Eram 5 da tarde, como o combinado no bilhete de Gambit para Vampira. Le Bistrô não estava muito cheio, Gambit esperava na mesma mesa que sempre gostou de sentar. Uma mulher se aproximou por trás, colocou a mão no ombro dele e depois falou bem pertinho do ouvido.

Jessica: Oi. Você está treis beau. Bonito mesmo.

Gambit leva um susto e fica boquiaberto vendo Jessica sentar na cadeira a sua frente e pedir um ice tea de limão para o garçom.

Gambit: Posso entender o que está acontecendo aqui?

Jessica: Ué! Você não combinou aqui hoje as 5 horas? Eu vim!

Gambit: O bilhete não era pra você, eu disse que era para minha...

Jessica: "Irmã". Eu já sei. Escuta, não nasci ontem não. Ninguém escreve um bilhete daquele pra uma irmã. Aquela estranha de mexa branca no cabelo deve ser realmente sua mulher, mas como você está me devendo uma, eu resolvi vir no lugar dela pra que você não me deva mais nada.

Gambit: Eu vou ficar te devendo até esse ice tea, que quem vai pagar é você. Tchau, arrevoir!

Jessica: Ei! Minha caixinha!

Gambit: Pardon?

Jessica: Se você quer ir embora, tudo bem. Mas devolve minha caixinha que você pegou na minha bolsa!

Gambit: Do que você está falando?

Jessica: Estou falando que eu não nasci ontem! Minha caixinha, cara!

Gambit: Você é louca!

Jessica: Eu ganhei esse cordão de ouro ontem de um cliente, você não vai levar! Devolve minha caixinha com o cordão!

Gambit senta de novo na frente dela na mesa. Fica lá, parado, olhando pra ela com uma cara de quem tem pena dela por ser completamente maluca. Depois dá um sorriso maroto e pega a caixinha dentro de um dos bolsos de seu sobretudo.

Gambit: Pardon, ma belle. Nunca imaginei que você fosse perceber.

Jessica: É, mas eu percebi. Você faz isso sempre?

Gambit: Tinha parado por bastante tempo. Resolvi voltar. Isso me faz mais vivo, é como um hábito gostoso.

Jessica: Olha, se você é cleptomaníaco, é só procurar um especialista.

Gambit: Non, belle. Não sou cleptomaníaco, nunca roubo dos meus amigos, ou de qualquer conhecido. Não é um vício, nem um descontrole. É sempre totalmente controlado e planejado. É um trabalho.

Jessica: Ah tá! Então você é ordinário mesmo e não nega... Entendi.

Gambit: E você é uma santa!

Jessica: Não sou santa. Mas a minha profissão não é crime. Eu faço o que eu quero com meu corpo e nunca engano ninguém. Já você... usa o que é dos outros e sempre engana. Desculpa bonitão, mas quem não presta aqui é você!

Gambit: Eu não presto, mas você também não é santa. Não é muito bem visto uma mulher ficar transando com vários por dinheiro.

Jessica: Jura? Quem te disse isso? Sua vovó?

Gambit: Meus julgamentos.

Jessica: Ah tá. Os mesmos julgamentos que avaliam sua ética "profissão". Entendo... Acho que agora vou até repensar minha vida!

Gambit: Qual seu nome?

Jessica: Jessica, não lembra?

Gambit: Seu nome, ma belle. Nome, e não esse codinome das suas noites de porpurina.

Jessica: Karen. E eu não sou drag queen pra ter noites de porpurina!

Gambit: Olha, Karen. Meu nome é Remy.

Jessica: Remy, que nome horroroso!

Gambit: Merci. Sabe, "Karen, a maldita" era um filme de terror muito legal! Eu acho que se você quiser um nome que te faça conseguir mais clientes, "Jessica karen" ia ficar ótimo! Dá um ar maior de prostituta.

Jessica: Você é ridículo!

Gambit: Mas escuta, Jessica Karen, como eu disse, meu nome é Remy. E nesse cartão aqui está o endereço do meu novo apartamento. Eu quero que você o entregue para a moça de mexa branca no cabelo. E dessa vez, eu espero encontrá-la e não ter de encontrar você de novo.

Jessica: O que te faz pensar que eu entregaria esse cartão?

Gambit: É que sua caixinha está de novo comigo!

Jessica: Seu cretino! Me devolve agora!

Gambit: Calma, ma belle. Quando a moça da mexa branca aparecer no meu apartamento, eu te devolvo a caixinha.

Jessica: Eu é que vou no teu apartamento pegar isso de volta! Por que você não faz um amigo seu marcar um encontro com ela? Um amigo que fosse seu e dela ao mesmo tempo!? Por que eu?

Gambit: Porque eu não quero que ninguém saiba que eu fui procurá-la.

Jessica: Por que?

Gambit: Arrevoir, chere. Depois eu devolvo a sua caixinha. Estou atrasado pra um jantar de negócios.


Enquanto isso na mansão...

Jubileu: Oi, Jean! Cheguei pra dizer oi pra vocês, matar minhas saudades e dizer que as vezes a Rainha Branca é uma chata.

Jean: Olá, Jubileu! É sempre agradável ter você aqui. Wolverine vai ficar feliz.

Jubileu: É, eu sei. Muito melhor aqui do que lá. Rainha Branca me deu uma bronca porque eu quebrei um vídeo cassete.

Jean: Nossa, Julibeu! Não pensei que você ainda quebrasse aparelhos domésticos... Quando você ainda morava aqui você já tinha aprendido a como evitar isso...

Vampira estava passando pelo corredor para ir para cozinha. Não chegou a ver que Jubileu havia chegado.

Jubileu: Oiii! Vampira! Modelo!?

Vampira: Oi, Jubi! Nem te vi aí! Desculpa...

Jubileu: Mas eu te vi num outdoor enorme numa rua! Ual! Modelo! Sempre quis ser modelo, mas sou muito baixinha!

Vampira: Já eu, desisti da idéia idiota, Jubileu. 

Jean: É, Jubileu. Pelo que a Vampira me contou, eles nunca mais vão chamá-la para tirar foto nenhuma.

Vampira: Nem que me chamassem, eu não iria! Foi uma péssima idéia! Fui lá hoje pela última vez só para pegar um segundo cachê. Parece que essas mesmas fotos também serão colocadas em algumas revistas de saúde e "viva bem". E Jean?

Jean: Sim?

Vampira: Olha que esquisito! A secretária nojenta disse que "um cara" foi me procurar lá na agência ontem. Mas que acabou deixando um bilhete com uma das outras garotas. Uma tal de Karen.

Jean: Talvez, alguém tenha gostado do outdoor e está querendo te fazer alguma proposta.

Vampira: Só quero ver  a proposta! Se for alguma coisa libertina eu vou quebrar a cara do safado!

Vampira é interrompida porque seu celular toca. Era uma ligação da agência.

Vampira: Alô?

Jessica: Clarisse?

Vampira: Quem fala?

Jessica: É a Karen, da agência. Não sei se você lembra de mim, a gente só se viu poucas vezes.

Vampira: Ah, tá. Lembro.

Jessica: Olha, um cara me pediu pra te dar um recado.

Vampira: Tô sabendo.

Jessica: Ele me disse que não queria que ninguém mais soubesse. Deve tá com vergonha, sei lá... Por isso pediu que eu te desse o recado.

Vampira: Fala logo!

Jessica: O nome dele é Remy. Ele disse que gostaria de te ver nesse endereço: Rua 57 número 4, Brooklin. Apartamento 3.

"Jessica" Karen desliga o telefone. Vampira fica meio espantada e atordoada. Faz tanto tempo que eles dois não se falam. Desde que ela quebrou o colar, eles nunca mais nem se viram. O que será que ele quer? Estranho...

Jean: Quem era, Vampira?

Vampira: Uma... moça da agência. ... Ela... Tava me parabenizando pelas fotos. Ela também viu e gostou.

Jubileu: Eu não disse que a foto tava demais!? Muito legal! Show demais! Agora, vocês querem saber da maior?

Vampira: O que?

Jubileu: Quando eu tava entrando aqui na mansão o Fera tava saindo pra ir na casa da Trish. Ele mal me disse oi, já saiu pelo portão e me entregou esse envelope. E disse: "Pequena, Jubileu, não poderei ir hoje a noite nesse concerto. Vá você com quem quiser, irá enriquecer sua vida cultural"

Jean: Ah! Deve ser a nona de Beethoven que ele tinha comprado o ingresso ha uma semana para ver lá no Metropolitan. Nossa! Ele deve estar realmente ocupado para não querer ir... E deve ter sido caro.

Jubileu: Pois é. Não tô afim de ir. Deve ser chato. Tem 4 ingressos aqui pra quem quiser.

Jean: Como assim você não quer ir? A nona de Beethoven com a orquestra do Metropolitan e você recusa, Jubileu? Vampira?

Vampira: Também não quero ir, Jean. Não faz muito a minha cara...

Jean: Nossa! Vocês são loucas!

Jubileu: Escuta, vou deixar vocês aqui. E também deixar esse envelope aqui na mesa. Tô indo lá dentro encontrar o resto do povo. Tchau, beijocas!

Jean: Vamos, Vampira? Vai ser legal! Vamos eu, você o Scott e a Tempestade.

Vampira: hum.... Tá certo. Eu vou. Mas acho que vou me arrepender...


Enquanto isso, "Jessica" Karen vai visitar um conhecido numa delegacia.

Jessica: Oi, Ed.

Edward: Oi. Como é que vocês estão indo?

Jessica: Olha, a Jaqueline desistiu logo no primeiro dia. E olha que tava muito mais fácil pro lado dela. Pra mim tá sendo carne de pescoço!

Edward: Não se preocupe. Eu estudei muito esse rapaz. Ele não vai resistir muito tempo a você. Ele tem muitas, por que não iria querer você também?

Jessica: Sei, lá. Mas olha, suas suspeitas estavam certas. Esse cara não é limpo.

Edwrad: Ah! sabia!!! Nenhum deles é limpo, Karen! Nenhum! São a escória do mundo!

Jessica: Fala baixo que tem um guarda do seu lado. Ele rouba, tá bem sujo. Me levou um cordão, acredita? Mas eu consegui um endereço dele. Posso ir lá e revistar tudo.

Edward: Eu quero que você se torne próxima dele, pra conhecer todos os podres de todos eles. Se ficar difícil demais com esse cara, tente com o outro que você disse que tava mais fácil.

Jessica: Não, pode deixar. É uma questão de honra. Afinal, eu sou uma profissional e foi por isso que você me contratou. Sem contar que o outro cara era mais fácil de conseguir, mas ele parecia muito violento. Mais arriscado.

Edward: Você é quem sabe, Karen. Mas faça tudo isso direito. 

Jessica: Quando vai ser o julgamento?

Edward: Em breve, Karen. A MEHSS precisa de você. E trate de convencer a Jaqueline a voltar pro trabalho dela. Tem sido fácil conciliar seus outros clientes com essa tarefa que eu te dei?

Jessica: Diminuí o ritmo, né, Ed?! Tinha um executivo que de uma outra vez me pagou super bem, que me chamou pra um jantar da empresa dele. Sabe esses jantares que eles precisam ir acompanhados, ne? Não vou poder ir. Tenho que ficar em função da vida desse francês.

Edward: Não se preocupe, Karen. Vou te pagar bem por tudo isso. Lembre-se que nós precisamos dos podres deles para podermos usar no julgamento. Preciso saber das ilegalidades deles para ser mais um peso contra os mutantes nesse maldito julgamento.  E na elaboração de uma futura lei de esterilização desses monstros! Se intere de tudo. Pode deixar, tem gente do governo mexendo já os pauzinhos deles. Esse julgamento vai ser mole. E com sua ajuda, tudo vai ficar ainda mais fácil.

Jessica: Tô sabendo que tem gente do governo nessa. Logo vi que vocês da MEHSS não iam ter dinheiro pra fazer aqueles tais homens de lata! Escuta... Foi o tal francês que fez isso com sua boca, ne?

Edward: Não te interessa, Karen. Faça o que você tiver que fazer apenas.

Jessica: A mulher que você seqüestrou era mulher dele, ne? Conheci ela...

Edwrad: Conheceu???

Jessica: Modelo, na mesma agência que eu!

Edward: É prostituta também? Como? Ela ainda está com o colar?

Jessica: Que colar? Do que você está falando? Não... aquela dali não é garota de programa não... Não parece, pelo menos. Pô! Vocês acham que tudo quanto é modelo fica se vendendo por aí. Eu não sou a regra não! Vocês têm preconceito contra modelos também?

Edward: Desculpa, Karen... Mas você disse que ela era "modelo na mesma agência sua". Pensei que fosse na tal outra agência. 

Jessica: É, mas ela é da agência que só te arranja trabalho de fotos. Nenhum trabalho de transa. Entendeu?


Chegava a noite. Tempestade, Jean, Scott e Vampira estavam quase prontos para irem ao concerto no Metropolitan. Vampira mesmo pronta ainda hesitava em ir...

Tempestade: Estou bonita, Vampira?

Vampira: Pô, Tempestade! Não precisa nem perguntar. Você está sempre linda. Uma Deusa! Ficou linda nessa roupa! Azul fica sempre legal em você. Lilás também.

Tempestade: Obrigada, criança. Você é adorável e também está muito bonita.

Vampira: Valeu, amiga. Olha, Tempestade, que tal você dar o meu ingresso pro Forge. Aí vão dois casais. Melhor, né?

Tempestade: Não, criança. Forge não poderá ir. Ele está ocupado.

Vampira: Alguma coisa me diz que você ainda evita esse cara.

Jean: Estamos todos prontos, vamos?

Wolverine: Quer dizer que vocês vão lá pra Manhattan pra ouvir um concerto chato? Putz, vocês são corajosos! Né, Jubi?

Jubileu: São, mesmo!

Scott: Vocês é que não sabem o que estão perdendo. Tenho pena de vocês.

Wolverine: Não preciso da sua peninha não, pequeno príncipe.

Jean sorri. Era primeira vez que ela ouvia Logan chamando seu marido de pequeno príncipe.

Scott: Wolverine, guarde suas gracinhas para outras pessoas. Tchau para todos. Ah! E Wolverine? Pequeno aqui é você, eu tenho mais de um metro e noventa; enquanto que você não chega a um metro e setenta.

Já no Metropolitan, todos se encantam com a beleza do teatro. Todo de vidro por fora e todo iluminado. Suas escadarias com tapetes vermelhos também impressionavam. Vários ricaços andavam pelos corredores próximos aos melhores lugares, e outras pessoas de não muita renda andavam com o amor pela música no coração, estivessem sentadas em qualquer lugar que fosse. Vampira estava impressionada com tudo. Era a primeira vez que entrava no Met. Quando chegaram a seus lugares, se encantaram com o tamanho de palco e o enorme número de músicos que faziam parte da orquestra. Além de um coro de homens e mulheres lá no fundo do palco. Os sons da orquestra afinando seus instrumentos é sempre muito encantador, tem algo de mágico naquela não-música, naqueles sons desconexos e relaxantes. O melhor é reconhecer no meio daqueles sons um instrumento que esteja realmente tocando uma parte da obra a ser ouvida. Nem que seja um rápido acorde da obra, é sempre mágico. Os três sinais tocaram avisando que o espetáculo começaria. As luzes se apagaram. E o brilhantismo de Beethoven invadiu os sentimentos de todos no teatro. Era simplesmente maravilhoso. A Deusa Tempestade sabe o quanto a música também faz parte dos campos divinos. Como alguém poderia negar um convite para ver e ouvir Beethoven? Como? Naturalmente porque ainda não está preparado para ouvir o canto dos Deuses, para ouvir pelos poros do corpo e chorar com algumas passagens. A impressão que temos é de que a música preenche todo o nosso corpo, não sobrando mais espaço para as nossas almas; é como se nós quiséssemos sair do corpo já completamente tomado pela música!

Vampira: Jean, isso é lindo. Eu estou adorando!

Jean: Eu sei. Eu senti isso em você. Mas vamos ficar quietinhas e continuar ouvindo a Ode a Alegria do nosso amigo Beethoven. A boa música realmente pode nos encantar, Vampira.

Vampira: Só de pensar que esse homem compôs isso totalmente surdo!

Depois do segundo movimento, os músicos pararam de tocar e foi dado um intervalo de 20 minutos. Tanto para os músicos como para os ouvintes. As pessoas começavam a se levantar para irem ao banheiro ou para comprarem alguma coisa para beber. Tempestade chamou Vampira para ir ao banheiro com ela. Jean e Scott continuaram sentados em seus lugares.

Tempestade: Vampira, não sei quanto a você, criança, mas eu simplesmente estou amando esse concerto.

Vampira: Eu também, pensei que fosse odiar e estou adorando. Mostra a minha completa ignorância pelo o que é bom de verdade. Você viu como o spala da orquestra é o maior gato?

Tempestade: O único violinista em pé? Aquele que fica do lado esquerdo do maestro?

Vampira: É, o violino principal. Ele não era gato?

Tempestade: Olha, querida, estávamos um pouco longe. Mas ele me parecia bonito sim, com uns jeitos do Gambit. Não parecia?

Vampira: Ah... Isso eu não reparei. Parecia com ele é? Acho que não... Gente! Essa fila do banheiro que não anda!

Tempestade: É que tem muitas velhinhas alí dentro, Vampira. Tenha calma. Po enquanto a gente pode ficar aqui no corredor vendo as pessoas e as lindas roupas que cada um usa!

De repente Tempestade fica imóvel. Com um olhar fixo no nada. Uma cara muito estranha que ela fazia, de extremo espanto. Vampira não entende nada.

Vampira: Que foi, Tempestade? Viu fantasma?

Vampira resolve olhar pra trás para saber o que Tempestade tanto olhava. E quando ela se vira, encontra Gambit quase na sua frente! Gambit estava acompanhado de uma mulher que estava tão abraçada com ele, que mais parecia estar pendurada no seu pescoço. Ele olha para Tempestade e Vampira com uma cara de quem não sabe o que dizer. Vampira olha pra ele com uma cara de quem não sabe o que pensar. Depois Vampira olha para cara da mulher e também não sabe o que pensar. Está atordoada. O silêncio entre os 4 paira no ar por alguns longos instantes.

Gambit: ...

Tempestade: ...

Vampira: ...

Tempestade: ...Olá, Gambit! Estávamos preocupados com você. Que bom que nos encontramos...

Gambit: Oui. ... Pardon por meu sumiço. Não quis preocupar ninguém....

Vampira: ...

Tempestade: ...

Gambit: ... É... Valquíria, essas são minhas conhecidas: Ororo Munroe e Clarisse. E essa é Valquíria.

Tempestade: ... Olá, pequena.

Valquíria: Oi! Tudo bem? Estou encantada, vocês duas são lindas!

Vampira: ...

Tempestade: Pela Deusa! Já está no hora de nos sentarmos de novo. Vamos, Vampira. Adeus, Gambit.

Gambit: Arrevoir, ma belles. 

Gambit se afasta delas. Tempestade vai levando Vampira de volta para seus lugares.

Tempestade: Vampira? Tudo bem com você?

Vampira: Não. Não está tudo bem... Mas eu não me importo mais, Tempestade. Não posso mais me importar, pelo menos. Nosso relacionamento acabou definitivamente. Não podíamos mais continuar naquela situação. É bom que ele encontre outra pessoa e seja feliz. Porque eu também vou ser feliz do meu modo. Feliz da forma que minhas impossibilidades me permitem. Viver daquela forma que a gente vivia não era sadio.

Jean: O que aconteceu com vocês duas? Estou sentindo uma energia tão pesada vinda de vocês...

Tempestade: Não foi nada. Vampira se sentiu um pouco enjoada e pensou em voltar para casa. Mas já está melhor.

Vampira: É, eu vou ficar até o final.

Jean: Bom, não me parece verdade. Mas eu vou tentar acreditar.

Chegando na mansão, Wolverine, o único ainda acordado, percebe que o clima não estava bom.

Wolverine: Pela cara de alguns de vocês eu já percebo que o tal concerto foi uma merda. Como eu disse que ia ser.

Scott: O concerto foi maravilhoso. Parece que Vampira passou um pouco mal. Apenas isso. Vamos para o quarto, Jean?

Tempestade: O concerto foi realmente muito bom, Wolverine. Mas nós tivemos uma surpresa desagradável. Vimos Gambit com outra mulher.

Wolverine: Ah! Foi isso???!!!

Tempestade: Shiii... Fala baixo.

Wolverine: Todo mundo já subiu. Não tenho que falar baixo. Vampira também subiu com Jean e Scott.

Tempestade: Mas fala baixo, porque a pobrezinha ficou muito triste. Apesar de não demonstrar muito, eu sei que ela ficou muito triste.

Wolverine: Ih!!! Diz pra ela desencanar! O Gambit não estava com outra. Ele estava a trabalho.

Tempestade: Como assim?

Wolverine: Essa mulher que você viu é só uma vítima, ele vai roubá-la. O dinheiro que ele gasta levando ela ao teatro e depois para jantar, ele ganha em triplo dependendo do que ele roube dela! Hahaha! Gambit não presta! Que romantismo sacana só pra depois roubar a mulher! Levá-la ao teatro Metropolitan! Hahaha! Ah, ele não presta...

Tempestade: Você parece feliz. Parece que apóia essa forma infeliz de Gambit levar a vida. Ferindo os outros.

Wolverine: Não. Não apóio. Mas é que eu acho admirável essa habilidade de ser canalha que ele tem! Como é que ele consegue enganar tantas mulheres? Essa deve ser realmente rica e difícil de roubar. Ele teve até que levá-la ao teatro, minha nossa! Hahaha! Tomara que ele não consiga e saia no prejuízo para aprender! Hahaha!

Tempestade: Wolverine, então ele leva essas moças para um teatro, depois para jantar para poder roubá-las?

Wolverine: Sei lá, acho que é isso mesmo... Ai, ai, que comédia! 

Tempestade: Diga a ele, que se depois de tudo isso, ele ainda as levar para a cama para poder roubá-las, ele estará usando o corpo para conseguir dinheiro. É uma forma indireta de prostituição.

Wolverine: Ele me garantiu que com essas ele não transa! Mas quem pode realmente acreditar num cara desses? Ai, ele ainda me mata de rir...

Tempestade: É melhor você para de rir, Wolverine. E encarar isso como uma coisa séria.

Wolverine: Eu já encarei. mas ele não tem jeito! Encasquetou que não quer mais morar aqui, para não ter que ver a Vampira todo dia. E resolveu viver com o próprio dinheiro. E a única forma dele fazer dinheiro é roubando. Ele não deve fazer isso só com mulheres não! Se duvidar ele rouba casas de ricaços na calada da noite!

Tempestade: Escuta, vamos fingir que aquela era uma mulher qualquer que ele se sentiu atraído. É melhor do que dizer a Vampira que aquela era um objeto a ser beijado, tocado e acariciado apenas para ser roubado! E quem sabe até mesmo um objeto levado para cama?!!!

Wolverine: Tá certo. Não sei de nada. Não direi nada para a guria.


Amanhece um dia calmo na mansão. Aquele seria um dia de treinamento pesado. Vampira passou quase todo o dia com um olhar vago, fixo no nada. Só Tempestade e Wolverine sabiam exatamente o que ela tinha. Mas Vampira resolveu não treinar naquele dia. O que fez o Professor ficar um pouco frustrado. Vampira saiu, ninguém sabia pra onde. Ela foi na rua 57 no Brooklin. Chegando lá, Vampira encontrou o número 4. Era um prédio antigo. Bem antigo. Gambit estava morando num loft, esses apartamentos enormes que não têm paredes. O quarto, a sala, a cozinha, os corredors, a área é tudo uma coisa só. Apenas o banheiro tinha paredes. Normalmente o aluguel desses apartamentos é mais barato. Apesar dos roubos, Gambit não estava com dinheiro para esbanjar. Ela apertou o interfone no número 3. Gambit atendeu o interfone. E ela disse: Ce moi, Remy. Houve um silêncio do outro lado do interfone. Mas que não durou muito, ele logo abriu o portão. O prédio só tinha 3 andares, e não tinha elevadores. Gambit morava no terceiro andar. Quando ela subiu todos os lances da escada, encontrou a porta aberta. Gambit estava sentado num sofá próximo à porta. Ela entrou, fechou a porta e ficou em pé olhando pra ele. E ele olhando para o chão. Já era de tardinha, a apartamento estava escuro, só com a luz da TV (sem som) ligada.

Vampira: Oi.

Gambit: Oi... Senta.

Ela antes de sentar, abre a bolsa e pega um pequeno cartão.

Vampira: Eu vim aqui te entregar uma coisa que me deram. É um cartão de uma tal de Vera de uma confeitaria, tá aqui o telefone dela. Ela disse que você é um cara difícil de esquecer.

Gambit aperta bem os olhos fechados com os dedos. Morde os lábios e olha pra ela com água nos olhos.

Gambit: Sério? A Vera te disse isso? Legal, faz um favor pra mim? Joga esse cartão fora. Quem é Vera?

Vampira: Pois é, quem é Vera? Não conhece a confeitaria Pão de Mel?

Gambit: Eu juro que não lembro quem é essa mulher. Não faço a menor idéia do que você está falando.

Vampira: Tudo bem, Gambit. Eu não me importo mais. Só vim aqui te entregar esse cartão porque ele estava queimando na minha bolsa. É bem possível que você não se lembre mesmo dela. São tantas! Mas a de ontem no teatro você ainda deve lembrar!

Gambit: Olha, essa mulher de ontem eu posso explicar. Foi uma surpresa você ter vindo aqui hoje. Eu não sabia que a Karen teria te avisado tão rápido que eu queria conversar com você. Foi uma enorme surpresa te encontrar no Metropolitan também.

Vampira: Gambit, eu realmente só vim entregar o cartão. Estou indo embora.

Gambit: Non! Fica, por favor. Nem que seja para me insultar, para me xingar. Fica, por favor.

Ela senta numa outra poltrona. E olha pra ele.

Vampira: ...

Gambit: Tirando a mulher de ontem, tudo bem com você?

Vampira: Tudo ótimo comigo, até mesmo com a mulher de ontem. Parece que com você também está tudo ótimo.

Gambit: É, só parece mesmo. Parece....

Vampira: Terminou, né, Gambit?

Gambit: Eu não queria. Você terminou.

Vampira: Você entende por que?

Gambit: Entendo, mas não aceito.

Vampira: Eu sei que você não aceita. Afinal, você entende nosso problema desde o princípio, mas nunca aceitou ficar longe de mim. Até que nós chegamos a nos casar! Mas acho que agora você vai ter que aceitar. Eu e você vamos ter que aceitar. Porque eu também fui burra de não aceitar que realmente sou fadada a ser sozinha.

Gambit: Você parece estar aceitando bem fácil e rápido por tudo o que está me dizendo.

Vampira: Você parece estar aceitando mais rápido do que eu com todas as suas moças ajudantes. Elas sempre te ajudam a esquecer alguém, eu imagino.

Gambit: Não é o que você pensa.

Vampira: Eu sei, deve ser pior.

Gambit: ... Não quero te contar. Mas não é o que você pensa.

Vampíra: Não quero que você me conte.

Gambit: ... Imagino.

Vampira: Tá morando aqui por que?

Gambit: Não queria te ver, mon couer.

Vampira: Me chamou aqui então, por que?

Gambit: Je ne sé pa. Te ver sempre me faz te amar mais. Por isso pensei que longe de você fosse mais fácil viver.

Vampira: Então eu posso ir embora.

Gambit: Non. Quero que fique nem que seja só para que eu te olhe.

Vampira: Eu pensei que nós tivéssemos que finalmente aceitar nossas condições. Que tivéssemos que encarar os fatos.

Gambit: Fique, nem que seja só para que eu te olhe.

Vampira: Olhar é tudo o que você pode.

Gambit: Oui, eu sei.

Vampira: Para me olhar apenas, você pode continuar vivendo na mansão, junto com os x-men.

Gambit: Não quero. Não quero mais viver a seu lado sem poder te ter.

Vampira: Então eu vou embora.

Gambit: Non.  Sua companhia me faz bem, belle.

Vampira: Você está confuso, Gambit. Está me confundindo também. Não sei realmente o que você quer. Ora diz uma coisa, ora diz outra e se contradiz o tempo inteiro!

Gambit: Quero você.

Vampira: Gambit, você...

Gambit: Eu sei... Pode ir embora se quiser, amour.

Vampira: Tudo passa, Gambit. Você vai ver. Tudo passa.

Gambit: Se tudo passa, talvez você passe por aqui! Amanhã quem sabe tudo passa? Inclusive você passa aqui!

Vampira sorri amargo.

Vampira: Talvez eu passe, Gambit.

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