Infância Mutante - Décima Parte


"Bruna" chegou na reunião que mais parecia uma espécie de coktel íntimo. Além de Zack, estavam lá outros vários senadores, governadores e alguns vereadores. Dois prefeitos, alguns biólogos, alguns químicos, um engenheiro, um agrônomo e umas duas mulheres de programa que nada falavam, só sorriam.

Zack: Tudo bem, senhores. Acho que estamos todos aqui, podemos iniciar nosso debate. ... Essa é minha secretária Bruna, um amor de pessoa, espero que não haja problema ela permanecer aqui. Me ajuda muito. - Mística sorri transformada naquela secretária tão atenciosa.

Biólogo: É claro que ela pode ficar! Estamos aqui para ver a quantas anda nosso projeto de eugenia para a nação americana.

Vereador: Eu trouxe vários documentos e pesquisas.

Zack: Senhores, nós temos nesse reduto de homens visionários uma grande quantidade de opiniões sobre o que se deve ser feito com os mutantes desse país. E posteriormente com os mutantes do mundo.

Vereador: Eu acho que o projeto deveria se focar na esterilização da raça mutante.

Biólogo: Concordo. As outras tentativas não deram certo, nem as mobilizações esparsas da MEHSS, nem mesmo a criação do gueto. Mas o projeto do colar neutralizador me pareceu muito bom, isso levaria aos procedimentos médico-sirúrgicos mais facilmente. 

Zack: O problema é que a tecnologia daquilo é muito complexa, ainda demoraria.

Bruna: A quantas anda essa pesquisa, Zack?

Zack: Depois eu falo pra você, querida. Fica quietinha... Bom! O problema, senhores... o problema é que a maldita da opinião pública se afeiçoou pelos mutantes agora. Mesmo com as nossas campanhas publicitárias mostrando os monstros, as pesquisas mostram que a maioria não aceita medidas drásticas para a contenção ou isolamento dos mutantes. Nós precisamos comprovar que são todos criminosos! Todos! E mostrar, com base nos poderes deles, que se não são criminosos, virão a ser! Está nos gens deles, é imutável!

Vereador: Isso é realmente de suma importância! A não ser que seja justificada pela convicção de que o indivíduo mutante está determinado para o crime, a esterilização poderá ser um ato arbitrário e desautorizado pela população. Como nós não queremos mais organizações solitárias e sim um programa federal e governamental contra esses monstros, precisamos da opinião pública para podermos tornar nossas idéias leis da constituição americana! Esterilização legal e federal já! Nada mais de grupos pequenos e desorganizados de anti-mutantes! Chega de amadorismo!

Mística estremece toda e gela.

Zack: Pois é. Mas para isso, eu penso que teremos que caminhar mais devagar do que gostaria. Não podemos chocar a população americana, devemos fazê-la acreditar no que nós, os bons, acreditamos!

Governador: Olha o que eu proponho: Já que são os mutantes uma ameaça e criminosos, uma possível futura lei do meu estado obrigaria que eles fossem encarcerados em prisões próprias para eles.

Zack: Obviamente fazendo uso do colar, não é fácil manter alguns desses anormais presos.

Governador: Obviamente usaríamos sim o colar. Penso que essa lei não seria rechaçada pela população. Afinal, se são criminosos, devem ser presos.

Vereador: E como o gene da criminalidade e periculosidade está no sangue desses mutantes presos, eles deveriam ser proibidos de procriar! Para não disseminarem mais "gente" igual a eles! Poderíamos dizer que os presos que voluntariamente se submetessem a um programa de esterilização, teriam uma pena mais branda. Poderiam... poderiam sair da prisão com 60 anos ao invés de morrerem lá!

Prefeito: Não, não... Esterilização voluntária?! A população não ia gostar e eles próprios não iriam fazer!

Vereador: Por que não? Ao invés de prisão perpétua, sairiam de lá com 60 anos! Olha, é quase a minha idade e eu ainda acho que vou viver muito!

Químico: Então, pra quê aliviar a vida desses monstros?! Por que sair com 60 anos só por terem sido esterilizados? Por que essa facilidade, se nós podemos fazê-los não procriar simplesmente porque estão presos no período reprodutor da vida???!!! Assim, eles não procriariam e não sairiam de lá com 60 anos de idade e nós não gastaríamos dinheiro com os procedimentos médicos da esterilização!

Engenheiro: Senhores... Na verdade, essas propostas que estão na mesa são absurdas e impossíveis! Vocês têm noção do preço que o Estado pagaria para pô-las em prática??!!! Milhões, talvez até um bilhão de dólares com construção de prisões, manutenção, alimentação desses anormais, vestuário, os benditos colares, guardas!!! Nossa, quanto dinheiro perdido com esse infelizes! Uma bala no peito de cada um, quase gasto nenhum para o Estado! Essa é a minha proposta! Assim, faríamos escolas com esse dinheiro, hospitais, praças públicas, viagens ao Caribe!

Zack: Sem sonhos, por favor! Essa também é minha vontade, mas isso é inviável porque existe uma constituição, alguns direitos humanos, ONU e o escambal!

Engenheiro: Inviável são os gastos com esses encarceramentos perpétuos, meus senhores!

Vereador: Gente! Eu proponho simplesmente uma lei que os obrigue a uma esterilização! Mas sem encarceramentos! Deixe que eles vivam livres, mas sem procriar! Nós não veremos seu fim, mas nosso filhos e netos viverão num mundo sem mutantes! Pronto! É o mais viável no momento! E olha que ainda temos que ganhar a opinião pública para isso!

Engenheiro: Vocês querem saber?! Nós nunca vamos conseguir institucionalizar isso realmente, legalmente! Pense nos diversos idiotas das câmaras e grupos comunitários que não aprovariam nossas leis! Nós temos que fazer isso na surdina! Sem imprensa saber, quem abrir a boca acorda com ela cheia de formiga, pronto! Que netos e filhos o quê! Eu mesmo quero ver o fim desses anormais!

Zack: Meus amigos, por favor... Nós precisamos chegar a um acordo! Temos sonhos mais drásticos, eu sei. Mas por enquanto, vamos ter que nos acalmar e pensar seriamente em como fechar o cerco desses monstros sem parecer que somos Hitler! Nós temos que convencer a opinião pública desses país de que a eugenia é um investimento de longo prazo. Nós temos que apelar aos patriotas com visão de futuro e mais esclarecidos! O programa para eliminar as linhagens defeituosas dos Estados Unidos tem que se tornar legal, para agirmos em cada estado, cada cidadezinha, cada buraco e barraco!

Prefeito: Acho que tenho uma proposta. Devemos dizer que o criminoso... ou melhor, o mutante preso é vítima da hereditariedade! Certo? Ele não pediu para nascer mutante. E se está preso, coitado, é porque é vítima dons genes de seus pais, da hereditariedade.

Zack: Sim. Acho que sei onde você quer chegar.

Prefeito: Pois bem, para o bem de nossa sociedade e para o próprio bem de novas vidas que viriam ao mundo para sofrer, nós devemos esterilizar os mutantes! Não só porque os humanos merecem viver num mundo livre deles, mas para que mais vítimas da hereditariedade não sofram por causa do azar de terem nascidos de seus pais mutantes!

Zack: Brilhante! Acho que ninguém vai negar isso!

Prefeito: O que devemos fazer agora? Por enquanto, deveríamos recrutar um grande número de estudantes, com ordem judicial, para ter acesso à todas as listas de pacientes de hospitais, de crianças em creches, listas escolares, de igrejas; para termos os nomes e endereços dos mutantes em nossas mãos! Precisamos identificá-los agora! Esse é o primeiro passo para qualquer proposta que viermos pôr em prática.

Zack: Já existe um banco de dados do governo com o nome de muitos mutantes, comprovadamente mutantes.

Engenheiro: Os próprios documentos do gueto mutante tem o nome e o endereço de todos os mutantes que lá estavam vivendo!

Prefeito: Maravilhoso! Juntamos os dados do gueto, do banco de dados do governo e mais a pesquisa por todo o país que eu propus e teremos todos os mutantes em nossas mãos! 

Engenheiro: E no futuro, além dos mutantes, deveríamos propor a esterilização de todos os membros de sua família! Porque eles podem não ser mutantes, mas potencialmente podem transferir o gene para alguma criança. Ninguém sabe se a mãe daquela Jean Grey é mutante, ou mesmo o pai daquele Homem de Gelo! Mas foram esses pais degenerados que produziram seres mutantes! Quem sabe um irmão do Homem de Gelo ou uma prima ou tia da Jean Grey não venham a ter filhos mutantes?!?!

"Bruna" pediu licença e foi ao banheiro vomitar.


Chegando em seu apartamento depois de ter levado uma Mística na forma da secretária Bruna, para uma reunião-festa dos grandes do governo, Wolverine tira a verdadeira Bruna adormecida do porta malas do carro. O nome dela a definia perfeitamente fisicamente, ela era bruna: ou seja, morena de pele. Tinha os cabelos lisos e bem pretos, Logan  ao segurá-la no colo até o apartamento, percebeu que aqueles cabelos pareciam de uma oriental. Ele gostava disso. Ele a colocou na cama dele e ascendeu um charuto, ficou fumando e olhando a noite pela janela, pensava em Jean. Queria ligar para ela, saber como ela estava, o que de fato tinha ocorrido, se sabiam onde estavam Gambit, Vampira e Rachel. Oferecer ajuda, até. Desistir de trabalhar sozinho e voltar para a mansão, para ajudá-los contra Sinistro. Bruna foi acordando lentamente, colocando a mão na cabeça como quem sente alguma dor ou mal estar. * SNIKT * Ela abre os olhos e encontra três garras na frente de seu rosto.

Wolverine: Se soltar um pio, morre, guria.    

Bruna: Hmmppp... Posso saber o que está acontecendo? Onde estou? Por que fui sequestrada? Por que o Zack Abraan te ajudou nesse sequestro? Eu por acaso sei demais? Abraan pediu para que o motoristazinho estranho dele fizesse uma queima de arquivo?!

Wolverine: Não é queima de arquivo. Isso é... se você cooperar não vai ser queima de nada!

Bruna: O que você quer que eu faça? ... Logo vi que o Zack estava muito estranho... Inventando que não saiu comigo, que não me deu isso, nem aquilo... Que eu estava ficando maluca!

Wolverine: Eu só preciso que você não grite, não tente fugir. Telefone, eu acabei de cortar o fio. Seu celular, cortei ao meio hehehe. - Ele riu de lado mostrando as duas partes do celular, Bruna ficou horrorizada. - Porta, tranquei. Janela, muito alto. Pular daqui e encontrar a morte, minha companhia não é tão ruim.

Bruna: Vou ser solta quando?

Wolverine: Eu espero, sinceramente, que em menos de um mês.

Bruna: Um mês???! Ah, não! Por que preciso ficar aqui um mês?! Você vai me perguntar coisas? Vai pedir resgate? Qual o motivo de eu estar aqui?

Wolverine: Tu aqui é pior pra mim do que pra você mesma, podes crê. ... Não vou pedir resgate, não vou te perguntar nada, por sinal quanto menos você falar, melhor. Só preciso de você fora de circulação por um pequeno tempo, mais nada.

Bruna: Por quê?

Wolverine: Tá perguntando demais. Não me dê motivos para eu fazer com sua língua o que fiz com teu celular.

Logan volta a olhar pela janela e pensar na mansão, imaginar se Jean está sofrendo e precisando de uma boa conversa. Claro que deve estar! Ele pensava e rangia os dentes, às vezes grunhia se perguntando por que Scott não fez nada pela filha! Apagou o charuto na palma da mão e o jogou pela janela. Claro que o "paspalho do príncipe encantado" fez tudo pela filha. Bruna olhava aquilo tudo encolhidinha no canto da cama, com medo.  


Na mansão, Jubileu estava muito para baixo com o clima triste da casa. Não estavam mais lá os sujeitos mais divertidos, nem seu adorado Wolverine, nem a super astral da Vampira - que certas vezes ficava melancólica mas se trancava no quarto pra ninguém ver - e nem o bon vivant do Gambit! Sobraram os mais sérios e mais velhos, com excessão do Homem de Gelo que ainda agia como adolescente garanhão e o tímido Sam; que a pesar da pouca idade, era mais sério do que o próprio Fera. O professor ficava trabalhando com Fera todos os documentos para acabar de vez com o caso do gueto, processando inúmeras pessoas! Tempestade passava grande parte do dia consolando Jean e tentando colocá-la pra cima! Scott se esquivava de uma Emma Frost que a toda oportunidade jogava charme ou perturbava qualquer outro morador da mansão. Na sala mesmo, ficavam apenas Jubileu, Sam, Bobby e Noturno. Kurt Wagner rezava ajoelhado na porta da sala com o jardim pela volta de Rachel.

Jubileu: Olha, gente! Vou ligar o som, essa casa tá muito baixo astral. Kurt, eu entendo suas boas intenções, mas eu vou colocar uma música aqui!     

Sam: Apoiada. Só não coloca muito alto, se não, a "tal pessoa" vai vir aqui reclamar.

Jubileu: Eu quero mais é que a Emma se exploda, Sam! - Ele ri, Jubi também.

A única estação que estava tocando uma música boa, era uma de músicas românticas. O resto era só lixo. Se bem que Jubileu tentou argumentar que aquela estação que estava com uma música da Britney era legal porque era "animadinha", mas Bobby Drake mudou logo de estação e ela fez beicinho. A música era "Out of Reach" (fora de alcance) de Gabrielle. 

Jubileu: Pelo menos essa música é legal.

Bobby: Música de dor de cotovelo. ... Mas é melhor do que Britney Spears.

Sam: Sem sombra de dúvidas.

Jubileu: Até você, Sam?!

Scott não estava conseguindo dormir, Jean também não. Mas só ele quis descer para tomar um copo de leite quente. Os x-men mais novos, que ouviam música, fizeram cara de ânimo para Scott e disseram "oi" sem jeito. O ciclope abaixou o rosto envergonhado de estar só de short e óculos na frente de Jubileu, passou rápido para cozinha. Dizendo um baixo "perdão, Jubileu". Ela sorriu. Scott não imaginava que encontraria alguém na sala aquela hora.

Jubileu: Alá teu futuro, Sam! Muita educação dá nisso! Parece até que eu me ofendi de ver ele sem camisa!

Sam: Sinceramente, eu acho os modos de Scott exemplares.

Jubileu: "Exemplares".

Sam: Você não ia gostar se ele aparecesse aqui de cueca samba canção, coçando a cabeça e soltando gases. Sem nem falar com você!

Bobby: "Coçando a cabeça" é um jeito meigo de você falar com Jubileu, né?! Coçando ...

Sam: Pois é. A cabeça ou qualquer outra coisa.

Bobby: Ih! Mas Jubileu se derrete quando os caras passam na frente dela sem camisa. Nossa, quando é Gambit então! É a festa! E ele tá sempre sem camisa, né Jubileu?! Até eu fico sem camisa pra ela me admirar também!  - Bobby ri a beça, Jubileu não acha a menor graça, enquanto Sam fica pensando se aquilo era só brincadeira ou tinha algum fundo de verdade. Jubileu joga uma almofada na cara de Bobby, que se transforma em gelo e nem se afeta com nada. Volta ao estado normal e continua rindo.

Jubileu: Convencido! Até parece que teu corpo é bonito, até parece que eu me derreto com o Gambit, até parece que eu vou perder meu tempo olhando os caras daqui sem camisa!

Bobby: Até parece que eu acredito!

Emma Frost desce as escadas com uma camisola de seda preta, o que era milagre entre as inúmeras roupas brancas que tinha.

Noturno: Boa noite, Emma.

Emma: Noite quente, não é?

Noturno: Tempestade é quem controla a temperatura de toda a propriedade. Ela estava achando tudo muito frio e triste.

Jubileu: Esquentar não ajuda em nada. Até porque eu vejo da janela lá longe as pequenininhas pessoas na rua todas encasacadas e acho que fica muito engraçado a gente aqui suando.

Emma: Ar condicionado existe pra isso. Ou então, nós prendemos aquela curandeira maluca no armário. 

Noturno não achou graça da piada, fechou os olhos e voltou a rezar, a pesar da "Out of Reach" de Jubileu. Emma pegou uma garrafa de champanhe do armário chique de bebidas de Xavier e ainda levou duas taças para a cozinha. Os demais ficaram olhando pra ela com cara desconfiada. Bobby segurou o braço dela no caminho e disse cantando junto com a música: "out of reach, so far, I never had your heart", enquanto seus olhos indicavam a cozinha. Emma sorriu sarcástica.

Emma: Nada está fora do meu alcance. Eu consigo tudo. *Out of reach sou eu pra você, ridículo.* - Disse essa última frase fazendo uso de sua telepatia na mente de Bobby

Scott bebia tranquilamente seu copo de leite quando sentiu a presença de alguém na porta do recinto. Olhou para trás e encontrou Emma com duas taças, um champanhe e uma cara de muita disposição para aquela hora da madrugada.

Scott: Hein?

Emma: Sem sono, Scott?

Scott: ... Um pouco.

Emma: Sede?

Scott: O leite me basta, Emma. E eu já vou subir.

Emma: Sozinho?

Scott: ...

Ela sorri.

Emma: Tem se sentido melhor?

Scott: Tenho feito o possível. Mas não posso continuar imobilizado dessa forma, não morri. Amanhã volto a treinar e coloco todos nessa casa para treinar também.

Emma: Tem toda razão. Esse marasmo já estava acabando com a minha beleza.

Ela coloca champanhe em uma das taças e vai bebendo lentamente. Anda até bem perto de Scott que fica encurralado contra a parede olhando para o chão. Emma passa o dedo em cima do lábio dele e depois chupa o dedo.

Emma: Bigodinho de leite, gatão.

Ele passa a mão no rosto para terminar de se limpar e para esconder o rosto, fugir dela. Emma via Ciclope se esquivando dela enquanto Out of Reach continuava a ser o fundo musical apropriado para aquele homem que claramente amava a Jean. Mas Emma não veio a esse mundo para perder! Se Wolverine passou anos se rastejando atrás do casal inseparável, o problema era dele! Emma pensava que com ela seria diferente! Emma se inclinou para beijá-lo, mas Scott segurou os dois braços dela e a manteve longe enquanto olhava para o lado. Emma tentou abrir os braços dele, Scott acabou passando a mão nos longos cabelos loiros dela. Emma bateu no braço dele e foi para outro canto da cozinha.

Emma: Sem essa de passar a mão no meu cabelo! Vai ter pena de outra! Minha vida não dá motivos para que ninguém tenha pena de mim! 

Scott: Por que isso, Emma? É só para destruir Jean?

Emma: Quem aqui está pensando em Jean?!?! O mundo não gira em volta dela, Scott!

Scott: Eu não vejo você nutrindo alguma coisa por mim verdadeiramente. Me parece mais uma questão de conseguir, alcançar, triunfar, separar, destruir.

Emma: Não é a toa que você usa óculos, seu cego.   

Scott: Eu me tornei mais um objetivo na sua vida, Emma? Eu sei que você diz conseguir tudo, mas eu não sou um troféu. Ou será que o troféu é o sofrimento de Jean e não eu?!?!

Emma: Pense o que quiser. O que os outros pensam de mim nunca foi uma preocupação.

Scott: Então boa noite, Emma. Espero que isso não se repita, quero ser seu amigo e não ter que fugir de você.

Scott vai embora e esbarra com Bobby na entrada da cozinha. Emma fica furiosa de vê-lo ali para rir dela. O homem de gelo assopra um ar congelado que deixa Emma coberta de micro pedaços de gelo.

Bobby: Nossa! Olha como Scott foi frio com você! Cadê aquele calor da Tempestade??? Vamos esperar que ele não te dê um gelo a partir de hoje!

Emma: Eu vou acabar com você, Bobby!

Bobby: Olha só! A senhora poderosa, consegue - tudo, rainha da cocada preta ficou irritada porque não conseguiu nem um beijinho de objeto de desejo dela!!! Ah tadinha! Tá muito frio aí? É por causa do seu coração ártico ou é por causa do fora gélido do Ciclope??? Ihhh, eu acho que também pode ser porque eu te congelei com um sopro de aviso pra você deixar de ser idiota! Scott é completamente Out of Reach pra você, Emma!

Emma invade a cabeça do Homem de Gelo e o faz imaginar que todos na mansão pensam que ele é um inútil, chato, imbecil, estorvo! Bobby cai no chão, no vazio de se sentir rejeitado pelos amigos, Emma aproveita para cai em cima dele com tapas, socos e xingamentos.

Emma: Lava a boca antes de pronunciar meu nome, sua ameba! Lava a boca! E idiota é a infeliz da sua mãe que te colocou no mundo! É por isso que eu sou a favor do aborto, para evitar coisas como você, seu perdedor! Eu ganho todas, Bobby! Ganho todas! E você, sua ameba? Nem essa loira aqui em cima de você, te batendo, você consegue ganhar! Eu com seus poderes fiz coisas inimagináveis, seu inútil!

Bobby faz força para se livrar dos pensamentos de rejeições e nulidade que invadiam sua mente. Ele se concentrou e voltou a pensar que tinha seu valor, tinha amigos verdadeiros e fazia a diferença sim! Segurou os braços de Emma e congelou o cabelo dela! Daquele jeito congelado, Bobby quebrou uma mecha e jogou na pia! Emma sabia que quando aquele gelo derretesse, seu cabelo estaria com uma parte cortada! Bobby fez com a mão de que ia quebrar todo o cabelo dela, ela iria ficar com um corte joãozinho! Mas a Rainha Branca fugiu dele o mais rápido possível.

Emma: AHHHHHHH! Meu cabelo!!!!!

Jubileu correu para a cozinha, Sam chegou lá na forma e na velocidade de uma Míssil. Ele segurou Bobby, que queria avançar para cima de Emma.

Bobby: Viu como você quebra fácil, Emma? Viu como somos todos sensíveis e delicados? Viu como você não é invencível, nem imortal, nem a dona do mundo? Viu como o mundo não gira em torno do seu umbigo? Saiba que eu já fui afim de você. Mas agora... Agora não te quero nem pintada de ouro, nua, numa prancha de surf!

Jubileu: IAUUUUUUUULLLL! Fora!

Emma: Cala boca, sua infantil!

Bobby: Scott você nunca vai conseguir.

Emma: Isso é uma promessa, paspalho? Você fala por ele? É o porta voz dele?

Bobby: Quem tem que prometer isso é ele mesmo e acho que já fez isso aqui hoje; eu só estava te lembrando disso. Mas eu prometo, em meu nome, que nem mesmo a mim você vai conseguir.

Emma: Nossa, como me magoou! Nossa, como eu realmente pensei em me casar contigo! Hahahaha! Que ridículo!

Jubileu: Tchau, Emma. Fica aí sozinha que é o que você merece.

Sam: A senhora é linda, é rica, é auto suficiente, administra uma enorme empresa de transportes. Por incrível que pareça, tem amigos. - Emma revira os olhos de nojo quando esscuta o sincero "por incrível que pareça" de Sam. - Pode ter o namorado que quiser... Por que quer mais? Por que sua vontade tem que avançar por cima da vontade dos outros?

Jubileu: Dá trela pra ela não, Sam! Vamos embora! 


Em Washigton DC, Bruna pediu para ligar o rádio. Wolverine disse não. Ela pediu para ligar a televisão, ele também negou.

Bruna: Você é bem simpático. Torna a vida das pessoas mais fácil, sabe?!

Wolverine rugiu e resolveu ligar o rádio. Não sabia, mas acabou colocando na mesma música Out of Reach que os x-men também ouviam no mesmo momento. Voltou a olhar para a lua e pensar em Jean. Aquela música parecia que definia seu amor por aquela ruiva.

Bruna: Tão calado.... Você é assim mesmo? Contemplativo e quieto? Ou está pensando em como me matar e esconder o corpo?

Wolverine: Não vou te matar...

Bruna: Se eu cooperar.

Wolverine: É. Agora cala a boca.

Ele pegou o fio do telefone cortado e tentou colá-lo com durex. Bruna olhava aquilo com estranheza. Se ao menos não tivesse cortado o celular dela ao meio. Mas ele tentou fazer a ligação assim mesmo e conseguiu! O telefone no quarto do casal Summers estava tocando e Wolverine estava suando, pensando no que dizer para Jean. Rezando para Scott não atender.

Jean: Alô? - Voz de sono.

Wolverine: ... *Oi, ruiva. Que voz linda.* - Ele pensou, mas sem coragem de dizer alô. Ficou mudo pensando em desligar.

Jean: Logan?

Wolverine: Como descobriu?

Jean: Leio, sinto, ouço e vejo pensamentos. Tudo bem, sumido?

Wolverine escuta ao fundo a voz de Scott dizer "Ah, eu não acredito que seja Wolverine a essa hora!".

Wolverine: Manda teu marido se foder.

Jean: ...

Wolverine: É. Eu tô legal. Mas eu estou ligando por causa de você. Fiquei sabendo de tudo. Está precisando falar, conversar, de um ombro amigo?

Jean: Nada disso trás minha filha de volta, Logan. Mas obrigada assim mesmo.

Wolverine: ...

Jean: ...

Wolverine: Legal, então.

Jean: Sentimos sua falta aqui, Logan. - Ele sorri. - Jubileu é a que mais sente.

Wolverine: Não vou dizer a falta que eu sinto de você... de vocêS. É... principalmente a falta que você me faz, ruiva.

Jean: Não quer voltar, Logan?

Wolverine: Quero e não quero. Quero, mas não quero te ver chorando, nem ser consolada por esse palhação do seu lado, ruiva. Se você pudesse imaginar como eu te abraçaria e traria tua filha de volta na porrada! Se você soubesse o quanto eu te beijaria e pediria para voltar a sorrir. Te daria sua Rachel e outros tantos filhos que você quisesse. Mas não posso, não é?! Então... Acho que quero ficar longe de ti, guria.

Jean: Então, fica. Se é melhor pra você, fica...

Wolverine: Eu fico, então... Tchau, Jeanny. Ânimo.

Jean: Tchau.

Ele desliga o telefone puxando com raiva a colagem mal feita que fez no fio com durex! Joga o telefone longe e volta a olhar pela janela a lua brilhar.

Bruna: Eu ouvi isso. Então, você ama?

Wolverine: Não sou tão monstro quanto você pensou.

Bruna: Na verdade, você se tornou agora o clichê de monstro! Algo brega como "os brutos também amam". Você é um brega, uma caricatura de Frankstein daqueles episódios em que ele se apaixona! - Wolverine sorri com o que ela diz. - Mas eu me comovi. Deu pra perceber que você e essa "ruiva" não podem ficar juntos... por causa de um... "palhação"?

Wolverine: Agora quem está sendo o clichê de uma sequestrada é você! Se comovendo com os problemas, ou ideais, do sequestrador! Caricatura! ... E você e o seu senador? Formam um casal perfeito? Você também é a caricatura da secretária ingênua que se apaixonou pelo patrão importante que prometeu se separar da esposa? Ou faz o estilo espertinha imoral que transa com o chefe por informações e presentinhos.

Bruna: Comecei da forma ingênua... Sofri muito. Hoje faço o estilo espertinha imoral, combinado com o fato de que já conheço o Zack desde o tempo da minha ingenuidade. Como não tenho namorado, pelo menos é uma forma de não ficar sozinha. Dessa vez eu não estou me enganando mais, apesar dele fazer o possível para me ludibriar.

Wolverine: Nada como sofrer e se decepcionar, mas continuar acomodada com a situação!

Bruna: Não gosto de ficar sozinha, é só isso. Pelo menos, o Zack eu já conheço.

Wolverine: Prazer, Logan. - Ele sorri, jogando o charuto pela janela.

Bruna: Bruna Hernandez, canceriana, 24 anos.

Wolverine: Nova, muito nova para morrer. - Sorri sarcástico, tentando tirar Jean um pouco da cabeça.

Bruna: É o que eu estou tentando te dizer desde que acordei, muito nova para morrer!

Wolverine: E essa cor de bronzeado conseguiu em que praia?

Bruna: Na praia da genética da minha família. Não pego sol há séculos! Meus pais são venezuelanos.

Wolverine: Hum! Venezuela?! Não é de lá que sempre vêm as miss Universo?

Bruna: Olha, com os meus singelos um metro e cinquenta e cinco centímetros de baixeza, porque isso não dá pra se chamar de altura, eu não sou miss nem de um concurso de anões!

Wolverine: Da próxima vez que te chamarem de baixa, me chama que eu pico o sujeito!

Bruna: É! Você deve saber como isso é chato, afinal, com esses seus um metro e quarenta e três centímetros! - Ela gargalha do sequestrador violento que tinha diante de si, não o conhecia mesmo!

Wolverine: Um metro e sessenta e cinco. - Voltou a ficar mudo e olhar as estrelas. Um metro e sessenta e cinco, essa era a altura de Jean Grey. Bruna ficou sem jeito, talvez o estressadinho não gostasse que falassem de suas características. Logan deitou no sofá e fez com a cabeça de que a cama era dela; a madrugada já estava muito avançada. Ali deitado, ouvindo a respiração dela, ouvindo o coração dela, guardando o cheiro dela no seu cérebro que nunca o esqueceria - como não esquece o de ninguém - , Wolverine fez uma última pergunta. - E esses olhos azuis, você conseguiu de qual banhista da praia genética da sua família?

Bruna: Não sei. Meu avô, talvez. Disseram que ele tinha os olhos claros.

Wolverine: Tu é uma mistura interessante, guria.

Bruna: Obrigada. Você também uma mistura interessante. De calhorda agressivo e grosseirão, à enigmático charmoso.   


Enquanto isso, Paris continuava a ser uma festa. Gambit saiu de noite da cama silenciosamente, deixou Vampira dormindo num sono gostoso. Pegou Rachel no colo e foi passear com ela pelas ruas da madrugada de Paris! Que tal ensinar um bebê a roubar?! Nada mau! E por que não? Iam ele, seu sobretudo e aquele bebê fofo pelas ruas molhadas de uma noite que presenciara chuva. Fez sucesso com as prostitutas de rua, mas não parou para nenhuma. Deu apenas um ou outro elogio, mas disse estar comprometido com aquela menininha em seus braços! A mulherada delirava! Rachel era tão pequenininha, estava apenas com dois meses e meio! Nem três ainda! E mesmo assim, Gambit a levou para uma loja de departamentos e fez uma limpeza geral, de fraldas, chucalhos, brinquedos, mamadeiras, chupetas e ia ensinando tudo a menina! Pulava com o cajado, sem o cajado, não atingia nenhuma linha do laser de alarme da loja, destruía câmeras com suas cartas energizadas, Rachel só ria o tempo todo! Se tivesse controle motor para bater palminhas, teria batido!

Gambit: Viu, ma chere? Gambit pode te ensinar muitas coisas! Gambit sempre sabe ensinar coisas às mulheres!

Rachel: Guh!

Gambit: Gostou do papai, não gostou? Logo, logo você vai estar fazendo o mesmo, petite! E eu vou me orgulhar! Que tal irmos a um bar e voltarmos para casa antes que sua mãe acorde?

Rachel: Pa-pai!

O cajun olhou diretamente nos olhos de Rachel e disse "repete" de forma abobada. Rachel só disse "guh". balançou a cabeça, deveria estar ouvindo coisas demais. Voltou a pular as linhas de laser com ela no colo e quando estava se espremendo por um buraco na saída ela voltou a dizer "pa-pai". Gambit gargalhou e correu para casa!

Gambit: Ah, petite! Sua mãe tem que ver a mutantezinha em que você já está se transformando!


Continua Aqui!

  

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