Infância Mutante - Vigésima Parte


Roma, Vampira estava inquieta, andava de um lado para o outro no quarto do hotel. Gambit sorria ao vê-la assim tão agitadinha. Na certa estava um pilha por ter mais uma vez voltado no tempo! Engraçado, Gambit se divertia tanto com aquelas viagens temporais! Ela parou e apontou aquele dedo indicativo para ele, iria dizer alguma coisa:

Vampira: Remy, nós...

Foi calada por um beijo do cajun!

Gambit: O que você dizia, chere?

Vampira: Te manca! Não tá vendo que eu tô nervosa?

Gambit: Pardon...

Vampira: Tá... Eu ia dizer que...

Mais um beijo!

Gambit: Pardon, chere... Eu só queria que você relaxasse um pouquinho...

Vampira ia retrucar, mas ela sorri. Realmente se acalma com aquele gatão perto dela.

Vampira: Gambit, não podemos mais ficar aqui. Você viu o que nos aconteceu ontem no Templo das Vestais?

Gambit: O que, chere? Termos voltado no tempo e visto as Vestais? Somos abençoados por isso, mon amour!

Vampira: Não, gatinho! Aquele grupo de anti-mutantes e o jeito que eles nos trataram!

Gambit: E você acha que em Manhattan está diferente? Ao menos aqui não existe uma lei aprovada num plebiscito para coletar nosso material genético!

Vampira: Não, cara... A gente não pode ficar aqui. Fomos embora por causa de Sinistro, mas ele nos descobre em qualquer lugar! Se é para lutar contra ele pelo mundo inteiro, prefiro fazer isso em casa! Ao lado dos outros x-men! Nunca existirá um lugar onde ele não encontre Rachel. Sinistro é muito poderoso.

Gambit: Oui... Você tem razão, belle.

Vampira: E a menina não é nossa...

Gambit: Oui...

Vampira: Não fui eu quem a carregou por 9 meses, tendo panes e loucuras nos poderes mutantes, nem enfrentando Fênix descontrolada... Nem tendo um parto normal sem nenhuma ajuda moderna e completamente sozinha!

Gambit: Sozinha non, ela tinha Fera!

Vampira: Nossa! Pior ainda, gato! Por tanto tempo eu me acostumei a ninguém me encostar, tocar, chegar perto e muito menos me ver sem roupa, que eu acho que ia querer ver Fera longe! Tadinho... Mas ainda não é todo mundo que me toca... é só isso!

Gambit: Duvido... Isso é porque não era você lá na hora, chere.

Vampira: É. Talvez, sei lá! Quero nem pensar nisso!

Gambit: O problema, chere... é que agora "mamãe" para essa petite é você! E papai "bum" sou eu... Non?

Vampira: É... Mas nós temos que voltar. Temos que enfrentar a situação de frente: Sinistro nunca vai deixá-la! Mas isso não é responsabilidade só nossa, é de Jean, Scott e dos outros daquela casa também. E ela não é nossa!

Gambit: Certo, vamos voltar. Mas não vai ser fácil para nós dois, belle.

Vampira: Eu sei...

Gambit pegou Rachel que estava dormindo no berço e a colocou no colo. Vampira tirou a pulseira neutralizadora de poderes e a guardou no bolso do casaco. Pegou várias sacolas cheias de coisas de bebês e outras tralhas compradas pela Europa. Abriu a janela do quarto, agarrou Gambit pelo o sobretudo e saiu voando pelo céu da Cidade Eterna; rumo a Nova York! Seria uma grande surpresa naquela mansão!      


Enquanto isso em Washington, o plano anti-mutante ia se aquecendo. Era noite e uma festa de confraternização pelo sucesso da coleta de material genético acontecia. Mística, ou melhor, Bruna andava sempre ao lado de seu patrão Senador Zack Abraan.

Zack Abraan: Hahahahaha! Está sendo realmente um sucesso! Estamos todos de parabéns! - Dizia aos risos, nas mil felicidades enquanto segurava uma taça de champanhe e apertava Bruna contra seu corpo.

Homem: E o melhor é que a população está do nosso lado! Não fizemos nada de moralmente errado, nada que possa ser criticável!

Zack Abraan: Nenhum incidente de violência, não maltratamos ou prendemos ninguém!

Homem: Os monstros estão com um chip inibidor de poderes e nem sabem! Hahahaha! - Todos riem, até Bruna tenta dar um risinho - Só aqueles malditos X-Men ainda têm seus poderes! Mas vocês podem ter certeza de que o mundo está mais seguro agora! Eu posso me sentar nesse sofá e ter a garantia de que não serei atacado por um daqueles monstros!

Zack Abraan: E em breve até esses X-men estarão com o chip! E também os mutantes que vivem fora do país! O mundo inteiro estará livre dessa ameaça! Não é, Bruna?!   

Bruna: Com certeza! - Os olhos amarelados de Mística chegam a brilhar dentro daqueles olhos azuis da morena que ela havia se transformado.

Zack Abraan: Bruna tem trabalhado muito nesse projeto! Ela tem passado as noites em claro comigo, é nosso braço direito! Deve ser a secretária que mais deveria ser promovida a parte de grupo! Mas eu guardei um segredo dela e de todos vocês também... Esse chip inibidor de poderes que é injetado ao coletarmos o material genético daqueles vermes, também é um radar indicador da localização dos monstros!

Todos se assustam e acham brilhante, maravilhosa tecnologia!

Zack Abraan: Em breve, quando nós os conduzirmos para serem esterilizados, eles não se oporão; afinal não têm mais poderes! E se fugirem e não quiserem ser conduzidos por bem: nós os encontraremos em qualquer buraco!!! Hahahahahaha! - E mostrou uma mesa com comandos ligada a duas telas planas de computador - Esse é o radar! Coloque a numeração de qualquer mutante cadastrado e que tenha o chip injetado, ele estará brilhando na tela com a localização exata!

Bruna: Nossa! Mas é quase o que Xavier faz com o Cérebro na mansão... - Disse baixinho Mística.

Zack Abraan: É tão perfeito que até a polícia rodoviária titica acha esses lixos! Imagina se usarmos os sentinelas!!!!

Bruna pediu licença ao senador e foi ao banheiro. De lá pegou um celular e fez uma ligação.       


Magneto: Mística! Ha algum tempo que você não faz contato...

Mística: Tem sido complicado, Eric... Wolverine não trabalha mais comigo... Ele levou a original com ele.

Magneto: Mesmo? - O celular de Mística tinha câmera e ela podia ver Magneto no visor, assim como ele a via em sua base na Antártida. - Será que aquele espécime raro que Xavier ajuda por caridade se apaixonou por outra pessoa que não a senhora Grey Summers? 

Mística: Sei lá! Pouco me interessa... Escuta, o chip inibidor de poderes também é um radar de busca. Nenhum mutante que o tenha no braço tem escapatória!

Magneto: Então, essa é a hora Mística.

Mística: Eu também pensei nisso. A farsa acabou.

Magneto: Acabe com tudo que puder... Não me desaponte.

Mística: Olha como você fala comigo, seu...

Magneto: Modos, Mística... Modos...

Ela desligou o telefone e fez mais uma última ligação.


Tempestade: Mansão de Charles Xavier, quem deseja?

Mística: Dá um recado pra teu professor...

Tempestade: Mística!!!

Mística: O chip inibidor de poderes também é um radar. Esterilizar é o primeiro passo.

Tempestade: Pela Deusa!

Mística: Eles vão derrubar na justiça o impedimento de vocês terem o material coletado.

Tempestade: Obrigada, Mística. Nós lhe seremos eternamente gratos.

Mística: Não é por vocês, é pelos mutantes!

Tempestade: Claro...

Mística: Avisa a Wolverine que a farsa vai acabar. A original pode retornar a ter a vida dela.   


Mística transformada em Bruna voltou a sala onde acontecia a reunião-festa. Como ela sempre fazia, andava armada, naquele momento não era diferente. Mas ela preferiu outra arma bem mais eficiente: sua mutação! No meio daquela sala, para surpresa de todos, Bruna se transformava numa mulher azul de cabelo vermelho, com pele viscosa como a de uma cobra e olhos amarelados. Super flexível, pulou do meio dos homens para o lado da mesa do radar! É claro que ao pular, ela chegou a chutar as mãos do seguranças presentes, fazendo suas armas voarem.

Zack Abraan: Que isso?????????????

Mística: Mutante. Conhece?

Mística transformou apenas um de seus braços na melhor arma possível: o braço de Wolverine! *SNIKT* As garras pularam!

Homem: Façam alguma coisa! - Gritou aos seguranças

Os seguranças correram cada um para um lado para pegar suas armas. Enquanto isso, Mística enfiava as garras de adamantium no maquinário do radar! Gozava e ria ao ver os fios coloridos aparecerem entre os curtos circuitos! Faíscas pela sala! Os seguranças começaram a atirar, Mística pulava de um lado a outra da sala, desviando-se de tudo! Até que um dos senadores foi atingido no braço por um tiro dos seguranças. Foi a hora que Mística sacou sua própria arma de plasma e fez o maior estrago na festa! Terminou de destruir o radar, jogou inúmeros senadores na parede, aproveitou pura pular enganchada em cima da Zack Abraan e espancá-lo com os pés! Para terminar, enfiou as garras na barriga dele e pulou pela janela.

Zack Abraan: Matem a traidora...   

Os seguranças recobraram a consciência e foram para janela metralhar aquela coisa azul que corria pelo gramado, fugindo das balas e dos cachorros. Os tiros passavam muito perto, mas nenhum dos dois conseguiu atingi-la. Até mesmo um dos senadores resolveu ir para a janela atirar, mas ele não tinha arma. Pegou a primeira arma que viu pela frente e atirou naquela coisa que se mexia na escuridão. Parecia ser uma arma com silenciador, porque quase não fazia barulho. Mística sentiu uma trombada no ombro, quase caiu no chão, mas continuou correndo e sumiu na escuridão vitoriosa de sua ação!

Homem: Essa sua secretária, hein????

Zack Abraan: Como eu ia saber?????????? Me levem para um hospital, rápido!

Senador: Engraçado... Eu jurava que tivesse acertado ela com essa arma... Mas ela nem caiu!

Homem: Com essa arma???? Hahahahahahahaha! Zack?

Zack Abraan: Hospital... Hospital...

Homem: Ele acertou a cretina com uma arma que injeta o chip inibidor de poderes!!!!!

Zack Abraan: Ah, vaca! Se essa vadia não tivesse destruído o radar eu mesmo ia encontrá-la agora e a matava com minhas próprias mãos! Ai... ai... aiii!

Homem: A situação é muito séria... Um mutante estava infiltrado em nossos planos... Eles sabem de tudo!

Zack Abraan: Não se desespere. Ai... Esse radar é reconstruído facilmente, o que  realmente interessa são os chips que estão implantados e não irão sofrer dano algum! Mas eu quero que alguém ligue imediatamente para Edward Northon! Ele tem um requinte de crueldade contra esse mutantes traidores que eu vou precisar!

Senador: Aquele que sequestrou uma mutante dos x-men? Hum.... Uma de mecha branca no cabelo?

Zack Abraan: Exatamente... O marido da verme explodiu uma carta de baralho dentro da boca do sujeito... Edward tem a sede de vingança ideal para esse caso... Agora, pelo amor de Deus: EU VOU MORRER!!!!!!!!!


Enquanto isso, na mansão X, as coisas iam calmas. O jardim japonês de Wolverine já estava pronto, com seu lago artificial com quedinhas d'água, bonsais por todo lado, alguns até um pouco maiores plantados no chão, pedrinhas brancas em volta da casa de paredes de papel, cerejeiras rosas e brancas já floridas e uma iluminação especial. O interior da casa quase não tinha móveis, Wolverine gostava disso. Estava lá dentro, sentado em posição de meditação, com os olhos fechados enquanto um incenso queimava e um jantar oriental era preparado num caldeirão amarrado por correntes que vinham do teto e que ficava flutuando em cima de um fogareiro. Estava completamente sozinho e apesar do cheiro do incenso e da comida, sentiu algo mais no ar.

Wolverine: Pensei que eu tivesse feito essa casa para ficar sozinho, Bruna.

Bruna: Oi... Nossa... Meu cheiro é tão forte assim?

Wolverine olhou para trás e viu Bruna toda arrumada, estava de branco; o que ressaltava ainda mais sua pele morena.

Wolverine: Por quê tá toda arrumada?

Bruna: Porque eu vim conhecer sua casa... Pensei que fosse ter um open house animado.

Wolverine: Se enganou, guria.

Bruna: Puxa... Eu te ajudei a construir isso aqui! Até escolhi os bonsais com você...

Wolverine: Tá certo... Cê pode ficar e comer comigo o rango que eu tô fazendo.   

Bruna tirou a sandalha de salto e sentou no chão, pertinho da mesinha baixa, Wolverine pegou os potinhos e palitinhos para colocá-los na mesa. Tinha feito nirá com bastante alho, sopa misoshiro e um peixe grelhado com pepinos japoneses.

Bruna: Puxa, grelhado! Ainda bem! Até parece que você sabia que ia vir aqui! Odeio comida crua!

Wolverine: Não se acostuma não...

Bruna: ...É... Tempestade veio me dizer que aquela Mística ligou.

Wolverine: Ah é?

Bruna: E disse que a "original" podia voltar a viver a vida dela...

Wolverine: A piranha duas caras abriu o jogo pros caras?

Bruna: Tempestade acha que é bem provável...

Wolverine: ... E tu vai querer voltar?

Bruna: Você quer que eu volte?

Wolverine: ... Não foi isso que eu perguntei.

Bruna: Já te disse que não posso mais voltar. Não depois do que ela fez com a minha imagem e nome... Mas às vezes parece que você quer que eu volte... Acho que é por causa daquela...

Wolverine: Jean! - Ele levantou e foi andando em direção a porta que dava para o jardim. Bruna ficou sozinha sentada no chão. Jean se aproximava da casa, subiu os  três degraus e cumprimentou os dois com um "oi" e um lindo sorriso no rosto.

Wolverine não acreditou no que via; além do sorriso, Jean tinha lágrimas nos olhos! Lágrimas no olhos e  Rachel no colo!

Jean: Logan! Minha filha voltou!!!!!

Logan não tinha reação, Jean estava chorando e tremendo e sorrindo e apertando a menina contra o rosto! Rachel estava um pouco assustada, às vezes esboçava uma vontade de choro. Wolverine abraçou Jean e tentou tirar a menina do colo dela para fazê-la sentar e respirar, mas Jean não largou Rachel.

Wolverine: Senta, Jeanny, senta... Calma, que tu tá grávida, ruiva.

Jean sentou ao lado de Bruna que sorriu com pena e felicidade por ver Jean com a tal filha que ela, Bruna,  nem nunca tinha visto a não ser por fotos. Jean não parava de tremer e chorar e sorrir, isso assustava o bebê. Wolverine se agachou na frente dela e limpou uma lágrima daquele rosto delicado com seu dedo grosso.

Wolverine: Êh, guria! Pára de chorar! Ela agora tá aqui contigo!

Jean: E eu esperei tanto por isso, Logan! Eu... eu... passei tanto tempo longe dela a toa!

Wolverine: Shiii, não chora. Não foi nada a toa, tu tava tentando salvar a guria do Sinistro. Foi isso que eu fiquei sabendo!

Jean: Foi a toa... Vampira e Gambit disseram que voltaram porque foram encontrados por Sinistro diversas vezes...

Wolverine: Mas tu não sabia que isso ia acontecer... pensou que ela fosse ficar realmente protegida e escondida por lá... Cê tentou o melhor pra guria, ruiva!

Jean sorriu e mais uma lágrima rolou, Logan segurou as duas mãos dela enquanto Bruna tirava a menina um pouquinho dela. Ele ficou lá segurando aquelas duas mãos magrinhas e delicadas, olhando fixamente para Jean.

Jean: Eu estou tão feliz!

Wolverine: Eu tô vendo!

Jean: Será que ela lembra de mim?

Wolverine: Claro!

Jean: Quando eu tirei ela do colo da Vampira, eu a vi dizer mamãe para Vampira. Será que ela gosta de mim?

Wolverine: Quem não gosta de você, Jeanny?

Jean jogou-se nos braços de Logan, sorrindo e ainda fungando do choro recém terminado. Wolverine suspirou fundo e pensou "não faz isso comigo, ruiva".

Jean: Obrigada, Logan. Eu estou muito feliz!

Quando Jean ia se soltar do abraço, Wolverine não resistiu e agarrou-a num beijo! Um beijo daqueles bem profundos, daqueles que você se perde dentro do outro! Jean tentou se soltar e acabou conseguindo.

Jean: Não...

Wolverine: Eu sei...

Jean foi levantando e Bruna estendeu os braços entregando Rachel a ela.

Jean: Vampira e Gambit querem te ver.

Wolverine: É...

Jean: Está todo mundo lá na frente da mansão, perto da piscina. ... Eu... só vim te chamar.        

Jean foi sumindo junto com Rachel pelas pedrinhas brancas do jardim japonês tão sensualmente iluminado por um projeto feito por Bobby Drake. As estrelas brilhavam no céu e uma leve brisa tentava mexer os bonsais, mas apenas as flores rosas da cerejeira voavam até o chão. Bruna e Wolverine ficaram sozinhos.

Bruna: Você não me quer aqui por causa dela.

Wolverine: Não diz besteira. Fui eu mesmo que te trouxe pra cá!

Bruna: Porque era o mínimo que podia fazer! ... Mas ... eu aqui eu longe daqui, não vai mudar em nada! Ela é quem não te quer.

Wolverine: Eu sei disso... ... Tu... pode ficar aí comendo o jantar, eu tô indo rever uns amigos e já volto.


Jean voltava para a mansão com Rachel no colo. Scott estava preocupado procurando pelas duas, encontrou Jean dando a bebê para Xavier segurar um pouquinho! Quando ela viu o marido, correu e pulou no seu colo!

Jean: Scott!!!! - Ela saltou e se agarrou nele, explodindo de alegria!

Scott: Jean! É a nossa, filha??? Nossa! Onde você estava?

Jean: Eu pressenti Vampira e Gambit quando eles se aproximavam e vim correndo para o jardim! Quando reencontrei minha filha, entrei em choque e saí correndo pelo jardim com ela!

Scott: Nossa! Eu só vi Vampira e Gambit e eles me disseram que Rachel estava com você!

Jean: Deve ser um dos dias mais felizes da minha vida, Scott!

Scott: Da nossa, querida. Da nossa!

Scott pegou Rachel do colo de Xavier e teve uma leve tontura de emoção, Fera o segurou e lhe deu um tranco.

Fera: Força, que tu és pai!

Scott: Não sei se fiquei mais balançado quando ela nasceu ou agora!

Jubileu: Aiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii! É a fofíssima da Rachel!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Bobby: Caraca, muito grande! Ela saiu daqui pequenininha! Olha agora!

Sam: Oi, seu Gambit! Oi, dona Vampira!

Vampira: Ih, Loirinho! Corta essa de "dona" !

Sam: Essa criança já deve estar até engatinhando!

Vampira: Na verdade, ela já até anda um pouco. Mas ainda gosta de engatinhar, quando fica preguiçosa!

Jean: Ela anda?

Gambit: Um pouco, chere... E também fala algumas frases.

Vampira: Ela deve estar com vergonha agora... tem muita gente em volta dela.

Tempestade foi dar um abraço em Gambit e Vampira.

Tempestade: Sejam novamente bem - vindos, meus amigos.

Professor: O quarto de vocês é o mesmo! Está tudo em ordem!

Vampira: Quê isso,  Jubileu? Cortou a orelha??? Ai, isso deve doer!

Jubileu: É... Depois eu te conto!            

Vampira: Nós trouxemos alguns presentes!

Bobby: Tem pra mim?

Jubileu: E pra mim?

Sam: Hum... Sei que é falta de educação... mas eu nunca ganhei nada da Europa!

Jubileu: Claro! Você é um caipira mesmo!

Fera: Os dois têm que ver os mais novos poderes da Deusa Tempestade!

Gambit: Ahn! É mesmo? - Disse com um risinho safado no rosto charmoso.

Jubileu: E a mulher que Wolverine trouxe pra cá!

Gambit: Ahn! É mesmo? - Dessa vez o sorriso foi maior, e ele chegou a ajeitar o cabelo. Vampira deu um pisão no pé dele! - Ai! pardon, chere...

Vampira: Tô de olho em você! 

E por falar em Wolverine, ele se aproximava dos amigos no gramado em frente a mansão. Gambit foi perto dele e deu um daqueles abraços brutos cheios de tapas e socos. Wolverine até retribuiu, sorrindo como ha muito não fazia, mas depois o repeliu.

Wolverine: Já chega, que eu não gosto de barba!

Gambit: Já fiquei sabendo da sua namorada, mon ami! Me apresenta?

Wolverine: Não é minha namorada, mas eu não sou idiota de te apresentar mulher nenhuma!

Gambit: Ah! esse é o Wolverine que eu conheço! 

Vampira: Onde você estava, Wolverine?

Jubileu: Ele agora tá dormindo lá na...

Vampira: Naquela antiga casa mais abaixo da propriedade? Que o professor fez para Jean e Scott?

Jubileu: Não! Wolvy construiu uma casa japonesa com jardim e tudo!

Vampira: Ualll! Pra namorada, eu imagino! 

Wolverine: É pra mim mesmo.

Vampira: Jean, você está mais cheinha... Andou comendo muito?

Jean: Não... Eu estou grávida.

Vampira: Grávida?

Jean: É...

Vampira:...

Jean: É um menino dessa vez.

Vampira: Quando nós saímos daqui vocês já estava grávida?

Jean: Não, foi dois meses depois disso. ... Que foi?

Vampira: Nada... Eu só não imaginava... ... Como vai ser?

Jean: Como vai ser o quê?

Vampira: Com Sinistro?

Jean: Não sei... Não quero pensar sobre isso. Não agora.

Vampira: Ahn....

Enquanto Jean segurava Rachel, Scott deu um daqueles beijos demorados na esposa, beijo de cinema! E da forma mais fofa do mundo acariciava sua barriga!

Scott: Nós quatro vamos subir agora. Precisamos ficar um pouco a sós para nos curtir.

Jubileu: Quatro?

Scott: Eu, Jean, Rachel e Natan!

Jubileu: Ah tá...    


Wolverine deu as costas e foi andando apressado e duro em direção a sua casa japonesa. Estava engolindo o ciúme amargo, a tristeza que lhe dava vontade de chorar, mas de tanto segurar, lhe doía o maxilar. Voltou a casa japonesa em poucos minutos, Bruna estava dormindo no chão. Ela acordou com os passos dele e um barulho que parecia ser choro.

Bruna: Hunm... Que foi? Voltou? Desculpa, eu dormi um pouco e...  ... Você está chorando?

Wolverine: Vai embora!

Bruna: É. Você está chorando ou quase isso.- Ela reconheceu choro na voz dele. Não era a primeira vez que Bruna o via chorar. Quando ele descobriu que Jean estava grávida de novo, o durão Wolverine chorou muito. Bruna já estava vendo pela segunda vez um fato que muita gente chegava a imaginar que nunca acontecia: Wolverine sofrendo! Raridade presenciada pela segunda vez!

Wolverine: Vai embora!!!!!

Bruna: Tá... Tá... Seu grosso! Estúpido! - Até Bruna estava balbuciando um choro por causa da grosseria dele.

Wolverine: SOME DAQUI!

Bruna: Eu sei que é por causa dela!

Wolverine: E é mesmo! Quê que te importa?! Desaparece! - * SNIKT* Logan rasgou uma das paredes de papel da casa com as suas garras. 

Bruna foi chorar no jardim japonês, perto da quedinha d'água no lago, sentada nas pedrinhas brancas tão frias de noite. Wolverine ainda ficou na casa, chutando os poucos móveis que tinha, rasgando mais uma ou outra parede. Depois de longos minutos foi lá fora ver Bruna. Sentou ao lado dela, ficou jogando algumas pedrinhas brancas no lago.

Wolverine: ... Quer entrar?

Bruna: Pensei que me quisesse longe.

Wolverine: Eu sou assim.

Bruna: Não vai dizer "desculpa" igual a qualquer um?

Wolverine: Claro que vou, guria... Desculpa. 

Bruna: Eu não te perturbo mais... Já percebi qual é a sua... Você gosta dela e pronto. Não importa se ela não retribui, isso não te interessa. Você não quer parar de amá-la.

Wolverine: Importa sim... Isso é uma das raras coisas que me faz sofrer e tira o sono, Bruna. Uma das raras coisas que me dá medo. Talvez, a única: Jean. Eu devia fazer o possível para tentar esquecê-la... e até foi isso que fui fazer em Washington! ... mas não deu, como você já percebeu!

Bruna: Você pode tentar de novo.

Wolverine: E eu vou. - Wolverine beijou Bruna, que ficou surpresa com aquele beijo doce de um homem tão bruto. 

Bruna: Nossa, você está calmo! E me passou calma e paz!

Wolverine: Pode dizer que ficou espantada com um ato de... de...

Bruna: É carinho a palavra.

Wolverine: É.

Bruna: Já tinha até esquecido o nome, né?

Wolverine: Pois é.

Bruna beijou ele de volta. Aquele jardim era o cenário perfeito, mesmo estando de noite! O barulho da água era o ideal! Wolverine a abraçou no beijo, dessa vez ela sentiu mais força de homem do que doçura e calma: fazia mais o jeito dele!

Bruna: Quem diria que você beija bem!

Wolverine: Anos de experiência!

Bruna: Quantos?

Wolverine: Não sei... Talvez uns 100...

Bruna: Mentira!

Wolverine: Verdade... Fator de cura. Vamos entrar, guria?

Eles voltaram para a casa e comeram o tal jantar que já estava esquecido na mesinha baixa. Estava frio, mas eles comeram assim mesmo e adoraram! Wolverine ficou pensativo um momento e pediu desculpa por tudo de novo, dessa vez com mais intenção no pedido, parecia mais sério. Deve ter lembrado que Bruna o viu beijando Jean ali naquela mesma sala e ficou sem graça com a situação.

Wolverine: Não vou mentir, Bruna... Eu gosto de você. - Bruna sorriu - O problema é que gosto ainda mais de outra.

Bruna: ...

Wolverine: Mas eu estou feliz aqui com você... É bom sentir esse frio na barriga de novo.

Bruna: É o mesmo que eu sinto.

Quem estivesse no jardim do lado de fora da casa japonesa veria as sombras dos dois se beijando por trás da parede de papel. Parecia um teatro de sombras oriental, era muito bonito. Mas de platéia existia apenas uma coruja, que tudo observava. Viu as sombras caminharem do sala de apenas uma mesa e um caldeirão que vinha do teto para um quarto que só tinha uma cama de casal. Pelas janelas abertas entravam vento, algumas flores das cerejeiras e alguns galhos de árvores asiáticas que se pronunciavam um pouco para dentro dos cômodos. Tempestade fez um ótimo trabalho de aclimatação com todas elas, trabalhou o solo como ninguém! Bruna tirou a própria roupa e também a de Logan. Os dois se jogaram na cama, Wolverine estava gostando daquilo.

Wolverine: Você é muito bonita, guria.

Bruna fechou os olhos e sorriu.


Perto daquela casa japonesa ficava a enorme mansão colonial, construída anteriormente à guerra de Secessão. Todos já tinham ido dormir, as luzes estavam quase todas apagadas, a calma reinava depois de tanta alegria, falatório, troca de presentes, mostra de cartões postais, conhecimento das novidades. Só Vampira estava acordada, em pé na sala, plantada diante da enorme janela de vidro. Gambit desceu as escadas para saber dela.  

Gambit: Chere?

Vampira: ...

Gambit: Vamos dormir, belle? Xavier já disse que nós dois vamos ser os que mais vamos sofrer nos treinos de amanhã. É porque passamos muito tempo fora e...

Vampira: Você consegue dormir com Rachel chorando?

Gambit: Ah, mon amour... Nem está tão alto...

Vampira: Não é altura, Remy... É angústia!

Gambit foi abraçá-la por trás e também olhar a Lua.

Gambit: Você sabia que ia ser assim. E foi quem mais insistiu na idéia de voltar.

Vampira: Já queria voltar ha algum tempo... E foi o melhor que fizemos.

Gambit: Rachel vai sofrer e nós dois também, mas ela precisa se acostumar com os verdadeiros pais. Non?

Vampira: É, gato... É...

Vampira ouvia o choro de Rachel em outro quarto. Queria ir vê-la, mas não podia. Não era sua filha. Não conseguia dormir, Remy também. Procurava calma olhando a Lua pela janela da sala.

Gambit: Você ficou estranha quando soube que Jean estava grávida, chere...

Vampira: Pô, gato! Quem ia imaginar isso! Maior surpresa.

Gambit: Verdade... Mas você pareceu abalada, mexida... Que foi?

Vampira: Sei lá.

Gambit: Já te disse que se você quiser, eu gostaria de ser pai.

Vampira: Eu não quero mais, Gambit. ... Não por um bom tempo! ... ... Mas fica tranquilo que um dia eu realizo esse teu sonho.

Gambit: Então o que foi, chere? Porque essa cara?

Vampira: Sei lá, Remy! Muda o disco!

Gambit: ... ... Tempestade veio me dizer que o cerco anti-mutante está crescendo demais aqui. Parece que Jean andou tendo uns sonhos com mutantes crucificados.

Vampira: Igual aos meus sonhos!

Gambit: Ou algo parecido. - Ascendeu um cigarro. - Fiquei um pouco preocupado, até o professor fez cara de problemas.

Vampira: Qual o futuro que crianças mutantes têm em um mundo como esse????!

Gambit: É...


Dentro da casa japonesa a paz e calma reinavam. A noite foi maravilhosa para os dois e Bruna já dormia aninhada no peito de Wolverine. Ele é que ainda estava acordado pensativo, também olhando para as estrelas. Logan não deixava de estar um pouco preocupado com o que fez. Amava Jean e dormiu com Bruna. Ele gostou, é claro! Mas tinha medo de machucar Bruna.

Wolverine: Tá dormindo, guria?

Bruna: ...

Estava. Logan fez um carinho naqueles cabelos lisos e negros. Por mais que ainda amasse Jean, foi muito bom ter alguém para abraçar e amar. Era muito bom ser amado depois de tantos anos sem ser correspondido!

Wolverine: Já tinha esquecido o quanto é bom ter alguém ao lado numa noite estrelada. ... O quanto é bom ouvir algumas palavras doces e ser beijado, ao invés de ter que passar todas as noites da minha vida dando porradas, ameaçando, xingando e tudo sozinho...

Ele se acalmou um pouco. Parecia que tinha ligeiramente amolecido.

Wolverine: Foram tantos anos em que eu quis ter Jean na minha cama, do meu lado... Ela nunca iria me querer... Não esquece aquele mauricinho príncipe encantado, idiota, babaca...

Logan abraçou Bruna com mais força, ela quase acordou.

Wolverine: É bom ter você aqui do meu lado, guria... Jeanny tem que sumir como aquela nuvem se dissipa no ar.


Vampira continuava na sala com Gambit, ela fez pipoca de microondas para os dois. Ouviram passos na escada, quando olharam para trás viram Scott nos degraus.

Scott: Oi. Que bom que vocês dois estão acordados... Jean está chamando vocês no quarto.

Gambit: Por que, mon ami?

Scott: Nós gostaríamos que vocês fossem lá.

Gambit e vampira subiram as escadas com Scott e entraram no quarto do casal Summers. Viram vários edredons colocados no chão. Eram uns 3 ou 4, um por cima do outro, fazendo um enorme tapete. Jean estava de camisola com uma chorosa Rachel no colo. A própria Jean parecia estar um pouco chorosa, mas sorriu ao ver os dois chegarem no quarto com Scott.

Vampira: Que isso, gente?

Rachel: Ma-mãe... Papai bum.

Jean: Vocês podem dormir com a gente nesse quarto hoje?

Gambit: Onde?

Scott: É estranho... mas foi idéia da Jean... No edredon mesmo.

Vampira: Nós 4 aí no chão?

Jean: Nós 5, Rachel no meio!

E foi só assim que Rachel conseguiu parar de chorar e dormir mais calma. A própria Vampira ficou aliviada. De um lado Scott e Jean aninhados ao lado de Rachel; e do outro lado da bebê Gambit e Vampira. As duas mães acariciam a criança.                 


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