Mais uma vez, Edward Northon recebe uma visita loira na delegacia. Ele estava muito ansioso, o julgamento estava próximo.
Edward: Karen, progressos?
Karen: Muitos.
Edward: Então conte!
Karen: Olha só, Edward, eu vinha usando um gravador... Gravei algumas coisas...
Edward: Dentre sussurros e gemidos?
Karen: É... dentre sussurros e gemidos, seu espertinho. Mas eu pretendo editar a fita pra que esses tais sussurros e gemidos não apareçam.
Edward: Puxa... Eu ia vender essa fitinha por uma grana preta!
Karen: Sem piadas. Olha só, eu tô colaborando, mas eu espero que tudo isso só te faça não pegar uma pena pesada. Eu não quero que o material que eu peguei faça o Gambit ir para a prisão.
Edward: Pode deixar, isso não vai acontecer.... Quer dizer então que você está gostando do altão? Do mutante! Da nojeira! Da escória imunda!!!????
Karen: Eu não estou gostando de ninguém!
Edward: Abre os olhos, hein, Karen! Se eu fosse você estaria me limpando com álcool todo dia quando chegasse em casa.
Karen: Ele não me parece tão horrível assim.
Edward: Olha só, Karen! Não tô aqui para ouvir você discursando a favor dos mutantes! Mostra logo a fita! Quero ouvir!
Karen tira o pequenino gravador da bolsa, e clica no play com o som baixo. A voz de Karen prende a atenção de Edward. "Ela me lembra alguém... Engraçado, parece ser tão leve aqui nessa foto. Tão leve, livre, meiga, serena, como se estivesse sintonizada com o mundo! Sintonizada com as pessoas do mundo!"
Edward: Falando daquela tal de Jean Grey, não é?
Karen: É.
Karen passa rápido a fita para mostrar outro ponto a Edward. A voz de Gambit é ouvida na gravação "Ah, ma belle! Você sabe... você é tão cheia de perguntas, conclusões precipitadas... não tem alguma coisa pra me dizer antes de se arrepender, Karen?"
Edward: Ual! Uma ameaça, Karen! Você conseguiu que ele te fizesse uma ameaça! Nossa, como vou fazer uso disso!
Enquanto Edward ia dando seu parecer animado sobre o que ouvia, a voz de Karen prosseguiu na gravação "Antes de eu me arrepender? Que história é essa? Do você tá falando?" Logo depois, a voz de Gambit, que fez Edward ficar em silêncio: "Pois é, Karen... Que história é essa pergunto moi! O que você quer saber da Jean? Já me pareceu saber bastante, Karen. Tá querendo arrancar alguma coisa de mim, belle? Com sexo? Mon amour, Gambit está acostumado com isso. Não é com sexo que você vai tirar alguma informação de mim. Se for isso, desista."
Edward: Ele praticamente confessou o que você havia perguntado! Você disse que ela era "sintonizada" com as outras pessoas e ele acabou dizendo "O que você quer saber da Jean? Já me pareceu saber bastante, Karen." Disse que você sabia bastante, confirmou!
Karen: Bom, eu espero que o cara não se dê mal nessa!
Edward: Só tem essa fita?
Karen: Tem uma do dia anterior.
Ela pega outra fitinha num compartimento da bolsa e coloca no pequenino gravador. Aparece a voz de Gambit "Aconteceu o de sempre.", seguida por uma pergunta de Karen "O que é o de sempre?". Edward se empolga para saber a resposta comprometedora que Gambit daria. "Eu não presto, isso é o de sempre. E eu amo alguém que não posso encostar, isso também é o de sempre ha alguns anos."
Edward: Melhor impossível! Ele mesmo disse que não prestava! Está com uma voz de bêbado, mas acho que isso não é problema!
Karen passa rápido a fita e para num ponto quente. "Mas por que você disse que não presta?" Então, ouve-se a voz de Gambit, para a felicidade de Edward "Você sabe, chere. Eu roubo, lembra? Roubo ricas mulheres. Mas já roubei casas, jóias, caixas 24 horas, já roubei a mando de outras pessoas também. Dentre outras trapaças que eu faço. ...Não presto."
Edward pula dentro da sala de visitas! Grita de felicidade. O guarda dá uma pancada de cassetete nas barras de ferro para que ele se acalme.
Karen: Olha o escândalo!
Edward: Karen, seu trabalho foi ótimo! Excelente, se você quiser parar por aí, já está bom! Acho até bom que você pare, afinal, ele já te ameaçou.
Karen: Ah, aquilo não foi nada...
Karen guarda o gravador e as fitinhas na bolsa. Levanta-se para ir embora. Edward lembra de uma coisa rápida e a chama.
Edward: Karen!
Karen: Que?
Edward: Você não pode editar a fita e tirar os "sussurros e gemidos".
Karen: Por que?
Edward: Porque se não, vão alegar que é prova alterada. Que a fita foi montada por nós. A gravação tem que estar inteira, sem nenhuma interrupção. Depois, se nós quisermos reforçar algum ponto, aí sim repetimos pequenos pedaços.
Karen: Nossa, tem razão! ...
Karen pensa no quanto Gambit irá odiá-la ao término de tudo isso. Além dela apresentar provas que colheu contra ele na cama, a mulher dele ainda ouvirá sussurros e gemidos diante do tribunal! Nossa! Ele vai me odiar! Edward percebe a cara de preocupação da sereia loira.
Edward: Ah, relaxa, Karen! Homem alto têm aos montes por aí.
Ela vai embora pensativa sem responder a brincadeirinha sem graça.
Karen ainda marca no dia seguinte um encontro com Gambit em um restaurante. Como já haviam acostumado a fazer, o sexo era praticamente obrigatório. Típico relacionamento onde não há o menor amor e carinho. Mal se vêem, mal conversam, já partem para o segundo tempo. Karen estava realmente começando a gostar do cajun. Mas Gambit não dava claros sinais de retribuição. Em um dos momentos mais comprometedores da noite, com os olhos fechados, enlevado em prazer, sua mente voou longe e ele chamou Karen de Vampira. Foi o frio na espinha mais ácido que Karen já havia tido. Ela sentiu pela primeira vez com ele, que talvez agora fosse hora de cobrar seu preço; afinal, Gambit estava fazendo amor com outra pessoa dentro de sua cabeça. Sendo Karen, então, usada como material para execução da fantasia. Mas ela resolveu não cobrar nada. Simplesmente foi para casa ressentida, e apesar da mancada do cajun com ela, Karen ainda sentia-se mal em revelar as conversas que gravou.
Chega o grande dia do julgamento. Vampira está muito nervosa. Todos os x-men estão nervosos e anseiam por justiça. Os doze jurados que compõem o júri popular acomodam-se. O juiz também senta em seu lugar. Na mesa mais próxima ao júri, está sentada Vampira, seu advogado, Gambit e Mike Northon, irmão do Edward. Essa era a mesa da promotoria, a preferida do Wolverine! Na outra mesa, estão sentados Edward Northon, os dois homens que tomaram conta de Vampira no cativeiro e o advogado. Essa era a mesa do réu a ser julgado, a mesa da defesa. Sabrina chegou depois, algemada. Veio de uma prisão feminina, ela também provavelmente daria seu testemunho. Os x-men e demais familiares e amigos dos vários presentes ali, se encontravam na platéia atrás das mesas. Tudo começa.
Advogado promotor: Excelentíssimo juiz, senhores e senhoras do júri, e todos os demais senhores aqui presentes, eu tenho uma história triste a lhes contar. Uma história de preconceito, de não aceitação das diferenças, de racismo! Da mesma forma, senhores, que muitos já devem ter sido julgados aqui por atos criminosos de racismo contra negros, eu farei aqui meu papel de promotoria contra o réu Edward Northon, acusado por mim de seqüestro premeditado; cárcere desumano sem as menores condições sanitárias ou humanitárias; violência corporal; tentativa de estupro; abuso sexual comprovado; danos psicológicos a minha cliente e o crime inafiançável de racismo! Sem contar que ele também está sendo julgado pelos advogados do Hotel Plazza em Manhattan pela provável culpa na quebra de todo o teto da suíte presidencial.
Advogado de defesa: Protesto! O que tem haver o caso do Hotel Plazza com esse julgamento? E é evidente que meu cliente não tem a menor participação nesse projeto de homens de lata gigantes!
Juiz: Protesto negado. Promotoria, pode continuar!
Promotoria: Obrigado, excelentíssimo. Minha cliente, Clarisse Lebeau, esposa desse senhor aqui presente, Remy Lebeau, havia acabado de se casar quando tudo aconteceu. Senhores! Senhores, o réu destruiu a lua - de - mel de minha cliente! De forma vil, violenta e assustadora! Como num filme de ficção científica, enormes homens de lata, chamados sentinelas, arrancaram o teto do hotel! E levaram minha cliente para o pior pesadelo que ela poderia imaginar!
Defesa: Protesto! Excelentíssimo, que provas ele têm de que o réu tem alguma coisa haver com esses homens de lata?
Juiz: Protesto negado.
Promotoria: A minha cliente lembra de ter visto saindo de dentro de um compartimento dos sentinelas, um grupo de homens. E nesse grupo, Edward Northon era mais um dos componentes!
Defesa: É a palavra dela contra a de meu cliente! Júri, por favor não acreditem na primeira história que lhe contarem!
Juiz: A defesa deve permanecer em silêncio até que seja solicitada para que fale! A promotoria pode continuar!
Promotoria: Não é apenas a palavra dela! Seu esposo, Remy Lebeau, também lembra de Edward Northon saindo do sentinela! Está evidente que o réu também tem participação nesse projeto muito suspeito dos sentinelas! Até porque, senhoras e senhores, foram esses próprios sentinelas que levaram Clarisse ao local de cativeiro liderado por Northon!
A defesa vai se assustando com as caras que os jurados fazem a tudo que ouvem. Vampira vai se inquietando na cadeira. Wolverine fica mordendo a própria boca para não pular em cima do advogado de defesa. Gambit fica embaralhando um baralho de cartas para aliviar o nervosismo e para não xingar a mãe do advogado. Os olhos de Jean vão ficando úmidos de indignação e raiva. Os óculos de Scott vão ficando cada vez mais brilhantes. Tempestade permanece serena e calma ao lado de Forge. Sua indignação é interna, como uma verdadeira Deusa, ela permanece confiante e segura da situação.
Promotoria: Minha cliente ficou dois dias e duas noites em um cativeiro desumano com Northon e seus comparsas. Eles fazem parte da antiga MEHHS! "Movimento para Esterilização do Homo Sapiens Superior"! Percebem o grau de racismo e preconceito aqui presentes, senhores? Olha a que se presta a organização MEHHS?!!! Ela julga quem deve passar adiante seu código genético ou não deve! Baseada em quê, que esta organização julga isso? Baseada em seu preconceito e racismo! Atividade criminosa! Me pergunto, senhores, se além do alarde, ela conseguiu realmente esterilizar algum mutante!? Será?
Defesa: Protesto! Que espécie de especulação é essa? Isso não faz parte do julgamento que é apenas sobre o caso de Clarisse Lebeau!
Juiz: Protesto aceito! Por favor, promotoria, detenha-se apenas ao caso.
Defesa: Obrigado, excelentíssimo. Sem contar que você não tem provas contra meu cliente, quem comprovem que ele é dessa tal MEHHS!
Juiz: Por favor, defesa, o protesto já foi aceito! Sem mais declarações! Seu momento de defesa chegará! Por favor, ordem nesse tribunal!
Promotoria: Há quase dois anos, a MEHSS apareceu no centro de Nova York, ameaçando matar civis inocentes caso os mutantes não aparecessem e colaborassem em seu processo de esterilização. Minha cliente, Clarisse Lebeau ,já esteve grávida, senhoras e senhores, e um grupo da MEHHS invadiu a casa onde ela e seus amigos moram para tentar matar seu filho ainda em gestação e capturar seus outros amigos, que eles julgavam mutantes. E mesmo que fossem mutantes, coisa que ninguém pode afirmar, julgavam que só por isso, mereciam ser presos e esterilizados! Quem sabe mortos! Senhoras e senhores... minha cliente perdeu esse bebê. Quem sabe não foi até por causa de todo esse clima de ódio que afetou sua gestação???
Defesa: PROTESTO! Agora meu cliente é acusado de tudo? Até de mortes de bebês em gestação!!!???
Edward Northon: É! Pergunte a essa mulher aí tão sofredora se o filho dela não morreu só de ter encostado nela!!!!! Isso não presta! O filho dela morreu porque ela não pode encostar em ninguém! É uma Vampira de vidas! Assassina em potencial!!!
Juiz: ORDEM! ORDEM!
Vampira: Olha aqui, gatinho, não começa com grosseria, porque você sabe que comigo você não pode!
Edward Northon: Sei mesmo, sua coisa! Com você ninguém pode, é por isso que você e seu bando aí merecem serem...
O advogado de defesa puxa Edward Northon e diz baixo em meio a confusão:
Defesa: Northon, cala a boca! Tá querendo piorar as coisas?
Juiz: A promotoria e a defesa, controlem seus clientes!!! Se mais um episódio desse acontecer, eu paro o julgamento! ... Promotoria, continue!
Promotoria: Continuando... A MEHHS também apareceu no hospital onde minha cliente estava internada quando seu bebê morreu. Mais ainda bem que rapidamente se dispersou. O episódio logo em seguido não foi o do hotel Plazza no qual minha cliente foi seqüestrada. Antes disso, num shopping, um casal de adolescentes chamados Jubilation Lee e Samuel Gutrhy foram perseguidos por grupos anti-mutantes. Muito provavelmente da MEHHS. Me pergunto, senhores, se esse é o mundo que vocês querem para seus filhos viverem? De perseguição e preconceito! Que mais se assemelha ao nazismo! Ao ridículo racismo de cor que por muitos anos assombrou as leis e a conduta social do nosso país! Lembrem-se, senhores... a mutação não é uma escolha, ela acontece ao acaso! Ninguém tem culpa de ter nascido mutado! Isso pode acontecer a um filho de vocês, pode acontecer a um neto! Vocês querem que eles sejam perseguidos por esses lunáticos??!! Vocês querem ver seus filhos sofrendo como minha cliente sofreu?
Defesa: Protesto! Isso é coerção de pensamento! Ele está praticamente obrigando os jurados a pensarem como ele!
Juiz: Protesto negado!
Promotoria: Gostaria agora de chamar minha cliente Clarisse Lebeau para dar seu parecer sobre tudo que aconteceu durante esse seqüestro, aqui diante de todos vocês.
Vampira vai andando em direção a cadeira da verdade,
ao lado do juiz e dos jurados. Como de praxe, mão esquerda sobre a bíblia,
mão direita levantada.
Rapaz da Bíblia: Você jura dizer a verdade, apenas a verdade, e somente a verdade?
Vampira: Juro.
Ela estava muito nervosa de ser tão exposta. Principalmente exposta como alguém que sofreu como uma fraca indefesa, algo que ela fazia questão de não ser. Para ela, tudo isso era muito massacrante, lhe trazia vergonha e embaraço. Wolverine olhava para o chão, Tempestade já estava com o braço em cima das costas dele, sabia o quanto aquela fera estava se controlando. Sabia porque ele olhava para o chão, não queria assustar ninguém com seu olhar dantesco de ódio! Nem queria olhar na cara de nenhum dos acusado e ver algum risinho sarcástico ou olhar falso! Wolverine voaria na jugular de alguém em pouco tempo... Era melhor ficar de cabeça baixa, com Tempestade colocando seu braço nas costas dele, o acalmando.
Promotoria: Clarisse, como foi a noite de seu casamento? Calma? Normal? Como estava a festa? Alguma anormalidade? De onde vocês seguiram depois da festa?
Vampira: ... Ah... normal... Estava legal. ... Foi, ... foi a melhor festa da minha vida, obviamente ... Depois da festa, nós seguimos para o Plazza Hotel, a suíte presidencial que fica no último andar do hotel estava reservada para a gente.
Promotoria: Alguma anormalidade nessa noite?
Vampira: Não. Tudo normal. No dia seguinte também, o dia inteiro normal. Até que a noite, quando voltamos de um restaurante e fomos dormir, tudo aconteceu!
Promotoria: Explique como foi essa noite.
Vampira: Eu não gosto muito de falar sobre isso... Mas... eu estava dormindo, o Remy também... E então, aquele enorme homem de lata arrancou o teto do prédio! Uma parte do teto caiu sobre mim! Inclusive quebrou minha perna, eu fiquei toda arranhada, cortada e machucada...
Promotoria: Clarisse, você sabe que muito provavelmente a defesa irá alegar que você é uma mutante com super poderes? Que um simples teto em cima de você é como uma pluma? Como você explica essa sua não reação diante do homem de lata e você ter se machucado tanto?
Vampira: Eu sei... E eu já gostaria de deixar bem claro aqui para todos, que eu sou mesmo uma mutante. Eu sou diferente das outras pessoas. O que faz a minha mutação eu não quero dizer, acho que eu tenho o direito de me negar a dizer o que me faz diferente em ter esses genes mutados. Mas quero dizer que minha apatia diante dos homens de lata é fruto de um colar neutralizador de minha mutação. Mas isso! Isso... isso não significa que esses homens de lata só podem fazer mal a quem está com um colar desse! Eles podem fazer mal a outros vários mutantes! Com ou sem colar! No meu caso específico, só me fariam mal se eu estivesse com o colar! E eles podem fazer mal a pessoas não mutantes nas ruas! Afinal aquilo é um enorme homem de lata que a tudo destrói quando anda por aí!
Promotoria: Os jurados vão obviamente gostar de sua sinceridade, Clarisse. Obrigado por dizer que realmente é uma mutante e explicar melhor como, mesmo assim, sofreu como uma pessoa "normal", e não mutante. Assim, os jurados podem saber como eles sofreriam se tivessem sido pegos pelos sentinelas, já que sabem que esse tal colar te fazia como uma mulher "normal". Mas continue... você disse que um pedaço do teto caiu sobre você e que você quebrou a perna...
Vampira: Pois é... Então, um grupo de homens saiu do sentinela, inclusive esse Edward Northon que eu lembro muito bem! Eles me amarraram com as mãos para trás, para que eu não pudesse retirar o colar. Eu tentei fugir, mas o Northon me deu um ... o Northon me deu... um... ... tapa no rosto! Puxou meu cabelo com força, me bateu e disse um bando de barbaridades!
Ela gela ao dizer isso. Quem diria, Vampira dizendo que levou um tapa de alguém? Wolverine faz um rugido animalesco na platéia, levanta-se, mas não parte para cima do Edward! Ele sabia que isso seria o fim do julgamento, seria pior para o caso que estava tentando resolver! Mas o animal sai do tribunal esbarrando em todas as demais cadeiras da platéia, rugindo alto de ódio e batendo na porta para sair, chega a empená-la! O barulho é incrível! Todos arregalam os olhos, inclusive Vampira... Mas até que ela esperava outra reação, esperava que Wolverine empenasse a cara do Northon e não a porta! Menos mal...
Juiz: Por Favor! Até a platéia não permite que nós continuemos o julgamento? Controlem-se!
Promotoria: Clarisse, quais foram as piores coisas que te aconteceram naquele cativeiro?
Vampira: ... Puxa, cara! ... tudo, né?! O fato de eu estar amarrada e algemada com os braços para trás, sentia-me como um peru de natal! De tanto tentar me libertar, as algemas cortaram bastante meus pulsos, eu... eu.. não podia ir ao banheiro! É... isso mesmo, não podia ir ao banheiro! Tinha jornal no chão do quarto, como um cachorro, eu teria que fazer o que eu quisesse ali em cima do jornal... Os comparsas do Edward me bateram uma vez também. ... Um dos homens dele tentou... ele passou a mão... Ai... não quero dizer mais nada! Acho que só isso já basta pra mostrar o monstro que o Edward e esse povo dele são!
Edward: Monstro eu e o meu pessoal???!!! Não seria o contrário?
Juiz: Se a defesa não controlar o réu, eu o coloco para fora desse tribunal enquanto houver depoimentos!
Vampira: Isso mesmo, falou bonito, seu juiz! Monstro aqui é você, cara! Vê se te manca, quem tá sendo julgado aqui é você, e ninguém é julgado por ser uma flor cheirosa! Você é um criminoso, espero que você apodreça na cadeia!
Edward: Eu vou provar aqui pra todo mundo quais são as pessoas que deveriam estar na cadeia, bem longe da população normal!
Vampira: Normal? Ha - ha - ha! Acorda! Desde quando você é normal? Seu louco varrido, você é psicótico, nem um fio do seu cabelo é normal, seu nazista cretino!
Juiz: ORDEM, ORDEM!
Vampira: Preconceituoso, racista, louco megalomaníaco, Hitler, monstro!
Juiz: ORDEM!
Edward: Você é uma ameaça, monstro mutado! Aberração, aborto da natureza!
Vampira: NAZI! Nazistão!
Edward: Escuta, me chamar de nazista não é xingamento! Não considero "nazista" como xingamento, seu monstro!
Vampira: Eu não acredito! Ele confessou! Seu... seu NEO NAZISTA! AHHH! Que nojo que eu tenho de você!
Edward: E eu de você!
Juiz: ORDEM! ORDEM!
Edward: Vocês mutantes deveriam ser vigiados de perto! AMEAÇA! Vocês são uma ameaça e eu vou comprovar isso! ... Vocês não deviam nem ter nascido!
Gambit: C'est une absurdité! {Isso é um absurdo!} Onde estão os direitos humanos nas falas desse insano? C'est un préjugé effronté! {Isso é um preconceito descarado!} Je proteste! {Eu protesto!}
Edward: Deve ter me xingado e eu nem sei! Olhem jurados, esse louco deve ter xingado a minha mãe de uma forma que vocês não possam entender!
Juiz: EU DISSE ORDEM MILHARES DE VEZES! ESSE JULGAMENTO ESTÁ SUSPENSO POR UMA HORA! A PROMOTORIA E A DEFESA SÓ VOLTEM AQUI QUANDO OS ÂNIMOS DE SEUS CLIENTES ESTIVEREM MAIS CALMOS! QUE ABSURDO! ISSO É A JUSTIÇA, E NÃO UM PROGRAMA DE AUDITÓRIO QUE REVELA QUEM É CERTO OU ERRADO DIANTE DE XINGAMENTOS, AGRESSÕES E BAIXARIAS!
Fora da sala onde ocorre o julgamento, o advogado promotor tenta acalmar todos os x-men, principalmente Vampira. Ele diz a ela, que ninguém pode sair do sério; se não, eles perdem a razão. Tudo deve ocorrer de forma correta, bem formal, sem xingamentos, apenas dizendo a verdade. Mas os x-men estão muito revoltados. Gambit está segurando a mão de Vampira (com luva), tentando se acalmar e não explodir nenhum coringa em ninguém. Coitada de Vampira, ela nem sabia de Jessica Karen dormindo com Gambit e gravando tudo o que ele diz! Wolverine que esperava do lado de fora, vem perguntar a Tempestade qual problema tinha ocorrido ali dentro para que o julgamento fosse suspenso. Tempestade explica tudo ao canadense de garras. Ele se revolta, quer saber por que o louco do Edward disse várias insanidades e ninguém foi prestar contas com o cara no mão a mão.
Wolverine: Ô, caolho! Quer dizer que o babaquinha disse esse bando de insanidades e você não partiu a cara dele?
Scott: Wolverine, pela primeira vez eu senti esse seu instinto animal de espancar o sujeito. Mas eu sou controlado. Controle-se também! Ou nós colocaremos tudo a perder. Se fosse preciso usar a força, Wolverine, não teríamos nem entrado na justiça com esse caso. Já teríamos feito justiça com as próprias mãos. Inclusive com a ajuda do Magneto que odeia esses anti-mutantes. Mas como nós não somos Magneto, e podemos recorrer a justiça, não vamos fazer justiça com nossas próprias mãos: Acalme-se!
Wolverine: É meio complicado eu me acalmar numa situação dessas! Talvez seja melhor que eu continue aqui fora o resto do julgamento.
Scott: Você é quem sabe! Já basta a própria Vampira, cabeça quente como ela sempre foi, destruindo o próprio julgamento xingando o sujeito!
Wolverine: Ela fez isso?! Ha! Ei Vampira!!!
Vampira: Que foi?
Wolverine: Você tava certa, guria! Você tava certa quando disse que eu era dos seus! Você é das minhas, guria! Nada de levar desaforo pra casa!
Scott: Vocês são loucos!
Wolverine: Nós vamos ganhar esse julgamento.
Scott: Wolverine, Sam... Eu acho bom todos nós irmos com muita
calma nesse julgamento. O Edward disse várias vezes hoje que vai comprovar que
somos nós mutantes que deveríamos estar na cadeia. Por favor, se controlem,
não dêem motivos e mais argumentos para que ele abra um processo também
contra a gente. Eu acho que ele
pode ter descoberto coisas e informações sobre os x-men e irá usar nesse
julgamento!
Sam: Ele não tá falando sério, né?
Wolverine: Vai fazer nada, Ciclope? Então, deixa que eu quebro eles!
Scott: Wolverine... parece que eu falo e você não entende...
Wolverine: Eu entendo, Xará... Não vou fatiar o babaquinha aqui nesse tribunal, prometo. Mas nada garante que eu e o Gambit iremos ficar calmos quando tudo isso terminar. Afinal, Gambit deve ouvir um bando de barbaridades aí dentro e tú sabe que ele, como eu, também não é flor que se cheire. Eu e Gambit ainda vamos nos divertir muito com esse pessoal da MEHHS!
Sam: É... Gambit não aceita injustiça contra damas.
Wolverine: Principalmente quando a dama é propriedade dele!
Scott: Acho bom que Vampira não escute isso. Ninguém é propriedade de ninguém.
Wolverine: Não é o que Gambit pensa...
O tempo determinado pelo juiz cessa. Todos voltam ao tribunal, o julgamento continuaria.
Juiz: Antes de dar continuidade a seção, eu gostaria de avisar que respeito e educação não fazem mal a ninguém. Eu entendo que os ânimos estejam aflorados, entendo que cada parte ache uma afronta o que a outra diz... Mas as ordens aqui são: Não se pronunciar enquanto não for sua hora. Aqueles que NÃO são advogados só falam quando estão prestando depoimento! Quando querem falar em outro momento, são seus advogados que falarão por eles! Com um sistema de pedir autorização para falar! Portanto, só quem fala aqui são os advogados e quem estiver em depoimento. Se alguma coisa ao contrário disso ocorrer, eu encerro o julgamento! Deixo ele rolar na justiça por muito tempo até ser reaberto!
Todos: ...
Juiz: Senhor, qual seu nome?
O juiz está falando com Wolverine, que acabou resolvendo ver o julgamento da platéia.
Wolverine: Logan, por que?
Juiz: Decreto aqui também, que o senhor Logan pagará pelo conserto da porta desse tribunal, que ele empenou! Ninguém tem o direito de destruir o patrimônio público dessa federação!
Wolverine: Tá legal... Quem se importa com isso? Não gostei desse cara!
Juiz: Promotoria, retome o depoimento com a vítima Clarisse Lebeau.
Promotoria: Então, Clarisse, nós paramos quando você dizia que os comparsas do Edward bateram em você, que você não podia ir ao banheiro, que estava amarrada...
Vampira: Vigiada por câmeras! Sob um sistema de pânico terrorista! Eles disseram que quem mexesse no meu colar neutralizador, seria visto pelo sistema de câmeras. Então, eles detonariam explosivos.
Promotoria: Ah, é mesmo? Eu espero que os jurados entendam bem o que eles estão ouvindo... Uma pobre mulher amarrada e algemada, com a boca machucada, sem poder ir ao banheiro, que sofreu com as agressões físicas de um grupo de lunáticos, que ouviu palavras preconceituosas e ainda estava sob o terror de morrer a qualquer momento, caso esses explosivos fossem detonados! Que absurdo! Explosivos, senhoras e senhores! Explosivos! O que mais você passou, Clarisse?
Vampira: Bom... é isso. Acho que isso já basta.
Promotoria: É que você dizia que um dos comparsas do Edward tinha passado a mão em algum lugar... Conte melhor isso.
Gambit vai se perturbando mais na cadeira. Mexe de um lado e do outro, ouvir aquilo tudo estava tirando-o do sério. Já bastava ter visto a mulher apanhando do Edward quando os sentinelas chegaram e ela foi amarrada. Agora, ficou sabendo que lá no cativeiro a situação não era diferente. Ela apanhou mais, e sem poder revidar do jeito que Vampira sabe como! E agora isso! Comparsa fulano passando a mão em lugar que ninguém sabe onde, e que Vampira não estava querendo contar! Gambit não pára de embaralhar suas cartas com ódio
Vampira: Eu estava dormindo... Um babaca chegou e passou a mão na minha perna! Foi isso. Não quero mais falar sobre isso, já chega!
Intocável... Gambit pensou "minha intocável". Gambit que passou anos sonhando em encostar um dedo nela! Em passar de leve seus lábios sobre a pele dela, em tocar o cabelo daquela que ama sem se preocupar se seus dedos vão encostar no rosto dela! Intocável, preciosa, deusa no pedestal, inalcançável: com um cretino passando a mão na perna dela???!!! O francês se levanta com ódio e dá um soco agressivo na mesa da promotoria! Dava para ver uma áurea de ódio em volta dele, uma áurea de indignação, de ciúmes, de tudo o que é ruim! Ele ia berrar alguma coisa! Algum desaforo para o Edward! Não! Ele ia querer saber qual dos dois comparsas que estavam ali presentes foi o que encostou nela dessa forma! Apesar dele ter interrompido as falas do promotor com Vampira, Gambit resolve sentar novamente na cadeira. Ele lembra do que o juiz disse: ninguém fala a não ser os advogados! Mas o promotor entende perfeitamente o que Gambit estava para dizer. E resolve, então, fazer das palavras não ditas dele, as suas! E pergunta para Vampira:
Promotor: Clarisse, você pode nos dizer qual dos dois comparsas
aqui presentes passou a mão nas suas pernas?
Vampira: Foi aquele alí de blusa azul. O loiro! Eu lembro da cara dele de babão! Parecia que nunca tinha visto mulher na vida, um ridículo! Você é ridículo, cara! Te manca, você nunca ia conseguir nada comigo!!! ... E antes dele fazer isso, ele já tinha me dito que se eu estivesse com frio... com frio, ah esquece.
Era justamente o comparsa que estava mais próximo de Gambit! O francês vira a cabeça para o lado e abaixa os óculos escuros! O comparsa leva um susto ao ver aqueles olhos pretos e vermelho brilhante queimando de ódio! Gambit faz uma cara de "você vai se ver comigo." Depois coloca os óculos, e vira para frente, para voltar a prestar atenção ao julgamento.
Promotoria: Clarisse, não se preocupe com o baixo nível das coisas que eles lhe diziam. Você as deve repetir exatamente como eles disseram. Eu sei que pode ser difícil para você, mas é assim que deve ser feito. Para que os jurados saibam perfeitamente quem eles vão julgar como inocentes ou culpados!
Vampira: Ele disse assim "olha, já que você está sem calcinha, se sentir frio entre as pernas, pode me chamar que eu aqueço!"
Promotoria: VIRAM? Viram, que sordidez! Que absurdo! Claramente, disse que queria ter relações sexuais com minha cliente! Por isso é que eu digo que depois quando ele passou as mãos na perna dela, aquilo tinha conotação sexual! FOI UM ABUSO SEXUAL! Poderia até mesmo, senhores... poderia ter sido um estupro! Por favor! Não julguem como inocentes pessoas como essas!
Defesa: Protesto! A promotoria não pode implorar para os jurados darem o réu como culpado! Isso é um absurdo!
Juiz: Protesto aceito. Promotoria, você não deve dizer o que é certo ou errado aos jurados. Deixe que eles julguem por si sós, e que digam culpado ou inocente por seus próprios julgamentos.
Jean fala com Scott bem baixinho, que seria melhor que Jubileu e Sam não ficassem ouvindo o resto do julgamento. As coisas pareciam que iam descambar para mais violência e baixaria. Seria melhor que Tempestade os levasse para fora.
Scott: Mas, Jean. Eu acho que eles já ouviram tudo de ruim que teriam de ouvir. E eles não são crianças.
Jean: Scott, olha o rostinho da Jubileu! Ela está espantada... Melhor tirar ela daqui. O Sam também.
Scott: Sam não vai querer sair, Jean.
Jean: Então seja esperto e peça para que ele a leve para fora. Dando a entender que é apenas ela que deveria ficar lá fora, e ele tomando conta dela.
Scott pede licença e vai andando devagar, sem fazer muito barulho. E fala baixinho para Sam e Jubileu:
Scott: Sam, eu gostaria que você levasse Jubileu lá para fora. Eu e Jean achamos que é melhor assim.
Jubileu: Por que? Qual o problema de eu ficar aqui?
Scott: Jubileu, isso é demais pra você!
Jubileu: Eu tenho 16 anos! Vou fazer 17 esse ano!
Scott: Jubileu, por favor. Escute, isso é demais para mim... Como é que para você vai ser fácil? Tenho certeza que para você tem sido mais forte e traumatizante... Sem pirraça, obedeça minha ordem.
Sam: Eu obedeço sua ordem, seu Ciclope! Vamos, Jubi!
Scott volta para se sentar ao lado de Jean. Enquanto isso, Sam vai levando Jubileu para fora.
Jean: E então?
Scott: Ela fez beicinho e pirraça. Mas Sam encarou tudo como uma ordem e uma missão protetora dada pelo líder Ciclope.
Jean sorri.
Jean: Ótimo. Matamos dois coelhos com uma cajadada só. Colocamos os dois longe disso tudo, sem que ele soubesse de nossas intenções.
Enquanto isso, Vampira volta a se sentar ao lado de Gambit na mesa da promotoria. Agora era Mike que ia dar seu depoimento. Gambit olha fundo nos olhos dela. Passa a mão no cabelo daquela que ama. Ela sorri amargo. Ele segura a mão dela com força, como se quisesse penetrar pela luva e encostar na pele dela. Enquanto Mike ia sentando na cadeira de depoimentos, Gambit fala baixinho para Vampira:
Gambit: Je ne croient que tout cela s'est passé à vous. Et je n'étais pas avec vous là. {Eu não acredito que tudo isso tenha acontecido com você. E eu não estava lá com você.}
Vampira: O que você disse, Gambit? Por que essa mania agora de só dizer coisas que eu não entendo?
Gambit: É falta de coragem de te dizer muitas coisas, amour. ... Je ne vous mérite pas. {Eu não mereço você.} Mais vous êtes tout pour moi. {Mas você é tudo pra mim.}
Vampira fica olhando para Gambit com olhos de quem tenta entender tudo que ele diz, tudo que ele sente, o que se passa com ele. O porquê de tanto francês. Olhos com sobrancelhas apertadas uma na outra, rosto que exala dúvida e tentativa de compreensão. Ela desiste de entender e o abraça. Gambit sorri, passa o braço em volta dela, diz que tudo vai dar certo. Os dois então começam a prestar atenção no depoimento de Mike. Gambit mal sabia o que esperava por ele com um certo gravador.
Promotor: Mike, seu nome é Mike Northon, certo? Você é irmão do réu, do Edward?
Mike: Correto, sou irmão dele. De mesmo pai e mesma mãe.
Promotor: Você pode dizer para os jurados qual é a sua posição nesse caso?
Mike: Eu quero colocar meu irmão na cadeia. Eu vi tudo o que a vítima sofreu.
Promotor: Viram, senhores?! O próprio irmão!
Defesa: Protesto! Mas o que é isso?! Sentimentalismo barato?! Qual é o problema de ser o próprio irmão?! Muitos familiares se odeiam desde pequenos!
Juiz: Protesto negado. Promotoria continue!
Promotor: Mike, você pode nos dizer como também foi seqüestrado por seu próprio irmão?
Mike: A Clarisse estava com uma perna quebrada. Acho que por causa do pedaço do teto que caiu nela. Também estava com a boca machucada. Eu sou médico. Meu irmão precisava, então, de um médico que cuidasse dela. Ninguém mais fácil do que o próprio irmão para seqüestrar e obrigar a cuidar dela. Eu estava preso lá também, porque Edward sabia que quando eu saísse de lá, iria na polícia dizer que ele tinha uma mulher seqüestrada! Óbvio! Não sou igual a ele! Sabe... meu irmão desde pequeno sempre foi muito preconceituoso. Muito cheio de uma idéia de pureza. Entrou numa seita que falava da pureza branca, da pureza religiosa, de pureza da masculinidade e agora: de pureza da espécie! Ele odiava negros, asiáticos, era um puritano um pouco hipócrita! Mas adorava jogar pedra nos meus amigos judeus! Uma vez quebrou uma vidraça de uma igreja católica! Principalmente quando era católica negra! Não chegava perto de homossexuais. Uma vez ele pensou em tatuar uma cruz de Cristo no braço, em baixo fazer uma suástica nazista e mais embaixo colocar KKK (Klux Kus Klan) Nossa! Meu irmão é um demente! Eu sempre disse isso pra mamãe, "Edward é demente, mãe"!
Promotor: Sei... Então Edward tem um histórico de vários tipos de preconceito e atividades criminosas? Entendo...
Defesa: Protesto! Atividade criminosa? Não ter amigos judeus e homossexuais é crime??
Promotor: Não! Mas quebrar vidraça de igreja é sim! E jogar pedra em judeus, ou qualquer outra pessoa, também é crime
Juiz: Protesto negado! Promotoria, continue...
Promotor: Então, Mike. Conte-nos tudo o que você viu nessa cativeiro.
Mike: Bom... Eu lembro que Clarisse estava amarrada e algemada. Eu não podia nem chegar perto do colar dela no pescoço, porque tinham câmeras de vídeo no quarto, e eles disseram que se vissem eu mexendo no colar, explodiriam o quarto! Tinha jornal forrando o chão, era ali onde Clarisse deveria fazer suas necessidades. Ela era sempre xingada de monstro, vaca, aberração, mutante nojenta, aborto da natureza. Diziam sempre para ela que todos os mutante ainda mereciam tratamento pior do que eles estavam dando a ela. Parece que a MEHHS tinha realmente um intuito de seqüestrar todos os mutantes com a ajuda daquele colar neutralizador e dos grandes sentinelas. Parece que o projeto para os mutantes seria aquilo: jornal no chão, xingamentos e cativeiro!
Promotor: Você também ficou amarrado e algemado?
Mike: Não. Eu tinha minhas mãos livres, afinal, tinha que fazer os curativos nela. Essa era minha função lá! Mas os comparsas do Edward estavam sempre com suas metralhadoras empunhadas, esperando qualquer vacilo meu.
Promotor: Ah! Então, além de tudo isso, eles ainda andavam armados para cima e para baixo?
Mike: Claro!
Promotor: Qual foi o momento de maior tensão que você passou ali naquele cativeiro, Mike?
Mike: Bom... Foi quando a Clarisse precisou ir ao banheiro. Aquilo foi simplesmente deprimente.... Que bando de monstros desumanos existem nesse mundo! Os comparsas do Edward foram de uma brutalidade com a coitada, de uma grosseria, de uma falta de sentimentos humanos com ela! Sabe o que eles diziam? Que não precisam ter sentimentos humanos por ela! Porque ela não é humana!
Promotor: Nãoooo????!!!!
Mike: Sim! Disseram isso várias vezes. Que ela não merecia compaixão, porque não é gente! É um aborto da natureza, uma mutante nojenta! Que eles estavam até tratando bem!!!
Promotoria: Meus queridos jurados! Vocês ouviram isso??? Ouviram??? Prestem bem a atenção no tipo de pessoa desalmada que vocês estão julgando! Uma pessoa que tem o projeto de fazer a mesma coisa que fez com minha cliente, com muitos outros mutantes! Porque ele os julga não humanos e dignos de sofrerem por isso! ... Então, Mike, porque foi deprimente e tenso quando Clarisse quis ir ao banheiro.
Mike: Ela não podia andar, estava com o gesso que coloquei na perna dela ainda fresco. Então, eu a coloquei no colo.
Gambit sabe muito bem o motivo de Mike ter colocado Vampira no colo, mas não gostou de ouvir isso e imaginar a cena. Parecia que intocável teve um momento que todos a tocavam. Para Gambit, isso era sacrilégio.
Mike: Pois, foi só eu colocá-la no colo para os comparsas
aparecerem no quarto com as metralhadoras nas nossas caras! Gritando para eu
colocar ela no chão! Eu explicava, mas eles não queriam ouvir... Foi
horrível, depois não queriam deixá-la ir. Depois decidiram que não iam
soltar a algema nem as cordas dela. Mas como ela poderia fazer alguma coisa no
banheiro com as mãos presas? Decidiram então que eu tiraria a roupa dela! Olha
que absurdo! Que situação horrível pra ela e pra mim também!!! Ainda por
cima, os dois também ficaram no banheiro, achando que eu lá dentro com ela,
tiraria o colar. Nesse banheiro não tinha câmeras. Foi um horror, gente. Um
horror... Aí, decidiram que eu não colocaria a roupa íntima dela de volta.
Que ela teria que ficar só de camisola, sem nada por baixo. Porque se quisesse
ir ao banheiro, era mais fácil. Era só fazer ali mesmo no jornal, sem se
preocupar em ficar com as roupas sujas! ... Ai... Por favor, jurados! Esses
caras são uns cretinos! Eles só podem receber uma sentença: culpados! E muito
culpados! Foi por isso que a coitada gritou tanto quando o anormal
passava a mão na perna dela! Afinal, ela estava amarrada, totalmente indefesa e
sem roupa íntima! Não existe absolvição para essas pessoas!
Vampira esconde o rosto no peitoral de Gambit, estava morrendo de vergonha em saber que ele e todos os x-men estavam ouvindo tudo aquilo. Gambit está revoltado com tudo o que ouviu, mas tenta não demonstrar. Tenta ficar calmo, sereno e confortá-la. Ele sabe que Vampira se sentiria ainda pior se o visse colocando fogo dos olhos! O promotor, vendo o estado de Vampira, aproveita para fazer mais chantagem em cima dos jurados!
Promotor: Estão vendo? Olhem o estado em que está minha cliente!!!! Abraçada ao marido, totalmente desolada! Envergonhada por tudo o que passou! Atormentada por pesadelos de que uma situação como aquela pudesse se repetir! Eles devastaram a vida pessoal dela!
Vampira é forte. E quer se mostrar forte! Decidida, ela solta-se de Gambit e faz uma cara de quem estava muito bem. Que história era essa de vida pessoal devastada? Que história é essa de desolada! Afinal, ela era a super Vampira! O promotor vê aquilo e tem que mudar de discurso.
Promotor: Mas ela é forte! Está decidida a dar a volta por cima! Vai colocá-los na cadeia e essa será sua maior recompensa! Será sua vingança justa e legítima! Vendo-os pagar por tudo que fizeram a ela! E pelo que poderiam fazer a outros mutantes!
Vampira fica ainda mais confiante, e faz uma cara melhor ainda! Mas o promotor achava que a cliente desolada era algo mais enfático para os jurados terem pena dela e darem a sentença de culpado para Northon mais facilmente. O promotor recomeça a investir numa forma de fazer Vampira se sentir a vítima sofredora! Ele tinha que fazer um show! Os jurados tinham que se sentirem mal junto com ela! Era preciso impressionar!
Promotor: Diante de seu marido e de todos os seus amigos, ela confessa que foi chamada de lixo! Estaria ela se sentindo um lixo? Ela diz todos os horrores pelos quais passou! Pensou que fosse morrer e nunca mais ver aqueles que ama na vida! Sofreu agressões físicas! A terrível situação de um desconhecido ter que lhe tirar as roupas íntimas para ir ao banheiro! Como o marido dela está se sentindo agora??? Como o marido dela está se sentindo ao saber que ela foi quase estuprada! Imaginem o ciúmes correndo por suas veias ao imaginar sua esposa praticamente nua nas mãos de um louco preconceituoso! Quem sabe, depois de estuprá-la ele não a mataria? Como esses loucos que andam aí a solta vivem fazendo!!!!
Gambit começou realmente a imaginar aquilo que sentia: o ciúmes correndo em suas veias! Mais do que ciúmes, a indignação e ódio! E recomeçou a imaginá-la praticamente nua nas mãos de um louco!
Promotor: Estaria ela se sentindo um lixo????
Vampira volta a se achar um lixo! Não porque aqueles imbecis a chamaram de nojenta, de mutante, de aborto da natureza! Mas porque ela sempre ouviu isso de todos os não mutantes! Inclusive de seus pais! Voltou a se sentir um lixo, porque além de diferente, ela era incapaz de tocar aqueles que amava! Como disse Scott, uma esterilizada virtual! Um atraso da espécie! Nem procriar, coisa mais básica dos seres vivos, ela podia! Lixa, sentia-se um lixo! Juntando tudo isso a vergonha de toda essa exposição, ela começou a chorar! E mais uma vez, enfiou o rosto no peitoral de Gambit!
Promotor: Viram! Eles a fizeram se sentir um lixo! Não deixem que eles fiquem soltos e façam com que outros pobres mutantes tenham sua mente tão abalada com uma situação dessas!
O promotor conseguiu o que queria! Que importava a ele se Vampira ficava cada vez mais magoada com toda aquela incessante repetição de tudo o que aconteceu? Tudo o que importava a ele, era ganhar o caso! E ganhá-lo significava impressionar o máximo possível os jurados! E ele estava conseguindo o que queria! Os x-men ganhariam facilmente esse julgamento, dava para ver o sentimento de pena e indignação nas caras dos jurados! Mas a que preço? Isso tudo estava destruindo Vampira.
Promotor: Antes de terminar minha acusação, eu quero mostrar a todos vocês os vídeos que eu consegui recuperar do cativeiro. Sim! As fitas gravadas nas câmeras de segurança! Eu as guradei!
Edward Northon congela! Tudo aquilo que foi dito, seria visto! Ele estava começando a achar que Karen com aquelas conversas gravadas não seria de grande ajuda. Vampira não tirou mais o rosto de dentro do aconchego e do conforto de Gambit. Até porque, ela queria não ver a fita e não ouvir a fita. Ela queria entrar em Gambit, fugir para dentro dele! Fugir de tudo aquilo! Era massacre demais! Vampira ia apertando mais Gambit, ia esfregando o rosto no peito dele, ia abaixando a cabeça dele querendo que ele também não visse a fita.
Gambit: Shiii, petite... Ma petite, fica cama. Você está tremendo, fica calma. Eu estou aqui com você, amour. O pior já aconteceu, isso é só uma fita. Não acontece de novo só porque você a está vendo.
Ela não diz nada. Só coloca a mão nos olhos dele, indicando claramente que não quer que ele veja a fita.
Juiz: Perdão. Eu quero interromper um minuto. Senhor Lebeau, sua esposa está bem?
Gambit: Não muito bem, senhor.
Juiz: Escuta, ela pode se retirar se quiser. Não precisa ver a fita se isso a incomoda. Ninguém aqui é obrigado a ver esses tipos de cenas a não ser os jurados!
Jean que também não estava nem um pouco interessada em ver esse tipo de coisa, levanta-se e pega Vampira. Vai levando-a para fora. Gambit fica sozinho na mesa. O promotor coloca a fita, as caras de todos são as piores possíveis. Todo mundo sente-se indignado com tamanho preconceito! Tamanha falta de direitos humanos, de pensamento no outro como a uma semelhante, como um igual! Aqueles homens, Edward e seus comparsas, não viam os mutantes como seus semelhantes. Para eles, os mutantes não eram humanos! Eles escutam todos os xingamentos, vêem a forma como tratam vampira, vêem o chão de jornal, vêem o preconceito em filme! Uma espécie de reality show do preconceito, que choca a todos! Wolverine quebra a cadeira onde estava sentado, ao ouvir um dos comparsas dizendo a Vampira que se ela sentisse frio, ele a aqueceria! Seria mais uma coisa do tribunal que Logan teria que pagar. Gambit sente mais pelo tapa que Vampira leva no banheiro e de tudo que ela sofre ali dentro, do que pela frase imbecil de proposta de sexo a ela. Tempestade teve calafrios de nervoso ao ver aquele imundo passando a mão na perna da vampira enquanto ela dormia. Tempestade chegou a ficar eletrizada, alguns de seus fios de cabelo estavam levantando! Gambit preferiu virar o rosto e não ver essa cena. Depois do choque da fita, chega a vez da defesa! Jean volta com Vampira para a sala do julgamento, mas deixa Jubileu e Sam ainda do lado de fora. Vampira parecia mais calma.
Defesa: Bom, senhoras e senhores. Vocês acabaram de presenciar um bombardeio contra meu cliente! E meu papel aqui é mostrar que nem tudo o que foi dito sobre ele é verdade! Primeiro de tudo, Mike Northon nunca gostou do irmão. Essas histórias de que meu cliente é um preconceituoso desde criança é mentira. Onde estão as provas contra meu cliente? Mike simplesmente falou, mas falar é fácil. Ele está mentindo. Onde está al guém que comprove que ele qubrou janelas de igrejas? Onde estão seus amiguinhos judeus que foram apedrejados pelo Edward? Acusar sem provas é muito fácil, vocês não acham? Por acaso meu cliente tem uma suástica tatuada no braço? Ou o KKK? Não tem nada disso.
Promotoria: Protesto! Mike disse que o irmão um dia quis fazer uma suástica e um KKK no braço.
Defesa: Quem disse que ele quis fazer isso? Onde está a prova de que Edward queria fazer uma suástica no braço? Mike nunca gostou dele! Isso é muito fruto de brigas históricas em casa! Outra coisa que tenho a dizer, é que meu cliente não está metido no processo de fabricação dos sentinelas. Suspeita-se que isso seja obra do governo, de grupos anti-mutantes do governo. Ninguém aqui vai negar. Edward Northon é um anti-mutante. Mas isso não faz dele um criminoso, outras muitas pessoas no mundo são anti-mutantes.
Promotor: Protesto!!! Isso faz dele um criminoso quando ele decide seqüestrar uma mutante!!!!
Defesa: Concordo! Meu cliente agiu de forma impensada! Agiu por impulso, pelo ódio! Ele não pensou direito no que estava fazendo, ele errou. Afinal, errar é humano. E eu quero provar aqui, que esse quadro de demônio que vocês pintaram para ele, não é a verdade! Para começar, a promotoria se esbaldou em dizer que Edward seqüestrou o próprio irmão, junto com a mutante! Mas, senhores jurados, vejam que essa atitude foi nobre! Se ele fosse esse demônio que tanto quiseram pintar, ele teria deixado a vítima com a perna quebrada e machucada! Mas não! Ele foi humano e pensou no sofrimento dela! E chamou um médico! A forma como ele conseguiu esse médico foi uma forma equivocada, assim como todo o resto! Mas o que importa é que ao contrário do que disseram, de que ele não teve o menor sentimento humanista, ele chamou um socorro para a vítima!
Gambit diz baixinho:
Gambit: Que ridículo...
Defesa: Outra coisa que tenho a dizer, é que meu cliente descobriu o esconderijo onde os sentinelas colocaram a mutante. O projeto dos sentinelas também é anti-mutante. Como Edward não gosta de mutantes, ele e seus amigos foram lá satirizar e xingar a mutante! Mas ele não foi o mandante do seqüestro!
Vampira: É mentira!!! Eu vi Edward saindo do sentinela!!! Eu vi, Gambit viu também! Foi ele quem me amarrou e algemou ainda no hotel!!! Ele dizia pra mim que ia seqüestrar outros mutantes! ELE foi o mandante de tudo!!!! Como alguém iria descobrir o esconderijo de um sentinela sem estar metido com tudo aquilo?
Promotor: Protesto! Tanto foi Edward o mandante do seqüestro, que ele também seqüestrou Forge! Forge é o autor do colar neutralizador! Edward tinha o projeto de obrigar Forge a produzir muitos desses colares, para que os mutantes fossem seqüestrados por sentinelas e depois fosse colocado neles esses colares! Assim, eles poderiam ser presos como pessoas normais, em cadeias normais, sem muita tecnologia! É claramente um projeto anti-mutante de segregação racial! Um projeto da MEHHS unido ao Senado americano! Isso está claro!
Defesa: Prove! Por que o seqüestro de Forge não está nas suas fitas?
Promotor: Por que o prédio pegou fogo nessa hora e essa foi a única fita perdida.
Defesa: E por que o prédio pegou fogo? Não foi obra dos mutantes?!!!
Promotor: Não sei!
Defesa: E por que só essa fita queimou?
Promotor: Porque o fogo apagou rápido!
Defesa: É mesmo? Um enorme incêndio que logo apagou? Isso não seria obra também dos mutantes???!!!
Promotor: Onde você está querendo chegar?
Defesa: Eu estou provando aqui que meu cliente não é tão mal como vocês pintaram ele, nem os mutantes são tão santinhos inocentes! Afinal, meu cliente não seria um anti-mutante sem o menor motivo! Por que era tão estritamente necessário que a Clarisse não mexesse no colar neutralizador, caros jurados?! Quais são os poderes danosos dessa mulher para que ela não pudesse nem pensar em encostar no colar?? Ela pode parecer uma mulher normal aqui na frente de vocês! Mas se Edward e seus amigos tinham tanto medo dela sem o colar, é sinal de que ela deve causar sérios estragos, vocês não acham? Ela deve ser muitíssimo perigosa! Tanto é que, ao final do seqüestro quem a salvou foram seus amigos também mutantes! Todos provaram ter graus diferenciados de perigo! A Clarisse, caros jurados, sem o colar, simplesmente deixou um dos amigos do Edward em coma! Sabem como? Ela simplesmente deu um beijo nele! Esta mulher suga a vida das outras pessoas! Eu digo até que ela voa, que será difícil de vocês acreditarem, mas se eu fosse vocês eu não pensaria que isso é impossível! O marido dela explode coisas! Foi ele quem colocou um explosivo na boca do Edward! Vocês não sabiam, mas o céu da boca de Edward se abriu, ele teve que fazer um cirurgia reparatória! Não aprovo nada do que o Edward fez! Mas é minha função aqui mostrar o porquê dele não gostar dos mutantes! E é minha função mostrar aqui para vocês, que ele não foi tão mal e sórdido nesse seqüestro! Eu quero chamar agora a vítima, Clarisse Lebeau, para que o tome o depoimento dela.
Vampira se levanta e mais uma vez vai andando em direção a cadeira especial. Mas uma vez tem que jurar ridiculamente sobre a bíblia que só dirá a verdade.
Defesa: Clarisse, em seu depoimento, você afirmou que Edward e seus comparsas não deixavam que fosse fosse ao banheiro, certo?
Vampira: Certo.
Defesa: Mas você foi ao banheiro, não foi?
Vampira: Depois de muito escândalo, pensando que fossem atirar em mim e no Mike, sim eu acabei indo ao banheiro. Amarrada e com alguém tirando a minha roupa! Se você chama isso de ir ao banheiro, sim eu fui!
Defesa: Então a afirmação de que você era impedida de ir ao banheiro era falsa?
Vampira: Não, não era falsa! Tanto é que tinha jornal no chão para isso! Você não me engana com essa ladainha besta de advogado que tenta confundir as pessoas! Eu era PROIBIDA de ir ao banheiro, só fui porque Mike insistiu muito! E depois não fui mais! Mais alguma pergunta idiota?
Juiz: Por favor, você não pode insultar o advogado de defesa. Ele está fazendo o trabalho dele.
Vampira: Desculpe, excelentíssimo, é que foi maior do que eu! ... Então, mais alguma pertinente pergunta?
Defesa: Quais são seus poderes mutantes?
Vampira: Eu sou diferente, é só isso.
Defesa: Você se considera uma ameaça a outras pessoas?
Vampira: Não.
Defesa: A afirmação de que você suga a vida de outras pessoas com um toque é verdadeira?
Vampira: ...
Defesa: É verdadeira?
Vampira: Eu sou casada, não sou? Pergunte a meu marido se eu já suguei a vida dele, lindinho?
Defesa: Você não respondeu se é verdadeira ou falsa. E eu também não vi você encostando em seu marido. Você permite que o convide aqui na frente para que ele possa segurar a sua mão sem a luva?
Promotor: Protesto! Mas o que é isso? Ela não tem que fazer nada que não queira!
Defesa: Ora, ora! Senhores jurados!!! Qual é o problema de uma esposa segurar a mão de seu marido? Vocês vêem problema nisso???? Vocês não acham que se ela negar isso é porque algo de muito estranho a impede de tocar as pessoas?
Promotoria: Protesto! Ele está acuando minha cliente! Se ela não quer encostar em ninguém, ela deve ter os motivos dela! Você não pode obrigá-la a nada! E não deve fazer conclusões errôneas a partir disso!
Defesa: Está bem. Ela não encosta em ninguém! Mas ficará aqui a dúvida entre os jurados! Eles agora sabem que tem alguma coisa de muito estranha nessa conversa! ... Bom, senhora Lebeau, você por acaso consegue voar?
Vampira sorri.
Vampira: Não, queridinho... Quando você descobrir alguém que faça isso, me avise que eu vou lá tirar fotos.
Defesa: Meu cliente, Edward Northon afirma que você voou na frente dele, a 5 metros de altura mais ou menos, quando havia saindo do cativeiro.
Vampira: É mesmo? Tinha um vizinho meu bem pequenininho que também acreditava em Papai Noel!
A platéia ri, inclusive os jurados riem.
Defesa: Seus amigos aqui presentes são mutantes? Essa sua amiga ruiva aqui, ao lado do rapaz de óculos? Essa ruiva é mutante?
Vampira: Que espécie de pergunta é essa? De que é que isso serve ao caso?
Defesa: Ela é mutante? Ou sim, ou não?!
Vampira: Não sei. Não sei se ela é mutante.
Defesa: Você não sabe? Interessante... Eu tenho alguns relatórios que dizem que essa sua amiga ruiva, chama-se Jean Grey Summers. E é dito aqui que ela é uma telepata! Ela tem uma mente muito potente, pode ler o que a gente pensa! Pode mudar o que a gente pensa a seu dispor!!!! Ela pode interferir em nosso livre arbítrio! O que é mais sagrado na espécie humana é o livre arbítrio, e ela pode tirar isso de nós! Outros mutantes como essa daqui presente pode sugar a vida das pessoas! Existem mutantes que podem atravessar paredes e entrarem em cofres bancários! Existem mutantes como o marido de Clarisse que explode coisas e usa esse seu potencial para roubar coisas! Esses mutantes não são anjos!!!
Vampira: Agora eu vou fazer como você gosta: "Prove" isso tudo, lindinho!
Defesa: Eu vou chamar outra pessoa para depor. Obrigado, Clarisse, já terminei com você.
É quando entra no tribunal Jessica Karen. Gambit olha para trás e gela. O que é que essa mulher está fazendo aqui? Vampira não entende nada!
Vampira: Ué, Gambit? Quê que essa baranga tá fazendo aqui? Não foi essa que eu vi você beijando e você me disse que ela é uma prostituta? É a Karen lá da agência de modelos! Quê que ela tá fazendo aqui, gatinho?
Gambit: Ah, ma chere... Je ne sé pa!
Jessica Karen senta na cadeira, ridiculamente também jura sobre a bíblia. O depoimento começa.
Defesa: Apresente-se, por favor.
Karen: Meu nome é Karen Soulter, eu sou uma conhecida do Remy Lebeau. O marido da vítima.
Defesa: Você o conhece ha muito tempo?
Karen: Não, mas o suficiente para descobrir algumas coisas.
Defesa: Como você descobriu essas coisas?
Karen: Nós estamos tendo um caso! Uma espécie de romance!
Vampira na mesma hora olha para Gambit! Ele fica olhando para ela sem ter o que dizer. Gambit segura a mão dela, Vampira solta-se rápido dele e chega mais para o lado. Ela faz uma cara e um ar de "eu não acredito nisso!"
Defesa: E o que você descobriu?
Karen: Bom, não posso afirmar que o Remy é um mutante! Mas posso afirmar que ele é um ladrão, de uma habilidade rara! Se não é mutante, é quase isso!
Promotor: Protesto! Onde estão as provas do que essa mulher está dizendo?
Karen: Eu gravei algumas conversas! E posso mostrá-las para vocês!
Gambit põem a mão na cabeça e deita a
testa na mesa. Vampira olha o movimento dele e tem certeza absoluta do que Karen
está dizendo é verdade. Karen explica que a gravação foi feita ha pouco
tempo. Explica que foi um dia quando estava visitando Gambit em seu apartamento.
Então, ela solta o play! Ouve-se Gambit perguntando a ela como ela conseguiu
entrar e ela responde "entrando." Depois,
ela ainda diz: "É, eu também posso ser cheia
das trapaças, como você. Achei que fosse te impressionar, por isso entrei
dessa forma gatuna." Gambit
pergunta "gatuna
ou gatíssima?" Ouve-se um risinho carinhoso
dela depois da pergunta. E então, ouve-se um miado charmoso. Depois disso,
ouve-se um beijo dos dois. Vampira faz uma cara de nojo quando escuta
isso. Jean levanta aos mãos para o céu ao lembrar que colocou Jubileu e Sam
para fora
do tribunal! Ela pressentia
que mais coisas escabrosas viriam! Foi melhor que os dois não estivessem ali
dentro. E dentre sussurros e gemidos, toda a conversa, sem nenhuma pausa, foi
ouvida. E não foi apenas essa conversa a utilizada, outras mais que eles
tiveram também foram mostradas. Em uma delas, ouviu-se até o início de algo
que parecia sexo! E Gambit chamando Karen de Vampira. As vezes, só ouvir alguma
coisa e não a conseguir ver é pior do que ver e ouvir! Porque cada
respiração mais profunda você começa a imaginar coisas que talvez não
estivessem acontecendo... O advogado de defesa usou cada frase de Gambit que
desse para subentender alguma ilegalidade que os poderes mutantes poderiam
trazer. Para todos, Gambit confessou que roubava, quando frases como essa foram
ouvidas "Você sabe, chere. Eu roubo, lembra?
Roubo ricas mulheres. Mas já roubei casas, jóias, caixas 24 horas, já roubei
a mando de outras pessoas também. Dentre outras trapaças que eu faço. ...Não
presto." Ao final, o advogado de defesa ainda
reiterou sua defesa, dizendo que não se podia julgar atos feitos pelos
comparsas de Edward como atos falhos seus. Afinal, muitas das coisas que seus
comparsas faziam, ele não sabia que estavam sendo feitas daquela forma
horrível. O advogado estava querendo provar que Edward não praticou nenhum
abuso sexual a vítima, e que a maioria dos insultos não foi ele quem fez e que
ele mal esteve presente no cativeiro a maioria do tempo! O julgamento terminou e
todos esperaram por mais de duas horas para que os jurados voltassem com a
sentença. Os x-men passaram a maior parte do tempo em silêncio. Gambit não
disse mais nenhuma palavra. Tempestade ficou muito tempo abraçada com Vampira.
Volta e meia Remy e Vampira se olhavam, ela carregava lágrimas no olhos e ele
não sabia o que dizer.
Os jurados voltam com a sentença, todos sentam ansiosos para ouví-la! Um representando dos jurados entrega o envelope com as sentenças de cada jurado e diz a ele qual foi o resultado. O juiz bate o martelo na madeiinha da mesa e lê a sentença.
Juiz: O réu Edward Northon, julgado no superior tribunal de Justiça foi declarado por votos unânimes dos jurados como CULPADO por seqüestro premeditado; cárcere desumano sem as menores condições sanitárias ou humanitárias; violência corporal; danos psicológicos e racismo! Foi retirada pelos jurados as acusações de abuso sexual e tentativa de estupro, que eles entenderam que foram feitas por seus comparsas e não por Edward propriamente dito. A pena para Edward Northon será de 5 anos de prisão em regime inteiramente fechado. Os julgamentos de seus comparsas no seqüestro acontecerão em breve, assim como o julgamento de sua ajudante Sabrina, também entendida como participante do seqüestro. A defesa têm direito a recorrer a minha sentença. Caso encerrado!
Todos voltam para a mansão, mais ou menos felizes. Inclusive Gambit vai também para a mansão. Eles estavam exaustos de tudo o que aconteceu. Ainda guardavam na memória frases insultantes sobre os mutantes serem isso ou aquilo! Ainda guardavam o sentimento de Eterno Preconceito daquele julgamento. Está certo, Edward foi condenado, mas 5 anos de prisão é muito pouco tempo para ele. Os x-men queriam que ele ficasse preso para sempre! Os x-men queriam mais justiça do que realmente aconteceu. O desgaste emocional de Vampira foi muito grande, ela estava bastante abalada. O próprio Gambit também estava em frangalhos. Jean tinha um certo embrulho na barriga por ter visto e ouvido tantas cenas de violência, sejam elas verbais, corporais ou sexuais! Violência é sempre violência. E eram violências gratuitas, calcadas num preconceito eterno e idiota! Estavam todos lá, na sala da mansão. Estavam cansados e largados no sofá. Vampira estava com os olhos vermelhos. Querendo gritar e chorar, botar tudo para fora! Sabe quando o maxilar começa a doer de tanto que se quer chorar, mas se está segurando o choro? Era assim que Vampira estava, com aquela vontade de chorar que dói o maxilar. Todo mundo percebeu isso. Wolverine sentou no braço do sofá, ao lado dela. Ele sabe o quanto ela tenta ser forte e mostrar que é uma valentona. Mas numa situação dessas, chorar faz muito bem! Wolverine cutucou ela e disse: "Vai, chora, guria!" Cutucou ela de novo: "Chora, guria! Anda, chora!" Vampira caiu nos prantos, todos foram lá abraçá-la! Era um choro que a redimia de tudo que passou. Era um choro de raiva pelas coisas que ouviu, por ter apanhado sem poder revidar, pelo advogado de defesa ter sido tão ridículo; um choro de tristeza em saber que ela é realmente uma vampira de vidas; um choro de alegria por ter ganhado o julgamento; um choro de emoção pela ajuda dos amigos tão fiéis; um choro de dor profunda por ter perdido o melhor momento de sua vida, seu casamento, por causa de um seqüestro idiota; e também um choro pelo o que ouviu nas fitas da Karen. Era um choro de tudo! Todos foram abraçando ela, inclusive Wolverine que é meio desajeitado para esse tipo de coisa. Gambit foi o único que ficou parado, sem se mexer. Depois que todo mundo a abraçou, e sentou em volta dela, ou pelo chão ou pelos braços do sofá, pelas costas do sofá; perceberam que Gambit era o úncio que continuava do outro lada da sale e nem tinha ido falar com ela. Todos eles ficaram olhando para Gambit e Gambit olhando para eles. Vampira abaixou a cabeça.
Jean: Não vai vir falar com sua mulher, Gambit? Vai ficar só aí de longe olhando pra ela e para gente?
Gambit: ...
Jubileu: Vem cá com a gente, Gambit!
Gambit: Non... Eu não tenho mais o direito de chegar próximo dela, mes ami. Estraguei a vida dela, quase estraguei o julgamento também.
Wolverine: Deixa disso, cajun! Depois vocês conversam sobre isso.
Jean: Eu tenho certeza que ela gostaria de um abraço seu agora.
Gambit: Eu acho que não... Estou indo embora gente... Outro dia, quem sabe, apareço aqui de novo.
Ele vai saindo e acaba escutando a voz de Vampira.
Vampira: Eu quero um abraço seu, Remy!
Ele se vira rápido para o sofá, todos os x-men abrem um clarão, cada um vai para um canto da mansão. Gambit senta ao lado dela e a abraça forte. Ele beija a mão dela (com luva) várias vezes. E diz que ela foi muito forte, corajosa e decidida como ela sempre costumou ser! Diz que apesar da parte final, o julgamento tendeu sempre para o sucesso. Vampira sorri amargo. Eles se abraçam de novo. Gambit diz que se sente mais aliviada em ver aquele energúmeno na prisão. Acha que 5 anos é pouco tempo para ele, mas pelo menos sabe que serão 5 anos de bastante sofrimento. Ele tenta tocar no assunta da karen, mas não consegue. As palavras não conseguem sair de sua boca. Então, o francês é mais uma vez um meio de não comunicação.
Gambit: Je préfère que vous ne comprenez pas ce que je dois dire. {Eu prefiro que você não entenda o que eu tenho a dizer.} Je n'aurais rien dû faire de cela. Je suis idiot complet. Vous ne me pardonnerez jamais. {Eu não devia ter feito nada do que eu fiz. Sou um completo idiota. Você não vai me perdoar nunca}
Vampira: Gambit! Corta essa de francês! Diz logo o que você tem a dizer?
Gambit: ... Eu disse que preferia que você não entendesse o que eu tenho a dizer.
Vampira: Mas eu já entendi, Gambit. A Karen já me fez entender tudo hoje.
Gambit: Ne
pleurez pas, s'il vous plaît.... Vous ne méritez pas pleurer. Ne pleurez pas
à cause de moi... Je ne veux pas vous voir souffrir à cause de mes erreurs.
Vampira: Obrigada pela tradução simultânea dessa vez. Vou tentar não sofrer. Afinal, eu tinha dito que não me importava mais com suas garotas. Tinha te deixado livre, mesmo ainda te amando.
Gambit: Mas eu tinha dito que não iria querer nenhuma. Esse foi meu erro... Je ne demanderai pas que vous me pardonner. Je sais que cela demanderait trop.
Vampira: O que disse agora?
Gambit: ... Nada. Disse que... não ia pedir que você me perdoe. Eu sei que isso seria pedir demais.
Vampira: Você gosta da Ka...?
Gambit: Não!!!
Vampira: ...
Gambit: Gosto de você...
Vampira: Eu sei... Você vai embora agora?
Gambit: Acho que sim...
Vampira: Volta aqui amanhã, então... Eu sinto a sua falta... Gostei muito de ficar nos seus braços hoje no julgamento. Você me dá muito conforto, me passa amor.
Gambit: Se você quiser eu durmo aqui hoje.
Vampira: No seu quarto?
Gambit: No quarto onde você estiver.
Vampira: Eu também queria você do meu lado hoje... Até para esquecer essa historia de Karen e lembrar que você ama mesmo é a mim. E isso me faz continuar vivendo nessa vida merda que eu levo, sabe Gambit? É a esperança de um dia poder conseguir ser sua por inteiro. Eu falo que não me importo mais com você, mas no fundo é a esperança de um dia poder ficar com você que me faz continuar ficar viva.
Gambit: Amour, Karen pra mim é apenas uma auto flagelação que eu deveria fazer por essa burrada colossal. Eu sou um fraco mesmo, ne? Mas esse fraco aqui também é viciado em você.
Vampira: Em cigarro também.
Gambit: Não vou pedir que me perdoe. Sei que você não vai me perdoar. Pelo menos, que não vai esquecer.
Vampira: Ainda bem que você sabe.
Gambit: Mas eu posso a cada instante tentar fazer você não lembrar disso, pelo menos.
Vampira: Então vamos lá para o meu quarto que eu estou com sono. Tudo foi muito cansativo e chorar pesa os olhos. Dorme do meu lado repetindo milhares de vezes até eu dormir que a pesar de você ser esse galinha ridículo, é a mim que você ama?
Gambit: Aceito o convite, belle. E prometo tentar mudar.
Vampira: Então vamos nessa, antes que eu mude de idéia e quebre a sua cara! Porque é isso que eu devia fazer! E no fundo eu também tenho vontade de te bater!
Os dois vão subindo as escadas juntos e conversando. Ele ainda diz a ela que deixa que ela bata, porque afinal, ele merece! Ela abraça ele diz que as vezes essa vontade vem, mas ela costuma ir embora rápido.
Gambit: Eu bato em mim mesmo, pode deixar. Tenho merecido ultimamente...
Os dois riem, entram no quarto e fecham a porta.