Infância Mutante - Décima Nona Parte
Ele não encontrava respostas... A menina simplesmente sumiu no ar, evaporou, desintegrou-se de seus braços! Maldição! Ela controlava o tempo, na certa! E não era justamente por isso e muito mais que ele a queria?!?!
Sinistro: Sim... Controla o tempo e muito mais! E é minha.
Mas era um bebê... Não "controlava" o tempo, ela só bagunçava o tempo e as pessoas a sua volta... Quem sabe... Quem sabe com o tempo ela começa a adquirir mais poderes que sufocarão Gambit e Vampira?! E então, eles a abandonarão num beco qualquer! Quem sabe isso não ocorre?... Não é qualquer um que aguenta abdicar de sua vida normal para acordar de madrugada e trocar fraldas, nem ficar aguentando choro e ficar atento a qualquer passo de uma criança. Muito menos se o choro dela causa náuseas e sofrimento nos que estão em volta, ou se ela faz flutuar os pratos de sopa e os joga nas paredes, ou se ela transporta os "pais" para fora do tempo presente!
Sinistro: Isso é só o começo... Ela faz muito mais, eu tenho certeza! É por isso que ela é quem é! Aqueles dois imaturos não vão aguentar! Hahahahaha! Um bebê é completamente imprevisível, um bebê com esses poderes vai enlouquecer aquele traidor metido a francês! Gatuno, idiota... Ninguém é mais americano do que aquele energúmeno que fala com biquinho forçado! Ousou não trabalhar mais para mim... Mas seu passado me pertence, eu sei de tudo, Gambit...
Mais um mês se passava. Todos tinham suas alegrias e problemas onde quer que estivessem. Rachel já tinha seis meses e meio, falava melhor e se movimentava melhor... Era muito estranho, pois continuava um bebezinho. Mais parecia um boneco movido à pilha, alguns achavam que se tratava de uma super dotada. E era, de certa forma! Vampira teve inúmeros pesadelos nos quais estava na Roma antiga, passando pelas vivências que sugou do homem quando voltou no tempo. Ela de fato relembrava o que não viveu, relembrava o que já não era lembrado há séculos e séculos. Acordava suando, tremendo, às vezes gritava, acordando o choro da menina. Menina que já começava a mexer com os objetos da casa quando se alterava, zangava e chorava. Estranha telecinésia descontrolada, estranho gênio. Gambit se preocupava e ela teve que contar que sugou o dono das linguiças defumadas e da romã. Gambit a consolava, ele sabia que não era fácil reviver o que nunca foi vivido! Ser e sentir diferentes pessoas no mundo, todas sugadas! Essa última experiência foi especialmente dura para Vampira, ela pôde ver o quanto a humanidade já sofreu. Pôde ver como a vida era precária, dura, sofrida, curta.
Gambit: ...
Chere... Acorda! Acorda, belle! É só um sonho... - Ela
acorda assustada na camisola de seda rosa e agarra aquele homem que dormia só de cueca. Era Roma, mas aquilo era um Deus Grego!
Gambit levou um pequeno susto achando que ela poderia estar sem a pulseira, mas logo que é tocado, percebe a pulseira naquele pulso fino de Vampira.
Vampira: ... As pessoas sofriam muito, Gambit....
Gambit: Shiiiii.... São só as memórias daquele infeliz que te confundiu com uma bárbara...
Vampira: É... ... Elas sofriam muito mais do que se sofre hoje...acredite... Eu vi muita gente crucificada, Remy... Pensei que fosse o próprio Cristo, mas era em Roma mesmo... Muitas cruzes ao longo da Via Ápia.
Gambit: A crucificação é um castigo romano, chere... Jesus não foi o primeiro nem o último crucificado... Mas isso já acabou, dorme agora... Antes que Rachel acorde a faça aquela bagunça com os quadros que nós já repregamos nas paredes...
Vampira: Pensei que fossem mutantes crucificados...
Gambit: Mon Dieu... E por que isso, belle?
Vampira: Porque eram pessoas deformadas... Só depois que eu vi que na verdade elas já tinham sido parcialmente comidas pelos cachorros e abutres...
Gambit levantou um pouco da cama e ligou para a recepção pedindo um copo de leite quente e torradas com geléia. Queria fazer Vampira comer para relaxar e voltar a dormir.
Vampira: Não... Não quero comer nada, gato...
Gambit: Gambit nunca erra, chere. Gambit sabe como acalentar uma mulher.
Vampira: Você tá só de cueca, gato.
Gambit: Oui, jé sé... E qual o problema? - Ele sorriu piscando.
Vampira: Deixa Scott saber que a filha dele costuma ver homens desse jeito frequentemente!
Gambit: Homens não! O pai dela, o que é muito diferente! - Outro sorriso inebriante! Ele fazia de propósito!
O mês que se passou na mansão também foi de alegrias, risadas, preocupações, ressentimentos, medos. Por enquanto, o impedimento da invasão do agentes coletores de material genético salvava os x-men. Xavier foi preciso e soube proteger, ao menos, seus alunos. Mas eles ficavam sabendo de inúmeras casas com mutantes comprovados que eram invadidas, ou mutantes adolescentes que eram encurralados na escola por agentes ajudados pela professora que dizia " É lei. Todos votaram. Dá o braço!". O banco de dados de material genético mutante ia crescendo, mas por enquanto era só isso que ia acontecendo. O bombardeio da mídia sobre o quanto essa coleta seria maravilhosa para população chegava a ser um inferno. Era anúncio na TV, eram especialistas em programas de auditório, eram programas de terror sobre horríveis mutantes, era no rádio, nos jornais, nas revistas nos outdoors! Até Bruna estava preocupada.
Bruna: A situação é complicada... Vocês realmente dão medo nas pessoas e...
Jubileu: O quê???? Ah, fala sério! - Saiu da sala irritada. - Olha só a mulher que o Wolvy trouxe pra dentro de casa!
Bruna:
... Ela não me deixou terminar! As pessoas têm o direito de suporem que aquela
tal de Kitty Pride pode mesmo invadir um banco passando pelas paredes, têm o
direito de terem medo de serem mentalmente controladas pela ruiva bonita na rua,
ou de acharem que as garras do Logan podem ser tão perigosas do que uma arma
adquirida por um cara bruto e sem licença! Parem para pensar no outro
lado... Vocês assustam mesmo...
Wolverine: Tu disse que eu ferrei tua vida, que não podia mais ser Bruna pelas ruas de Washington. Mas eu tô achando melhor tu dar o fora antes que fale mais merda!
Bruna: Ai, deixa de ser grosso! Eu já te expliquei isso um milhão de vezes! ... Eu sei que vocês não fariam nada de ilegal ou errado com os poderes de vocês, mas para a população nas ruas quem garante isso??? ... Só estou explicando porque muitas delas têm medo! É por isso!
Tempestade: E o que você propõem, criança?
Bruna: Que se faça uma campanha contrária. Mostrando que aparentemente há motivos para o medo e que elas têm o direito de suspeitarem, afinal vocês são diferentes! Mas que o preconceito não pode imperar! Que deve ser dado o direito a vocês de não viverem ameaçados, justamente para mostrarem que assim raramente iriam usar os poderes! E que vocês também vigiam e controlam os mutantes que querem usar seus poderes para o crime, até porque querem manter a imagem, sempre tão suspeita, limpa! Mas que não concordam com essa coleta de material porque é um constrangimento, um abuso de autoridade, uma perda de direitos e igualdade! É uma forma de chamarem vocês de população perigosa por causa da genética! Digam que os negros já sofreram o mesmo!
Fera: Ou seja: concordamos que podemos ser perigosos, mas pedimos crédito para mostrar que não somos?
Bruna: Claro. ... na verdade, todos somos potencialmente perigosos! Qualquer um pode pegar uma arma e matar, fechar a mão e bater, juntar um grupo de amigos e espancar uma pessoa solitária! Mas acredita-se que isso não irá ocorrer porque vivemos em sociedades com leis! Mas eles acham que vocês têm mais vantagens para fazer o mal, por causa da mutação e dos poderes. Mas ninguém nunca quis vigiar de perto Arnold Shwazenegger ou Mike Tyson! E até onde eu sei, eles também estão com mais vantagens para fazer o mal do que a maioria da população!
Bobby: Isso é verdade! Não é qualquer mutante que tem aquela força!
Bruna: Arnold Shwazenegger pode ser um babaca, mas ele não sai espancando todo mundo pelas ruas. Por que Fera iria espancar todo mundo na rua? Só porque tem o mesmo tamanho????
Fera: Eu sou maior, querida. - Dá uma piscadinha.
Bruna: Desculpa. Você entendeu. .... Não é de todo mal que as pessoas na rua queiram saber exatamente o que os mutantes fazem, o medo existe. E nós sabemos que vivemos num país onde o medo é estimulado a todo instante! Uma população com medo obedece melhor as ordens de um governante, já que se sente acuada e que ele é o único salvador. .... O melhor a fazer é não estimular o medo. Simplesmente mostrar que as leis também existem para vocês e que vocês não fariam mais o "bem" ou o "mal" do qualquer outra pessoa normal no mundo! Vocês não são nem heróis, nem monstros! Vocês não são nem o topo da evolução ameaçadora do mundo ou as vítimas sofredoras! Vocês são como todos os outros: normais! Todos os normais são diferentes entre si! Viva as diferenças!
Fera: Muito bem! Eu concordo plenamente, excelente! - Fera batia palmas como um intelectual concordando com outra.
Bruna: É... Vocês só são visualmente estranhos! - Fera parou de bater palmas e fechou o sorriso sem graça. Bruna percebeu que foi franca demais. - Bom... Jean não é estranha... Nem Sam ou Bobby Drake.
Noturno resolveu sair da sala, ele não gostou de como foi recebido por Bruna um mês atrás. BAMF! E saiu da sala para o quarto assustando todos e deixando uma fumaça roxa com cheiro de enxofre nojento no ar.
Bruna tinha machucado bastante aquele diabinho angelical azul, machucado por dentro. Mas aquele mês não foi inteiramente ruim, ela foi se acostumando mais com os mutantes, levando menos sustos, ainda se admirando com a tecnologia da casa e os poderes dos habitantes. Conversou com Tempestade e Xavier para apressarem a construção do jardim japonês dentro da mansão. O professor permitiu que ele começasse a ser feito, mas Wolverine se zangou.
Wolverine: Ninguém mandou você se meter, guria. A merda do jardim é meu, quem vai morar lá sou eu!
Mesmo assim, Logan começou a construir a
casa japonesa com aquelas paredes que parecem de papel e que correm para os
lados. Depois ele pediu desculpas a Bruna e acabou agradecendo, já tinha se
esquecido desse projeto ha muito tempo. Tempestade era a que mais ajudava, às
vezes Bruna tinha uma pontinha de ciúmes disso. Ororo fez o lago artificial, ela
teve ajuda de Bruna para colocar as pedrinhas brancas em volta do lago e da
casa, mas plantou os bonsais maiores sozinha. Eram árvores baixinhas plantadas
no chão, abaixo das pedrinhas brancas. Já em outros tantos lugares haviam aquele
pequenininhos bonsais em vasinhos lindos! Alguns pareciam florestinhas!
Scott ajudou a fazer a ponte japonesa que passaria por cima do lago.
Wolverine: Coé? Tá ajudando por que, magrão? Tá querendo me ver logo morando aqui e longe do quarto da tua mulher?
Scott: Você ainda está muito perto da minha mulher, Logan. Poucos passos separam esse refúgio asiático da mansão principal. Se eu te quisesse longe mesmo, pediria para voltar para Washington.
Wolverine: Como seus pedidos são que nem bosta pra mim...
Scott: Você não vai atender.
Wolverine: Isso mesmo. - Coloca o charuto na boca e sorri da grosseria que fez para o Ciclope que ajudava. - Coé? Vai continuar fazendo a ponte pra mim?
Scott: Vou. A propriedade é de todos, Logan. Esse jardim nipônico vai valorizar o imenso jardim. - Scott sorri e volta a pegar nas ferramentas alegremente. - Meus filhos vão gostar de brincar nessa ponte, Logan.
Wolverine saiu bufando e Scott continuou alegremente olhando para Jean distante no jardim, acariciando a barriguinha de quase três meses.
Gambit e Vampira passeavam por Roma.
Depois de Sinistro atacar em plena luz do dia em em sítio histórico, Vampira
andava sempre sem a pulseira na rua. Gambit era quem mais sofria, não podia nem
sonhar em chegar perto, tinha que voltar a usar luvas e ela também! E lógico,
ele carregava Rachel. Eles foram visitar as ruínas da Casa das Vestais. Era um
lugar bonito com flores e estátuas romanas de mulheres, Vampira estava
precisando relaxar. Ela ficou muito abalada com o que sugou ao voltar no tempo.

Gambit: Voilá! Eu disse que o lugar era bonito, chere!
Vampira: É bonito mesmo... Mas o que era isso?
Gambit: A casa das Vestais. Era no Templo de Vesta onde ficava o fogo sagrado, que era símbolo da ininterrupta vitalidade Roma! Era um templo dedicado à deusa do "lar público do povo Romano".
Vampira: E as Vestais, quem eram?
Gambit: Eram as sacerdotisas do templo. Elas tinham que manter o fogo sempre acesso, para a glória de Roma! As Vestais entravam no sacerdócio quando tinham entre 6 e 10 anos.
Vampira: Nossa! Novinhas... E moravam aqui então... Cuidando do fogo... maneiro!
Gambit: Mas elas tinham que se manter virgens pelos próximos 30 anos, chere!
Vampira: Cruzes! Fala sério!
Gambit: Mas eram objeto de muitas reverências e honras! A dignidade delas era sagrada! Se um condenado à morte tivesse a sorte de encontrar uma Vestal na rua, podia ter sua pena perdoada!
Vampira: ... Hum.... E você aprendeu isso com quem, gatinho?
Gambit: Fera.
Vampira: Sério???
Gambit: Sério.
E eles continuavam o passeio pelo presente destruído de um passado que puderam ver inteiro!
Pela tardinha na mansão, os x-men já haviam treinado, ajudado na construção do jardim nipônico que Wolverine esbravejava conseguir fazer sozinho e também já tinham se assustado com as notícias na TV sobre o cerco aos mutantes estar se fechando tanto. O número de mutantes que teve seu material genético coletado era enorme! Parecia que só os mutantes da mansão e os que estavam fora do país haviam escapado à coleta: isso incluía Magneto e seu grupo, como Gambit e Vampira. Viram notícias assustadoras, mas já previsíveis: um número grande de mutantes que teve seu material genético coletado reclamava de uma coceira e vermelhidão no braço.
TV: Eu sou mutante mesmo, dá pra ver, não nego isso. - Falava uma mulher com cabelo ralo e hoorríveis olhos enormes no rosto - Mas daí a invadir minha casa para tirar uma amostra do meu material genético e me deixar uma alergia é demais!
Professor: Alergia... Sei...
TV: Eu fiquei mais fraco... Sei lá! Isso que eles fizeram baixou minha pressão! Deve ser isso! - Disse um homem que não quis mostrar o rosto por vergonha.
Fera: ????
TV: Nossa! Ficou sangue pisado lá dentro! Coagulado! Porque dá pra ver lá em baixo da pele algo escuro! Bando de desumanos!
Mas logo entrou uma repórter para dar a visão que lhe foi ordenada a dar: "Esses são os pequenos problemas que essa população americana está passando, mas que vai gerar um mundo mais seguro e melhor para nossos filhos. Eles próprios irão agradecer. É maravilhoso viver num país assim, onde as coisas dão certo. Muito bom, não é John, que nenhum efeito colateral grave tenha sido registrado na coleta desse material!"
Professor: Eu sabia! Eu sempre soube! Eles injetam um chip neutralizador de poderes! Magneto havia me dito isso ontem mesmo quando nos falamos. Esses mutantes da TV não têm poderes, por isso só se sentem fracos. Mas quem têm poderes, percebe o seu sumiço no momento da agulhada!
Fera: Eles colhem o material e injetam um chip... Maquiavélico... E a população não sabe disso.
Professor: Não, claro! A população votou apenas na coleta do material! Mas eles se aproveitaram! A própria Bruna havia dito isso! Wolverine confirmou tudo! ... Bem que Logan tentou evitar tudo isso lá em Washington... pena não ter sido possível. Fera! Chame todos os x-men aqui! Eles correm sérios riscos!
Fera: Bem... Bobby Drake, Jubileu, Sam e Bruna foram ao shopping Center.
Professor: Não...
Fera: Sim... Infelizmente.
Professor: Farei contato mental com eles agora mesmo para que voltem para casa! Agora mesmo! Isso é muito sério, Hank! Os anti-mutantes fizeram o gueto mas não conseguiram introduzir em massa esse chip! Foram derrotados, destruímos o gueto, mas agora eles voltaram mais sutis! A sutileza ganhou a população e eles conseguiram pegar os mutantes um a um de forma silenciosa e com apoio da população!
No shopping Bobby fazia questão de andar ao lado de Bruna, jogava uma ou outra indireta. Ela não esquecia que ele havia aberto seu bikini e que se não fosse pela linda ajuda feita de água de Tempestade, todos teriam visto o que ela só mostrava para quem bem entendia. Sam era obrigado a andar com quem restava: Jubileu. Mas a situação estava muito chata, pois ele havia dado um fora nela um mês atrás. Jubileu ainda remoía aquilo. Principalmente o que ouviu na escada sobre ser criança, que Sam não sabe que ela ouviu.
Bruna: Quem quer ir ao cinema? Alguém já viu A Vila?
Sam: Eu quero ver esse filme.
Mas quando chegaram na bilheteria tiveram uma surpresa.
Vendedora: Ei! Vocês acham que só porque não tiveram o material genético recolhido não são conhecidos por todo mundo??!! Vocês são os x-men!
Bruna: Não senhora, nós só viemos ver A Vila.
Vendedora: Afaste-se, moça! Esses aí são perigosos! Tem as fotos deles por todos os lados, não sabia? Eles são conhecidos! Já fizeram vários estragos! Vou chamar os seguranças.
Sam: Não chame. Eles podem ser mal recebidos se nos tratarem mal.
Vendedora: Mal recebidos por quem, seu coisa?
Sam: Por nós, mutantes. Mutantes que têm o direito de irem e virem como bem entendem.
Jubileu: Isso aí, Sam! - Vibrou Jubileu, apesar de estar magoada com ele. Depois lembrou que isso era atitude de menina e resolveu melhorar dizendo alguma coisa certa também. - É! Quem paga tem o direito de entrar no cinema! Se vocês não deixarem, nós processamos vocês.
Pessoas: Pois processem.
Várias pessoas na fila do cinema começaram a cercar os quatro.
Pessoas: Vão embora! Vocês nem foram cadastrados na coleta de material genético, seus monstros! Vocês são uma ameaça! - E jogaram uma lata de coca cola cheia na direção deles! Bobby Drake fez a lata congelar no ar e cair no chão se espatifando! O susto foi grande.
Bobby: A ameaça somos nós mas quem joga um objeto desse contra
nossas cabeças é você!
Jubileu se distraiu um pouco, pois recebeu uma mensagem telepática de Xavier "Jubileu, volte para casa. Voltem todos para casa agora mesmo!" Quando voltou a ver a situação, não precisava Xavier ter dado aquele aviso, estava claro que eles tinham que voltar. Muita gente partiu para cima dos quatro! Sam se transformou num míssil abrindo um buraco no chão bem embaixo de seus pés e derrubou dez sujeito que tentavam lincha-lo!
Pessoas: Caraca! O cara é um míssil! - Sam ainda destruiu parte da praça de aalimentação.
Outras tantas pessoas pularam para cima de Jubileu puxando se cabelo e jogando-a no chão. A menina reagiu com lançamentos de plasma colorido em todas as direções, várias luzes apagaram e algumas pessoas se queimaram.
Jubileu: Não se metam comigo, eu sou uma mutante das boas!
Bobby Drake congelava o chão e via as pessoas caindo como dominós umas sobre as outras, ele até ria de tanto escorregão. O problema é que muitas jogavam objetos perigosos pra cima deles e Bobby Drake tinha que congelar todos no ar muito rapidamente. Mas o maior problema era Bruna, que não tinha como se defender e foi considerada mutante também. Ela já tinha sido agarrada por vários anti-mutantes quando Bobby Drake levava os demais para fugir do shopping. Jubileu quis mostrar que não era criança e foi buscar Bruna. Saiu abrindo uma cortina de plasmas e fogos afastando os caras que a seguravam. Mas a própria Bruna teve que proteger o rosto. Os sujeitos soltaram Bruna, que levou muitos cascudos, puxões de cabelo e até tapas e pontapés. Jubileu levantou a humana do chão e foi levando-a para saída do shopping, correndo para a porta e dando às costas para os anti-mutantes enraivecidos, viu Sam correr em sua direção para ajudá-las. Mas foi surpreendida por um puxão de cabelo. Um anti-mutante a agarrou e puxou seu enorme brinco de argola, rasgando sua orelha! Jubileu deu um grito e colocou a mão na orelha quando viu a argola na mão do sujeito. Ela ficou paralisada não acreditando no que lhe aconteceu, mas foi arrastada por Bruna, também machucada. Sam as encontrou no meio do caminho e teve que ser segurado pelas duas, porque queria tirar satisfações com o sujeito que rasgou a orelha de Jubileu. Elas não conseguiram detê-lo quando se transformou em míssil e viram Samuel derrubar o anti-mutante a metros de distância!
Sam: Imbecil!
Depois de muitos problemas, os quatro conseguiram sair do shopping.
Bobby Drake: Jubileu, tua orelha tá sangrando.
Jubileu: Eu sei, continua a correr!
Sam: Deixa eu ver isso, Jubi. - Ficou realmente preocupado com a quantidade de sangue que ia pingando pelo chão.
Jubileu: Me esquece! Não temos tempo, corre! - No fundo, ela queria explodir no choro!
Gambit e Vampira também enfrentavam
problemas na Casa das Vestais. Turistas americanos perceberam que os
dois eram mutantes pela mecha branca no cabelo da moça, pelos olhos vermelhos e
pretos do rapaz e pelo bebê falante no colo. Viram Vampira tirar as luvas para
acariciar as rosas no centro do pátio arqueológico.
Mulher: Eu sei que vocês são mutantes!
Vampira: Como é que é?
Mulher: Você apodreceu as rosas tocando nelas, sua impura!
Vampira: Cara, não tô acreditando que essa bruaca tá dizendo isso mesmo! Repete, minha filha! Repete!
A mulher e seu grande grupo de turistas amigos começaram a arrancar as rosas do lugar! Era inacreditável! Eles estavam destruindo o lugar bonito, as rosas davam um grande charme perto daquelas estátuas femininas! Gambit e Vampira nem conseguiam fazer nada de tão ridícula que era a situação!
Vampira: Aí, bando de loucos!!!! Eu vou chamar o guarda pra ele ver vocês destruindo o patrimônio público de outro país, tá?!
Mulher: Vocês tinham que parar de fugir do país pra ficar procriando pelo mundo! Seus monstros! Fugiram do país para não serem cadastrados, né?! Vocês vão ver! Logo o mundo todo fechará o cerco a vocês! O problema da Europa é que ela é muito abertinha, metida a liberal! Mas vocês vão ver só!
Vampira tirou o casaco para partir pra cima da mulher com mais gosto, mas Gambit a segurou.
Gambit: Amour... Não faça isso com ela... Essa coitada pode morrer...
Vampira: Ih! Que morra, tô nem aí!
Gambit e Vampira se afastaram um pouco,
tentando evitar confusão maior. Mas o bando de turistas estava seguindo
eles e berrando vários xingamentos, Rachel já estava chorando assustada. A casa
das vestais ficou sem as flores, restando apenas as antigas ruínas do que um dia
foi muito bonito. Quando a polícia chegou, os turistas logo explicaram a sua
visão de mundo (em inglês mesmo, sem se preocupar com o entendimento dos
guardas)
Homem: Esses mutantes envenenaram as flores tocando nelas e colocando todas as impurezas genéticas deles! Tivemos que arrancá-las para que ninguém as cheirasse.
Vampira: O quê?
Gambit: Mon Dieu! Essa foi ridícula! - Gambit sorriu incrédulo e soltou seu italiano aprendido em alguns meses de Roma - Seu guarda, esses loucos nos faaltaram com o respeito e ainda começaram a vandalizar a casa das vestais!
Mulher: Eles são uma ameaça a humanidade! Ninguém sabe exatamente que tipo de doenças e impurezas eles podem passar e a forma como passam! E eles fugiram dos Estados Unidos onde está havendo uma coleta nacional de material genético de mutantes! Eles deviam ser deportados!
Os guardas não conseguiram conter o bando de turistas enraivecidos que resolveu partir para cima do casal Lebeau. Vampira levantou vôo e Gambit assumiu a posição terrestre - como eles sempre faziam! As cartas do cajun saíram de seu sobretudo brilhando e ficaram levantadas no ar como um aviso de "afastem-se"!
Vampira: Escuta aqui, fofinhos, vocês não vão acabar com as nossas férias!
Rachel chorava bastante, o que começou a
destruir a concentração mental e o equilíbrio de muitos turistas - não só os
americanos enraivecidos. Mais uma vez uma espécie de sonho suave começou a
acontecer. vampira já sabia o
que era e se desesperou ,começou a gritar "volta, Rachel, volta!" A menina
estava mexendo no tempo de novo, os prédios recentes iam sumindo, o grupo
anti-mutante também. Logo, Gambit e vampira se viram dentro da casa das vestais
exatamente como ela era na Roma Antiga.
Vampira: Eu não acredito, de novo não!
Gambit: Ual! Eu adoro isso, chere! É maravilhoso! Fera vai morrer de inveja, eu posso dizer que vi as vestais.
E lá estavam elas, tomando conta do fogo sagrado e eterno de Roma, com seus corpos virgens e dedicados somente a isso.
Gambit: As vestais que por acaso deixe o fogo apagar ou não sigam o regime de castidade são enterradas vivas! Num lugar chamado campo da vergonha.
Vampira: Ah, meu deus! Alguém me tira daqui! Rachel, cadê o bi-bi, chupeta, motos, elevador, telescópio?! Tempo presente! Vídeo-game, DVD, tira a gente daqui, filha!
A menina ainda estava chorosa, mas acabou voltando ao tempo presente pela insistência de Vampira. Gambit não estava com tanto medo assim, mas Vampira temia ser confundida com uma vestal e ter que ficar 30 anos no celibato ou ser enterrada viva por alguma besteira feita ao fogo sagrado. Ao voltarem para o sítio arqueológico das vestais no tempo presente, o bando de turistas loucos já havia sumido.
Em Nova York era noite. Fera dava pontos fechando a orelha da chorosa Jubileu novamente. Sam estava ao fundo do Labmed vendo aquilo com cara de preocupado e culpado. Ele não conseguiu impedir tamanho vandalismo. Mas também não queria demonstrar muita preocupação e cuidado, para que Jubileu não entendesse errado.
Jubileu: Cadê o Wolvy, Fera?
Fera: Ele não sabe do que aconteceu, viu? E é bom não saber, ele pode explodir com Sam, Bobby e Bruna. E com o mundo também.
Jubileu: Tá... Vou dizer que prendi o brinco na fronha do travesseiro... - Dizia ela com aquele tradicional biquinho, só que dessa vez de tristeza.
Jean Grey estava dormindo, as grávidas dormem demais. Ela estava tendo sonhos conturbados. Estava pressentindo todo o terrível cerco que se fechava em torno dos mutantes. A gravidez de Natan, assim como a de Rachel, modificava seus poderes ora para mais, ora para menos. A Fênix ficava descontrolada. Dessa vez, a Fênix ficaria ainda mais descontrolada, porque existiam duas crianças que eram também suas filhas, uma já no mundo, outra em gestação. A Fênix, assim como Jean, queria unir as duas crianças, precisava das duas perto. Como Jean disse uma vez: ficava cada dia mais difícil definir quem realmente era Fênix e quem era Jean. Uma das crianças estava frequentemente mexendo no tempo e transportando pessoas do presente para o passado, isso mexia ainda mais com a Fênix dentro da ruiva. E naquele sonho conturbado da grávida, se Rachel permitia aos pais adotivos verem o passado, Natan dava a Jean um vislumbre do futuro: Mutantes crucificados!