Vampira está pensativa em seu quarto. Ela tinha muito
com o que se preocupar, o julgamento que em breve aconteceria, tudo que ela iria
contar e se expor, ter que voltar na agência e dizer que não vai mais querer
ser modelo, ter aquele cartão com o telefone de mais uma das mulheres do Gambit
na sua bolsa! O Gambit... Ela tinha que esquecer, mas era só nele que pensava.
Pelo menos por alguns instantes seria bom esquecê-lo, para focar suas energias
em problemas mais imediatos como o julgamento. Não
conseguia pensar em mais nada, só lembrava de momentos do cativeiro e se
estremecia com um frio na espinha, depois pensava no Gambit, lembrava de seu
casamento, e lembrava da mulher da cafeteria. A mulher da cafeteria, seria ela
um romance mais antigo? Coisa de alguns anos atrás? Será que era coisa recente,
mais ou menos duas semanas? Teria ele já saído a caça tão cedo depois de
todos os problemas que passaram juntos??!! Ou seria caso de pouco antes do
casamento, quando ele a julgava por seus envolvimentos com Magneto? Teria sido
tão hipócrita e maxista?
Tempestade: Vampira! Eu não sabia que você já tinha voltado para casa. Estávamos todos lá na sala conversando com o professor, aconteceu um incidente muito aborrecedor com Jean hoje numa... O que houve? Tudo bem com você? Não está me parecendo muito bem...
Vampira: Eu queria ficar sozinha, Tempestade.
Tempestade: Tudo bem, meu bem. Será que se acostumou a isso? Quase sempre pede a mesma coisa, ficar sozinha.
Vampira: Eu quero ficar sozinha...
Tempestade: É estranho. Talvez não tenha acontecido nada, porque a meu ver esse seria um comportamento esperado por quem passou o que você passou. Mas como você vinha mostrando um ótimo alto astral, e isso sim era estranho, agora me preocupo com você triste de novo. Bom... Não sei mais de nada! Talvez você nem estivesse com alto astral! Ficava boa parte do tempo trancada no quarto, mas quando saía estava sempre ótima. Talvez, aqui dentro você estivesse muito triste. Ou será que realmente aconteceu alguma coisa?
Vampira: Tempestade, por favor, vai embora. Você está mais confusa do que eu!
Tempestade: Claro que estou! Você se confunde e acaba confundindo a gente! Não sabemos na verdade o que você está sentindo!
Vampira: Nem eu, Tempestade. Nem eu.
Tempestade: Tudo bem, vou te deixar aqui para que você se encontre. Tchau, meu bem.
Vampira: Tchau.
Alguns dias se passam. Vampira está aparentemente
melhor. Estão todos no jardim jogando volei, Vampira observa de perto as
jogadas encostada em um dos carros da casa. O telefone toca e Bobby Drake pára
o jogo rapidamente para atendê-lo.
Wolverine: Bishop, qual a necessidade da Vampira se vestir assim tão "quero sexo", hein?
Bishop: Sei lá, Wolverine. Deixa ela. Ela não era assim antigamente?
Wolverine: Era. E mesmo antigamente eu achava estranho.
Bishop: Acho que depois de tudo que ela passou, agora ela está querendo se animar, se sentir bonita, pra cima, viva!
Bobby Drake volta correndo para o jardim. E já vem gritando lá de dentro para Vampira.
Bobby: Vampira! Sabe quem era? Era a agência dizendo que mal você fez as fotos, uma empresa de água mineral ligou querendo uma modelo e te acharam demais! Querem você lá hoje para uma seção de fotos!
Jean: E que interessante, você está exatamente agora bebendo água mineral!
Vampira: Eu não vou lá, Jean. Não quero tirar foto nenhuma.
Jean: E por que não? Está com vergonha?
Vampira: Não quero, porque não quero. Vai dar problema, você sabe disso.
Jean: Não vai nada, Vampira! Vai lá sim! Vai fazer bem para seu ego.
Vampira acaba sendo convencida por Jean e pelos outros que tirar aquelas fotos e receber um dinheiro por elas seria super interessante. Chegou no estúdio alugado pela empresa de água mineral e falou com o responsável pelas fotos, o diretor de propaganda e marketing da empresa. Ele apresentou a ela o fotógrafo, a maqueadora, o cabeleileiro e o iluminador! Nossa! Todas aquelas pessoas iriam enconstar nela? Vampira logo pensou em fugir pela porta dos fundos!
Diretor de marketing: Oi. Seu nome é Clarisse, não é? Muito bem Clarisse, nós programamos umas fotos nesse fundo azul, no qual depois será inserido em computador uma foto de uma cachoeira! Então, a Marta nossa maquiadora, vai esperar você colocar esse maiô aqui pra poder te maquiar. Tá bom? Depois o Walter faz seu cabelo e a gente realmente começa a trabalhar.
Vampira: É... Maiô?
Diretor: Sim, maiô. Por que?
Vampira: Cara! Longe de mim criticar seu trabalho, mas eu de maiô pra vender água mineral?
Cabeleireiro: Ui, minha filhinha! Corpo de mulher vende até caixão de defunto nesses dias de hoje!
Diretor: É, mulher bonita hoje vende desde chupeta de bebê até fralda geriátrica! Você pode não achar certo, como eu não acho. Mas eu sou um profissional e sigo o mercado. Por isso, seja uma profssional e pegue esse maiô e vista.
Vampira: Mas não podia ser alguma roupa mais longa?
Maquiadora: Vamos, querida! Eu não sou contratada dessa empresa não. Estou aqui por algumas horas, tenho que voltar pro meu emprego.
Vampira meio a contra gosto coloca a maiô e senta na cadeira para ser maquiada. A maquiadora vem com a base líquida para depois passar a em pó.
Vampira: É... Você pode colocar luvas?
Maquiadora: Como é que é?
Vampira: Ah, desculpa, é que minha pele é muito sensível e tem...
Maquiadora: Se ela é sensível, será sensível ao produto e não a minha mão.
Vampira: Não, acredite, ela é sensível a outras peles.
Maquiadora: Vamos deixar de besteira, tá, querida! Tô com pressa hoje!
Vampira: Não chega perto de mim! Eu estou falando sério! Não me encosta!
Cabeleireiro: Uiiii! Já vi astro de Rock pedir mais de 300 toalhas no camarim, já vi pedirem água vulcânica, mas essa é a primeira vez que eu vejo uma "maria-ninguém" dizer não me toque!
Vampira: Eu posso ser Maria-ninguém, mas isso que eu estou pedindo não é um capricho, é muito sério. Não custa nada, é só colocar um par de luvas. Estamos levando mais tempo discutindo isso, do que se simplesmente vocês colocassem um par de luvas.
Diretor: Escuta! Não estou gostando nada disso! Não conheço nenhuma alergia de pele a outra pele! Você está pensando que é Michael Jackson?
Vampira: Olha, vocês me desculpem, mas eu não quero fazer mais foto nenhuma. Quero ir embora.
Diretor: De jeito nenhum! Vamos fazer isso e é agora. Marta, coloca essa tal luva que a garota está pedindo, depois eu falo com a agência sobre as garotas que eles estão me oferecendo.
Vampira passa mais de 20 minutos sendo maquiada por uma mulher que não parava de olhar torto para ela. Depois da maquiagem, mais um transtorno. O cabeleireiro também tinha que por luva.
Cabeleireiro: O que, eu também??? Ui, Santa! Não vou pintar seu cabelo, não! Só vou fazer uma massagem e uma escova!
Vampira: Por favor!
Cabeleireiro: De jeito nenhum! Acho isso uma ofença! Você tá com nojo das mãos da gente?
Vampira: De jeito nenhum, acredite em mim.
Diretor: Minha filha, essa é a primeira e última vez que eu trabalho com você!
Maquiadora: Olha, você é realmente estranha!
Vampira ouve aquela frase, mais uma vez alguém a chama de estranha. Diferente, anormal. Ela fica em silência por um tempo. E pergunta quase chorando de raiva:
Vampira: Posso ir embora?
Diretor: Você é livre para ir aonde quiser! Mas eu vou fazer todo mundo aqui usar luvas. A gente termina logo isso e nunca mais se vê! Está bom assim pra você, caprichosa? Vamos logo, pessoal! Todos de luvas!
Vampira terminou a seção de fotos mais horrorosa e agunstiante que poderia existir! Teve vontade de ir embora por todos os minutos. Acabou e foi embora para casa com a certeza de que aquela seção de fotos só fez mal ao ego dela, só fez mal a ela! Ela tinha certeza que nunca mais seria chamada para trabalho nenhum e que iria ficar conhecida como a simplória maria - ninguém que diz: não me toque!>
Mais alguns dias se passam, e Wolverine resolve passar algumas horas no "bar de sempre". E qual não é sua surpresa ao encontrar lá, como nos velhos tempos, seu amigo desaparecido Gambit!
Wolverine: Finalmente, hein, Cajun! Apareceu. Tempestade tava la arrancando os cabelos por tua causa ha três semanas.
Gambit: Mas eu liguei antes de ontem.
Wolverine: Ah, nossa! Realmente foram dois dias a menos de preocupação das "moças" da mansão!
Gambit: Na verdade eu até liguei na primeira semana, alguns dias depois que saí de lá. Mas foi a Vampira que atendeu ao telefone e eu...
Wolverine: Você, palhação, desligou.
Gambit: Tirando o palhação, mon ami... foi
mais ou menos isso.
Wolverine: Coé, xará? Tu tem se virado como com grana nesse tempo fora de casa?
Gambit: Não gosto muito de falar sobre isso.
Wolverine: Não tá na "vida bandida" não, né?
Gambit: Quase isso.
Wolverine: Virou garoto de programa, Gambit? Hehehe...
Gambit: Mon ami, eu nunca em toda a minha vida fiz amor com uma mulher por dinheiro.
Wolverine: E aquelas que você roubava?
Gambit: Nunca fiz amor com uma vítima de meus roubos. Eu não preciso levar ninguém para cama para entrar na casa dela, nem para levar comigo qualquer coisa que seja. Isso que eu faço é trabalho, sexo só faço por diversão.
Wolverine: Tem roubado muitas dondocas por aí?
Gambit: Algumas...
Wolverine: E se "divertindo" com elas?
Gambit: Non, Wolverine. Você sabe que não. Você sabe quem eu ainda amo e sou fiel.
Wolverine: Então tú tá na mesma situação que eu, nenhuma "diversão" há algumas semanas. Ah! E... Eu tô vendo o quanto você é fiel: um beijo aqui, consigo roubar aquilo alí; outro beijo lá, consigo roubar outra coisa lá! Fala sério!
Gambit: Eu estou trabalhando quando faço isso, mon ami. É meu modo de ganhar a vida, seria traição se eu tivesse me divertindo com isso.
Wolverine: Tá certo... Deus me livre que eu venha mulher na próxima encarnação pra ser sua esposa, então! hehehe.
Gambit: É... a... chere está bem? Ela tem perguntado por mim?
Wolverine: Faz quanto tempo que esse problema entre vocês dois começou?
Gambit: Esse problema? Você quer dizer "esse arrevoir" que ela me deu quando quebrou o colar. Que ela deu ao nosso casamento... ...Faz quase dois meses, exatamente 6 semanas.
Wolverine: Ela não te deu "adeus", ela agiu de forma sensata. Você sabe que ela gosta de você, não daria um fim assim tão fácil. Mas até que seria bom Vampira dar um adeus a isso tudo. Desde o início, eu disse que essa história maluca não ia dar certo. Só serviu pra perturbar mais a cabeça de vocês dois. Vai ser sempre assim, né, cajun? Vocês dois não aprendem. Isso só ferra mais com aquela cabeça biruta da Vampira. Pára pra pensar no quanto aquela garota deve ser perturbada com tudo isso. Deixa ela pra sempre, cara. Vai fazer tão bem pra saúde mental dela, deixa a guria esquecer tudo. Eu gosto muito dela, quero ver essa menina feliz. Isso vai te fazer bem também. Principalmente você, que pode ter realmente alguém. Então tente ter alguém. Ou fique sozinho, mas um sozinho convicto e não um cara que chora pelos cantos!
Gambit: Mon ami, você está sugerindo que Vampira e eu façamos a mesma coisa que você, non? Esquecer, para viver bem. Digamos que você esteja vivendo bem assim ha anos. Mas seja sincero, realmente esqueceu?
Wolverine: Eu não sei do que você está falando, Gambit.
Gambit: Considero isso como um: "Não esqueci, Gambit. Penso nela e forço a esquecer."
Wolverine: Cara, tú tá por fora. Não sabe de nada da minha vida!
Gambit: E quem sabe?
Wolverine: E quem sabe da tua?
Gambit: ...
Wolverine: Eu realmente esqueci a Ruiva, cajun. E se não tivesse esquecido, seria uma prova de que vivo melhor do que você. Se eu ainda gostasse daquela Ruiva, mostraria que eu não sou um sentimentalóide fraco como você. Porque ela mora na mesma casa que eu, dormindo com um besta qualquer, que ela acha cheio das virtudes. Queria ver você morando na mansão, vendo a Vampira passear pra cima e pra baixo com outro cara. Só pelo fato dela ter dado esse tempo, já te fez fugir como um cachorro com o rabo entre as pernas.
Gambit: Cada um ama em intensidades diferentes, mon ami.
Wolverine: Seja forte, homem. Tenha força para esquecer, e olhar para ela todo dia e dizer: esqueci. Se ficar fugindo não vai ter certeza se esqueceu. Sei que não sou exemplo de vida, mas faz que nem eu que toco minha vida. Quem sabe não encontro alguém que eu goste muito mais do que já gostei dela? Do que "já gostei" dela, porque eu esqueci.
Gambit: Encontrar aqui nesse bar? Bem frquentado por essas escorts da vida?
Wolverine: Não sou igual a você, Gambit. Movido a intensa busca de romance. Olha pra minha cara: se eu encontrar alguém, vai ser legal. Se não encontrar, dane-se! Quem disse que eu estou procurando nesse bar nojento? Tú sabe que eu nunca procuro!
Gambit: Por falar em mulher, tem duas olhando pra nossa mesa.
Wolverine: Viu? Só falar no diabo que ele
aparece. Disfarça, finge que nem viu, elas gostam disso.
Jaqueline: Oi... Dois gatos numa mesa, o consumo de leite aqui deve ser elevado.
Wolverine: Leite de cevada.
Jaqueline: Hum... É o mesmo leite que a gata aqui bebe.
Jessica: E você, grandão? Tá indo no mesmo leite?
Gambit: Non, estou bebendo wisky.
Wolverine: É, liga não. Ele hoje tá igual a um fresco. Mas isso não é o normal dele.
Jaqueline: Podemos sentar?
Wolverine: Se tiver espaço...
Jaqueline: Ah, sempre tem.
As duas sentam. Jaqueline, uma loira de cabelo longo e quase enrolado senta ao lado de Wolverine. Jessica, uma loira de cabelo bem liso escorrido, senta ao lado de Gambit, e apoia o braço nos ombros largos dele. Gambit tira o braço dela de cima dele e se afasta um pouco.
Gambit: Pardon, ma petite. Mas eu viajei para região de praia e estou muito queimado.
Wolverine: É mentira dele. Ele tá de muita frescura hoje.
Jessica se sente rejeitada com a aproximação inicial
que teve com Gambit. Ela olha para Jaqueline que faz uma cara de "não
desista".
Jessica: Nossa, mas esse seu sotaque francês é uma loucura! "Ma petite"!
Gambit: Oui. É o que dizem.
Jaqueline: Bom! Mas nós nem nos apresentamos. Meu nome é Jaqueline e essa é minha amiga Jessica.
Gambit: Claro! Com certeza esses são os "verdadeiros nomes"!
Wolverine: Tú também não sabe o "verdadeiro nome" da sua mulher. Dá no mesmo.
Gambit solta o ar profundamente, até o copo de wisky chegou a se esquentar um pouco, quase foi energizado. Ele levanta e tenta sair da mesa.
Jessica: Ei! Não! onde você vai? Fica aqui. Não tem importância que você seja casado. A maioria aqui é, não é mesmo Jaqueline?
Jaqueline: Com certeza, a maioria é casado e tem até filhos.
Wolverine: É, mas esse aí é um cara em processo de separação.
Jaqueline: E esses são a maior parte dos casados que nos procuram.
Gambit: Non. Engano seu. Ninguém aqui procurou vocês. Vocês é que vieram a nossa mesa.
Logan fica realmente espantado com as atitudes de Gambit.
Wolverine: Olha só, eu sei que parece, mas ele não é gay. Ele já soube como frequentar esse bar de formas melhores.
Jessica: Bom... Mas o que é que vocês fazem da vida?
Wolverine: Nada muito glorificante, garota. Melhor não saber.
Gambit: Eu roubo, por exemplo.
Wolverine: Olha só, cajun, se tá realmente querendo mandar a garota embora, não precisa ficar falando todas essas idiotices!!!
Jessica: Não! Pode deixar, eu me interessei. Conta mais!
Wolverine: Ele não rouba nada, garota. Melhor tú não cair na conversa desse cara. É sempre muito nociva aos corações femininos.
Jessica: U - A - L !!! Vai roubar meu coração, francês?
Gambit: Non, ma petite. Você é uma profissional. Tenho certeza que não vai se deixar levar pela "minha conversa". Pardon, mas eu realmente tenho que ir.
Gambit se levanta da mesa, Wolverine segura o braço dele.
Wolverine: Que merda é essa de "profissional"?!
Virou pastor de igreja agora, é? Teu passado com profissionais e não
profissionais não te permite toda essa pose de lorde, cajun!
Gambit: Eu sou um homem casado, Wolverine. É isso que me permite qualquer pose. Tchau.
Wolverine: Tá! Vou tentar acreditar nessa sua lorota!
Gambit vai embora. Jaqueline e Jessica ficam meio sem jeito na mesa. Principalmente a Jessica que ficou sem cliente. Wolverine tenta quebrar o gelo.
Wolverine: Esse cara é inacreditável! Beijo a trabalho não é traição, mas beijo de folga é traição! Garotas, desculpa essa cara aí. Ele nem sempre foi assim.
Jessica: Ah, tudo bem. Eu entendo, ele ainda deve gostar da esposa.
Wolverine: É só na cabeça dele que ele é casado. Acreditem!
Jaqueline: Mas sabe, é na cabeça da gente mesmo que realmente conta esse tipo de coisa. Não sei qual é o caso do seu amigo... Mas quando a gente tem na cabeça um compromisso com alguém, isso é o que basta para sermos fiéis a ela.
Jessica: Normalmente os caras que procuram a gente têm um compromisso com alguém num anel que fica em um dedo da mão esquerda. Mas eu acho que na cabeça deles, eles não são casados...
Wolverine reconhece que as "profissionais" até
que pensam de forma muito mais lúcida e ética que muita gente que se diz
honesta por esse mundo afora. Ele pensa que Vampira sempre teve um compromisso
na cabeça dela com o Gambit. Nada nunca concretizado,
mas na cabeça dela aquele amor e compromisso existiam. Assim como existiam na
cabeça do Gambit. E mesmo assim, Vampira se deixou levar pela conversa do
Joseph. Será, então, que na cabeça dela, ela não se sentia comprometida com
o Gambit? Não teria isso sido realmente muito desonesto da parte dela?
Wolverine se lembra que o caso de Vampira é muito diferente de todos os outros.
O caso de uma intocável que encontra alguém imune a seus poderes deve ser
analisado de forma única. Ele só imagina o que ela sofre com isso, nunca terá
a real certeza, não pode julgá-la. Mas isso já faz mais de um ano e meio, e
Wolverine não quer mais se lembrar. Foram tempos difíceis.
Jaqueline: É, mas nós vivemos desse tipo de desonestidade, não é mesmo, Jessica?
Jessica: Claro. Se o mundo fosse lindo, eu teria que ter outro emprego! Mas eu sempre espero um castigo divino para esses safados que vêm aqui! Claro, o castigo só pode vir depois que eles me pagarem.
Wolverine percebe agora que elas não são tão lúcidas
assim. Reconheceram o que seria
a real fidelidade, mas nutrem a infidelidade e a desonestidade com ansiedade,
com a intensão de pagarem a conta de luz e água no final do mês. Falam em
castigo divino, mas é sabido que a maioria dos desonestos do mundo não recebem
nunca um castigo pelo que fizeram, nem divino, nem terreno. A injustiça,
infelizmente, impera no mundo em todos os assuntos. Inclusive no preconceito que
ele, mutante, e outras muitas minorias sofrem diante dessa humanidade burra e
idiota! Mas ele considera que a pobre da Vampira teve um castigo. O que para
muitas seria uma bênção, para ela foi horrível: ficar grávida. Não ficar
grávida seria esconder o que aconteceu para todo o sempre. Esconder significa
reconhecer um ato falho. Ela, então, se considerava desonesta pelo que fez. Não
pelo que fez com ela, era óbvio que ela tinha gostado; mas o que isso causaria
nos sentimentos do Gambit. E principalmente, o que isso casuaria nos sentimentos
que ela sentia pelo Gambit: um abalo profundo. Engraçado, se fosse pela lógica
do Gambit ela poderia ter dito a ele que foi para cama com o Magneto " a
trabalho", que não estava se "divertindo". Só o Gambit mesmo
para criar esse tipo de definição maleável de fidelidade e traição, maleável
sempre quando diz respeito a ele, obviamente. E o pior é que ele realmente se
considera o mais fiel a ela e aos seus sentimentos por ela, porque ele só fica
com outras pela rua por "necessidade", como se ele não pudesse
encontrar outro emprego mais digno! Mas gambit não seria Gambit se fizesse isso.
Gambit vai andando pelas ruas escuras, começa a chover uma garoa fria. Ele vai pensando em tudo o que Wolverine disse, também pensa em quanto tempo já não vê Vampira. E de repente ele a vê! Levanta os olhos e bem na sua frente está ela! Era um enorme outdoor com Vampira de maiô em uma cachoeira! Ele não acredita no que vê! E também não gosta do que vê, principalmente quando passam outros caras pela rua olhando babando para o outdoor. As vezes um ou outro fazia algum comentário, ele teve vontade de rasgar em pedacinhos aquela enorme foto. "Por que corpo de mulher para vender água mineral?" Ele pensa em encontrá-la sem ter que marcar um encontro, queria algo casual, e sem ter que ir na mansão. Resolve, então, entrar no site da empresa de água mineral do outdoor e perguntar qual é a agência da modelo da foto. Ele apareceria por lá e tentaria encontrá-la.
No dia seguinte, Gambit consegue no site da empresa de água mineral o endereço da agência onde Vampira estava inscrita. Ele resolve ir lá no mesmo dia.
Gambit: Bon Jour. Estou procurando uma... modelo chamada Clarisse LeBeau.
Secretária: A Chata?
Gambit: Pardon?
Secretária: Sei, querido. Você tá procurando uma garota com uma mexa branca no cabelo. Só vem aqui amanhã buscar o segundo cachê dela. Parece que o comercial de água mineral vai além dos outdoors, para algumas revistas.
E qual não é a surpresa de Gambit? Não encontra vampira, mas encontra a garota de programa da noite anterior, Jessica.
Jessica: Oi! lembra de mim?
Gambit: Non.
Jessica: Não?
Gambit: Oui, claro que lembro. De ontem a noite. Você também é modelo?
Jessica: Eu tento... Tá procurando alguém em especial, ou também tá afim de virar modelo?
Gambit: Escuta, não tô afim de bater papo com você. Só quero saber de uma coisa, você conhece uma garota com uma mexa branca no cabelo?
Jessica: Quê que é? Agora que você me viu aqui tá achando que todas as modelos são garotas de programa nas horas vagas? Tá achando que essa sua amiga tem amizades como eu, ficou curioso?
Gambit: Escuta, quem eu me refiro não poderia nunca ter a mesma profissão que você, acredite. Ela não gosta muito de encostar nas pessoas.
Jessica: Então tá me perguntando se eu conheço ela por que?
Gambit: Porque eu queria que você entregasse uma coisa pra ela amanhã de manhã. Conhece ela pelo menos de vista daqui?
Jessica: Tá certo, tá certo. Eu conheço essa garota sim. É essa que é sua mulher que não sai da sua cabeça?
Gambit: Ela é minha irmã.
Jessica: Tá bom. Eu entrego o que você quiser pra sua irmã amanhã. Não é droga não, né?
Gambit: Non. É só um bilhete.
Gambit escreveu um bilhete que dizia: Mon couer, amanhã as 5 das tarde no restaurante Le Bistrô.