Infância Mutante - Décima Sexta Parte
Anti-mutantes de novo! Eles não desistiriam nunca, eles não sumiriam nunca! Você pode ganhar quantas batalhas forem necessárias: uma guerra de verdade, uma batalha sem sangue, uma batalha ideológica, o governo, as escolas, os corações e mentes, mas a idéia eugenista genocida vai sempre existir. Grupos neo-nazistas existem até hoje! Eles perderam a Segunda Guerra, ganharam o ódio do mundo, foram julgados culpados e muitos presos, as escolas reforçaram o erro que aquilo foi, a TV reforçou, a população num todo, mas os nazistas existem e para sempre existirão. O que se deve, é sempre deixá-los fora do governo, fora de qualquer instância do poder, fora de atuação. Deixá-los marginalizados e mau-vistos, reforçar sempre que eles são uma idéia vencida pela maioria. Deixar bem claro que eles são ilegais e inconstitucionais, já que as leis e constituições do mundo quase todo dizem que as pessoas são iguais não importa cor, credo nem sexo. Mas nunca conseguiremos acabar com as idéias, as idéias são eternas. E mesmo que venham a dormir, um dia acordam. Os nazistas, os fascistas, os genocidas e preconceituosos em geral estão entre nós, às vezes sem nem saber que são. Às vezes, achando que são exatamente o contrário.
Gambit não tinha problemas exatamente com neo-nazistas,
mas sim com grupos anti-mutantes! Eles já perseguiram seus amigos, já
sequestraram sua mulher na lua de mel dos dois, amarraram-na, bateram nela,
constrangeram-na, humilharam-na, quase foi violentada, poderia ter sido morta.
Mas ele não queria pensar nisso. Não queria acreditar que aquele plebiscito iria
ocorrer e muito menos que a aprovação do banco de dados genético fosse ocorrer. Mas o
anúncio na TV deu medo.
O cajun fumava nos telhados de Roma enquanto olhava a Lua brilhar. Pensava no que fazer de sua vida e em como proteger aquelas duas garotas: Rachel e Vampira - Os amores de sua vida.
Gambit: Essa foi por pouco, chere. Nós não podemos ficar aqui.
Vampira: Estamos fugindo de quem? Sinistro ou desses idiotas anti-mutantes? Não se esqueça que temos Rachel conosco. A pobrezinha viaja demais. ...E se for do metido a besta do Sinistro, deixa que eu me viro, gato!
Sam e Jubileu já tiveram que fugir de um shopping center. Os anti-mutantes já prenderam inúmeros mutantes em um gueto murado no Harlem! Eles chegaram a esterilizar alguns mutantes, mataram outros: Vanda foi uma dessas vítimas! Mas eles também foram julgados e presos pelo sequestro de Vampira, foram derrotados na batalha contra o gueto e Xavier está fazendo um enorme relatório para entregar a ONU contra essa nova ameaça à minorias no país. E mesmo assim... E mesmo assim eles não desistem e não desistirão nunca! E é claro que não desistirão, porque eles acreditam no que fazem!
Gambit: Chere, da mesma forma que nós acreditamos que estamos certos, eles também acreditam. Nós não desistimos de lutar pelo direito à vida em harmonia com os demais não mutantes. Eles não desistirão de nos ver mortos. Isso não vai mudar.
Vampira: E o quê que a gente faz?
Gambit: Tenta fazer com que eles não tenham força para colocar os ideais em prática.
Vampira: Tá. E isso se faz como???
Gambit: Do jeito que messiê Xavier sempre fez, instruindo, mostrando injustiças, delatando esses criminosos, evidenciando que o caminho deles só traz desgraças.
Vampira: Mas não tem dado certo.
Gambit: Non... Não tem dado muito certo mesmo. Infelizmente as pessoas votaram em gente errada, chere. Nosso governo está cheio desses anti-mutantes e simpatizantes. É incrível, quanto mais de Direita é o governo, mais esses monstros aparecem. ... ... Só sei que temos que ir pulando de cidade em cidade sempre. Seja por causa de Sinistro, seja por causa dos anti-mutantes, mon amour. Mas não se preocupe, Gambit cuida de você! Gambit sabe para onde levar uma mulher.
Enquanto isso em Washington...
Wolverine parecia agitado, tinha acabado de ver o anúncio na TV sobre o plebiscito. Segunda Feira iam todos votar a favor ou contra o banco de dados genético dos mutantes.
Wolverine: Banco de dados genético porra nenhuma! - Ele grunhiu como um animal violento. -- Essa história de injeção vai é introduzir um chip neutralizador de poderes em todos nós!
O que fazer? Uma ação individual na Casa Branca? Não... Mesmo sendo quem fosse, seria pego fácil! Matar meia dúzia de chefões com a ajuda da consegue-tudo Mística? Hunft! Se duvidar iriam virar mártires! ... A ação individual que ele queria fazer em Washington serviu para conseguir várias informações, mas não seria ela quem resolveria todos os problemas sozinha. Logan percebeu que para algo daquele tamanho, precisava voltar a agir em conjunto, precisava voltar aos X-Men.
Wolverine: Guria! Pega tuas coisas, nós vamos para Westchester.
Bruna: Nova York?
Wolverine: É. Onde mais podia ser?! ... Anda, que eu não tenho o dia todo!
Bruna: Simpático você...
Antes de sair do cafofo arrastando a morena pelo braço, Wolverine parou e respirou fundo. A fera acalmou e o homem Logan resolveu falar com ela.
Wolverine: Bruna, as coisas vão piorar. Seu antigo chefe vai causar muita confusão nos próximos dias. Não sai do meu lado por nada, pode ser perigoso.
Mal saíram do prédio horroroso daquele bairro pobre de Washington e já encontraram uma manifestação de pessoas com cartazes que diziam "Agora vamos saber quem vocês são e o que podem fazer. Tomem cuidado!". Alguns chegavam a jogar tomates no prédio. Logan resolveu colocar o capacete em Bruna, ele não precisava.
Bruna: Quê isso? Já sabem que você é mutante????
Wolverine: Não. - Colocou o charuto na boca e ajeitou a jaqueta preta. - Esse prédio tem um bando de gente esquisita.
Bruna: Mutantes?
Wolverine: Bem capaz.
Bruna: Eles também têm poderes?
Wolverine: Sei lá, pô! Nem todos têm, ou sabem que têm, ou sabem usar o que têm. Esses caras são uns covardes, vindo aqui amedrontar os coitados. Esses esquisitos devem morar nesse buraco de medo, se escondem! Não devem conseguir morar em nenhum outro canto sem serem importunados. Pode reparar, todo bairro pobre tu encontra um cara esquisito que pode ser um mutante.
Bruna: Você fala "esquisitos" como se você fosse bem normal.
Wolverine: E você podia calar a boca até a gente chegar em Nova York.
A moto roncou alto e partiu rápida, Logan ainda deu uma guinada animal com ela para cima da multidão que gritou assustada! Ele apoiou a bota pesada no chão e tirou o charuto da boca.
Wolverine: Bando de fracassados! Vão arranjar alguma coisa pra fazer! Vocês deviam ter vergonha de serem tão preconceituosos! Cês nem sabem se esses caras do prédio são mutantes!!! E daí se fossem!!!
Multidão: UHHHH! Vai embora! Vai procurar sua turma, seu mutante dos infernos!
Logan saiu da moto e foi andando atarracado igual a um gorila para cima do cara que gritou mais alto contra ele. Pegou o cara pela gola da camisa.
Wolverine: E quem disse que eu sou mutante?
Bruna: Chega, Logan! Vamos!
Cara: Foi essa tua cara feia, baixinho!
Wolverine: Eu vou te mostrar quem é que diz se eu sou mutante ou não. *SNIKT* Gostou? São essa três gracinhas aqui!
Cara: Socorro! Não me mata! Não me mata!
Logan jogou o sujeito no chão, recolheu as garras e ajeitou a jaqueta. Jogou o charuto na multidão que o apagou com pisadas como se aquilo fosse o próprio mutante debaixo de seus pés.
Multidão: UHHH! Seus dias de impunidade e ameaças à população normal estão acabados, seu monstro!
Wolverine: Vão se fuder!
E a moto partiu pra longe com Bruna muito assustada olhando fixamente para o chão.
Aquela noite de Domingo para Segunda preocupava o casal Lebeau. Amanhã seria o dia do pleibiscito. Era bem capaz da idéia anti-mutante vencer na votação. O governo disse que não ia machucar nem prender ninguém, só queriam o direito de saber quem era mutante e quem não era. E ter seus potenciais de poderes registrado num arquivo, além de seus códigos genéticos. Afinal, eles levavam vantagens em relação aos outros humanos e poderiam usar essas vantagens para o "mau". Era necessário que fossem pessoas mais vigiadas e que todos tivessem sempre um pé atrás com eles.
Roma estava ficando fria, Gambit fechou a janela porque Rachel estava com frio e Vampira queria ficar de camisola. Camisola?! Ora, claro que ele fecharia a janela para ela ficar de camisola, claro!
Gambit: Ah, Paris! Deve estar nevando lá.
Vampira: Tipo, Manhattan também.
Gambit: O que você acha de voltarmos para lá?
Vampira: Paris ou Manhattan?
Gambit: Paris, mon amour. Porquoi? Você já quer voltar para casa, chere?
Vampira: Sei lá... Se Sinistro consegue encontrar a gente em qualquer canto do mundo, por quê não ficarmos em casa, então?! Perto de todo mundo!
Gambit: Acho que ele não pensaria que nós voltamos para uma cidade que acabamos de sair. Se voltarmos para paris, talvez ele fique um pouco confuso.
Vampira: Quer saber?! Dane-se ele! Pode vir quente que eu estou fervendo!
Onde quer que seja, Sinistro é nada pra mim!
Vampira vestiu a camisola vermelha de cetim e colocou o pratinho com uma sopa de verduras bem verdinha ao lado de Rachel, ia procurar o colher de plástico para começar a dar o jantar à fofinha. Enquanto estava agachada no chão olhando em baixo dos móveis para ver se achava a tal colher, uma dor horrível em seu peito! Vampira gritou colocando a mão na cabeça, agonia, muita agonia! Era Rachel que estava chorando! Gambit, atordoado, logo pegou a menina no colo e a fez parar com o berreiro.
Vampira: Nossa! Mas o que foi isso??? - Rachel estava toda coberta com a sopa verde!
Gambit: Vamos ter que dar outro banho nela.
Vampira: Qual é, você sujou a garota?!?!
Gambit: Non... Foi muito estranho. O prato começou a se mexer sozinho!
Vampira: Ah, fala sério!
Gambit: Non, chere! Isso é sério! Acho que Rachel mexeu o prato com a mente!
Vampira coçou a cabeça, ficou em silêncio pensativa.
Vampira: Será? - Colocou a pulseira neutralizadora no punho e pediu a menina com os braços, Gambit entregou-a com carinho para o colo de Vampira. Rachel ainda estava chorosa pedindo "mamãe".
Gambit: Será não. Eu vi! Foi isso!
Vampira: O desenvolvimento dela é bem rápido, então. - Já estava com ela no colo limpando-a com uma toalha.
Gambit: Ela só não tem controle, né? Derrubou tudo encima de si mesma... - Gambit sorri da pobrezinha.
Vampira: O que mais será que ela sabe fazer? Hum... Ela está desenvolvendo a telecinésia de Jean...
Gambit: Bom, ela já estraga nossa paz quando chora! Mon Dieu, é terrível! Nunca vai existir uma pessoa que não faça o que ela quer!
Vampira colocou Rachel na cama e deitou ao lado dela, estava sendo a mais carinhosa possível para vê-la sorrindo de novo. Pegava o travesseiro e brincava de tampar e descobrir Rachel perguntando "cadê nenêm?". Conseguiu as risadas que queria, Rachel começou a gargalhar e a mexer as perninhas freneticamente!
Vampira: Acho bom a gente conseguir outra comida pra ela rápido. Não tem nada aqui. - Vampira suspirou e deitou bem do ladinho da bebê... Pensou em Jean. Teve a certeza que esse tipo de coisa não teria acontecido se aquele casal bem mais regrado e cuidadoso estivesse com Rachel.
Gambit: Tem toblerone, coca-cola, água, pepsi, garrafinhas de vódica e polenguinho aqui no frigobar. - Ele próprio riu, claro que Vampira não querer dar nada daquilo para a fofinha.
Vampira suspirou de novo, ia ter que descer e comprar
mais sopinhas de bebê. Rachel sentou na cama e começou a escalar Vampira e a
puxar um pouco o cabelo dela. - Desce lá e compra várias dessas sopinhas,
Remy. Ó, eu disse compra! Comprar não é roubar! - Rachel
puxou uma alça da camisola vermelha de Vampira deixando um seio de fora. Vampira
logo colocou a alça no lugar. Mas Rachel puxou a alça de novo.
Gambit: Eu acho que vou ficar mais um pouco, chere. Rachel deve estar lendo minha mente e agindo por mim. - Os dois sorriram, Gambit não tinha jeito.
Vampira: Que foi, fofa? O quê você quer aqui dentro da camisola?
Gambit: O que qualquer um iria querer!
Rachel deixou um seio de Vampira de fora de novo e começou a sugá-lo. Ela sugava com força e Vampira estremeceu. Olhou para baixo e viu a menina tentando tirar leite de onde nunca nada sairia! Se recompôs e saiu logo da cama, Rachel se assustou um pouco.
Gambit: Quê isso, Vampira?! Assustou a petite, chere.
Vampira: Eu não quero ela fazendo isso, Remy! Eu não sou a mãe dela! A mãe dela é a Jean! Jean tem leite, eu não! Quero Rachel longe do meu peito!
Gambit: Mon amour, estou assustado com você. Rachel é uma criança, nada do que ela faz é por mal.
Vampira: Chega desse assunto! Põem teu sobretudo, vamos descer e comprar alguma coisa para nós três comermos!
Gambit: Oui... Oui... Non está mais aqui quem falou...
Ela tirou a camisola e a pulseira e começou a colocar roupas de frio, era bom Gambit obedecer as ordens daquela mulher bem mais forte do que ele. O cajun não viu, mas Vampira estava com lágrimas nos olhos. Doía muito relembrar certas coisas. Enxugou uma lágrima e penteou o cabelo, estava pronta para sair. Ninguém veria que ficou abatida.
A noite da mansão estava calma, um pouco mais fria do que as anteriores, mas bem calma. Emma Frost não estava mais lá e Scott podia ir a todos os cômodos com mais tranquilidade. Jean podia sentar no sofá da sala e conversar com a própria barriga, ainda quase imperceptível, sem ouvir risadas de deboche da tal loira. Jubileu continuava jogando charme com seus olhinhos puxados e brincos de argola enormes para cima de Sam. Tempestade cuidava das suas plantas na estufa e pensava em seus novíssimos poderes. Ela ainda não sabia, mas com os novos acontecimentos do pleibiscito e banco de dados genético dos mutantes, seu poderes seriam extremamente necessários. E até Fera estudava com mais calma, o professor fazia sua fisioterapia mais frequentemente. Só o anjo, era só Warren que sentia um pouco de falta de Emma Frost. Jubileu dizia:
Jubileu: Só você mesmo, Warren. Você é um anjo por sentir falta de alguém tão chata! Só um anjo seria capaz!
Ele resolveu ir para o quarto cabisbaixo, andou para as
escadas com os olhos no retrato de Psilocke em cima do
piano de cauda. Scott deveria mesmo ter um quê de charme naquela seriedade e
certa timidez para mulheres. Porque Warren já gostou um dia de Jean, mas ela
preferiu Scott. Até sua amada Psilocke já teve umas quedinhas por Scott. E Emma?
Ele não sabia se Emma gostava de Scott, talvez ela o fizesse só para provocar a
"rainha da casa". Antes de sumir pelos últimos degraus da escada, gritou para
Scott ao lado de Jean na sala:
Anjo: Já pensou que você pode ser irmão de Gambit, Scott?
Scott: Quem, eu?! Não! Somos muito diferentes!
Anjo: Sei não... Os olhos vermelhos de vocês se parecem!
Scott: Meus olhos são normais, o raio é que é vermelho!
Anjo: Vocês têm quase o mesmo cabelo, a mesma altura e fazem sucesso com as mulheres!
Jean: Hein?! Essa eu não entendi, amor.
Scott: Deixa, Jean. Warren só está divagando...
Jean fechou os olhos e colocou as mãos na testa. Scott, Jubileu e Sam ficaram preocupados. Ela sorriu, parecia estar vendo ou pressentindo alguma coisa.
Jean: Minha filha. Eu senti minha filha. - Ela sorriu. - Scott, Rachel já consegue fazerr uso de alguns poderes!
Scott: Tão cedo assim?
Jean: Telecinésia, Scott!
Jubileu: Ihhh, que barato! Igual a mãe! Nossa, eu ia adorar ter telecinésia!
Jean: Você ia adorar outra coisa, Jubileu. Outra coisa que eu vi.
Jubileu: Fala logo!
Jean: Wolverine. Logan está voltando para casa! Avisem a todos que aquele sumido vai voltar a dar o ar de sua graça.
Jubileu: AHHHH! Eu não acredito!!!! DEMAIS! - Explodiu de alegria, fechando ainda mais aqueles olhinhos pequenos.
A ruiva também conseguiu pressentir, por seu elo psíquico, o desconforto de Scott. Wolverine sempre implicou com ele, sempre ficou em cima de Jean a cada brecha que ele abrisse. Era ciúmes, era insegurança. Mas ela soube como acalmar o homem que ama, sem nem tocar nesse assunto.
Jean: E ele está vindo com uma moça na garupa da moto! Façam com que ela seja bem vinda.
Gambit, Vampira e Rachel andavam pelas frias ruas de Roma, passaram diante de inúmeras igrejas, da praça Navona e chegaram à Praça do Povo "Piaza del Populo". Ficava cheia de jovens e tinha alguns bares e restaurantes próximos. Comeriam os três ali. Alguns raros flocos de neve que logo se transformavam em água caíam do céu enquanto uma repórter com seu câmera noticiavam a raridade.
Repórter: O fenômeno atípico mais uma vez está acontecendo como no inverno do ano passado: está nevando em Roma! Especialistas dizem que há tempos atrás, só costumava nevar na Cidade Eterna em intervalos de décadas! - Dizia tudo em italiano, Gambit e Vampiira já começavam a entender algumas coisas.
Mas estava frio para eles ficarem na rua com um bebê, como os demais adolescentes e jovens ficavam! Gambit até queria olhar as romanas de tenra idade, mas simplesmente não dava para expor Rachel assim. Foram caminhando entre aquelas estreitas e centenárias ruas de Roma, chegando quase até a praça do Pantheón. Rachel apontava inúmeros monumentos pelas ruas, a cidade impressionava. Principalmente pelo número de fontes e chafarizes. Mas Gambit pensava mesmo em voltar para Paris!
Pelo meio do caminho Gambit brecou ao ver algo estranho. Vampira já olhou para o topo dos baixos prédios de época preparada para voar caso fosse Sinistro! As grades de uma janela vibravam, as moedas nos bolsos do sobretudo do cajun se mexiam sozinhas, uma latinha de coca-cola no chão correu pela rua como se houvesse um vento forte. Até uma lata de lixo de ferro caiu e virou no chão. Rachel apontou para o céu: um homem de cabelos brancos e olhos azuis vinha descendo pelos ares até o chão.
Vampira: Magneto????
Gambit: Que diabos você pensa que está fazendo aqui, messiê? - Já sacou cartas brilhantes de seu sobrretudo!
Magneto: Para quê a violência, meu rapaz? A cidade é sua?
Gambit: O quê que você quer aqui, afinal?
Magneto: Eu vim oferecer minha ajuda ao casal e ao bebê que não é de vocês.
Gambit: Quem te disse que a menina não é filha minha com a chere?!
Magneto: Eu sei de quem Vampira um dia engravidou, Gambit. E você não era o pai.
As cartas de Gambit voaram em cima de Magneto que teve que flutuar para bem alto, fugindo do alcance delas!
Vampira: Pára com isso, Gambit!
Gambit: Non! Eu quero você longe da minha mulher e da minha filha!
Magneto: Mística ainda se reporta a mim. Ela está em uma missão em Washington, por sinal, ao lado de Wolverine.
Gambit: Ah! Ele está mentindo! Wolverine e Mística????
Magneto: Por intermédio daquela mulher azul que vocês tanto desprezam, enquanto eu admiro, sei de mais coisas do que vocês imaginam. Vai acontecer mais uma caça às bruxas! Novos guetos mutantes serão feitos! O governo conseguiu reproduzir a pulseira inibidora de Vampira, que eu sempre fui contra!
Gambit: Sempre foi contra porque você é um idiota que não queria me ver ao
lado dela!
Ne cest pá, mon "ami"?
Vampira: Pára, Remy! O que Eric está falando é muito sério!
Magneto: É um chip inibidor de poderes que eles vão introduzir nos mutantes na tal coleta do material genético para o banco de dados! Não permitam, jamais, que essa "coleta" seja feita. Não é uma coleta, é uma introdução. ... Eu ofereço abrigo a vocês em minha base na Antártida. Lá, nem mesmo Sinistro irá importuná-los.
Gambit: Viver com você?!?! Dispenso!
Vampira: Remy...
Gambit: Chere, este homem é louco! Ele está exagerando tudo!
Vampira: Isso é verdade... Será mesmo que essa caça às bruxas vai recomeçar, Eric? Você sempre se preocupa demais.
Magneto: Vocês, x-men, nunca me dão crédito. Charles é o único em quem ainda posso travar um diálogo aceitável naquela casa... Pois vocês acham que eu estou exagerando?! Então fiquem onde estão e não se queixem de que não avisei. Eu avisei do perigo da pulseira e Vampira sofreu aquilo tudo. E agora, a idéia da pulseira está sendo usado contra nós mutantes. Eu sempre soube onde aquele gueto iria terminar, naquela barbárie! E então, treinei a resistência interna sozinho por intermédio de Mística e meu filho Mercúrio. Venci no gueto, com ajuda de vocês também, e agora tenho um conselho de mutantes que me dá sempre muita razão e crédito. Eu sou mais velho e tenho mais experiência que vocês. ... ... Vampira? Edward Northon foi solto e está em liberdade condicional!
Vampira: ... - Ela quase desmaiou de nervoso. O desgraçado que era chefe da MEHSS e a sequestrou estava solto! Por quê? - Como isso, Magneto?
Magneto: Advogados, certos juízes e muito dinheiro. Se é que vocês me entendem...
Vampira: Claro...
Magneto: Northon também está por trás dessa coleta de dados, Vampira, você pode ter certeza disso. E se você for pega... ... eu nem sei o que ele faria com você!
Gambit: Pára com isso! Não a assuste para que ela aceite ir morar na sua base de neve! Eu estou com ela!
Magneto: Como vocês desejarem... Eu não devia, por sua ignorância, Gambit... Mas se precisarem, sabem onde me encontrar. Já dei o recado.
Segunda Feira pela tarde, o plebiscito já havia
acabado, mas o resultado ainda não havia sido contabilizado. Todos na mansão
estavam muito apreensivos, Xavier já estava preparando uma ação para entrar na
Justiça caso a plebiscito dissesse sim à coleta de dados. Foi nesse momento que
o ronco de uma moto foi ouvido dentro da casa,
Jubileu brilhou de alegria soltando plasma colorido pelas mãos! Saiu correndo
para o jardim e viu aquele bronco grosso caminhando para a porta da casa
sorrindo para ela.
Jubileu: Wolvyyyyyyyyyy! - Pulou no colo dele!
Wolverine: Qual é, guria?! Não sabe viver sem mim?
Jubileu: Não! Não sei! Adoro você, adoro! Eu tô tão feliz! GENTEEEEEEE, corre aqui!
Wolverine colocou ela no chão e foi pegar Bruna ao lado da moto. Levou a baixinha morena pela mão para perto de Jubileu.
Wolverine: Jubi, essa é Bruna. E essa piveta é Jubileu.
Bruna: Oi, prazer. Eu não sabia que você tinha uma filha, Logan.
Jubileu: Sou filha dele não. E nem sou piveta.
Wolverine: Coé, guria?! Olha os modos!
Os demais X-Men saíram pela porta e foram ver Logan. Todos ficaram contentes, mas ninguém foi abraçá-lo porque sabiam que Wolverine não era disso. Só Jean foi abraçá-lo e todos sabiam que ela era a única que ele gostaria de abraçar.
Wolverine: Oi, ruiva.
Jean: Bem vindo de volta. Sua nova namorada? - Ela sorriu contente.
Wolverine: Uma amiga, Jean. Bruna de Washington.
Jean: Acho melhor todos nós entrarmos que vai logo sair na Tv o resultado do plebiscito.
Em Roma já era quase madrugada de Terça Feira, por
causa do fuso horário e Gambit acabou dormindo com a TV ligada esperando pelo
resultado do pleibiscito. Vampira olhou para aquele homem gato que tinha dado
uma crise de ciúmes na noite passada! Ele era tão lindo e tão ciumento...
Vampira olhou para o berço e viu Rachel olhando para o
teto e mexendo as perninhas. Ela sentiu remorso do que fez na noite passada,
tirando a garota de perto de si enquanto ela só demonstrava que aquela era a
única mãe que conhecia. Vampira lembrou de Magneto e de sua gravidez, lembrou
que seu filho nasceu morto e que nunca sugou seu seio. Foi muito estranho o que
Rachel fez, foi a primeira vez que um bebê a havia sugado... Vampira não
conseguiu aguentar. Ela logo teria que devolver a menina para a verdadeira
mãe... Não podia se apegar muito e nem podia deixar que a menina se apegasse
muito a ela.
Foi andando até o berço com a pulseira no braço e uma mamadeira de leite morno numa outra mão. Pegou Rachel no colo e olhou para trás para ver se Gambit ainda estava dormindo. Sentou com a bebê na pontinha da cama e tirou a blusa. Depois abriu o sutiã e colocou a menina entre seus dois seios. Fechou os olhos e tentou acreditar que era a mãe da criança. Pingou leite no bico do seio para Rachel sugar. E foi derramando leite no alto do seio que ia escorregando até o bico, entrando na boquinha da menina. Fez isso por mais de uma hora. Aquela pulseira no braço era a melhor coisa que poderia ter acontecido em sua vida de solidão. Magneto estava errado, muito errado.