maiores saíam de seu corpo. Pegou fogo na cortina. Tempestade logo fez ventos fortíssimos surgirem pela janela e apagar o princípio de incêndio.
Wolverine: Jeanny, o que está acontecendo? Você não pode ficar se abalando desse jeito, ruiva!
Jean: Eles não!
Os soldados, às duras penas tentavam arrumar a fila. Abriram os enormes portões da fábrica. A fila já caminhava para o pátio frio lá fora. Ia dar alguns passos até outra enorme sala, onde ficava o banheiro. Charles Xavier já havia escondido o rosto sob os braços para não ver a última cena de seus alunos, com aqueles rostos desesperados. Xavier foi tocado pela mente de Jean.
Professor: Jean?!?!
Jean: É o que eu estou imaginando, professor?
Professor: Tenha certeza, minha fila. Eles estão indo para a morte!
Jean fez toda a força possível. A fênix de fogo soltou-se do seu corpo e com um enorme grunhido de pássaro voou para fora do quarto. Scott, Bobby, Sam e Jubileu já estavam na porta, quase saindo do galpão quando um dos soldados da fábrica sentiu uma pontada na cabeça.
Soldado: Ai... - Olhou para Scott. - Quê que você tá fazendo aqui?! Não é sua hora ainda! - E empurrou Scott para dentro do galpão novamente.
Jean caiu no chão do quarto. Foi uma grande queda! Wolverine correu para ver o que havia acontecido, Tempestade também. Mas a fênix continuava do lado de fora do quarto sendo comandada pela ruiva.
O soldado olhou para Jubileu e com um chute no quadril ele também a empurrou para dentro do galpão.
Jean dentro do quarto chegou a sorrir. Só faltavam dois. Fez toda a força do mundo, mas Bobby e Sam já haviam saído do galpão. Estavam na claridade do pátio.
Jean: Nããããããããão!!!!
Dois soldados colocaram a mão na cabeça e vomitaram de dor no canto da porta. Bobby achou aquilo muito estranho. O soldado, todo vomitado olhou para ele com uma cara estranha.
Soldado: Não faço a menor idéia de porque eu estou fazendo isso, mas você não tem que estar nessa fila agora.]
E levou Bobby, que já estava na porta da sala do banho, de volta para o galpão.
Quando Jean foi usar todo o restante da sua força telepática para tirar Sam dali, ele já havia entrado e as portas grossas de aço foram trancadas pelo lado de fora.
Jean: NÃÃÃÃOOOOO!
A Fênix cresceu enormemente no céu, ela se dirigiu para a fábrica!
Magneto: Não, Jean! Vai matar todos eles!
Jean: Isso não pode acontecerrrr!
Tempestade: O que não pode é todos eles morrerem queimados! Não vai sobrar nem pedra naquele lugar!
Vampira não pensou duas vezes ao ver aquela enorme Fênix dirigindo-se para a fábrica. Tirou as luvas e agarrou o rosto de Jean.
Vampira: AHHHHHHHHHHHHHH!
Jean: AHHHHHHHHHHHHHHHH!
Vampira voou contra a parede pela força que Jean emanava quando estava sob domínio da Fênix, ou com domínio sobre a Fênix! Dessa vez foi Vampira que ficou estremecendo no chão, enquanto que Jean só ficou mais fraca. A Fênix do lado de fora diminuiu de tamanho e voltou para dentro do corpo da ruiva telepata. Jean desmaiou.
Vampira continuava gritando.
Vampira: Socorro! Alguém faz alguma coisa! Eu não consigo controlar!
Gambit: Chere! - Ele tentou pegá-la pelos braços, mas Vampira o empurrou.
Vampira: Não chega perto de mim, Gambit!
Vampira caiu no chão, olhou para o teto e
as gavetas das cômodas começaram a abrir e fechar sozinhas. As roupas que ela
trouxe da mansão voavam no teto, a luz do quarto tinha picos e quedas. De
repente, Vampira começou a projetar imagens na frente deles, como se fosse uma
projeção holográfica. Jean fazia isso raramente, mas Vampira não conseguia
controlar.
Apareciam imagens loucas! O casamento de Jean com Scott! O nascimento de Rachel feito por Fera, a própria Vampira grávida, que Jean acompanhou todos os meses e Gambit nunca tinha visto. O cajun não conseguiu esconder um umedecimento dos olhos quando viu aquela cena, nem Magneto.
Gambit: Mon Dieu!
Imagens dos x-men brincando na piscina, imagens das férias em Angra dos Reis, imagens da infância, a imagem de Wolverine tocando a sua perna! Logan abaixou a cabeça e Gambit olhou para ele com um risinho safado, mas logo voltou a se preocupar pelo que Vampira estava passando. A última imagem que apareceu foram dos mutantes sendo conduzidos para o tal banho coletivo! Todos viram Sam entrar na sala com paredes grossas de aço e ser trancafiado lá dentro com outros 400 mutantes!
Vampira: AHHHHHHH!
Ela também caiu desacordada. Não era fácil passar por tudo aquilo. As imagens sumiram. Gambit a colocou no colo e levou-a para a cama, onde Wolverine já tinha colocado Jean em um dos lados.
Magneto: Câmara de gás!
Tempestade: Pela Deusa! Isso não é uma viagem no tempo! Eles não vão fazer isso! É impossível!
Magneto: É o que vai acontecer! Câmara de gás! Eles vão morrer asfixiados! Primeiro Sam, depois todos os outros. Meus pais morreram assim. ... A morte é rápida.
Wolverine: E o que nós estamos fazendo parados aqui???? * SNIKT*
Magneto: Alguma coisa aconteceu para essa mudança de plano tão rápida. E tão drástica.
Vampira foi acordando lentamente. Falou com uma voz quase inaudível.
Vampira: Zack Abraan morreu. ... Assassinado.
Tempestade: O quê?
Vampira: Sinistro matou ele e roubou a fofinha.
Magneto: Que "fofinha"?
Gambit: Minha filha, Rachel!
Tempestade: Sua?
Gambit: Non! Da Jean com Scott.
Magneto: Nós temos que ir agora mesmo, sem treino, sem planejamento, sem nada, tentar acabar com essa prisão! Mas eu acho que Sam já não vive mais nesse mundo.
Jean foi acordando aos poucos. Estava no
colo de Wolverine.
Jean: Onde estou?
Wolverine: Shiiii. Não fala, ruiva.
Jean: Eu ouvi o nome da minha filha?
A ruiva colocou a mão na barriga e fez uma expressão de dor.
Tempestade: Pela Deusa! Depois de tudo que aconteceu aqui dentro é natural que você senta alguma coisa, Jean.
Magneto: Não dá para esperar, não dá para ela repousar.
Jean: E eu não quero repousar, depois de tudo o que vi ali dentro.
Magneto: Saiba que é bem provável que você perca esse seu filho também.
Continua Aqui!