Um dia lindo amanhece. Aqueles que foram dormir mais cedo no dia anterior, acabam acordando mais cedo, como Fera. Como já tinha tomado café da manhã sozinho, resolveu sentar-se em um banco do jardim para ler alguma coisa. Quando de repente, vê Gambit do lado de fora do portão da mansão, na rua. Fera vai andando pelo gramado e se aproxima do portão.

Fera: Ora, ora, ora! A que devemos tão honrada visita?

Gambit: Abre o portão pra mim, mon ami?

Fera: Admirável ladrão, por que não exerce um dos lados da sua gatuna profissão e pula o muro??!!

Gambit: Porque essa é a mansão X! Totalmente vigiada por câmeras, se eu pular, vários alarmes vão soar e vários x-men vão acordar prontos para acabarem comigo!

Fera: Humm... Onde está o seu cartão de identificação? Qualquer x-men entra nessa mansão com ele, é só passar na frente dessa luz vermelha que a máquina reconhecerá seu cartão. Não lembra?

Gambit: Dormi fora de casa. O cartão ficou em casa, eu esqueci.

Fera: Sempre dormindo fora de casa! Tesc tesc tesc... Nunca usou o sistema de leitura de retina?

Gambit: Non... Nunca precisei.

Fera: Bom, coloque seus olhinhos vermelhinhos na luz vermelhinha e o portãozinho se abrirá!

Gambit faz o que que Fera diz, e o portão se abre normalmente.

Gambit: Merci, "Flanders". Tenha um "bom diazinho" pra você também.

Fera: Gambit? Vampira... ainda está dormindo.

Gambit: Oui... Eu espero na sala até que ela acorde.

Fera: Veio só para falar com ela, ou veio para ficar de vez? De novo um x-men?

Gambit: Eu não sei de nada da minha vida, Fera. Outro dia eu te respondo isso.

Fera: Nós sabemos o que você tem feito para regular suas economias vivendo fora de casa.

Gambit: Oui, voltei a fazer o que eu faço de melhor.

Fera: É uma vergonha para nós, Gambit... Você não precisa disso. Não precisa mesmo... Essa casa estará sempre aberta para você; e mesmo que queira morar longe, o dinheiro do professor sempre existirá para que você não faça esse tipo de coisa.

Gambit: Quero morar longe e ter meu próprio dinheiro.

Fera: Arranje outra forma mais digna de conseguí-lo!

Gambit: Vou pensar...


Vampira acorda e vai descendo as escadas, quando encontra Gambit sentado no sofá da sala. Ela leva um susto e seus olhos se enchem de lágrimas, mas Vampira finge que nem o vê.

Gambit: Chere?!

Ela continua descendo sem olhar para ele. Gambit corre para a escada e a observa descer os últimos degraus. Quando ela está bem perto dele, ele diz:

Gambit: Preciso te dizer muitas coisas.

Vampira: Não quero que diga nem uma palavra.

Ela se desvencilha dele e vai andando para a cozinha. Gambit vai atrás dela.

Gambit: Je t´aime, mon couer. Você precisa me escutar.

Vampira: Já não disse que não quero que você me diga mais nada? Some, por favor!

Gambit: Eu quero que passe o dia comigo. Vim aqui para te chamar para irmos ao Le Bistrô, sabia que por telefone eu nada conseguiria.

Vampira: Você nada conseguirá de forma nenhuma.

Gambit puxa uma cadeira e senta. Ele olha pra ela e abaixa a cabeça com um ar de : senta, por favor. Vampira continua em pé, com os braços cruzados e com uma cara de poucos amigos. Ele olha para ela de novo e abaixa a cabeça mais uma vez, com um suspiro de " por favor". Vampira também puxa uma cadeira e senta, diante da insistência afônica de Gambit.

Vampira: Que? Vai dizer o que?

Gambit está tremendo um pouco. Ele ajeita o cabelo, pega um cigarro e ascende. Vampira puxa o cigarro dele com raiva e estraçalha ele em vários pedaços.

Vampira: Você sabe que eu odeio cigarro.

Ele não sabe como começar.

Vampira: Escuta, eu não tenho o dia inteiro!!!

Gambit: Non? ... Por que? Vai fazer alguma coisa agora?

Vampira: Eu tenho um julgamento em poucos dias! Tenho muito o que conversar com Forge, Fera e professor! Eles estão conversando com o meu advogado ha dias!

Gambit: Não vou tomar muito do seu tempo, prometo.

Vampira: Ótimo!

Gambit: Tudo o que você viu não é exatamente o que você pensa.

Vampira sorri irônica.

Vampira: Sério? Você tem outro clichê mais velho e mais novela das 8 do que esse?

Gambit: Parece clichê, mas é a mais pura verdade, ma chere.

Vampira: Não parece clichê. É clichê! E é ridículo! Você parece gato que vive na rua! Faz sujeira e volta pra casa todo arranhado querendo carinho! Mas eu vi as gatas que andaram te arranhando, Gambit!

Gambit: Amour, eu... je... je... eu voltei a roubar, é isso! Não tenho mais explodido caixas 24 horas com cartas do meu baralho. Não tenho mais escalado muros de mansões para roubar jóias. Tenho roubado mulheres com muito dinheiro. Tenho seduzido e roubado. 

Vampira: ... Eu sei, Wolverine me contou. Imagina o meu "orgulho" em sabe que você estava roubando!

Gambit: Pardon. Eu não orgulho muito as pessoas mesmo...

Vampira: ... É... roubando e seduzindo! Fiquei "felicíssima"! 

Gambit: Por favor... Seduzido não significa isso o que você está pensando.

Vampira: Ah não?! E o que será que eu estou pensando? Defina "seduzindo".

Gambit: O normal da sedução, Vampira. Não faz isso comigo. Você sabe, seduzindo é seduzindo.

Vampira: Claaaro, e dois é um número e um copo é um objeto. Que espécie de frase é essa? "Seduzindo é seduzindo"?

Gambit: ...

Vampira: ...

Gambit: Eu converso com elas... jogo... jogo char... jogo charme. Eu convido para comer alguma coisa.

Vampira: Você elogia a moça, chama de mon couer, ma chere, mon amour até, quem sabe?! Já percebi também que algumas você leva ao teatro...

Gambit: ...

Vampira: Também percebi que outras você... beija. Beija como nunca me beijou.

Gambit: Non...

Vampira: "Non"?

Gambit: O pouco tempo que eu tive com você, passei todo ele te beijando de uma forma que eu nunca beijei ninguém.

Vampira: Que forma era essa?

Gambit: Era com amor.

Vampira: ... Quanta palhaçada! Eu devo ter jogado pedra na cruz!

Gambit: ...

Vampira: Eu sei muito bem tudo o que você veio me dizer, Remy! Wolverine já me disse tudo! A moça do teatro não era ninguém especial para você! Era mais uma vítima de seus roubos! Assim como outras mais devem ter sido vítimas! Mas se era especial para você ou não, não me importa! O que importa é que estava com você! Qual era a finalidade de você estar com a moça é problema para sua consciência! Mas não pense que seus valores são iguais aos dos outros! Tanto não são, que eu não aceito isso que você fez! Foi traição! Traição! Sei lá... Antes tivesse sido daquelas que você me dissesse: "é... saí com ela porque achei ela linda!" Melhor do que ficar ouvindo essas suas desculpas, que você realmente acredita que limpam a sua barra. Melhor do que ficar ouvindo essa sua filosofia do que é traição e do que não é! "Trabalho não é traição, diversão seria traição", isso pra mim não existe! Te vi com outra mulher! Não interessa o porquê de você estar com ela! Era você e outra mulher! Dane-se se você estava roubando ou dando uma pausa da sua terceira transa com ela! ... Era você e outra mulher... Não tem explicação. Era você e outra, não tente explicar. SEM CONTAR QUE VOCÊ VOLTOU A ROUBAR!

Uma lágrima rola rosto abaixo de Gambit.

Gambit: Eu um dia aceitei as desculpas de alguém que tinha voltado pra casa depois de passar uma noite com Magneto.

Vampira: ... Eu não estava pedindo desculpas.

Gambit: ... É... eu lembro... Eu aceitei você sem as desculpas. 

Vampira: Gambit... nosso relacionamento acabou porque nós dois não podemos ficar juntos. Esses seus episódios com essas mulheres não influenciaram em nada.

Gambit: Ah não?

Vampira: Eu já estava decidida que isso tinha que acabar bem antes de saber dessas suas riquinhas.

Gambit: Então por que o escândalo? Por que a "traição" se pra você já estava tudo acabado?

Vampira: ... É... não foi traição, então...

Gambit: Por que esse show agora? Por que o escândalo? 

Vampira: Porque eu ainda te amo. Eu estou querendo que nosso casamento acabe. Você precisa ser livre e eu também. Mas dentro de mim, ele ainda não acabou. Foi por isso que, apesar de eu dizer que não me importo mais com você, considerei tudo aquilo uma traição... Porque tudo acabou da boca pra fora, aqui dentro eu ainda te amo.

Gambit: Aqui dentro e aqui fora eu também te amo.

Vampira: Então por que saiu com essas mulheres todas?

Gambit: Porque eu sou um idiota... É complicado... Pura fraqueza minha, idiotice... Você tem razão, eu tento explicar, mas não há nada que realmente explique isso que eu faço.

Vampira: Vamos... tente explicar. Dessa vez, vou procurar não dar escândalo, nem interromper.

Gambit: ... Quando você quebrou o colar, eu fiquei arrasado. Passei vários dias sem comer direito, sem dormir direito, meu mundo tinha acabado. Mal tinha me casado, minha mulher havia sido seqüestrada, minha preciosidade que eu havia acabado de ganhar finalmente para receber meu verdadeiro amor, foi seqüestrada e depois desistiu de tudo. Minha preciosidade teve medo do colar... Demorei a entender, entendi. Mas ainda não aceito. Eu não deixaria nunca, nunca, nunca mais que alguém fizesse alguma coisa com você por causa daquele colar.

Vampira: Nós não podemos afirmar isso com certeza, Remy. Esse é o problema. Eu poderia ter morrido nas mãos daquela gente.

Gambit: Decidi sair dessa casa. Não queria ficar naquela fossa! Depressão idiota! Queria me sentir livre de novo, e tinha que ser longe de você. Não poderia te ver, ficaria deprimido de novo. Saí daqui e resolvi juntar a necessidade de fazer meu próprio dinheiro com uma mania criminosa idiota que eu tenho: roubar. Desculpe, isso realmente não tem explicação. Roubar não tem explicação, é um jeito babaca de ser que eu ainda guardo dentro de mim.

Vampira: ...

Gambit: Resolvi juntar manias que ainda vivem em mim: ser livre, roubar e mulheres. Não que essas mulheres significassem alguma coisa. Mas é que eu me dou bem com mulheres, roubá-las seria como tirar doce de criança! Pardon... Mas você sabe que quando eu quero, elas podem se interessar por mim cegamente. Não viam minha real intensão. Pardon, mon amour. 

Gambit segura a mão dela (com luva). Ele segura bem forte. Vampira molha a mão dele com uma lágrima.

Gambit: Chere, nunca passei da sedução com essas mulheres. Não pense que eu fiz sexo com elas.

Vampira solta sua mão debaixo da dele, e leva aos olhos que choravam mais. Ela diz soluçando:

Vampira: Eu nunca pensei isso.

Gambit: Ah você pensou que eu te conheço!

Vampira: ... Pensei...

Gambit: ...Shiii... Non, não chore.

Vampira: A ques... a questão é: não é só sexo que me faz triste, Gambit. Vocês homens acham que a falha seria o sexo com outra mulher. Pois pra mim, a falha é quando já pensa em estar com outra ao invés de estar comigo. O mínimo pensamento. Que dirá beijos e carícias e jantares e teatro! Sexo é conseqüência, Gambit. Claro que se você tivesse feito sexo com elas eu ia querer morrer afogada nas minhas lágrimas. Mas mesmo você não tendo feito, isso não minimiza muito a minha dor, Sexo é sempre conseqüência... Não é ele a traição. Ele é conseqüência. A traição é a sua cabeça em outra pessoa, até o dia que a sua cabeça transforma tudo em realidade, sendo o sexo o último estágio dessa realidade.

Gambit: Então eu devo ser a única pessoa que sai com outras e nunca traiu. Porque nunca passou pela minha cabeça eu ficar com outra a ficar com você. Se você... se vo... se você pudesse me tocar... eu iria viver grudado em você. Mente e corpo. E minha mente está agora grudada em você.

Vampira: ...

Gambit: Quando eu olhava para essas mulheres, eu não via uma possível transa. Eu via dinheiro fácil. Via um objeto que sempre me adora. Elas sempre me adoram e eu nem preciso me esforçar muito! Eu só via dinheiro com facilidade! Eu via o roubo! O roubo em si me alegra muito!

Vampira: ...

Gambit: Vampira... quando eu vejo uma mulher na minha cabeça, ela é sempre você. ... mas isso não apaga o que eu fiz, eu sei... Como você mesmo disse, o que interessa é que eu fiz.

Vampira: ...

Gambit: Eu imploro seu perdão, amour.

Vampira: Não...

Gambit: ...

Vampira: Melhor eu não perdoar. Afinal, a gente tem que terminar com isso!

Gambit: Me perdoe, e termine pelo motivo de que não podemos ficar juntos. Não termine por uma falha minha, por favor. Me perdoe e termine por outra razão.

Vampira: ...

Gambit: Pardon?

Vampira: Claro, Gambit. Eu sempre te perdôo e você sempre me perdoa.

Eles se levantam e se abraçam pela mesa. A mesa entre eles não permitia um abraço tão próximo, Vampira sobe na mesa e fica ajoelhada abraçando inteiramente ele, que estava em pé. Os dois ficam assim, chorando e grudados:

Vampira: Seu merda, eu te amo!

Gambit: Eu também te amo...

Vampira: Eu não queria, mas eu te amo!

Gambit: Eu sempre quis...

Vampira: A gente tem que terminar com isso... 

Gambit: Não termine, por favor. Não me importo em não poder te encostar. Só quero continuar te amando.

Vampira: Você é normal, pode ter uma vida normal, um relacionamento normal. Isso não é vida para você!

Gambit: É sim, enquanto for parte da sua!

Vampira: ... Você ... sempre será parte da minha vida.

Gambit: Então... deixe como está...

Vampira: Não... Não posso agüentar isso.

Gambit: Eu estou agüentando. ... Eu não poderia agüentar uma separação.

Vampira: Eu quero te ver feliz. Uma vida normal, feliz com alguém, como Jean e Scott! Feliz, com filhos. Queria te... ver... com uma mulher que você amasse e pudesse viver.

Gambit: Ah... você não queria me ver com ninguém. Não me agüentou me ver com mulheres que não significam nada! Imagina me ver com alguém que eu gostasse e tivesse filhos!

Vampira: ... Queria te ver feliz.

Gambit: Então fique comigo.

Vampira: Você é louco! Eu proponho uma vida sadia e normal a você! E você insiste na insanidade! Na situação absurda! Em ficar com a aberração que não te encosta.

Gambit: Você está me encostando agora, Vampira. Está me abraçando por cima das roupas. Mas isso pra mim é encostar. Eu quero isso de você.

Vampira solta Gambit. Senta na mesa. Fica olhando pra ele. Enxuga as lágrimas do rosto. Ele também enxuga as dele.

Vampira: Gambit, eu volto a dizer o que já vinha dizendo antes. Te amo, mas te deixo livre aqui e agora. Se eu te vir agora na rua com outra, meu sofrimento será interno. Não direi mais nada, não cobrarei mais nada. Não interfiro mais na sua vida. Continue me amando até encontrar outra. É isso. Está livre para me amar e mesmo assim procurar outra. Quando encontrar alguém interessante, mergulhe de cabeça. E quem sabe você não será muito feliz?

Gambit: Duvido que isso aconteça.

Vampira: Se esforce para que aconteça. 

Gambit: Te prometo aqui que vou para de roubar. Sejam mulheres indefesas que caem na minha lábia, sejam caixas 24 horas. Não roubo mais. Tinha parado por anos, foi besteira voltar.

Vampira: ...

Gambit: Como vou parar de roubar, será impossível você me ver com outra agora.

Vampira: Ora! Não diga isso, Remy Lebeau. É bem improvável que você estivesse roubando Vera da confeitaria e mesmo assim ela passou na sua casa. Você pode ter mulheres que não quer roubar. Te conheço. Opa! Mas não falo mais nada! Não me interessa mais.

Gambit: Vera da confeitaria, a maluca que apareceu na minha casa e eu coloquei para correr! ... Ela deve ser alguém de muito tempo atrás. Se você a vir naquela confeitaria, pode ter certeza, ela só vai dizer desaforos de mim! Eu botei ela pra correr.

Vampira: E a loira do beijo de ontem? Era a Karen da agência. Também era roubo?

Gambit: Não... Aquela era uma prostituta.

Vampira fecha os olhos e cai da mesa de joelhos no chão! Gambit abaixa rápido para ver o que tinha acontecido, porque ela havia batido forte com os joelhos no chão!

Gambit: Vampira? O que aconteceu? por que você caiu assim, ma chere?

Ela, em posição fetal no chão da cozinha chora mais uma vez. Não pelos joelhos e sim pelo o que Gambit disse: Uma prostituta.

Vampira: ... Uma... uma... prostituta? ... Me matem!

Gambit sorri com pena dela...

Gambit: Mon amour, ma chere, mon couer precioso! Eu não estava pagando aquela prostituta para ela fazer o serviço dela! Não pense besteira!

Vampira: Então, por que você estava beijando ela?

Gambit: Porque, como eu te disse, eu sou um idiota!

Vampira: ... A Karen, uma prostituta? E você beijando a Karen, uma prostituta, porque você é idiota?

Gambit: Eu também roubei a Karen. Na verdade, o nome de prostituta dela é Jessica.

Vampira faz um beicinho de "não precisava saber dessa".

Vampira: Então, era a Karen, ou era a Jessica no seu apartamento?

Gambit: Eram as duas ao mesmo tempo. Mas eu devolvi o que roubei dela, porque ela percebeu, e mandei-a embora. Ela reclamou e... Você sabe... Não consigo ver uma mulher reclamando que um homem não a trata bem. Afinal, esse meu jeito "Remy Lebeau" é constante, beijei-a! Pardon...

Vampira vai ajoelhando meio sem jeito, se apóia na mesa e fica em pé. Mais uma vez, limpa o rosto.

Vampira: Parece que me enganei em relação a você com a Vera.

Gambit: E com a Karen e todas as demais. Mas eu sei que errei.

Vampira: Com a Karen não! Com a "Jessica"! É... Foi bom eu não prosseguir naquela agência nojenta. Naquele meio fútil e imbecil. Onde ter é mais importante do que ser. E elas todas querem sucesso e dinheiro! O que elas realmente são, elas não se importam! ... Mas isso eu encontro em tudo quanto é lugar. Não posso ter preconceito em relação as modelos.

Gambit: ...

Vampira: Volta para o seu apartamento, Remy.

Gambit: Quando você vai me ver?

Vampira: Não deveria vê-lo. Vou tentar ficar longe de você por um tempo.

Gambit: Claro, vai fugir de mim. Para ficar o mais longe possível.

Vampira: É... o mais possível.

Gambit: Vai realmente tentar me esquecer? E tentar fazer com que eu te esqueça?

Vampira: Vou tentar.

Gambit: Aparece, por favor. Porque eu não vou tentar. Se você demorar muito a aparecer, eu venho aqui. E não fuja de mim quando eu vier, por favor!

Gambit mais uma vez pensa que Vampira pode tentar procurar abrigo nos toques de alguém, Magneto. Ele se preocupa. Sente medo de perdê-la.

Gambit: Você não vai voltar, vai? ... Pra ele...

Vampira: Não vou voltar.

Ele segura a mão de Vampira com bastante força, fecha os olhos, abaixa a cabeça e diz baixinho:

Gambit: Não vai voltar.

Vampira: Não vou voltar.

Ele ainda fica assim por um tempo. Cabeça baixa, segurando a mão dela. Depois olha pra ela. Vampira sai da cozinha e voa para longe. Gambit voltaria a vê-la em algum lugar, em um dia que ela resolvesse visitá-lo, em um dia que ele resolvesse visitar os amigos, ou quando o professor o chamasse para alguma missão, talvez. Mas ele não conseguiria viver sem vê-la. Chegando em seu apartamento no Brooklyn, Gambit chora por tudo que Vampira chorou hoje. Por tudo que ela chorou por sua causa, por seus erros, por suas falhas de caráter. Pelo o que ele a faz sofrer.


Algumas horas se passam. Outros x-men acordam. Wolverine normalmente é um dos primeiros a acordar, mas dessa vez resolveu dormir até mais tarde. Chegou na cozinha, encontrou Jean e Scott tomando café. Wolverine sente um cheiro de Gambit e Vampira na mesa da cozinha, um cheiro de choro de amantes no ar, um cheiro de ressentimento na mesa do café, um cheiro de amor reprimido perto da janela.

Jean: Bom dia, Logan!

Wolverine: Bom aonde, Ruiva?

Jean: Nossa! Só quis ser gentil.

Scott: É, Wolverine. Sabe o que é ser gentil?

Jean: Scott, pare!

Wolverine: O cajun esteve aqui?

Jean: Gambit? hummm... Eu estava dormindo, não sei... Será? 

Scott: Depois de tanto tempo... E não falou com ninguém.

Wolverine: Só se ninguém for você, quatro olhos. Porque ele falou com alguém sim. Com Vampira.

Scott: ... Já... era tempo.  Eles devem ter terminado de vez. 

Wolverine: Talvez... Esses dois nunca terminam direito. 

Jean: É melhor assim. Ela terá mais cabeça para pensar no julgamento. Essa agora é a maior meta dos x-men. Colocar boa parte da MEHSS na cadeia.

Scott: O nosso advogado no caso já escolheu duas testemunhas pra fazerem a acusação à MEHSS: Mike Northon, irmão do maldito Edward. E o próprio Gambit.

Jean: Quais serão as testemunhas que o advogado de defesa deles terão arranjado?

Wolverine: Sei lá, tô me lixando pra isso! Vamos ganhar! Estou adorando que eles estejam no banco dos réus e nós estejamos do lado da promotoria! Adoro promotoria, a acusação! Vou adorar acusar esses merdas!


Enquanto isso, na delegacia de Edward Northon, mais uma vez ele recebia uma visita loira.

Edward: Então, conseguiu alguma coisa, Karen?

Jessica: Mais difícil do que você imagina!

Edward: Não conseguiu nada? Não arrancou nada daquele traste mulherengo?

Jessica: Quase nada... Só descobri que ele fuma muito, que ele costumava freqüentar o Sex Hotel, que ele rouba mulheres e que ele beija muito bem.

Edward: Só isso? Só descobriu isso? Karen, você tem certeza que se ofereceu para ele da forma que nós estipulamos? Você está sendo muito bem paga para conseguir informações.

Jessica: Eu estava nua no apartamento dele!

Edward: Completamente?

Jessica: É, completamente.

Edward: E mesmo assim não conseguiu nada?

Jessica: É... nada demais! Já disse... Que diabos você quer mais que eu faça, Edward?!

Edward: Volte hoje no apartamento dele. Tente embebedá-lo, pule em cima dele, agarre ele, arranhe-o! E depois de fazer o que você sabe fazer, descubra alguma coisa a mais sobre os amiguinhos dele. 

Jessica: Certo.

Edward: Mas, Karen? Pelo amor de Deus, descubra algo novo, que eu ainda não saiba! Não venha aqui me contar que a mulher dele pode matar alguém com um toque! Eu já sei disso!

Jessica: Minha nossa! Eu é que não sabia disso!

Edward: Pois saiba. E agora vai fazer o que eu disse!


Karen veste a roupa mais sexy que ela pode encontrar. Dessa vez, Gambit poderia jogá-la para fora do apartamento, mas ela iria fazer de tudo para levá-lo para cama e embebedá-lo. Karen sabia que se interfonasse, ele nunca abriria o portão do prédio. Ela ficou lá embaixo mais de uma hora esperando, até que por um milagre, um morador do prédio abriu o portão para sair, e ela acabou entrando. Subiu as escadas. Chegando no apartamento, encontrou a porta fechada. Dessa vez, resolveu tocar a campainha. Gambit foi correndo atender pensando que poderia ser Vampira. Quando o Cajun abriu a porta, Karen viu o rosto mais arrasado que Gambit poderia estampar. Ele nem reagiu quando a viu, virou as costas e sentou no chão, como estava antes de atender a campainha. Karen também viu ao lado dele uma garrafa de whisky pela metade. Ah! Ela percebeu que aquilo ia ser mais fácil do que ela pensava. O próprio Gambit já tinha dado início ao plano dela, estava bêbado! Bêbado e arrasado! "Teria sido por que a mulher dele o encontrou ontem me beijando", pensava ela? Karen entra no apartamento e fecha a porta. Se ajoelha no chão para ficar mais próxima do rosto de Gambit. Vê aqueles olhos vermelhos mais vermelhos do que nunca. 

Karen: Que cara amassada, lindinho! Tava chorando?

Gambit: O que você quer?

Karen: Aconteceu alguma coisa?

Gambit: Non... Aconteceu o de sempre.

Karen: O que é o de sempre?

Gambit: Eu não presto, isso é o de sempre. E eu amo alguém que não posso encostar, isso também é o de sempre ha alguns anos.

Karen: Posso tomar um gole disso?

Gambit: A vontade, chere.

Ela sacode a garrafa em cima da boca para descer mais rápido o whisky. Depois, enche inacreditavelmente mais o copo de Gambit. 

Karen: Você não entra em coma alcoólico não, né?

Gambit: Non...

Karen: Ótimo. ... Bom, mas explique melhor pra mim essa história de você não prestar, Remy?

Gambit: Por que? O que você quer de mim?

Karen de ajoelhada passa para sentada no chão, como ele. Ela abraça o bêbado e beija sua boca de leve. Karen percebe que Gambit gosta do carinho. Olha bem pra ele e diz:

Karen: Eu já te disse... Quero te conhecer melhor, porque gosto de você. Me apaixonei.

Gambit está com a voz embargada do álcool e do choro que volta e meia quer voltar, mas ele segura. Gambit sempre segura seus mais íntimos sentimentos. Só existe uma pessoa a quem ele revela tudo o que sente sem o menor pudor, Vampira!

Gambit: Eu costumava me vangloriar quando as mulheres diziam isso pra mim.

Karen: É realmente maravilhoso saber que somos desejados e amados, não é? Esse é um dos motivos para que eu continue na minha profissão. Sou sempre desejada.

Gambit: Ainda existem muitas que não me esquecem. Mas... já faz muito tempo que não tenho mulher nenhuma.

Karen: Que sacrilégio.

Karen vai abrindo os botões de sua blusa. Gambit segura o segundo botão que ela iria abrir. Karen fica impaciente. Tudo bem, ele não queria abrir a boca com o sexo, abriria a boca com mais álcool na cabeça! Karen enche mais o copo dele. E pergunta mais uma vez:

Karen: Mas por que você disse que não presta?

Gambit: Você sabe, chere. Eu roubo, lembra? Roubo ricas mulheres. Mas já roubei casas, jóias, caixas 24 horas, já roubei a mando de outras pessoas também. Dentre outras trapaças que eu faço. ...Não presto.

Karen se empola, finalmente ouviu algo bom!

Karen: Nossa! Isso é muito interessante.

Gambit: Sem contar as diversas formas que magôo minha esposa, Vampira.

Karen: Ah! Mas pule essa parte da sua mulher. Me conte mais sobre esses roubos.

Gambit: Mas o que eu faço com minha mulher também está incluído na minha lista de coisas que não prestam em mim.

Karen: Eu sei! Mas os roubos são tão mais interessantes de se ouvir! Estou cansada de ouvir homens falarem em traição. É o que mais tem comigo! Conte mais!

Gambit: Não há mais nada para eu te contar, Karen. Desaparece daqui. Você pegou o que te pertence, some. Vampira pode vir aqui de novo e te encontrar. Eu não quero isso.

Karen: Me conta sobre seus amigos... Toma, bebe mais, você está precisando... Pobrezinho, problemas conjugais são sempre tão horríveis... bebe... Mas hein? Como são seus amigos?

Gambit: O que é que tem meus amigos, Karen? Escuta, estou quase entendendo o que você quer aqui. Eu estou bêbado, mas não estou maluco. Vai embora.

Karen: Eles são assim diferentes como você?

Ela vai se jogando para cima dele. Gambit vai se apoiando nas costas do sofá e vai ficando em pé, enquanto pergunta desconfiado:

Gambit: Diferentes, Karen? Diferentes como?

Karen: Ah! Você sabe... Com esses olhos estranhos que você tem! Estranhos, mas muito encantadores... Uma vez eu li num romance estrangeiro a expressão "olhos de ressaca"!

Gambit: Não é bem ressaca, eu ainda estou bêbado!

Karen: Não... Não é ressaca alcoólica ou de sono. É uma ressaca marítima! Olhos de ressaca são aqueles olhos que te puxam para dentro e não te deixam mais sair! Te afogam ali dentro, como um mar em dia de ressaca! Eu me afoguei em você, Remy!

Gambit: Mon Dieu, Karen! Isso é bonito... Não sabia que você era de leitura estrangeira... Qual nome do livro?

Karen: Dom Casmurro! Mas não mude de assunto! Eu perguntei se seus amigos também são diferentes...

Gambit: Meus amigos são bem diferentes, mas isso não é da sua conta.

Ela mais uma vez vai desabotoando a blusa.

Karen: Ai! Quer dizer que são todos assim maravilhosos como você?

Gambit: Karen, não me faça fazer isso... Isso que eu quero e não quero fazer.

Ela tira a blusa e fica com o soutien de renda que mais mostra do que esconde.

Karen: Eu sei que você não quer ser rude, porque eu sei como você normalmente trata uma dama. Sem a menor rudeza. 

Karen senta ele a força no sofá. Depois senta em cima dele e vai abrindo a camisa de Gambit. Remy fecha os olhos, aperta bem a sobrancelha e diz:

Gambit: Karen, não é você quem eu quero.

Karen: Eu não sou a que você realmente quer, mas você também me quer.

Ela pega as mãos dele e guia-as para o centro do soutien, bem no centro dos dois seios, abrindo o fecho.

Karen: Ou será que não me quer?

Karen começa a abrir o botão da calça de Gambit.

Karen: Você está carente... não tem sua mulher... Há quanto tempo não faz sexo com alguém? Aposto que está morrendo de vontade...

Gambit tenta negar tudo o que ela diz, mas não consegue.

Karen: Isso não vai fazer com que você a ame menos, mas vai me fazer muito feliz! Vamos, prove que você é tudo isso que você diz que é! E pode me chamar de quem você quiser, lindão! Eu sou Vampira agora!

Gambit: Eu prometi a ela que...

Karen: Shiii. Não existe ela. Só existe eu, porque eu sou Vampira!

Gambit em princípio relutante, agarra rapidamente Karen! E do sofá, já passam para a cama! Eles vão derrubando várias coisas em cima dos móveis em que vão esbarrando, até chegarem a cama se agarrando mutuamente. Gambit tinha o desejo de Zeus! Mais parecia que um furacão tinha passado naquele apartamento.Foi uma tarde e tanto para Karen! Conseguiu o que mais precisava para ganhar a confiança dele e também ganhou uma das melhores tardes de sua vida! "Nossa, que HOMEM é esse?", pensava ela maravilhada. E por que Gambit fez exatamente tudo ao contrário do que disse naquela mesma manhã para Vampira? Bom... pelo menos o aval dela ele tinha para fazer esse tipo de coisa. Não foi ela mesma que disse para ele encontrar outra mulher?

Gambit estava adormecido ao lado dela. Quantas horas teriam se passado?, pensava ela. Karen está olhando para o teto do apartamento, e pensando: nossa como ele era maravilhoso! Estava bêbado, mas foi maravilhoso. Como seria ele sóbrio? Será que faria tudo de novo sóbrio? Será que lembraria de tudo? Tomara que lembre! Porque eu nunca vou esquecer. Será que ele vai dormir até amanhã? Ou será que vai acordar agora na maior ressaca e com a maior dor de cabeça? É... é contra essa maravilha que eu estou trabalhando. Em pensar que esse era mais um serviço pro Ed! Nossa, não foi um serviço, foi bom demais! Ela senta na cama, porque os dois estavam no tapete no chão. Vai trocando de roupa enquanto Gambit acorda meio torto. 

Karen: Oi.

Gambit: Oi...

Karen: Tudo bem com você?

Gambit: É... dor de cabeça.

Karen: Lembra de tudo?

Gambit: ... oui. Lembro.

Karen sorri. Ele lembrava de tudo. Será que teria gostado? Mas o que ela estava pensando? Aquilo era um trabalho! Ele tinha que gostar para que o trabalho dela fosse mais fácil; não para que ela se sentisse feliz com a felicidade dele. Afinal, seu trabalho era destruí-lo. Edward iria destruí-lo. Mas Karen ficou sim, muito feliz com o fato dele lembrar de tudo.

Karen: Gostou?

Gambit: Claro, chere.

Nossa! Ela quase subiu pelas paredes, dessa vez não conseguiu não ruborizar! Olha só, uma prostituta ruborizando com um homem! 

Gambit: Se quiser pago mais do que os 500 dólares, porque você é muito boa nisso.

Karen agora não gostou do que ele disse.

Karen: Eu disse que gosto de você. Não vou cobrar.

Gambit: Merci.

Karen: Eu... eu é que deveria te pagar alguma coisa. Você também é muito bom nisso.

Gambit sorri. Mas a cabeça dele acaba doendo mais com o sorriso. Ele põem a mão na cabeça e acaba sorrindo de novo.

Gambit: Eu sempre ouço isso, belle.

Karen: Você também deveria cobrar! Juro que ia fazer um bom dinheiro.

Gambit: Obrigado pela dica, Karen. Mas não vai ser preciso.

Karen: ...

Gambit: Bom! Mas o que eu estou fazendo no chão?

Karen: Não lembra? Foi um tal de cama, chão, mesa, parede... Acabou parando no chão mesmo...

Gambit: Lembro... Também lembro que quebramos algumas coisas.

Karen: Ah é! Desculpa... Já recolhi alguns cacos de muitas coisas.

Gambit: Que nada! Culpa minha, chere.

Gambit se levanta do chão, vai tropeçando e reclamando da cabeça até o banheiro. Karen prepara tudo para sair. Quer deixá-lo um pouco sozinho para pensar. Quando gambit sai do banheiro com uma cara um pouco melhor, ela já estava na porta.

Gambit: Tchau, então.

Era só isso que ele iria dizer? A viu na porta e era só isso que ia dizer?

Karen: ... É...

Gambit: ... Aparece aqui amanhã, se você puder.

Karen: Claro! Eu já ia me oferecer a isso antes de você perguntar!

Gambit sorri.

Karen: Assim nós poderemos conversar mais... E ficar mais a vontade de novo...

Gambit: Oui. Te espero.

Karen: Certo! Tchau!

Gambit: Karen!

Karen: Sim?

Gambit: Pardon, se eu fiz alguma coisa que você não quisesse.

Karen fecha os olhos e vai a loucura. Esse homem realmente existe?

Karen: Remy... Não tem porque me dizer isso. Olha, você não fez nada que eu não estivesse louca que você fizesse.

Gambit: ... Treis bien.

Karen: Mais alguma coisa, grandão?

Gambit: É... Se... você encontrar minha mulher... não diga nada.

Karen fecha a cara. Que droga de se ouvir quando ia fechar a porta e guardar tantas memórias maravilhosas na cabeça! Fazer o que, né? Tá na cara que o garanhão ainda gosta da estranhona!

Karen: Claro. Não conto nada. Tchau.

Sai e bate a porta.

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