Infância Mutante - Vigésima Terceira Parte
Noite avançada. Horas atrás inúmeros mutantes haviam sido presos, inclusive os x-men. As TVs dos bares noticiavam que aquela deveria ter sido a última leva de mutantes. A cidade estava "limpa daquela corja imunda". Muitos nos bares levantaram seus copos e brindaram com felicidade aquela notícia. "Saiam de casa tranquilos à noite, os mutantes estão presos. Durmam sossegados, eles não irão se soltar", era o que dizia a TV.
Um trio dobrava uma esquina e se afastava das ruas movimentadas, rumo ao Central Park. Estranho trio formado por uma negra alta, um aparente cinqüentão enxuto e um baixinho atarracado. Foram se embrenhando por entre as árvores escuras pela noite, queriam ficar ocultos pelas sombras.
Wolverine: Quanto tempo mais nós vamos ficar aqui pastando? - Estava mais nervoso que o normal.
Magneto: Acalme-se. Seus destemperos não ajudam em nada. Eu e Tempestade, os que têm cérebro, estamos pensando em algo.
Wolverine: Vou te dizer onde enfiar teu cérebro! - SNIKT< - Mas foi interrompido pela deusa negra.
Tempestade: Menos, Wolverine. E tente não provocá-lo, Eric.

Wolverine: Não sei quanto a vocês, mas eu perdi amigos essa tarde. Foram todos arrastados para um caminhão e levados pros quintos dos infernos! E ainda me impediram de salvá-los!
Magneto: Você morreria se tivesse um chip daqueles implantado no corpo! Nós te salvamos. O adamantium te mataria se teu fator de cura fosse aniquilado pelo chip.
Wolverine: Nunca precisei de ajuda e não tenho medo da morte.
Magneto: Talvez se eu arrancasse seu adamantium com meus poderes, você pudesse salvá-los sem medo de perder seu fator de cura e morrer! - Estava sarcástico e provocativo, levantou os braços como se fosse começar a extrair o adamantium de Wolverine.
Wolverine: Tenta, velho gagá!
Um raio catastrófico iluminou o céu de Manhattan e rasgou o ar até entrar na mão incisiva de Tempestade, que tinha os olhos brancos de quem estava sem muita paciência.
Tempestade: Eu quero os dois ca-la-dos!
Magneto e Logan ficaram um tempo em silêncio, ainda assustados com a descarga elétrica tão próxima.
Uma risada sinistra saiu das sombras das árvores e ecoou pelo parque vazio. Magneto não acreditou quando viu o Senhor Sinistro aparecer dentre a escuridão, ainda terminando o riso macabro.
Magneto: Essex?!?!
Tempestade: Sinistro????
Wolverine: - SNIKT - Quê que tu qué? Apanhar?
Sinistro: Vocês querem seus amigos de volta. Eu quero as crianças.
Tempestade: Quê crianças? - Foi então que arregalou os olhos e percebeu do que se tratava. - Monstro! Você quer a Rachel!
Sinistro: E o ainda em gestação, Natan.
Magneto: Não pense que vai conseguir sequestrar as crianças só porque os x-men não podem defendê-las.
Sinistro: Não estou nem pensando nisso. Por enquanto só penso na proteção e mantimento de vida do DNA ideal.
Wolverine: Como assim?
Sinistro: Desconfio que as crianças serão mortas. E os adultos serão esterilizados. Primeiro quero impedir isso. ... Depois penso em como arrancá-las de vocês com mais dignidade. Assim seria fácil demais. - Mais uma vez a risada diabólica.
Tempestade: Não queremos sua ajuda.
Sinistro: O trabalho em equipe seria ideal. Pensem em salvar os outros inúteis, que eu cuido de Jean Grey, Scott Summers e sua prole.
Sinistro foi sumindo no ar, como se desintegra-se na bruma da noite.
Sinistro: Eu estarei por perto, sempre. - E sumiu.
Tempestade: Pela Deusa! Esse homem chega a me dar arrepios! - Quando ela olhou para os lados, encontrou Wolverine muito longe, correndo para fora do Central Park.
Magneto: O que deu em você, apressado?
Wolverine: Fiquem aí discutindo planos e mais planos de ataque! Eu vou chegar naquele inferno antes que qualquer Sinistro possa fazer alguma coisa!
Tempestade: E como vamos encontrar o lugar?
Wolverine: Eu ainda tenho faro! - E sumiu na noite, com Tempestade e Magneto o seguindo.
Os soldados seguiram as ordens do anti-mutante Edward Northon, que foi para uma sala fazer curativos nos ferimentos provocados por Vampira. Entraram quatro em cada cela que tivesse um mutante vestido, eram todos x-men. Iriam arrancar suas roupas. Escutavam-se gritos de todas as celas. Gritos de Jubileu, de Jean Grey, de Bruna, palavrões de Bobby Drake, ameaças do Anjo, explosões de voz de Scott. Um silêncio profundo de Xavier e gritos histéricos, extremamente histéricos de Vampira. Pareciam que a estavam matando.
Vampira: Tira a mão de mim!
Nenhum estranho nunca a encostara! Era intocável. Os únicos que conseguiram tocar um pouco mais de sua pele foram Magneto e Gambit. Os demais amigos só tiveram o privilégio de lhe darem beijos no rosto e segurarem sua mão, depois do colar e da pulseira inibidora de poderes. Era, portanto, uma pessoa desacostumada ao toque e a exposição.
Os demais mutantes da cela, já nus, tampavam o rosto e os ouvidos. Já tinham
passado por aquela humilhação e não
queriam ver a moça sofrendo. Aquele era o primeiro passo para transformar a
todos num só bolo de carne sem identificação, sem identidade. Numa só massa de
animais. Mas Gambit, na cela da frente, tudo via e vociferava como um louco!
Gambit: NON!!!! Não encostem nela! Eu juro por Dieu que eu acabo com vocês se encostarem um dedo nela!
Mas tudo acontecia muito rápido. Enquanto as próprias roupas de Vampira eram rasgadas, outros soldados já arrancavam o sobretudo de Gambit, que tentava lutar inutilmente. Um dos soldados já tinha até levado um soco bem no queixo, mas jogaram o cajun no chão e lhe deram um chute na barriga para ver se parava de chacoalhar-se contra os soldados e as paredes.
Vampira: Gambit! - Gritou assustada ao ver aquela violência, enquanto os guardas rasgaram suas últimas peças íntimas.
Gambit estava caído no chão da cela, completamente nu, encurvado segurando a barriga espancada. Agora estava como os demais, nu e humilhado; era mais um mutante na cela. Scott também conseguiu dar uma rasteira em um soldado e fez com que outro dessa com a testa na parede, mas acabou nu diante de todos os outros nus de sua cela. E viu na cela de frente o Homem de Gele perder suas roupas. Fera foi gozado pelos guardas.
Soldado: E com esse monte de pêlo aí, a gente faz o quê?
Soldado2: Sei lá! Não tem nem roupa pra tirar!
Soldado: Caraca! Precisa de uma tosa esse lobisomem! Hahahahaha! Pior que o poodle da minha mãe que não vê tesoura há anos!
Soldado2: Bizarro! Será que deixar essa coisa pelada é raspar ele inteiro?
Soldado: Hahahahaha! Como é que ele se virava com as mulheres?! Você não pegava mulher, não, seu Capitão Caverna!
Soldado2: Hahahaha! Capitão Caverna! Disse tudo! Capitão Caverna!
Soldado: A gente volta mais tarde com um barbeador elétrico, Capitão Caverna! - E fecharam a cela com um constrangido Bobby Drake nu diante de um Fera humilhado; e na cela da frente um Scott Summers que mesmo sem roupas não perdia o ar de chefe e guia com aquele peitoral empinado.
Na cela de Jean Grey e Bruna, os gritos também eram altos. Vinham mais de Bruna do que da ruiva. Jean tentava fazer uso de sua já conhecida calma para dialogar com os guardas. Sempre teve a capacidade de convencer e fazer as pessoas mudarem de idéia.
Jean: Por favor... O senhor não faria isso com sua irmã, faria? Eu podia ser sua irmã.
Bruna: Socorroooo! Logan! Logan! Logaaan! - Wolverine não estava presente. Jean pensava no quanto Bruna estava sofrendo desde que Wolverine e outros mutantes entraram em sua vida. Perdeu a vida que tinha com um clone ambicioso pelas ruas e no seu trabalho, foi morar numa casa de mutantes e agora foi sequestrada por ter sido confundida com uma mutante.
Jean: Não faz isso comigo, eu estou grávida.
Soldado: Quê?! Engordar dois quilos é estar grávida???
Jean: É de pouco tempo, mas eu estou grávida. Você não pode fazer isso comigo. Imagine sua mãe grávida de você passando por uma situação dessas. Imagine sua mulher grávida passando por isso.
Soldado: Eu não sou casado e minha mãe é adotiva. - Rasgou a blusa da ruiva, fazendo com que seus seios saltassem.
O guarda não pensou duas vezes e apertou com força um dos seios de Jean.
Soldado: Como é que não saiu leite, grávida??? - E apertou os dois com raiva - Hein, grávida???? Como?
Jean estava petrificada com as mãos no rosto. Paralisada em pé, sem conseguir respirar, ainda sentindo a pele doída pelas mãos grossas do guarda. Nesse momento, Bruna entrou em desespero pensando no que lhe podia acontecer. Jogou-se contra as grades da cela, e com o rosto apertado pelas barras, começou a gritar.
Bruna: Eu não sou mutante! NÃO sou mutante! Não sou! Não sou!
Jean caiu no chão e começou a chorar ao lembrar da violação absurda que é ter um seio apertado por um estranho como se fosse uma vaca a ser ordenhada. Chorou de tristeza e raiva, o idiota nem sabia que o leite só é fabricado após o nascimento da criança.
Soldado: Ainda não acabei com você, grávida! - Ele realmente acreditava que Jean estava mentindo para se livrar de ficar nua.
Completamente indefesa, com as mãos no rosto, foi fácil para o guarda arrancar sua calça do uniforme dos x-men. E, então, ao ver a calcinha tão delicada, o guarda parou. Olhou para os longos cabelos ruivos caídos pelo rosto que chorava tampado pelas mãos. Foi para o corredor e chamou os guardas que saíam da cela de Fera e Bobby Drake.
Soldado: Ei! Vocês gostaram do Capitão Caverna??? Então venham aqui ver um momento raro! Vamos checar se numa ruiva, é tudo ruivo!!!
Mesmo a cela sendo a última do corredor, Scott Summers ouviu aquilo muito bem e sabia que a ruiva era sua mulher. Jogou-se contra as grandes numa espécie de punção de morte, gritando como um louco, batendo com a testa nas barras.
Gargalhadas e gritos de felicidade vieram da última cela. Num tom de galhofa eles gritavam:
Soldado: É tudo ruivo mesmo!
Soldado2: Essa deve ser quente! Deve pegar fogo! Hahahaha!
Soldado: A gente pode experimentar! Eu nunca tive o prazer de pegar uma ruiva de verdade.
Nesse momento, Bruna jogou-se em cima de Jean, tentando
protegê-la. Curvou-se contra ela, como se fosse uma redoma protetora. Os guardas
riram.
Soldado: Hahahahaha! Que medo da morena!
Sem nenhuma cerimônia, arrancaram Bruna de cima de Jean e rasgaram toda a sua roupa. Bruna ficou rouca de tanto gritar. Depois os guardas cuspiram nela, fizeram algumas piadinhas de praxe e fecharam a cela. Jean finalmente levantou o rosto ensopado de lágrimas. As duas engatinharam uma ao encontro da outra e se abraçaram.
Jean: Obrigada.
Bruna: Vamos ficar unidas, porque sozinhas eu acho que não sobrevivemos aqui.
Jean: Que vergonha horrível...
Bruna: Ainda bem que coisa pior não aconteceu com a gente...
Esse é sempre o pensamento de quem sofre ou de quem perdeu alguma coisa, de que coisas piores poderiam ter acontecido. Sempre agradecem por não ter acontecido nada pior. É uma forma de se acalmarem de um trauma, de tentarem desesperadamente enxergar sorte na horrível situação.
Pronto. A humilhação inicial tinha acabado. Estavam todos, em todas as celas, completamente nus. Às vezes era difícil definir quem era quem, e essa era uma das intenções. Até Jubileu, uma adolescente virgem, e ainda não toda desenvolvida, ficou nua diante de um velho paraplégico que também não foi poupado da nudez. Sam olhava para o chão o tempo inteiro, Jubileu idem. Não queriam ali, verem o que poderiam ver, quem sabe um dia, numa situação romântica em um lugar bem diferente. Mas era impossível olhar para o chão o tempo inteiro. Se descobriram naquela cela imunda. Lhes foram tirada a possibilidade do doce momento da descoberta do corpo. Se olharam, se checaram e rapidamente passaram a se ver como se sempre fossem ficar nus. Ou seja, não estavam mais nus, era como se tivessem se conhecido daquela forma. E era isso que todos os x-men faziam quando, por ventura, viam de relance, pelos ângulos das disposições das celas, um ou outro companheiro de equipe. Um choque inicial rápido pela nudez do companheiro, que logo era apagada. Eram todos nus, como bichos. A nudez já não significava mais nada, ninguém ficava reparando. Ela não tinha como ser sexualizada, porque aquela era uma situação de violência e brutalidade. Ninguém reparava por longo tempo a nudez do outro, em características ou detalhes do corpo. O único que Jubileu admirou por um tempo, foi o pobre Gambit, sentado arrasado no chão de sua cela. Aquele espécime masculino ela não conseguiu olhar e não ver. Confirmou sua suspeita: era todo lindo. Foi interrompida por Sam.
Sam: Eu não acredito que você consegue ficar babando numa situação dessas!
Jubileu: Eu não estou babando, garoto!
Sam: Queria ver como você se sentiria se alguém estivesse babando por você nessa situação violenta e absurda!
Ele tinha toda razão. Mas não deixa de ter, também, um pouco de ciúmes. Jubileu percebeu.
Wolverine, com seu faro descomunal, conseguiu seguir o rastro do caminhão e encontrar o enorme complexo repleto de celas. O trio estava longe, olhando tudo do alto de uma colina. Faziam rastreamento do área.
Wolverine: Tá todo mundo aí dentro, eu sinto o cheiro.
Magneto: Isso me lembra minha infância... Parece que a qualquer
momento vou encontrar uma câmera de gás cheia de pessoas nuas para serem
mortas.
Tempestade: Pessoas nuas? ... Acho que esse método nazista deve estar fora de mora, Magneto.
Magneto: Não se engane, Ororo Munroe. Não se engane... Isso é antiquíssimo e muito utilizado. E acho que, infelizmente, para sempre será. Dentre as muitas formas de tortura, essa é apenas uma. Nudez forçada, estupro e espancamento é mais fácil de produzir do que choques elétricos, tortura psicológica mais elaborada ou qualquer outra coisa.
Wolverine: - SNIKT - Vem cá, tu não acha que isso tuudo tá acontecendo lá em baixo, acha?!?!
Magneto: Pode ser que sim, pode ser que não... Temos é que destruir aquilo tudo.
Wolverine foi descendo a colina se esgueirando por trás de pequenos arbustos para não ser visto. Tempestade sussurrou alto:
Tempestade: Pela Deusa, Logan! Onde você vai?
Wolverine: Cortar uns guardas ao meio! Aproveita e frita uns guardas com seus raios! Enquanto Magneto podia retorcer aquele metal inteiro!
O trio se entreolhou e resolveu agir. Magneto começou a flutuar e Tempestade embranqueceu os olhos. Seus cabelos brancos foram ficando cheios de eletricidade e se arrepiando. Nuvens carregadas começaram a chegar, ventos fortíssimos uivavam pela colina até lá em baixo. Relâmpagos começaram a cair ao longe, até que raios fortes começaram a sair e chegar de suas mãos. Tempestade sorriu, estava pronta. Levantou vôo em direção ao complexo.
Edward Northon voltou a caminhar por aquele corredor de celas e parou bem diante da cela de Vampira, com cinco guardas, conforme o prometido.
Vampira: Deformado! - Ela não perdia uma única oportunidade de dizer isso.
Northon resolveu virar-se de costas para ela e fazer um discurso, em alto e bom som, para todos os demais. Teve que aumentar bastante a voz, já que lá fora a chuva, os ventos e os raios estavam fortes.
Edward: Vocês sabem porquê estão aqui??? ... ... - Aguardou alguma resposta, mas não veio nenhuma, todos tinham medo dele. - Estão aqui porque são uns anormais! São o erro genético, a falha da natureza! Além de trazerem gastos para o país, já que muitos são deformados; vocês são perigosos! Conseguem juntar, num único ser, a falha de caráter advinda da carga genética defeituosa e o poder de arrombarem casas com explosões, controlarem mentes, lerem mentes, moverem objetos à distância, sugarem vida! A existência de vocês não é compatível com a boa ordem da sociedade! Os humanos não podem viver em paz enquanto vocês existirem! Amanhã mesmo nós vamos começar o nosso processo de esterilização de todos vocês!
Um enorme burburinho encheu o corredor. Algumas vaias e xingamentos finalmente vieram das celas.
Edward: E então, em algumas décadas, o problema mutante terá sido
solucionado no nosso país! - Estava rindo,
triunfante! - Vocês podem até morrer bem velhos,
mas não deixarão essa marca de sangue defeituoso sobre a terra!
Nosso país será povoado apenas pelos
melhores!
Vampira: Vocês não podem nos apagar da história! Não podem nos apagar da face da Terra!
Edward: Eu queria apagar todos vocês da face da Terra! Eu propus a morte de todos vocês! Assim como demais eugenistas, como Hitler, praticaram muito bem! Mas o Congresso só aprovou a esterilização! Eles, infelizmente, proibiram a morte de vocês! Então, seus nojentos, que vivam! Que vivam, mas não deixarão legado sobre a terra! Eu posso dormir em paz e pensar que meus netos não viverão com mutantes!
Vampira: Monstro! Eu tenho o direito de existir e deixar herdeiros no mundo!
Edward: Monstro é você! E para mostrar o quanto o Congresso é benevolente com aberrações como vocês, eles propuseram que os mutantes que sejam devidamente esterilizados sejam colocados em liberdade!
Outro enorme burburinho começou. Dessa vez, algumas discussões dentro das celas começaram. Alguns mutantes chegaram a suspirar de felicidade quando ouviram que ficaram livres de novo! Que voltariam para suas casas, que teriam uma vida normal, que receberiam sua liberdade de volta.
Marina: Eu nem acredito que eles vão nos soltar! - Disse a mulher Tubarão já levantando ddo chão em alegria.
Bobby: Você não ouviu, Marina? Para isso você teria que ser esterilizada!!!!
Marina: Eu nunca quis ter filhos mesmo!
Fera: Marina! Isso não importa! O que importa é o absurdo da "condição" de liberdade! O absurdo é imporem essa violência para que tenhamos liberdade, o que já é um direito de qualquer ser humano!
Marina: Eu só quero sair daqui!
Fera: Não acredito que você se submeteria a um absurdo desses para conseguir um direito que já é seu, por garantia da Constituição, dos direitos dos homens e do cidadão e por qualquer panfleto bobo de uma ONG que defenda os direitos humanos!
Vampira: Ninguém aqui vai se submeter a isso! - Vampira começou a gritar para que todos ouvissem - Ouviu, pessoal??? Ninguém deve se submeter a isso! Ninguém! Não aceitem!
O burburinho aumentou. Outras pessoas, como Marina, só pensavam em sair dali. Outros eram mutantes mais velhos, que já tinham muitos filhos, e não se importariam tanto com a esterilização como se importavam de estarem presos naquela situação degradante.
Edward: E eu digo, que quem deve ser o primeiro a ser esterilizado e abandonar esse recinto, deve ser justamente o maior garanhão: Remy LeBeau, conhecido como Gambit! Gambit, seus dias de reprodutor acabaram!
Gambit: O quê? Quem é você para decidir alguma coisa na minha vida, mon ami? Vem aqui me esterilizar para ver o que te acontece!!!
Vampira: Vai sonhando que você vai acabar com a possibilidade de termos filhos, gatinho deformado!
Edward: Acalme-se, Gambit. Você não vai perder a sua melhor habilidade: levar mulheres para cama. Você só não vai mais ter filhos, é uma inofensiva vasectomia! E você é justamente o primeiro escolhido, porque é o que tem maior probabilidade de ter filhos, já que a rotatividade de mulheres na sua cama é grande! ... Mas isso é para ser discutido depois. Por enquanto meus guardas vieram aqui para se divertirem.
Gambit atirou-se contra as grades da cela ao verem aqueles homens entrarem na de Vampira.
Vampira: Remy!
Gambit: NON! Por favor, não! Edward! Não! Faça qualquer coisa comigo, mas não faça nada com ela!
Edward aproximou-se da cela de Gambit e pediu para que um dos soldados colocasse Vampira junto a grade do marido. Gambit logo colocou os braços para fora das barras e abraçou Vampira.
Edward: Eu quero que você seja o primeiro a ser esterilizado e saia logo daqui. Para longe das minhas vistas.
Gambit: Só faço isso se puder levar minha chere comigo.
Edward: Só se ela for esterilizada também.
Vampira: Não! Nunca!
Edward: Então, nada feito!
Gambit: Chere, aceite! Para o seu próprio bem! Para o nosso bem!
Vampira: Gambit! Como eu posso me sujeitar a um absurdo desses?! A uma violência dessas?!
Gambit: Se você não fizer isso, vai estar se sujeito a outra violência, que é para qual estão te levando agora.
Vampira: Dentre essa e a esterilização, eu prefiro essa. Ao menos, estarei sendo violentada. E não estarei concedendo de livre e espontânea vontade que violentem o meu direito de gerar herdeiros! Eu não estarei me rendendo!
Gambit: Renda-se!
Vampira: Gambit!
Edward: Ohhh! Nós estamos tendo uma pequena divergência entre o casal! Divergência de idéias!
Gambit: Não vou deixar que eles toquem em você! Não quero que você deixe! Aceite a esterilização, por favor!
Os guardas já estavam algemando para trás os braços de
Vampira. Edward disse "tempo esgotado, meus soldados estão sedentos ao ver esse
corpo esbelto" e levou Vampira para longe, para a tal salinha onde tudo
acontecia. Gambit ainda gritou e implorou aos berros que a soltassem, acabou
caindo no chão, contorcido, enfiando a cabeça entre as pernas. Além de ter sido
sempre, para ele, uma deusa intocada e inalcançável (só maculada por Magneto)
ainda era a mulher que amava e não conseguia suportar imaginar o que lhe
aconteceria.
Vampira foi jogada dentro da sala. Assustada e já quase se arrependendo da coragem que teve, recuou até a parede, onde tentava ficar longe e intocável por ele. Um dos guardas tinha alguns artefatos de conotação sexual numa gaveta, justamente para aproveitar ao máximo de suas presas. Ele pegou uma meia 3/4 e colocou em Vampira, que esperneava tentando chutá-lo. Não satisfeito, ainda pegou uma corda e amarrou os braços dela para trás. Vampira já estava chorando ao ver-se naquela situação de presa dominada, mas os homens não quiseram consumar o ato. Quem faria isso seria Edward Northon. Justo ele, que dizia ter nojo de mutantes, prometera que faria isso com a intocada para ter o gostinho de vê-la sofrer pelas suas mãos. Os guardas ficaram apenas a bolinar o corpo de Vampira. Ela gritava a cada passada de mão asquerosa pelos seus seios, berrava quando lambiam seu ombro, tinha vontade de morrer quando apertavam as nádegas. Gritava tanto, berrava tanto, ouvia-se tanto chorar, que Gambit em sua cela chorava mais do que ela. Imaginava o pior. O pior? E o que seria pior ou melhor numa situação como aquela??? Por mais que Edward ainda não estivesse consumando o ato supremo da tortura sexual, o que Gambit achava que estivesse acontecendo pelos gritos de Vampira, ela estaria marcada com aquilo para sempre. Edward Northon foi vitorioso. Conseguiu criar mais um trauma naquela mutante. Conseguiu degradar ainda mais a sua condição de humana. Que humana? Humanos não eram amarrados e sexualmente abusados daquela forma. Edward conseguiu transformá-la num animal. Perdeu ainda mais um pouco de sua identidade, de seu amor próprio, de sua individualidade.
Scott estava com o coração despedaçado ao ouvir aquele choro descontrolado de homem na cela ao lado. Scott não conseguia ver, mas Gambit estava largado no chão, de barriga pra cima, com a mão no rosto, chorando copiosamente. Jean tentava inutilmente fazer com que seus poderes voltassem, para poder reconfortar e acalmar o cajun.
Scott: Gambit, você consegue me ouvir? ... ... Quando nós sairmos daqui, eu prometa vingar isso junto com você.
Inacreditavelmente Scott estava falando em vingança.
Scott: E depois da vingança, Xavier pode apagar essa memória horrível de vocês.
Enquanto isso, Edward finalmente adentrou a salinha.
Todos os demais soldados saíram de perto de Vampira.
Edward mandou
que soltassem as cordas dos braços dela. Depois, fez com que ela ficasse de
quatro no chão. Vampira não estava acreditando que aquilo ia mesmo acontecer.
Quando Edward finalmente conseguiu deitar por cima dela, enquanto puxava seu
cabelo para trás e tampava sua boca; para introduzir a maior violência que pode
ser praticada contra uma mulher: a luz apagou! Um grande raio queimou todas as
lâmpadas! Edward não acreditou naquilo! Vampira, por alguns segundos, pensou que
tivesse sido violada e que aquela escuridão era a morte! Preocupado, Edward
levantou do chão e saiu da sala para ver o que era. Na completa escuridão,
Vampira ainda sentiu que tocavam seu corpo; mas como estava com as mãos livres,
conseguiu derrubar todos os guardas no chão tamanho era ódio que sentia. Se
Edward entrasse naquela sala de novo, era bem capaz de morrer espancado, agora
que seriam só ela e ele de novo.
De repente, toda a estrutura de metal do complexo começou a se contorcer! E uma enorme quantidade de água de chuva invadiu o corredor e as celas, limpando um pouco a alma e ânsia de liberdade de todos! O teto do complexo ia se abrindo e os guardas não sabiam para onde atirar! Às vezes, tinham medo do metal e atiravam nas próprias paredes que se retorciam! Wolverine invadiu o complexo, agora melhor iluminado pelo luz da luz que entrava pelos enormes buracos causados por Magneto, e correu pelos corredores procurando pela cela onde estava o cheiro que mais procurava! Encontrou, era a última cela! Bruna correu para as grades e gritou:
Bruna: Logan!
Wolverine: Oi, guria! Eu vou matar esses caras pelo o que eles fizeram com vocês! - Wolverine ainda não conseguia ver que todos os mutantes estavam nus.
SNIKT! As garras saltaram para fora e Wolverine cortou as barras de ferro como se fossem feitas de manteiga! Bruna pulou de alegria. Jean também já estava próxima às barras quando Wolverine foi arrancando enormes pedaços para que elas pudessem sair. Ele não as ajudou a sair pelo buraco que fez, foi correndo fazer a mesma coisa em outras celas. Cortou as barras de ferro da cela de Gambit, que rapidamente pulou para fora! Nem agradeceu Wolverine, ele simplesmente foi correndo para a salinha de Edward Northon.
Gambit: Chere?!
Vampira: Gambit! Que susto! Eu quase te dei um chute na cara agora! Pensei que fosse o babaca do Edward!
Gambit abraçou Vampira, tentando enxergá-la no escuro. Tentando ver seu rosto, seu corpo.
Gambit: O que eles fizeram com você, amour? - Os dois tinham uma voz rouca de quem tinham chorado muito.
Vampira: A gente precisa sair daqui!
Gambit e Vampira aproveitaram a escuridão, pouco iluminada pela lua, para fugirem do complexo. Ao saírem pelo gramado, eram duas pessoas nuas correndo numa área ainda verde, um pouco afastada da cidade, enquanto os soldados tentavam atirar com armas normais e os chips inibidores nos mutantes que flutuavam no ar e comandavam a operação. Mas Tempestade estava transformada em água e os chips lançados varavam seu corpo e caíam do outro lado. Magneto, que ia retorcendo cada vez mais o metal, também tinha um campo de proteção. Gambit e Vampira conseguiram correr para longe, conseguiram adentrar uma mata e se esconderam. Mas sabiam que teria que arrancar aquele chip se quisessem continuar escondidos, pois os anti-mutante possuíam um radar rastreador dos chips.
Luzes de lanternas acopladas às metralhadoras apontaram para Wolverine.
Soldado: Parado aí!
Wolverine sabia que poderia ser acertado com o chip inibidor de poderes a qualquer momento e morrer envenenado por seu adamantium! Ele não tinha mais tempo para salvar ninguém ali dentro. Só tinha conseguido abrir a grade de duas celas: a de Bruna e a de Gambit. Não pensou duas vezes, correu para o final do corredor e pulou dentro da cela de Bruna e Jean, que tentavam sair pelo buraco que ele fez. No teto da cela, Magneto já havia feito um enorme buraco pelo retorcimento. Nem mesmo aquele segundo andar varanda estava reconhecível. Havia um buraco lá no alto, que dava até para ver a lua. Logan tinha pouco tempo para sair dali antes de ser alvejado de chips inibidores de poder. Vendo bem o rosto da ruiva e da morena iluminados pela luz da lua que adentrava a cela, ele agarrou Jean Grey Summers com um braço, colocou as garras para fora SNIKT e começou a fincá-las na parede para escapar pelo buraco. Lá em cima no buraco, ainda olhou para baixo e disse:
Wolverine: Me perdoa, guria. Eu gosto muito de você, mas eu tenho que levá-la comigo. Eu volto.
Bruna: Logan? Logan? Logan?
Logan sumiu pelo buraco levando com ele Jean Grey.
Bruna: Por que ele fez isso comigo? Por que?
Bruna estava atordoada e ainda não estava conseguindo entender direito o que havia acontecido, mas seus olhos estavam cheios de água. E ela percebeu, que muito pior do que ter sido presa ali, era ter sido abandonada naquele lugar por Wolverine; que preferiu resgatar outra. Bruna sentou no chão da cela para chorar, realmente seu mundo tinha acabado. Sentiu-se sozinha no mundo, sem ninguém. Erroneamente presa e ainda por cima abandonada. Mas algo dentro dela ainda lhe deu ganas para pular pra fora pelo buraco que Logan fez nas grades e fugir por um outro buraco feito no metal retorcido. Bruna também fugiu nua pelo gramado.
Continua Aqui!
