Gambit ainda procura o rastro do ajudante de Edward, o encontra. O rapaz
estava um
pouco diferente, cabeça raspada, parecia um skin head. Bem poderia
ser. Conversava tranquilamente com outros cabeças raspadas na frente de uma
boate. Gambit fica na espreita, esperando que a conversa terminasse e ele fosse
sozinho para outro lugar. O Cajun teve sorte, o carecão se despediu dos amigos
e foi andando sozinho em direção a uma rua escura. Um amigo ainda lhe
perguntou "Ei! Vai deixar sua mulher aqui com a gente?". E ele
respondeu: "Ela tá me perseguindo! Quero ela longe de mim!
Só quer
dinheiro!" Entre as sombras da rua escura, um par de olhos vermelhos
brilhava intensamente! Gambit não ia usar suas cartas, quanto mais demonstrasse
ser um mutante em dias como aquele seria pior! Mas estava com o cajado em punho,
sabia como fazer um bom corpo a corpo! Aquele careca ia se dar mal! Quando
Gambit ia dar um passo para luz e acertá-lo, uma mulher aparece na rua imunda!
Karen: Ei, cara!
Cara: Te manda, Karen! ...Ou seria Jessica?
Karen: O Edward disse que o dinheiro estaria com você! Nós fizemos um trato! Eu só fui naquele tribunal pelo dinheiro! Dá logo!
Cara: Te liga, Karen! Você se amarrou em ir pra cama com aquele mutante nojento! Não vem me cobrar agora um favor que eu e o Edward te fizemos! Aquele cara é bem pra tua laia mesmo!
Karen tira um canivete da bolsa. Mini saia, bota de cano longo, blusa branca e rabo de cavalo loiro bem alto! Parecia uma cena com uma prostitua muito marginal!
Cara: Escuta! Você ganha uma grana alta com teus clientes lá no bar das sereias! Você não precisa desse dinheiro! Pra que essa cena ridícula? Quer apanhar de mim? Apanhar de mim, pra aparecer nas páginas policiais com esse modelito prosti e os olhos roxos?! Nessa rua imunda, cheia de ratos, com uma vizinhança drogada?! Você não é tão marginal assim, Karen! Tem uma reputação de luxo a zelar para tua clientela chegada nas sereias caras!
Karen: Não é simplesmente pelo dinheiro! É pelo trato quebrado! Por uma promessa desfeita, traição! Sem contar que eu sujei meu nome com o bonitão do mutante! Fiz aquilo por dinheiro, quero meu dinheiro agora! ... Sem contar que daqui a pouco, o preso vai ser você e eu quero as verdinhas nas minhas mãos antes que isso aconteça!
Cara: Eu não vou ser preso! Se o Edward só pegou 5 anos, eu não pego nem seis meses!
Karen: Você é que pensa, tu seqüestrou junto com ele aquela garota! Compactuou com um seqüestro, foi claramente identificado como um racista... E é você o acusado de abuso sexual!
Cara: Abuso, que abuso? Mal encostei nela! Agora é assim, a gente mal encosta: já é abuso! A gente mal fala: já é assédio sexual!
Nesse momento, um cajado surge das sombras e dá uma rasteira no anti-mutante. Ele cai numa poça de água, lodo e xixi de rato! Karen se assusta, mas alegra-se ao ver que o mal feitor na verdade é alguém que ela conhece bem, e não considerava mal feitor! O cara mal tenta se levantar, e Gambit já prensa a ponta de seu cajado contra a testa dele, forçando a cabeça na calçada.
Gambit: Onde messiê pensa que vai?
O anti-mutante sabe na frente de quem ele está presente. Não tenta mais se levantar, apenas põem a mão no cajado e o empurra de leve para longe da cabeça. Fica ali no chão, assustado.
Cara: Você quer que eu faça o que? Que eu dê o dinheiro a ela?
Gambit: Não vim aqui por causa dela!
Karen desfaz o sorriso!
Gambit: E não ia querer que ela recebesse nem um tostão pelo que fez. Estou achando bom que ela tenha se dado mal nessa história toda!
Cara: Então...?
Gambit: Mas já que você tocou no assunto, não é assim que se trata uma mulher!
Gambit coloca a ponta do cajado no pescoço do mais novo skin head da cidade, fazendo-o ter dificuldades para respirar e dor profunda. Gambit não se comove com os pigarros, engasgos e aspirações de ar do abatido.
Gambit: Mesmo sendo essa mulher da mais baixa categoria!
Gambit o pega pela gola da camisa e o põem de pé. Queria dar-lhe uma boa surra pelo que fez com Vampira. Mas tinha a maldita da Karen como testemunha, ali parada na sarjeta da rua! Não podia deixar marcas no sujeito, e muito menos o assustar com cartas de baralho que brilham e explodem! Ele resolve deixá-lo no terror psicológico.
Gambit: Por hoje é só, messiê. Me aguarde até o dia de sua prisão, te farei outras visitas menos agradáveis!
O cara sai correndo para o final da rua, mas antes de virar a esquina grita: "Não serei preso! Só os mutante serão! Hoje foi o primeiro dia! Outros sentinelas virão! São seus dias que estão contados!" E some virando a esquina! Gambit olha para o outro extremo da rua, Karen! Ela guarda o canivete e vem andando para perto dele.
Karen: Merci.
Gambit: Sempre soube que tinha alguma coisa errada com você. Não deveria ter cedido aos seus encantos.
Karen: Nem eu aos seus!
Gambit: Não os uso contra você!
Karen: Vai fugir de mim, ou vai me dar uma chance de me desculpar?
Gambit não responde. Age! Com seu cajado, dá um impulso grande na calçada e como um gato ágil está no teto de uma casa, e desse teto está em outro e outro e some na noite, nas sombras. Karen fica sozinha olhando os tetos e a lua, parece que o garanhão não ia mais querer saber dela.
Chegando na mansão, Gambit já encontra os x-men que estavam em missão em Manhattam: Wolverine, Tempestade, Jean Grey e Bobby Drake. Além de todos os outros x-men, todos reunidos na sala de estar. Inclusive Magneto estava lá, e do lado de Vampira, que procurava não olhar para o lado e ter um contato visual de atração magnética. O cajun logo percebeu que aquilo se tratava de uma reunião de emergência, e ele era o único faltando.
Professor: Que bom que você chegou, Remy. Eu tenho algumas coisas a dizer a todos vocês.
Gambit disse um "pardon" a todos, enquanto
cruzava a sala e puxava uma cadeira bem no meio de Vampira e Magneto. Eric
Lensheer sorriu com a marcação cerrada de Gambit, que soava quase infantil.
Resolveu então, não perturbá-los e levantou-se, indo ficar em pé atrás da
cadeira de rodas do professor.
Professor: Eu gravei todos os jornais da TV de hoje e selecionei algumas imagens que gostaria de mostrar a vocês.
O professor liga a TV. Aparece um jornal com reportagens de rua. Uma mulher com uma criança no colo respondia a pergunta: "como você se sente com a presença mutante?"
Mulher: Com medo... Muito medo... Não dá mais não... Tá impossível! Olha só o que aconteceu hoje, por causa deles esses homens de lata invadiram de novo a cidade! Já não bastava eles terem destruído o Hotel Plazza na frente do Central Park? Meu filho vai com medo para escola, ele tem medo de ter um coleguinha mutante. Porque tem mutante que atravessa paredes, as meninas lá acham que algum garoto vai entrar no vestiário feminino! E quando essa criança crescer?! Pode invadir minha casa e roubar minhas coisas! Gente, não há como negar que eles são perigosos! Dizem que alguns podem controlar sua mente! Enfim, outros sentinelas virão e poderão acontecer desastres!
Um outro homem começa a opinar:
Homem: Eu acho muito perigoso. Tinha um amigo meu que tinha um conhecido
mutante. Esse mutante era super gente boa, mas a gente não sabe quais são
realmente os caras legais e quais vão começar a se utilizar de seus poderes
para infringir a lei! Infelizmente não temos medidor de caráter e já que eles
têm esses poderes, sinceramente, é um risco! Não há como conviver com eles
com segurança, vamos sempre viver sob o medo de que um deles use seu poder
contra nós ou contra a lei! Eu não quero que eles sejam exterminados, mas acho
que deveria ser criado um bairro só para eles, um gueto! E que quase não
saíssem de lá. Deveriam ser criadas escolas, hospitais e bancos para que eles
não viessem muito para fora desse bairro. Mas que fosse um lugar legal pra
eles, só que longe da gente. Sabe... sei lá, acho essa possibilidade a menos
cruel contra eles!
Jean dá um leve sorriso de nervoso e olha para Magneto. A população não deixava de ter certa razão. Obviamente a diferença entre eles e os humanos era muito grande. Era normal que eles tivessem muito medo. Era preciso uma grande campanha para informar a população que é possível viver com as diferenças e estabelecer penas mais pesadas para um mutante que infringisse a lei se utilizando de seus poderes. Se tornava extremamente necessário uma campanha para mostrar a população que a grande maioria dos mutantes era direita e só queria a paz. E que os poucos revoltados com a humanidade, normalmente agiam com ódio do preconceito que a própria população jogava contra eles: como essas próprias entrevistas extremamente preconceituosas! Que propunham ações imediatistas sem uma maior problematização da questão, sem pensar nos direitos daqueles ditos mutantes. Estava havendo um impasse que só o diálogo resolveria. Mais sentinelas só trariam problemas e mais desavenças entre os dois lados. Um apartheid seria desastroso!
Velha: Eu odeio esses mutantes! É por causa deles que esses sentinelas quebram tudo pela cidade. Eles podem facilmente matar alguém! Eu exijo que esses homens de lata nunca mais entrem nas cidades! É um absurdo, tem que ser o exército normal que tem que prender esses mutantes! A gente não paga impostos pra manter o exército? Por que não chamam eles?
Velho: Eu sou coronel reformado e possuo porte de arma! Meu filho faz parte da MEHHS e eu não tenho vergonha de dizer isso. Tenho orgulho, meu filho faz parte da MEHHS e eu também vou me filiar. E juro, se eu vir um mutante na rua, vou atirar pra matar!
Moça: Eu acho válido que estejam querendo prender os mutantes. Só não gosto dessa desinformação em que estamos vivendo! Do tipo, quem realmente faz e comanda os sentinelas? Aquela MEHHS ou o governo federal? Ou os dois juntos? A gente precisa saber. Até porque, mesmo gostando da MEHHS, eu sou uma pessoa sensata; e sei que se esses sentinelas não são feitos com o aval do governo, eles são uma arma ilegal e muito perigosa! Por isso, acho que o governo tem logo que tomar partido nisso, ou se explicar se já está com o dedo nessa história. E que sejam legalizados os sentinelas e que sejam presos os mutantes.
Garoto: Eu sou contra essa moça! Sentinela é um horror! Os mutantes têm
que ser presos pelo exército! Com o menor estrago público e zelo pela
população normal.
Xavier desliga a TV. Scott não quis ver os rostos na TV, só ouvia os comentários absurdos olhando fixamente para o jardim pelo vidro da janela. Jean levanta-se e vai abraçá-lo, Wolverine olha a cena e se ajeita no sofá com uma cara de mais puto do que já estava antes. Ele achava Scott uma criançola e Jean dedicada demais a ele. Mas na verdade, estava sentindo a mesma coisa que Scott: o sentimento de ser odiado e sem ter dado o menor motivo para isso.
Magneto: Injustiça, sempre a injustiça!
Exatamente, sentimento de serem sempre injustiçados. A única diferença é que Scott demonstrava os sentimentos de forma mais clara, enquanto Wolverine costumava apenas ficar mais e mais agressivo. No fundo no fundo, queria Jean abraçando-o também e dizendo-o que um dia tudo ficaria bem.
Professor: Exatamente, injustiça! Mas nós não vamos agir de informa impensada, nem fazer justiça com nossas próprias mãos e poderes. Não vamos dar a eles mais exemplos que justifiquem que nós somos perigosos. Quero que todos vocês não saiam dessa casa por alguns dias, até a poeira abaixar.
Jean: Não sair, professor? Mas eu e Scott iríamos viajar!
Professor: Adie suas férias, Jean. É necessário que fiquemos todos juntos, evitando os ânimos aflorados da população lá fora e possíveis novos ataques da MEHHS e de Sentinelas.
Magneto: Na minha opinião, vocês deveriam acordar e reagir a esse tipo de situação absurda! Daqui a pouco estaremos em novos campos de concentração! Quer dizer, eu não: vocês! Já me basta o que eu fiquei quando criança e perdi meus pais nas mãos nazistas!
Scott: Eu não vou nem responder!
Wolverine: Suas palavras de vingança às vezes quase me convencem, Magneto! Mas usa a cabeça, isso só ia deixar aqueles merdas mais putos com a gente!
Magneto: Se todos os mutantes se unissem contra eles, venceríamos facilmente.
Professor: Eric... Genocídio, Eric? Unirmos a você para fazermos todos um genocídio? Eric eu me recuso a continuar ouvindo isso, um dia fomos amigos de verdade! Você já pensou diferente! Quem te deu o poder divino de decidir aqueles que ficam e aqueles que desaparecem?
Magneto: Darwin!
Fera: Não profane Darwin! A teoria da seleção natural dele só seria feita pela natureza e não por suas mãos, Magneto! Sem contar que Darwin NUNCA disse que uma raça humana era mais evoluída que a outra. Que teríamos uma seleção natural entre os humanos, ele nunca disse isso!
Tempestade: Nem existem raças humanas!
Fera: Exatamente, minha cara. Somos todos de uma raça só: humanos! E não há espaço para sua teoria estapafúrdia de eliminar os inferiores!
Professor: Até porque, a evolução biológica de muitos aqui é bem discutível. Não existem inferiores! Devemos lutar pela igualdade, Magneto! Somos apenas diferentes! Queremos uma coexistência pacífica entra as diferenças
Tempestade: As teorias darwinistas do final do século XIX e início do XX, extremamente preconceituosas dizendo que a raça branca é superior a raça negra, são interpretações da teoria da evolução de Darwin. Mas o próprio Darwin nunca disse tamanha besteira! Não queira você, Magneto, criar uma outra interpretação de Darwin em relação aos que nasceram mutados!
Fera: Excelente, minha linda Tempestade! Eu não teria explicado melhor!
Magneto: Como sempre, não há diálogo com vocês. É impossível. Eu vou voltar para minha base na Antártica, já ajudei quando foi necessário, fiquem vocês com seus sonhos!
Professor: Não, Eric. Você não vai a lugar nenhum.
Magneto: Tem medo do que eu possa fazer, Xavier? Acha que eu sujaria mais o nome dos mutantes fazendo algum louco atentado à população?
Jean: É bem provável!
Magneto sorri.
Magneto: E vocês pretendem me manter preso aqui?
Professor: Não, Eric. Eu peço para que você fique. Não porque tenho medo de você, mas porque como você mesmo disse, os mutantes devem ficar unidos uns aos outros nesse momento. Ajudando-os mutuamente. Estamos aqui pela causa mutante, pela causa humana, pela causa comum! E qualquer mutante solto nessas ruas agora estará em perigo.
Gambit é tomado pelo ódio de ter Magneto na mesma casa que ele por alguns dias!
Gambit: Professor, Magneto não sofre nenhum risco nas ruas! Ele não é um simples mutante!
Wolverine: Concordo! Nem ele, nem eu! Eu não vou ficar trancafiado aqui por dias como um fugitivo da lei! Como um presidiário! Eu não sofro perigo assim tão facilmente, xará!
Jean só pensa que queria viajar. Gambit pensa na mesma coisa, queria tanto tirar as tão sonhadas férias com Vampira em algum lugar romântico para que ele pudesse exercitar mais seu poder sedutor, mas seria obrigado a ficar na mesma casa com Magneto. Que droga! Até quando?, ele pensava.
Professor: Espero a colaboração de todos vocês para que nossa convivência nessa casa seja harmônica. Sem rusgas, sem brigas, sem discussões, sem desavenças, sejamos unidos! Que parta de você, Magneto, as iniciativas de amistosidade dentro dessa casa, já que obviamente, meus alunos têm ódio de você.
Magneto: Você espera mesmo que eu vá ficar?
Gambit espera muito para que Magneto realmente não fique! Não só ele, mas Jean também não o queria ver nem pintado de ouro! Vampira sentia-se sem espaço com sua presença, Scott não olhava na sua cara. Wolverine esperava uma mínima respirada errada de Magneto para iniciar todas as rusgas, discussões, desavenças e sangue!!!
Professor: Espero, Eric. Vou inclusive usar o cérebro e tentar fazer contato mental com a maioria dos mutantes espalhados pelo mundo! Vou dizer a eles para tomarem extremo cuidado e evitarem saírem de casa. E aqueles que conhecemos e estão vagando pelo mundo por conta própria, vou até convidar a passar esses dias aqui na mansão.
Gambit logo lembra de Noturno, Vampira também lembra dele e de Mística! Não, ela não aceitaria Mística naquela casa! O professor deixa a sala e todos ficam se olhando, esperando que passasse logo o tempo eterno que passariam ali. Dormir era um bom começo.
No dia seguinte, o que fazer? Fera resolveu
ficar o dia inteiro grudado na TV, assistindo a todos os jornais, a situação
só se complicava para os mutantes! Wolverine resolveu lavar a moto, passar uma
cera num dos carrões da garagem; Scott ficou lendo os jornais sentado em uma
poltrona no quarto, Jean ficou sentada acima dele, flutuando literalmente, e
lendo um romance. Assim, volta e meia lia o jornal dele abaixo e voltava a ler o
romance. Scott às vezes comentava que era muito incômodo saber que tinha
alguém flutuando na cabeça dele. Magneto passou grande parte do dia
solitário, sem falar com ninguém, até que o professor o convidou para uma
partida de xadrez. Bishop resolveu ajudar Wolverine com as máquinas da garagem,
Bobby Drake ficou fazendo esculturas de gelo no jardim. Tempestade, com a ajuda
de Sam começou a pegar sacos de terra que estavam guardados no estábulo para
preencher os buracos causados pelos sentinelas. Mesmo assim, o gramado ainda
ficou estranho, demoraria um tempo para voltar a ser bonito como antes. Bobby
resolveu colocar estátuas gélidas bem em cima das partes com menos grama. Ele
estava com pouca inspiração e pediu a Tempestade para que ela dissesse a ele o
que fazer, Tempestade pediu uma Vênus ali, um Apolo
aqui, o Pensador do Rodin lá e mais o Beijo também de Rodin acolá. Bobby
aproveitou e fez algumas de Camille Claudel também. E Gambit e Vampira? Estavam
juntos, claro! E cozinhando! Vampira não era muito chegada na cozinha, mas não
tinha nada para fazer. Gambit sabia do tédio que assolava aquela casa, e tinha
completa noção do quanto um almoço especial iria animar os ânimos da galera!
Uma boa comida é sempre uma boa pedida. Ele aproveitava e impressionava Vampira
com seus dotes culinários.
Bobby: Cheguei! Ihhhh.... Gambit cozinhando, humm... Vamos comer uma coisa legal hoje!
Gambit: Oui, mon ami. Mas isso só se a chere parar de experimentar tudo o que eu faço!
Vampira: É... Uma coisa eu não posso negar, o Gambit ao menos cozinha bem!
Bobby resolve brincar, como sempre. Começa a fazer voz de narrador de rádio em jogo de futebol.
Bobby: Nossa! Câmeras, microfones: Gambit conseguiu ganhar a Vampira para essa noite!!!! É imprecionaaaante! O divino milagre aconteceu!
Leva uma batata energizada por Gambit na cabeça. Ele não esperava por isso, ficou meio sem ação.
Bobby: Isso doeu.
Gambit: Oui, então eu consegui o que eu queria.
Bobby tira alguns restos da batata que explodiu em seu cabelo e não se altera. Volta a fazer voz de narrador de rádio em dia de jogo. Enquanto jogava pedaços de gelo que ele criava com as mãos em cima dos dois!
Bobby: É impressionaaaaaaaante como eu congelei o clima tórrido dos dois com minhas brincadeiras!
Vampira sorri, voa por cima da mesa da cozinha para pegá-lo do outro lado! Mas Bobby sabia com quem estava se metendo e não queria levar uns cascudos, nem de brincadeira, que viessem da Vampira e sai correndo da cozinha dizendo "impressionaaaante". Ela quase o pegou na porta da cozinha, mas ele correu mais rápido rindo. Vampira para parar seu movimento, segura-se no portal de madeira do recinto. E realmente "impressionante", Magneto estava entrando na cozinha naquele exato momento que Bobby saiu correndo. Eric ficou a um centímetro do rosto de Vampira. Gambit parou de cortar a outra batata que estava fatiando. Olhou para a cena de uma coincidência infeliz, não foi premeditado por nenhum dos dois. Não era necessário nenhuma cena de ciúmes, era até bom mostrar a Magneto que ele não o afetava. Mas ele se irritou com o tempo que os dois ficaram daquela forma imóvel! Sabe quando acontece uma situação super chata, mas que a imobilidade toma conta de você? Exatamente aquilo! A imobilidade só não tomou conta de Gambit, que enfiou com força a ponta da faca na mesa de madeira da cozinha! O barulho logo despertou os dois do estado catatônico! Vampira logo olhou para o chão, virou o rosto rápido e foi bem para o fundo da cozinha. Gambit continuou ali onde estava, olhando para a reação de Magneto e de Vampira. Eric deu alguns passos para dentro do recinto, esboçou um motivo para estar ali.
Magneto: Não ia nem entrar na cozinha, só vim aqui na porta para trazer magneticamente aquela garrafa de água que tem um anel metálico.
Gambit: ...
Magneto: Se soubesse que o cheff dessa cozinha francesa era você, não teria vindo aqui.
Gambit continuou ali, olhando para ele sem dizer nada; mas dando a entender que a presença dele naquela casa não é nem um pouco bem vinda! Magneto não estava afim de perder seu tempo com a cara feia de Gambit, puxa a garrafa com seu magnetismo e vai embora da cozinha. Gambit olha para Vampira com o rabo de olho, abaixa a cabeça e volta a cortar a batata visivelmente irritado. Ao ver a faca que Gambit desfincou da mesa, Vampira pôde perceber o tamanho de seu ódio pelo fundo buraco que fincou na mesa. Ela logo percebeu que se Magneto permanecesse naquela mansão por mais tempo, a mesa ganharia uma constelação de cicatrizes!
Vampira: Ei! Desfaz esse beicinho, gato! ... Escuta, vou lá no quarto e já volto! Vou buscar uma diversão para depois do almoço, o clima nessa casa tá muito pra baixo!
Gambit: Mon couer, se quiser me dar paz, fique longe desse sujeito.
Vampira: É o que eu tenho tentado fazer. Não por você, mas por mim que não quero nada com ele! Até porque você não está merecendo meus esforços ultimamente...
Gambit: Oui, chere. Sei que eu não sou o moralmente correto para te cobrar esse tipo de coisa. Mas se você já o estiver evitando por sua causa, e não por minha causa; eu já fico feliz!
Vampira: ... Tá.
Gambit: Na verdade, ma chere, o fato de você evitá-lo por sua causa é melhor do que evitá-lo por minha causa! Eu posso ficar despreocupado, por mais que ele tente, nada conseguirá! Você não quer.
Vampira vai saindo da cozinha e subindo as escadas, grita lá de longe: "Te manca, Gambit! Você nunca fica despreocupado!"