Enquanto isso na mansão, Wolverine está inquieto e nervoso, mais do que o normal. Muito provavelmente pelo desagradável cheiro que sentiu na noite anterior. Sempre quando isso acontecia, ele costumava ficar bem irritado por alguns dias mais. Grosso com quase todos, principalmente com Scott. Jean sempre percebeu as várias inquietações de Wolverine durante todos esses anos. Elas são quase sempre constantes, é raro encontrar Wolverine num dia inteiramente calmo, vendo nele um ar de paz. Os motivos não eram sempre os cheiros da noite anterior, obviamente. Há uma série de outros pensamentos e motivos que tiram Wolverine do sério. Jean nunca quis invadir sua mente para saber exatamente o que se passava com ele. Apenas tentava ser solidária, só percebia sua inquietação. Sempre perguntava o que estava acontecendo, não recebia resposta. Mas era melhor do que uma invasão de privacidade não autorizada.

Jean: Logan? Algum problema?

Wolverine: Jeanny! Não, tá perguntando por que?

Jean: É que você me parece mais inquieto do que o normal... Está sendo...

Wolverine: Grosso com seu almofadinha?

Jean: ... Bom, com quase todo mundo.

Wolverine: E tú que é tão esperta ainda não sacou que esse é o meu jeito de ser?

Jean: Um pouco grosso até comigo, Logan. E isso não costuma acontecer.

Wolverine: Desencana, Ruiva! Essas são minhas fases, logo passa. Vou voltar ao "normal" que todos querem nessa casa.

Jean: É o julgamento em poucos dias? Isso está te perturbando? Todas as coisas horríveis que lá irão acontecer?

Wolverine: Não... Tô pouco me lixando pra esse julgamento. Tô achando que vamos ganhar essa! E se não ganharmos, julgo eu esse bando de nazi!

Jean sorri com ligeira graça e ainda preocupada com ele e com esse instinto nada sadio de justiça com as próprias mãos. Ou garras!

Jean: Por que você nunca me conta de verdade o que te preocupa?

Wolverine: Porque tú sabe. Não sei quantos anos eu tenho, não sei se um dia vou morrer, não tenho quase memórias nessa minha cabeça dura, e das que tenho não sei quais são realmente verdadeiras ou implantadas! Nem o professor conseguiu descobrir! Disse que mesmo que sejam implantadas, já fazem parte da minha personalidade, da minha vida! Eu tenho alguns grandes problemas, Ruiva. É natural que eu seja diferente de vocês "seres felizes".

Jean: Me diz um único ser feliz nessa casa, Logan.

Wolverine: Bobby Drake! Ele tem vida fácil!

Jean: Bobby? Ora, coitado, Logan... O pai dele odeia mutantes!

Wolverine: Isso é o de menos! Existem muitas pessoas que não são mutantes e os pais as odeiam. Nem por isso elas deixam de ser felizes!

Jean: ...

Wolverine: Você é feliz! Ou não é?

Jean: É... Na medida do possível, sou sim. Tenho amigos verdadeiros, um professor que é como um pai, um marido maravilhoso, nenhum problema com dinheiro nessa casa. Mas você sabe que para qualquer um, não é fácil ser diferente... E eu duvido muito que um dia possa ter um filho... um filho realmente meu. E que eu possa criar, sem ter que fugir do Sinistro.

Wolverine: Muitos casais não mutantes resolvem não ter filhos e são felizes assim mesmo.

Jean: Eu sei. Vou tentar me acostumar com essa idéia.

Wolverine titubeia, mas ele queria dizer quem realmente era o mais feliz daquela casa.

Wolverine: Existe alguém realmente feliz nessa casa.

Jean: Quem?

Wolverine não diz.

Jean: Quem, Wolverine?

Wolverine vai andando para o jardim. Jean não entende nada e pergunta de novo mais alto enquanto ele andava para longe.

Jean: Quem?

Ele não ia dizer. Estava cada vez mais longe, chegando quase nas árvores do jardim, enquanto Jean estava na porta da mansão, completamente instigada com a pergunta sem resposta. Ela queria saber de qualquer forma, por que do mistério? Ela queria ouvir a resposta, mas ele não ia dizer. Ela queria, mas não ouvia. Queria, não ouvia, queria, não ouvia; queria resposta, não tinha, queria, não tinha! Diferente, se quisesse podia! Se quisesse podia saber a resposta, lia mentes. Queria, e não podia; podia e queria! Tanto que leu a mente de Wolverine, e nela estava a palavra e a imagem de SCOTT. Surpresa? Será que já não estava óbvio que seria Scott a resposta? Ela olha para o chão, para analisar o que viu mentalmente. Lá de longe, entre as árvores, Wolverine sente que Jean leu sua mente. Ele se volta para a mansão e olha para ela. Jean olha para ele, bem ao fundo. Mesmo de muito longe, Wolverine continua olhando para ela e resolve pensar em outra coisa. Ele sabia de alguma forma que ela iria ler esse novo pensamento. Olha fixamente para aquela pequenina ruiva ao longe e diz e pensa seus verdadeiros sentimentos. Jean leva um susto! Ela chega a colocar a mão sobre o peito. Scott que passava pelo corredor, a vê nesse estranho estado e vai socorrê-la na porta da mansão. Wolverine, ao ver o quatro olhos chegando para abraçá-la e perguntá-la o que havia acontecido de errado, se embrenha mais entre as árvores e não é mais visto.

Scott: Jean? Algum problema?

Jean: Nada demais. Não sei porque meu espanto foi tão grande. Não foi nada demais.

Scott: Do que você está falando?

Jean: Nada, Scott. Já estou bem. Não foi nada, só senti uma pontada no peito.

Não foi realmente nada demais. Wolverine respeita Jean demais, não teria pensado em nada horrível para ela ver. Não foi nada ruim, nada obsceno, nada que trouxesse maldade, nada violento. Foi um beijo! Um super beijo, como Jean não imaginava que pudesse haver tanto desejo num único beijo. Desejo reprimido! E apesar da brutalidade de Wolverine, aquele beijo parecia muito mais carinhoso do que os vindo do frio e politicamente correto Scott Summers. A surpresa veio da não suposição que Wolverine pudesse ainda hoje imaginar algo assim. Um mal estar lhe veio ao corpo. Que situação horrível é essa! E o pior é que era como se aquele beijo tivesse realmente acontecido, porque os dois viram a mesma coisa. Para os dois, aquilo agora seria imagem recorrente. O poder de Jean... Bênção ou maldição?


A noite veio para todos trazendo um sentimento de solidão. Gambit em seu apartamento alugado no Brooklin teve uma tarde e tanto com Karen, a sereia! Mas passou a noite com pensamentos em outra pessoa. Essa mesma pessoa passou a noite com os pensamentos nele. Jean não retribuiu muito os carinhos de Scott, sentia-se um pouco atordoada com o que viu. Não conseguiria beijá-lo pensando no outro beijo que viu. Mas ela o abraçou forte durante toda a noite, com medo de que pudesse, quem sabe, ter gostado do que viu. Wolverine, como sempre, solitário. Nem Fera foi a casa de Trish, nem Tempestade ligou para Forge. Mas a manhã veio trazendo esperança para todos de dias melhores. Scott acordou bem cedo e deixou Jean dormindo, enquanto ia ao banheiro fazer a barba. Volta e meia Jean dava uns gemidos na cama, ele botava a cabeça para fora do banheiro pra ver se estava tudo bem. Pesadelo chato, ele pensava, não deixa minha mulher em paz! Ele resolveu limpar a espuma da barba e ir acordá-la para que ela não sofresse mais. Quando Scott segura seus braços e diz de leve "Jean?", ela puxa o ar forte e rapidamente pela boca e acorda num susto! Dois olhos verdes enormes bem arregalados, um cabelo ruivo despenteado, uma cara de assustada ao ver o marido!

Scott: Querida! Estou preocupado! Viu algo sinistro no sonho?

Jean: Vi!

Scott: O que era?

Jean sonhou com uma traição a Scott. E no momento que ele a acordou, foi exatamente o momento em que no sonho ele tudo viu e descobriu! Ela abraça Scott e diz que não quer perdê-lo. Diz que o ama e que não quer perdê-lo.

Scott: Calma, Jean. Eu sei que você me ama. Também não quero te perder. Nós vamos ficar sempre juntos.

Jean o abraça de novo e repete a frase, apertando o rosto contra o peito dele _ ficar sempre juntos._ Scott sorri do medinho dela. Num de seus raros momentos de afetividade com linguagem doce e infantil, ele diz:

Scott: Você é uma gracinha. Eu sou o homem mais feliz dessa casa.

Jean lembra que Wolverine disse a mesma coisa. Que Scott era o mais feliz da casa.


Algumas horas a mais se passam. O sol vai ficando mais forte no rosto de alguém que dorme no Brooklyn. Ele acaba acordando. É outro que acorda num susto: Karen estava lá, sentada na cama olhando pra ele.

Karen: Oi. Assustei você?

Gambit: ... Mon Dieu! ... Oui... Não esperava. Entrou como?

Karen: Entrando.

Gambit: "Entrando"?

Karen: É, eu também posso ser cheia das trapaças, como você. Achei que fosse te impressionar, por isso entrei dessa forma gatuna.

Gambit: Gatuna ou gatíssima?

Karen sorri nas nuvens. Ela dá um arranhãozinho nele de leve e mia baixinho, dizendo depois:

Karen: Miau... gatíssima.

Gambit não agüenta o charminho, ele se ajeita melhor na cama e a beija. Era o melhor trabalho que Edward poderia ter arranjado pra ela! Em pensar que ela a princípio pensou que fosse ser carne de pescoço! Mas, felicidades a parte, ela tinha um trabalho a fazer. E começou:

Karen: Enquanto você dormia, eu vi como se apartamento loft é interessante. É legal essa história de não ter parede entre o quarto, a sala e a cozinha, né? Eu vi algumas fotos bem interessantes também...

Gambit: São poucas fotos, sereia! Só tinha aquele porta retrato da minha mulher que você quebrou... e aquela outra foto lá no canto com alguns amigos meus.

Karen: Tinha uma ruiva ali que eu acho que eu conheço.

Gambit: Non, acho que você não conhece, chere.

Karen: Ela não era modelo? Ela me lembra alguém... Engraçado, parece ser tão leve aqui nessa foto. Tão leve, livre, meiga, serena, como se estivesse sintonizada com o mundo! Sintonizada com as pessoas do mundo!

Gambit: Sintonizada com o mundo e as pessoas, Karen? Por uma foto só você tira essas conclusões, chere?

Karen: É... sei lá. Me dá a impressão de que ela sente o que a gente sente! Pelo rosto dela... acho que é isso. Não parece a mesma coisa pra você?

Gambit vai por trás de Karen, a abraça pela cintura e vai beijando o pescoço dela. Entre um beijo e outro ele pergunta:

Gambit: Karen, você não quer me contar alguma coisa?

Karen elevada com os carinhos dele não entende a pergunta:

Karen: Te contar? O quê?

Gambit: Ah, ma belle! Você sabe... você é tão cheia de perguntas, conclusões precipitadas... não tem alguma coisa pra me dizer antes de se arrepender, Karen?

Ela não gosta. Se vira de frente pra ele rápido.

Karen: Antes de eu me arrepender? Que história é essa? Do você tá falando?

Gambit: Pois é, Karen... Que história é essa pergunto moi! O que você quer saber da Jean? Já me pareceu saber bastante, Karen. Tá querendo arrancar alguma coisa de mim, belle? Com sexo? Mon amour, Gambit está acostumado com isso. Não é com sexo que você vai tirar alguma informação de mim. Se for isso, desista.

Karen se preocupa, ele estava entendendo tudo. Claro, estava tudo tão óbvio! Ela  não nasceu para ser Mata Hari, a grande espiã sexy! Era melhor que ele estivesse bêbedo igual a ontem, mas não estava mais. Ela investe mais uma vez:

Karen: Só tem uma coisa que eu quero arrancar de você, grandão! Seu fôlego!!!

Fazendo a única coisa que ela fazia de melhor, Karen pula em cima de Gambit! Ela ia ver se com o tempo ele não amansava... mais uma vez os dois esbaforidos vão quebrando coisas pelo apartamento num ritmo frenético! Gambit estava gostando daquela danada! Fazia o estilo dele! Rabo preso em alguma missão misteriosa e muito insaciável! Do jeito que o diabo gosta, do jeito que ele gostava...


Enquanto isso na mansão, Vampira, professor Xavier e todos os x-men esperavam uma visita importante: Mike Northon! O irmão do Edward, que também foi sequestrado e passou bom tempo do cativeiro com Vampira. Ele seria testemunha dos x-men. O advogado do professor também estava presente. Vampira estava nervosa, fazia muito tempo que não o via! Ele entra.

Mike: Bom dia.

Vampira: Mike! Que bom te ver.

Professor: Bom dia, rapaz. Entre.

Mike diz "licença" e entra. Vampira chega perto dele, e quando Mike vai dar dois beijinhos nela, Vampira recua!

Vampira: Não, cara! Ó, tô sem aquele colar idiota... Você não pode nem pensar em chegar perto de mim.

Mike: Ah... Desculpe, é que eu já engessei sua perna, fiz curativos... O pouco tempo em que ficamos inafortunadamente juntos, eu encostava em você. Desculpe.

Vampira: Ih! Sem problema, gatinho! Senta aí.

Professor: Pois é, meu rapaz. E é sobre todos esses problemas da Vampira que nós precisamos de sua ajuda.

Mike: Que eu darei com prazer.

Advogado: É interessante que nós ensaiemos muito o que dizer. E que encontremos todas as melhores formas possíveis de impressionar os jurados.

Tempestade: Senhor advogado, pelo o que eu entendo, minha amiga passou por maus momentos. Momentos esses que serão indiscutivelmente chocantes para os jurados. O senhor não acha? É realmente preciso ensaiar para impressionar? Todo aquele horror já não foi bastante impressionante?

Advogado: Senhora, Ororo, nunca sabemos o que o outro lado irá alegar. É sempre bom termos cartas na manga. Um dos nossos pontos contra, é que o senhor Remy Lebeau, esposo da vítima, explodiu o céu da boca do réu. Os jurados não vão gostar nada disso. 

Fera: Excelentíssimo, mesmo entendendo a situação angustiante e vingativa por qual passava o esposo? Não iriam gostar?

Advogados: Ah... Eles vão alegar que tudo o que fizeram é mais do que necessário a ser feito. Porque os mutantes são perigosos à população, darão o exemplo do céu da boa explodido! E vão tentar dizer que não fizeram maus tratos a vítima no cativeiro.

Mike: Isso eu tenho como negar! Eu vi tudo!

Advogado: E eu, consegui as fitas de vídeo do sistema interno do prédio! Realmente negaremos isso com provas cabais!

Vampira gela lá do início da coluna até a cabeça! Ela reveria tudo o que passou. E agora com olhares de dentro e de fora. Começou a suar um pouco. TODOS veriam tudo... Desde os mínimos detalhes da durona "indefesa", com boca sangrando, perna quebrada, com vontade de ir ao banheiro... chorando! Chorando! Que degradante! A durona iria perder a pose! Ah não... Ela lembrou que uma vez estava dormindo e um dos homens do cativeiro tentou abusá-la sexualmente! Graças aos gritos dela, Vampira foi salva pelo outro homem, que achou a atitude do primeiro muito nojenta. Ele era completamente contra qualquer contato com mutantes. Gambit veria tudo aquilo! Gambit e Wolverine. Ela temia a reação dos dois, um por ciúmes e o outro por ódio incontrolável. Eram aquelas malditas câmeras que ficavam no quarto do cativeiro, na qual ninguém poderia encostar, que gravou tudo. Bom, mas quem diria que um sistema de segurança dele contra a fuga dela seria usado como arma contra eles agora?

Advogado: Bom, eu gostaria de colocar a fita para a vítima, o Mike, o professor Xavier. Apenas eles. Os outros poderiam se retirar? Me entendam, o elemento surpresa de vocês na platéia também será importante para influenciar os jurados! É bom que vocês só vejam na hora!

Tempestade: Pela Deusa! Não ia querer mesmo assistir a uma barbárie dessas! Me retiro com certeza.

Wolverine: Grrrr! Eu vou assistir e quero ver alguém me impedir!!! Eu ainda vou ter elemento surpresa na hora, garanto! Olhem meu elemento surpresa: SNIKT!

Mike se assusta, o advogado também.

Advogado: É... (ajeita a gravata) ... ah... olha, tomem cuidado com quem vocês irão levar ao tribunal! Nada de escândalos! Por favor! Pelo bem de vocês!

Vampira corre e segura Wolverine com força.

Vampira: Wolverine, sai logo! Não vai adiantar nada você ver essas fitas agora!

Ele tenta se soltar das mãos dela que o seguram com força!

Wolverine: Que foi? Tá querendo brigar de novo? De mentira de novo, ou de verdade? Eu digo o que faço e deixo de fazer!

Vampira resolve então, fazer uso de outro recurso, que não era a força. Um recurso que ela nunca usava, o recurso mulher sem força! Sabe a indefesa da fita? Era ela, diante de Wolverine agora. E estava realmente indefesa diante das fitas.

Vampira: Wolverine, por favor. Eu te peço, não quero que você veja. Essas fitas me expõem demais... Ai... Eu estou sofrendo nelas, com tão pouca roupa nelas, comendo o pão que o diabo amassou, por favor... Eu ia me sentir muito envergonhada se você visse tudo aquilo.

Wolverine que também não era de se comover, se comove. Acalma o facho... Passa a mão no cabelo dela com carinho.

Wolverine: Tá legal, guria. Eu saio. Mas um dia, lá no julgamento, eu vou ver isso. E não vai ser fácil me controlar...

Ela com os olhos úmidos diz:

Vampira: Eu sei, cara!

Wolverine: Alguém fez alguma coisa horrível com você nessas fitas, Vampira? Fala pra mim se fizeram, que eu resolvo esse julgamento antes dele começar!

Vampira: Não quero dizer, Wolverine. 

Wolverine: Já vi que fizeram. Mas eu vou embora.

Todos saem, só ficam professor, Vampira, Mike e o advogado. Todos vendo e revendo cada momento e analisando o que diriam sobre cada coisa que ali se passava. Vampira ficou encolhidinha no sofá o tempo inteiro.


O ensaio e um dos últimos debates sobre o julgamento terminaram. Já era início de noite. Que dia horrível para Vampira. Ela sobe e se tranca no quarto. Queria ficar lá, encolhidinha pensando. Alguém mais também estava sozinho, pensando nela. Gambit... Karen não estava mais lá, assim como da outra vez, foi um furacão rápido que passou por lá. Gambit queria muito que Vampira fosse vê-lo. Queria muito vê-la. A simples presença dela, já agrada sua vida. Claro que ele não tinha o que reclamar da Karen, mas Vampira não precisava ser aquele furacão para deixar os segundos mais agradáveis. Ele pensa se deveria ligar para ela ou não... Puxa! Como é que alguém que diz tudo aquilo a ela, transa com uma loirona e depois que ligar para ela? O próprio Gambit não se entendia direito. Ele só entendia que Vampira não saía de sua cabeça. Por mais que ela não soubesse da Karen, Gambit estava se sentindo um traidor. Não ia ter coragem de falar com ela. Não ia saber o que dizer também... Mas ele queria ouvir a voz dela, a respiração dela... E queria dizer que a amava. Resolveu ligar, mesmo sem coragem para dizer qualquer coisa. O telefone no quarto de Vampira toca.

Vampira: Alo?

Gambit: ...

Vampira: Alo? Oieee? Tem algum chato aí? É trote idiota?

Gambit: Comment allez-vous, chere? Vous étiez disparu. {Como vai, querida? Tinha desaparecido}

Vampira: Gambit? É você? 

Gambit: Oui. {Sim}

Vampira: Não estou entendendo nada! Dá pra falar algo que eu entenda? O que você está dizendo?

Gambit: Rien. ... J´aime mieux la vie avec toi, amour. {Nada. ... Gosto mais da vida com você, amor.}

Vampira: Olha, Gambit... Dá um tempo. Eu estou cansada, hoje foi um dia horrível. Diz alguma coisa que eu entenda!

Gambit: Je t´aime! {Te amo}

Vampira: Ah, esse eu entendi! Escuta, vou desligar, tá?

Gambit: Non!

Vampira: O que você quer?

Gambit: En ce moment j ´ai grandement besoin d´une faveur. Tu dormirais avec moi, ce nuit? {Nesse momento necessito grandemente de um favor. Dormiria comigo esta noite?}

Vampira: Você é louco.

Gambit: C´est vrai. J`adore toi, mon amour! {É verdade. Eu te adoro}

Vampira: ...

Gambit: Je dois un éclaircissement, un explication... Je fis... Je fis... Elle n`a pas perdu le temps. Elle m`a embrassée, et baisée beaucup, et elle m`a dit une quantité de mensonges et de sottise. ... Mais, ma chere, je as consenti, sans protester. {Eu devo um esclarecimento, uma explicação. Eu fiz... Eu fiz... Ela não perdeu tempo. Me abraçou, me beijou muito e me disse uma porção de mentiras e bobagens. Mas eu consenti, sem protestar.}

Vampira: Gato, não entendi nada! Qual é o seu problema hoje?

Gambit:  Je veux que tu veuille moi! ... Tu suffirais. {Eu quero que você me queira! ... Você basta.}

Vampira: ...

Gambit: ... Je mourrais por toi, mon amour!

Vampira: "Je mourrais por toi". Por acaso você disse que morreria por mim?

Gambit: Oui.

Ele desliga. Vampira não entende nada. Ele descobriu uma estranha forma de dizer tudo o que sente, sem que ela nada entenda. Gambit descobriu uma forma de revelar suas dores e anseios sem se expor. Ele inclusive contou da Karen pra ela, mas Vampira achou que fosse mais alguma das brincadeiras do Gambit.


CONTINUA

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