
INFÂNCIA MUTANTE - Segunda
Parte
Os
x-men voltavam para casa no pássaro negro, que por sinal foi seguido por caças
da força aérea até pousar na base dentro da quadra de basquete. Como que tímidos
e com certo medo de já terem perdido para os x-men na batalha do gueto, os caças
retornaram para suas bases assim que o pássaro negro começou a desligar os
motores. Mas bem antes do pássaro negro chegar na mansão X, Vampira aterrisava
no jardim depois de voar solitária pelos ares de Nova York. Ela não quis voar
junto com a equipe e ter que sentar ao lado de Gambit. E quem foi que ela
encontrou saindo de casa com uma mochila surrada se dirigindo para a moto velha
de guerra?
Vampira:
Wolverine?
Wolverine: Quê?
Vampira:
Pessoal disse mesmo que você ia embora, mas eu não acreditei. Vai mesmo, cara?
Wolverine: Tá
achando que essa mochila aqui é pra que? Piquenique no bosque?
Ele
sobe na moto, Vampira fica em silêncio triste com a partida do amigo. Logan apóia
um pé no chão e resolve ficar mais alguns segundos para se despedir dela.
Wolverine: Não
dava mais pra eu ficar, né, guria? Deixa eu ir e arrumar minha vida.
Vampira: Deve
estar sendo uma barra pra você mesmo.
Wolverine: Tá
foda. Foda demais pra agüentar se é isso que você quer saber.
Vampira: Então
é isso aí, Wolverine! Vai viver tua vida, sai dessa fossa, desencana, encontra
outra mulher, ou então esquece essa e fica sozinho mesmo! Espaireça!
Wolverine: E
você não deixa que o Cajun apronte as dele!
Vampira: Se
você ficasse em casa, eu contava contigo pra dar uns trancos nele! –
Ela sorri.
Wolverine:
Como se você precisasse de ajuda para dar uns trancos, socos, arrebentos em
alguém.
Vampira: ...
Wolverine:
Tchau, guria. Fica triste não, eu volto! Nem que seja para dar uns trancos em
alguém junto contigo! – Ele ri colocando um charuto na
boca e procurando a caixa de fósforos.
Vampira: ...
Acredita que eu peguei o Gambit beijando uma lambisgóia qualquer?
Wolverine: Dá
o troco, pombas! Vocês já não conversaram dez milhões de vezes sobre isso???
Sei que ficar dando troco é ridículo, o certo seria terminar... Mas como eu não
sou adepto do que é certo, dava o troco e terminava!
Vampira: Não
quero terminar.
Wolverine: Então
dá o troco e não termina!
Vampira:
Hahahaha! Ótimo! Quanta infantilidade isso, né? Dar troco... Quanta besteira!
Wolverine: Tá
usando a pulseira?
Vampira: Não...
Tava numa batalha, gatinho... Nem segurei a filha da Jean por causa disso.
Wolverine:
Beleza, melhor assim!
Wolverine
puxa Vampira pela cintura e a beija bem corpo a corpo! Ela arregala os olhos
muito surpresa, depois de algum tempo num beijo quente Wolverine a empurra
longe e cai da moto no chão. Fica lá se contorcendo, tremendo, até que com o
tempo se agacha no chão com a cabeça para baixo e fica assim respirando fundo,
completamente sem ar. Depois, balança a cabeça como cachorro molhado quando
quer tirar o excesso de água e levanta o rosto com um sorriso safado e enigmático,
típico de Wolverine!
Vampira: Que
diabos foi isso?! Tá legal?
Wolverine:
Fator de cura é uma boa mutação, não é?! – Ele abre
mais o sorriso. – Se fosse o cajun, ficava mal por dias e dias. Eu
melhoro em pouco tempo!
Vampira: Você
tá legal mesmo?
Wolverine: Vou
fazer o que já devia ter feito há muito tempo: ganhar o mundo, arranjar confusão,
chegar nas gatas mais interessantes, viver minha vida!
Vampira: Nas
gatas mais interessantes?? Tipo eu?!
Wolverine: Você
é interessante mesmo! Parece até comigo, violenta, gosta de umas paradas
pesadas, desbocada, engraçada...
Vampira: Só não
sou rabugenta e grossa.
Wolverine: Tá
vendo? Podia melhorar muito ainda! Quem sabe tu não chega lá um dia?! –
Ele morre de rir! Vampira também ri, Logan se levanta. – Não, mas eu
não estou chegando em você, guria. Sei de quem tu gosta de verdade. E tu sabe
de quem eu gosto de verdade, mas pretendo esquecer.
Vampira: Então
qual foi o motivo do beijo?
Wolverine: O
motivo é que eu quero voltar a ser aquele velho Wolverine. Se tivesse ganhado
um soco depois do beijo as coisas estariam ainda melhores! Lembra do velho
Wolverine?
Vampira:
Lembro.
Wolverine: E
cadê aquela velha Vampira? Aquela guria com jeito de rata de rio?
Vampira: Tá
vivendo aqui dentro ainda.
Wolverine: Então
vem cá me dar um beijo com gosto de Mississipi.
Vampira: Você
é ridículo... Nem quer a pulseira não?
Wolverine: O
legal é ser sugado! Quanto mais complicado, mais é a praia de Wolverine!
E
ele a agarra de novo, dessa vez ela é puxada rindo. Os dois puderam fechar os
olhos e se deliciarem um na boca do outro, ainda sorrindo e gostando da
brincadeira, mas foi por pouco. Logo Wolverine caiu no chão estremecendo,
gemendo, se contorcendo mesmo. Dessa vez a recuperação foi mais lenta, ele já
estava debilitado da outra. Quando conseguiu sentar-se no chão, morreu de rir,
Vampira também, enquanto estava apoiada na parede esperando ele parar de babar
e tremer.
Wolverine: É
guria... Eu tinha mesmo é que gostar de você. Mas gosto... ... amo, amo outra.
Bem diferente de você.
Vampira: Aí
gatinho, se você está ferrado com a Jean, ficaria ferrado comigo também: eu
gosto é do Gambit!
Wolverine
sobe na moto e mexe no cabelo dela sorrindo, estava na hora de parar com as
brincadeiras e ir embora.
Wolverine: Tô
indo, guria. Te cuida e não deixa que o Cajun faça o que bem entende!
Vampira:
Tchau, gatinho.
O
motor da moto começa a esquentar, Logan adorava fazer bastante barulho com o
acelerador da máquina dele! Vai embora em alta velocidade e passando o portão
para a rua, vira-se para trás e grita: “Rata de
Rio!”, Vampira não perdoa e grita: “Grosseirão!
Vê se manda um cartão!”
Foi
logo depois que Logan se foi que Vampira viu chegar o pássaro negro e mais os
dois caças enxeridos. O professor Xavier ouviu o barulho e veio com sua cadeira
de rodas conhecer aquela a quem ele chamaria de neta! Ele sabia psiquicamente
que Jean havia tido a criança dentro do gueto, para seu desespero num primeiro
momento. Depois recordou que aquela mãe já não era mais a promessa da mutante
telepática mais poderosa do mundo, ela já havia se tornado a mais poderosa. Na
certa, dar a luz a um bebê não seria tão difícil para alguém como ela,
principalmente quando se conta com a ajuda dos conhecimentos vastos de Hank
Mackoy. Charles Xavier por uns instantes perdeu o ar ao ver a menina nos braços
de Scott ao sair do pássaro negro. Jean veio andando logo em seguida, estava
muito bem, ainda um pouco lenta, mas muito bem! Todos os outros desceram logo em
seguida, Bobby e Jubileu correram para abraçar o “velho” e gritar vitória
bem perto do ouvido dele, Jubileu não parava de contar momentos emocionantes da
batalha e de pedir para segurar Rachel no colo, Sam, que era mais educado, foi
falar em tom mais baixo com o professor que o congratulou pela vitória. Gambit
saiu logo em seguida do pássaro negro já procurando por Vampira que não tinha
voltado com eles.
Gambit: Chere!
Mon Dieu, eu estava preocupado. Sumiu, sem dizer aonde ia!
Vampira: ... –
Ela estava com um risinho de sulista marota no belo rosto.
Gambit: Por
que seus olhos verdes estão tão alegrinhos? Aconteceu alguma coisa, ma belle?
Vampira: Nada.
Gambit: Vamos
comemorar essa vitória essa noite em algum lugar especial?
Vampira: É...
pode ser.
Gambit: Pode
ser, ma chere?
Vampira: Tá
legal, eu vou só pra você não ficar insistindo muito!
E
saiu de perto dele, Gambit sentiu um jeitinho de malandra que ela não tinha
fazia muito tempo. Ele gostou e teve medo, antes a malandra estava domada por
poderes que a retinham numa melancolia que vez ou outra se fazia presente. Agora
a malandra tinha uma pulseira que podia liberá-la como ela sempre quis. Passou
pela mente de Gambit um “te cuida, don juan”.
Continua
Aqui

INFÂNCIA MUTANTE - Terceira
Parte!
Demorou pouco tempo para que Jean, segurando sua filha no colo, percebesse a falta de alguém. Falta prolongada, talvez demorasse muito a voltar, se voltasse.
A ruiva olha para o rosto do professor e ele entende a mesmíssima coisa, que só eles dois e Vampira sabiam: Wolverine se foi. A casa não estava enfeitada, já que estavam todos, com exceção do professor, no maldito gueto lutando. E nem teriam como ir nas ruas comprar bolas e faixas, nenhuma loja estava funcionando, estavam todos ainda meio atordoados com o fim do gueto em tamanha guerra, estavam todos surpresos e amedrontados com o poder dos mutantes destruindo suas forças aérea e terrestre. E de certo modo aliviados, com o fato de tamanha força não ter querido continuar uma guerra maior e tomar o poder, não quiseram vingança.
Jubileu foi na garagem e percebeu a falta da moto do canadense, voltou correndo para casa para saber se alguém sabia onde ele tinha ido.
Vampira: Ih, gatinha... Melhor você não esperar muito por ele não.
Jubileu: Por que? Ele vai demorar?
Jean: Jubileu, Logan disse que ia dar “umas voltas pelo mundo” quando estava la no gueto, lembra?
Jubileu: Não. Como assim dar umas voltas pelo mundo?
Jean: Ele se foi para demorar, Jubi. E eu não sei quanto tempo vai demorar.
Jubileu olha para o rosto do professor e recebe a confirmação nos olhos dele, todos os demais também percebem isso pelos olhos do careca. A chinesa levanta os braços cheia de ódio e destrói as lâmpadas da sala, todos olham para ela de um jeito desconfortável de quem não sabiam como consola-la, nem tinham muita moral para repreender sua personalidade mimada; já que foi mimada por eles mesmos.
Jubileu: A CULPA É SUA JEAN! TODA SUA!
Professor: O que significa isso, Jubilation Lee? Você não é mais uma criança!
Jubileu: Ele foi embora por causa de você! Você envenenou o coração dele! Você manipulava psiquicamente os sentimentos dele, fazia ele te amar pra você se sentir lá no alto, nas nuvens! Pisava nele como se fosse cachorro!
Scott: Jubileu, você não percebe que essa mulher que você agride acabou de dar a luz a uma criança? Você tem noção da sua insensibilidade?
Jubileu: Ah, cala boca, Scott! Wolverine nunca gostou de você e eu também te acho um saco às vezes!
Você deve estar muito, muito feliz com a partida do Wolvy! Não gostava dele mesmo! Aliás, quem aqui realmente vai sentir a falta de Wolverine? Acho que estão todos aliviados com a saída dele, porque ele era durão, grosso, agredia todo mundo, infernizava a vida do casalzinho, tinha problemas de convivência e relacionamento! Acho que só EU vou sentir falta do Wolvy! Só eu!
Gambit sai de seu estado estátua assustada e abraça Jubileu arrastando-a para o quarto. Ela subia as escadas dando escândalo, mal dizendo Gambit, ainda gritando contra Jean, querendo soltar-se inutilmente do francês grandão. Remy só dizia “shiiii, ma petite. Você vai se arrepender muito quando se acalmar. Calma, chere, ele vai voltar. Ele vai voltar.” No último degrau, já no segundo andar onde ninguém mais a conseguia ver, ela cai no choro. Gambit a pega no colo, e ela se aninha aos prantos nele. Relembra que as duas pessoas que mais gostava naquela casa sempre foram Wolverine e Gambit. Órfão, adotada por pais que não a tiveram por muitos anos, Jubileu via em Wolverine uma espécie de pai protetor; isso quando às vezes não tinha ciúmes dele com Jean, quando não percebia nele uma beleza agressiva e crua, sem tratos. Mas de fato, era só vontade de ser filha dele, irmã dele, protegida por ele; era um sentimento de possessão que só os mais carentes podem ter tão intensamente.
Que adolescentemente se confundia com alguma espécie de desejo, amor; que obviamente se esvoaçaria se Logan tentasse alguma coisa. Ela sentiria nojo, por tê-lo no fundo como pai. E carente, a pobrezinha era. Entre os mutantes, por seus problemas de adaptação e rejeição da sociedade, é fácil encontrarmos carentes; Vampira é o exemplo máximo disso.
Já Gambit... Gambit foi um colírio desde o primeiro dia. Em pensar que chegou naquela casa com uns 12, 13 anos; e ele já era muitíssimo mais velho do que ela. Tratada por ele como criança, como ainda hoje é tratada, ela não nutriu nenhuma espécie de paixão ou amor. Apenas comentários adolescentes femininos, cheios de hormônios, pela beleza do sujeito mulherengo. Ao perceber que se ele também tentasse alguma coisa, se sentiria mal e com nojo; resolveu ver nele apenas um amigo engraçado, bonitão, que ela suspirava sabendo que nunca iria, na verdade, querer alguma coisa com ele. Mas ali no colo dele, por um segundo, em meio ao choro e desespero por perder o “pai”grossão, suspirou com um risinho de “ah se eu fosse mais velha...”. “Ah, se Vampira não fosse minha amiga...” Gambit a coloca no quarto, ascende um cigarro e apóia a mão na parede.
Gambit: É... – traga e solta a fumaça – Nós mimamos você demais, chere.
Jubileu: Ninguém aqui pode dizer a verdade que já é rotulado de mimado, ou grosso, como chamavam o Wolvy?!
Gambit: Oui, chere. Claro que pode falar a verdade. Mas tente não dar escândalos histéricos ou patadas nos outros, como fazia e ainda faz messiê Wolverine. Mantenha a compostura, ou perderá a razão, non?
No andar de baixo, os demais acalmavam Jean; ela resolveu subir com o bebê. No quarto de Jubileu, Sam também aparece para dizer a ela, que sentirá a falta de Wolverine assim como ela, mas que a saída dele não é culpa de ninguém, senão das curvas da vida. Jean não podia parar sua vida por causa de Wolverine, não ia abortar uma criança por causa do ciúmes e dor dele, não ia se divorciar de Scott pelo mesmo motivo. Ela tinha direito a viver e Jubileu foi cruel e mimada. Foi convencida por ele e Gambit a ir no quarto de Jean e pedir desculpas. Quando lá entrou, chorou ainda mais, pedindo desculpas, dizendo que estava muito irritada com a saída dele, com a falta de consideração com ela por nem ter dito adeus ou deixado um bilhete, por a ter abandonado. Quis descontar em alguém, criar um culpado. Jean a abraçou carinhosamente, se via em Wolverine um pai, Jean talvez fosse a mãe; e Scott o padrasto certo que lhe dava direção na vida pelos caminhos tortuosos. Se os mais velhos tinham o professor Xavier como pai, Jubileu tinha feito desses mais velhos seu ideal de família, Xavier era visto como um avô: um segundo pai.
Jubileu: Desculpa, Jean. Desculpa, Scott. Nem sei o que fazer para vocês me desculparem, falei muita m... Besteira!
Jean: Você tem razão em dizer que ele foi embora por minha causa, por causa da minha filha. Mas isso não faz de mim uma culpada. Eu tenho ou não tenho direito à vida?
Jubileu: Tem claro... E desculpa por dizer que você controlava psiquicamente o Wolvy.
Jean: Ele gosta muito de você, Jubileu. Tente ficar mais calma, tenho certeza que logo vai voltar, nem que seja para matar saudades suas. Garanto.
Jubileu: Ele bem que poderia ter tido mais consideração por mim e...
Scott: Não conhece o jeito dele, Jubileu? Esperava outra reação dele?
Jubileu foi se acalmando ao ver Rachel se mexendo levemente no berço, pequenos dedinhos balançavam no ar, gemidinhos de recém nascido se transformaram num rostinho vermelho que berrou daquele jeitinho neném: era fome. Jubileu percebeu que estava sobrando naquele quarto, sorriu e foi indo embora mandando um beijo para os três, enquanto Jean sorria para ela, pegava Rachel no berço psiquicamente (para espanto de Jubileu em ver um bebê voando) e tirando a blusa pela cabeça para abrir o sutiã pelo fecho atrás.
Gambit desceu as escadas e encontrou Vampira lendo uma revista alegremente.
Gambit: Minha proposta de sair a noite continua de pé, chere?
Vampira: Claro. Quem sou eu para te impedir de sair?! – Ela sorri.
Gambit: Com você, ma belle...? Sair com você.
Ela levanta para subir ao segundo andar, responde um “fica tranqüilo, já disse que vou com você.”. Gambit percebe algo de estranho no ar, algo maroto, safado, provocante. Ele pega Vampira pelos braços violentamente, ela se assusta com a reação dele.
Gambit: Tem alguma coisa de diferente acontecendo
na sua vida, Vampira?
Vampira: Eu, hein?! Me solta! – E se liberta facilmente.
Gambit: Você já sabia que o Wolverine tinha ido embora. Sabia como? Chegou antes de todos nós aqui e o viu partir, se despediu dele e de repente mudou a forma de ser. Ficou estranha. Desse jeito de agora. O que aconteceu?
Vampira: Cai na real, gato! Quem é você para tirar satisfações da minha vida?! O homem que beijou a repórter em rede nacional!
Gambit: Então isso tudo é vingança? Está agindo dessa forma pra me provocar?! Wolverine te deu essa brilhante idéia?
Vampira: E se fosse vingança, não era bem merecida?
Gambit emudece, de violento passa a preocupado, a emotivo.
Gambit: Não faz isso comigo não, chere. Você é mais forte do que eu, eu não agüentaria.
Ela gargalha e balança a cabeça, que marido patético que tinha arranjado. Lindo, engraçado, carinhoso, charmoso, interessante, mulherengo e patético!
Vampira: Tudo o que você mais quer é não me perder. Me ama, eu sei. Mas mesmo assim, rabos de saia lhe tiram do sério.
Gambit: Non, chere… Eu prometo que...
Vampira: Ai, não prometa, Gambit! Não prometa que é PIOR. Mas você, melhor do que ninguém, sabe que essas mulheres não são nenhum perigo para mim. Elas não mudam o que você sente por mim.
Gambit: Exatamente!
Vampira: Pois se o único problema do seu estilo de vida é o fato de eu poder deixa-lo, prometo que não. Também te amo e não saberia viver sem você.
Gambit sorri lindamente, os olhos vermelhos brilham, ia abraça-la, mas Vampira deu um passo para trás.
Vampira: Mas qualquer coisa que eu venha a fazer, não vai ser nenhum perigo a você. Eu, melhor do que ninguém, sei que nada vai me fazer mudar o que sinto por você.
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Os olhos de Gambit endurecem, estavam estáticos e vidrados nela, o sorriso se desfaz. Prometeu não deixa-lo, permitiu que tivesse o estilo de vida Remy Lebeau de sempre, mas disse com todas as letras que também seria parte ativa desse “casamento aberto”.
Gambit: NON! Não pense em fazer nada...
Vampira: Não pense você em me dar ordens, gatinho!... Beijo pra você, até mais tarde, onde quer que seja que vá me levar.
Ele ficou em pé, diante da escada, vendo-a subir, sem saber o que dizer; sem saber o que pensar. Foi esfriar a cabeça em outro lugar, pegou a moto e resolveu sumir por algumas horas, só voltaria para casa para buscar Vampira e leva-la a algum restaurante. Quem sabe ela já não teria mudado de idéia? Não iria, até mesmo, pedir desculpas? Quem sabe... Estava tão perturbado que não respeitava limite de velocidade, chegou rápido a Manhattan, entrou na catedral e resolveu ficar ali dentro do silêncio católico, meditando, pensando no que ela disse; convencendo-se de que se fosse fiel, ela não faria nada de errado. Mas ele era fiel! Era fiel em sentimento, não no corpo! E daí? Foi também o que ela disse que ia ser, e ele mesmo assim ficou louco de ciúmes, completamente perturbado.
Saiu da igreja, ficou chutando pedrinhas no chão, cheio de ódio, foi quando percebeu um homem do outro lado da rua olhando para ele, olhando mesmo. Depois, entrou num beco e continuou olhando e olhando... Gambit atravessou a rua e foi ver quem era aquele estranho de casacão com gola alta.
Sinistro: Meu assassino predileto!
Gambit enfureceu-se por Sinistro segui-lo, insistindo que faça mais um trabalho obscuro e chamando-o de assassino.
Gambit: Assassino é você, palhaço! Some da minha vida!
Sinistro: Como é estar perto da minha filha Rachel, Gambit? Sente todo o poder do mundo emanado dela?
Gambit: Sua filha? Você é doente...
Sinistro: Ninguém a esperou mais do que eu... Ninguém é mais feliz por ela do que eu!
Gambit: Ninguém a quer mais do que você?
Sinistro: Exatamente! Ajude-me e te dou o mundo!
Gambit: Engano seu, Sinistro. Os pais dela a querem muito mais do que você possa imaginar! E eu não estou mais à venda!
Sinistro: Eu te dou o que você mais quer no momento: a fidelidade cega e canina de Vampira por você, mesmo que você continue nessa sua vida fácil de mulherengo.
Gambit: Como você pode saber dessas coisas?
Sinistro: Eu sei de tudo, eu vejo tudo, eu sou telepata.
Gambit: Então consiga seus ideais com seus próprios méritos. Não me procure mais.
Sinistro: Procuro... Procuro... Todo mundo tem seu preço, Gambit. E o seu... é baixo! Sempre foi! Quem sabe um dia, não é mesmo, Gambit?
Sinistro vai sumindo da vista de Gambit, mas ainda lhe manda um recado quase inaudível: “Se vir aquela idiota da Mística, avise-a para que não chegue perto de mim. Não sei o que sobraria dela depois do que ousou fazer com a minha Jean Grey, grávida do meu Scott Summers, esperando a minha Rachel.”
Gambit fica sozinho no beco, pensando que a fidelidade e o amor incondicional de Vampira só poderia ser conseguido por ele mesmo, e não pelas manipulações de Sinistro.
CONTINUA AQUI!
INFÂNCIA MUTANTE - Quarta
Parte!!!
A noite estava fresca e ventava uma brisa suave, volta e meia um outro vento mais forte, e novamente a brisa. Gambit chegou na mansão perturbado por ter visto Sinistro na rua, a sua espreita, querendo sua ajuda novamente. Deveria contar ao professor ou a Scott? Não... Claro que não! Eles iam acabar ligando os pontos do passado. Bateu no quarto de Vampira.
Gambit: Chere? Pronta?
Estava e muito pronta! Linda, deslumbrante! Quando Gambit aproximou-se com aquele olhar e sorriso profissional para beijá-la, Vampira levantou os dois pulsos na frente do rosto; como quem diz “tá vendo alguma pulseira, gatinho?”. Gambit recuou.
Gambit: Por quois, mon couer? Vamos a um restaurante iluminado pela lua e pela luz das velas e você não vai usar a pulseira?
Vampira: Está na bolsa. Talvez eu use.
Gambit: Merci, chere!
Vampira: Não com você, Gambit!
Nessa hora, Bobby Drake passava no corredor dos quartos e não segurou um “ Iaúúúúúh! Se fosse eu, não deixava! ” Gambit voou em cima de Bobby, que na mesma hora se transformou em gelo, congelando parte das tábuas corridas do chão. Enquanto ele ria nervoso, pedindo calma a Gambit, Vampira tranquilamente falava que eles estavam estragando o chão. Gambit gritava “Non se intrometa na minha vida!” e Bobby ria, pedia calma, esquivava-se dos golpes do cajun, congelava todas as cartas que Gambit tirava do sobretudo; o que deixava-o nervosíssimo e derrubava Bobby no chão com o seu cajado e suas habilidades! Pronto, era só Bobby cair e vários pedaços de gelo voarem pelo chão.
Vampira: Se um desses gelos bater em mim, eu vou quebrar os dois, hein!?!
Um choro de bebê começou a ser ouvido de um dos quartos, Jean saiu de lá muito irritada.
Jean: O que está acontecendo aqui? Vocês acordaram Rachel!
Vampira: Tá vendo, seus palhaços!?
Mas Gambit não saia da frente de Bobby, quebrando partes dele com seu cajado; enquanto ao mesmo tempo tinha suas cartas congeladas ou partes do rosto: o nariz, por exemplo! O que fez Bobby rir muito. Jean levantou Gambit com sua telecinésia e o colocou na outra ponta do corredor. De longe, Bobby disse um “desculpa, cara. Você é muito enfezado, mas eu não brinco mais!”, enquanto voltava do gelo a sua forma humana. O chão do corredor estava todo molhado pelo gelo derretido.
Gambit: Vem, chere. Vamos logo.
Os dois saíram da casa, Bobby soltou o ar com força, como Gambit ficou irritado! Parecia até que a brincadeira da Vampira era verdade! Bobby não sabia que Vampira havia deixado bem claro que talvez pudesse ser verdade mesmo. Nesse contexto, a brincadeira de Bobby foi a pior coisa naquele momento horroroso para ele. Ele andou em direção ao quarto.
Jean: Han, han. – Balançando a cabeça em reprovação. – Onde você pensa que vai, Bobby? Pode pegar um pano e limpar esse chão.
Jean voltou para quarto onde sua filha ainda chorava estridentemente. O homem de gelo percebeu algo de estranho nos olhos de Jean. Quando ela havia chegado na casa, estavam verdes e meigos, felizes com a filha, alegre e serena com a vitória no gueto mutante. Mas agora, que sua filha chorava, ela tinha olhos de águia. Avermelhados! Quando virou-se para entrar no quarto, Bobby chegou a ver dentro da íris algo como chamas!
Bobby: Cruzes!
Se Sinistro ia tentar alguma coisa contra aquele bebê, ele teria que enfrentar a ajuda de alguém muito próxima a Jean. Próxima e ardente. Bobby resolveu que era prudente limpar aquele chão muito bem limpinho.
Enquanto isso, em Washignton DC, a casa branca e o pentágono estavam muito nervosos e preocupados. Os mutantes se mostraram muito mais poderosos do que qualquer força armada, mesmo os mutantes mais fracos souberam encontrar uma força maior: a união. Acabaram com o gueto! E não tinha mais como justificar o trancafiamento deles, porque ao destruírem o gueto e derrotarem as forças armadas, disseram “não queremos o poder! O status quo continua. Só queremos respeito! Não vamos machucar ninguém.” E foram para suas casas!
Presidente: Como não temos como justificar uma ação contra eles? Será que destruir as forças armadas não é motivo suficiente para agir contra eles?!
Assistente: Mas o povo viu que eles fizeram isso em legítima defesa, senhor. E que agora estão calmos em suas casas.
Presidente: Ah! Me poupem! Que legítima defesa? A mídia só entrou naquele gueto quando o muro caiu e a guerra terminou! Eles agiram como terroristas, atacando as forças do governo, matando e aleijando vários militares! Isso não basta para fazermos campanha contrária? Põem as mães desses mortos e aleijados chorando na TV no jornal das 9 de hoje! Na FOX News! Estou mandando! Quem manda na Fox sou eu! E manda os aleijados falarem horrores desses anormais! Depois dá uma grana, medalhas e ascensão de cargos para esses infelizes.
Assistente: Por mim, muito menos do que isso já se justifica a eliminação de todos eles!
Presidente: Ligue para a Associação Eugenista de Road Island agora mesmo!
Assistente: Presidente, cuidado... “eugenia” não. Ela já mudou de nome desde o fim da segunda guerra mundial.
Presidente: É! Associação de Engenharia Genética! Ah! Politicamente correto aqui dentro, não! Todo mundo sabe que é a mesma coisa!
Assistente: Ah, senhor? Esses mutantes provavelmente vão entrar na justiça contra os militares do gueto, contra o governo, pelas mortes, torturas, cárcere indevido, preconceito, tentativa eugênica de esterilização. Vão exigir prisões, pagamento de indenizações e...
Presidente: Pára! Se eles entrarem na justiça, você já sabe quais juízes vão julgar os casos. – Sorri.
E quem chegava em Washington era Wolverine. Ele e sua moto velha de guerra. Queria ficar longe da mansão dos X-Men, trabalhar um pouco sozinho! Wolverine sempre trabalhou melhor sozinho! Queria esquecer Jean, esquecer o rosto de Rachel, esquecer os sorrisos de Scott. Viver sua própria vida, chega de sofrer por Jean. Mas ele sabia que ia ser difícil. Alugou um apartamento espelunca num dos bairros mais pobres de Washington. Pra ele aquilo tava bom: tinha um plano de trabalho, ao mesmo tempo que iria espairecer longe da mansão. Foi para os fundos da Casa Branca, lá estava tendo um teste para motorista dos carros oficiais do governo. Estranhamente, Wolverine queria ser motorista oficial do governo! Será que era tão estranhamente assim? Rosnava dentro daquele terno e cap de babaca na cabeça. Tinha que fazer a encenação de educado motorista, dizendo “senhor”, “por favor” e abrindo portas para as pessoas. Estava quase explodindo de ódio, achando que não iria conseguir! Na certa, aquela iria ser sua pior missão, muito mais difícil do que qualquer batalha: ser educado, vestir ternos, bajular pessoas! Isso não era Wolverine! Já estava suando... Mas dirigiu como um maravilhoso piloto lorde! Passou na prova! Apresentou inúmeros documentos falsos! Tinha o cabelo cortado para disfarçar aquelas estranhas pontinhas, tinha que cortá-lo todos os dias! Ia começar a trabalhar no dia
seguinte! Voltou para sua espelunca e no meio do caminho arrancou as roupas ridículas e gritou de ódio como um animal! Ao menos a vivência naquela mansão X o ajudou a fingir controle temperamental, a fingir educação.
Ainda pelo meio da caminho, olhou fixamente para uma mulher do outro lado da rua. Era uma mulher normal, loira, bem vestida, roupa preta de executiva. Mas Wolverine não conseguia parar de olhá-la, a mulher estava se assustando, até porque estava próxima de um bairro horroroso da capital. O canadense atravessou a rua na frente dos carros que foram freiando como louco, quase provocando acidentes, chamando Wolverine de louco! Logan correu atrás dela, correu muito mais quando ela bateu em disparada, pegou-a pelo braço e empurrou-a para dentro de uma loja vazia, suja e abandonada.
Wolverine: Eu vim aqui para trabalhar sozinho! Não trabalho para o teu patrão! - *SNIKT*
Mística: Eu não vim aqui pedir para você trabalhar comigo!
Wolverine: O quê que Magneto pediu para você fazer agora?
Mística: Ficar de olho nas ações e medidas do governo. Consegui um emprego de secretária, bem melhor do que o seu empreguinho de merda como motorista!
Wolverine: Cala boca! Pelo menos não sou eu que vou ter que ficar dormindo com os senadores velhos e gordos!
Mística: Eles preferem as estagiárias! ... E eu prefiro você!
Wolverine joga Mística longe, que cai naquela montoeira de poeira e sujeira da loja vazia.
Wolverine: Fica longe de mim! Eu vim para agir sozinho! Manda teu patrão magnético tirar o cavalo dele da chuva! Faço o que bem entendo! Não vim aqui para receber ordens! Só fiquei ao lado dele naquele maldito gueto! Mas não concordo com ele em nada! – Wolverine vai embora chutando uma porta de madeira, fazendo-a cair.
Mística: Não veio receber ordens e vai ser motorista! – Ela grita rindo, obviamente Wolverine ouviu. O que Wolverine não ouvia?!
No restaurante romântico...
Gambit: Então, ma chere? Está tudo ao seu gosto?
Vampira: A comida está, já a companhia... – Faz beicinho de nojo. Gambit revira os olhos.
Gambit: Chere, por favor. Já pedi desculpas, não me trata assim não. Eu não sei viver sem a sua presença.
Vampira: E eu não estou aqui, ora?!?
Gambit: Só em corpo, em alma non.
Vampira: Nossa! Você já foi melhor nas cantadas...
Se o restaurante tinha a parte de cima com uma sacada aconchegante, iluminada pela lua e por velas, o primeiro andar (muito bem vedado contra som) era um pub com música alta, muita agitação e bebidas. Vampira insistiu que queria ir lá. Foi na frente, toda maravilhosa e poderosa, atraía todos os olhares masculinos, Gambit ia atrás dela, de cabeça baixa, bufando de ódio. No bar, todos aqueles banquinhos já estavam ocupados, exceto um, onde ela sentou! Sem dar a mínima para Gambit que ficaria em pé, e ficou em pé de braços cruzados, cara de mau, com aquele corpão enorme, bem atrás dela. Um dos homens ao lado dela puxou conversa, para extremo horror de Gambit.
Homem: Oi, tudo bem?
Vampira: Te conheço?
Homem: Não, infelizmente...
Vampira: Então tá falando comigo por que?
Agora foi Gambit que teve vontade de dizer “ Iaúúúúúúhhh ”. Mas o homem sorriu da gracinha daquela mulher linda e durona.
Homem: Falo com você justamente porque quero te conhecer melhor.
Ele olhou para Gambit atrás dela com braços cruzados, cara de ódio e grandão.
Homem: Ele é teu segurança?
Vampira: Segurança? Ele é meu marido.
O homem ficou paralisado diante dela, mudo, por muito tempo. Depois, caiu numa gargalhada longa e gostosa, Vampira também riu.
Homem: Você é muito engraçada!
Vampira: É meu marido mesmo...
O homem parou de novo, mudo, olhou para Gambit também silencioso. Sorriu de novo.
Homem: Ele não parece seu marido.
Vampira: Não parece mesmo, gatinho! Se você soubesse das atitudes dele, ia ver que não parece mesmo!
Homem: Então, eu estava certo... Ele é seu segurança.
Vampira: É... Ele não parece, mas é!
O homem faz um “humft” bonitinho de quem gostava da presença de bom humor dela e resolve beijá-la para saber se aquele era realmente marido dela! Vampira se assusta, mas foi tudo tão rápido que não conseguiu conter o homem! Ele grudou nos lábios dela e começou a ser sugado! Vampira o empurrou longe, enquanto o homem caía no chão tremendo. Ela saiu correndo, Gambit continuou no bar e pegou o convulsivo pela gola da camisa.
Gambit: Eu esperei pacientemente que você fizesse isso, seu merde! Essa foi a minha vingança!
Mas o homem estava inconsciente para ouvir o que Gambit disse. O cajun também saiu do pub atrás de Vampira. Ela não estava em lugar nenhum, provavelmente tinha voado de volta para casa.
Continua Aqui!?

INFÂNCIA MUTANTE - QUINTA
PARTE
Madrugada avançada nos jardins da mansão X, os portões de ferro se abrem quando um componente do grupo faz seu reconhecimento de íris na entrada. O portão logo se fecha, mas foi estranho ele ter entrado assim. Afinal, Gambit costuma pular o portão com o seu cajado! Mas o cajun não estava com um ânimo muito legal... Foi andando pelo gramado negro pela noite, volta e meia prata pela lua; não tinha a chave de casa, ia escalar as paredes ou arrombar a porta. Ladrão é ladrão sempre...
Gambit: A chave... Sempre esqueço alguma coisa... Hum... escalo, arrombo, abro o trinco com alguma coisa?
Olhou para cima da mansão, analisando o prédio, vendo por onde se agarraria naquela noite. Viu pés numa bota preta balançando do telhado para baixo, depois os dedinhos da mão seguraram a calha da chuva e os pés se recolheram mais para cima do telhado, onde Gambit não podia mais vê-los. O francês foi subindo a cada salto, malabarismo, segurando-se em cada reentrância da casa, parando em cada janela, então, pulou como um gato no telhado!
Vampira: Que susto!
Gambit: Ça va bien, chere? Sabia que era você aqui.
Vampira: Dá o fora, já tive muito de você por hoje!
Gambit: Está feliz, belle?
Vampira: Feliz pelo quê? Por tua presença?
Gambit: Já conseguiu o que queria? Já acabou a sua vingancinha? Agora que me fez ver o que vi, vai acalmar, voltar ao normal, me tratar bem? Acabou, Vampira? Acabou ou tem mais para o idiota aqui aguentar?
Vampira: O mundo não gira em torno do seu umbigo, convencido! Quem disse que meu objetivo de vida agora tem alguma coisa relacionada a você, mesmo uma vingança?!? Acorda, o que aconteceu naquele bar não foi ação minha. O cara me agarrou, não eu!
Gambit: Não me destrói, chere. Nem diga coisas ridículas como essa, você sentou sozinha num banquinho de bar lotado de homens, quando eu estava do seu lado, em pé como um palhaço. E depois, vingança é idéia da minha cabeça megalomaníaca e convencida?
Vampira: Vai embora!
Gambit: Isso que você está fazendo é errado, chere. Errado com você, principalmente. Não esperaria essa reação nem mesmo de alguém na idade de Jubileu.
Vampira: Idem.
Gambit: Como assim, idem? Não entendi.
Vampira: No dia que você tiver “maturidade” para dizer o que é certo ou errado eu vou ter morrido. Olha o que você está falando, seu galinha! Justo você!
Gambit: Muito bem... Tem razão. Então, não desça ao meu nível, chere.
Vampira: É... Devia continuar na minha posição a quilômetros de distância acima de você e terminar logo com esse casamento absurdo!
Gambit: Esse é o certo, o dígno a ser feito, o mais saudável. Mas eu tremo toda vez que você diz isso, mon amour.
Vampira: Treme, mas mudar as atitudes, que é bom, você não muda!
Gambit senta lentamente ao lado de Vampira, faz uso de uma voz mais romântica e sedutora que o normal:
Gambit: Volta a agir comigo normalmente, mon couer. Por favor, chere, mais uma vez Remy Lebeau implora seu perdão. Dentre todas as mulheres do mundo, que podia ser qualquer uma, de Giselle Bunchen à Yuriko Oiama; eu escolhi você. A única intocável, que para mim foi intocável por a-n-o-s!
Vampira: E isso é uma espécie de bênção, de milagre, não é Gambit? Ser a escolhida de Gambit, é uma bênção, não é? Um encanto, uma dádiva divina. Só que essa dádiva tão esplendorosa vem com alguns defeitos, que obviamente a escolhida vai aceitar! Gambit não é, nem nunca será fiel! Mas o que significa esse defeito mínimo e ridículo diante da miraculosa bênção de ser amada por Remy Lebeau?! É assim que você vê o mundo, Gambit?
Gambit: Non!
Vampira: Seu argumento para que eu volte com você é: eu escolhi você dentre todas as mulheres do mundo! Ou seja, eu tenho que aceitar suas puladas de muro, te tratando normalmente como se fosse cega, porque dentre todas, a escolhida sou eu! Porque você é o todo poderoso Deus do Amor e da Beleza, Apolo?!
Gambit: Non. Eu só disse aquilo porque você não tem que sofrer com minhas puladas de muro. Afinal, podendo ter tantas mulheres, eu justamente escolhi a intocável. Quer prova maior de amor de um cara como eu, belle?
Vampira: Não, é mentira. Dentre todas, você não escolheu a intocável. Você escolheu foi todas! Está com todas sempre!
Gambit: Você é a única que me estraçalha o peito quando eu vejo um idiota qualquer de um bar te encostar.
Vampira: Quer que eu me mate para facilitar, então, a sua vida?
Gambit estava vendo que dessa vez a reconciliação parecia muito distante, seus olhos estavam úmidos, ele estava abatido.
Gambit: Eu quero ser diferente do que sou. Só isso.
Vampira: Só depende de você, que coisa ridícula!
Gambit: Só quero te arrastar para aquela piscina e te amar até alguém nos pegar, e que isso só aconteça amanhã bem tarde! Só quero voltar a te tocar e ouvir da sua boca que me ama.
Vampira: Isso você já sabe, seu covarde!
Gambit sorri, ainda dentro de uma atmosfera de tristeza.
Vampira: Por que não podemos ser como Jean e Scott?
Gambit: Porque Scott é virtuoso.
Vampira: É...eu também não sou aquele exemplo ruivo de mulher... Mas você só precisa da virtude “fidelidade” do Scott.
Gambit: Não me diz o quê do Scott você quer em mim, que eu vou ficar com ciúmes, belle!
Vampira: Será que você também saberia fazer filhos gostosos como a fofinha e gostosíssima da Rachel?
Gambit sorri, destilando um charme destruidor:
Gambit: Filhos gostosos eu não sei... Mas conheço uma forma gostosa de fazer filhos!
Vampira fecha os olhos respirando fundo, mexe no cabelo nervosa, acorda da frase estremecedora que ele disse.
Vampira: Vai dormir, Remy.
Gambit: Com você, ma chere?
Vampira: Sozinho!
Ela voa em direção à janela do quarto e a fecha bem fechada, até mesmo com cortina. Ia chorar longe dele, chorar a vontade de ficar com ele ao mesmo tempo que sua raiva não permitia que isso acontecesse. Chorar as lembranças das outras dele, ficar fraca com isso e ter as memórias de Karen invadindo sua mente. Enquanto Gambit permanecia irritado no telhado, energizando e arremessando telhas no ar!
Bobby Drake: Já tá irritando!
O homem de gelo surgiu com a cabeça e os braços fazendo força para sair da janela do quarto e também subir no telhado.
Bobby Drake: Tô tentando dormir, pensei que quando ela fosse embora eu finalmente ia ter silêncio!
Gambit: Você ouviu tudo, mon ami???
Bobby Drake: Tenho culpa de vocês virem discutir a relação em cima da minha janela?
Gambit levanta-se expirando o ar, ia para o quarto. Bobby aproveita para desculpar-se pela briga daquela manhã.
Bobby Drake: Desculpa aí, Gambit, por ter brincado com vocês dois pela manhã. Não pensei que minha brincadeira podia soar mal, não sabia dessa história toda.
Gambit: Tudo bem, mon ami.
Bobby Drake: Vai na minha exposição amanhã?
Gambit: “Exposição”, Drake?
Bobby Drake: É! Lembra do dia que acabamos com o gueto e aquelas gatas da TV vieram entrevistar a gente? E ela perguntou de exposição feita com meus poderes de gelo?
Gambit: É claro que lembro, é por causa dessa repórter que eu estou sofrendo um calvário.
Bobby Drake: “Calvário”, como você é exagerado! Então, vai ser amanhã em Manhattan, cara!
Gambit: O surfista parafinado e escultor nas horas vagas!
Bobby Drake: É, cara! E por que não? As gatas até gostam mais!
Gambit: Eu sei, mon ami.
Bobby Drake: Eu me espelho no seu dom, Gambit! Já tenho uma coleção que um dia vai rivalizar com a sua!
Gambit: Só quero minha femme de volta, Bobby. Dou minha coleção para você.
O dia seguinte foi marcado por Scott indo do quarto à cozinha, levando mamadeiras e chupetas para ferver, levando sacos com fraldas descartáveis sujas para o lixo no final do jardim, levando mamadeiras com leite materno de Jean para o freezer; estava com uma inacreditável cara de sono! Se alguém pudesse ver seus olhos, levaria um susto!
Tempestade: Quer ajuda, Scott?
Scott: Não, Tempestade. Já tem sido maravilhoso da sua parte dormir naquele sofá horrível do nosso quarto.
Tempestade: Ora, pela Deusa! Você e Jean merecem muito mais! Ela está dormindo, não está?
Scott: Está! Jean agora dorme quando Rachel dorme!
Tempestade: E você também vai dormir, que passou grande parte da noite acordado!
Jubileu: Gente! Por que aquelas mamadeiras de leite no freezer?
Tempestade: É para Rachel, criança.
Jubileu: Pô! Isso eu sei! – Tempestade sorri do jeitinho dela. – Mas bebê não tem mais é que beber leite da mãe e do peito?
Tempestade: Esse leite é de Jean. E é só para de madrugada, quando ela não aguentar mais ser acordada para ser...
Scott: Sugada! Em todos os sentidos da palavra.
Tempestade: Entendeu, criança?
Jubileu: Ah, ta...
Scott subiu as escadas cambaleante e capotou na cama ao lado de Jean adormecida. Jubileu aproveitou para fazer perguntas a Tempestade.
Jubileu: Ororo, o bebê de Jean já demonstra assim algum poder?
Tempestade: É só um bebê, Jubileu!
Jubileu: Eu sei, mas é que sempre falam do Sinistro e do super poderoso fruto da união Scott-Jean!
Tempestade: É melhor que não falemos sobre isso, criança. Sinistro é ardiloso demais!
Jubileu: Então é porque não é só um bebê?
Tempestade: Eu não sei o que é... mas é um bebê diferente! Agora chega, vai arrumar o que fazer que não estou gostando dessa nossa conversa, mocinha!
Jubileu: Ah, fala, Tempestade! fala, fala, fala! Faaaala, por favor!
Tempestade: Rachel mexe com a gente.
Jubileu: Como assim mexe?
Tempestade: Por dentro.
Jubileu: Cruzes!
Tempestade: É inconsciente, criança. Eu já disse, é só um bebê inocente. Parece que as vontades dela são passadas para nós claramente, como se fossem fortes demais.
Jubileu: Mas isso é bom! As mães sempre reclamam que muitas vezes não compreendem os sofrimentos de seus bebês.
Tempestade: Bom... os dois têm ficado mais exaustos do que o normal com essa capacidade de captação dos sentimentos recentes e fortes de um recém nascido, amedrontado, pequeno e fraco. Agora chega! Chega!
A noite chega, todos da casa se arrumam para a Exposição de gelo de Bobby Drake. Os únicos que não poderiam ir eram os Summers! A sala alugada para o evento estava linda, repleta das mais famosas esculturas e estátuas feitas de gelo numa perfeição impressionante! O Beijo de Rodin, o Pensador e também a Danaïde; de Camille Claudel tinha a Valsa e Vertumne et Pomone; inúmeras estátuas gregas e romanas: como a Vênus de Milo, Fauno raptando Ninfa, imperadores romanos, Vitória Alada (que o Anjo adorou e bateu inúmeras fotos). Sem contar com uma ala Michelangelo: com um David de 5 metros de altura, com as mesmas veias das mãos e pés que Michelangelo conseguiu fazer no mármore, e também a Pietá e o Moisés de Michelangelo. A mídia e os críticos estavam em polvorosa, só se ouvia a palavra gênio! E Bobby Drake inflava seu ego, sabendo que só era gênio por seu poder mutante, e que agora todos sabiam disso. Os mutantes estavam em alta na mídia desde o fim do gueto, parecia que Bobby Drake ia ser o garoto propagando dessa alta! A mesma repórter que foi beijada por Gambit estava na exposição olhando para ele fixamente, fazendo com que Remy olhasse para o chão quase todo o tempo, só levantando os olhos para receber um olhar fulminante de Vampira que estava prestes a acabar com a raça da repórter.
Bobby vai para a porta da sala, para falar com outros tantos repórteres na calçada que não conseguiam entrar, ele sentia-se uma celebridade com tantos flashes! Foi quando parou uma enorme Mercedes branca na calçada, o chofer correu para abrir a porta. Aparece ali dentro, segurando uma taça de champanhe francês uma loiríssima e branquíssima telepata de nariz empinado.
Bobby Drake: Emma Frost???? O que você está fazendo aqui?
Emma: Te prestigiar é que não foi. Onde está Xavier?
Bobby Drake: Como assim onde está Xavier? Você veio buscar Jubileu para voltar para Geração X?
Emma: Ah, me poupe!
E entrou na sala de forma tão fria e convencida que até mesmo Bobby sentiu um frio. Era tão glamurosa e incrivelmente brilhante naquelas roupas brancas e pratas que alguns flashes seguiram seus passos. Emma gostava de brilhantes e diamantes, principalmente diamantes. Esses escorregavam do seus pescoço rumo aos seios provocantes, sem contar os outros tantos nos brincos. Tinha até mesmo algumas pedras dentro do copo de champanhe.
Professor: Emma Grace Frost! É um prazer em revê-la!
Emma: Obrigada, Xavier. Vim porque pediu. Qual é a grande missão a que devo me juntar?
Jubileu veio correndo do fundo da sala, um tanto preocupada:
Jubileu: Ah, não! Ela veio me buscar! Não quero ir, professor! Eu sou uma X-Men!
Emma olhou Jubileu longamente dos pés a cabeça e sorriu de lado, com pena da menina. Voltou a levantar o nariz e disse sem se alterar:
Emma: Eu nunca viria buscar um aluno que não me quer mais como professora, garota.
Xavier: Sua missão será uma ajuda, Frost. Como deve saber, Jean e Scott tiveram uma filha.
Emma: Nossa! – Disse com um ar de soberba, quase nojo.
O professor percebeu uma certa frieza da aliada, a convivência com ela seria complicada.
Xavier: Eu temo que muito em breve Sinistro trame alguma ação contra o bebê, preciso de mais um mutante na casa.
Emma quase não acreditou. Então era para isso que Xavier a tinha chamado? Estava pensando que fosse algo relacionado ao gueto, esse sim um grande feito! Mas engoliu o “sapo” e aceitou a proposta em nome da amizade que tinha por Xavier e demais membros da equipe. Bobby voltou da calçada para cumprimentar aquela que passou batido sem nem falar com ele direito.
Bobby Drake: Então, Emma?! Prazer em te ver depois de tantos anos! Gostando da minha exposição?
Emma: É... Legal.
Silêncio entre todos em volta dela, Bobby olhou o chão com raiva. Suas mãos já estavam virando gelo.
Emma: Eu já vi todas essas no original em mármore, bronze e terra cota museus do mundo afora. Você...
Bobby Drake: Não sou original?
Emma: É. Um tanto medíocre, se fosse eu com seus poderes teria feito coisa melhor.
Emma deu as costas e foi falar com Tempestade e Warren, pessoas que costumava tratar com um pouco mais de calor e alegria! Bobby quase voou em cima daqueles cabelos loiro argentina, mas foi segurado por Fera. Ele lembra de como Emma Frost um dia teve seus poderes e foi incrivelmente mais brilhante do que ele em todos os usos que transformar-se em gelo poderia ter.
Mais algumas horas se passaram naquela sala de Manhattan, apesar dos foras de Emma, Bobby fazia muito sucesso entre a mídia, os críticos e os pagantes. Recebeu propostas para expor as esculturas de gelo em outros lugares, novamente foi bombardeado com a desconfiança de que deveria existir uma equipe de escultores de gelo ajudando-o. Mas Bobby sempre dizia que fez tudo sozinho. O David de 5 metros e a Pietá eram as que mais chamavam a atenção de todos. Outros mais românticos ficavam a derreter o beijo de Rodin de tanto tocar! Bobby terminou a festa com uma quede de neve no interior da sala, ficaram todos maravilhados e as luzes se apagaram. Naquela noite, ele não voltou para a mansão, foi sair com duas críticas de arte, que ele definiu como gatas inteligentes.
Gambit tentou persuadir Vampira a não voltar também para mansão, quem sabe um restaurante legal? Uma boate? Um simples passeio? Não foi a resposta. O professor gostou da resposta dela, emendou que era bom ter todos acordados bem cedo amanhã, iriam planejar e treinar todas as táticas de defesa em duas frentes de “combate”: proteger Rachel de Sinistro; e continuar no empenho pelo fim da idéia de esterilização mutante, no empenho de conseguir processar os culpados pelo gueto, conseguir indenizações para as famílias, saber das reais intenções do governo. Mal sabiam eles, que Wolverine já estava agindo há algum tempo nessa empreitada, de um jeitinho bem particular e próprio do canadense, bem quieto.
Os X-Men chegam na mansão fazendo uso do pássaro negro, Warren faz questão de abrir a porta para Emma e deixá-la ser a primeira a entrar. Ela leva um susto quando a porta se abre, um bebê voando bem na sua frente!
Emma: Quê isso?!
Jean tinha colocado o bebê conforto na mesa da sala, enquanto relaxava um pouco no sofá, estava exausta e não aguentava mais ficar no quarto. Quando Rachel gemia e mexias aqueles bracinhos e perninhas, Jean nem levantava! Fazia a menina voar com sua telecinésia até seus braços. Foi bem nessa hora que Emma chegou. Encontrou um bebê voando e olhou na direção que ele ia: Jean sentada no sofá com Scott dormindo deitado com a cabeça nas pernas dela. A mão dele largada pra fora do sofá segurando uma fralda de pano mostrava o cansaço do coitado. E espalhado pela mesa e chão, tinha desde creme para assaduras, como fraldas descartáveis, mamadeira, chupeta, alguns brinquedos, lenços úmidos, etc.
Emma: Está com tudo, hein, Jean?! Marido e filha no colo ao mesmo tempo.
Scott: Hein?! Quem? Chegaram, amor? – Scott acorda assustado, saindo do colo da mulher. Olhou direito por dentro de seus óculos de Quartzo Rubi para ver se estava vendo direito: Aquilo era Emma Frost?
Jean: Oi, Emma! Que surpresa!
Os demais X-men entram na sala e vão subindo para os quartos, ou sentando nas poltronas, empurrando com o pé uma ou outra tralha de bebê. Jean levantou-se do sofá com a filha perto do ombro para dar dois beijinho em Emma, que fez o possível para ficar o mais distante possível nos beijinhos. Jean ficou um pouco desconcertada, Vampira se indignou:
Vampira: Quê isso, minha filha? Tem problema de pele, não pode encostar nos outros, não?!
Gambit: Chere...
Emma: Desculpa, não fiz por mal. Vim da rua e não quis chegar muito perto da... da...?
Vampira: Rachel!!!
Emma: Da Rachel.
Jean entregou o bebê nas mãos de Warren, que balançou as asas para ver se a menina dava um sorriso. Mas bebês recém nascidos ainda não riem. Foi, então, abraçar Frost; que fez questão de fazer bem apertado e caloroso. Para mostrar que não se achava superior a ninguém, era só um jeito frio de ser que ela carregava consigo. Depois foi abraçar Scott, que era grandão e a envolvia por inteiro. Quando saíram do abraço, Emma olhou para ele e disse quase de forma inaudível: “Nossa, que pai forte! Nem me pareceu tão cansado.” Só Scott ouviu, e se os demais pudessem ver seus olhos, veriam um desconcerto muito grande! Perceberiam pelo encabulamento e falta de jeito dele, que Emma tinha dito algo demais! Ciclope aproveitou para pegar Rachel do colo de Warren e abraçar Jean pela cintura com o outro braço, dizendo:
Scott: Seja bem vinda, Emma. O professor comentou que talvez viesse a pedir sua ajuda na proteção de nossa filha.
Fera: Só não imaginávamos que ele a chamaria tão depressa, ficamos surpresos!
Jean: Eu agradeço, Emma.
Emma sorriu e perguntou onde era o quarto dela! Warren levou-a até o segundo andar, Vampira sentou pesada no sofá, muito irritada.
Vampira: Olha, vai ser duro aguentar essa nariz empinado aqui, hein?!
Fera: Ninguém duvida da eficiência e capacidade de Emma Frost. Ela será de grande ajuda.
Tempestade: Vampira... é o jeito dela. Ela é distante, irônica.
Vampira: Nojenta!
Jean: Eu também nunca consegui ter bom relacionamento com ela. Mas sei de toda a capacidade dela e fico feliz que minha filha tenha mais um mutante como ela que a proteja.
Vampira: Só quero ver o que essa bruaca vai aprontar!
Gambit: E você? O que vai aprontar hoje no meu quarto, ma chere?
Vampira: Ah! Te enxerga!
Gambit, como bom ladrão, tinha a mão levíssima! Abre a bolsa de Vampira ao lado dela no sofá e pega a pulseira neutralizadora de poderes. Rapidamente prende a pulseira no pulso dela com força e fica segurando. Vampira se assusta e sente-se imediatamente fraca. Gambit a beija, jogando seu corpo para trás! Só quando ele resolveu solta-la é que todos viram um tapa estalado sair da mão de Vampira e encontrar o rosto de Gambit. Mas foi força de uma mulher normal, nada que Gambit não pudesse aguentar.
Vampira: Odeio quando você não respeita a minha vontade! – E foi tirando a pulseira, bem irritada.
Gambit: Depois eu te dou outros como esse, mon couer.
Vampira: Me lembra de te dar outros tapas também!
Gambit: Quantos você quiser, amour!
Vampira voa para o segundo andar, Gambit fica sem graça diante dos demais componentes da equipe, mas ainda grita um: “TE AMO!” em direção a escada, só escutou uma porta batendo em retorno da declaração.
Jean: Minha filha vai crescer vendo essas demonstrações de agressão?!
Gambit nem ouviu o que Jean disse, já estava de olhos fechados, lambendo os lábios, passando os dedos sobre a boca, cheirando a mão que tinha entrado no cabelo dela. Quando voltou a abrir os olhos, perguntou meio perdido:
Gambit: Hein?! Disse alguma coisa, chere Jean?
Jean: Você não tem jeito mesmo.
Continua Aqui!

INFÂNCIA MUTANTE - SEXTA
PARTE!!!
O dia amanhece quente, de céu bem azul, uma leve brisa; os raios de sol batem na água da piscina e refletem em ondas brilhantes na parede da sala. Bobby chega na mansão naquele exato momento, encontra Sam, Jubileu e Gambit vindo da cozinha com uma bandeja de café da manhã.
Gambit: Mon ami, chegou cedo!
Bobby sorri meio torto do sono que sente.
Bobby: Cada gata! Gambit, só mulheraço! Você ia ter gostado! Eu sou um sucesso!
Sam fica encabulado com o que Bobby conta, Míssil era um garoto do interior e fica mal ao ver Jubileu prestando atenção na conversa um tanto pornográfica. Bobby joga o jornal do dia no colo de Sam, que se apressa com as mãos para não despencar os cadernos.
Bobby: Chequem aí, Robert Drake, o Homem de Gelo, é um sucesso! Saí nos jornais, na parte cultural! E também nas fofocas, olha as minhas gatas e a minha cara de chapado!
Jubileu: É... Acho que se eu voltar nos shoppings ninguém mais vai querer me linchar por ser uma mutante. Os mutantes estão em alta! Que barato!
Sam: Eu não confiaria tanto nisso, Jubileu. É melhor continuarmos discretos, apesar de todos já nos conhecerem. Não acha, senhor Remy?
Gambit: Acho, mon ami. Só não acho que você precisa me chamar de senhor, non?
Bobby vai subindo as escadas de forma cambaleante e repetindo baixinho a palavra “mulheraço”. Gambit o faz parar no meio da escada, para dar um informe importante.
Gambit: Bobby!
Bobby: Quê?
Gambit: Por falar em mulheraço, procura não escutar mais os seus rocks naquela altura no seu quarto; Emma Frost ficou com o quarto do lado.
Bobby arregala os olhos e leva o pescoço a frente em silêncio, interrogando Gambit com o rosto.
Bobby: ... ?
Gambit: Pois é.
Bobby: Que merda.
Gambit: Pois é.
Bobby: Por que? Não era só uma visita, então?
Gambit: Xavier.
Bobby: No quarto ao lado do meu?! Que merda. ... Xavier, né?
Gambit: Oui. Dono da casa, mon ami!
Bobby: É... Muito tempo, cara?
Gambit: Je ne se pa. Quem vai saber?
Bobby: Se ela tem um quarto, é porque vai ser um tempo grande.
Gambit: Mulheraço.
Bobby: Mulheraço podre por dentro.
Gambit: Mulheraço.
Bobby: Mulheraço.
E Bobby vira-se de novo em direção aos quartos, volta a subir os degraus, um tanto abismado.
Jubileu: Vampira não ia gostar de ouvir você falando da Emma assim desse jeito, Gambit.
Sam: Ela tem razão, senhor Remy.
Gambit sorri sem graça e passa a mão nos cabelos, olha para os dois com a luz brilhante das ondas da piscina no rosto. Dentes perfeitos, algo que sai dos olhos e encanta quem o olha, seduz Jubileu, sem nem mesmo ter tido a intenção. Ela acaba por defendê-lo.
Jubileu: Ah! Você também nem disse nada demais!
Sam: Bom... eu tenho certeza que se Vampira estivesse aqui, ela não teria gostado.
Jubileu: Ia nada, ela conhece Gambit. Ei, Sam!? Vamos na piscina? Tá um sol tão lindo e ela refletindo assim na parede me dá uma vontade enorme! Vamos?!
Sam: É... Não sei, Jubi...
Jubileu: Você já tá de short, seu chato!
Sam: Mas...
Jubileu: Sem mas! Eu vou subir para trocar de roupa e quando voltar quero ver os dois na piscina!
Gambit: Moi aussi, chere?
Jubileu: É, você também!
Jubileu sobe as escadas correndo, Bobby grita o “mas” que ele queria dizer antes, quando foi interrompido pela garota.
Sam: O professor disse que nós iríamos treinar bem cedo hoje, Jubi!!!
Gambit: Nem ouviu.
Sam: Eu sei.
Jubileu voltou para a piscina com um bikini amarelo, empurrou Sam que estava sentado na borda e logo entrou na água gritando “uhuuuu”! Gambit veio correndo do quarto com sua sunga preferida e pulou na água tentando fazê-la transbordar pelo jardim. Os três estavam fazendo barulho e acabaram acordando os demais mutantes da casa. Scott estava no quarto de Xavier, tirando-o da cama e colocando-o na cadeira de rodas.
Professor: Esses barulhos são as crianças na piscina, Scott?
Scott deu alguns passos para olhar pelo enorme janelão de vidro do quarto do professor, viu uma festa lá em baixo.
Scott: É, professor. Estou vendo até Jean lá embaixo com a Rachel.
Professor: O treino de hoje, então?
Scott: Treino? Acho que eles sabem que somos só nós dois a nos preocupar com treinos, professor.
Professor: Pegue um short meu no armário, Scott. Eu também vou na água!
Scott: Xavier!
Professor: Eu ainda tenho braços, Scott... Não vou me afogar. Pegue o short e me ajude, como um bom filho.
Scott: Com prazer!
Scott chegou no jardim, todos sorriram quando viram Xavier de short largo, sabiam que ele ia entrar na piscina. Scott abraçou Xavier e o levantou da cadeira, Tempestade correu para ajudá-lo, eles iam colocar o telepata na água.
Jean: Afastem-se e deixem isso comigo!
Jean, mesmo à distância e com a filha no colo, faz Xavier flutuar, para sorrisos nervosos de todos! E a ruiva o coloca suavemente dentro da piscina. Warren e Noturno chegaram logo em seguida e depois apareceu Bishop. Fera passou pela porta da sala com um livro, Jubileu tentou molhá-lo jogando água, mas o
monstro azul fez uma acrobacia para livrar-se da água, não ia deixar o livro para entrar na piscina naquele dia. Mais tarde apareceu Vampira desfilando na beira da piscina, com o menor bikini que todos já tinham visto! Gambit babou pela escultura viva ajeitando o lacinho ao lado da cadeira de banho de Sol.
Gambit: Voilá! Mon amour!!!!! Remy Lebeau agradece por você ter se feito tão linda só pra ele!
Vampira: Só pra ele???
Ela senta na cadeira, puxa o cabelo pra cima com as duas mãos e olha para as próprias costas com biquinho de Brigite Bardo.
Vampira: Warren, aperta pra mim?
Gambit fecha a cara, Vampira não tinha parado de vingar-se contra ele.
O Anjo desfaz o lacinho do bikini dela, olhando ora para Gambit, ora para o chão, e mais uma vez para Gambit e outra vez para o céu.
Vampira: Valeu, Warren! Você é realmente um anjo! – E passa a mão no cabelo loiro dele, piscando um olhinho verde toda marota. Warren gelou quando ela o acariciou no cabelo, tanto porque pensou que seria sugado e também por imaginar a confusão com Gambit. O cajun, por sinal, já estava saindo da piscina e se enxugando numa toalha todo raivoso da vida. Enquanto isso, Vampira caminhava por cima do trampolim da piscina; quando chegou bem na beirinha ela parou. Gambit ficou na borda da piscina, de braços cruzados, olhando para ela. Vampira dá um saltinho e outro e outro, e então; o grande salto! Ela vai bem alto no céu, levantaria muita água da piscina, até Jubileu colocou a mão no rosto esperando pelo Splash! Mas de repente, ela pára no ar! Abre os braços e vai lentamente flutuando até entrar na piscina, como uma folha que cai suavemente da árvore. Naquele momento, todos olham para cima, na direção da janela do quarto do Homem de Gelo.
Bobby: Mamma Mia! Ma que Bella Dona! – E rindo, bate palmas para o salto e a beleza de Vampira!
Gambit morde os lábios de ódio e pega o copo de coca cola de Jubileu, energiza-o e joga na direção da janela. Bobby some para dentro do quarto, a explosão com coca acaba se espatifando na parede da casa.
Bishop: Muito bom, Gambit! Buraco no reboco e coca cola nele! Melhor impossível!
Tempestade: É, Vampira voltou aos velhos tempos.
Gambit: Casada comigo, Tempestade? Isso é justo?
Tempestade: Acho que ela faz isso porque você nunca saiu dos velhos tempos, Gambit.
Scott ria de toda aquela confusão, enquanto levava um professor Xavier enrolado numa toalha para dentro da mansão. A cadeira de rodas estava pingando apesar da toalha. De dentro da sala, os dois viam Jean Grey no jardim brincando com a filha deitadinha em cima de um pano estendido por cima das flores. Jean usava a sua telecinésia para as flores voarem em volta da filha, os olhinhos da menina brilhavam e ela mexia as perninhas de jeito frenético. Às vezes chegava a emitir algum som fofo, para deleite da mãe.
Professor: Jean está transbordando felicidade, Scott.
O marido estava grudado no vidro da sala, olhando sorrindo para as duas mulheres de sua vida.
Scott: Eu sei!
Professor: Espero que com a vinda de Emma, e com o fato de Warren ter voltado para ficar, a felicidade da sua esposa não seja roubada por Sinistro.
Scott: Não vai, professor. Nada vai tirar o sorriso e o brilho dos olhos daquela ruivinha.
Professor: Se Wolverine estivesse aqui, nós teríamos um potente mutante para...
Scott: Perdão, professor! E dou meu sangue para provar que minha mulher e minha filha não precisam da ajuda de Logan.
Professor: Tanto rancor, Scott... Logan é ríspido, duro, bruto, mas é um bom caráter.
Scott: Seus julgamentos incluem respeito à casamentos?
Professor: Scott, Logan sofre por ela. Ele não tem culpa de amá-la.
Scott: Ele tem culpa pela insistência. Cansei de vê-lo secar minha mulher, Logan não tinha limites!
Professor: Cansei de vê-lo chorar, Scott.
Scott: Chorar? E Wolverine sabe lá o que é isso, professor?! Chorar?!
Professor: Sabe. Pode parecer estranho, já que ele jamais demonstrou fraqueza diante de vocês, nem mesmo diante de mim! Mas eu sou telepata e estou sempre atento nos meus alunos. Eu vejo o invisível. Quando Wolverine resolvia deixar a guarda baixar e se permitir sofrer em isolamento, ele tinha uma das dores mais insuportáveis. Claro que Jean era só parte dela, mas era a parte mais recente daquela dor.
Scott: O sofrimento dele não lhe dava o direito de tentar roubar a minha esposa, professor! O senhor sabe disso. Ele pode não ter culpa por amar alguém, mas tem culpa por seus atos.
Professor: Tinha culpa... Logan resolveu parar de insistir. Ele se foi.
Scott: Bom pra ele, então.
Professor: Scott... Você disse “bom pra ele” como quem se livra de um saco de lixo. Logan descontava em você uma raiva que você não merecia, mas ele só te fez de alvo porque ele tem muito para descarregar. Um mutante muito velho que só tem memórias de uns 15 anos para cá, parte dessa memória é falsa. Perdeu inúmeras pessoas que gostava, foi submetido a uma experiência científica em que lhe implementaram adamantium! Seus instintos parecidos com os de animais o afastavam mais e mais das pessoas, ele agia sempre da forma considerada violenta e errada pelos demais. E você era o meu aluno mais brilhante, admirado por todos, não existe uma única pessoa a apontar um deslize de caráter seu! Ninguém vê seus olhos, mas sua beleza salta às vistas, Scott! Enquanto Wolverine se via baixo, estranho, animalesco; agindo de forma sempre bruta, errada, grosseiro. E são todas essas características suas, que Wolverine não tem, que ganharam o coração daquela ruiva do jardim.
Scott: O senhor está querendo dizer que Wolverine queria ser como eu???
Professor: De jeito nenhum! Nunca! Mas ele tinha raiva da vida dele ter tantos e tantos pontos negativos, enquanto a sua brilhava! Logan não queria ser como você, só queria ter ao menos um único ponto bom na vida; tinha raiva de alguns terem tantos e ele só sofrimento. Jean era o ponto bom, que ele julgava que você tivesse “roubado” com seu histórico imaculado. Wolverine era sempre traído pela vida, pela sorte.
Scott: E eu tenho culpa? Isso é motivo para?
Professor: Não. Não é motivo, é o que estou tentando dizer: Logan estava errado em agir da forma que agia. Completamente errado. Mas ao menos, devemos compreender seus motivos e tentar diminuir tanta agressividade. Fazê-lo sair do erro de forma amável. Uma pessoa como aquela precisa de amor para ver seus erros.
Scott: É difícil.
Professor: Eu sei. Logan podia ter colocado paz naquele espírito inquieto se tivesse decidido esquecê-la bem antes, mas ele só resolveu isso agora que Rachel nasceu. Percebeu que não dava mais. ... Mas vamos mudar de assunto! Eu sei que isso te aborrece, vá ver sua mulher e sua filha!
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Enquanto isso, em Washington, Wolverine colocava o seu terno mordendo os lábios de ódio. Saía do seu apartamento cafofo e amedrontava alguns pedestres com caras feias até chegar à Casa Branca. Ficava lá no pátio com os outros motoristas por um bom tempo, ao lado dos carros oficiais embandeirados e com placa especial. Todos conversavam e riam, Logan era o único distante, com cara de mal encarado, sempre afrouxando aquela maldita gravata.
E então, desceu pelo portão principal da casa, o todo engomado senador Zack Aabraan, que sempre tinha seu carro guiado por Wolverine. Zack era um dos senadores mais direitistas, mas nazis, com muitos amigos nos indústrias de Engenharia Genética agrícolas e com projetos em humanos. Logan o escolheu de propósito. Zack veio caminhando para próximo do carro acompanhado de uma secretária muito bonita, Wolverine arregalou os olhos para ele. Ficou estaticamente olhando para a secretária e para Zack, chegou a mostrar os dentes e fazer um ligeiro grunhido de ódio. A secretária se assustou um pouco, mas o senador sorriu.
Zack: James é assim mesmo, Bruna! Não se assuste!
James era o codinome de Wolverine no distrito federal. Logan ficou olhando para o casal pelo retrovisor do carro, olhando longamente enquanto passava os dedos por cima do local de onde saíam as garras da mão direita. Às vezes elas tinham uma vontade louca de saltarem e tinham que ser contidas. Só a secretária também olhava para ele pelo retrovisor.
Zack: Bruna, calma. Ninguém vai saber. Nós vamos voltar logo.
Bruna: Mas...
Zack: James é de confiança...
Wolverine: Pra onde, senador?
Zack: Toca para o hotel Esparta, James. Eu e Bruna vamos almoçar lá, você pode esperar na praça em frente, para nos trazer de volta.
Wolverine ficou pensando: “Sei... Almoçar! Eu sei o que você vai almoçar!”
Wolverine: Almoçar num hotel, senador? Não quer que eu te leve para um restaurante conhecido?
Zack: James, o que é isso? Me obedeça!
O carro começou a andar em direção ao Esparta, Bruna comentou baixinho que ele era um motorista insolente e petulante, Zack sorriu e a tranquilizou. Quando chegaram, o senador pediu para Logan esperar no carro enquanto ele levava a secretária para dentro. Bruna tinha subido e o esperaria num dos quartos, Zack disse a ela que voltaria no carro rapidinho para dar uma gorjeta ao motorista.
Logan tinha colocado o carro no estacionamento quase vazio do hotel, estava fora do carro, fumando e esperando pelo senador. Ele chegou com uma nota de dez dólares balançando na mão, Wolverine o agarrou pelo colarinho do terno e o jogou contra a parede do estacionamento! *SNIKT*! O senador chegou a bater a cabeça no concreto.
Wolverine: Você está aqui para trabalhar ou para pegar todas as secretárias??? Não tinha que tá lá no escritório pegando o maior número de informações pro seu chefinho Magneto? Não tinha que tá indo pra cama com os senadores, ao invés de pegar as franguinhas deles?!
Mística: Ai, não posso me divertir um pouco na hora do almoço, não?
Wolverine: Dá próxima vez escolhe outro babaca! Eu não posso perder tempo te levando pra baixo e pra cima, sua piranha – duas – caras!
Mística: Você pode achar que eu estou me divertindo, mas estou é unindo o útil ao agradável! Essa franguinha sabe muita, muita coisa, Logan! E vestida de um senador Zack Aabraan que promete mundos e fundos pra ela, eu vou descobrir muita podridão! Tá achando que a gente não descobre coisa quando interroga os peixes pequenos, é?!
Wolverine: Coma quem você quiser! Mas não me faz de idiota da próxima, escolhe outro motorista.
Mística: Só que o motorista do Zack é você! E... brigado por ter me trazido, tive um certo medinho que você desse um escândalo e acabasse com tudo.
Wolverine: É o que eu vou fazer da próxima vez! SNIKT – Ele rasgou a nota de dez dólares no ar com as garras.
Mística: Tudo bem, agora fica aqui em baixo chupando dedo enquanto eu vou lá em cima com aquela belezinha. Volto em pouco mais de uma hora.
Wolverine rugiu, teve vontade de não mais seguir o plano que tinha traçado. Teve vontade de simplesmente entrar na Casa Branca e enfiar as garras no peito do presidente e senadores como Zack!
Mística: Pensa na Jean!
Wolverine saltou para agarrá-la, mas aquele engraçado senador saiu correndo para dentro do hotel.
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Scott foi caminhando até o jardim, sentou ao lado de Jean e pegou Rachel no colo; ela era toda molinha, tinham que ter muito cuidado com a pequenininha. Enquanto isso, mais para perto da piscina, Gambit se mordia de ciúmes do jeito e do bikini de Vampira. Jubileu dava algumas indiretas para Sam, dizendo que queria sair com ele. Mas Samuel apesar de novo, tinha princípios e normas de condutas muito rígidas, porque teve uma criação dessa forma. E ele não tolerava traições, nenhum tipo de traição. Por mais que Jubileu dissesse que o erro dela, ao ter ficado com Escariotes, seja perdoável porque ela era nova, não mediu seus atos, é típico da idade; Sam não acha assim. Ele tem a mesma idade dela e nunca foi imaturo e irresponsável com o sentimento alheio dessa forma, então, achar que isso é típico de uma idade ou fase, é desculpa esfarrapada para Samuel Guthry. Jubileu chegou a pensar que se Wolverine estivesse aí, ela o obrigaria a forçar Sam a perdoá-la. Perdoar não só a ponto de voltar a ser amigo dela, como já era! Mas perdoar a ponto de se permitir aceitá-la de volta, já que também estava claro que Sam gostava daquela chinesinha espevitada!
Scott e Jean também resolveram sentar pertinho da piscina, ele chegava a colocar os pés de Rachel dentro da piscina, Jubileu ia lá e beijava aqueles dedinhos que se encolhiam. Foi quando Vampira perdeu o ar sedutor e faceiro e ficou olhando Rachel com aquele chapeuzinho de Sol, atravessava o corpo do bebê com seu olhar perdido. Via o sorriso de Scott, de Jean, Jubileu beijando os dedinhos e aquelas perninhas balançando. Voltou a cabeça mecanicamente para o rosto de Gambit... É... A relação deles não tinha nada de nem um pouco parecido. Ela sentiu-se mal por estar com aquele bikini tão provocante, pegou uma toalha de praia e se cobriu, ficou encolhidinha na espreguiçadeira.
Vampira: Por que estamos assim?
Gambit: Eu já pedi desculpas, chere.
Vampira: Ah, é... A repórter... Dessa vez foi a repórter. E eu resolvi revidar.
Gambit: Se o objetivo era machucar, você conseguiu.
Vampira: Que bom!
Gambit: ...
Vampira: Não. Não é bom.
Gambit: Ma belle, Remy Lebeau não tem moral para ficar reclamando da sua vingança, apesar de já ter reclamado e realmente achar que é um erro. Mas não tem como alguém com meu histórico julgar você e cobrar nada teu. Eu vou esperar que a sua sede de acabar comigo passe. E olha só! Vou estar te esperando...
Vampira volta a entrar na piscina, automaticamente Scott tira os pés da filha da água. A sulista mais uma vez olha para Gambit com um ar tristonho. E só nessa hora que aparece no jardim a esnobe Emma Frost. Bikini branco com bolinhas pretas da Chanel, óculos escuros idem! Sandália de salto também branca de bolinhas pretas, chapéu de aba bem larga, palha clara, e enrolado nele uma faixa de seda negra. O loiro argentina escorregava pelas costas, saindo do chapéu. Sentou na espreguiçadeira mais distante de todos, abaixou o óculos com um dedo.
Emma: Estão olhando o quê? Nunca viram mulher, não?
Todos pararam de olhar para ela e continuaram as suas conversas e diversões, Emma permaneceu lá pegando sol em silêncio e sozinha por muito tempo. Tempestade sentiu-se mal com aquela situação, era estranho ter aquela estátua distante e muda.
Tempestade: Dormiu bem, Emma?
Emma: Dormi, por que?
Tempestade: Por nada... Por preocupação.
Emma: Com quê? Comigo???
Tempestade: Sim.
Emma: Não se dê ao trabalho!
Tempestade olhou para Jean com um ar de “eu tentei!”. Vampira chegava a mergulhar a cabeça debaixo d’água de tanto nojo que tinha de Emma Frost. Warren resolveu sentar perto dela para puxar um papo e conseguiu! Gambit presumiu que o fato dos dois terem nascido podres de ricos, fizesse com que eles tivessem bastante em comum; dois bem educados, viajados, ricaços e bem vestidos.
Bobby desceu do quarto, não conseguia dormir com todo aquele barulho, resolveu, então, se unir a farra! Gambit olhou torto para ele, mais uma vez Bobby brincou de uma forma que o cajun não gostou. Mexer com Vampira era motivo para tirar Gambit do sério. Ele disse um desculpa mudo, articulando bem a boca para Remy, que não respondeu. O Homem de Gelo viu Emma sentada lá longe junto de Warren.
Vampira: É, Bobby... Warren foi o único que conseguiu fazer aquela metida abrir a boca. Ela não deve estar querendo gastar saliva com “gentinha” como a gente, sabe?
Bobby: Podre!
Vampira: Pois é, podre!
Só quando Vampira saiu da água e sentou perto de Gambit é que Emma atendeu ao pedido de um suando Warren parar entrarem na água. A sulista levantou irritadíssima da cadeira, pegou a toalha e subiu para o quarto, mas antes não deixou de dizer um sonoro “Vaca!” para Emma Frost.
Emma: E!? Prozac nela!
Warren: Vampira deve ter mal interpretado algum ato seu, Emma.
Emma: Nossa, mas como se irrita com um ato meu! Já pra mim, qualquer coisa que ela faça não me afeta em nada...
Ela sai da piscina e senta na borda, ao lado de Scott.
Bobby: Mas é claro, né, Emma?! Você é uma pessoa muito superior e por isso é muito seleta! Seleta com suas companhias e seleta até mesmo com o que te afeta e deixa de afetar.
Emma: Corretíssimo. O que você fala, por exemplo, é completamente insignificante.
Bobby: Eu já imaginava. Mas Warren aqui é o único que chega próximo a sua altura!
Warren: Bobby, por favor, deixa disso...
Bobby: Dois milionários, dois conhecedores das cidades mais importantes do mundo, dois antenados na alta costura! E olha como tudo combina e reflete as semelhanças: dois loiros branquelos de olhos azuis! Nossa, só mesmo Warren para estar a sua altura, né Emma?!
.
Emma: Você esqueceu de dizer que nós dois não frequentamos as instituições públicas de ensino desse país; e é por isso que eu ao menos conheço as cores, enquanto você deveria voltar para o primário! Eu não escolho companhia por cor de pele, cabelo ou olho, mas por inteligência e finesse; é por isso que você está excluído do meu círculo. Enquanto que Warren, o loiro, é o oposto de Bobby Drake, o loiro!
Bobby: Eu loiro?
Emma: É! Loiro burro quando foge, mas é um tom de loiro. Agora vê se me poupa os ouvidos, só volta a falar comigo quando conhecer as doze cores da caixinha de lápis de cor.
Bobby: Meu cabelo é cas – ta – nhO! Castanho claro!
Emma sorri e olha para Scott, meio encolhido entre ela e Jean Grey. Frost passa os dedos entre os cabelos de Scott lentamente, olhando fixamente nele.
Emma: Não. “Cas – ta – nhO” é o cabelo bonito do Scott.
Scott engole seco um nó na garganta e levanta da borda, levando Rachel para dentro da mansão. Jean fica de boca aberta olhando para Emma, que nem sequer dirigia o olhar a ela, era como se a ruiva não existisse.
Emma: O cabelo de Gambit é “cas – ta – nhO” claro! O de Scott, que acabou de entrar na mansão, é simplesmente “cas – ta – nhO”. E o de Vampira é “cas – ta – nhO” escuro.
Emma sorria de leve a cada vez que repetia com ênfase o “castanhO”, fazendo troça de Bobby.
Bobby: Você é ridícula!
Emma: Deve ser porque eu não tenho cabelo “cas – ta – nhO!” – Ela mesma ri, enquanto jogava o cabelo pra frente e tirava o excesso de água.
Fera apareceu na porta da mansão e gritou para os amigos que entrassem correndo na casa! Foram todos pingando pela sala, sofá, cadeira e colaram diante da TV. Só ficou na piscina Emma Frost, balançando as pernas dentro da piscina. Era um documentário, bem no horário do almoço, sobre os militares feridos no combate do gueto do Harlem! Apareciam as mães de alguns fuzileiros amputados chorando horrores, uma criancinha irmã de um piloto da força aérea dizendo que tinha medo “das forças do mal”.
Gambit: Forças do mal somos nós?
Tempestade: Bom... Por que não fazem um documentário sobre a Vanda e os outros tantos mutantes presos e mortos?! Isso me revolta! Quer dizer que numa guerra, se um lado tem baixas é normal; e se o outro tem, são as “forças do mal”, a “barbárie mutante” ????
Jean: É, dois pesos e duas medidas.
Fera: Igual a guerra no Iraque. Iraquiano morto é natural, mal os soldados “libertadores” mortos são vítimas do terrorismo islâmico, do ódio dos árabes, da ignorância, do atraso! Onde vamos parar?!
Jean: E o pior é que esse povo engole tudo isso com uma facilidade assustadora! Vão acabar engolindo esse documentário também.
Jubileu: É... Estão tramando pra nossa recente popularidade cair!
Fera: E obviamente há um motivo por trás!
Xavier desligou a televisão e pediu que eles não se revoltassem com o documentário, que simplesmente fossem trocar de roupa para treinar: isso era o necessário. Afinal, eles não sabiam o que ações como essa ainda poderiam estar tramando contra eles! Jean subiu as escadas relembrando que no jornal das 9 de ontem, uma reportagem muito parecida tinha ido ao ar!
Xavier: Pois é, como se vê, é um bombardeio da mídia.
Todos saíram da sala e não viram a programação seguinte ao documentário: um especial sobre os benefícios da Engenharia Genética! Um bombardeio inteligente e cheio de links da mídia. Só Emma ouviu algumas frases, ao entrar enxugando o cabelo na sala.
_ “Um dia, descobriremos a cura do câncer”. “Imagine o dia em que os bebês não terão mais nenhuma doença?” “Imagine o dia em que seus filhos e netos serão completamente perfeitos” “Imagine o dia em que só os melhores genes seus e de seu cônjuge serão escolhidos para gerar um bebê saudável, feliz, bonito, inteligente – os super humanos” “Imagine o dia em que todo o mapeamento do código genético nos permita melhorar os seres humanos e evoluí-los a esse ponto de facilidades” “Imagine o dia em que os genes indesejáveis serão desativados ainda na vida intra-uterina, nós viveremos mais e melhor, seremos mais inteligentes, altos, bonitos, a melhora chegará!”
Emma: Genes indesejáveis desativados? Como o gene “X”???
E o que mais seria considerado indesejável?
Continua Aqui.

INFÂNCIA MUTANTE - SÉTIMA
PARTE
O treino na Sala de Perigo foi duro, Charles Xavier da sala de comando vigiava tudo. Como tinha colocado todos os mutantes da casa para treinar, ele mesmo segurava Rachel no colo. Volta e meia Jubileu se desconcentrava e olhava lá para cima na salinha de vidro onde estava Xavier a tudo inspecionar; ela achava engraçado aquele velho careca, de cadeira de rodas, na frente daquela moderníssima aparelhagem Shiar, comandando o treino, franzindo o senho e segurando um bebê pequeninho no colo. Em cima da mesa de comando, além dos botões e alavancas, tinha uma chupeta, uma mamadeira e uma fralda de pano. Xavier pegou o microfone e deu um aviso a todos na sala:
Professor: Emma Frost, se você puder auxiliar e treinar melhor Jubileu e Sam, eu agradeço.
A menina fez um muxoxo, por sua vez, Emma Frost também fez cara feia. Mas ficou ao lado dos dois dando toques, dicas e explicações. Jubileu sabia que aquela loira era chata, mas ela aprendia muito com Emma.
O treino estava tão pesado que Tempestade chegou a chover dentro da sala, deixando todo mundo molhado e mais escorregadio! Vampira chegou a levar um escorregão e cair, Gambit foi levantá-la, mas ela deu de ombros e disse que sabia voar, não precisava de chão! E foi o que fez, passou o resto do treino no ar! Emma Frost também caiu, bem esborrachada no chão, fazendo aqueles fios loiríssimos e finíssimos (agora molhados) se embolassem na frente do rosto. Jubileu e Bobby caíram na gargalhada, Sam também riu, apesar de tentar esconder.
Jubileu, Bobby e Sam: Ha ha ha ha ha ha ha! – Jubileu colocou a mão na barriga, não se aguentava de tanto rir, chegou a se escorar em Sam.
Aqueles três simplesmente pararam de treinar para ficarem rindo e foi quando um enorme sentinela virtual (das projeções holográficas da Sala de Perigo) quase pisou bem em cima de Jubileu! Mas Emma, mesmo caída no chão e molhada, empurrou a menina para longe do pésão do sentinela. A perna da telepata loira ficou em baixo do alvo, então, Emma transformou-se em diamante e nada de ruim lhe aconteceu. Emma Frost, também conhecida como Rainha Branca, tinha o poder da telepatia e de transformação em diamante, material de difícil destruição! Era uma espécie de mutação Colossus sofisticada, ao invés de ferro, diamante! Bem ao estilo Emma Frost mesmo.
Emma: Sua inútil! A sua imaturidade e inconsequência é que te fazem nunca ser uma x-men, Jubileu! Eu devia ter te deixado ser virtualmente esmagada, sua infantil!
Bobby: Emma, já chega! Ela entendeu!
Emma: Cala boca que a conversa aqui é reta!
Bobby: ????!!!!
Emma: Você sempre foi uma das minhas piores alunas! Você não se sente ridícula de estar rindo de mim enquanto eu te salvava, piveta? Quantas vezes eu falei para você que era para estar sempre alerta?!?! Quantas vezes o próprio Xavier deve ter dito isso a você???
Jubileu: Mas... – Jubileu estava chorosa com a esporreira de Emma Frost.
Emma: Mas o quê?!?! Você passou o treino inteiro olhando para cima, para aquela sala de vidro, olhando aquele bebê desdentado e irritante!
Jean: Já chega, Emma!
Emma: Olha, com você, “rainha da casa”, eu nem perco meu tempo!
Jubileu já estava chorando de raiva e vergonha, correu para os braços de Gambit. Ele sempre soube consolá-la. Sam foi lá dar uma força para ela, Jubi acabou soltando Gambit para abraçar o Míssil tão prestativo.
Jean: Só porque você salvou um membro da equipe, acha que tem o direito de espezinhar em cima do erro dela? Salvar Jubileu era o mínimo que qualquer um aqui faria sem depois ficar dando esse escândalo de ressentida com a risada dos outros! Emma, na sua vida estão faltando mais quedas!!!
Vampira: Iaúúúúúúúúúúúúúúúúú! Bem feito, bruaca metida! Vê se te enxerga, minha filha!
Tempestade: Pela Deusa! Em pensar que toda essa confusão começou porque eu acabei deixando chover dentro da sala!
Emma Frost invadiu a mente de Jean Grey, todos perceberam isso quando a agressão verbal terminou e as duas ficaram olhando uma para outra com sobrancelhas franzidas, às vezes segurando a cabeça com dor. Viram Xavier sumir da sala de controle rumo ao andar em que todos estavam! O que estaria acontecendo psiquicamente entre as duas??
Dentro do embate psíquico:
Emma esmagava Jean Grey de cara contra o chão.
Emma: Você sempre se acha a certa em tudo, a boazinha, a fabulosa! Mas se não fosse pela “malvada” aqui, Jubileu teria guardado um grande trauma! Mesmo virtualmente, ser esmagada não é muito agradável!
Jean consegue se livrar dela, mas não revida com agressões, apenas com palavras.
Jean: Não, Emma! Quem se acha fabulosa aqui é outra pessoa.
Emma: Sua fraca, medrosa! Tem medo de me atacar até em embates psíquicos??? Mas pode deixar, que se você não ataca, eu ataco, cansei desse seu ar de metida, essa soberba, essa superioridade! Salvar a chinesinha infantil você não salvou!
Jean se esquiva das tentativas de agressão da Rainha Branca. Os demais x-men nem imaginavam o que se passava, só viam as duas em pé, paradas, mexendo os olhos, colocando a mão na cabeça! Nada eles podiam fazer, esperavam pela intervenção de Xavier que a qualquer momento chegaria!
Jean: Emma, eu não sou um espelho!
Emma: Ah, sua pata choca! Não sei como teu marido te agüenta!
Jean: Emma, chega disso.
Emma: Sempre tão boazinha, certinha, cândida, pura, calma, sensata, humilde demais para atacar alguém que você considera tão errada e inferior, não é? Pois saiba que até os Papas alertam que humildade demais é pecado, senhora Summers! E não pense que eu sou inferior a você!
Professor Xavier adentrou a Sala de Perigo com sua cadeira de rodas flutuante e Rachel no colo. Logo fez força para entrar na briga daquelas duas, mas Jean tinha feito uma barreira; e desde o dia do parto de Rachel, que Xavier havia descoberto que sua pupila finalmente o superou! A filha do casal Summers, apesar de ser um pequeno bebê, sentiu a energia mental negativa daquela sala que emanava de Jean e Emma. A menina começou a chorar, um medo profundo e
terrível que só os bebês sabem ter em sua dependência total no mundo, tomou conta dela.
Jean: AHHHHHHHH! – Colocava as mãos na cabeça e subia pelos ares se contorcendo!
Scott: JEAN!
Fera: Inacreditável! Desconhecia essa força metal tão intensa de Emma Frost!
Tempestade: Impossível, Hank! Não contra Jean!
Fera: Então? ... O professor contra ela? Mas foi Emma quem começou tudo!
Tempestade: É a criança, Hank! Rachel!
Um pássaro de fogo cresceu ao redor do corpo daquela ruiva que se contorcia. Fênix!
Bobby: CREDO!
Tempestade: É A RACHEL!
Ororo Monroe correu em direção ao professor e pegou Rachel no colo! Colou a bebê contra o seu corpo e começou a niná-la, fazer “shiiii” com a boca, colocou o dedo mindinho na boquinha da menina para ela chupar. Logo, Rachel parou de chorar e Jean Grey caiu lá de cima no chão da sala!
Scott: JEAN! NÃÃÃO!
Scott correu jogando-se no chão e pegando a esposa no colo, ele a balançava para acordá-la enquanto dizia “Amor, acorda. Jean, abre os olhos por favor”. Emma estava distante de todos, que tinham feito uma rodinha para saber o que acontecera com a ruiva. Comentou baixo consigo mesma:
Emma: Hum, princesinha. Dando showzinho para o marido. E todo mundo com medo daquele “periquito” de fogo em volta dela no ar! Hunft! Até um palito de fósforo faz mais efeito. Jean se acha a superior, mas vamos ver quem é melhor! Quem tem mais poderes! Inclusive de sedução! Eu consigo tudo o que quero, é bom ela não me dar motivos para uma prova, uma competição.
Jean abriu os olhos, disse que queria ficar perto da filha. Scott beijou todo o rosto dela, se alguém visse seus olhos, os veria fechados com bastante força; como quem agradece pela esposa estar bem! Vampira se enterneceu com aquilo, chegou a olhar tristonha de rabo de olho para Gambit, como quem sentia saudades desses dias de afeto que tiveram. Ciclope foi caminhando em direção ao quarto, carregando a esposa no colo com apenas um braço, com o outro ele levava Rachel! Ao passar ao lado da loira, Emma suspirou com a força dele; pena que empregada com a mulher errada, ela pensava! E então, quando os dois se foram, ela também saiu toda esnobe e inatingível para o seu quarto, fazendo graça de Jean para os demais x-men:
Emma: Ah, pobrezinha! Tão imaculada, pura, sublime, maternal! Mãe do bebê ideal, cobiçado, perseguido! Tão sofredora, teve a filha num lugar horroroso! Quase uma manjedoura, oh! Oh, que sublime! Vamos esperar para que Rachel seja a próxima religião do mundo! Em breve nós teremos nos cinemas A Paixão de Rachel, filha da Santa Jean Compadecida, nascida na guerra e na pobreza, perseguida pelos grandes! Oh! Quanta breguice!
Gambit: Monsieur professor, non vai deixar esse tipo de situação continuar na casa, non!?
Professor: Deixa, Gambit. Depois eu converso com Emma. O que tenho para falar com vocês todos é mais importante.
Vampira: Então quer que eu vá chamar Scott e Jean?
Professor: Não, só vocês. ... Rachel está demonstrando possuir um grande poder que obviamente ainda não sabe lidar, é um bebê! Assim como Sinistro sempre imaginou, aquela criança é...
Gambit: É quente!
Professor: Sim. Poderosa, “quente” como diria Gambit. E eu tenho certeza que muito em breve Sinistro virá “buscá-la”. Eu não temo por Jean e Ciclope, só temo por vocês e por Rachel. Numa batalha, Sinistro não reagiria a nenhum ataque nem de Scott, nem de Jean; ele vai descontar é em cima de vocês se o tentarem impedir!
Tempestade: Mas nós vamos impedi-lo, professor!
Professor: É por isso que temo por vocês. Sinistro sozinho tem os poderes de uma equipe X-Men, além das estratégias mirabolantes. E ainda por cima, tenho que contactar Magneto.
Gambit: Porquoi????
Professor: Eu e Eric temos que ir a Haia, Holanda, fazer uma queixa formal na Corte Internacional de Justiça.
Fera: O tribunal judicial da ONU!
Professor: Exatamente. Quero os responsáveis pelo gueto do Harlem atrás das grades e obviamente vou ter que pedir ajuda internacional.
Fera: Mas, como o senhor obviamente sabe, os EUA são um dos países membros permanentes do Conselho de Segurança e tem o poder de VETO. Um processo como esse, contra o exército americano, contra muitos políticos, é obviamente terrível para o governo; que vai VETAR uma necessidade da Corte Internacional interferir no caso.
Professor: Eu vou tentar! Sem contar que o Conselho de Segurança não tem nada a ver com o caso.
Fera: Professor... Os EUA são o único país que não é levado a julgamento internacional mesmo que tenha cometido as maiores atrocidades, o senhor sabe disso...
Professor: Eu sei...
Fera: O senhor não teme a represália que sofreríamos se o senhor realmente...
Vampira: Jogasse essa lama no ventilador?
Professor: Temo. Mas já a sofreríamos mesmo se não fizéssemos isso.
Fera: Nossa paz vai terminar!
Professor: Essa paz é falsa, Hank. É só um intervalo, na verdade.
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Dois meses se passaram na mansão. Xavier preparava todos os documentos para ir a Haia, tentava convencer Magneto, que era visto por muitos mutantes como um rei desde o fim do Gueto. Pietro era o príncipe bravo, filho do Homem! Os X-men eram vistos como bom o exército do rei, que engraçado! Magneto queria esperar pela represália para lutar com as mãos e não ir a Haia e esperar uma represália em que ele tivesse que agir contidamente com medo da imprensa, do povo, da própria ONU.
Rachel já estava conseguindo virar o corpo no berço e ficar deitadinha de barriga para baixo, tinha forcinha nos braços para levantar um pouquinho o tronco e a cabeça! Isso significava que também poderia rolar da cama para o chão, vários travesseiros começaram a ser colocados em volta de qualquer cama que a colocassem! Ria o dia inteiro e dizia “gu” e “aginh”. Mas “uh” com um biquinho molhadinho era o que ela mais fazia. As perninhas agora estavam mais elétricas do que antes!
Tempestade ficou estranhamente alegre nos últimos dias, talvez tivesse recebido alguma ligação ou carta especial. Insistiu que deveria ser feita uma festa na mansão, para comemorar os dois meses e pouco de vida de Rachel! Mas todos percebiam que a idéia da festa era mais por outro motivo que pelo motivo alegado. Jubileu deu a idéia de ser uma festa a fantasia! Xavier não gostou nada da idéia, mas Gambit interferiu:
Gambit: O senhor não disse que logo, logo nosso sossego vai terminar?! Então, uma festa pelo menos! Non?
Xavier era um coração mole, acabou deixando. Riu ao dizer que não se fantasiaria de nada! Foram dois dias de preparo, eles foram a rua comprar docinhos e salgadinhos prontos, bolas, alugar fantasias, comprar presentes para Rachel (a homenageada, tadinha, todos queriam farra e diziam que faziam isso pela menina)! E a noite da festa “viva Rachel!” estava pronta. Quando o relógio deu oito da noite, os mutantes começaram a descer para sala fantasiados, foi um acesso de riso geral! Jean aproveitou o tamanho avantajado dos seios maternos para fazer graça de si mesma: foi vestida de Jessica Rabbit! Perfeito, jogou o cabelo ruivo para cair na frente do rosto, colocou um vestido tomara que caia com decotão nas costas e fenda lateral nas pernas até quase a cintura! Era um vermelho todo cheio de pequeninas lantejoulas a brilhar! As longas luvas roxas também brilhavam. Scott estava muito envergonhado de chegar na sala com duas enormes orelhas de coelho na cabeça, além de um ridículo pom pom colado na parte de trás da calça!
Vampira: Adorei vocês dois! Jessica e Roger Rabbit, casal perfeito!
Jubileu: Eu também! Ai, nossa Jean! Você ficou linda!
Jean fazia cara de Jessica prendendo uma vontade de rir de si mesma. Rachel estava vestida de bailarina com tu-tu bandeja no colo de Xavier.
Jubileu: Ai que linda! Rachel ficou fofy demaiiiiiiis!
Jean: Eu vou ter que acabar tirando isso dela, tadinha.
Scott: É, ela não gostou muito não, ficou emburradinha!
Jubileu: E ela ficou quase igual a mim, bailarina!
Jubileu estava vestida de Odete, personagem principal do Lago dos Cisnes. Estava com tu-tu bandeja branco, meia e sapatilha de pontas! Até com o adorno na cabeça feito com penas de cisne!
Vampira estava vestida de fada, usava um vestido todo esvoaçante e quase transparente, mas tinha um tom lilás e brilhava com o movimento do corpo. Colocou duas asas nas costas e ainda tinha uma coroa e uma varinha de condão! Ficava voando na sala e jogando purpurina nos outros, como se fosse realmente um fada! Rachel adorou e não tirava os olhos dela, até porque no seu bercinho tinham várias fadinhas adesivas que Jean colou na madeira! Ela olhava para cima e dizia “gu”! Gambit veio fantasiado de Luis XIV, aquela roupa e aquele manto deveriam pesar muito!
Gambit: Vamos lá, quando eu estalar meus dedos, quero que todos realizem meus desejos! Eu sou o rei Sol!
Vampira jogou purpurina nele lá de cima, Gambit olhou e sorriu:
Gambit: Eu ordeno que aquele ser encantado da floresta venha me dar um beijo!
Vampira: Quem, eu?
Gambit: É... fada é um ser encantado! E você foi encantada por mim!
Vampira: Vou esperar que alguém venha fantasiado de revolucionário para cortar sua cabeça, engraçadinho!
Gambit: Mas quem perdeu a cabeça foi Luis XVI, chere!
Vampira: Não interessa, vou adiantar a Revolução!
Tempestade era a mais linda “Mulher Maravilha” que qualquer leitor da DC poderia imaginar! Warren, fantasiado de anjo Gabriel, elogiou a fantasia dela. Fera veio fantasiado de Hank Mackoy, estava usando o indutor de imagem, todos riram disso! Bobby veio fantasiado de esquimó, Jubileu achou aquilo completamente sem criatividade. Sam estava fantasiado de caipira, ela também achou falta de criatividade, mas gostou.
Vampira: Estou vendo que os homens são os mais envergonhados com fantasias, todas são sempre discretas ou inexistentes, né, HANK?!
Fera: Eu estou muito diferente do que vocês vêem todos os dias!
Jean: Em compensação, Gambit está lotado de roupas!
Vampira: Ele é espalhafatoso mesmo, típico dele essa fantasia de rei!
Gambit aproveitou para cantar Jean dentro daquela roupa tão sexy, Scott já sabia que aquilo ia acontecer.
Gambit: Jessica Rabitt, hein?! A maternidade te deixou assim mais... mais...
Scott: Gambit!
Gambit: Você tem orelhas de coelho e coelho não dirige a palavra a um rei!
Vampira jogou um enorme punhado de purpurina em Gambit, irritada com as gracinhas dele para cima da ruiva.
Gambit: Então, por que você se casou com esse “orelhudo”, Jessica?
Jean sorriu, lembrou de uma fala do filme:
Jean: "Porque ele me faz rir"! – Fez voz sexy e tudo! Gambit adorou e morreu de rir, Scott também.
Gambit: Foi engraçado, mas é difícil imaginar o Scott te fazendo rir! Era mais fácil ter casado comigo, petite!
E mais um punhado enorme de purpurina na cabeça, Vampira voou para o jardim, deixou um rastro de purpurina no ar, parecia um pó mágico das fadas!
Emma Frost começou a descer as escadas bem lentamente, estava vestida de coelhinha da Playboy! Colant branco, pom pom branco atrás, orelhas de coelhinha, duas luvinhas brancas que acabavam em pompons brancos, um anel de diamantes por cima da luva e um colar de brilhantes, além da meia calça branca arrastão e salto alto também branco!
Gambit: Ual! Mudei a direção das minhas cantadas da ruiva para loira!
Emma: Você até que tem razão, ao menos uma vez na vida, Gambit! Esse Roger Rabitt combina mais com uma coelha do que com uma cantora de cabaré que brinca de pirulito que bate bate com o dono da Acme! – Emma sorri, Jean se mordeu de raiva! Emma veio de coelha de propósito!
Scott ficou envergonhado e foi na cozinha beber uma água, comer alguns salgadinhos, Emma foi atrás dele.
Emma: Saudações coelhas, Scott!
Scott: Saudações.
Emma: Nós temos pompons atrás!
Scott: É! – Ele riu envergonhado disso, já tinha esquecido! Emma achou aquele sorriso lindo, estava sentindo-se vitoriosa por arrancar um sorriso dele.
Foi então que os dois voltaram correndo para o jardim todo arrumado e enfeitado quando ouviram Jubileu gritar “Wolverine!!!! Eu não acredito”! Era Logan que tinha voltado, ele estava sorrindo e pegou Rachel bailarinazinha do colo de Xavier. O careca sentiu um arrepio e uma tontura! Jubileu correu para abraçá-lo, mas Logan a empurrou contra as mesas no gramado. Jubileu ficou atônita, sem nada entender!
Jean: Mística, solta minha filha!!!!!!
Quando Scott correu para cima de Logan, ele havia se transformado num enorme Sinistro de voz amedrontadora!
Sinistro: Vocês acham que só Mística é metamorfa???
Scott arrancou as orelhas de coelho e soltou uma rajada em cima de Sinistro, que acabou largando Rachel, Tempestade a pegou no ar!
Professor: X-Men, aos seus postos!
Emma, Jean e Xavier começaram a invadir a mente de Sinistro que também era telepata! Ele estava conseguindo não sofrer muito com o ataque conjunto dos três! Gambit aproveitou para jogar todo o seu baralho explosivo em cima dele, mas Sinistro tinha um rápido poder de regeneração (que só não era tão rápido, estranhamente, quando se tratavam das rajadas de Scott). Jubileu esticou os braços, gritou vários xingamentos e soltou suas rajadas de plasma na direção do grandão, Sinistro ria enquanto barrava aquele ataque com suas também rajadas de energia!
Sinistro: Vocês não podem contra mim!
Foi quando Jean, já sabendo de seu imenso poder, conseguiu utilizá-lo com imensa força, penetrando o bloqueio mental dele!
Jean: Minha filha você não leva!
Scott viu que a mulher baixou a guarda de Sinistro e mandou em direção dele inúmeras rajadas, Sinistro chegou a cair no chão, eram muitos ataques ao mesmo tempo! Mas logo se pôs de pé! Tempestade deu Rachel para Jean segurar, enquanto ela subia pelo ares e invoca raios, ventos e chuva, no entanto, Sinistro fincou os pés no chão e não cairia por nenhum força da natureza; enquanto que vários x-men tinham que se agarrar um nos outros por causa dos ventos.
Sinistro: Eu não enferrujo, Ororo! Mude de tática!
Jean viu que aquela batalha não iria acabar tão cedo, sua filha já berrava e gritava, afetando a mente de todos, dessa forma Sinistro a conseguiria facilmente! Num momento de desespero, ela correu na direção de Vampira e deu a menina para ela.
Jean: Corre, Vampira!
Vampira: Hein?!?
Jean: Corre, leva minha filha daqui!
Vampira mal conseguia segurar a menina, de tanto que o sofrimento dela invadia a mente de todos, menos a de Sinistro.
Vampira: Pra onde? Como assim?
Jean: Não sei! Mas vai! Você e Gambit, sumam com ela! Agora! AGORA!
Vampira: Mas e você?
Jean: Não sei!
Gambit mordeu os lábios com pena de Jean, pena e nervosismo com toda aquela situação. Abraçou Vampira pelas costas, enquanto ela segurava o bebê no colo, Vampira levantou vôo carregando os dois para longe! Jean ficou lá em baixo no jardim e gritando desesperada e preocupada:
Jean: PAREM DE BRIGAR! FIQUEM UNIDOS PELO BEM DELA!
Sinistro: Nããããão! Rachel!
Sinistro desistiu de todos os x-men e começou a voar em direção de Vampira, mas Scott mandou tantas rajadas e Tempestade fez uma ventania tão forte na outra direção, que ele caiu no gramado; levantando-se rápido! Jean, Emma e Professor invadiram a mente dele com mais força, Jubileu emanava enormes quantidades de plasma na direção dele e Sinistro via Rachel sumir no céu! Sumir e sumir! Voou de novo em direção ao nada, já não via mais aquele casal carregando um bebê, mas mesmo assim os x-men unidos o colocaram no chão de novo.
Sinistro: Nããããão!
Sinistro sumiu no ar, derrotado, sem Rachel, sem sua vitória! Silêncio no gramado, todos com olhos arregalados!
Scott: Jean, você está bem, amor? – Ele abraçou a mulher de forma calorosa e preocupada. Jean estava com uma tremedeira horrível, chorava rios de lágrima sem emitir som algum, ou fazer feições de choro.
Scott: Onde está Rachel, Jean?
Jean: Eu... Eu dei.
Scott: Deu????
Jean: Dei. Dei para Vampira e Gambit criarem.
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Os x-men não sabiam, mas Vampira estava voando na direção que Gambit indicava. Para um lugar que ele conhecesse bem e pudesse se esconder com ela e o bebê: Europa, França, Paris!
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