Infância Mutante - Décima Oitava Parte


Gambit e Vampira passeavam pela Cidade Eterna que pareciam ter escolhido como base de refúgio. Sinistro já havia atacado em Westchester, em Paris e também em Roma onde estavam. Estranhamente não resolveram fugir de novo. Gambit até cogitou voltar para uma das cidades que já esteve antes, despistando Sinistro. Mas se era para ser assim, Vampira preferia que fosse Mansão X do que Paris. Gambit percebeu que seria óbvio demais. Sinistro rapidamente perceberia que a menina voltou para o verdadeiro seio materno.

Rachel: Mamãe. Mamãe céu. Qué vê céu.

Vampira: Não, aqui não dá, fofa. As pessoas estão olhando.

Rachel: Qué pula, qué pula! - Dizia com as mãozinhas chamando o colo de Gambit.

Gambit: Outra hora nós pulamos para os telhados, petite. Papai também não pode fazer bum agora. Estamos na rua.

Rachel: Eu que-o! Que-o! - Falava berrando, chorando, birrando.

Vampira: Tá ficando birrenta! - Rachel esperneava no colo de Vampira, que tinha que ficar desviando para a menina não encostar em sua pele descoberta. Vampira andava com a pulseira na bolsa sempre que podia, por precaução. Ela quase que jogou Rachel no colo de Gambit, o mais rápido que pôde, para livrá-la do toque cutâneo. As pessoas na rua se assustaram com a atitude da "mãe" com uma filha igual a tantas outras birrentas e esperneadoras.

Mulher: Eu, hein?! - Disse em italiano e saiu andando rápido com olhar reprovador para Vampira.

Vampira: Eu, hein o quê?! Você me conhece por acaso? Vai te catar, bruaca!  

Gambit: Chere... - Tentando acalmar a esposa já com Rachel no colo.

Vampira: A fulana não me conhece e passa com aquela cara de quem chupou limão! Não sabe que agi pra defender a criança... Ridícula... - Passaram alguns outros romanos mais lentamente em volta daquela mulher de mecha branca esquentada. - E vocês tão olhando o quê???? - Ninguém entendeu a pergunta, mas saíram de perto.

Ela tirou a pulseira da bolsa e colocou no braço, fez questão de pegar Rachel do colo de Gambit e sentar com ela num chafariz - um dos muitos - das ruas de Roma! Rosto coladinho com o da bebê, ela dava beijinhos na testa da menina enquanto olhava para aqueles que a recriminaram quando ela jogou Rachel para Gambit sem nem saberem o real motivo! E se soubesse - mutação - a reação seria pior ainda!

Um senhora se enterneceu com a cena e sentou ao lado de Vampira no chafariz.

Senhora: Nossa! Mas tem só um aninho e já fala bem assim! Vocês devem estar orgulhosos! - O casal já estava ali ha algum tempo para diferenciar algumas frases e palavras em italiano.

Vampira: Ela não tem um ano...

Senhora: Ha, sabia! Tem mais, é claro!

Vampira ia dizer que a menina tinha cinco meses e meio, nem mesmo seis! Mas desistiu quando Gambit a segurou levemente pelo braço. Se dissesse, a senhora poderia desconfiar. Levantaram para continuar com o passeio pela cidade. Enquanto se dirigiam para visitar o Coliseu, novamente o Senado Romano, o jardim e o museu da linda Villa Borghese, não perceberam que a senhora que continuou sentada no chafariz era muito estranha. Volta e meia parecia ter desconcertantes olhos vermelhos e um sinistro sorriso de satisfação.

Senhora: Eu sei quanto tempo ela tem de vida... E em pensar que vocês a tiraram de mim quando ela tinha só dois meses! A viagem da Europa de vocês já está ficando longa demais! Três meses e meio é muito tempo de folga que eu dei para vocês! - Era uma velhinha muito sinistra... meio cinza.


Enquanto isso na mansão, Xavier aproveitou a volta de Wolverine para colocar todos para treinar. Ele sabia que um embate, infelizmente, viria mais cedo ou mais tarde. No caso, mais tarde! Mais tarde! Chegou em casa com Fera, estavam vindo de Washington.

Professor: Consegui, X-Men! Consegui legalmente o direito de não ter minha casa invadida! Não quis entrar na Justiça aqui mesmo e usei de minha influência; fui direto a Suprema Corte alegando não só uma quebra de direitos individuais, à inviolabilidade da propriedade como também preconceito e eugenia!

Fera ficou pensando que se ele usou de sua "influência" para ir direto a Suprema Corte, o legalmente de Xavier não era tão legal assim, mas foi o que ele pôde fazer, já que precisava de tempo. Fera ficou pensando nos milhares de mutantes que não tem influência e terão suas casas invadidas como ficou estabelecido no plebiscito.

Tempestade: E eu estava orando com minhas plantas para que isso desse certo!

Jubileu: U-hú! E deu! Chocante!

Bruna: Como estava minha cidade?

Wolverine: Infestada de cobras, como sempre! Dessas que andam em duas pernas!

Professor: Mas não pensem que vamos parar de treinar! Voltem para a Sala de Perigo, eu só quis contar a excelente notícia! Vocês todos sabem o quanto eu tento e prezo evitar um choque, um embate. Eu tento muito... De todas as formas... - Abaixou os olhos pensativo, evidenciado que dessa vez ia ser mais difícil do que no período do Harlem transformado em gueto murado.

Fera: É um Humanista! Um Legalista! - Tentando animá-lo enquanto empurrava sua cadeira de rodas para onde ele indicasse. Iria trocá-la para aquela de alta tecnologia que flutuava, mas que não podia ser usada na rua para não impressionar.

Fera voltou para a sala depois de deixar Xavier em seu quarto. Tempestade, mais experiente, sabia que aquela vitória era efêmera.

Tempestade: Quanto tempo a mais isso nos separa de um verdadeiro embate, Fera?

Fera: Aurora da minha vida, eu não sei... Até eles enviarem uma intimação para que nós tenhamos nos genes recolhidos numa clínica, já que aqui não podem entrar.

Tempestade: E se não formos?

Fera: Você sabe... Igual aos bobos filmes de ação, eles vêm aqui com a polícia.

Bruna, que não tinha que treinar, ficava olhando para Fera com olhos arregalados. Ele falava bonito, tratava bem Tempestade, mas metia muito medo! Uma verdadeira Fera, enorme, com dentes medonhos, narinas largas, garras absurdas! Pêlos, muitos pêlos! Sem contar a cor! Ela resolveu ficar grudada no sofá enquanto via o ser de aparência monstruosa e interior de anjo caminhar com Tempestade para a Sala de Perigo. Levou outro susto, desses de dar sobressaltos, quando viu a cadeira de rodas flutuante do professor passar no corredor no intervalo da porta. Depois resolveu ficar espreitando no corredor, via lá longe a enorme porta da sala de treinos, sempre se assustava quando esta abria e ela podia ver seu interior: às vezes com algumas simulações ainda acontecendo e demonstrações de poderes. A manhã ia chegando ao fim e o horário do almoço se aproximando, os últimos do treino iam saindo da sala e se encaminhando cambaleantes para seus quartos. Foi a deixa para a curiosidade de Bruna levá-la à Sala de Perigo.

Chegou lá e encontrou-a a vazia. Um enorme e altíssimo salão com placas de metal que revestiam todas as paredes, eram de lá que saíam simulações virtuais e reais. Lá em cima, uma redoma de vidro com controladores. Ainda deu para ver os chefes de treino conversando com pequenas movimentações de luta que pareciam ser demonstrações do que os demais deveriam fazer; eram Scott e Tempestade que desligavam a luz e saíam da redoma.

Bruna: Ah! Esses dois são os tais! Controlam tudo, entendi... E o velho Xavier controla os dois! E Wolverine não obedece ninguém, entendi!   

Para completo azar de Bruna, um dos componentes do grupo mutante esqueceu sua garrafa d'água no cantinho do chão da Sala. Foi ninguém menos, ninguém mais do que Noturno! Um mutante mais assustador do que Fera, que chega a ter semelhanças com o demônio e se teletransporta quando quer. E não deu outra, apareceu na frente de Bruna, como a pior da visões, dentro de uma nuvem de fumaça que fazia BAMF!

Bruna: AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!

Bruna se jogou no chão, tampou o rosto e a cabeça e ficou em posição fetal tremendo, rezando para o "bicho" ir embora.

Norturno: Ah, perdão. Verzeihung. Te assustei? - Foi se agachando para tirá-la do chão. - Meu nome é Kurt Wagner. Geht es Ihnen gut?

Era melhor ele não ter se abaixado. Bruna nem abriu os olhos para vê-lo mais uma vez. Só sentiu que ele se aproximava dela, como os monstros de pesadelo! Ela chutou o ar e deu socos instintivamente e gritando muito. Nunca usou tanto força contra nada na vida! Ouviu um gemido e algo como "Mein Gott!". Ela acertara o monstro? Quando abriu os olhos, encontrou o bicho azul de chifre, rabo e mãos de três dedos se contorcendo no chão.

Noturno: Por... que ... você fez... isso? ... Não... não precisa ter... medo. Ai!  Es verletzt.

Bruna: Desculpa.  Eu me assustei, você é muito, muito ...

Noturno: Häßlich - Feio?

Bruna: Não... defor... ... Você nasceu assim?

Norturno: Sim... Me ajude a levantar. - Ele estendeu a mão para Bruna, mas ela não teria coragem de encostar naquela coisa de três dedos, pele azul e enorme unha - garra. Ela deu um passo para trás ao vê-lo estender a mão.

Quando Noturno via que a morena recuou, ele abaixou a cabeça e sentiu ainda mais dor do que estava sentindo antes. Bruna não era forte, mas ele foi pego de surpresa. E foi atingido num local que os militares do gueto do Harlem já haviam deixado debilitado em Kurt. Noturno resolveu se teletransportar para o quarto e curar aquela dor sozinho, já que ali parecia que não ia receber ajuda. BAMF! Bruna pulou de susto de novo e ficou com cara de besta procurando o sujeito azul. Wolverine chegou correndo logo em seguida.

Wolverine: Que foi? Bisbilhotando de novo?! Não sabe fazer outra coisa não?!

Bruna: ... - Ela estava perplexa demais para falar. Estava pensando na besteira que fez, não só em ferir alguém de olhos fechados como em recusar ajudá-lo. Bruna quase o chamou de deformado e fez cara de horror quando ele lhe estendeu uma mão que pedia ajuda.

Wolverine: Snif, snif - Fungava o ar como um bicho - Noturno. Tu viu o Kurt por aqui? Não se assusta não, ele é azul que nem o Fera.

Bruna foi correndo para fora da Sala de Perigo, Logan pôde sentir o cheiro de medo nela. Ele segurou o braço dela, impedindo-a de sair.

Bruna: Me solta!

Wolverine: Coé?! Aconteceu o quê aqui? Tô querendo ajudar...

Bruna: Então me tira daqui. Quero ir para aquela redoma de vidro no último andar da casa. Aquela com umas plantas.

Wolverine: Estufa da Tempestade?

Bruna: É. Lá é bonito. O resto é muito... estranho.    


Wolverine foi subindo as escadas até o último andar da casa. Exatamente abaixo da estufa ficava o quarto de Tempestade, também com parte da parede e teto de vidro. Ela adorava ver o céu estrelado e sentia que aquele teto de vidro era liberdade. Tinha claustrofobia. Era melhor aquelas paredes e tetos quase inexistentes do que grossas paredes de concreto. Os dois passaram pelo corredor onde ficava o tal quarto para pegar uma escada mais escondida que levava à estufa.

Bruna: Ual! Que quarto é esse???

Wolverine: Não é teu, então não é pra ficar xereteando.

Bruna: Dá pra pegar um bronze deitado nessa cama.

Wolverine: Mas de noite tem uma visão interessante, guria.

Bruna: Todos os quartos são diferentes, então?

Wolverine: Esse é o mais diferente.

Bruna: Ela tem regalias?

Wolverine: Digamos que ela pode ter! Você não pode.

Bruna: Não estou querendo trocar de quarto! Só quero entender como vocês aqui funcionam!

Chegaram à estufa. Era linda! Bruna suspirou aliviada, cheiro de rosas! Orquídeas, das mais lindas e também plantas tropicais. E os bonsais que Wolverine pediu para ela cultivar! Inúmeros bonsais, alguns bem pequenos, outros maiores! Bruna adorava bonsais! Além de todas essas plantas, também um casal sentado num banquinho branco.

Wolverine: Quê que vocês dois estão fazendo aqui sem ninguém saber??? *SNIKT*

Sam: Perdão, senhor Logan. Eu e Jubileu só viemos aqui conversar.

Jubileu: Ai, que chato! Você me encorajou a falar com ele!

Wolverine: Só que às vistas de todo mundo! Sumam daqui! Agora!   

Logan era realmente abusado, Sam apesar de novo era inúmeras vezes maior do que aquele baixinho atarracado. Mas Logan sabia que ele era um garoto educado e tímido. Só esquecia que a mutação do menino ocorria em situações de estresse, em que ele se enfezava muito contra alguém e virava um míssil. Jubileu saiu soltando plasmas coloridos de raiva. Chegou a cair em cima de um bonsai, Bruna correu para apagar o princípio de fogo que se criava na pontinha daquele minúsculo Cipreste.

Wolverine: Gosta de bonsais, né?

Bruna: Quem não gosta?! São lindos. E esses são os mais lindos que já vi! Olha esse Cipreste, uma das árvores que mais gosto. Em pensar que ela chega a tantos e tantos metros de altura e fica com a copa enorme.

Wolverine: Fui eu que pedi para Tempestade criar esses daí. Nós vamos usar parte dessa enorme propriedade para criar um jardim japonês.

Bruna: Sério??? Que lindo!

Wolverine: Mas criar bonsais leva muito tempo. Algumas árvores para ficarem bonitas precisam de décadas. Algumas têm mais de cem anos. É aí que entra o conhecimento e tecnologia de Fera, o azul que você tanto tem medo, e os poderes de lidar com a natureza de Tempestade, a dona do quarto que você gostou.

Bruna: Vai ficar lindo, espaço é o que não falta.

Wolverine: Faremos um lago artificial, com umas quedas d'água, um chão de pequenas pedras brancas, árvores grandes como cerejeiras brancas e rosas.

Bruna: Cerejeiras são japonesas! - Ela sorriu e piscou para ele, como quem diz "bom escolha"!

Wolverine: E você acha que eu não sei? - Ele achou graça dela ter piscado - E mais próximo da água teremos os vários bonsais. Alguns plantados no chão, outros em vasos bem bonitos. Em cima de alguns troncos talvez. Jubileu insistiu na ponte japonesa sobre o rio.

Bruna: Como nos quadros de Monet!

Wolverine: Deve ser, nunca me interessei por essas frescuras! ... E também vai ter uma casa em estilo japonês.

Bruna: Aquelas com portas que correm e parecem feitas de papel! Que não têm quase móveis e as pessoas sentam no chão para comer!

Wolverine: E então vou me mudar para lá. ...Se quiser ficar com meu quarto daqui! ... ... E então? O que aconteceu na Sala de Perigo?

Bruna: Eu bati num cara azul de rabo que apareceu numa nuvem de fumaça fedida.

Wolverine: Kurt Wagner, Noturno. Esse cara é legal se você quer saber.  

Bruna: Deve ser mesmo, mas eu fiz a maior besteira. Nem consegui segurar a mão dele de medo. Ele deve estar achando que eu tenho nojo dele.

Wolverine: E tem mesmo, deu pra perceber.

Bruna: Mas eu não tenho problemas com mutantes. Não sou preconceituosa, não sou como Zack Abraan que quer liquidar vocês. Mas... mas você há de convir que para quem não conhece nada disso é um choque, um susto! Todos devem passar um período de medo, até de nojo. Na verdade eu fiquei com pena dele. Ele tem pés e mãos deformados.

Wolverine: Sua reação é normal. Mas se durar muito tempo, nós vamos ter problemas com você aqui. Agora tu já sabe que vai ver de tudo e não é mais para fazer cara de nojo. Teu período de surpresa acabou. Já é hora de tratar todos igualmente. Não só Jean e Tempestade que são bonitas como essa estufa com bonsais, como os feios deformados também! Ninguém pediu pra nascer assim. E ninguém mais sente pena aqui, nós vivemos normalmente. Não precisamos de sua pena.

Bruna: Desculpa... Eu vou me acostumar.

Wolverine: É isso o que o velho quer. Quer que o mundo passe desse primeiro estágio para a convivência pacífica sem os preconceitos. ... Não precisa se desculpar, a maioria das pessoas reage assim. ... Peça desculpas pra ele. E agora vamos descer que o babaca do Scott resolveu fazer o almoço hoje.

Bruna: Ah é?! É o alto bonitão que comanda tudo com cara de sério. O que não tira aqueles óculos.

Wolverine: Ele é o quê???

Bruna: Alto. De óculos. Não é ele? O bonitão.

Wolverine: Bonitão? Vocês mulheres usam drogas pesadas!

Bruna: Hahahahahaha! Eu não sabia que ele é babaca. Sério mesmo? Ele trata mal as pessoas, é isso? Ele é arrogante?

Wolverine: Pô, até Noturno é menos feio do que ele!

Bruna: Ah, espera... Estou entendo... Alguém um dia mencionou a palavra "ruiva" e a esposa do tal babaca é ruiva... Hum... estou entendendo.... Eu lembro desse alguém chorando. Cheguei até a duvidar que esse alguém podia chorar!

Wolverine: Eu não lembro. - Estava mentindo, claro que lembrava do dia que Mística ligou contando que Jean estava grávida - Não estou dizendo que vocês usam drogas pesadas?!

Foram descendo conversando. Estavam todos na sala de banho tomado para comer os pratos feitos por Scott com ajuda de Jean. Logan perguntava quais foram feitos por Jean para saber exatamente o que comer e o que não comer.


O casal Lebeau passeava novamente por dentro das ruínas do antigo Senado romano. Lembravam do dia que chegaram na Cidade e pousaram às escuras nessas ruínas e foram metralhados por carabinnieres preocupados com o patrimônio da humanidade. Mas agora andavam com calma, com muita luz do sul e muitos turistas tirando fotos. Não sabiam que uma figura Sinistra os acompanhava de longe. Gambit ficava imaginando como seria aquele lugar no período de seu auge e esplendor. Aquele lugar era a cabeça de todo um vastíssimo império! Não só chegava até ao que hoje é Portugal, como também invadia a Inglaterra, englobava a atual Alemanha, ia para o Oriente! Eles estavam no Senado que tudo comandava, estavam na cabeça. Estavam na cidade que todos tanto falavam e sonhavam. Todos os caminhos levavam a Roma! Ela era dona de tudo, a gloriosa! A assassina e invasora, brutal, gananciosa, mas grande! Muito grande! Filha herdeira de muitas culturas, inclusive a grega que ela invadiu! Filha de tantas culturas, na qual a principal chamam de greco-romana, é mãe do que a civilização ocidental é hoje.

Gambit: Chere... Você consegue imaginar esse lugar como ele era?

Vampira: Não, mas eu sou esperta e comprei isso aqui.

Ela mostrou um encarte cheio de fotos da Roma atual e por cima de cada foto tinha um papel vegetal com apenas parte desenhada! Era perfeito! Quando se colocava o papel vegetal em cima, tinha-se a parte que faltava, que foi destruída pelo tempo, pelos homens, pela deterioração! Via-se o que faltava! Via-se Roma como era na antiguidade!

Gambit: C'est parfait, mon amour!

Era realmente muito legal ver aquilo e depois olhar para as ruínas e tentar imaginar. Obviamente a imaginação tinha que fazer sumir as ruelas medievais que conviviam com as ruínas da antiguidade. Não só as ruelas medievais, como os prédios renascentistas. Tinha que sumir da cabeça a basílica de São Pedro, o próprio castelo de Santangelo, tinham que imaginar o Coliseu inteiro! Inteiro e até mesmo com um teto de lona.

Gambit: Ta vendo, Rachel? Olha aqui para o desenho e para essa enorme ruína diante de si, no alto tinha uma grande estátua alada. É... Parece um anjo, mas não é. É uma das figuras aladas da mitologia grega que foi romanizada aqui. Entende?

Vampira: Claro que não.

Gambit: Ela entende, chere... Ela entende.  

Sinistro: Eu sei que ela entende!

Gambit e Vampira protegeram a babê. A sulista logo tirou a pulseira e guardou no bolso do casaco. Os turistas logo começaram a debandar numa corrida para as várias saídas do senado quando viram aquele estranho ser cinza de olhos vermelhos! E alto, muito alto, muito sinistro! Vampira levantou vôo, causando ainda mais comoção na população que já começava a se empurrar e cair no chão. Gambit agarrou bem Rachel e pulou enganchado para uma das pilastras romanas das ruínas. Os carabinieres entraram em pânico.

Carabiniere: Saia daí agora! Agora, senão atiro!

Gambit foi subindo a pilastra, para horror de todos que estavam em baixo.

Carabiniere: Isso foi construído antes de Cristo! É muito frágil!     

Rachel: Vai vê anjo?

Gambit: Isso, estamos subindo para ver os deuses alados. Mas não são anjos...

Rachel: Qué vê deusi lado.

Sinistro: Solte-a, seu insano!

Gambit: Você quer que ela caia daqui, mon "ami"????  

Tiros! Vampira se desesperou, os carabinieres estavam atirando contra Gambit! Sinistro abriu fogo contra os carabinieres, tentando proteger Rachel dos tiros.

Sinistro: Não, seus inúteis! - Rajadas de energia que jogavam os sujeitos longe, até eles fugiram do local. Gambit começou a jogar cartas energizadas lá de cima na cabeça de Sinistro. Mas Sinistro tinha inúmeros poderes, inúmeros! Retornou toda a energia gasta por Gambit direto para ele! Gambit não suportou e caiu da coluna em direção ao chão! Vampira voou e o agarrou no ar!

Sinistro quase teve um ataque! Esperava que o cajun fosse largar a menina na queda para que ele pegasse! 

Vampira: E você acha que ia deixar os dois caírem, fofo?!

Essex se irritou profundamente e resolveu acabar com tudo de uma vez. Voou em direção aos dois, soltando rajadas de energia e fazendo uso de sua telepatia para lhes destruir mentalmente. Gambit e Vampira só conseguiram se abraçar com Rachel no meio e cair no chão sofrendo. Foi quando Sinistro a tirou deles!

Sinistro: HAHAHAHAHA! Minha! HAHAHAHAHA!

Vampira: Nãããããão!

Sinistro já ia se materializar em sua base repleta de aparelhos de última geração tecnológica roubada de Apocalípse para transformar Rachel numa mulher adulta e escrava de suas ordens! Mas algo estranho estava acontecendo. Era como se ele estivesse se materializando para a base e Rachel ficando. 

Gambit: Solte-a!

O casal percebeu o estranheza do que estava acontecendo. Era como se Sinistro estivesse se evaporando no ar e Rachel ficando! Vampira logo correu para arrancá-la das mãos de Sinistro e conseguiu!

Gambit: Muito bem, chere!

Sinistro desistiu da materialização e voltou ainda naquela névoa para onde estavam todos! Gambit e Vampira começaram a correr, depois vampira pegou o cajun no colo e resolveu voar. Olhavam para trás e Sinistro continuava evaporando. Foi depois que perceberam que outras coisas evaporavam, menos eles três! Em poucos segundos Sinistro sumiu! Os prédios renascentistas sumiram! E os pedaços que faltavam apareceram! Inclusive os turistas! Que turistas???? Não eram turistas! Eram pessoas do ano 30 antes de Cristo!

Gambit: O que????

Vampira: Que isso?

Gambit: É um sonho?

Vampira: Entramos no encarte que eu comprei?

Gambit: Voltamos no tempo?

Vampira: Quem fez isso? Sinistro pode manipular o tempo? Ele nos prendeu aqui???? Como vamos sair?!

Gambit: Mon Dieu, não sei quem nos prendeu aqui! ou nos trouxe para cá! Mas olha lá em baixo! É Marco Antônio!

Vampira: Que marco Antônio, Gambit! Estamos preso fora do nosso tempo! Isso é o que importa!

Gambit: Será que vamos ver Júlio César também?

Vampira: Ai... ele está fazendo turismo no tempo...

Gambit: Vampira, guarda na bolsa tu-do o que você conseguir e não conseguir! Depois vamos vender para museus e colecionadores os objetos romanos mais bem conservados do mundo!

Vampira: Isso se nós conseguirmos voltar, Gambit! Acorda, fofo! Sinistro nos prendeu aqui!

Gambit: Ah se eu tivesse uma filmadora! Ninguém nunca vai acreditar! A máquina fotográfica!!! - Ele pegou a máquina do bolso do sobretudo e tirou inúmeras fotos dos templos, sempre pegando as pessoas na frente e o fundo também! O fundo sem os acréscimos da arquitetura mundial conforme seus períodos.

Vampira: Vão achar que é montagem, Remy... 

Rachel: Deusi lado!

Gambit: Oui! São os deuses alados! Figuras romanas enfeitando os topos da cidade.

Vampira: Vocês estão como se nada tivesse acontecido! Como se pudéssemos alugar uma casa com o nosso cartão de crédito!

Gambit: Non, mon amour. Non foi Sinistro que nos prendeu aqui. Você não viu a cara de espanto dele?! Rachel nos transportou para cá!

Vampira: Ela?????? Como? Ela nem sabe a diferença entre o ontem e o hoje! Como vai entender o que é passado para nos transportar? E como alguém faria isso? Fala sério, fofo!

Gambit: Se ela não fizesse esse tipo de coisa, chere, Sinistro não estaria atrás dela.

Homem: Quem são vocês???? - Perguntou em latim. Jogou Vampira com um empurrão no chão e afrontou Gambit.

Gambit: Ei!

Homem: E que roupas são essas? - Continuava em latim.

Gambit: Vampira, ele é da legião romana.

O sujeito ia expulsando eles mostrando com o dedo que deveriam ir circulando, que aquilo não era lugar para eles.

Vampira: E que porcaria é essa? Me jogou no chão! Não quero saber da onde ele é e como enrola a língua!

Gambit: Legião romana, ele é soldado de Roma! Da legião, dos que vão nas fronteiras lutar! Para expandir as fronteiras!

Vampira: E como você sabe?

Gambit: Pelas roupas. A armadura, o capacete, o estandarte romano que ele carrega. Você não viu aquele filme Gladiador?

Vampira: Ah... tá. Mas me jogou no chão!

Gambit: Shiii. Vamos andando. Depois eu vejo se machucou.

Vampira: Não! Eu é que vou machucar! Entendeu?

Gambit foi levando Vampira pela braço para fora do enorme pátio com os prédios do Senado, passando pela Via Sacra, que na época não se chamava Sacra, obviamente. Disse que iam ter que encontrar roupas apropriadas antes que fosse tarde demais e uma rebelião fosse contra eles. Quando saíram dali, Vampira levantou os olhos e só pôde dizer:

Vampira: E cadê o Coliseu?

Gambit: Acho que ele ainda não foi construído, chere.

Vampira: Nossa, que pessoal molenga!

Gambit: Ainda tem muito tempo, chere. O império dura até o século V. E ao que tudo indica, ainda estamos antes de Cristo.


Enquanto isso na mansão, tudo corria na mais santa paz. Excepto por Noturno que estava mancando um pouco e nem olhando para Bruna e Wolverine que só estava comendo a salada feita por Jean.

Scott: É, Wolverine. De tudo aqui na mesa, Jean só fez a salada.

Tempestade: Pela Deusa! E nem sabia que você gostava de rúcula, alface, agrião e mussarela de búfula, Logan. Que bom! Faz muito bem e é maravilhoso! Ainda mais cheia de azeite como está!

Wolverine: Passei a gostar.

Anjo: Fiz questão de comprar azeite grego, Logan. Espero que tenha  percebido. - Bruna sempre prestava atenção em Warren quando ele passava ou abria a boca para falar alguma coisa. Era o terceiro azul da casa, mas era bonito. Alto, charmoso, loiro, um anjo! Enormes asas que a deixava intrigada.

Wolverine: Não enche o saco, bilhardário.

Jean, Scott e Tempestade iam levando os pratos vazios para a cozinha. As panelas mais pesadas iam flutuando no ar carregadas pela telecinésia de Jean. Ela só levava os mais leves mesmo. Enquanto lavavam alguns copos e a telecinésia de Jean guardava outros no armário, o casal ficou conversando.

Scott: Não conheço ninguém mais infantil do que Logan. Por acaso eu cozinhei mal?

Jean: Não, Scott. Ele vai acabar comendo quando ninguém estiver vendo! Acho que com essa nova moça as coisas vão mudar com ele. ... Não fique preocupado, todos gostaram da sua comida!

Scott: Assim espero.

Jean: Que Wolverine mude ou que tenham gostado da sua comida?

Scott: Os dois. - Ele sorri.

Enquanto isso na sala, Jubileu viu seu prato sair diante de si rumo à cozinha flutuando no ar. E ela nem viu Jean por perto! A ruiva sabia que ela já tinha terminado mas estava lá com preguiça de levar o prato.

Jubileu: Tudo bem! Eu já acabei! Vamos para a piscina! - Jubileu adorou que o "prato" tenha lido seus pensamentos.

Bruna: Ótimo, já coloquei meu bikini!

Jubileu: ... - Jubileu fez cara de ninguém te convidou. - Vamos, Sam! - Ela ainda não tinha conseguido conversar tudo com ele, achou que um bikini talvez ajudasse. Puxou o garoto para fora. Os demais que queriam farra também foram para perto da piscina, inclusive Bruna.

Bobby: Aêh, Wolverine! Vai ver a morena de bikini! Ual, grande chance cara! Vai lá pra fora!

Wolverine: Já vi tudo o que tinha pra ser visto naquela mulher, Bobby Drake.

Bobby: Sorte sua!

Wolverine: Mas não na situação que você está pensando.

Bobby: Sorte e azar o seu!

Enquanto isso, a piscina era a maior festa. Estavam todos descansando do treino puxado da manhã. Bruna aproveitava para manter o bronzeado da pele bem morena. Jubileu não gostou nem um pouco de ter sido interrompida na estufa por ela e Wolverine. Estava com ainda mais raiva da moça quando soube por Noturno que ele estava mancando por causa dela. Bobby Drake chegou no jardim fazendo biquinho de "que mulher!" quando viu Bruna deitada de barriga no chão se bronzeando.

Jubileu: Bobby, vem aqui.

Bobby: Fala.

Jubileu: Essa Bruna é...

Bobby: É nota mil!

Jubileu: Shiii. Não, seu tarado! Seu substituto fajuto do Gambit! Ela é preconceituosa e secretária do Zack Abraan. Wolverine teve que tirar ela de circulação pra Mística agir da forma certa que ela mesma não agia.

Bobby: Sei...

Jubileu: Eu acho que a gente devia sacanear ela!

Bobby: Como?

Sam: Jubileu... Pelo amor de Deus! Se você fizer isso...

Jubileu: Shiiii! Ela bateu no Noturno hoje! E disse que ele é deformado! Fiquei sabendo de tudo!

Bobby: É... Eu acho que a gente devia abrir o bikini dela!!!!!

Jubileu: ECA! - Botou a língua de nojo pra fora! - Não seu besta! Tarado, nada disso! Que nojo! Você podia se transformar em gelo ou fazer pedras de gelo e encostar nela! Ela vai ficar irada! Encostar bem no meio das costas, justo onde ela está pegando Sol!

Bobby: Prefiro abrir o bikini, aposto que Sam concorda comigo.

Sam ficou encabulado, sorrindo de lado. Jubileu se revoltou!

Jubileu: Tchau pra vocês! - Saiu irritada, achando que os dois faziam isso só porque ela não tinha corpo nenhum, era reta em quase tudo e tinha pernas finas. Enquanto que Bruna apesar de baixa sobrava nos lugares que os homens mais gostavam.

Bobby foi chegando perto dela, como quem não queria nada. Ficou ali conversando com Sam na piscina para despistar a todos, inclusive a própria Bruna que estava dormindo ao Sol. Devagarinho ele desamarrou o bikini dela. Sam não acreditou que ele realmente tinha feito aquilo! Achava que era brincadeira. Wolverine e Fera resolveram entrar na água também, Tempestade lia um livro de botânica, tudo estava calmo. Só Bobby era pura ansiedade e Sam pura vergonha. Jean apareceu no jardim ao lado de Scott com um bikini que mostrava sua ligeira barriguinha de pouco mais de um mês de gravidez.

Tempestade: Já estou vendo uma barriga ou ainda é miragem?

Jean: Está mais para miragem, amiga.  

Bruna ouviu o comentário de barriga de grávida e levantou para ver o que era. O coração de Bobby quase explodiu e Sam mergulhou a cabeça na água de vergonha. Mas no exato momento que o bikini dela caiu, algo estranho aconteceu. Ela chegou a gritar de susto, mas depois se acalmou. Um bikini feito de água estava tampando seus seios! Tempestade estava sorrindo do outro lado da piscina com seus olhos brancos demonstrando que estava usando seus poderes! Ela agora controlava a água magistralmente. Fazer parte da água da piscina virar um bikini para Bruna não foi difícil! Tempestade estava tão mais confortável com seus novos poderes adquiridos desde o gueto do Harlem, que ela chegou a fazer um guarda Sol inteiramente de água para Bruna!

Bobby: Eu não acredito!

Tempestade: Você acha que eu não percebi tudo, Bobby?

Bruna: O quê?

Wolverine: Como é que é? * SNIKT *

Jean: Tempestade, você é maravilhosa! Adorei isso! Depois eu vou querer um vestido de água, achei lindo!

Wolverine: Você fez isso, Bobby? - Já tinha agarrado o surfista garotão pelo braço e o tirado da água como se fosse uma folha de árvore sujando a água.

Bobby: Eu tava só brincando, cara!

Wolverine: E isso é brincadeira????

Jean paralisou os dois com sua telecinésia, não queria saber de brigas. Ficaram os dois como estátuas no gramado.

Jean: Já chega! - Continuou usando seus poderes e levou Bobby para o quarto como se um vento arrastasse uma estátua imóvel para dentro da casa. Depois, liberou os dois.

Wolverine: Cadê ele???

Tempestade: Calma, Logan. Não aconteceu nada. Eu evitei o pior. Sem contar que acho que foi idéia da Jubileu.

Sam: Não foi não. Bem... Ela queria jogar gelo na Bruna, mas não fazer isso. Jubileu é mulher e mulheres não fazem isso com as outras.

Wolverine: Jubileu não é mulher. É uma garota! E se vocês conhecessem Mística como eu conheço, veriam que certas mulheres podem fazer coisas até piores.

Bruna não gosta de lembrar do que Mística quase fez usando a forma de Wolverine. Ela resolveu colocar o bikini por cima da água, que depois escorreu pelo corpo, e foi para o quarto.

Wolverine: Eu não disse? É bom não brincarem assim com ela! ... ... Não me esperem para o jantar. - Pegou a moto na garagem e saiu roncando com ela para fora da mansão.

Tempestade: Onde você vai?

Wolverine: Comer alguma coisa de verdade!


Warren estava caminhando pelo corredor dos quartos no segundo andar, dirigindo-se para o seu. Encontrou a porta do quarto de Jean e Scott aberta. Ficou admirando uma roupinha azul de bebê que estava em cima da cama. Na certa Scott havia comprado e colocou ali para fazer surpresa quando ela voltasse. Entrou para ver de perto. Tinha um bilhete em cima: "pra teu guri, ruiva"

Anjo: Inacreditável. Wolverine se deu ao trabalho...   

Ele foi andando para fora do quarto quando olhou para baixo e viu um pedacinho de papel no chão que mais parecia ter um peito. Chegou perto e o pegou: era um peito! Que coisa estranha! Parecia uma foto rasgada. Ficou curioso, algo de Bruna lhe invadiu a mente e ele abriu a gaveta ao lado da cama. Encontrou um envelope vazio... Foi ao banheiro e viu todos os outros pedacinhos dentro da lixeira. Catou todos. Estava na cara que era uma foto de Emma Frost.

Anjo: Scott é ingênuo mesmo... Jean veria esses pedacinhos aqui facilmente. Vou tirar isso daqui. 

Levou para o quarto e botou todos em cima da cama, formou o quebra-cabeça e obteve a foto de volta. Colou os pedaços com durex e ficou com uma foto que tinha marcas em tudo quanto era lado.

Anjo: É... Você é louca mesmo! Louca e bonita demais...


Enquanto isso, três pessoas ainda viviam na Roma antes de Cristo. Gambit conseguiu roubar uma capa roxa para Vampira usar. Inclusive um cinto para amarrar na cintura e uma pulseira em forma de cobra.

Gambit: Tudo bem, chere... Tente tampar o cabelo. Eles achariam muito estranho.

Já era noite, noite de breu total e eles não tinham onde ficar.

Vampira: Rachel tinha que nos mandar de volta!

Gambit: Ela deve estar com medo de Sinistro.

Vampira: Tudo bem... Então nos mande para Roma em 1990! Ao menos tinha carro, gente que fala inglês, supermercado, hotel!

Gambit também vestiu uma capa preta e enrolaram Rachel num pano. Tinham que conseguir beber alguma coisa, mas não tinham dinheiro nem falavam latim.

Gambit: Fique sempre quieta, mulheres não saíam na rua assim tão facilmente. Muito menos à noite. Podem achar que você é uma prostituta. 

Foram andando em busca de luz. Acharam alguns focos que brilhavam, alguns lugares da cidade tinham tochas iluminando as ruas com as chamas incertas do fogo. Gambit arrancou uma dela e foi levando na mão.

Vampira: Pra quê isso se suas cartas brilham?

Gambit: Brilham e explodem... E por isso seríamos mortos por uma multidão enlouquecida.

Encontraram um local, uma espécie de casa, com mais luz dentro. Muitas risadas, vozes de homens, música, cheiro de comida e bebida.

Vampira: Estou morrendo de fome.

Gambit: É uma taverna. Não entre, vão azucrinar você, chere.

Gambit entrou o prometeu trazer comida para ela e para Rachel. Iria roubar, obviamente! Muitos homens, todos bêbados. Poucas mulheres, a maioria com os seios de fora. Muita gente sem dente. Um ou outro ostentava vestimentas mais ricas e adornos de ouro pelo corpo, além de sandalhas de couro. Gambit estava com a longa capa preta tampando tudo o que podia, menos sua "estranha" bota. Sentou em uma das mesas. Uma mulher com os seios de fora se aproximou.

Mulher: A noite por duas moedas de ouro. - Dizia em latim. Gambit não entendeu nada. Ou melhor... Linguagem de mulher em qualquer idioma ou época ele entendia muitíssimo bem. Mas teve que balançar a cabeça recusando. - Vai querer beber o quê, então?

Enquanto isso, do lado de fora, um outro cliente da taverna se aproximava. Viu uma mulher na porta de uma taberna à noite, com um bebê no colo. Ele já chegou colocando a mão na cintura dela e tentando beijá-la.

Vampira: Ei!? - Se soltando dele e tirando sua pulseira, guardando-a dentro das roupas de Rachel. - Me solta!

Homem: Ah! Você não fala... É uma bárbara! Uma escrava talvez! Aposto que é uma escrava! Da onde você veio? Da Galia? Da Germania? Tem cara de quem veio de Israel! - Puxava Vampira que evitava sugar a vida do homem na porta de uma taverna na frente de outros tantos! - Quem é teu dono? Quanto você cobra? Eu pago!

Vampira: Me solta, eu estou entendendo nada!  

Vampira resolveu correr para longe. Sabia que o sujeito iria seguí-la e longe de todo mundo ela podia aniquilá-lo facilmente. Deu para perceber que ele queria sexo, mas nada dava para ter diálogo. Correu até encontrar um beco sem saída, com algumas tochas iluminando o lugar. Ali parecia ser os fundos de um palácio, já que tinha uma parede de pedra toda ornamentada com figuras romanas em alto relevo. Vampira achou aquilo bonito, mas não dava tempo para admirar. Ficou ali encostada na parede, esperando o sujeito chegar para beijá-lo e fazê-lo cair. E ele chegou.

Homem: Olha só o que eu tenho para você! - Ele jogou uma romã para Vampira. Mas ela não queria uma romã! Queria comida mesmo! Vampira mexeu com as mãos, como quem quisesse mais. O homem estava convencido de que ela era uma bárbara e que não sabia falar latim. Mostrou que tinha uma linguiça de porco defumada numa bolsa de pano. Vampira apontou para aquilo. - Tudo bem, a linguiça de porco para a bárbara e o filho dela.

Vampira resolveu usar seus poderes que há tanto tempo não usava: sugar alguém usando de sensualidade para iludir a presa. Com uma das mãos ela abriu parte da capa para mostrar um dos seios. O homem foi a loucura, quando ela voltou a se cobrir no momento em que ia  aparecer o mamilo. Voou para cima dela, que tinha deixado Rachel no chão, e foi sugado por um beijo! Vampira o segurou no beijo por bastante tempo enquanto ele se contorcia. Foi horrível para ela também, que sugou parte do seu passado e vivência numa Roma antiga - vida duríssima e nada fácil! Vampira agora tinha na memória uma bagagem do que era viver na antiguidade! Viu mortes terríveis, fome, falta de conforto, cenas de sexo nada agradáveis! Largou o sujeito antes que ele morresse, o suficiente para se recuperar só com longas horas ali no chão. Voltou a pegar Rachel no colo e levou a bolsa do sujeito consigo. Comia a linguiça e dava alguns pedaços para Rachel.

Vampira: Se deu mal, engraçadinho!    

Ainda teve pena do sujeito e deixou uma linguiça para ele, bem dentro da boca que babava e tremia. Voltou para a porta da taverna bem na hora que Gambit fugia silencioso e calmo como um gato. Os três correram para longe, até encontrarem o rio Tibre, foram para debaixo de uma ponte de madeira.

Gambit: Consegui costela de boi! Tão grande que mal consegui esconder! - E tirou a enorme costela com bastante carne. - Ainda peguei um pão e uma garrafa de vinho ruim.

Vampira: Consegui linguiça defumada e uma romã.

Gambit: Pardon? Como isso, chere?

Vampira: Eu também sou mutante, Gambit. 


Sam bateu na porta do quarto de Jubileu, ela abriu com biquinho de chateada.

Jubileu: E aí, conseguiu ver os peitos da talzinha com o Bobby?

Sam: Eu não queria isso e... Tempestade fez um bikini de água para ela.

Jubileu: Sério??? Ual, também quero!

Sam: Nós paramos aquela conversa no meio...

Jubileu: É, eu sei... Entra aí.

Sam: Não... Prefiro que você venha aqui fora.

Os dois voltaram para a estufa de Tempestade. Sentaram-se perto dos bonsais que futuramente ficariam no jardim japonês.

Jubileu: Você há muito tempo atrás disse que me perdoou. Mas que só seria meu amigo daquele dia em diante.

Sam: É...

Jubileu: Mas você tem reparado que eu...

Sam: Tenho.

Jubileu: Então... Vamos sair! Ir ao cinema, sei lá! Comer cachorro quente em algum lugar. Eu também tenho reparado que você vem mudando de um tempo pra cá...

Sam: Eu não venho mudando, Jubileu. Eu...

Sam deu um passo para frente e ficou bem perto de Jubileu. Ela não perdeu a chance e o beijou! Aproveitou para passar os dedos entre aquele cabelo loirinho cortado em asa delta como um bom adolescente.

Sam: Desculpa, eu tropecei.

Jubileu: Ah, então tropeça de novo! - Jubileu lembrou que anos atrás foi a mesma desculpa que o tímido deu quando a beijou. Disse que tinha tropeçado. Ela sorriu e repetiu o que tinha dito também anteriormente.   

Sam: Não, Jubileu... Eu tropecei mesmo. ... Desculpa, não vai dar.

Sam foi embora da estufa e Jubileu ficou com cara de tacho. Já era noite e só lhe restou a companhia das estrelas e das flores. Sam desceu todas as escadas para respirar um ar puro no jardim e pensar no que fez. Encontrou Xavier diante da lareira acesa.  

Professor: Samuel Guthry?

Sam: Sim, professor.

Professor: Venha até aqui, por favor. ... Coloque mais uma lenha no fogo. - O menino do interior obedeceu. - Você... estava com Jubileu?

Sam: Sim... - Meio desconfiado

Professor: Que bom. Eu percebi que ela estava um pouco triste ultimamente. Jubileu ainda é imatura para lidar com assuntos sérios, como o preconceito e ódio que nós sofremos eternamente. Ela ficou muito abalada com o plebiscito, bom... todos ficamos.

Sam: Eu sei.

Professor: Estava se sentindo um pouco sozinha com a ausência de Logan, Vampira e Gambit. E ... com a sua ausência afetiva também, Samuel.

Sam: ...

Professor: Nós erramos na vida, Sam.

Sam: E eu já perdoei. Trato ela como trato todo mundo. Já esqueci aquilo.

Professor: E mesmo assim evita as tentativas que ela promove para conseguir sair com você?

Sam: Eu sou obrigado

Professor: Claro que não. Só pensei que você também quisesse, Sam.

Sam: Como dá para perceber: não quero.

Professor: Eu percebo outra coisa.

Sam: O quê, senhor?

Professor: Medo.

Sam: Com todo o respeito, senhor, acho que está enganado. Aquilo aconteceu há uns dois anos. Eu era muito novo e ela também. Agora percebi que Jubileu não me interessa mais como interessava. Às vezes sinto como se ela tivesse parado no tempo. Continua a mesma de quando tinha 15 anos, mas eu mudei.

Professor: Talvez ela lhe pareça assim aparentemente. Mas você só a conhece superficialmente, ha anos que não tem dado chance dela mostrar quem verdadeiramente é. Saia com ela e confirme ou mude suas idéias.

Sam: Volto a perguntar se sou obrigado.

Professor: Você é livre para fazer o que quiser, Samuel. Assim você me ofende.

Sam: Perdão, professor. Mas esse é o problema com Jubileu. É por isso que ela não cresce. Me parece sempre que existem pessoas por trás para ajudá-la e  para promover as coisas que acontecem em sua vida. Como eu sair com ela! Um pedido seu é como uma ordem, professor. Portanto, não faça. Devo minha vida e acolhida ao senhor. Se o senhor pedir, eu farei. Está me dando a impressão de que sou obrigado.

Professor: Quem pede perdão sou eu, Samuel. Você tem razão... sempre queremos ajudar aquela pequenininha.

Sam foi para o jardim respirar o ar puro que queria quando encontrou Xavier. O professor olhou para trás e encontrou Jubileu encolhida chorando nos degraus da escada.

Professor: Jubileu!

Jubileu: Eu ouvi tudo... Não presto para nada mesmo. Sou criança e boba... E todo mundo me ajuda.

Professor: Ele é muito sério. Tem um pouco da personalidade do Scott. Talvez ele tenha razão em dizer que para alguém como ele, uma menina com sua personalidade já não interesse mais.

Jubileu: E tem alguma coisa de errado comigo?

Professor: Não... Vocês só são diferentes.  ... Onde você vai?

Jubileu: Para o quarto! - Subiu as escadas chorosa.


Gambit e Vampira pensavam numa forma de voltar no tempo. Rachel fez aquilo quando se sentiu com medo. Talvez tivessem que fazê-la sentir medo daquele tempo também.

Vampira: Ah! Isso não é difícil! Aqui as coisas são barra pesada!

Gambit: Certo, mas não vamos entregá-la aos leões, ou deixar ela com fome ou fazê-la participar de uma luta de gladiadores.

Vampira: Não... Isso não...

Gambit e Vampira resolveram eles próprios assustarem a menina. Primeiro Gambit gritou alto para ela. Rachel fez cara de horror, gritou e começou a chorar.

Vampira: Ai tadinha! - Vampira correu para pegá-la no colo. - Não quero mais fazer isso...

Gambit: Nem eu, chere...

Vampira: O jeito é convencê-la... Mas ela só tem meses e alguém nessa idade não se convence.

Gambit: Hum... Vamos fazê-la querer as coisas do tempo presente.

Vampira: Isso! Rachel, cadê o ursinho que papai te deu? - A bebê fez carinha de perdida e biquiinho... realmente onde estava o ursinho? - E vamos ver os bi-bi na rua? Bi-bi! Cadê o bi-bi? Por que não estamos no hotel pra você dormir no berço?

Gambit e Vampira perceberam que a estratégia estava dando certo! Começaram a ver o mundo a sua volta evaporar e logo se encontraram em baixo de uma ponto no Rio Tibre com uma avenida larga passando vários carros atrás, com o coliseus em ruínas logo atrás e bem na frente a presença do castelo de Santangelo!

Vampira: Deu certo! Nossa, já tava ficando com medo dessa menina! Chora e faz todo mundo sofrer, derruba prato de sopa com telecinésia e ainda por cima mexe no tempo!

Mas como esse casal não tinha muito tempo de paz, logo um grupo da população encontrou-os pegando um taxi e armou um escândalo.

População: São eles! Foram eles que começaram a zona no Senado hoje de manhã! Foi esse daí que subiu na coluna grega! Pega eles! São mutantes! Escória da humanidade! Pega ! Pega!

Vampira: Entra logo no taxi para gente ir para o hotel, Gambit. Não quero me indispor com essa gente!

Mas o taxi saiu correndo e não os deixou entrar. O motorista ainda gritou "Mutante não entra no meu taxi! É muito caro pra lavar o estofado!"

Vampira teve que pegar Rachel e Gambit no colo e sair voando até o hotel. Ainda voaram algumas pedras na direção dela e muitos xingamentos, mas ela estava muito cansada e atordoada com aquele dia maluco para revidar. Quando chegaram no hotel, só queriam saber de ficar juntos e esquecer mais essa demonstração de ódio aos mutantes.

Gambit: Elas estão ficando mais intensas, chere... Daqui a pouco aquela medida aprovada nos EUA com aquele pleibiscito vai ser aprovado em todos os países. Viu como trataram a gente? Se pudessem, matavam...

Vampira: Eu sei... Me abraça que eu já estou ficando com medo.

Gambit: Você com medo de alguma coisa???? 

Vampira: Medo que os anti-mutantes nos separem de novo. Talvez devêssemos aceitar a proposta de Magneto e...

Gambit: Shiiiii. Non, isso não. 

Vampira: Alguma coisa me diz que nós deveríamos aceitar... Sinto que vão me pegar e aquele Edward Northon está solto, cachorro! Remy... se ele colocar a mão em mim, eu mato ele! Mas se colocar a mão em com a pulseira, como da outra vez, ele me mata. Eu tenho certeza.

Gambit: Você tem toda razão de estar preocupada, mas eu prometo que se te pegarem, vão ter que me levar junto! Por isso, nada disso vai acontecer. Mas tenho medo é de um pleibiscito como aquele por todo o mundo! Isso me dá medo!

Vampira: Vamos para a Antártida para a base de Magneto e seus alunos?

Gambit: Claro que non, chere... Nós vamos é para uma banheira de água quentinha com espuma, que Roma há séculos atrás era poeira pura! E também porque eu estou sentindo falta de certas coisas que só você sabe fazer. Je vous aimerai pour toute ma vie.


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