Infância Mutante - Décima Quinta Parte


Ela foi voando, mas ele teve que alugar uma moto. Foi até bom, fazia tempo que não andava de moto e levava  Rachel a sentir a brisa no rosto da moto correndo. Gambit sabia onde ela havia entrado; parou a moto ainda em Roma, do lado do muro e entrou naquele semi círculo de pilastras duplas a formar dois corredores que abraçam a praça e a Basílica de São Pedro, sede do Vaticano. Tudo bem, deveria ter milhares de turistas ali, mas para Gambit não era difícil encontrar Vampira. Seria aquela a maior igreja do mundo? Diziam que ali embaixo foi enterrado São Pedro, mas com certeza mesmo, só Papas habitavam aquele subsolo no dormir eterno. Encontrou a moça de mexa branca no cabelo olhando para Pietá de Michelangelo. Sorrateiramente, como ele sempre fazia, surgiu das sombras de uma pilastra Renascentista. A princípio, só o par de olhos vermelhos brilharam nas brumas, depois ele veio para a luz do sol que invadia a Basílica por entradas na abóbada central. Vampira levou um ligeiro susto, mas acalmou-se ao ver uma  pequena companhia no colo dele, adocicando a cena. 

Gambit: Bonjour.

Vampira: Te manda daqui.

Gambit: Bonita a estátua que você está olhando, ma belle...

Vampira: É. Aham, vai embora, engraçadinho!

Gambit: Pietá, de Michelangelo, uma obra prima! Não são todos que têm a chance de vê-la pessoalmente, ma chere. Muito menos de vê-la ao lado de uma companhia maravilhosa e instrutiva como a minha, non?!

Vampira: Não, seu convencido!

Gambit apoia o braço no ombro dela, tomando cuidado com as partes descobertas, já que ela havia voado do quarto sem a pulseira. Gambit não podia nem pensar em encostá-la.  

Gambit: Perceba as veias esculpidas no mármore, veja a preciosidade, a precisão de um mestre! Veja os músculos ressaltados na bruta pedra que mais parece a sua pele macia, mon amour.

Vampira: Chega desse lero lero doce comigo!

Gambit: Maria, linda como só Michelangelo faria, é você! E eu sou o Cristo sofrendo nos teus braços!

Vampira: Ah, vai te catar! Agora mãe e filho tem um caso!?

Gambit: Mãe e filho não, mas eu e você temos!

Vampira: Não parece!

Ele segura o braço dela com os únicos dedos tampados por suas luvas cortadas, não deixando que ela prosseguisse pela enorme igreja.

Gambit: Ma petite, je t´aime.

Vampira: Tudo o que eu mais queria é voltar pra mansão X e devolver essa menina que não é nossa para os pais dela, e me ver livre de você!

Gambit: Aww, petite. Ces´t impossible!

Vampira: Impossível? Impossível é ser casada com você, mulherengo!

Gambit: Se eu pudesse te tocar agora, você lembraria do motivo pelo qual se apaixonou e se casou comigo.

Vampira: Mas você não pode me tocar, então tira o cavalinho da chuva!

Ela colocou o cabelo para trás numa chicotada no ar, toda metida, e voltou a adentrar pela igreja. Estava impressionada com o tamanho, pensou que seria legal voar até o teto e ver todos os detalhes bem de pertinho. Mas se fizesse isso, no mínimo levaria um tiro de soldados de elite invisivelmente posicionados. Quando chegou bem em baixo da abóbada central, deu um enorme suspiro seguido de um "Ual, que lindo! Demais!" Era realmente impossível não se impressionar. Até Rachel no colo de Gambit olhava para cima e estendia os bracinhos para o alto! Ela dizia "céu", "mamãe voa céu". Gambit sorriu, a menina era muito esperta para um bebê de pouco mais de 4 meses. 

Gambit: Se você me perdoar, eu juro que te levo na Capela Sistina.

Vampira: Ih, fala sério! Preciso da sua ajuda não! Eu me viro!  

Gambit não sabia mais o que dizer, só jogou aquelas mexas de cabelo lisinho para a frente dos olhos e sorriu triste: gatíssimo. Vampira quase derreteu. Quase!

Vampira: Pra você que é católico isso daqui deve ser muito legal, né?

Gambit: Já conhecia. Mas sempre me impressiono quando venho aqui.

Ele abaixou a cabeça e foi andando ao lado dela, levantando os olhos e fazendo um charme de cachorro arrependido. Vampira não estava mais aguentando. Passou anos querendo agarrar esse cara! Anos! Anos suspirando com ele, sonhando com ele, tentando mentir para si mesma que não o amava e que ficaria melhor sozinha! Afinal, só podia ficar sozinha mesmo. E agora, ele todo gatinho pra cima dela e ela tendo que evitar pelos constantes erros dele. Que vida injusta!

Vampira: Ai, chega, Gambit! Pára de me olhar assim!

Gambit: Então volta a ficar legal comigo, ma belle!

Vampira: Você transou com essas mulheres? Fala a verdade!

Gambit: Que mulheres, chere?

Vampira: Como "que mulheres", Remy?!?! Essas das marcas de batom que eu vi!

Gambit: Ah! Claro que non! Claro que non, belle!

Vampira: Ah, tá... "claro que não"... Muito convincente! Se você fumar aqui eu te bato antes dos guardas! - Ele guardou o cigarro que havia acabado de pegar no sobretudo, sempre fumava quando ficava nervoso.

Gambit: Rachel estava comigo, Vampira... É claro que eu não ia fazer uma coisa dessas.

Rachel: Bum. Bum. Papai ladão bum!

Vampira: O que ela está querendo dizer, Gambit? - Vampira sorriu e se esqueceu do assunto quente com Gambit para olhar admirada para a fofinha no colo do gato.

Rachel: Mamãe fada voa céu. Papai bum! - Ela apontava para algum lugar dentro da igreja. Gambit já colocou as mãos dentro do sobretudo e Vampira ouviu o barulho da energização de cartas, além de um brilho sair de seus bolsos! Ela própria fechou os pulsos e dobrou ligeiramente os joelhos.

Sinistro: A garota é mais rápida do que vocês! Não é atoa que eu a quero agora mesmo!

As pessoas começaram a correr para fora de igreja, muitas tropeçaram umas por cima das outras! Todas estavam morrendo de medo daquela enorme figura cinza e sinistra, que vestia estranhas roupas: um mutante na certa!  

Vampira: Caraca, esse cara é sinistro mesmo! Ele sempre acha a gente!

Gambit lançou inúmeras cartas energizadas que zuniam no ar e explodiam em cima de Sinistro. Depois, ele agarrou Rachel bem forte contra seu corpo, tentando protegê-la de qualquer tentativa de rapto de Sinistro.

Gambit: Essa já é minha petite, Sinistro! Arranja outra criança para adotar!

Sinistro: Não comece com suas frases sem graça, Gambit! Apenas me dê o bebê!

Vampira levantou vôo sem que Sinistro percebesse enquanto levava uma metralhada de cartas de Gambit! Ela foi com tudo em cima dele, dando socos de fazê-lo dar passos para trás. Sinistro reagiu como raios de energia contra ela! Vampira foi atingida na barriga e voou longe! Tão longe que quebrou o vidro de proteção onde ficava Pietá e caiu em cima do colo de Maria! Bem por cima de Cristo já morto! O alarme tocou, cinco guardas foram, assustadíssimos, atrás dela. Não para ver se aquela coisa que voava de mexa branca no cabelo tinha morrido, mas para ver se ela tinha quebrado a obra rara!

Gambit: NON! Vampira!

Sinistro: Hahahahaha! - Aquela risada mais parecia do demônio, até os guardas estavam tremendo. Mas começaram com os tiros para cima de Sinistro. Só não atiraram em Vampira por ela estava em cima de uma estátua de Michelangelo e não atiraram em Gambit porque ele tinha um bebê!

O que eram tiros de metralhadora para alguém como Sinistro? Nada! Mas foi o contratempo necessário para Gambit correr para Vampira e ver como ela estava. Não respondia a seus chamados, estava inconsciente.  

Guarda: Quem é você? - Perguntava em italiano.

Gambit: Não entendo nada, senhor. Me ajude a levar essa mulher daqui, por favor!

Os dois tiraram Vampira do colo de Maria, incrivelmente a estátua não tinha nem um único arranhão! O guarda sorriu aliviado enquanto as balas das metralhadoras iluminavam o ar da igreja na direção de Sinistro. Eles não erravam uma única bala, não acertavam nada de precioso na igreja, apenas Sinistro.

Gambit: Chere? Acorda, por favor! Acorda que a vida não tem graça sem você. Pelo amor de Dieu, acorda, belle!

Rachel chorava horrores com toda aquela movimentação e barulho. Gambit estava fechando os olhos de dor causada pela dor dela. Mas até que já estava mais acostumado, já Sinistro! Sinistro se contorceu de dor e começou a ser metralhado até na cabeça! Mas os próprios guardas tiveram que parar de dar tiros e se jogaram no chão de sofrimento. Rachel afetava a todos! Gambit colocou Vampira no colo com o braço que não segurava o bebê e fugiu da igreja enquanto todos se contorciam. Nem quis saber se Sinistro conseguiu fugir ou se ainda teve que lutar contra os guardas. O cajun só foi pulando de telhado em telhado até chegar ao hotel com sua mulher nos braços. Mas estava claro que nenhum guarda, nem mesmo em conjunto, consegue prender Sinistro! Em breve ele voltaria!

Já no quarto, Gambit correu para colocar a pulseira nela e finalmente tocá-la. Vampira foi abrindo os olhos aos poucos e se viu nua em cima da cama do quarto, com Rachel brincando dentro do berço e Gambit fazendo alguma coisa no banheiro. Ele voltou para o quarto com uma toalha de rosto num pote de água bem quente e uma outra toalha com pedras de gelo dentro.

Vampira: Quê isso? Por quê que eu tô sem roupa?

Gambit: Porque eu sou tarado! - Ele abre um enorme sorriso ao vê-la acordada e já começa a fazer brincadeiras.

Vampira se tampa com o edredom e sorri da brincadeira dele, lindo! Completamente lindo! Vira de costas para ele, sentada na cama, e deixa o edredom cair na parte de trás; revelando costas de pele macia a terminar lá em baixo por uma parte que Gambit adorava. Ele colocou a toalha molhada de água quente bem no meio das costas dela e colocou o gelo na cabeça.

Vampira: Obrigada, gatinho.

Gambit: A Pietá não foi muito piedosa com você, non?

Vampira: Cair no mármore nunca é muito legal.

Gambit: Oui. - Ele sorri, mas depois volta a ficar sério enquanto vai ministrando o quente e o frio em Vampira - Dessa vez foi por pouco, chere. Sinistro parece que sabe me encontrar em qualquer buraco!

Vampira: Deixa ele comigo da próxima vez! Sem ter que me preocupar com Rachel e com uma igreja de séculos, ele vai ver o mundo cair na cabeça dele! Ah se vai! Sujeitinho mais metido a besta!

Gambit: Perdoa Gambit, Chere. Gambit não sabe o que faz. Mas Gambit ama você. ... Eu te amo, viu?!

Vampira: Hein?!

Gambit: Eu juro que não aconteceu nada demais. Quando Rachel aprender a falar melhor, ela pode confirmar tudo!

Vampira: Shiiii... Está tudo bem, Remy. Está tudo bem. Você tá sendo tão legal comigo que eu já tinha até esquecido. E quero esquecer mesmo, chega desse assunto! Eu também não sei viver sem você, gato. sabe aquela música With or Without you do U2?

Gambit: Oui.

Vampira: É a minha música. Não sei viver com ou sem você! Estou ferrada mesmo! Com você é sofrer e sem você é sofrer mais ainda!

Gambit sorri encabulado e continua ministrando o quente e o frio nos machucados de Vampira. Ela fica cantarolado só o ritmo da música.

Gambit: Gambit vai tentar não te fazer sofrer mais enquanto estiver com ele.

Ela suspira, era bom nem cair na tentação de acreditar naquela frase dita de jeito doce e másculo. Pela janela do quarto eles continuavam a ver a cúpula da Igreja de São Pedro lá longe, o coração do Vaticano encravado no meio de Roma. Viam que as entradas da cidade Papal estavam sendo fechadas por inúmeros policiais. Enquanto isso as mãos de Gambit deslizavam pelas costas nuas de Vampira até que ela percebeu que as duas repousaram sobre seus seios. Bem típico de Gambit. A reação dos mamilos dela foram o sinal para Gambit iniciar o que ele melhor sabia fazer: enlouquecer uma mulher. Mas com aquela era diferente, era a única que também o enlouquecia! Vampira adorava o jeito que ele arrancava camisa por cima da cabeça deixando os músculos à mostra.

Vampira: É... ... É por isso que eu continuo com você. Tirei a sorte grande.

Ele sorri gatíssimo enquanto a deitava na cama, deixando seu cabelo lisinho cair na cara e acariciar o corpo dela bem diante de si.

Gambit: Shiiii. É só olhar para você que qualquer um vai saber que o felizardo aqui sou eu!

Ela ia discordar, mas não deu, foi calada por um daquele beijos que procuram o esôfago do outro! Rachel viu tudo muito desconfiada do berço. Achou aquilo tudo muito estranho, mas já estava quase que se acostumando. Só ficava meio chorosa quando os dois gemiam alto demais. Mas quem disse que qualquer um dos dois ia ver qual o motivo do choramingo dela?! Que nada, ficava sozinha até parar de choramingar por conta própria.

Ah se Jean e Scott soubessem disso...


Fogo! Fogo ao redor dela! O par de olhos azuis arregalados era de Emma Frost! Mas eles logo se fecharam quando Jean invadiu sua mente de forma avassaladora!

Jean: Cubra essas tetas, Emma!

Todos os x-men haviam corrido para a cozinha quando viram Jean passar pegando fogo pelos cômodos da casa! E se assustaram ao ouvir a educada e calma Jean Grey Summers usar a palavra "tetas" para se referir aos seios da Rainha Branca.

Jubileu: Ihhh! A branquela tá pelada! Nossa, Jean falou "tetas"!

Mas quem disse que Emma deixaria isso barato?!?!

Emma: Tetas não! Até porque a vaca prenha aqui não sou eu!

Bobby: Caracaaaa, vai ter sangue aqui hoje!

O professor Xavier obviamente não entrou na cozinha, seria horrível demais ver tamanha baixaria por parte de Emma e descida de nível no vocabulário da sua tão amada aluna Jean. Ele só ficava da sala gritando para os alunos na porta da cozinha:

Professor: Por favor! Por favor, alguém tire-a daí! Alguém faça Jean parar, ela está grávida! Scott, faça ela parar!

Scott tentou se aproximar de Jean para fazê-la desistir daquela loucura, mas era impossível se aproximar: Jean era fogo!          

Scott: Querida! Vamos, acabou! Já acabou! Pense no Natan que você traz dentro de si.

Jean: Acabou nada, Scott! Eu posso parecer boazinha e certinha, mas não tenho sangue de barata! Ou será que essa mulher se esqueceu que eu sou a Fênix?!

Scott: Deve ter esquecido, amor. Acalme-se, por favor.

Jubileu: É, Jean! Pára que já tá pegando fogo nos panos de prato!

Bobby Drake se transformou em gelo e congelou os objetos que estavam pegando fogo. Logo, toda a cozinha tinha ficado ensopada de água ao derreter com o calor de Jean.

Jean jogou uma labareda de fogo para cima de Emma Frost!

Fera: Santa Querupita, tentativa de assassinato!

Tempestade: Pela Deusa!

Mas Emma Frost se transformou em diamante e sorriu de lado, sem sofrer nem uma única chamuscada!

Jean: Seu diamante também derrete diante do calor da Fênix, Emma!

Emma: Só que pra isso a piromaníaca corna vai ter que meter fogo na casa! Espero que vocês tenham seguro incêndio! 

Jean mais uma vez invade a mente da Rainha Branca, elas resolveram travar uma briga psíquica. Voavam em espectros que mais pareciam quartos da mansão X, uma ia voando atrás da outra por entre esses quartos, às vezes passavam por dentro de objetos como se fossem fantasmas.

Jean: Você tem uma idéia fixa de me fazer sofrer! Por que? Por que?

Emma: Imagina se você ia fazer parte de alguma idéia minha, quanto mais fixa?! Ha - ha! Só rindo mesmo!

Jean: Já está bom para você? O que você já fez já te divertiu bastante? Vai deixar meu marido em paz? Ele está implorando para que você vá embora dessa casa!

Emma: Eu li a mente dele! Ele me acha linda! Maravilhosa!

Jean: E quem não acha, Emma? Mas por isso você pensa que ele te ama??? NÃO! E isso você também pode ler na mente dele! Ninguém gosta de você nessa casa, Emma! Vai embora! Será que não consegue ler na mente de todos que não existe um mínimo de sentimento de "seja bem vinda" dentro das cabeças dessa casa?!?! Será que já não está cansada de ser esnobe e fingir que não está nem aí para uma opinião maciça que te odeia?

Emma: Você não vai me atingir com palavras, sua pata! Espero que você morra no parto! Sangrando pelo mesmo lugar por onde você prendeu o Scott!

Jean: Ninguém diria tamanha monstruosidade senão você! Desejar a morte de alguém justo quando ela dá luz a outra vida! E para teu governo, Scott me ama desde que eu sou adolescente!

Emma: Ah, me poupe! Olha pra essa espiga vermelha que você chama de cabelo e olha pra mim, eu sou formada em administração e sou dona de empresas, eu sou viajada e falo línguas, eu tenho estilo e sou sofisticada! Adolescência, minha filha, é passado!

Jean: Só te falta o básico: caráter!

Bobby Drake resolveu fazer alguma coisa, se transformou em gelo e tentou apagar o fogo da Fênix: inútil tentativa. Jean chegou a sair do embate psíquico na mente de Emma para ver o que estava acontecendo. Encontrou Bobby Drake com cara de assustado.

Bobby: Desculpa, Jean. Só tava tentando esfriar as coisas, acho que não consegui. Foi mal.

Tempestade: Bobby, vá para Emma e que eu lido com Jean!

Tempestade transformou seu corpo em água, essa nova mutação ainda assustava a todos naquela casa! Era tão impressionante, aquele mesmo formato de corpo só que feito de água! Ela pôde chegar perto de Jean, mas sentiu que estava evaporando! Evaporando, sumindo, sempre tinha medo dessa sensação. Tinha que agir rápido: se jogou em cima de Jean, foi como se a ruiva tivesse recebido um balde de água na cara! Ela meio que acordou do transe de raiva e a Fênix pareceu ir diminuindo dentro dela, até acalmar completamente. Da mesma forma que Bobby Drake havia congelado todo o cabelo de Emma Frost e estava com a concha de feijão na mão, de longe, ameaçando quebrar cada pedacinho do cabelo dela e deixá-la careca!

Emma: Sai! Sai de perto! - Meio que sem querer e querendo, ele bateu numa mexa do cabelo dela, que quebrou, voou longe e foi se espatifar na parede!

Emma: AHHHHHH! Meu cabelo! Você me paga!

Jubileu: Ótimo! Depois que derreter e secar, teremos fios de cabelo espalhos pela cozinha!

Foi depois de muito tempo que Emma Frost se deu conta que todos naquela casa haviam visto seus seios. Afinal, desde que Jean chegou naquela cozinha, ela não fez nada para cobri-los. Se sentiu invadida em sua privacidade, achou que toda aquela platéia foi um abuso!

Emma: Olha, vocês aí, deveriam ter mais respeito! - Falava isso colocando rápido a blusa. 

Jubileu: Afinal, o peito mesmo quem tem é você!

O Professor Xavier finalmente entrou na cozinha com sua cadeira de rodas sendo empurrada por Fera que também não quis ver toda aquela confusão. Scott abraçou Jean que parecia estar com bico de irritada com ele. Mas o Ciclope continuou com ela nos braços, olhando para o chão enquanto Xavier entrava; era vergonha.

Professor: Já chega, Jubileu. Hoje já tivemos o suficiente! Meus filhos... Sinceramente eu não espera. Eu não esperava isso, Jean.

Jean: De mim?

Professor: Você está grávida, seu ânimos estão alterados, eu entendo... Mas toda a situação foi por demais vulgar. Da parte de Emma Frost eu nem comento!

Emma: E nem precisa comentar, Xavier. Não tenho idade nem sou sua aluna para ouvir seus sermões. Sei o que eu faço da minha vida. Estou indo embora agora mesmo dessa casa. 


Em menos de duas horas, Emma Frost já tinha arrumado todas as suas coisas e chamado um taxi limosine para ir embora. Saiu toda arrumada, de roupa rosa com direito a mini saia e sem se despedir de ninguém. Passou batido pela sala como se não tivesse ninguém lá. Já Jean e Scott estavam todo esse tempo conversando no quarto. Na sala, só estavam os mais perplexos e chegados a fofoca; ou seja, Fera e Tempestade resolveram espairecer no jardim.

Sam: Gente, situação chata essa, hein? Chocado até agora. Vocês viram a quantidade de coisas meio queimadas lá na cozinha?

Jubileu: Além da água pra tudo quanto é lado!

Bobby: Irado! Duas mulheres se pegando, sendo que uma com os peitos de fora, muito demais! Se eu contar, ninguém nem acredita! Ah o Gambit aqui!

Sam: Bobby, olha Jubileu aqui. Cuidado com o que você fala, pode deixá-la sem graça. - Sempre tão educado.

Bobby: Quem? Jubileu?! Ih, que nada! O sem graça deve ter ficado você! Que engraçado!

Jubileu: Eu não vou limpar nada! Jean tem telecinésia, ela que limpe. ... Quer pipoca, Bobby? Vou fazer. - Sam levantou o olhar que estava perdido na memória da briga na cozinha e olhou para Jubileu. Depois olhou para Bobby. Não é possível que ela estivesse dando mole para aquele surfista desbocado, relax, vida mansa e despreocupado! Mas depois, sorriu: Jubileu perguntou se ele também queria pipoca. - Quer, Sam?

Sam: O quê?

Jubileu: Como o quê, loiro da casa? Pipoca...

Sam: Ah, quero.

Jubileu: Doce ou salgada?

Bobby: Como assim doce ou salgada? Não sabia que podia escolher! Jubileu a nossa criada prendada! Haha!

Jubileu: Não, seu bobo. É que o Sam pode escolher que eu deixo.

E lá foi ela para cozinha toda faceira, pulando as poças de água do mármore no chão. Bobby olhou para Sam e sorriu.

Bobby: Ihhh! Tá te dando mole!

Sam: Jubileu é muito simpática mas...

Bobby: Mas? ... Ah, fala sério, cara! Deixa de ser certinho! Essa garota vai dar uma chinesa muito gata! Bota fé nisso, eu tenho certeza. Lembra da gata da Psilocke?! Então, cara!?

Sam: Pára com isso, Bobby. Desculpa, mas eu não gosto de ouvir esse tipo de comentário, tá?

Bobby: Hummm, ciúmes!

Sam: Não! Pára! Shiii, fala baixo!


Enquanto isso, o casal Summers tentava se entender.

Jean: Eu perco a minha filha e essa mulher ainda tenta me roubar o marido. É inacreditável!

O telefone toca, Scott atende, escuta por alguns segundos e depois desliga.

Scott: Era Jubileu ligando da cozinha, disse que Emma já foi embora com várias malas numa limosine. Pronto, acabou, querida. Fica calma para o bem do nosso filho.

Jean: Não! Aqui dentro de mim, na minha raiva não acabou!

Scott: ...

Jean: Eu no fundo estou me mordendo de ciúmes pelo o que aconteceu. Pelo o que ela leu na sua mente: que você acha ela a suprema maravilha dos corpos femininos! Que raiva, que ódio! Isso eu não posso mudar! O que você pensa e sente eu não posso mudar!

Scott: O que eu sinto? Jean! O que eu sinto? Eu te amo, linda. E há muitos anos! ... Desculpa, ela ficou nua na minha frente e é muito bonita mesmo.

Jean: Eu sei que é! Linda! Que raiva!

Scott: E eu não fiz nada! Ela induziu a minha mente, todos os movimentos do meu corpo! ... Jean, desculpa... mas todos os homens dessa casa acham Emma uma mulher bonita. Mas isso não significa que eu trocaria ela por você, como não fiz! E você é muito mais bonita do que ela.

Jean: Ah, ta bom! Já chega, não precisa inventar! Eu sei que não se ama simplesmente o que é mais belo, por isso você não precisa inventar essa.

Scott: É sério. Você pra mim é a mulher mais bonita do mundo, por dentro, por fora, pelo cabelo, pelos olhos verdes, pela voz calma e doce, pelo jeito de saber tudo o que eu quero, até porque é uma telepata. Você atende todos os meus sonhos, Jean. E é a mãe dos meus filhos. E daqui a pouco vai ficar com uma enorme barriga linda. E eu vou adorar!

Jean sorriu e resolveu ir para o banheiro. Tomou um banho em que chorou no chuveiro, talvez porque estivesse com os sentimentos em um furacão por causa da gravidez, talvez por reforçar que o marido a ama, talvez por lembrar da cena dantesca que viu; o que importa é que chorou. Mas saiu revigorada do chuveiro e resolveu dar uma demonstração de que Emma Frost era para ela a pior porcaria do mundo. Pegou na gaveta do closet um corpet de couro preto, daqueles de ajustar o apertão nos seios com cadarços! Um antigo corpet de festas a fantasia de anos atrás! Vinha com as luvas pretas e com as botas. Ah, claro; e a capa! Ela colocou o cabelo meio preso, meio solto; o mais sexy possível! Apareceu no quarto daquela forma.

Jean: Oi, Scott. Quer se divertir?

Scott: É uma proposta maravilhosa. 

Ela tirou a capa e a jogou numa poltrona perto da cama. Scott estava adorando aquilo.

Scott: Eu lembro quem comprou isso pra você.

Jean: Você mesmo.

Scott: Pois é. Eu sempre fui muito bom de compras, sempre soube escolher.

Jean: Você tinha razão, Scott. Eu também posso ficar muito sexy e atraente! Emma Frost estava enganada em tudo. - Dizia isso levantando ainda mais o cabelo e fazendo biquinho de Marilyn Monroe. Scott ria maravilhado.

Scott: Você sempre foi linda e naturalmente sexy.

Os dois se abraçaram e Scott começou a tirar aquele corpet de couro com cuidado, lentamente desamarrando os cadarços. Ele disse que apesar de estar diante de uma mulher vestida para matar e completamente fatal, com fogo de Fênix; ainda assim era uma grávida.

Jubileu passou pelo corredor com uma bacia de pipocas para oferecer a Tempestade em seu quarto, mas quando ouviu certos barulhos vindos da porta do quarto de Jean e Scott, resolveu apressar o passo. Ficou encabulada. Sam tinha razão, ela às vezes se encabulava, ainda não estava acostumada a essas coisas. Quando Wolverine morava na mansão, esse tipo de assunto era vedado a ela, pobrezinha! Era marcação cerrada do canadense!


Em Roma anoitecia. Gambit e Vampira estavam na cama vendo a CNN pelo canal a cabo do hotel. Eles tinham pedido sorvete pelo serviço do hotel e comiam tranquilos um aninhado no outro. Vampira já nem queria mais saber de tirar a pulseira! Rachel estava no meio dos dois com uma girafinha e um dado colorido de pano com sinos dentro. Ela volta e meia ganhava sorvete de "papai" e ora de "mamãe". Depois a pequena começou a escalar o dorso nu de Gambit, queria ficar no colo dele. Foi quando a paz do casal foi interrompida por um comercial do governo americano:

Comercial: Plebiscito agora! Na próxima segunda feira toda a América deve comparecer! Inclusive os cidadãos americanos que vivem fora do país devem votar pela internet! A questão mutante é de total importância! Muitos deles são perigosos, mas não são todos! Eles destruíram as forças armadas americanas no Harlem, quem garante que esses subversivos não vão invadir suas casas? Eles podem atravessar paredes, ler mentes, voar, seduzir, eles podem matar! Vamos saber quem eles são! Votem! Tudo o que precisamos é de um banco de registro mutante! Votem! Aprovem essa medida! Os mutantes não precisam ter medo, só os materiais genéticos serão recolhidos por uma simples agulha.  

Vampira: Gambit, que coisa mais suspeita!

Gambit: Muito!

   

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