Infância Mutante - Final


Manhã turbulenta e pesada. A tarde já avançava. O frio de fora do quarto havia invadido as almas daqueles mutantes que estavam no recinto. Era terrível demais conseguir digerir e suportar o que os mutantes aprisionados na fábrica estavam sofrendo. A própria Vampira, ao sugar as visões de Jean e projetá-las para todos, não conseguiu suportar o que via e ouvia.

Já estava decidido. Na atual conjuntura, não importava que não tivessem treinado, nem formado duplas de ação. Talvez, indo daquela forma para o combate, morressem todos; mas era só nisso que conseguiam pensar.

Tempestade: Pela Deusa! Diga que não é verdade que Sam está morto... Diga que não é verdade que Fera está morto.

Jean estava levantando da cama, apoiando-se na parede. Com uma das mãos segurava a barriga que doía. Wolverine logo levantou para apoiá-la.

Wolverine: Jeanny... Minha nossa, Ruiva! - Ele estava nervoso e tenso com a dor dela - Tu não pode ir assim!

Jean tropeçou nas pernas da própria dor e caiu nos braços de Logan.

Wolverine: Jeanny! - Logan a colocou no colo. Todos correram para próximo, assopravam seu rosto, perguntavam se ela não queria ser levada para algum hospital.

Magneto: Ah, só vocês mesmo! Até parece que vamos ao piquenique e uma das convidadas está sentindo-se mal e precisa ir ao hos-pi-tal !!! Logan, coloca essa mulher no chão!

Wolverine entregou Jean para os braços de Gambit, que teve que pegá-la meio sem jeito, quase que num "pensa rápido". Mas Remy Lebeau tinha "pegada" com as mulheres, e logo aninhou-a em seu colo. 

Wolverine: Vai cantar de galo pra vaca da tua mãe! * SNIKT * - Logan voava em direção a Magneto com as garras em riste. - Animal! Ela está grávida!

Quem paralisou Wolverine foram os poderes telecinéticos da própria Jean Grey.

Magneto: Como se vê, ela tem poderes! Jean, controle sua dor, porque você está no time!

Jean: Eu já sei, Magneto. Eu já havia me proposto a isso. - Logan foi solto por ela, já que Magneto estava longe dele.    

Magneto: Eu queria que tivéssemos treinado e combinado tática de ataque! Todos sabem que era isso o que eu queria! Até impedi que o louco do Wolverine atacasse às cegas! Mas ao que tudo indica, não dá mais para esperar por mais nada! Jean! Jean, Sam está morto, não está?!

A ruiva fechou os olhos e voltou a abri-los repletos de lágrimas. 

Jean: ... Está.

Tempestade colocou a mão na barriga e curvou-se para frente, deu um rápido grito que não saiu som nenhum. Grito mudo. Fechou o rosto com as duas mãos. Wolverine ficou inspirando e expirando o ar como um touro, enquanto seus olhos enchiam-se de lágrimas que ele deixava derrubar. Vampira foi a única que gritou. Gritou como uma histérica. Como se quisesse acordar a ela e a todos daquele pesadelo. Não podia ser verdade. Ficou gritando para ver se o mundo voltava ao normal. Gambit apertou-a contra o peito, tentando sufocar aquele grito de dor, de desesperança.

Magneto: Vocês vão ficar aí?????

Os x-men não se mexiam.

Magneto: Foi o Sam e mais 400 mutantes! 400! Vocês viram as cenas que Vampira projetou! Querem que mais 400 morram? Só se importam com Sam, é isso?! Com seus amigos? Pois na próxima leva pode ir Ciclope, Jubileu, Xavier, Anjo e todos os seus amiguinhos!

Wolverine: Não é isso, porra! É claro que os demais importam! Respeita a nossa dor!

Magneto: Eu respeito! Eu sou o único sobrevivente de uma família dizimada pelo racismo e pelo preconceito. Mas é hora de fazermos como o Exército Vermelho que marchou sobre os escombros nazistas em Berlim.

Wolverine: Os soviéticos.

Magneto: Lembro deles como se fosse hoje. Eram os heróis da minha infância destruída.

Wolverine: Eu acho que lembro de ter amigos no front Aliado dos Americanos.

Magneto: Pois vamos sair agora mesmo, para não chegar em Berlim tão tarde quanto seus amigos. ...  Jean segura a própria dor, faz seu próprio escudo protetor e comanda as mentes que conseguir! Eu faço minha proteção magnética e faço retorcer todo e qualquer metal naquele inferno! Wolverine tem a incumbência de arrancar os chips dos mutantes mais poderosos com as suas garras! Tempestade se transforme em água, a melhor proteção que ela poderia adquirir, e comande a natureza a nosso favor! Gambit fica fora da fábrica arremessando tudo que puder energizar contra os guardas e suas armas. Vampira vai usar sua super força e vôo para fazer dupla com Wolverine!

Tempestade: E como vai ser a proteção de Vampira e Wolverine?

Magneto: A idéia de sugar meu magnetismo não é todo ruim.

Vampira: Eu prometi ao Gambit que nunca mais encostaria um único dedo em Magneto!

Wolverine: Sem essas palhaçadas agora, Vampira! Não vê que isso é sério?!

Magneto: Ela não precisa fazer agora... só na hora certa.

E saíram todos para fora do hotel. Uns pela janela, outros descendo as escadas e indo pelo gramado.         


Os x-men, liderados por Magneto, corriam ou voavam pelo gramado em direção a fábrica. Lá estava ela, imponente no alto de uma pequena colina. Sua chaminé estava funcionando. Uma fumaça cinza voava pelo céu enquanto uma espécie de fuligem acinzentada cobria o céu e a pele dos x-men.

Gambit: Mon Dieu! Eu pensei que a fábrica estivesse abandonada! Mas parece estar funcionando!

Wolverine fungou aquele pózinho cinza.

Wolverine: Tem cheiro de cinzas.

Magneto: São cinzas. Eles estão incinerando os corpos. ... Cremando os corpos.

Wolverine: AHHHGRHHGHHHHGRHHHHAHHH! - Wolverine gritou como um animal que libeera bizarros grunhidos. Um quase uivo de lobo ao perceber que tinha na pele as cinzas do tão jovem Sammuel Guthry e mais 400 mutantes. - SNIKT - Correu como um louco em direção a fábricca.

Quando os x-men tomaram seus postos, os soldados logo perceberam. A batalha não seria fácil. Não tiveram tempo para combinar as coisas direito, agiam apenas por ódio, vingança e justiça.

Os olhos de Tempestade logo embranqueceram. Seus cabelos voavam ao vento, sua capa flutuava como louca. Ela voou liquefeita em água. Os soldados já nem atiravam mais nela, sabiam que os projéteis de chip e as balas varavam seu corpo inutilmente. A Deusa negra sorria com aquilo.

Magneto ascendeu as céus para se colocar ao lado de Ororo Munroe. Magneto comandava todo o metal da fábrica.

Scott Summers, Jubileu, Anjo, Bobby Drake e Charles Xavier logo perceberam que as grandes das janelas daquela antiga fábrica estavam tremulando.

Professor: Meu amigo Erik Lensheer. - Disse enquanto via os pregos e parafusos saltarem das portas como mágica!  

A corrente de ferro, com seu cadeado, serpenteava no chão da fábrica como uma verdadeira cobra!

As janelas estavam abertas, as portas estavam abertas! Magneto já havia feito metade do trabalho. Via inúmeros mutantes fugindo principalmente das janelas, já que as portas abertas estavam barradas por uma fileira de guardas armados.

Tempestade trazia fortes rajadas de vento contra os guardas, que frequentemente caíam e eram pisoteados pelos mutantes que queriam fugir pelas portas.

Magneto fechou os olhos para empreender sua melhor contribuição no dia. Em um único segundo, todas as armas de chips inibidores foram arrancadas das mãos dos guardas e começaram a se liquefazer no solo. Apenas os chips, que não tinham nenhum metal para ser controlado por ele, ficavam no solo por cima daquele líquido metálico. O que os guardas iriam fazer??? Pegar os chips um a um com as mãos e ir atirando contra os mutantes como quem atira dardos???!!! Não... Eles saíram correndo. As armas normais, essas se liquefizeram nas mãos dos guardas, causando pânico geral.

Wolverine aproveitou o fato de nenhum guarda ter uma arma disparadora de chips e adentrou no fábrica, percorrendo o fluxo contrário dos outros mutantes. Procurava os x-men. Magneto gritou por Vampira que estava no solo ao lado de Gambit, que lançava cartas energizadas contra as viaturas estacionadas e as que chegavam ao local. 

Magneto: Vampira!

A sulista de mexa branca no cabelo voou para perto dele. Gambit olhou para cima por rápidos segundos, já que não podia desviar os olhos dos oponentes.  

Vampira: O que foi, cara?

Magneto: Chegou a hora de você sugar meus poderes.

Vampira: Cai na real. Não tá vendo que Wolverine já entrou na fábrica sem minha ajuda?

Magneto: Isso vai ser por pouco tempo. Mais guardas irão chegar. Você também precisa entrar, e entrar protegida. E precisa protegê-lo.

Vampira: Não vou saber usar seus poderes.

Magneto: Vai sim. Eu confio em você. Sempre confiei... ... A junção dos meus poderes com os seus é perfeita.  

Vampira: Eu... eu... não posso fazer isso.

Magneto: Você não pode pensar no ciúme do Gambit nesse momento. Acredito que até mesmo aquele egocêntrico entenderia isso.   

Vampira: Não é isso. Se eu te sugar, você vai ficar muito fraco e ter que abandonar a luta aqui. Sem contar... que você iria sair muito fraco e abalado.

Magneto: Não tenha medo de me sugar, Vampira. Eu já fiz o que deveria fazer. Agradeço... sua preocupação comigo. Pensei que me odiasse.

Vampira: Eu não te odeio. Só tenho raiva de você em muitos momentos.

Magneto sorriu e puxou Vampira para perto de si.

Vampira: Mas agradeço a preocupação que teve por tudo o que eu passei nesse inferno.

Magneto: Vamos, me sugue. Não temos tempo.

Vampira: Como, se você pode me tocar?

Magneto: Vou fazer como disse Wolverine. Não me proteger e deixar ver o que é ser sugado por você.

Vampira tirou a luva e foi direcionando a mão para o rosto de Magneto. Ela colaria a palma da mão naquele rosto até sugar toda uma quantidade de poder que a fizesse sentir a Senhora Magneto. Porém, quando sua mão já estava encostando no rosto dele, Magneto puxou-a de encontro a um beijo. Vampira arregalou os olhos quando se viu beijando aquele homem, mas não tinha sido culpa dela. Os dois começaram a sentir coisas estranhas. Ela, força demais! Ele, força de menos! O beijo só se descolou quando Magneto desmaiou nos braços de Vampira. Foi ela quem teve que levá-lo até  o solo, senão caia daquela enorme altura.

Vampira: Erik! Caramba, que maluco! Só falta o Gambit ter ataque de histeria quando tudo isso acabar.

Vampira foi levando Magneto para o gramado, lembrando que talvez todos eles fossem acabar junto com aquilo tudo. Erik conseguiu acordar do desmaio e ver inúmeros novos guardas chegarem de tantas viaturas, que Gambit sozinho não conseguia dar conta. Estavam todos armados.

Magneto: Vá... Vá para próximo de Wolverine.    

Vampira deixou ele ali e voou para dentro da fábrica. Wolverine já estava com as garras de fora e mesmo no meio de toda aquela confusão, conseguiu farejar Scott Summers, Jubileu e Charles Xavier. Vampira estava colada ao seu lado, para protegê-lo.

Scott: Wolverine! Ainda bem que vocês conseguiram! Como está Jean?

Vampira encontrou Xavier largado no chão como aqueles mendigos paralíticos que se arrastam pelas ruas. Ela não aguentou vê-lo assim e pegou-o no colo.

Scott: Que isso, Wolverine?!??? Ajude Jubileu a sair daqui que ela está muito abalada! Por que está com essas garras na minha direção?

Wolverine: Cala a boca, caolho!

Scott: Você vai aproveitar que estou sem meus poderes para me matar?

Wolverine: Não me dê idéias, que eu posso gostar!

Professor: Ele quer arrancar seu chip inibidor de poderes, Scott.

Wolverine: Isso vai doer e em certa medida, vai me deixar contente. Mas no fundo, estou te ajudando.

Scott: E te ajudando também.

Wolverine: É. A todos nós. Onde está o chip?

Scott mostrou o braço direito e só fechou os olhos quando as garras dilacerantes de Logan perfuraram sua carne. Jubileu gritou e espirrou sangue em seu rosto.

Vampira: Fica fria, fofa, que contigo vai ser a mesma coisa.

Rajadas de lazer vermelho saíam dos olhos de Scott. Mesmo sem ter sido intencional, ele acabou acertando os cinco primeiros guardas que se aproximavam daquele único grupo parado que não tentava pular a janela ou fugir pela porta.

Bobby: Boa, Scott! Já acertou cinco!

Descontrolado e sem saber o que fazer, Scott acabou destruindo o teto da fábrica, fazendo cair pedaços de gesso no chão.

Vampira: Fecha os olhos! Fecha os olhos!!!!!

Scott: Não posso ficar de olhos fechados nessa confusão. Preciso me guiar e ajudar o grupo!

Vampira: Fecha os olhos que eu vou lá fora buscar os uniformes de vocês!

No caminho para fora da fábrica, inúmeros guardas atiraram chips inibidores contra Vampira. Mas ela conseguiu fazer uma barreira magnética que impedia de ser atingida.

Vampira: Nossa! Eu estou demais! - Ria contentíssima com os novos poderes - Vem cá, neném! Vem me dar um beijo! - Os guardas arregalavam os olhos e saiam correndo.

Ela voltou com os uniformes. Scott conseguiu seu óculos de quartzo rubi, além das roupas. Todos se vestiram rapidamente. Xavier precisou da ajuda de Warren. Infelizmente, não sabia que Warren estaria acompanhado de uma anja de rosto sofrido. Angélica só conseguiria roupas se todos eles conseguissem sair dali e voltarem para a mansão.

Vampira: O que aconteceu com ela? - Olhava para Angélica.

Anjo: Ela teve mais azar que você. ... Bem mais.

Vampira entendeu tudo. O próximo grito ouvido foi o de Xavier. Depois Bobby Drake, depois Warren, Bishop. Até mesmo Mística. Por último, Jubileu. Durante todo esse tempo, foram inúmeros os guardas que tentaram se aproximar do grupo. Mas Vampira estava se divertindo em testar seus novos poderes magnéticos. Na maioria dos casos, ela barrava a passagem de ferro na corrente sanguínea dos guardas. Eles caiam desmaiados!

Vampira: Nossa! Ser Magneto é tão fácil! Por que ele não faz isso mais vezes com os oponentes?!?! 

Infelizmente, aqueles poderes sugados não poderiam durar por muito tempo. Logo, Vampira já não tinha mais Magnetismo nenhum. Ainda podia quebrar quantos quisesse ali dentro, mas para ser atingida novamente por um chip não custava. Os x-men estavam saindo da fábrica para combater no gramado do lado de fora. Mas Wolverine resolveu ficar ali dentro.

Professor: Por que você vai ficar, Logan?

Wolverine: Tenho que encontrar Bruna. Prometi que viria buscá-la.

Professor: Ela já não está mais aqui.

Wolverine: Como?

Professor: Conseguiu fugir. 

Wolverine: ... ... Então... vou procurar por Fera!


Do lado de fora, Gambit se desdobrava para conseguiu atingir tantas novas viaturas que chegavam com muitos policiais. Às vezes, eram aqueles caminhões do exército, apinhados de soldados. Gambit lançava cartas energizadas, pedras, pedaços de madeira, o que encontrava pelo caminho. Muitos carros já haviam explodido e pegavam fogo. Porém, outros tantos policiais conseguiam chegar até ele para tentar eliminá-lo. Mas Gambit sempre teve molejo e jogo de cintura. Seus movimentos ágeis e seu cajado o tornavam praticamente um gato arisco. 

Gambit: Gambit não é pego assim tão fácil, mon ami!

O que mais o preocupava era que, apesar de seu esforço, sempre alguns guardas conseguiam entrar na fábrica. Mas se não fosse por Gambit fazendo seu trabalho de eliminação na base, na raiz, os x-men estariam tendo muito mais problemas.

Xavier era carregado no colo por Vampira.

Professor: Scott! Vá ajudar Gambit que o trabalho dele está pesado demais! Suas rajadas serão ótimas se trabalharem com as cartas dele. Vocês dois são ótimos mutantes para trabalharem à distância.

Todos conseguiram ver Edward Northon correr para os fundos da fábrica. Era de lá que ele acionava ou o celular ou o walk-talk para pedir mais reforços.

Edward: Meu Deus! Senador Zack Abraan não podia estar morto numa hora dessas! Não podia!

Gambit: Scott, você vai ter que assumir esse posto sozinho! Eu vou atrás daquele infeliz ali! - E apontou com seu cajado para Edward.

Scott: Eu vou com você!

Gambit: E quem vai cuidar desses novos guardas?

Tempestade: Eu estou aqui em cima para isso! - Ela piscou. Seus olhos voltaram a embranquecer. Os ventos mudaram.

Gambit e Scott encurralaram Edward Northon na última parede do pátio nos fundos da fábrica.

Gambit: Vous êtes mort!  

Edward: Qual foi a besteira que você falou agora?

Gambit: Que você está morto, mon "ami"!

Edward: Será mesmo? - Edward apontou uma arma com balas normais para Gambit.

No mesmo momento Scott desintegrou a arma com uma simples rajada.

Edward: Eu estou perdido.

Vampira: Não! Você tá perdido é agora!

Vampira voou pelo pátio e só aterrizou no pescoço de Edward. Ele caiu no chão e Vampira rolou por cima. Com um soco daquela mulher, três dentes voaram! Três dentes!

Vampira: Cadê sua machesa, babaca? 

Edward: ...

Scott: Ele não consegue responder, Vampira.

Vampira deu outro soco e mais quatro dentes voaram. Edward só tossia e cuspia sangue.

Scott: Acho que você deslocou o maxilar dele.

Vampira: Por que? Por que você fiz isso comigo? ... E com todos os outros? Será que você não tem um mínimo de humanidade? Como pode ser tão boçal, animal, injusto, maldoso, violento???

Edward fez força para dizer alguma coisa. Eles ficaram parados e em silêncio para ouvir.

Edward: ... ... E ... você... está sendo muito diferente disso agora?

Gambit pegou-o pela camisa, levantou-o de chão e jogou-o contra a parede.

Gambit: Você queria que nós reagíssemos como? Com flores??? 

O cajun já havia pego uma carta do baralho e energizado-a.

Edward: Vai... me faz engolir de novo?

Gambit: Vou. Depois vou enfiar outra no seu ouvido e outra no nariz!

Edward: Tudo bem, me mate... Violência gera violência, não é o que dizem? Vai ser interessante você ter esse assassinato brutal na sua biografia. ... Pensei que existisse justiça nesse país. Mas já que você quer fazer com as próprias mãos, como se fosse Deus...

Gambit: Quem é você para dizer isso?! Matou 400 pessoas só hoje!

Scott: Sem contar nas outras que estão vivas, mas mortas por dentro!

Edward: Eu não matei pessoas. ... Eu matei animais inferiores e perigosos à humanidade. Vocês sabem que não são humanos. Sabem que são perigosos.

Vampira: Monstro! Nazista, fascista, preconceituoso, nojento, sub-humano! Aberração! 

Vampira correu sem as luvas para sugá-lo até a morte! Mas Scott a segurou!

Scott: Não!

Vampira: Ele não merece viver, Scott!

Scott: Eu quero saber onde está minha filha? Onde é o abrigo das crianças? Onde?

Edward: Isso quem sabe é o sujeito que a roubou. Ela não deve estar mais no abrigo há muito tempo.


Enquanto isso, o interior da fábrica já estava quase todo vazio. A maioria dos mutantes havia fugido, os guardas que ainda restavam em pé, combatiam no gramado certos de sairiam derrotados. Os mutantes que ainda estavam na fábrica, só continuavam ali porque haviam sofrido torturas demais para se locomoverem sem ajuda. Wolverine foi chutando portas, outras que eram pesadas demais ele abria com as garras. * SNIKT * Até que encontrou Fera.

Wolverine: Hank????

Era uma sala pequena, Wolverine tinha arrancado o trinco com uma das garras. Fera estava deitado em um chão sujo, sozinho, naquela sala vazia. Estaria morto? Logan só conseguia ver que ele estava com uma atadura no peito.

Wolverine: Tu parece muito mal, cara. Mas eu não sinto o cheiro de morte e posso ouvir sua respiração fraca. Posso ouvir até teu sangue correndo pelas veias se eu fizer um esforço. Tá me ouvindo?

Não. Não estava.

Wolverine: Tu tá mal mesmo. - Colocou Fera nos ombros. Era assim que o carregaria para fora dali. - Ao menos esses anormais tiraram a bala de dentro de você, senão, não teriam colocado essa atadura porca no teu peito.

Wolverine saiu dali carregando Fera e vendo os demais mutantes que cambaleavam tortos para saírem dali. Wolverine pegou um deles pelo braço e foi ajudando a dar o fora dali. Percebeu que também tinham algumas mulheres largadas no chão. Também não pareciam mortas, mas quase isso. Logan sentia o cheiro de esperma exalarem delas. Estupradas, é claro. Uma delas, ao longe, parecia ter o cheiro de Emma Frost. Wolverine não acreditou que fosse verdade e foi lá perto checar se era isso mesmo. Acertou! Aquela mulher nua e usada pelos guardas era uma indefesa Emma Frost. Talvez porque fosse a mais linda de todas, os guardas tiveram a decência de cobri-la com um lençol barato, para que não tivesse tanto frio, como os demais tinham.

Wolverine: Rainha Branca? - Tocou nela de leve.

Emma Frost acordou. As pupilas negras diminuíram rapidamente com o entrar da luz nos olhos azuis. O azul e a vida tomaram conta daqueles olhos novamente. Ela levantou-se um pouco tonta, mas muito determinada.

Emma: Logan? É você?

Wolverine: Eu não acredito que até você passou por isso tudo!

Emma: Até eu? ... Se até o velho do Xavier passou por isso, por que não eu?!

Wolverine: Quer uma ajuda? Posso tirar seu chip inibidor. Consigo te carregar com um dos braços se precisar.

Emma: Eu vou me vingar. Isso não pode ficar barato. Ninguém faz o que Emma Frost não quer. Esses guardas vão pagar pelo o que fizeram comigo...

Wolverine: Quer uma ajuda ou não?

Emma: Quero que você suma! Eu não preciso de ajuda. - Ergueu o braço para ele. - Mas antes, você vai tirar essa porcaria do meu braço. 

* SNIKT * Os olhos dela se arregalaram. A dor foi intensa, mas a volta dos poderes foi ainda mais intensa. Emma Frost pôde controlar a própria dor no braço. Se enrolou no lençol e saiu dali andando. Nem agradeceu a Wolverine.

Logan foi correndo pelo gramado com Fera nos ombros. Ainda havia combate, mas era visível que os guardas perdiam. Muitos estavam até se rendendo. Tempestade estava contente com o reboliço que causava nos ventos, nas nuvens, ora fazendo chover, ora relampejar, ora nevar. Wolverine estava louco para arrancar as vísceras dos guardas e soldados, mas inacreditavelmente, estava tento que proteger um ferido nas costas.

Wolverine: Caraca! Isso não faz meu estilo! - Teve vontade de largar o desacordado Fera no chão e partir para cima dos soldados.

Foi então, que percebeu Emma Frost andando enrolada em um lençol pelo gramado, com sobrancelhas que deixavam transparecer muito ódio. Três guardas, ao mesmo tempo, caíram no chão e começaram a se contorcer. Eles gritavam frases malucas em meio a muito sofrimento.

Guarda: Ahhhh! Eu matei minha mãe com uma faca de cozinha! Por que? Por que? Mããããe?! Me perdoa! Não pode ter sido eu! Eu quero morrer. - E se contorcia mais - Meu pai me jurou de morte por isso. Eu não tenho mais família, não tenho mais nada!

Outro estava imóvel no chão, com as mãos comprimindo a cabeça.

Guarda: Eu tenho câncer nos ossos! Vou morrer em pouco tempo. Em pouco tempo...

Outro batia com os punhos no próprio corpo.

Guarda: Eu sou um pedófilo! Um monstro pedófilo! Eu estuprei minha prima de 13 anos! Um monstro!

Wolverine estava intrigado com a cena terrível.

Wolverine: Emma Frost está invadindo a mente dos caras e fazendo-os acreditar que fizeram um bando de merdas na vida! Isso é uma boa vingança! Esses caras vão se matar!

Bobby Drake surfava no ar! Ia criando pontes suspensas feitas de gelo e ia deslizando por elas com grande habilidade. Volta e meia pegava um guarda e o colocava dentro de um enorme cubo de gelo, ou congelava os canos das armas! Gostava mesmo de pegar um guarda pela roupa e deixá-lo deslizar montanha russa de gelo abaixo. Wolverine se assustou quando viu aquele viaduto de gelo se aproximando da sua cabeça. Bobby parou lá em cima.

Bobby: E aí, Wolverine? Fera está bem? Precisa da minha ajuda?

Wolverine: Ele vai ficar legal... Eu acho que vai. Se preocupa não, guri. Continua fazendo o que você já estava fazendo. 

Bobby: Falou, então! Yhúúuuuu! - E saiu deslizando gelo abaixo e acima enquanto gritava.

Logan resolveu tirar o colega ferido do meio do tiroteio, ao invés de partir para dentro dos últimos guardas que sobravam. Ele percebeu que os demais x-men estavam se saindo muito bem.

Não muito longe dali, Jean Grey fazia coisa muito semelhante. Ela controlava mentes e movia objetos à distância. Por vezes conseguia arrancar uma arma de um guarda com sua telecinésia, por outras, conseguia convencê-los de que eram hippies e pregavam paz e amor. Jubileu ria ao vê-los com cara de Woodstock tentando quebrar as próprias armas enquanto gritavam "paz". O problema era que Jean, por mais que conseguisse controlar a própria dor, não podia controlar o aborto pelo qual estava passando. A situação estava crítica.

Charles Xavier percebeu que embora seus alunos estivessem ganhando, as perdas já eram muito grandes. Sam estava morto. Fera quase morto. Jean Grey tinha perdido a filha e agora parecia que perderia até mesmo esse pequeno que carregava dentro de si. O Professor X resolveu entrar em ação. Em um simples fechar de olhos, ficou um tempo se concentrando. Concentração, concentração, concentração... até que os x-men perceberam que os soldados e guardas, que ainda restavam, estavam paralisados. Como estátuas! Jubileu chegou a dar petelecos em alguns deles, mas nada se mexia. Finalmente, Jean caiu no chão e pôde sofrer o que lhe era de direito sofrer.

Wolverine havia levado Fera para a beira do rio. Sentiu o cheiro de carne podre e viu três corpos em decomposição e estraçalhados boiando nas margens. Não sabia que a Mulher - Polvo tinha passado por ali na noite anterior! Logan resolveu andar um pouco mais e pegar uma água menos contaminada.  Jogou água no rosto de Hank Mackoy.

Wolverine: Acorda!

Jogou mais um pouco.

Wolverine: Acorda, cara!         

Foi quando Wolverine sentiu um cheiro muito conhecido na água gélida do rio. Mas estava um pouco diferente, talvez modificado. Quem estaria naquela água gelada? Um grande susto! O cheiro indicava que era ela, mas era impossível imaginar!

Wolverine: Bruna?!?!

Bruna: Oi. - Disse seca.

A morena tinha uma cara muito séria. Estava estranha. Como suportava aquele frio? Nua naquela água de inverno!

Wolverine: O que você  está fazendo aí, guria? Me dê a mão para sair.

Bruna: De forma alguma.

Wolverine: Vamos, Bruna. Você não tem meu fator de cura. Vai ficar seriamente doente.

Bruna: Isso seria  o menor dano causado em minha vida, desde o dia que eu te conheci.

Wolverine: Gata, eu voltei para te buscar. Sei que o que eu fiz parece inaceitável pra você, mas Jean era uma combatente poderosa que precisava ser retirada dali.

Bruna: Não faz o seu feitio ficar pedindo perdão, Wolverine. E a sua desculpa foi horrível. Eu imagino que você tenha adorado dormir ao lado dela naquele hotel.

Wolverine: Não vou ficar mesmo te dando satisfações. O que eu fiz era o melhor a ser feito no momento. Você sabe que eu gosto de você e que voltei para te buscar.   

Bruna: Muito tarde, Wolverine. Muito tarde.

Wolverine: Já entendi... Você não quer mais saber de mim... Não quer mais voltar pra mim. - Logan estava sério, pesado. Aquilo não deixava de ser triste. Ele gostava dela, foi feliz com ela.

Bruna: Nunca mais.

Wolverine: ... ... Tudo bem, gata. Tu tem todo o direito. Mas me dá a mão para sair dessa água. Vamos para a mansão. Lá é sua casa agora, esqueceu?

Bruna: Você e sua colega azul destruíram minha vida. Não tenho mais como voltar para meus amigos, família, antigo emprego, antiga casa... Você ainda destruiu um resto de esperança que vivia em mim. Pensei que ao menos pudesse viver as sobras da minha vida com você... Mas não deu certo. Você é a desgraça da minha vida. Não vou para sua casa de forma alguma! 

Wolverine: E vai ficar aonde?

Bruna: Na água.

Wolverine: ????

Bruna: Por que o espanto?! Não percebe que agora eu sou diferente também?!?

Wolverine: Isso tem alguma coisa a ver com a Mulher - Polvo, Bruna?

Bruna: Me aguarde, Wolverine. Sua traição não vai ficar assim tão barata.

E Bruna sumiu submergindo nas águas congelantes do rio.


Vampira, Gambit e Scott estavam decidindo o que fazer com o encurralado Edward Northon. O Senador Zack Abraan já havia sido assassinado por Sinistro, numa sacada diabólica e genial. Outros tantos guardas tinha fugido, muitos feridos, outros mortos.

Edward: Vocês vão me matar, eu tenho certeza.

Vampira: Eu devia mesmo, seu imbecil!

Edward: Depois de ter te sequestrado na noite de núpcias, te tratado como devem ser tratados os mutantes. Ter sido preso, mas logo solto! E voltado a tratar vocês como merecem e como Deus quer, tenho certeza que vocês, aberrações, vão me matar! 

Vampira: Te prender é realmente muita inocência! Não existe justiça no mundo!

Scott: Existe e nós devemos confiar, Vampira. Não vamos nos brutalizar como eles.

Edward: O mono-olho tem razão. Tanto existe justiça, que os homens e Deus sempre me concedem a chance de voltar e voltar e voltar sempre.

Gambit: Mon Dieu! Você é louco!  

Vampira: Eu devia te colocar naquela câmara de gás e te deixar dormir rumo ao inferno! Pra depois incinerar teu corpo naquele forno e colocar suas cinzas no estrume de vaca! Fazer com você o mesmo que fez com os outros! 

Gambit segurou Vampira gentilmente, tentando acalma-la. Ficaram os três conversando baixo, enquanto Edward estava encurralado sozinho numa quina de parede do pátio interno da fábrica. Eles não conseguiram perceber, mas Edward sacou sua última arma! Uma pistola escondida sob a calça, dentro da meia!

Mas ele não apontava a arma para nenhum dos três dessa vez. Apontava para si mesmo.

Edward: Eu voltarei. E serei milhões.

Um tiro. Sangue no rosto de Vampira, de Scott e Gambit. Eles não acreditavam, mas o corpo sem vida de Edward Northon estava caído no chão.

Gambit: Ele citou Cristo. Jesus Cristo.

Scott: Que louco! Eu até podia dar uma rajada na arma, mas dessa vez quis vê-lo se destruindo.

Gambit: A frase não deve ter sido realmente dita por Cristo. Mas é a frase da morte que, na bíblia, simboliza a volta Dele pelo Cristianismo. É como se ele estivesse presente. "E serei milhões".

Vampira: Ele quis dizer que o preconceito não vai acabar com a morte dele. O ódio aos mutantes vai permanecer. Eu voltarei e serei milhões.

Gambit: Mon Dieu! Cruz Credo! Vamos embora daqui.


Do lado de fora da fábrica, bem no centro do gramado, todos os x-men estavam reunidos novamente. Até mesmo Wolverine com Fera. O único ausente era Sammuel Guthry.

Professor: Vamos embora, meus filhos. Vamos embora que não ha mais nada para se fazer nesse lugar horrível. Temos que reconstruir os danos da mansão. E os danos em nossos corpos e almas.

Jean estava no colo de Scott. O sangue escorria por suas pernas. Estava claro que ela havia perdido o bebê.

Professor: Foram muitas perdas.

Scott: Eu ainda preciso encontrar minha filha, professor.

Naquele mesmo momento, aparece das sombras das árvores próximas ao rio, uma figura Sinistra. Ela carregava um bebê de colo nos braços. Uma menina ruiva, que Sinistro colocou no chão, diante dos x-men, como um presente. Vampira correu e pegou a menina no colo, antes que Sinistro mudasse de idéia.

Scott: Espera! Onde você vai?

Sinistro: Embora... Vou esperar.

Scott: Como assim? Por que nos devolveu Rachel?

Sinistro: Não sei como... Não sei como...

Scott: O quê não sabe como?

Sinistro: Eles retiraram o gene X da criança.

Scott: Como assim?

Sinistro: Não sei. É uma menina normal. Fizeram isso com todas do abrigo. Não me adianta de nada. ... Vou esperar.

Scott: Esperar?

Sinistro: Por novos filhos seus, Summers. Xavier tem razão... Ninguém venceu nesse inferno. Foram muitas perdas. ... ... Vão! Vão! Voltem para a mansão e tentem juntar os cacos. Que eu vou juntar os meus. 

A Infância Mutante de Rachel rapidamente se transformou em Infância simplesmente. Talvez aquilo fosse bom.     


   Fim

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