Férias
Fera pulava de galho em galho como um estranho soldado em guarda. O jardim da mansão a noite podia ser um verdadeiro pesadelo. Pelo menos, de galho em galho ele tinha uma melhor visão dos inimigos abaixo! Fera estava numa situação menos tensa do que a de Gambit, em guarda na grama. Mas Remy Lebeau não ficaria em desvantagem por muito tempo! Ele pega seu cajado e dá um impulso, logo pára num galho, como um gato que sobe em árvores! Fera diz baixinho:
Fera: Magnânimo amigo francês, você está fugindo de seu posto.
Gambit: Mon ami, Remy Lebeau não quer ficar em desvantagem...
Fera: Retorne a seu posto, do que é que tem medo?
Gambit não tinha medo de nada! Viu o que tinha que ver do alto e logo desceu para a desvantagem da grama! A escuridão quase adormecia os x-men, mas era preciso ficar acordado! A qualquer momento, eles atacariam! Gambit mal desceu da árvore, e uma rajada vermelha ilumina todo jardim! Era Scott que acertava a árvore onde estava Fera! Mas o grande peludo, habilmente, antes que árvore caísse por completo, já havia pulado para outro lugar seguro.
Fera: Scott, você é anti ecológico! A pobre árvore está pegando fogo e talvez esse mesmo se alastre para todas as outras!
Gambit sorrateiramente entre as sombras foi se esquivando até chegar nas costas de Scott e imprensar seu bastão contra o pescoço de um Ciclope!
Gambit: Mon ami! Que feio! Não é assim que se trata nosso amigo Fera!
Scott vai lutando contra a força de Gambit que o sufocava com o bastão. Em poucos instantes, Vampira aparece e com um simples empurrão, joga Gambit para longe de Scott!
Vampira: Wolverine! Você está muito mais perto do Scott! Por que não fez nada?
Wolverine: O caolho agüentava mais um pouco... E tinha você para ajudar... Não costumo ajudar quem eu não vou com as fuças!
Scott: Vou tentar lembrar disso quando você estiver em perigo!
Wolverine esboça um sorriso sarcástico.
Wolverine: No dia que eu precisar da ajuda de alguém como você, eu me considero morto!
Mal Wolverine acabou de falar "morto", Fera já pulava em seu pescoço! Os dois foram rolando pelo jardim, até Logan se recuperar e colocar as garras para fora! Fera se pendura num galho de uma árvores e dá um impulso para chutar Wolverine com os dois pés! Wolverine se esquiva!
Wolverine: Sou bonzinho com você! Podia ter recebido essas suas duas patas com minhas garras! Tú ia ficar sem andar por um bom tempo!
Scott: Vampira! Detenha Gambit! Eu vou provar a Wolverine que ele precisa de minha ajuda até para se desfazer de Fera!
Vampira voa em direção a Gambit! Pára no ar a uns dois metros de altura dele. Ordena que ele se renda. O senhor Lebeau dá um sorriso sedutor...
Gambit: Mas é claro que me rendo a seus encantos, mon amour! Eu me rendo!
Vampira desce na frente dele, enfurecida com a brincadeirinha! Agarra a gola de seu sobretudo e o ameaça com o punho fechado.
Vampira: Chega de gracinhas, queridinho! Você já era!
Gambit nem se preocupa em se livrar de sua oponente mais encantadora. Para que lutar? Ele agarra Vampira para o mais próximo possível que os dois podem ficar e a beija calorosamente!
Fera: Desisto! Ele sempre estraga os treinos...
Na mesma hora, as portas da Sala de Perigo se abrem! A projeção holográfica do jardim é desfeita! A Vampira que Gambit beijava vai se desfazendo em seus braços como luz que apaga. O Scott também desaparece e Wolverine idem. Ficam só Fera e Gambit no meio daquela enorme sala vazia. As luzes se ascendem. A voz de comando da sala diz:
Voz digital: Treino de defesa em dupla abortado. Pontos de Gambit e Fera: zero. Treino abortado por tentativa de suicídio! Treino abortado!
Scott comandava o treino da sala de vidro que ficava bem no alto da Sala de Perigo. Ele desliga a voz digital, pega o microfone. Ouve-se a voz dele.
Scott: Gambit, qual foi o seu problema? Estava indo bem enforcando minha projeção holográfica. De repente resolveu acabar com o treino?!
Fera: Já deixo declarado aqui que não treino mais em dupla com ele!
Scott: Gambit, você sabe que essa sala existe para reproduzir situações que podem ser reais. E se isso fosse real, o que teria acontecido?
Gambit: Eu teria ficado feliz por beijar quem eu desejo!
Scott: Acho que você não vai mencionar que depois entraria em coma... Bom... não tenho mais comentários. Vocês dois podem ir! Chamem Jean e Tempestade para treinarem. Não contem que elas lutarão contra minha projeção holográfica, com a do Wolverine e da Vampira. Tem que ser um elemento surpresa.
A projeção holográfica da Sala de Perigo é de uma veracidade impressionante! Tem-se a clara impressão de que é tudo verdade! É como um pesadelo, onde tudo é real e massacrante. Bom... massacrante para alguns. Sala de Perigo sempre uma das maiores diversões de Wolverine! Inclusive Vampira, quando está com os nervos a flor da pele, costuma convidar Wolverine para uma rodada de porradaria na Sala de Perigo. É pura diversão, eles não se machucam facilmente. Deve ser uma válvula de escape para os dois, essas rodadas de socos e gritos de força.
O treino de Fera e Gambit foi o primeiro daquela
manhã, ainda era cedo. Alguns x-men ainda dormiam, como Bobby Drake, Bishop e
Vampira. Os medos e terrores da
Intocável adormecida produzem projeções holográficas dentro do seu sono
inquieto. É a veracidade e impressão de verdade que mais mortificam quem
sonha! Aquilo parece que realmente aconteceu! ... Vampira estava numa escura
ruela estreita, com casebres de madeira e outros de pedra... Era úmido e frio,
e não podia ser outra hora a não ser noite! Noite sem lua! As únicas luzes,
eram as tochas incertas de algumas casas. As ruelas eram estreitas e entroncadas,
com curvas e desníveis. Qualquer coisa poderia vir de qualquer beco, espaço
escuro, esquina, janela, porta! Vampira percebeu que estava num antigo Burgo
medieval! Um burgo que se transformara em cidade transpassando os muros de
delimitação. As roupas que vestia, eram do século XVI! Ótimo, época dos
Descobrimentos! Ela ao menos esperava não ser "descoberta" como
mutante naquele lugar de intolerância... Mas obviamente, um grupo de pessoas
com tochas na mão entram na ruela onde Vampira estava! Paus e pedras indicam
que ela não era nenhuma santa homenageada em procissão! Ela resolve puxar a
barra do vestido o correr o máximo que pode. De repente, entre uma ruela e
outra, surgem outras pessoas. Encurralada, Vampira não sabe o que fazer! Es que
ela voa para bem alto! A população que a perseguia entra em histeria total!
Prova maior de que a estranha era uma bruxa, não poderia existir! Vampira voa
para fora dos muros do burgo. Percebe que não está livre! Fora dos muros
existe uma continuação da cidade, que mais ao longe tem um outro muro mais
recente de proteção! A população tenta seguí-la! Mas era impossível
alcançá-la, Vampira voava muito rápido e bem alto! ... Mas como em todos os pesadelos,
inexplicavelmente não conseguimos correr do perigo de forma adequada, Vampira
acaba perdendo as forças e cai bem no pátio da igreja! Assim como em todos os
pesadelos, a desgraça já nos espera; um Tribunal do Santo Ofício
(Inquisição) já a esperava no pátio da igreja. Vampira viu bem o pau de
madeira onde seria amarrada e a palha que ficaria a seus pés, para ser
queimada. Palha e gente, como se as duas tivessem o mesmo valor. Talvez a
população sentisse mais pela palha desperdiçada. Vampira é amarrada ao que
em breve será fogueira. O Inquisidor levanta-se e começa a falar!
O Inquisidor
era Edward Northon!
Edward: Cristãos! O demônio nos persegue, devemos sempre avisar as autoridades onde Ele e seus ajudantes se escondem! Essa Mulher pode parecer indefesa para vocês, mas ela é uma bruxa! Já participou de vários Sabás negros, voa e mata a todos com o toque! Um único toque! Herege! Tem cara de Judia! Talvez seja uma Muçulmana rebelde que recusa a Deus! Uma muçulmana com poderes bruxos! Ela agora está fraca diante da presença de Deus! Por isso não voa, nem reage! Mas só as chamas divinas purificarão essa alma! Nós vamos realizar um Auto-de-Fé!
Ele vai chegando perto dela. Passa a mão no rosto de Vampira e segura seu queixo com força. Pergunta veementemente:
Edward: Você confessa tudo o que fez e aceita Deus como seu único salvador? Se converte?
Ele aperta mais Vampira.
Edward: Se converte a normalidade, sua aberração? Vai continuar sendo uma bruxa, uma herege, uma mutante, uma diferente, uma nojenta? Anormal!
Edward dá um tapa estalado no rosto de Vampira! A Bruxa herege não aceitava a normalidade de todos aqueles que estavam promovendo o espetáculo. A bruxa herege não aceitava a normalidade de Deus, a mutante nojenta não aceitava a normalidade humana. Edward botou fogo na palha e cuspiu no rosto dela! A fumaça intoxicante a deixava a beira do desmaio, da morte! Quando sentiu que ia morrer, num grito e numa puxada de ar, ela acorda assustada!
Vampira: Nããããão!
Gambit que estava tomando calmamente seu banho depois de um suado treinamento na Sala de Perigo, é obrigado a desligar rapidamente a água e vir molhado enrolado numa toalha saber o que havia acontecido.
Gambit: Chere, o que houve? Pesadelo?
Vampira: O que você está fazendo no banheiro do meu quarto?
Gambit: Eu dormi aqui ontem com você. Foi você quem pediu, não lembra?
Vampira: Lembro... é que eu pensei que você estivesse treinando...
Gambit: Estava, mas terminou cedo.
Vampira: Por que terminou cedo?
Gambit: Por nada, chere. Rien, ma petite.
Vampira se recompõem do susto. Estava com pressa de deixar o quarto para não continuar vendo Gambit de toalha, cena tentadora. Nem coloca os pés no chão, voa logo em direção ao armário, pega uma roupa qualquer e voa janela afora para longe.
Gambit: ... Não entendi... Onde será que ela vai trocar de roupa?
A mansão era enorme, assim como todas as suas dependências externas: jardim, estábulo, colinas ainda com floresta nativa! Lugar escondido era o que não faltava para ela trocar de roupa. E foi o que fez, escolheu o mais distante de todos. A colina com os túmulos de Psilocke e de seu filho Charles (Escariotes). Vampira senta e começa a refletir no que sonhou e no que passou nos últimos dias. "Perseguida" era o termo que mais se encaixava com ela. Perseguida por ser uma aberração. Todos naquela casa deveriam se sentir da mesma forma. Mas foi ela a seqüestrada pela MEHHS, foi ela quem sentiu bem o que é ser perseguida. Como se não bastasse isso, lembra da Karen!
Vampira: Cê tá vendo, né amiga? Ai, Psilocke, já não basta os problemas que minha vida me trás, ainda tenho que me preocupar com Gambit! Ninguém merece...
A amiga Psilocke não responde.
Vampira: Você não responde, eu sei... Será que escuta? ... Não sei... Mas se importa que eu fale?
A amiga Psilocke não responde.
Vampira: Aposto que se fosse Anjo pegando uma tal de Karen você não o perdoava! ... Nem eu deveria perdoar... Sabe, Psilocke, eu fingi que nem vi nem ouvi nada do que ela disse naquele tribunal... Engoli esse sapo ridículo, porque eu gosto dele. E entendo perfeitamente que ele precise de alguém de vez enquando... E já disse milhões de vezes que eu quero que ele seja esperto e me deixe em paz e vá procurar alguém normal! ... Porque eu não sou normal!
Silêncio...
Vampira: Não devia estar dizendo isso, né? Que eu não sou normal... Eu sou normal sim! É isso que você iria me dizer se estivesse aqui do meu lado! Que eu sou normal! ...... Será que a Karen vai ser a normal que ele vai ficar? É por ela que ele vai me trocar? No fundo, acho que o aceitei de volta justamente para que ele não fique com ela de vez! Eu digo que quero vê-lo com outra, mas no fundo não quero! Estou num beco sem saída! Nada do que eu faço faz mais sentido, é tudo tão contraditório... ... E se eu tivesse chegado em casa depois do tribunal e tivesse feito um escândalo??? Ele teria ido embora e estaria com ela de novo!!! Mas não foi isso que eu disse a ele que eu queria que acontecesse??!! Eu disse que queria que ele me deixasse por outra e fosse feliz! ... Então, por que eu o aceitei? Por que não disse nada? Porque era uma forma dele continuar comigo... Pedi pra ele dormir comigo para que ele não dormisse com ela, ou com outras!
Bobby: Gambit tem seus defeitos, mas você pode ter certeza que ele não é tão baixo assim! Ele nunca te deixaria na mansão depois daquele julgamento para dormir com a Karen ou quem quer que seja! Muito menos a Karen, que depôs contra ele...
Vampira se assusta com a chegada do Homem de Gelo.
Bobby: Falando com
ela?
Vampira: Bobby?! Você
devia avisar quando está chegando...
Não. Não estou falando com ninguém. Tem alguém aqui pra eu falar?
Psilocke morreu! ... Logo seremos nós. Porque eles que aqui estão, nos
esperam.
Ela
fala isso apontando para aqueles que descansam eternamente abaixo da terra.
Bobby: Deixe que eles
esperem mais tempo, Vampira... Não faça tanta companhia a eles. Vem comigo pra
outro lugar mais alegre!
Vampira: Não sou
nenhuma gótica, Bobby. Mas não tô afim de sair daqui agora. Vai você sozinho
pra outro canto.
Bobby: Eu ouvi tudo o
que você disse pra “ela”. Olhando pra
você assim desse seu jeito, ninguém imagina que você sofre tanto
por dentro...
Vampira: É porque eu
não sofro mesmo! Cai fora!
Bobby: Tá, tá
legal! Eu vou me mandar daqui! Só vim te chamar para tomar um banho de
piscina....
Vampira: Não, obrigado! Não tô afim de congelar na água.
Bobby
sorri.
Bobby: Não ia
colocar a água a zero grau. Eu juro que não ia fazer isso!
Vampira: Você já
fez isso milhares de vezes!
Bobby
vai embora sozinho. Vampira pega um canivete no bolso de sua roupa e resolve
fazer uma inscrição na cruz de Psilocke: “Nós que aqui estamos, por vós
esperamos”.
Vampira: E quando sua
espera solitária terminar, Psilocke... quando eu estiver do seu lado, talvez eu
seja mais feliz.
Vampira
escuta gritos de algazarra e alegria lá embaixo da colina, no gramado com a
piscina perto da casa. Eram os sons da vida, enquanto pensava em morte! Ao
menos, de vidas felizes. Ela consegue reconhecer Jean e Scott na água. Bobby
chega numa ponte aérea de gelo que ele próprio faz! Cai direto na água para
desespero de Bishop que odeia frio!
Bishop: Fica direito,
Bobby! Desfaça esse gelo envolta de você!
Wolverine
fica um pouco distante fumando um charuto. Tempestade ainda o puxa pelo braço.
Vampira consegue ler o labial dele ao longe dizendo “Te liga, Tempestade. Não
tô afim do momento família. Deixa pra outra.”. Tempestade não insiste,
entra na água e faz o mais lindo arco - íris em cima da mansão! Agora
Wolverine diz bem alto e até Vampira da colina consegue escutar “Nossa, que
gay!”. Bobby joga água nele! Wolverine se irrita e resolve ficar ainda mais
longe da borda da piscina. ... Vampira suspira... Pra que descer? Pra ficar como
Wolverine longe de todo mundo? Ou quem sabe usar aquela roupa de mergulho que
esconde até o pescoço? Assim ninguém se machucaria... Não... Todo mundo sabe
que Vampira só freqüenta a piscina quando não tem ninguém nela. Muitas vezes
faz isso de noite. Algo que Gambit acha muito sexy de ficar olhando da janela de
seu quarto, a sua intocável nadando a luz do luar.
As vezes ele desce de madrugada e fica na porta da mansão sentado,
conversando com ela na água. Bem que ele sempre quer entrar, mas Vampira o proíbe.
Wolverine já presenciou uma cena dessa. Os dois ficavam la quase que a
madrugada inteira, rindo e conversando. As vezes vampira ainda jogava água em
Gambit, quando ele dizia alguma coisa cafajeste com conotação sedutora. Quase
sempre isso apagava o cigarro dele. Eles riam mais e conversavam mais... Porém,
muitas vezes acontecia de um declarar sem querer, entre as brincadeiras, o que
sentia pelo outro. O silêncio voltava a reinar na noite, o silêncio
constrangedor dos dois... Na maioria das vezes, essa era a hora que Vampira saía
da água, se enrolava na toalha e ia dormir. Quando passava por Gambit na porta,
ele segurava a barra da toalha dela e dizia “espera!”... Mas só se
respingava com água, porque ela nunca esperava... Wolverine sempre achou essa
situação degradante para seu amigo cajun. Achava ridículo um cara bonitão e
pegador como o Gambit babar tanto por aquela guria super legal, mas intocável!
Impossível! Era ridículo para ele. Wolverine bem que tentou, mas nunca mudou a
cabeça de Gambit. Ele ainda dizia “Se eu tivesse suas fuças, não ia
deixar ela inchada de choro preso por essa guria impossível! Te liga, com tuas
fuças você tem qualquer mulher!” ... Como se Gambit não soubesse disso... E
como se mesmo gostando dela, não tivesse todas as outras! Ah, ele tinha muitas...
... E por falar em Gambit, é ele quem aparece na porta da mansão, vestindo uma
sunga e com uma toalha verde musgo no braço.
Gambit: Mulheres,
cheguei!
Bishop: Te enxerga!
Gambit: Cadê mon
couer?
Bishop: Deve tá
fugindo desse seu convencimento!
Bobby: Ah, que
isso!!!??? Gambit é modesto!
Todos
riem! Gambit energiza a toalha e joga na piscina em cima de Bobby. A toalha
explode e esquenta um pouco a água. Bobby não se machucou por ter se
transformado em gelo antes da explosão.
Gambit: Te
derreti um pouco, hein, picolé?
Bobby: Um pouco só,
seu modesto!
Jean: Gambit, você
colocou muita água para fora e destruiu mais uma toalha! Ainda esquentou a água!
Gambit: Não se
importe, chere. O picolé esfria essa piscina rapidinho... Cadê minha chere,
mes amis?
Wolverine: Diz logo
onde é que tá a mulher do cara, Bobby.
Gambit: Por que? Você
sabe onde ela está, Bobby?
Wolverine: Ah, ele
sabe! Tô sentindo o cheiro dela nele!
Gambit
não gosta da gracinha de Wolverine. Mas sabe que é verdade o que ele diz.
Wolverine sente muitos cheiros.
Bishop: Ih, Gambit!
Sentiu o cheiro da sua mulher no Bobby! Ihhhh... Se eu fosse você não deixava!
Todos
riem mais e jogam água em Gambit.
Wolverine: Não
existe coisa melhor do que zoar com a cara do Gambit, né Bishop?!
Ele
pára e pensa...
Wolverine: Ah,
existe! Zoar com a cara do Scott! ...
Ô, Cajun! O cheiro dela tá vindo da colina!
Gambit
não gostou muito de saber que ela estava na colina... Justamente lá, onde
estava enterrado seu filho. Filho dela com Magneto. Aquele deve ser um
lugar muito triste para ela. E de ciúmes e incômodo para ele.
Gambit: Tá fazendo o
que lá?
Bobby: Repetindo pra
si mesma o quanto te odeia. Hehehehe, brincadeira... Tá lá divagando sobre
vida e morte. E falando com Psilocke.
Jean
estremece na água. Scott a abraça.
Bobby: Calma, Jean.
Obviamente que é um monólogo. Psilocke não responde!
Wolverine
joga o charuto na cabeça de Bobby. E diz: “Não teve a menor graça,
pirralho! Você é um sem noção! Psilocke não merece suas gracinhas. Te enxerga,
você machucou algumas pessoas aqui dizendo isso!”
Bobby: Desculpa, mas
eu disse alguma mentira?
Jean: Não disse
nenhuma mentira, Bobby. Ela obviamente não responde... Mas sua frase foi de mal
gosto. E para as pessoas que ainda falam com ela, é como se ela ainda
respondesse.
Jean manda uma mensagem psíquica para Bobby. {Bobby, sou eu na sua mente. Escute, você não me magoou com sua frase. Na verdade, magoou mais a Wolverine e Tempestade que eram mais próximos de Psilocke do que eu. Mas como você conhece o Logan, obviamente ele não ia dizer que foi ele que ficou sentido. Por isso disse “machucou algumas pessoas” de uma forma bem genérica, não incluindo ele próprio.}
Gambit sobe a colina. Vampira não estava mais lá. provavelmente o viu chegando e voou para longe. Mas Gambit viu algo que não gostou, a inscrição na cruz de Psilocke. Vampira estava precisando de mais atenção e carinho, precisava ser ouvida, precisava relaxar, esquecer um pouco os problemas, Gambit pensava... Aconteceu muita coisa com ela...
Gambit: Vou encontrá-la.
Gambit desce a colina, procura entre as árvores da floresta ainda nativa, vai ao estábulo, volta à piscina e pergunta se ela passou por lá... E nada... Entra na mansão, procura pela sala, pela cozinha, por outras várias salas de estar, jantar, leitura; vai a sala de perigo, ao escritório do professor... Na sala do cérebro ela não estaria... Onde estaria então? Vai ao quarto dela... Não estava em lugar nenhum... Até que se lembra do último andar da mansão, onde ficava a estufa envidraçada de Tempestade! Uma verdadeira florária... Ele estava certo, lá estava Vampira entre as orquídeas brancas e lilases, crente que ninguém a importunaria ali.
Gambit: Bon jour!
Vampira: Oi...
Gambit: Vim te ver, chere.
Vampira: Já reparei, Gambit.
Gambit: Claro, eu não teria vindo aqui ver as flores.
Ele chega perto dela, puxa um banquinho e senta ao lado de Vampira e segura a sua mão (com luva). Vampira fecha os olhos, inclina um pouco o rosto fazendo uma carinha de "por que você pegou na minha mão?"
Gambit: Scott e Jean vão viajar, sabia?
Ela abre os olhos.
Vampira: Sabia...
Gambit: Você quer ir também?
Fecha os olhos de novo
Vampira: Por que eu iria querer?
Gambit: Abre essas duas esmeraldas e olha pra mim, mon couer.
Ela abre.
Vampira: Sem ficar enrolado o papo, Gambit. Por que tá me chamando pra viajar com Scott e Jean?
Gambit: Pensei que você quisesse ter umas férias de tudo...
Vampira: De você também seria bom eu tirar umas férias. O que aconteceu ontem, Gambit?
Gambit: Ontem? Ontem bem cedo, começou o julgamento do Edward Northon, que durou o dia inteiro. A noite todos nós voltamos para a mansão. Você me pediu para que eu ficasse com você a noite toda. Você estava frágil emocionalmente, uma verdadeira bonequinha de porcelana. Hoje, pelo visto, já voltou ao normal!
Vampira: Que fita foi aquela? Que Karen foi aquela?
Gambit: Por que você me fez passar a noite de vigília a seu lado pra me perguntar isso hoje? Por que não me botou pra correr ontem mesmo? Por que me fez pensar que havia uma mínima possibilidade disso não ter te magoado tanto?!
Vampira: Esquece... Já tenho problemas demais pra ficar fazendo disso o foco principal das minhas preocupações! Eu sou de ninguém, sua vida pessoal tem que deixar de fazer parte dos meus sonhos ... Não, obrigada, não tô afim de ir pra lugar nenhum!
Gambit: Você quer que eu vá embora?
Vampira: Embora da estufa ou embora da minha vida?
Gambit: Não vou embora da sua vida...
Vampira: Então, ao menos cai fora dessa estufa!
Gambit: Acho que hoje eu não vou mais dormir no seu quarto, non ma chere?
Vampira: É óbvio que não vai!
Quando Gambit se virava para ir embora, o alarme da mansão é acionado!
Alarme: Alerta Vermelho! Mutante conhecido como Magneto se aproxima da mansão. Sistema de proteção acionado! Todos os x-men em seus postos!
Scott
e Jean saem da piscina num piscar de olhos, Wolverine esmaga o charuto entre
suas mãos e coloca as garras para fora, Tempestade entra em seu transe
climático com os olhos brancos e suas mudanças abruptas nas direções dos
ventos, Bobby Drake congela um pouco do gramado em que pisava, Fera sobe numa
árvore, Sam sai de casa correndo para o jardim... Gambit e Vampira ficam se
olhando sem saber se descem ou
não descem para o jardim. O professor
também vai para o jardim com sua cadeira de rodas futurista. Magneto aparece no
portão.
Wolverine: Te manda! Se der mais um passo eu te corto no meio!
Professor: Acalme-se, Wolverine... Eric, meu amigo, o que te trás aqui na mansão?
Magneto flutua por cima do portão, indo parar no gramado da casa. Scott prepara os olhos para uma rajada fulminante.
Professor: Não faça isso, Scott.
Magneto: Charles, desculpe pela visita sem aviso prévio. Não queria causar tamanho rebuliço! Seus menininhos ficaram agitados com minha presença.
Jean: Se veio em paz, diga logo qual é o motivo!
Bobby: É! Porque você não é bem vindo a fazer visitas cordiais!
Wolverine: Desembucha um bom motivo pra ter aparecido aqui!
Magneto: Charles, em nome da nossa antiga amizade e da minha preocupação com a causa mutante, eu vim avisar que existe um grande número de sentinelas se aproximando de Westchester. Obviamente procurando por esta casa. Creio que a MEHHS esteja envolvida nisso.
Charles: Por que? O projeto da MEHHS não era combinar sentinelas para captura de mutantes e o colar neutralizador de Forge para uma melhor vigilâncias dos mutantes aprisionados? Ninguém possui esse colar. Inclusive Vampira destruiu o dela por precaução.
Magneto: Creio que depois da derrota de um dos cabeças da organização ontem no tribunal, eles tenham desistido desse projeto mais elaborado e tenham voltado ao projeto inicial: simplesmente esterilizar os mutantes.
Jean: Por que veio nos avisar sobre isso? Você sempre nos odiou, Magneto!
Magneto: Minha cara, Jean Grey Summers, esse projeto não tem como objetivo principal VOCÊS! Eles têm como objetivo TODOS os mutantes. E é por isso que eu estou aqui, pela causa mutante! Que eu sempre defendi, e continuarei defendendo até o dia de minha morte.
Jean: ...
Magneto: Você tem toda a razão, eu odeio vocês! Odeio vocês por impedirem meus planos de fazer dos mutantes a raça dominante desse planeta. Mas quem tem que mudar ou vencer vocês sou eu, e não esses Homo Sapiens ridículos e suas audácias anti-mutantes! Vocês são mutantes como eu, e eu vim aqui para defender a nossa causa! Nesse momento, somos todos nós iguais, esqueçamos nossas diferenças!
Scott: E quando tivermos eliminado essa ameaça? Como você irá se comportar diante de nossas atitudes pacifistas?
Magneto: Eu volto a odiar vocês...
Wolverine: Ninguém pode dizer que você não é sincero...
Charles: Cabe a nós decidirmos se queremos sua ajuda, Magneto.
Scott: E nós não queremos gente como você do nosso lado! Nem mesmo numa situação como essa, em que nos encontramos todos iguais, diante de um problema terrível! Vai embora!
Magneto: Charles, não me interessa se vocês me aceitam ou não... Eu vim aqui para lutar ao lado de vocês contra esses anti-mutantes e seus homens de lata! E ponto final, meu amigo!
Gambit e Vampira descem para o jardim. Decidiram não ficarem lá se escondendo do mestre do magnetismo. Magneto olha para ela na porta da mansão sem mudar suas feições no rosto.
Magneto: Bom dia,
Vampira. Ha quanto tempo!
Gambit: Não dirija a palavra a ela, Magneto!
Magneto: Charles, esses seus alunos têm um sentimento de insegurança muito grande diante da minha presença... Eu pensei que você, meu amigo, estivesse fazendo um trabalho mais interessante.
Charles: Por favor, todos vocês! Não vamos criar mais animosidades dentro dessa casa! Já nos basta o que vem vindo voando para cá. Não temos tempo a perder com pequenas coisas! Magneto, você é um mutante muitíssimo poderoso, meus alunos têm uma insegurança que demonstra respeito diante da sua capacidade. Mas não se engane com eles, meus X-Men são muito bem treinados! Não queira que eles se voltem contra você sozinho; você pode ter uma desagradável surpresa...
O professor manda psiquicamente mais algumas frases para Magneto, mas ninguém percebeu que isso aconteceu: {E a insegurança de Gambit diante de você é diferente da outra que me referi, você sabe disso, Magneto. E por favor, não dê motivos para que ele fique mais inseguro: fique longe de Vampira! Gambit não pode lutar contra o fato de que você é a única pessoa capaz de encostá-la; por isso, não destrua o emocional do rapaz! E principalmente, não substime Gambit, ele pode acabar te surpreendendo! Eu conheço o potencial dele!}
Wolverine: Como é que é? Vocês dois vão ficar nesse silêncio mortal se olhando? Vamos professor, pára de olhar pra esse seu amigão de infância, e diga o que temos que fazer!!!
Professor: Tem razão! Scott, defina a melhor estratégia!
Scott: Você tem alguma idéia, professor?
Professor: Tenho, mas quero ouvir as suas.
Scott: Deveríamos usar o cérebro para tentar saber quantos sentinelas estão se dirigindo para cá, e se existem outros em outros lugares. Então, poderíamos dividir os grupos de atuação!
Magneto: Eu já sei de tudo, garoto! Existem sete sentinelas vindo para Westchester, mas também vi outros cinco indo para Manhattan.
Scott: Manhattan, por que?
Charles: Naturalmente, devem ter descoberto um abrigo de mutantes. Como os antigos túneis Murlocks que foram destruídos e quase todos os mutantes lá em baixo foram assassinados pelos carrascos! Uma verdadeira chacina! Nós devemos evitar que isso ocorra novamente!
Gambit não gosta de ouvir sobre os Murlocks, não gosta de lembrar desse episódio sombrio da história mutante.
Scott: Tempestade, você irá liderar o grupo que irá para Manhattan! Escolha três x-men para irem com você!
Tempestade: De acordo, Scott! Levo comigo Bobby Drake, Wolverine e Jean Grey!
Scott: Eu fico com Bishop, Vampira, Gambit, com a ajuda de Magneto e o que mais o professor puder nos ajudar!
Os dois grupos se separam! Tempestade pilota o Pássaro Negro, apesar de Bobby praticamente implorar para ir pilotando! Tempestade ao menos deixa que ele seja o co-piloto. Wolverine e Jean vão no banco de trás. Os que ficaram na mansão, ouviram uma frase cheia de graça e vida, vinda de um x-men ainda jovem, que sempre adorava uma missão!
Bobby: Tempestade, você pode ventar a vontade que eu congelo os que sobrarem! Vai ser o Alasca em Manhattam! Uhú!
Scott: Eles se foram. X-Men, fiquem todos juntos, os sentinelas já devem estar a caminho! Professor, o senhor não acha melhor entrar?
Vampira: Eu acho melhor que ele entre!
Professor: Meus filhos, eu me protejo muito bem.
Vampira: Sabe o que é, prof?! Por mais que você tenha o maior poder mental do mundo, essa lataria velha que tá vindo pra cá não tem cérebro pra que você possa agir contra ela! E o senhor está numa cadeira de rodas!
Gambit: Mon ami, com todo respeito, eu concordo com ma belle e Scott. Temo por sua segurança.
Magneto: Parem de se preocupar tanto com o "querido mestre" de vocês! Tenho certeza que Charles será mais útil do que todos vocês juntos!
Magneto usa o seu magnetismo em volta do professor, fazendo-o flutuar até o seu lado.
Magneto: Ele ficará aqui em cima ao meu lado.
Foram poucos instantes de espera ansiosa! Logo o chão começou a tremer! Gritos vinham da rua, pessoas desesperadas não entendiam o que eram aqueles enormes homens de lata afundando as calçadas e ruas! Já dava para ouvir o som de metal, de engrenagem que se movia! Em poucos segundos, os enormes sentinelas chegaram! Pisaram na grade da entrada, como se ela fosse de papel! O laser da entrada de nada adiantou. Vampira foi a primeira a agir! Voou em cima do primeiro sentinela e deu-lhe um soco tão grande que eles chegou a dar três passos para trás!
Vampira: Vamos, ferro velho! Vem me pegar agora sem aquele maldito colar neutralizador!
O cambalear para trás do sentinela, teve o tempo perfeito para que Gambit jogasse nele uma chuva de cartas energizadas! O sentinelas acabou tombando no chão! Vampira não perdeu tempo, e começou a arrancar o ferro que formava o rosto do enorme homem de lata. Enquanto destruía com ódio aquilo que a seqüestrou à mando de um grupo preconceituoso, Ciclope dava uma rajada fatal na parte central da cabeça do sentinela.
Scott: Vamos, Vampira! Esse já era! Mude para outro, são muitos! Descontar seu ódio nesse sentinela não vai mudar em nada!
Vampira voou para cima de outro sentinela, que reagiu colocando seu tentáculos vindo da mão direita atrás de Vampira. Ela foi voando em nós e laços, fazendo com que o sentinelas embolasse o tentáculo, ficando meio enrolado! Achando que tinha tirado sarro com a cara do sentinela, parou no ar e disse:
Vampira: Ha - ha! Os homens sempre se enrolam comigo!
Ela não esperava por isso! Um outro tentáculo saiu da mão esquerda e a agarrou! Ela começou a fazer força para arrebentar o tentáculo, antes que o sentinela a jogasse longe, ou fizesse qualquer outra coisa pior! Mas Magneto agiu rápido! Puxou fora o tentáculo do sentinela com seu magnetismo! Vampira voou, ainda enrolada no tentáculo, em direção a atração magnética de Eric! Quase batendo nele de tão próximo que chegou o tentáculo, Eric diminui a força magnética, fazendo o tentáculo cair no chão! Mas Vampira, ainda em movimento por ter sido puxada por essa força, acaba batendo no ar de frente com Magneto, que a abraça pela cintura! Ali, bem colada com ele, Vampira fica olhando para seus amigos lá em baixo no gramado. Não tem coragem de fixar seu olhar tão próximo ao dele. Ela rapidamente voa para baixo, para próximo de Gambit.
Gambit: Vampira não precisa de sua ajuda, mon ami! Ela teria se livrado do sentinela com facilidade!
Magneto: Ninguém pediu sua opinião, messiê Remy Le Beau!
Gambit teria revidado com muitas cartas, se não tivesse visto um outro sentinela quase esmagar no chão o coitado do Bishop! Gambit fez o que era necessário, lançou todas suas cartas no sentinela! Como ele não caiu, pegou a última coisa que tinha no sobretudo: um canivete! Carregou-o de energia o máximo que podia, e explodiu a cabeça do sentinela! Bishop bateu palmas, apesar de nunca ter se dado muito bem com Gambit. O Francês, todo convencido, esboça um sorriso de "eu sei que sou maravilhoso". Bom... mas agora ele estava sem munição! Correu na mansão e encheu os bolsos de inúmeras coisas pequenas que encontrou no caminho, inclusive facas, colheres, pequenos porta-retratos e um bibelô de mesa de sala! Mais um sentinela ia atacar Scott por trás! Sem vê-lo, por estar destruindo outra cabeça caída de sentinela, Scott seria facilmente atingido. Mas professor Xavier envia-lhe uma mensagem psíquica, que o faz ver o sentinela por trás, como se fosse portador do dom da premonição! Scott vira-se para trás e destrói a cabeça do sentinela covarde! Vampira parte para dentro do corpo acéfalo ainda em movimento, para destroçá-lo o máximo possível! Outro sentinela dirigia-se para Ciclope! Vampira não o viu, por estar tão compenetrada em sua destruição irada e vingativa! Foi mais uma vez Magneto que salvou outro membro dos x-men! Eric fez muita força para levitar toda aquela estrutura de metal, e depois a deixou cair! Fazendo o sentinela se destroçar todo no chão, voando parte de suas peças para tudo quanto era lado! Scott nem tinha percebido o perigo que lhe cercava, mas ao ver a lataria quebrada, olha para Magneto no alto com um olhar austero de agradecimento!
Magneto: Não tem de quê, garoto.
Enquanto isso, em Manhattan,
Wolverine ia fazendo estrago em muitos sentinelas!
Escalava um a um com suas garras, até chegar na fiação das costas e destruir
tudo que por lá tinha! Tempestade também demonstrou como se faz boliche de
sentinela, com ventos de alta velocidade, uma pena que tenha também destruído
muita coisa em volta! Até um teto de posto de gasolina voou, a população saiu
correndo esbaforida! Jean foi a que menos lutou em ação, ela fazia melhor a proteção!
De todos os males que os sentinelas, com seus enormes tamanhos, poderiam causar
a população, ela os impediu! Inclusive dos males dos próprios x-men, como
tetos de postos de gasolina voando! Jean usou sua telecinésia para segurar
destroços que viriam a cair na cabeça dos transeuntes, moveu pessoas de lugar
e chegou até a paralisar um sentinela abatido que cairia em cima de uma van
cheia de pessoas! Bobby Drake se divertia congelando o chão das ruas de
Manhattan para ver os sentinelas escorregando e batendo com bundas de lata no
chão!
Já na mansão, a situação se acalmava. Com todos os sentinelas abatidos, os x-men iam parando suas ações. Os que voavam começavam a descer. Pararam todos no jardim, olhando para o pobre chão de terra esburacado. teriam que chamar um paisagista para dar conta de refazer o gramado, e ainda consertar uns azulejos quebrados da borda da piscina, era perigoso, poderia cortar alguém. Gambit olha para magneto com uma certa cara de ódio. Não gostou de ter visto ele puxando vampira para tão próximo de si, muito menos de ter segurado na cintura dela! Só faltava ter emendado com um beijo cinematográfico daqueles que leva o corpo da mulher para trás! Mas isso realmente não faria um estilo Magneto! Os x-men vão abatidos se dispersando, entrando na mansão, recolhendo partes de sentinelas do gramado... Esperavam o que mais poderia vir por terra ou por ar para atacá-los! Quem programou aqueles sentinelas, programariam outros!
Vampira sobe a colina mais uma vez. Ela viu que Magneto estava lá, diante do túmulo do pequeno Charles que morreu ao nascer.
Magneto: Eu sei que não é o corpo de um bebê que está enterrado aqui, é o corpo de um adolescente. Nosso filho, adolescente.
Vampira: Na verdade, o bebê Charles que eu enterrei aqui não era ele! Sinistro já havia roubado o corpinho dele no necrotério do hospital! Mas... Como é que você sabe disso?
Magneto: Pietro me contou.
Vampira: É, o Mercúrio é bem rápido, inclusive pra contar o que não deve!
Magneto: Não deve por que? Eu era o pai, devia ser informado de certas coisas.
Vampira: Escuta, acontece que quando aquele Escariotes chegou aqui, eu não sabia que eu era a mãe dele! Como é que eu ia te avisar que você era o pai???!!!
Magneto: Estava me referindo quando todos vocês souberam de tudo. Por que não me contou nada, Vampira?
Vampira: Porque ele já estava morto! Morto de novo! Como sempre esteve pra gente! O que isso mudaria pra você? Você o viu pela primeira vez morto em suas mãos! O que mudaria se eu te ligasse e dissesse que na verdade ele viveu por mais um pouco como um zumbi nas mãos do Sinistro, mas que estava morto de novo?! Acho que isso feriria mais a você, como me feriu ainda mais.
Magneto: Tem razão... Mas quero que você saiba que eu cheguei a conhecer esse Escariotes. Eu o vi uma vez aqui nessa mansão. Não sei se você lembra, mas ele lutou comigo. Deve ter absorvido de você a idéia de que eu o matei!
Vampira: Mas esse assunto já morreu junto com ele, Magneto.... ... Eu queria te agradecer pela ajuda que nos deu hoje contra os sentinelas.
Magneto tira uma de suas luvas, Vampira respira afobada e dá um passo para trás.
Magneto: Eu só ia retribuir o agradecimento com um toque.
Ela ameaça voar para longe, mas Magneto segura seu braço e pede para que ela espere. Magneto passa a mão pelos cabelos e o rosto de Vampira. Ela fecha os olhos e se enternece ao ser tocada por alguém.
Magneto: Eu só queria dizer que você e o Charles são as únicas pessoas a quem eu tenho alguma estima nessa casa. Não tem porquê agradecer por minha ajuda hoje, lutei pelos mutantes, e não pelos x-men.
Vampira segura a mão dele que já acariciava sua vermelha boca.
Vampira: Obrigada assim mesmo.
E ela voa para longe, depois de dizer um último obrigado! Magneto sabia exatamente que o sedutor de olhos vermelhos era o dono dos pensamentos de Vampira.
Depois de uma batalha estafante, Gambit resolve dar uma esfriada na cabeça. Como costumava fazer, sai da mansão sem avisar a ninguém, de forma desapercebida, entre as sombras e o anonimato. Onde ele iria? Ia dar um susto em alguém que merecia um bom corretivo. De formas escusas, Gambit sabia onde estava um dos homens que fez Vampira de refém ha pouco tempo. Ele estava em liberdade condicional até o dia de seu julgamento próximo. Gambit também queria acertar mais contas com Edward Northon, mas ele já estava preso! Não dava pra estragar a cara de alguém que já está preso... Ele lembra que chegou a explodir o céu da boca do infeliz com uma carta de baralho carregada! Droga... mas achava que aquilo era pouco para o desgraçado... Gambit vai lembrando no meio do caminho das palavras de Scott "se fôssemos para fazer justiça com as próprias mãos, nem teríamos aberto o processo contra os integrantes da MEHHS. Nada de violência contra eles! Vamos lutar pela justiça limpa, sem sangue. Vamos provar que nós mutantes não merecemos o tratamentos que estamos levando desses radicais!" É... Se Gambit fizesse alguma coisa contra esses caras, ele estaria justificando o argumento de que os mutantes são perigosos, que são violentos, desumanos, armas ambulantes! Mas era quase impossível não ter vontade de estrangular quem tinha ousado tratar mal uma dama totalmente indefesa. Quem tinha ousado pensar em encostar na inalcançável, quem ousou supor que poderia tê-la em seus braços, quem realmente chegou as vias de fato tentando possuí-la... Gambit estremece só de pensar, mas alivia-se ao lembrar que nada aconteceu... Desse mal, ao menos, Vampira tinha se livrado, quando deu um verdadeiro escândalo no cativeiro. Mas ele lembra de Magneto. Magneto ousou encostar na intocável, ousou muito mais do que isso... Esquece, Gambit... Esquece... Esquece que isso ainda vai te dar uma úlcera. Até porque você já deu uns bons sopapos no Magneto por tudo o que ele te fez. O melhor que você faz é esquecer... ... Chegando em Manhattan, o Cajun passa na frente da catedral, faz o sinal da cruz e segue adiante. Pára... pensa... e resolve entrar. Enquanto a maioria dos x-men ou não tinha religião, ou era protestante; Gambit era um dos raros católicos. Ele quer mais uma vez pedir perdão por seu passado. Não gosta de lembrar disso, mas não consegue ver uma igreja e não entrar para pedir perdão mais uma vez! Ajoelha diante do crucificado, o crucificado que foi morto por impiedosos... Assim como ele mesmo foi impiedoso uma vez... Igreja vazia... estranho, Manhattan é tão cheia de imigrantes de todo o mundo! Mas parece que tinha mais uma alma católica no recinto, pois Gambit ouviu uma voz que lhe chamava...
Sinistro: Assassino?
Gambit
nem olha direito, ele sabia de quem era voz e da onde vinha! Vinha do púlpito a
sua direita! Num instante cartas energizadas voam em direção ao púlpito. Mas
contra Sinistro, não eram poucas cartas que teriam algum efeito.
Sinistro: Gambit, tenha mais cuidado. Você está dentro de um patrimônio da humanidade. A arquitetura desse lugar é tombada e...
Gambit: Do que é que você me chamou?
Sinistro: Um antigo apelido... Te incomoda?
Gambit: Você nunca mais me chame assim! Eu não sabia o que você queria de fato! Não sabia o mal que estava fazendo, você me usou! Assassino sempre foi você.
Sinistro: Mas você não entrou aqui justamente para pedir perdão pela milhonésima vez por causa disso? É sinal de que você se considera culpado sim...
Gambit: Peço perdão por ter caído na tua conversa e ter feito tanto mal a tantas pessoas.
Sinistro: Por ter caído na minha conversa? Por ter caído por meu dinheiro! Aquilo foi um trabalho, eu te paguei!
Sinistro esboça um ar de reflexão com graça...
Sinistro: Por sinal, você é uma pessoa que pede muito perdão... Está sempre fazendo as coisas erradas, não é mesmo? Mas engraçado, tem completa noção dos erros cometidos, é sempre assolado pelo arrependimento e pela culpa. Gambit! Se você não muda de vez, por que ao menos não faz como eu; que não me arrependo de nada e não sinto culpa por nada?
Gambit: Se você está me chamando para mais algum serviço sujo, eu digo: não!
Sinistro: Estou preocupado com essa chuva de Sentinelas atrás de todo e qualquer mutante. Quero que você proteja Scott e Jean contra esses loucos anti-mutantes armados de sentinelas! Apesar deles serem muito mais poderosos do que você, eu peço que se algo de errado acontecer, você os salve!
Gambit: Sinistro, eu salvo Jean e Scott pela amizade que tenho com eles. Não é por você! Se for para salvá-los só para que você consiga o que tanto quer deles, eu prefiro que eles morram! Eu acho que eles também preferem isso!
Sinistro: Gambit, é óbvio eu eu vou te pagar por isso! Pagar! Será que esse verbo ascende alguma chama dentro desse coração ladrão?
Gambit: Sinistro, eu sou um homem educado, charmoso e elegante; mas só não te digo onde enfiar esse dinheiro porque estou numa igreja.
Sinistro se retira da igreja.
Sinistro: Tudo bem. Eu mesmo vou protege-los de longe... Mas lembre-se, Gambit. Eu tenho outros projetos além desse. E sempre preciso de novos ajudantes... No seu caso, seria um antigo ajudante! ... Quando precisar de dinheiro, lembre-se de mim!
Gambit ainda grita uma frase enquanto Sinistro some na rua.
Gambit: E quem disse que Jean e Scott são mais poderosos do que eu???
Gambit fica sozinho na casa que ele dizia ser de Deus. Mas ouviu um barulho, parece que alguém mais estava morando com Deus. O cajun fica curioso, quem ainda estaria alí? Seria ainda Sinistro tentando fazer alguma cilada? Ele resolve adiar o acerto de contas com o comparsa de Edward Northon. Resolve ir olhando em cada banco da igreja, atrás de cada santo, cada oratório, na sala da gerência, mais para dentro do altar... quem sabe na torre do sino? Os degraus de madeira eram bem antigos, aquela escada e aquela torre deveriam ser bem idosas, ele esperava que os degraus não ruíssem... Mas como iriam ruir? O padre não sobe aquilo todo dia para tocar o sino? Não Gambit! Existe uma corda que dá lá em baixo, na qual o padre se pendura para tocar o sino! Faz tempo que ninguém sobe na torre do sino! Será mesmo? Ninguém mesmo? Gambit achava que tinha alguém lá em cima! É quando uma estranha voz diz:
_ Procurando o Corcunda de Notre Dame?
Gambit
rola vários degraus abaixo, porque simplesmente do nada BAMFT! Um diabo azul
surge como que por encanto na sua frente e lhe dá um chute no estômago! Depois
de bater com braço e cabeça várias vezes nos degraus, Gambit se equilibra e
se recompõem. 
Gambit: Noturno?
Era o Noturno? Onde estava ele agora?
Gambit: Noturno, sou eu, o Gambit! Eu sou marido da sua irmã, Vampira! Lembra de mim, sou dos x-men!
Noturno? Onde estava ele? Não seria Sinistro ao invés do circense azul?
Gambit: Você ouviu alguma coisa? Noturno, você viu alguém aqui na igreja que não gostou de ter visto?
Mais uma vez Gambit leva um susto, uma rabada pontiaguda na cara! Chegou até a lhe arranhar um pouco o rosto!
_ Que vergonha, pecador! Não esperava isso de você!
Que inferno que era ter de conversar com alguém que você não sabe onde está e volta e meia aparece na sua frente para lhe castigar feio!
Gambit: Kurt! Não acredite naquele homem! Eu não fiz nada de errado!
Noturno se teletransporta na frente de Gambit, de forma pacífica, desta vez.
Noturno: Gambit, você é um fiel. Deveria confessar a um padre o que fez!
Gambit: Eu não fiz nada, mon ami! Acredite!
Noturno: Fazendo o que aqui, então?
Gambit: Fazendo o que aqui, pergunto eu! Não tem mais circo, não está com Mística, não tem casa?
Noturno: Fugindo, como sempre! Pareço um demônio, não é fácil me aceitarem!
Gambit: Dos Sentinelas?
Noturno: Sim. Dos humanos e dos Sentinelas. Vieram aqui em Manhattan. Vim para cá.
Gambit: E quando é que vai sair, mon ami?
Noturno: Quando estiver seguro.
Gambit: Não creio que vá ficar seguro por muito tempo! Também sei que a casa não é minha, mas convido você a se esconder num lugar menos religioso e mais cheio de tecnologia: Mansão X!
Noturno: Não sei se me aceitariam.
Gambit: Desde que sua mãe não nos venha visitar, é obvio que te aceitariam.
Noturno BAMFT! Desaparece na frente de Gambit! Teria ele aceitado o convite? Iria ele se mudar para mansão? O que ele ouviu e entendeu afinal da conversa entre o cajun e o sinistro? Gambit não sabia... Ele só queria férias! E o mais rápido possível de tudo aquilo!