Infância Mutante - Vigésima Quarta Parte
Mata fechada. A luz bruxuleante da lua invade algumas frestas da copa das árvores. Por vezes se tem visão, por vezes não se vê nada.
Vampira: Que lugar é esse, Remy? - Os dois corriam pela mata adentro de mãos dadas.
Gambit: Gambit ainda não sabe, chere. Devem ser os arredores daquele complexo. Mas se é longe da cidade, Gambit não sabe.
Vampira: Será que já estão atrás da gente? Será que Wolverine ainda está lá dentro abrindo mais celas?
Gambit: Só sei que nós devemos nos livrar logo desse chip inibidor de poderes, com ele somos presas fáceis! - Gambit olhou para o próprio peito e imaginou como iria arrancar aquele troço dali. Não teria coragem de arrancar aquilo à unha, esgarçando a pele com o vandalizar dos dedos. Tremeu só de pensar na dor horrível e no longo tempo que aquele martírio duraria. Não conseguiu nem pensar essa fazer tal absurdo com o braço de Vampira. Percebeu que precisariam de instrumentos cortantes de verdade para fazerem aquilo. E isso só seria arranjado fora da mata. - Tudo bem, mon amour. O primeiro passo é sairmos desse mato. E o mais rápido possível porque estamos sendo rastreados!
Vampira: Como vamos a algum lugar sem roupas?
Gambit: Para
tudo na vida existe o roubo!
Vampira: Dessa vez eu não vou nem te repreender!
Gambit: Tomara que Wolverine tenha conseguido salvar mais gente, ma chere.
Vampira: Quanto tempo você acha que temos para tirar esse chip?
Gambit: ... Pouco...
Vampira: Aqueles cretinos não me pegam de novo! E se pegarem, vai ser sem o chip, para eles verem o circo pegar fogo! É bom eles começarem a ter medo.
As luzes de emergência foram acesas dentro do complexo.
Edward: Eu não acredito que isso possa ter acontecido!
Edward Northon olhava enraivecido para todo o complexo retorcido, cheio de fendas e aberturas. Algumas no teto, outras em algumas paredes, algumas abriam até uma cela para o descampado lá de fora. Uma ou outra cela com as grades cortadas.
Edward: Soltem os cachorros lá fora! Liguem o aparelho de rastreamento antes que aqueles monstros arranquem o chip do corpo!
Soldado: Edward Northon? ... O Senador Zack Abraan já está vindo para cá de helicóptero.
Edward: Com quê cara vou me explicar?!?! ... Quantos mutantes fugiram?
Soldado: Não muitos, senhor. Mas o complexo está destruído, não dá para continuar aqui com nenhuma segurança.
Todos os mutantes estavam sendo algemados nos pulsos e nos tornozelos.
Edward: Algemem todos e levem-nos para a antiga fábrica de sapatos.
Soldado: Aquela abandona há anos, senhor?
Edward: Não está abandonada! Ela é propriedade do exército agora. Coloquem todo esse lixo nojento nos antigos salões das máquinas que estão vazios. Cabe um mundo de monstros lá dentro!
Soldado: Mais alguma ordem, senhor?
Edward: Não... Vamos esperar o que Zack Abraan vai decidir. Não sei se ele vai querer reconstruir esse complexo... Que inferno! Eles destruíram nosso espaço ideal! Pior do que fugirem em massa, é destruir nossa base. Ficamos pisando em ovos dessa forma!
Edward foi bufando para a sua salinha, teve que abaixar-se ao passar perto do aquários, que tinha se espatifado todo quando alguns vergalhões de ferro caíram do segundo andar. Edward quase bateu a cabeça nesses vergalhões. Ao chegar na sala, um susto!
Edward: Cadê aquele bicho? - Referia-se à Vampira.
Soldado: Não sabemos, senhor. Quando a luz apagou ela nos derrubou.
Edward: Ela quem?
Soldado: A moça da mexa de cabelo branco. ... E quando a luz voltou, ela não estava mais aqui.
Edward: Essa vaca sempre se livra de mim... - Sentou em sua cadeira e colocou a mão na cabeça - Soldados! Exatamente quais mutantes escaparam essa noite?
Um soldado novo aproximou-se trêmulo com o ódio daquela voz que gritava pedindo nomes.
Soldado: Os nomes eu não sei... Até porque eles só tinham números... Dos mutantes novos ainda não marcados à ferro com a numeração, fugiram: a moça de mexa branca no cabelo, o afrancesado de cabelo comprido que veio agarrado nela e...
Edward: NÃOOOO! Os dois?!?!
Soldado: Mais a ruiva da última cela e aquela morena.
Edward: Esses são os únicos da última leva que fugiram?
Soldado: Sim... Mas da última cela, pelo mesmo buraco, fugiu aquela senhora de cabelo roxo e boca nojenta; era a número 4538. Também fugiu da mesma cela um garoto aparentemente normal, número 29.
Edward: Aquela senhora por um buraco no teto?
Soldado: Não... Existia um buraco na parede ao lado da cela, e como as barras estavam cortadas... Só quem foi por cima foi a ruiva com o sujeito das garras e...
Edward: Entendi... Quem mais?
Soldado: Da cela do afrancesado fugiram mais três pelo mesmo buraco. E a Mulher Polvo também escapou.
Edward arregalou os olhos! Maldita mulher polvo!
Edward: Quantos ao todo?
Soldado: 10 mutantes, senhor. Sendo que a senhora acabou de ser capturado no descampado lá fora.
Edward: Ótimo. Encontrem todos os demais. Inclusive os que armaram esse plano de fuga e destruíram o complexo.
Edward mandou o soldado se retirar e enfiou a testa na tábua da mesa. Ficou dando leves pancadas com a cabeça. Não dava para acreditar que Vampira tinha escapado do que ele planejara fazer com ela e com o marido. Os outros 4 soldados que permaneceram na sala ficaram constrangidos com aquela cena.
Soldado2: O senhor deseja alguma coisa? - Estava aflito.
Edward: Que você cale a boca!
Estava visivelmente transtornado. Os soldados tinham certo medo dele justamente por ser deformado. "Deformado" era a palavra que não saía de sua cabeça com a voz desafiadora de Vampira. E pensar que foi Gambit que destruiu seu rosto ao obrigá-lo a engolir um carta do baralho energizada! Desde então, Edward percebeu que fôra um erro não ter deixado seus soldados tripudiarem de Vampira da primeira vez em que foi sequestrada. Em pensar que ele teve nojo pelos soldados! Edward queria esterilizar Gambit e ia pedir para o médico do exército, responsável por essas operações que em breve seriam rotineiras, a aproveitar a anestesia e deformar o rosto de Gambit com o bisturi! Vampira ele queria estuprar e depois deixar que todos os soldados do batalhão fizessem o mesmo, até ela ser esterilizada pela brutalidade!
Edward: L.E.R! Hahahahahaha! - Gargalhava olhando para um dos soldados. - Você sabe o que é L.E.R?
Soldado: Lesão por Esforço Repetitivo, senhor?
Edward: Hahahahahaha! Exatamente! Era assim que eu planejava
esterilizar aquela vaca hoje, soldado. - Ele parou de rir
e fechou a cara por perceber que não conseguiu o que queria. Lembrando que
chegou a estar em cima dela, puxando seu cabelo com violência, tampando sua boca
com força; pronto para fazê-la implorar para morrer.
Soldado: Por lesão de esforço repetitivo, senhor?
Edward: É... Depois de mim ia você e depois seu amigo, e depois outro, e outro, e depois aquele brutamontes que lava as bandejas do refeitório, conhece? - Edward viu o rosto do soldado mudar e perceber o que ele planejara para Vampira. Ela poderia ter sido, naquela noite, o depósito de todo o esperma daqueles soldados. - Eu ia fazer com que explorassem todos os orifícios daquela vaca e depois ia mandar que abrissem novos buracos! Morte aos mutantes! Morte!
Edward viu que um dos soldados fez uma cara feia e começou a sair da sala de fininho.
Edward: Que foi? Eu disse alguma coisa que você não gostou, insolente?
Soldado: Perdão, senhor. Mas fico feliz que a moça tenha escapado disso tudo.
Edward: O QUÊ? Com que autoridade você pensa que...
Soldado: Com que autoridade você, Edward Northon: que não é do exército! Eu não recebo ordens suas. Você é apenas um amigo do senador Zack Abraan.
Edward: Que comanda o seu superior e, este por sua vez, te obrigou a me obedecer! Esse caso será reportado ao seu superior.
Soldado: Pois faça! Eu estou aqui para prender mutantes e esterilizá-los! Assim, salvaremos o país desses deformados. Mas não estou aqui para estuprar, abusar, bater ou matar ninguém! Essa moça teria sofrido mais do que sofreu. E por que? Por que tem que sofrer? Pensei que ela só devesse ser impedida de procriar e devesse ficar presa até a operação ser feita! Mas vejo muitas irregularidades aqui!
O soldado defendia os "direitos" dos mutantes, sem perceber que aceitar a esterilização e prisão deles era tão absurdo quanto deixar que eles sofressem outros abusos naquele cativeiro. Aceitar a esterilização e prisão era justamente acabar com os "direitos" deles. Mesmo o soldado sendo preconceituoso daquela forma, sua negação à brutalidade com os mutantes era uma ofensa para Edward.
Edward: Ela e o marido dela fizeram isso que você está vendo no meu rosto!
Soldado: Este lugar não foi construído para vinganças particulares, senhor.
E saiu da sala deixando Edward falando sozinho. Sabia que a repreensão que receberia do superior seria severa. Mas não aguentou ouvir que os planos de Edward não era apenas estuprar a moça, como é comumente feito, mas fazer com que ela servisse à todos os mais de 100 guardas que estavam de plantão naquela noite.
O silêncio voltou a imperar na sala, Edward voltou a bater com a testa na mesa. Um dos 3 soldados que permaneceu na sala resolveu reconfortar o "superior".
Soldado: Senhor... Se te conforta saber, ... eu fiz com que ela se sentisse bem baixa.
Soldado2: É verdade. A idéia da meia 3/4 foi dele. ... Mas ... eu fiz questão de apertar aquelas tetas como se fossem de uma vaca.
Soldado3: Ora! Você se acha o máximo! E quem ficou fazendo terrorismo psicológico com ela com o cassetete?!?! Ela chegou a implorar chorando para que eu não fizesse! Ninguém barra o que eu fiz!
Edward sorriu e sentou-se melhor na cadeira, colocando as duas pernas na mesa para descansar. Estava gostando de ouvir aquela briga em saber quem mais fez Vampira sofrer. Se Edward não conseguiu esterilizá-la na humilhação e martírio supremo, ao menos se reconfortava ouvindo aqueles pequenos pedaços da história daquela noite. A cada nova coisa que ouviu, passava a mão no rosto deformado e dizia "ai, essa eu queria ter visto".
Soldado1: Ridículo isso. Porque quem colocou o dedo nos dois lugares fui eu!
Soldado2: Mentira! Você tá querendo agradar ao Edward! Não fez nada disso!
Soldado1: Fiz sim! Foi quando ela gritou "não faz isso... não, isso não". Você não lembra? Sussurrou que queria morrer e tudo! Mas eu não parei...
Edward: É bem capaz que ele tenha feito isso sim. Porque quando eu coloquei aquele bicho de quatro, vi que estava tudo bem mexido para a minha entrada triunfal... mas! Não foi dessa vez ainda!
Soldado: Nós vamos pegá-la, senhor. Da próxima vez o senhor consegue.
Edward: Todos esses mutantes devem desaparecer da face da terra. A existência deles não é mais compatível com a existência do mundo. Meus filhos e netos vão viver em um mundo livre de mutantes. E eu vou contar minha história com orgulho. - Olhou a lua pela janela com um rosto perdido num risinho de glória. Mas voltou a bater na cabeça.
Soldado1: Ai, ai...Se o senhor Edward não tivesse proibido, eu teria deixado aquela mulher grávida de trigêmeos. - Cochichou para o amigo ao lado.
Enquanto isso, Wolverine corria segurando Jean Grey pela mão. Sabia exatamente onde estavam escondidos Magneto e Tempestade. Atrás de uma antiga fábrica de sapatos abandonada que ficava próxima ao complexo, quase na entrada da mata. Ao chegar lá, viu que Magneto e Ororo ainda não haviam chegado. Parou bruscamente e ofegante. Puxou Jean para a sombra atrás das paredes exteriores.
Wolverine: Tudo certo, Jeanny. Meu plano deu certo.
Foi só então que Wolverine finalmente olhou para ela e a encontrou nua. Ele ficou mudo, ela também. Não tentava se esconder, seria mais ridículo do que já era. Depois de um longo tempo de troca de olhares surpresos, Logan baixou o rosto.
Wolverine: O que foi que eles fizeram contigo, ruiva? - As palavras saíram mordidas de ódio ennquanto ele apertava os olhos com toda a raiva animal.
Jean: Nada que não tenham feito com os demais.
Wolverine: Jeanny... eu não queria ter visto nada, não tinha percebido que você...
Jean: Eu notei pela sua surpresa, Logan. Levante o rosto.
Wolverine continuou olhando o chão com os olhos fechados. Mas Jean levantou aquele rosto másculo com os dedos delicados.
Jean: Não há roupas, portanto olhe pra mim e não me faça sentir ainda mais envergonhada. Olhe porque nós vamos fugir e você não pode fazer o caminho de olhos fechados!
Wolverine abriu os olhos e lançou em Jean um olhar profundo. Tirou a jaqueta de couro e deu pra ela. Jean riu e olhou para a Lua com lágrimas nos olhos.
Jean: Isso me faria ficar ridícula, tampando aparte de cima e exibindo a de baixo. Mais ridículo do que exibir o conjunto inteiro. - Ela era sempre racional, mesmo nesses momentos.
Wolverine, em um movimento brusco, agarrou Jean contra o seu peito. De forma mais protetora que um escudo, apertava-a contra si e não deixava que ela tirasse o rosto de seu peito. Logan beijava os cabelos ruivos dela.
Wolverine: Ninguém mais vai te ver assim. Ninguém mais vai encostar em um fio do seu cabelo para te maltratar, ruiva. Estou com você agora.
Naquele momento Magneto e Tempestade chegaram ao esconderijo. Wolverine, agarrado a Jean, imprensou-a contra a parede da fábrica. Daquela forma os dois recém chegados não veriam nada de Jean.
Tempestade: Jean? É você? ...??? Wolverine, solte-a! Nem estou vendo ela direito!
Wolverine: Tempestade, tira a sua capa!
Ela nem teve tempo de tirar direito e Wolverine já foi arrancando de sua mão. Tempestade ha muito tempo que não o via tão animalesco. Logan colocou a capa em Jean e fechou os botões da frente que Ororo nunca fechava, por ter sempre o uniforme por baixo da capa. Jean Grey estava vestida com uma espécie de vestido negro até os pés. Um vestido quase que batina de padre. A ruiva surgiu dos braços que a protegiam. Tempestade correu para abraçá-la.
Tempestade: Pela Deusa! Conseguimos salvar alguém nessa investida sem o menor planejamento!
Jean: ...
Tempestade: Logan não nos deu tempo para planejar nada direito. Queria invadir logo o complexo. Como pode em poucas horas que vocês foram presos, Wolverine achar que nós três damos conta de libertar todos os mutantes?!?! Mas nós vamos voltar bem mais organizados, ouviu, Wolverine? E isso não quer dizer que vamos voltar em duas horas! Agora que temos Jean, será mais fácil.
Wolverine: Tudo certo. Temos Jean e Gambit e Vampira também.
Tempestade chegou a levantar as mãos para o céu.
Tempestade: Sério?! Onde estão os dois?
Wolverine: Pois é... Tô sentindo o cheiro. Vou entrar no mato e volto em dois segundos. Tempestade, leva Jean para o hotel combinado. Magneto, tu vem comigo. ... Vou precisar da sua capa.
Wolverine foi cortando galhos e troncos com suas garras para abrir caminho entre a mata. - SNIKT - Farejava cada local como se fosse um cachorro de caça. Logo depois ouviu vozes que Magneto não ouviu.
Wolverine: Ouviu, ou sua idade está avançada demais para isso?
Magneto: Já estou aguentando demais suas brincadeiras, Logan. Eu aconselho a ter um pouco de receio meu, para teu próprio bem.
Wolverine: Receio? Que palavra é essa?
Magneto: Continue brincando.... e... Lembre-se que eu, de fato, sou mais novo que você.
Wolverine: Pra você ver o quanto a genética faz diferença!
Wolverine avistou os dois pombinhos numa clareira adiante e gritou:
Wolverine: Adão e Eva?!?! - Brincadeira fora de hora, na certa.
Gambit: Mon ami! - Gambit foi correndo para próximo dele, só depois que percebeu ter Magneto por perto também.
Vampira ficou lá trás, com vergonha. Não sabia de quem, se de Wolverine ou se de Magneto; que já conhecia aquele corpo muito bem. Eric caminhou até ela na clareira, enquanto Wolverine entregava sua calça jeans para Gambit. A samba canção do canadense era quase um short, mas Gambit não ia perder a oportunidade de brincar.
Gambit: Ah, de cueca! Lastimável! Eu não merecia isso! - Ele riu.
Wolverine: E você que tá pelado?! Me devolve a calça então, engraçadinho!
Gambit: Tarde demais! Ficou pescando no comprimento, mas me
serviu muito bem!
Foi então que os dois olharam para a clareira e viram Magneto tirando sua capa vermelha e colocando-a em Vampira. Ela estava chorando e Magneto limpou sua lágrima com os dedos.
Vampira: Obrigada, Eric. Você não sabe o quanto me cobrir significa hoje pra mim... Esse corpo já esteve em exposição demais.
Magneto: Não tem de quê.
Vampira: Você não sabe pelo quê eu passei...
Gambit veio correndo lá de longe.
Gambit: Posso saber o que está acontecendo aqui????
Vampira estava abraçada com Magneto.
Magneto: O que está acontecendo aqui é que sua esposa parece bem abalada. Mas quem verdadeiramente sabe o que ocorreu é você.
Gambit: Por isso mesmo pode soltar, que eu sei como acalmá-la.
Wolverine: Vamos deixar a discussão de lado e correr! Tô farejando gente dentro dessa mata! Eles devem estar encontrando o sinal dos chips inibidores de poderes. Precisamos ir para o hotel rápido e arrancar essas merdas!
Vampira, que até então estava funcionando no botão automático da sobrevivência (fugindo do complexo com Gambit depois de tudo o que lhe ocorreu), agora que tinha recebido a capa de Magneto e retomado a preservar sua intimidade e identidade; sentiu o peso de todo o sofrimento do que lhe ocorrera lá dentro. Se antes não estava chorando, agora que tinha começado ia ser difícil parar. Gambit ajoelhou-se aos pés dela dizendo que aquilo tudo ia passar, que ela precisava ser forte e jurando vingança. Volta e meia soltava alguma frase carinhosa em francês. Mas ela continuava chorando e não corria.
Wolverine: Gambit! Põem ela no colo e corre!
Foi o que o cajun fez! Colocou aquela mulher embrulhada numa capa vermelha no colo e fugiu rumo ao hotel. Depois de cinco minutos de corrida, chegaram em uma espécie de hotel chalé feito de madeira, típico de quem gostava de relaxar perto da floresta. Os móveis rústicos tornavam o lugar aconchegante. Mas os hóspedes que ali chegaram pareciam afobados, afoitos e nada contemplativos da beleza do local. Subiram correndo para os quartos, mas antes todos foram para o quarto de Tempestade; que já estava lá com Jean vestida e roupas para Gambit e Vampira em cima da cama. Magneto, Wolverine, Gambit com Vampira no colo entraram no quarto.
Tempestade: Comprei umas roupas na lojinha da recepção. Tudo têm o símbolo da região e frases sobre a natureza. - Wolverine ficou contente ao ver Jean vestida e aparentemente bem.
Wolverine: Ótimo. Assim Gambit devolve minhas calças!
Tempestade: Esse esconderijo está correndo perigo. Já devem ter localizado os chips, principalmente agora que estão todos parados em um mesmo locus.
Magneto: Mas Gambit, Vampira e Jean vão pular no rio! - O rei do magnetismo apontou para a janela do quarto, mostrando o rio revolto que passava abaixo do quarto.
Gambit: Quantas você bebeu hoje? Tá dizendo que a gente vai fugir pela janela e cair naquela água gelada e revolta, enquanto você tira um cochilo no quarto, mon ami?
Magneto: Quase isso. Eu e Wolverine já tínhamos pensado nisso.
* SNIKT * Wolverine soltou uma das garras da mão direita aterrorizando a todos! Nem Tempestade sabia desse plano! Logan agarrou o braço de Jean e a jogou na cama.
Tempestade: Logan, não!
Wolverine: Onde, ruiva?!?!
Jean: Wolverine, você não pode fazer isso comigo!
Wolverine: Onde? Eu estou mandando você dizer onde está o chip! Agora!
Jean apontou para a perna esquerda e Logan viu o ponto preto bem abaixo da pele, próxima ao calcanhar. Ele agarrou a perna dela com a outra mão, imobilizando-a. Jean se remexia tentando soltar-se.
Jean: Logan! Deve haver outro jeito! Isso vai doer muito!
Wolverine: Vai doer mais em mim do que em você!
E então, sem deixar que a ruiva pudesse contra argumentar, Wolverine enfiou sua garra afiada na carne dela!
Jean: AHHHHHHHHHHH!
Tempestade arranhou o próprio braço de tanto nervoso e sentiu-se mal. Vampira agarrou Gambit, escondendo o rosto no peito dele, pensando que o mesmo ocorreria com ela.
Wolverine estava trêmulo, com os olhos húmidos, mas continuava a fazer o serviço enquanto Jean soluçava.
Wolverine: Calma, Jeanny.
E lá estava o chip ensanguentado
na mão do canadense. Ele mostrou-o para Jean, que respirava ofegante sem mais
som para chorar. Logan apertou seus lábios contra os de Jean. Eram lábios rosados molhados de
lágrimas.
Wolverine: Passou, gata. Passou. - E deu outro beijo rápido apertado. Colocou o chip em cima da escrivaninha e dirigiu-se para vampira com aquela garra ensanguentada em riste.
Vampira: Fala sério! Sai pra lá!
Jean sentia seus poderes telepático e telecinéticos voltando ao corpo. Ela sorriu reconfortada quando controlou a dor da perna com seus poderes.
Jean: Não tenha medo, Vampira. Eu anestesio sua dor.
Vampira adormeceu no mesmo momento, mas continuou de pé. Eram os poderes de Jean que a controlavam. A ruiva estava sentindo-se poderosíssima e invencível com todo aquele fogo interno. Wolverine aproximou-se do braço de Vampira. mas Gambit jogou-se na frente dela.
Gambit: NON!
Wolverine: Quê isso, cajun?!?! Sai da frente! Não temos tempo!
Gambit: Eu não vou poder mais tocar nela!
Wolverine: E daí????
Gambit: Como e daí?! Eu não ia suportar aquele martírio de novo!
Magneto: Prefere que ela sofra o martírio daquele complexo anti-mutante?!
Gambit: Cala boca, que eu sei que a impossibilidade do meu toque nela te agrada e muito! - Tempestade teve que segurar Gambit, que já partia para cima de Erik.
Wolverine aproveitou aquilo para perfurar a pele do braço de Vampira.
Gambit: Non! Non! Chere? - Quis tocá-la,
mas já sabia que não podia.
Wolverine levou o outro chip ensanguentado para a escrivaninha. Tempestade já estava amarrando um lenço branco na perna de Jean e outro no braço de Vampira. Gambit olhava para os chips em cima da escrivaninha com olhar desolado. Logo adormeceu, era Jean o anestesiando. Vampira foi acordando e viu Wolverine enfiando a garra no peito de Gambit.
Vampira: Não! Gambit! - Teve calafrios ao ver o marido sendo cortado! Correu para abraçá-lo e protegê-lo, mas Magneto a segurou!
Magneto: Não! Você não pode mais! Não toque nele!
Vampira olhou para o braço enfaixado pelo lenço e depois para a escrivaninha. Fechou os olhos e compreendeu tudo. Wolverine levou o último e derradeiro chip para a escrivaninha. Pediu que Vampira os pegasse e fosse para perto da janela.
Os soldados estavam com o radar e os cachorros próximos ao hotel. Viram no visor do radar onde estavam localizados os chips. Um dos soldados pegou seu walk-talk e falou com Edward Northon.
_ Edward?
Depois de dois segundos de silêncio, veio um estalido metálico, um chiado e a resposta de Edward.
_ Que foi? Zack Abraan já está aqui, não interrompa.
_ Encontramos a localização dos chips. As coordenadas dão no chalé próximo ao rio.
Mais um silêncio e depois um chiado.
_ Maravilhoso!
_ Podemos invadir?
_ Estão esperando o que? A permissão do Papa?
O soldado colocou o walk-talk novamente no cinto. Apontou para o hotel lá longe e mandou soltar os cachorros.
Soldado: Todos para o hotel! Sigam os cachorros!
Logan colocou cada chip dentro de uma esponja do banheiro, dessas bem fofas que bóiam na banheira.
Wolverine: Joga o mais longe que você puder, guria. Um por um. Usa essa sua super força!
Vampira atendeu ao pedido. Jogou o chip de Jean que foi parar quase na outra margem do larguíssimo rio! O chip deveria estar descendo a correnteza dentro da esponja flutuante.
Wolverine: Espera mais um pouco. ... Jogo o outro agora não tão longe.
Vampira jogou o seu próprio chip no meio do rio, conseguiu ver a esponja correr rio abaixo!
Wolverine: Espera mais um pouco. .... .... Agora!
E jogou o chip de Gambit novamente o mais longe possível.
Logan sorriu e olhou para os outros no quarto.
Wolverine: Você acabou de pular no rio, Gambit!
Gambit sorriu. Fantástico!
O soldado responsável pelo radar engasgou-se!
Soldado: Parem! Parem! Não invadam o hotel! Eles fugiram! Fugiram!
Via os pontinhos indicativos de cada coordenada movimentarem-se rapidamente em direção ao sul.
Soldado: Nossa! Eles devem estar de carro! A movimentação é muito rápida!
Os outros soldados vieram correndo.
Soldado2: O que aconteceu?
Soldado: Eles estão fugindo na direção oposta! Devem ter pego a auto estrada! Não é na direção do hotel, é para o Sul!
Soldado2: Tudo bem, todos vocês voltem para o complexo e peguem as viaturas. Vamos correr atrás desses caras.
Soldado: Não! O rio! O rio! Eles pularam no rio!
Soldado2: O quê????
Soldado: Pulem no rio atrás deles! Já estão muito longe em direção ao sul!
Jean: Por que não simplesmente destruímos os chips com a força de Vampira??
Magneto: Eles veriam em qual coordenada o sinal teria parado e descobririam que tínhamos destruído o chip. Mas dessa forma, eles vão nos procurar por todos os quilômetros do leito do rio!
Jean: E por que Wolverine teve que arrancar os chips e não você, Magneto? Com seus poderes?
Magneto: Eu tentei fazer isso no momento em que vocês foram alvejados pelos chips e presos lá na mansão. Percebi que os chips não eram feitos de metal. Ou se tinham peças de metal, estavam bem revestidas com outro material que não tenho controle.
Wolverine: Parecia um plástico preto duro.
Tempestade: Eu estou agradecendo aos Deuses que aqueles imorais tenham construído todo o complexo de ferro e aço! Senão, não teríamos como ter resgatado vocês.
Magneto: Imagino que eles venham a refazer todo o prédio com um material especialmente feito para minha espera. Ou seja, não poderei mexer nele.
Vampira: É por isso que vamos ter que voltar lá, antes que isso acorra.
Vampira já estava pegando sua camisola com desenhos de árvores em cima da cama e indo para o seu chalé. Gambit passou a mão em roupas masculinas e foi atrás dela. Tempestade segurou seu ombro.
Tempestade: Não vá fazer nenhuma besteira. Precisamos de você, Gambit. Por favor, não toque nela!
Gambit: Não tocarei, Ororo.
Tempestade sentou na cama ao lado de Jean. Olhou para Wolverine e Magneto e sorriu.
Tempestade: Os senhores não vão deixar que as damas descansem???
Wolverine olhou para Magneto.
Wolverine: Eu não durmo com ele.
Magneto: Você quis dizer que, na verdade, está querendo dormir com Jean.
Wolverine: Grrrr. - SNIKT - Não me faça te arrancar os dentes/b>!
Jean: Tudo bem, eu durmo com Magneto e você passa a noite com Tempestade, Logan.
Wolverine: Você com esse cara???? De jeito nenhum!
Pegou Jean pelo braço e a arrastou para o chalé do lado.
Tempestade olhou para Magneto e deu de ombros.
Tempestade: Não repare, Erik. Essas crianças são assim mesmo.
Magneto sentou na cama e soltou o ar relaxando o corpo retesado o dia e a noite inteira.
Magneto: Eles estão longe de serem crianças, Ororo.
Continua Aqui!