Infância Mutante - Décima Sétima Parte


Confraternização naquela grande sala. Tempestade era só sorrisos, Jubileu pulinhos frenéticos, Jean sorriso sereno de calma, paz e felicidade. Mas o retornado mesmo tinha a cara fechada de sempre, no máximo esboçava um sorriso amarelo ao rever cada x-men. Ororo puxou Bruna pelo braço para mostrar-lhe a casa. Jean fez a mochila de roupas da secretária de senador flutuar até o segundo andar, a morena ficou paralisada de medo. Tempestade a sacolejou um pouco e continuou a guiá-la, cheia de medo a cada passo. Susto ao ver Fera! Outro susto ao ver um Anjo! Mas por causa desse ela chegou a olhar para trás e dar uma checada naquilo. Olhos arregalados ao ver a Sala de Perigo, sobrancelhas intrigadas ao passar pela frente do Cérebro e só ouvir a descrição dele, admiração pela quantidade de quartos. Um pouco de medo por seus habitantes. Tempestade colocou ela no quarto de hóspedes, onde estava Emma Frost até bem pouco tempo.

Tempestade: Ororo Monroe.

Bruna: Bruna Hernandez.

Tempestade: Você descobriu ha pouco tempo que é uma mutante? Estava em perigo? Logan te salvou de algum problema? Mutantes sempre têm pro...

Bruna: Eu sou normal!

Primeiro Tempestade achou aquilo muito esquisito: uma não-mutante que Wolverine trouxe para a mansão. Depois, achou o termo "normal" uma ofensa, o que ficou claro em seu semblante. 

Bruna: Desculpa... Não que vocês sejam "anormais", é que...

Tempestade: Tudo bem... Já entendi, criança.... ... Você não é mutante. Então só vejo um motivo para Logan ter trazido você aqui, você conseguiu amolecer aquele coração turrão!

Bruna: Deus que me livre! Esse homem destruiu minha vida!

Tempestade: Pela Deusa! Como assim?

Bruna: Que Deusa???

Tempestade: Você não ia conhecer, criança... vamos, explique-se!

Bruna: Existe um clone meu pelas ruas, usando minha imagem, nome e reputação como bem entende! Não posso mais ser quem sempre fui! Já destruíram minha vida usando minha própria imagem... Você não pode imaginar o quanto isso dói... Pensar o quanto todos me odeiam agora, quando na verdade, eu não fiz nada! Saber que nunca posso voltar, se não, sofro as consequências de algo que não fiz!

Tempestade: Mística! Claro! ... Wolverine havia dito numa carta que estava trabalhando com Mística por perto.

Bruna: E pelo o que parece, desgraçar a minha vida não valeu em nada! Logan não conseguiu o que queria!

Tempestade: Os X-Men vão te ajudar, criança... Xavier pode conseguir limpar toda essa confusão. E se não for possível, saiba que esta vai ser sua nova casa. Amigos, atenção e luxo não vão te faltar.

Bruna: Vocês não entendem... Não queria luxo, dinheiro, anjos passeando pelo corredor e carregadora de malas flutuantes! Nem vários amigos, ou vista para um lago e uma piscina! Eu queria a minha vida! E isso ninguém pode me dar de volta!

Tempestade: ... Compreendo... Logan usou você em prol de um bem maior... Mas como vítima dessa crueldade que tentava ser grandiosidade, você tem todo o direito de reclamar. Vou falar com Xavier... Talvez ele consiga trazer sua antiga vida de volta para você. 

Nessa hora Wolverine entra no quarto de hóspedes e chama Tempestade para ouvir a apuração dos votos do plebiscito pela TV na sala, com todo mundo.

Wolverine: Eu errei, Tempestade. Mas essa daí tinha uma vida de merda que reclamando assim até parece que era grande coisa! Amante daquele desgraçado do Senador Zak Abraan! Inacreditável! Vidinha simplória, naquele antro de cobras! Se duvidar, te fiz até um bem!

Tempestade: Chega, Logan! Não a julgue. Se ela gostava da vida que levava, você tinha mais é que implorar perdão! E não se justificar! - Foram os dois descendo as escadas, enquanto Tempestade ainda ralhava serena, mas com voz firme. - E mesmo que odiasse a vida que levava, o que você e Mística fizeram só se resolve com muita calma e trabalho. E não julgando melhoras ou pioras na vida da Bruna. 

Na sala todos estavam com olhos fixos no nada, a apuração havia acabado. Por 60% contra 40%, venceu o SIM pela criação do banco de dados genético mutante nos EUA. Wolverine só olhou para Jean e Xavier e grunhiu enquanto as garras saltavam. *SNIKT* Foi dar umas voltas animalescas de ódio pelo jardim!

Xavier: Ânimo, meus filhos! Isso obviamente não é o fim!

Tanto os vencidos estavam estupefatos com a vitória do medo aos mutantes, como os próprios organizadores do plebiscito se surpreenderam com a grande adesão a causa! Nem eles mesmo sabiam que tanta gente tinha medo e receio dos mutantes.

Jean: Estão todos prestes a explodir de ódio, professor. Especialmente Logan. Esse plebiscito vergonhoso nos fez perder as esperanças...

Xavier: Ninguém entra essa casa para recolher nosso material genético, Jean. Calma... Vou entrar na Justiça hoje mesmo contra essa resolução. ... Agora vá deitar, pense no Natan...

Jean foi subindo as escadas, obedecendo o pedido do professor. Fera ficou com o olhar perdido no nada, estava lembrando de um livro de história que leu, era sobre a Revolta da Vacina em 1904 no Rio de Janeiro. A situação tinha algo de comum. Depois viu que eram coisas muitíssimo diferentes, uma era a tentativa de erradicação de doenças, essa era de erradicação de pessoas mutadas! Mas que os mutantes reagiriam da mesma forma que os cariocas de outrora, isso reagiriam! Lembrou das experiências "médicas" nazistas com judeus, homossexuais e comunistas. Isso parecia mais com o caso atual. Lembrou das experiências eugenistas no início do século XX no próprio Estados Unidos. Aí estava uma grande semelhança! Já Jubileu soltou plasma colorido pela sala, avariando a imagem e o som da televisão. Bobby logo correu para desligá-la, antes que outro aparelho doméstico fosse danificado pela chinesinha de brincos de argola. Ela levantou muito irritada, com a voz embargada de um choro de raiva que queria vir.

Jubileu: Eu não pedi para nascer mutante! Ninguém gosta da gente! 60% do país!!! Ninguém gosta da gente... - Ela também foi para o jardim, ver se encontrava Wolverine. Procurou bastante, até lembrar da garagem.

Wolverine: O que você quer, Jubileu? - Antes mesmo dela aparecer, Wolverine já a havia farejado!

Jubileu o encontrou sentado no chão da garagem, encostado na moto preferida. Jogava pedrinhas para o alto e as cortava ao meio com suas garras, enquanto resmungava qualquer coisa.

Jubileu: Oi, Wolvy. - Ela estava segurando o choro, com o maxilar doendo. - Que bom que te encontrei aqui.

Wolverine: Te manda, guria! Quero ficar sozinho.

Jubileu: Mas Wolver...?

Wolverine: Sai, Jubileu! Num tô bom hoje! Saco!

Jubileu desliza em seu próprio corpo até cair de joelhos no chão, estava chorando bastante. Wolverine não entendeu nada.

Wolverine: Nossa, te mimaram demais nesse tempo que passei fora!     

Jubileu: ...

Wolverine: Tá legal, agora pára com o escândalo! - Continuava a enfiar as garras em pedras para cortá-las ao meio.

Jubileu: ... - Ela segurou na porta da garagem e se pôs de pé com dificuldade, levantou o rosto para olhar Logan e virou-se na direção do gramado. Ajeitou o cabelo curtinho e saiu soluçando.

Wolverine não aguentou ver aquela cena. Por incrível que pareça, amoleceu e ficou com o coração apertado. Recolheu as garras! Levantou num pulo para agarrá-la e abraçá-la.

Wolverine: Shiiii.... Foi mal, foi mal, guria. Tô muito mais estúpido ultimamente do que o normal... Desculpa. ... Que foi que aconteceu contigo?

Jubileu: Ninguém gosta da gente, Logan... Ninguém gosta de você... Mas eu gosto! Ninguém gosta nem mesmo da Jean!!! E... E principalmente ninguém gosta de mim!

Wolverine: Bom, eu gosto de você e da Jeanny.

Jubileu: Não... Ninguém normal gosta da gente. Nós perdemos feio, muito feio! Muita gente votou pra gente se dar mal! Nós vamos morrer todos! Aposto que vão trazer aqui uma agulha com veneno! Uma injeção letal! - Ela chorava bastante - Vão matar a gente! Acham que somos maus, que somos monstros! Perdemos...

Wolverine: Olha pra mim, Jubileu. Eu tenho cara de quem deixaria alguém encostar em você??!!

Jubileu: Vão fazer com você e comigo o que fizeram com a Vampira! Vão me colocar numa sala com jornais no chão e me tratar como cachorro! Vão arrancar as asas do Anjo, vão matar afogado o bebê da Jean, vão arrancar suas garras, vão nos odiar para sempre... Vão jogar o professor no chão e chutá-lo até morrer!

Wolverine: Calma agora, Jubileu! Nada disso vai acontecer!

Jubileu: Vai sim... Eles não desistem nunca! Nunca! Vão pegar meu código genético para me registrarem num sistema de busca para destruição! Eu lembro dos sentinelas, eles tinham isso! Tinham meu registro! Querem me conhecer por dentro, porque sou uma aberração!

Wolverine: Não somos maus e por isso não deixo que te tratem mal! Teu código genético ninguém pega, Jubi! Tua fórmula só a natureza pode conhecer! Porque tu é única, guria! Desencana... Se teu medo é perdeu seus amigos e a própria vida, saiba que eu existo e sou bom no que faço. Sou o melhor!

Jubileu foi se acalmando e enxugando as lágrimas, os dois sentaram no chão e ficaram olhando o nada.

Jubileu: Também, se é para prender mutantes por causa do perigo deles, eu deveria ser poupada. Só solto plasmas e fogos coloridos...  

Wolverine: Ei...?? Tu tá com medo e raiva desse plebiscito babaca, mas não é só isso! Tu tá esquisita, pra baixo. Dizendo que ninguém gosta de você, super magoada porque te mandei embora e agora diz que só solta porcaria colorida! Coé, Jubi? O que andou acontecendo aqui?

Jubileu: Nada...

Wolverine: Tenho cara de idiota?! Anda, desembucha, guria!

Jubileu: Ah... Nada... É que você passou tanto tempo fora e quando volta nem parece feliz! Nem parece que sentiu a mesma falta que a gente sentiu.

Wolverine: A gente quem? - Ele sorri acendendo um cigarro, os charutos estavam no quarto.

Jubileu: Eu, pelo menos senti.

Wolverine: Senti tua falta, garota. Mas não sou de fazer piti que nem você. - Ele ri, ela fica com raiva mas também ri batendo nele de leve. Parece que só Jubileu tinha essa intimidade com ele. - Ué?! Tu tem o emocional escancarado mesmo, não tô mentindo. Ri a beça quando está feliz, chora igual a um bebê quando tá triste, sofre demais quando sente falta de alguém, deixa bem claro de quem gosta e quem não gosta.

Jubileu: Você também.

Wolverine: Eu fico na minha. A única coisa que deixo claro é de quem não gosto. - Sorri de novo. - Desembucha o resto! - Apaga o cigarro na palma da mão só para ver ela se regenerando.

Jubileu: E também essa nova perturbação anti-mutante. Estou cansada de viver lutando contra eles, de nunca ver o sonho do professor virar realidade. De estar sempre na defensiva contra as pessoas na rua... Sabe? Não tenho a vida de uma adolescente normal. Por isso explodi agora no choro... Só coisa triste!

Wolverine: Bom... Ao menos tu já sabe agora que por minha causa não precisa ficar triste. Tô de volta e senti sim sua falta, sua atriz de novela mexicana!

Jubileu: Pô, Wolvyyyy! Então, por que não demonstrou ao menos um pouquinho de felicidade ao voltar pra casa????

Wolverine: Já disse, meu jeito de ser!

Jubileu: Às vezes eu queria que você fosse mais aberto... ... É por causa daquela ... Bruna?

Wolverine: ??? - Ele levanta a sobrancelha - Quê que tem ela?

Jubileu: Não ficou feliz porque teve de trazer ela????

Wolverine: Por que eu não ficaria feliz em trazer ela pra cá????

Jubileu: Então você gosta dela?

Wolverine: Não... Coé, guria?

Jubileu: Nada... Mas se não gosta dela é porque não ficou feliz em trazê-la pra cá!

Wolverine: Ah, é?! Então me diz porquê, já que sabe mais de mim do que eu!

Jubileu: Jean Grey Summers.

Wolverine: ... - Fica mudo, morde um pouco a língua lentamente - Quê que tem a Ruiva?

Jubileu: Você acha que a Bruna vai te atrapalhar com a Jean. Por isso voltou triste! Porque teve que trazer a baixinha pra perto da ruiva!

Wolverine: * SNIKT * Jean Grey tem um babaca que dorme ao lado dela toda noite, Jubileu. Bruna não tem o que atrapalhar nessa casa! Se tu repetir isso, vou ser grosso com você! - Ele recolhe as garras ao ver os olhos puxadinhos dela se abrirem bem abertos e assustados. - Desculpa, mas você vacila de vez enquando, guria!

Jubileu: Desculpa, Wolvy. Não me meto mais.

Wolverine: Você gostou da Bruna?

Jubileu: Ihhhhh... Como assim? - Estava desconfiada daquela pergunta. Daquele jeitinho que só Jubileu sabia ficar.

Wolverine: O que achou dela?

Jubileu: Ih, sei lá! Nem falei com ela direito. Achei que ela é do meu tamanho com quase o dobro da minha idade!

Wolverine: Ta certo, dona Jubileu Lee....

Jubileu: Por que? ... Você gostou da Bruna?

Wolverine: Ih, coé?!

Jubileu: Ah, você conviveu com ela, pode dizer!

Wolverine: Muda de assunto, Jubileu.  Vamos voltar ao assunto de antes: Então, está se sentindo mais feliz agora?! Já sabe que estou de volta, que gosto de você, que esses anti-mutantes de merda não vão fazer nada contigo, que você tem grandes poderes! Não tem motivos para ficar triste!

Jubileu: O Sam... - Ela falou baixinho.

* SNIKT * Virada de cabeça de um animal raivoso com o pêlo eriçado.

Wolverine: Quê que tem o caipira do SAM? Quê que ele fez??? Fala!

Jubileu: Nada. Não fez nada. Esse é o problema: ele não faz nada.

Wolverine: Melhor assim!

Jubileu: Ah... Eu queria que aquele loirinho voltasse a olhar pra mim.

Wolverine: Não sei pra quê. Muda de assunto! Muda de assunto! Vai procurar o que fazer!

Jubileu: Ah, Wolvy... Você sabe o quanto é triste não ser correspondido quando se gosta de alguém... - Ela abaixa a cabeça, estava voltando a ficar com os olhos úmidos. - E pra mim é pior porque quem errou fui eu. Sam é muito certinho e não perdoa certos tipos de coisa, mesmo depois de tanto tempo. Ele não deve gostar nem das roupas que eu uso.

Wolverine: Desculpa, guria. Não posso falar disso contigo. ... Mas... com você a situação tem solução, comigo não.

Jubileu: Não sei se com aquele cabeça dura educadinho tem solução não! - Rola uma lágrima daqueles olhinhos puxados. Wolverine lembra de Mística ligando para seu apartamento em Washington e contando que Jean estava grávida mais uma vez.               

Wolverine: Se você quiser, eu vou lá agarrar aquele retardado pela gola da camisa, arrasto ele aqui e faço ele dizer que quer ficar contigo!

Jubileu: Não! Eu ia morrer de vergonha... Não quero que ele saiba! Shiii. Tenho que ficar por cima, como uma poderosa! Igual a Vampira! Lembra? Igual a ela! Dando a entender que eu não estou nem aí pra ele e pra indiferença dele!

Wolverine fica em silêncio... Ele sente pelo sofrimento da pobrezinha, a não correspondência do amor dela era o espelho de Wolverine. O choro de Jubileu era o reflexo da tristeza dele por Jean. Wolverine se enxergava em Jubileu.

Wolverine: Quer saber, garota? Foda-se a "poderosa", que se danem os joguinhos! Fala pra ele! Pede mesmo, e que se dane a resposta dele! Se tu já é tão aberta emocionalmente, faça uso disso. Fala pra ele, acaba logo com isso. Não perde seu tempo na indecisão igual eu fiz. Tenta mudar isso enquanto é cedo. Não guarda isso pra você não. Ele é livre, não seria nenhum pecado. Viva com quem você gosta o que eu tive que viver com outras que não ela!

Wolverine foi embora da garagem chutando o portão e jogando o último cigarro no chão. Jubileu estava boquiaberta! Logan não só lhe deu apoio para ficar com um garoto, como também se abriu com ela! Falou de Jean com Jubileu bem claramente, tratando-a como adulta, como amiga! Falou até dos casos com as "outras"! Wolverine nunca tinha aberto sua vida pessoal assim para Jubileu, ela era como uma criança pura e ingênua para ele. Jubileu enxugou a lágrima, sorriu e disse:

Jubileu: Puxa! Gostei! É isso aí!   


Enquanto isso em Roma, o casal Lebeau também estava preocupado com a vitória dos anti-mutantes no plebiscito. Mas Gambit não queria aceitar a proposta de ajuda de Magneto e nem dar o braço a torcer de que ele poderia estar certo. Mas no fundo tinha medo de uma nova caça às bruxas. O clima dentro da lanchonete romana estava esquentando entre os dois, que levavam um bebê fofo num carrinho próximo a mesa.

Vampira: Tenho medo do que os retardados dos anti-mutantes podem fazer com Rachel. Não esqueço o que Magneto disse sobre Edward Northon ter sido libertado... Tive até pesadelos essa noite. Mas ele que se atreva chegar perto de mim, quebro ele no meio e ainda cuspo em cima!

Gambit: Não quero mais ouvir o nome de Magneto!

Vampira: Nossa! Fala sério, gatinho! Medão do corôa, hein!? - Ela ri - Escuta seu bobo, dizer que Magneto pode ter razão não significa que vamos aceitar a proposta dele.

Gambit: Gambit não tem medo de ninguém! Gambit não tem medo de perder uma mulher, Gambit nunca perde uma!

Vampira: Nossa, Gambit! Que escândalo! Eu não disse nada!

Gambit: Não precisamos da ajuda de Magneto. Aquele velho é neurótico! Não vai mais ter gueto anti-mutante! Quero ele longe de você e de Rachel. Seu filho com ele morreu! Rachel é nossa! Ele que nos esqueça!

Vampira: Ele só estava preocupado comigo...

Gambit: Ninguém toca em você comigo por perto. E quem se preocupa com você, chere, sou eu!

Vampira: Beleza, ciumento... Tá certo. Não está mais aqui quem suspeitou de um possível massacre mesmo com 60% dos Estados Unidos contra os mutantes. Temos sorte de não estarmos lá!  

Gambit: Cest bien. Pegue a petite, vamos embora.

Vampira: Ah, pega você! E vê se não fala mais comigo por hoje! Pode ser pior pra você, engraçadinho!

Garçonete: Ei, vocês dois são mutantes? - Perguntou num inglês com sotaque carregado.

Gambit: Pardon? Que foi que disse?

Garçonete: Perguntei se vocês dois são mutantes. - Mesmo com sotaque, Gambit e Vampira entenderam.

Gambit: Por que, eu pareço um?

Garçonete: Parece.

Vampira: E então? Quê que tem? E daí?

Garçonete: Essa lanchonete não permite a entrada de mutantes!

Vampira: Ih, fofa! Você vai ter que provar na Justiça que eu sou mutante para me tirar daqui! Agora tô até pensando em dormir aqui dentro!

Garçonete: Pessoal, vamos colocar esse casal de genes podres pra fora! - Disse em italiano para o resto da lanchonete.

Gambit: Ma chere, eu não sabia que as netas de Mussolini se tornaram garçonetes!

Quase todos os demais clientes da lanchonete se levantaram, inclusive uns cozinheiros saíram da parte de dentro da casa. Um cozinheiro estava com um rolo de massa de madeira na mão e disse "saiam". Uma velha tirou o sapato e jogou em Vampira que teve que se abaixar.

Velha: Vai embora sua aberração. - Em italiano mesmo.

Vampira: Estúpida, pelancuda idiota!

Vários homens começaram a se aproximar do casal com feições de ódio e frases de efeito. Gambit se pôs na frente de Vampira e Rachel e tirou cartas de baralho do sobretudo. Todos recuaram um pouco ao verem aquelas coisas brilhando e fazendo um estranho barulho na mão do mutante. Mas o espanto durou pouco, logo todos partiram para cima com mais ódio. Gambit teve que jogar as cartas em certos alvos da lanchonete: lugares que não machucariam ninguém mas espantariam quase todos.

Todos: Socorro! Socorro! A lanchonete está explodindo!

Gambit jogou mais uma carta no rolo de massas do cozinheiro, que o viu explodir em suas mãos. 

Todos: Vão embora! Saiam, suas coisas nojentas! Morram!

Uma mulher tirou Rachel do carrinho enquanto vampira estava preocupada com pessoas que jogavam cadeiras nela! Ela nem percebeu que Rachel havia saído do carrinho. Só veio a perceber quando caiu no chão com o choro angustiado da bebê. Todos pararam o que faziam e começaram a sofrer agachados no chão. Gambit e Vampira eram os mais resistentes a esse fenômeno de auto-proteção de Rachel, por isso Vampira conseguiu voar e tirar Rachel dos braços da mulher que estava no chão agarrada a ela sem saber que sofria justamente por causa do bebê. Os dois saíram da lanchonete. Vampira levou Gambit e Rachel para voar para longe. Pousou no castelo redondo de Santangelo, ninguém percebeu porque este já estava fechado para o horário de visitas. Era noite e viam toda a Roma brilhar em baixo de si. Viam principalmente a cúpula da basílica de São Pedro brilhar logo adiante na praça principal do Vaticano.

Vampira: Muito boa idéia a sua de explodir a porcaria da lanchonete inteira! Melhor impossível! Podia até ter matado uma ou outra pessoa para melhorar a nossa barra! - Irritadíssima.

Gambit: Você queria que eu deixasse aquele bando de gente ir para cima de você, chere????

Vampira: Não. Mas eu sei me virar sozinha.

Gambit: Eu sei disso. Mas pardon, o meu amor e cuidado por você não costumam levar isso em consideração quando te vejo em perigo.

Vampira: ...

Gambit: ...

Vampira: Ta certo... Tudo bem, não foi tão terrível assim. Acho que a gente não machucou ninguém.

Gambit: E se eles tivessem nos machucado?

Vampira: É... eu sei... Você não agiu errado. Foi em legítima defesa. ... Desculpa. ... É que eu estou cansada de violência... Cansada de praticar violência e receber violência. Queria paz!

Gambit: Moi aussi. Você tem toda razão de ficar chateada em me ver explodindo uma lanchonete de velhos mancos e mulheres mal amadas... Mas eles começaram e nós estávamos com um bebê.

Vampira: ... Eu sei.

Gambit: Desculpa também... Eu sei que você está irritada comigo pelo o que eu falei na lanchonete. Pardon, belle. Foi muito cruel da minha parte falar do seu filho com aquele... infeliz... Pardon... Eu sei que isso é uma lacuna séria na sua vida. Gambit não quis ser cruel. 

Rachel estava ficando bem mais calma com o adocicado das falas tanto do papai quanto da mamãe. Os três acabavam ficando mais calmos.

Vampira: Tá tudo certo, Remy. Eu sei que esse seu ciúme te faz dizer coisas que não diria normalmente. Eu sei que quando você está normal, só sai coisa bonita da sua boca, gato.

Gambit: ... Essa noite eu ouvi alguns barulhos no quarto e quando abri os olhos te vi com Rachel no colo.

Vampira: Ha viu? - Ficou sem graça, sem saber o que dizer.

Gambit: Oui. ... Você está produzindo leite, belle?

Vampira: Não...

Gambit: É que antes, pela tarde, a petite havia tentado e você se zangou. Achei estranho e...

Vampira: Pois é. Fiquei com pena dela e tentei ver se conseguia produzir para ela, mas não deu.

Gambit: É óbvio que iria ser impossível, chere.

Vampira: Eu sei. ...

Gambit: Mas ela estava mamando alguma coisa que eu vi.

Vampira: Mas você também é enxerido, hein! Nossa, que coisa! Ficou na encolha vendo tudo sem abrir a boca! ... Ela estava mamando leite da mamadeira mesmo, mas eu achei que seria carinhoso da minha parte fazer o leite descer por mim para chegar até ela.

Gambit entendeu tudo, chegou perto de Vampira e a abraçou contra o peito, tomando cuidado para não encostar em sua pele. Colocou a mão, furtivamente como um bom batedor de carteiras, na bolsa dela e tirou a pulseira neutralizadora. Rapidamente colocou em seu pulso. Vampira sentiu-se fraca instantaneamente e sorriu ao perceber porque. Gambit a inclinou para trás como nos filmes de Hollywood da década de 50.

Gambit: Je vous aimerai pour toute ma vie. - *Eu vou te amar por toda a minha vida* - E a beijou no mesmo estilo Hollywoodiano, só que por mais tempo e de forma mais abrasiva.

Vampira: Moi issi... - Tentou responder "eu também".

Gambit: Non... "Moi aussi". - Sorriu daquela forma maravilhosa ao corrigi-la.

Vampira: É. Moi aussi. - Bêbada da beleza e charme dele.

Gambit: C'est parfait, mon amour. Vous êtes tout le parfait. Je t´aime.

Guarda: Ei! Quem são vocês?????? - Em italiano.

Vampira: Caraca, hoje tá difícil!

Guarda: Como chegaram aqui em cima? O castelo está fechado para visitas! Por que não foram embora quando todos saíram?

Vampira não quis mais dar explicações, pegou Rachel que estava sentada no chão e entregou-a para Gambit. Depois tirou a pulseira e guardou na bolsa. O guarda ainda mandando eles se retirarem e chamando outros pelo walk talk. Por último, Vampira pegou Gambit e voou com ele e a pequena para longe. O guarda chegou a largar a arma no chão. Ficou petrificado como quem vê um anjo.    


A mansão estava calma. Xavier havia percebido que Jubileu foi a que mais se abalou com o resultado do plebiscito. A madrugada já estava avançada e só pelas 3 horas da manhã ele largou a papelada com a qual entraria na Justiça contra o recolhimento de seus códigos genéticos para um banco de dados de "perigosos em potencial". Em seu quarto Wolverine rolava na cama relembrando a conversa com Jubileu, pensando em Jean e no "idiota" do Scott - o "homem mais feliz do mundo". Bruna estava vagando pela mansão, fuçando tudo, olhando tudo, achando tudo o máximo. Se escondeu numa sala de leitura ao ver a porta do escritório de Xavier se abrir. O professor sentiu a presença dela e fez contato mental.

Professor: Posso ajudá-la?

Bruna: ?????? Será que tem alguém aqui nessa sala? - Deu uma olhada e não achou ninguém.

Professor: Você aí na sala de leitura... Perdeu alguma coisa?

Bruna: ?????

Professor: Estou falando com você, Bruna.

Bruna: AHHHHHHH! - Ela gritou alto! Percebeu que tinha alguém conversando com ela mentalmente. Pensou que aquilo era coisa de maluco.

Professor: Não. Isso não é coisa de maluco, eu sou telepata e posso fazer isso tranquilamente. Além de telepata sou dono da casa e gostaria de saber se precisa de alguma coisa, querida.

Bruna: AHHHHHH! - Ela gritou de novo. Não tinha dito "coisa de maluco" tinha apenas pensado. Xavier leu sua mente! Ele lia mentes quando conversava psiquicamente.

O professor Xavier abriu a porta da sala onde ela estava. Bruna foi para um canto da parede.

Bruna: O que é isso? O senhor pode ler minha mente??? Nossa! Isso é perigoso.

Professor: Perigoso é uma quase desconhecida ser abrigada em minha casa e vagar pelos cômodos durante a madrugada.

Bruna: Desculpa por estar bisbilhotando tudo, mas o senhor deve entender minha curiosidade. Sei que como secretária do Senador devo ser suspeita aqui, mas só estava matando minha curiosidade e surpresa, eu juro!

Professor: Perdão por travar uma conversa psíquica com você sem ter antes lhe avisado. Mas não tenha medo de mim, não sou perigoso.

Bruna: Agora entendo o medo dos anti-mutantes e do Zack Abraan...

Professor: Como?

Bruna: Vocês são surpreendentes! Não são maus, apenas parecem potencialmente perigosos.

Professor: Que bom que eu consegui mais uma não mutante para o meu lado. - Ele sorri.

Wolverine, que tinha uma audição muito apurada, desceu as escadas ao ouvir os barulhos.

Wolverine: Coé, professor?! Ouvi Bruna gritando.

Professor: Não foi nada, Logan. Sua amiga só se assustou um pouco comigo. Não foi, Bruna?

Wolverine: Ah tá... Já pensei que pudesse ser Mística.

Professor: Mística???

Wolverine: É. Aquela piranha já tentou algumas gracinhas pra cima dessa morena bisbilhoteira. Sai daí, Bruna. Vai para o quarto!

Professor: Entendo... E você como bom homem protetor já a salvou e veio salvar de novo. - Ele diz isso sorrindo.

Bruna: Olha, você não manda mais em mim! Não sou mais sua refém!

Wolverine: Tá, tá... Se manda!


Enquanto isso, no quarto do casal Summers, os dois dormiam tranquilamente. Scott estava tendo um estranho sonho com janelas. Eram aquelas enormes janelas de vidro da mansão. De repente, atrás de uma delas surgiu um céu todo estrelado. Era um pretume com estrelas brancas, mas depois, como numa passagem de uma galáxia, inúmeras cores apareceram diante de si. Das estrelas coloridas com nebulosas surgiu alguém. As estrelas se transformaram no jardim da mansão, mas a pessoas vinda desse céu continuou atrás da janela. Parecia que chovia do outro lado. Ele viu uma mulher por trás do vidro com os cabelos e o rosto molhados. Ela estava com um olhar triste. Era loira. Era Emma Frost!

Emma: Scott, deixa eu entrar.

Scott: Hein?

Emma: Deixa eu entrar na sua vida. Abre a janela que nos separa.

Scott: Emma, vá embora. Nós somos os opostos, você cansaria de mim em dois tempos.

Emma: Os opostos se atraem.

Scott: Por pouco tempo sim, porque se complementam. Mas depois se cansam. Relações sadias e duradouras ocorrem com pessoas não tão diferentes, Emma. Jean foi feita especialmente para mim.

Emma: Ela te faz pensar assim.

Scott: Como você está invadindo meu sonho?

Emma: Da mesma forma que ela manipula seu amor, usando meus poderes telepáticos!

Scott: Ela não me manipula, Emma. Eu a amo desde a adolescência, quando seus poderes eram insignificantes.

Emma: Eu quero pensar assim, que ela te manipula. Não posso aceitar que você a ame por livre e espontânea vontade. Olha para ela e olha para mim!

Scott: Você pode ter quem quiser. Não perca seu precioso tempo comigo. E tome cuidado com o cadastro de registro mutante.

Emma: Obrigada por se preocupar comigo, mas eu quero é você mesmo.

Scott se levantou e foi para a janela. Era um sonâmbulo que andava em direção a uma janela que não tinha nada por trás, a não ser em seu sonho!

Scott: Emma, ao invés de me perguntar o que eu vi na Jean, eu que pergunto o que você viu em mim???

Emma: Não sei.... Esse jeitinho metódico, fiel, certo, arrumado, exemplar, ético.

Scott: Vamos, Emma. Você viu Jean em mim! Você viu a chance de vencer mais uma vez em detrimento de alguém que despreza!

Emma: Não é verdade! Eu sou esnobe, metida, competitiva, mas também amo incondicionalmente!

Scott: Você precisa parar com isso, eu estou ficando sem jeito e sem graça.

Emma: Quero que você fique assim quando eu estiver nos seus braços. Você tem cara mesmo de quem seria bem tímido.

Scott: ...

Emma: Wolverine disse que você é o "homem mais feliz do mundo". É porque ela também o manipula. Mas se você estivesse comigo, te faria o mais feliz de todo o Universo!

Scott: Obrigado pela proposta, mas terei que recusar. ... Vá embora do meu sonho antes que o elo psíquico de Jean perceba e me deixe em maus lençóis.

Emma: Tudo bem, eu vou. Mas antes quero te dizer uma coisa. Antes de sair dessa casa, te deixei um presente. Dentro da sua gaveta da cabeceira, no interior de um envelope.

A imagem de Emma foi sumindo no escuro da noite atrás da janela. Ela continuava com o olhar triste. Talvez estivesse realmente amando. Scott abriu os olhos e acordou do senho. Sentou na cama e abriu a tal gaveta. Encontrou uma foto de Emma dentro do envelope.

Scott: Por que ela faz isso?! Se Jean vir isso não vai acreditar em nenhuma explicação minha...

Emma estava nua na foto. Escrito lá em baixo, uma frase:

"Olha só para mim e para ela!"

Scott: Meu Deus, é muito bonita. - Scott ficou um bom tempo olhando aquela foto iluminada pela claridade incerta da lua. Teve que fazer força para rasgar a foto. Guardou os pedaços bem picados de volta no envelope, jogaria fora no dia seguinte. Deitou e abraçou Jean com bastante força, ela chegou a acordar bem sonolenta.

Jean: Hein? Scott... Pensei ter visto Emma num sonho.

Scott: Que sonho?

Jean: Meu sonho... Não, seu sonho... Não sei... Era ruim... Era ruim... Uma foto, eu acho... Era triste...

Scott: Shiiiii... Sonha com nós dois no Central Park numa primavera florida, com Rachel correndo com uma boneca no braço e Natan engatinhando na grama. Um plebiscito de 100% de aprovação a convivência pacífica. E Vampira e Gambit de volta na mansão.

Jean: Hum...

Scott: Te amo, Jean. Muito.

Jean sorriu, estava sonhando exatamente com o que Scott narrava.


Continua Aqui!

 

Hosted by www.Geocities.ws

1