Fera esperava do lado de fora encostado na parede. Wolverine sai do lambed bufando de ódio, bate a porta com raiva. Nem olha para a cara de Fera, só emite um " vai lá cuidar do ´garotão` "... É... alguma coisa tinha acontecido entre os dois... Fera então, resolve entrar e ver como estava Scott. Encontra-o sentado na maca como antes, mas com a mão no rosto. Não dava para ver seus olhos, não saberia se tinha um olhar de ódio, se tinha um olhar vago, se tinha um olhar calmo, se tinha olhos úmidos; mas via-se claramente que estava estranho.

Fera: Qual o problema, Scott? A mão está doendo?

Scott: Hein? Han?

Fera: A mão...? Está doendo?

Scott: Ah, não...

O peludo azul, acostumado com ciências exatas, humanas e também medicina, era quem melhor mexia nos incríveis aparelhos médicos do lambed. Alta tecnologia, assim como as demais tecnologias da casa. Mas agora o trabalho não exigia aparelhagens. Fera pega o braço de Scott e o estica.

Fera: Dói?

Scott: Não...

Fera: Abre a mão. Fecha a mão. Algum músculo puxando, retendo, doendo?

Scott: Não.

Fera dá dois tapinhas nas costas do amigo. "Teve sorte, Scott, aquelas garras podiam ter feito um estrago maior. E as queimaduras que eu vi nele quando vocês dois entraram aqui?"

Scott: Cicatrizaram enquanto você me dava os pontos.

Scott se levanta da maca, vai andando em direção a porta. Fera estava tirando o avental branco, olhando para o líder dos x-men que tinha uma atitude tão estranha naquela noite. Fera queria perguntar se ele tinha algum problema.

Fera: Algum problema, Summers?

Scott: Não. Não conte para Jean que eu estive aqui. Vou colocar uma luva, não quero que ela saiba.

Fera: Tudo certo, vai ficar uma semana de luva, porque eu só tiro esses pontos em 7 dias. ... E... é provável que ela saiba de tudo sem nem ao menos precisar olhar para sua mão.

Scott balança a cabeça que compreende e vai embora. Poucos minutos se passam para que Jean abra a porta do Lambed.

Fera: Jean? O que foi?

Ela sentiu que o marido não estava bem. Fera pensava "será que alguém contou para ela que Scott estava aqui?" Não era isso... Ela não sabia da briga, não sabia de nada. Mas Jean tinha um elo psíquico com Scott, e sentia determinados ânimos, sentimentos e até pensamentos do marido. Sentiu agora que ele estava sofrendo com alguma coisa. Obviamente não era a mão o problema, estava sofrendo com a alma.

Jean: Senti Scott aqui. Me enganei?

Fera: Enganou, Jean...

Jean: Ah, desculpe, então... Vou procurá-lo.

Fera fica pensando "eu não disse?!"


Era noite, daquelas bem estreladas. Ninguém podia sair da mansão, lá fora a histeria anti-mutante estava extremada. Os noticiários já mostravam mutantes que sofreram agressões nas ruas, dois ou três mutantes mortos a tiros pela população civil (e que não foram presos por isso, apenas foram fichados na delegacia, como se matar mutante não fosse crime), e as obras em adiantamento de um muro que circundava um bairro fantasma. Muito provavelmente aquele seria um gueto e em breve todos os mutantes seriam obrigados a viver lá. O prazo de 48 horas dado pelo presidente para que a mansão X fosse esvaziada também já caminhava para sua metade. O que faria o professor? O que fariam os x-men? Resistência física só levaria a muitas mortes, dos dois lados. Gambit não sabia o que faria o professor, só sabia olhar para o céu estrelado e se imaginar andando pelas ruas normalmente, paquerando algumas mulheres, fazendo alguns roubos, fumando cigarros. O masso dele já estava terminando e nem podia ir a rua comprar mais. Da janela do quarto ele via as estrelas, a lua de prata, os prédios de aço e concreto ao longe. Pessoas andando nas ruas e ele na prisão confortável em presença dos amigos. Se olhasse mais diretamente para baixo, para dentro do jardim da mansão, veria a lua se espelhar na água cintilante da piscina, remexida pelo vento. Remexida pelo vento? Não só pelo vento... Tinha alguém na água... Era Vampira! Ele diz lá de cima:

Gambit: Tomando banho de lua, chere?

Ela se assusta! Olha para cima e vê Gambit na janela do quarto. 

Vampira: É, gatinho. Qual o problema nisso?

Gambit: Problema? Que problema?! Eu só vejo vantagens em ter você de bikini bem em baixo da minha janela para alegrar a minha noite. 

O Cajun pega um rádio e o coloca bem no parapeito da janela. Liga a primeira música e deixa tocar numa altura que Vampira ouvisse bem da piscina. Senta com as pernas para frente da janela e ri com uma carinha de conquistador.

"Por você eu dançaria tango no teto
Eu limparia os trilhos do metrô
Eu iria a pé do Rio à Salvador
Eu aceitaria a vida como ela é
Viajaria à prazo pro inferno
Eu tomaria banho gelado no inverno"

Vampira escuta a primeira estrofe e se derrete por dentro. Pena que o que vem do Gambit não deve ter muita credibilidade. Mas ela não consegue esconder o sorriso, o que faz a cara de conquistador da janela esboçar um ar de vitória. Ela adorava essa música, também pensava nele quando a escutava.

Vampira: Você diz isso a todas. 

Gambit: Non...

Enquanto ele tentava convencê-la de que aquelas eram as frases que o fazia lembrar sempre dela, a música continuava. 

"Por você eu deixaria de beber
Por você eu ficaria rico num mês
Eu dormiria de meia pra virar burguês
Eu mudaria até o meu nome
Eu viveria em greve de fome
Desejaria todo dia a mesma mulher"

Vampira: "Deixaria de beber?" Não precisa não... Pára de fumar que eu já fico contente...

Gambit: Não fui eu quem escreveu a letra...

Vampira: Se eu tivesse os poderes da Jean, já teria desligado esse rádio.

Gambit: Mas você tem o poder de voar aqui e desligá-lo com seus próprios dedinhos. 

Vampira sorri...

Vampira: Não, espertinho. Não fique achando que eu vou chegar tão perto assim de você.

"Por você, por você
Por você, por você
Por você conseguiria até ficar alegre
Pintaria todo o céu de vermelho
Eu teria mais herdeiros que um coelho"
 

Enquanto isso, mais alguém olhava as estrelas pela janela e também era obrigado a ouvir a música alta que Gambit colocou na janela. Scott, reto e parado como uma esfinge olhava fixamente para a janela. Jean abre a porta e ele fica ligeiramente surpreso. 

Jean: Ei!

Scott: Ei!

Jean: Estava te procurando, algum problema?

Scott: Não... Por que?

Jean: Será que meus poderes estão me confundindo? Hoje eu jurava que Wolverine tinha alguma coisa diferente para me contar e quando ele finalmente falou, não era nada de novo! E agora eu jurava que você estava com algum problema e você me diz que está tudo bem...

Scott volta a olhar para a janela, mordendo o canto interno da boca.

Scott: Wolverine não te contou nada de novo? Só o de sempre? O que é o de sempre dele?

Jean: Scott, que ciúmes bobo... O de sempre dele é... é...

Ele levanta e abaixa as sobrancelhas num movimento rápido, como que esperando que ela dissesse o que era o "é..." !  Num suspiro prolongado e enfadonho, Scott vira-se de novo para janela. Ele sabia o que era o "é...". Tudo bem... Logan não contou a ela que Mística estava no quarto com ele... Então, com que papo ficou distraindo a atenção de Jean para que ela não entrasse em casa? Jean o abraça pelas costas.

Jean: Querido... Ciúmes do Wolverine?

Scott: Não é bem isso, Jean. Desculpe-me. É... talvez você me acha um pouco estranho hoje, não estou passando muito bem. 

Jean: Ah... Logo vi que minha intuição e meu elo psíquico com você não estavam arruinados! Então, realmente tem alguma coisa que te perturba?

Scott: ...

Jean: Ah! Luvas? Está com frio?

E agora, Scott? Vai enganar uma telepata poderosa como?

Scott: É... Frio.

Jean se preocupa com o amorzinho dela. Estaria ele com febre? Ela se aproxima mais e coloca a mão na testa dele. Sorri, não estava com febre. Então, como que querendo esquentá-lo mais, Jean aperta as mãos dele.

Jean: Eu te aperto e o frio passa.

Ele geme.

Scott: Aihg.

Os olhos verdes de Jean tentam entender porque ele gemeu e tirou rápido as mãos de perto dela. Ora, ora, ora... Que poderes confundindo que nada! Estavam é escondendo dela muitas coisas! Tanto Scott quanto Wolverine!

Jean: Scott, tira a luva. Deixa eu ver sua mão. 

Ele tira e Jean vê muitos pontos na mão esquerda dele. As garras de Wolverine atravessaram-na, estava claro. Jean fecha a cara, se fosse Tempestade teria até fechado o tempo! A ruiva, aborrecida, sai de perto dele e se encosta na parede. Os braços cruzados demonstravam que ela não gostou nem um pouco do que viu. Scott suspira de novo, não sabia o que dizer. 

Jean: Qual o motivo dos três furos na sua mão?

Scott: Uma briga boba...

Jean: Boba? Se bobeira já faz Wolverine agir assim com você, imagine se fosse algo sér...

Scott: Jean, até mesmo sem motivos Wolverine age assim. Você o conhece, sabe como ele é violento. Já disse, a briga era boba, sem motivo. Acredite.

Talvez ele tivesse razão. Talvez fosse uma briga boba. Ou quem sabe Wolverine disse alguma coisa a ele? Afinal, Logan tinha dado um beijo nela no jardim pela tarde! Um não! Dois! Insistiu para que ela não entrasse em casa para mais uma vez dizer que não a tinha esquecido. Será que Scott soube? E Scott torcendo para que Wolverine não tivesse mudado de idéia e contado alguma coisa sobre Mística. 

Jean: Scott, a briga foi por minha causa? Wolverine te disse alguma coisa?

Scott tinha a chave para reverter a situação e sair do encurralamento verbal contra a parede. 

Scott: Disse o que? O que ele tinha para me dizer?

Jean: Ele hoje me proibiu de entrar em casa pela parte da tarde, ficou enrolando uma conversa sem muitos propósitos.

Scott já sabia dessa parte. Logan evitou que ela visse o pior.

Jean: Pensei que ele tivesse te contado que ficou conversando muito tempo comigo e que vocês tivessem brigado por isso...

E agora Scott? Se você negar que foi isso, vai dizer que foi o quê o real motivo da briga? Mística se passando por Jean e tentando lamber o Wolverine depois de já ter feito você andar nas nuvens anteriormente?

Scott: É... Foi isso... Não disse que era bobeira?!

Jean continua encostada na parede com a cara emburrada. Odiava ouvir que os dois brigavam por sua causa. Se sentia horrível por isso. Scott sabe o quanto ela estava irritada com o fato dos dois terem brigado. Ao menos Jean não descobriu o real motivo de tanta confusão naquela tarde. Se tivesse descoberto, estaria chorando, extremamente enfurecida e magoada com Scott e louca de ódio com Mística. Estaria se sentindo enganada também por Wolverine que omitiu tudo dela, não interessando o motivo. Scott Summers a abraça por trás e beija sua nuca, ele estava aliviado por ela não ter descoberto nada. Tinha medo de perdê-la. 

Scott: Te amo, sabia?

Jean: Eu sei disso. Também te amo. 

Summers a vira de frente pra ele. Beija Jean calorosamente, como se quisesse entrar naquele beijo, ela sorri. Passa a mão no cabelo dela e solta aquele rabo de cavalo. A visão que ele tem pelo quartzo rubi do óculos é de um mundo vermelho. A ruiva é mais ruiva ainda, a pele tem uma luz vermelha, o mundo é vermelho como o amor que ele sente por ela. Scott segura a cintura dela e lembra do que Wolverine disse: "esse é o único amor que posso ter por ela. Já que todas as outras formas são gerenciadas por você." Scott se envaidece e sorri de alegria e felicidade por ter o monopólio do amor dela e o monopólio sobre o corpo dela. Summers aperta a mulher contra seu corpo e lembra que Wolverine disse que vai sempre odiá-lo por isso. Pois que odeie, pensa Scott! O único que pode ousar pensar em tê-la sou eu. Scott a beija pensando, "pois que morra de ódio". Ele a coloca no colo e leva para a cama pensando que ninguém a ama mais do que ele, nem mesmo Wolverine. E que se dane se sentir o cheiro agora de novo, quero mais é que sinta mesmo e saiba quem é que ela ama! Que se consuma de ódio, que se corroa de ciúmes e inveja, que esbraveje e seja mais grosso do que o normal com os outros, que se isole, que grunhe como um animal ferido, que chore, que veja quem tem o poder, quem é o líder, quem é que sai ganhando nessa história toda. Ele a tem e a ama, e ela é feliz assim. E ao som de "Por Você" os dois demonstram o que sentem um pelo outro.


Enquanto isso, o casal Gambit e Vampira ainda escutam música e conversam a distância. Mas Gambit resolve descer, ele pula da janela para o gramado do jardim! Vampira leva um susto.

Vampira: Gambit! Você podia ter quebrado a perna fazendo isso! Não conhece escada, não?

Gambit: Chere, Remy Lebeau não tem medo de uma altura como essa. O que é o segundo andar dessa casa? Altura nenhuma pra mim!

Ele tira o sobretudo. Vampira logo pergunta "tá tirando esse troço velho por que?" Mas Gambit não responde. Tira as botas, tira a camisa. Vampira grita "Não quero te ver de cuecas, entendeu?!" Tudo bem... Ele teria então que entrar na águia de calça comprida. E entra mesmo.

Gambit: Chere, me fez molhar minha calça. 

Vampira: Ninguém mandou você entrar...

Ela disse que ia sair, Gambit quis segurar seu braço para que ela não fosse embora, mas não podia já que estava sem luva. Seu braço no meio do caminho teve que retornar junto ao corpo. Vampira chegou a olhá-lo com uma cara de "você quase encostou no meu braço com essa mão boba querendo me agarrar". O cajun faz uma carinha de "fica por favor" que derrete Vampira. Tudo bem, ela ficaria ali, a uma distância adequada conversando com ele. E os dois conversavam normalmente até escutarem uns risinhos baixinhos vindos do quarto de Jean e Scott. Risinhos seguidos de um "vem cá", ou um estranho som vindo de voz masculina seguido de um "Jean!" e outro risinho seguido de "ai, amor" e raros gemidos surdos seguidos de sombras que se mexiam na janela. Pronto! Isso foi mais do que suficiente para deixar Vampira de cara fechada, olhando fixamente para água. Ela ficou sem graça, Gambit ficou olhando pra ela. Vampira sabia o que passava na cabeça dele, "quem dera se fosse a gente, non chere?" Ele não precisou dizer a frase, nem vampira precisava ser telepata para lê-la na mente dele. Inferno! Era horrível ver Jean e Scott tão bem enquanto ela não podia nem segurar a mão dos amigos! 

Vampira: Eu vou embora agora, Remy.

Gambit: Amour, que besteira. A gente vai para outro lugar onde não escutemos esse tipo de coisa.

Vampira: É difícil pra mim, Remy. Você sabe. É difícil voltar a ter uma cara animada por um bom tempo quando eu ouço ou vejo esse tipo de coisa: essa felicidade!

Gambit: ...

Ela sai da piscina, se enrola na toalha. Fica pingando encolhidinha ali no gramado. Gambit tinha vontade de abraçá-la para que o friozinho passasse. Mas ele continua na água. 

Vampira: Sabe... é duro. Hoje eu já vi Jean e Scott juntos. Eu prometi que não ia contar, mas... O louco do Wolverine mandou eu dar uma inspecionada e ver com quem Scott estava no quarto. E vi Jean e ele juntos! E agora, já é a segunda vez! E eu... agüentando firme...

Gambit acha estranho essa história de inspeção para saber quem estava com Scott. Gambit logo lembra do que Mística fez com ele, ao se transformar em Vampira só para enciumá-lo e logo pensa que Scott poderia ter caído na mesma sujeira. É... mal sabia Vampira que quem ela viu na parte da tarde com Scott não era Jean coisíssima nenhuma. Portando, não era a segunda vez da ruiva naquela noite; se é que isso a conformaria se ela soubesse. Enquanto Vampira já caminhava para a porta da mansão, saem de lá esbaforidos Bobby Drake, Sam e Wolverine. Os dois jovens olhando freneticamente para todos os lados do jardim e o canadense meio que fazendo a mesma inspeção visual; mas olhando de rabo de olho para a janela de Jean e Scott. Ele tentava disfarçar como se não olhasse para lá. Era uma virada de cabeça rápida para um lado, uma fungada profunda para sentir um cheiro suspeito e umas olhadas com ódio para aquela maldita janela. Gambit da água resolve perguntar:

Gambit: Que foi, mes amis? Problemas?

Wolverine: É... enquanto você fica seduzindo essa guria de bikini, e ... (ele pára e respira com um ódio enciumado para continuar a frase) outras pessoas ficam fazendo outras coisas; eu ainda acabo sendo indispensável para a segurança de vocês!

Vampira percebeu que quando Wolverine disse "fazendo outras coisas" olhou mais uma vez para janela. 

Vampira: Mas o quê que é, hein?

Wolverine: O que quê é, é que essa balela de 48 horas era a maior mentira! Eu estou farejando longe Sentinelas vindo para cá! E se não fosse por MIM, todos os casaizinhos felizes dessa casa teriam sido pegos de surpresa!

Gambit: Traição! Só se passaram 24 horas! Talvez nem isso!

Wolverine: Pois é! Então, tira esse rabo da piscina e veja se combate pra valer! 

Vampira: Eu vou acordar os outros x-men.

Vampira corre pelos corredores da mansão, os lances de escada ela voa! Bate primeiro na porta do professor.

Vampira: Professor, acorde! Fomos traídos! Sentinelas estão vindo!

Corre para o quarto de Tempestade e diz a mesma coisa. Mal Tempestade levanta e o tempo lá fora já muda! Com raiva de ter sido acordada, o tempo fecha e fica feio! Ela vai saindo da mansão irritada, ainda de camisola, querendo fritar com uns raios todos os sentinelas que a acordaram! Gambit ao vê-la lá fora de camisola solta uma gracinha. Mas tempestade não era chegada nessas cantadas de Don Juan e acaba deixando cair uma chuva torrencial!

Bobby: Ih, Tempestade! Vai ferrar o gramado de novo com isso!

Sam: Bobby, é melhor não brincar com a senhorita Ororo. Ela parece séria demais para isso.

Bobby: Mas eu estou virando um pinto molhado!

Jean e Scott estavam felizes tomando um banho juntos para se prepararem para irem finalmente dormir, quando a ruiva sente tudo o que estava acontecendo no jardim. 

Jean: Scott, desligue a água. Não temos paz, uma séria está para acontecer lá embaixo!

Scott: O que foi, Jean?

Jean: Não sei ainda. Vamos, precisamos nos secar rápido e colocar uma roupa!

Os dois já estavam quase prontos ao ouvirem a voz de vampira no corredor:

Vampira: Ei, pombinhos! Não sei se deu tempo de terminar a brincadeira de vocês, mas é preciso que vocês desçam agora lá pra baixo!

Jean: Já sabemos, Vampira! Estamos quase lá!

Se vestem em segundos, e antes de abrir a porta para descerem, Scott olha para Jean e sorri para ela, fazendo uma cara de que estava feliz por ter dado sim tempo deles terminarem o que estavam fazendo. 


Em poucos minutos, o gramado é tomado pelas mais diferentes pessoas: Mística ao lado de Magneto, Scott e Jean, Vampira e Gambit, Wolverine, Bobby Drake, Sam, Tempestade, Bishop e Noturno! Os Sentinelas aparecem no horizonte a passos largos já derrubam mais uma vez a grade da mansão. Noturno BAMFT! Desaparece e reaparece agarrado na cabeça de um Sentinela!

Vampira: Ual! Maninho é rápido!

Mística: Eu sei, é meu filho!

Noturno faz com que esse Sentinela perca completamente a orientação e a atenção, fazendo com que Bobby Drake literalmente congelasse o enorme homem de lata! Aquele enorme trambolho de gelo fica ali imóvel como uma estátua nos hotéis de gelo do Polo Norte! Noturno BAMFT! Reaparece ao lado da equipe no gramado!

Wolverine: Cóe, cambada?!!! Essas latas velhas apareceram e num raio esse moleque picolé cheirando a leite e esse diabinho azulzinho já fizeram um estrago e a gente ainda tá aqui parado?!

Noturno: Ish bien Kurt Wagner! Não sou diabinho azulzinho!

Vampira: Segura teu terço e sua bola aí, maninho! Vou lá dar uns tecos nessas porcarias!

Vampira voa na direção de outro Sentinela! Ela vai socando-o enquanto ao mesmo tempo tenta arrancar as armações de ferro, como que querendo estraçalha-lo! Magneto flutua para perto dela, e com seu poder a ajuda! Sem usar a menor força, ele vai desfazendo o Sentinela! Gambit, que com suas habilidades corporais fugia das investidas de um sentinela enquanto ao mesmo tempo jogava cartas energizadas nele, fala uma frase com desdém.

Gambit: Engraçado! Os sentinelas que seqüestraram a chere no hotel eram sentinelas Millenium! Aqueles não eram feitos de metal e tinham uma camada orgânica. Esses daqui são até fáceis para o Magneto!

Jean paralisava um sentinela com sua telecinésia, facilitando o trabalho de seu marido que simplesmente parou, mirou e arrancou fora a cabeça de um Sentinela com uma rajada! A cabeça ainda podia, mesmo fora do corpo, causar um estrago. Mas Sam, como um míssil, arrebentou ela em pedacinhos.

Jean: Ora, Gambit! Ao invés de reclamar com desdém dos poderes de Magneto, você deveria agradecer por não serem esses Sentinelas Millenium!

Wolverine vai escalando um outro latão pelas costas e pergunta:

Wolverine: Pois é! Onde estão esses millenium de merda! Queria mais diversão!!!

Jean sorri fraquinho de como Wolverine pode dizer certas coisas que soam até engraçado. Scott olha para ela e não gosta de vê-la sorrindo pelo absurdo que Wolverine disse. Não gosta de vê-la sorrindo por Wolverine, na verdade! Mas não havia tempo para ciúmes de ninguém naquele gramado! Cada vez, mais sentinelas chegavam! Tempestade! Essa era uma pessoa que podia facilmente inutilizar vários sentinelas de uma vez só! E ela já estava ficando irritada com a lataria. Ororo Monroe sobe a uma altura de uma metro a cima do teto da mansão, lá de cima ela invoca nuvens carregadíssimas de chuva e eletricidade!

Bishop: É! O tempo está mudando bem rápido. Sabia que Tempestade ia dar o jeito dela!

Tempestade: Força da natureza, obedeça meus comandos! 

Ao dizer isso, os ventos de mais de 120 km por hora começaram a levantar cabelos e capas dos x-men. Jean caiu no chão, Scott a segurou pelo braço enquanto segurava também em uma árvore. Wolverine bravamente continuava em pé, como uma árvore de tranco largo numa correnteza que não a derruba. Bobby estava todo em forma de gelo, sendo muito mais difícil do vento carregar. Vampira que estava voando, foi pega de surpresa e ficou desgovernada no ar! Mas logo desceu ao chão e ficou agachada. Os galhos das árvores começavam a partir, e Tempestade cada vez com olhos mais brancos e mais raios próximos a ela! O sentinela foi dar um passo, e ficando com uma só perna apoiada no chão ao tentar andar, ficou sem apoio e os fortes ventos o derrubaram. Ele ainda derrubou outro ao lado ao cair! Scott, mesmo ainda agarrado a Jean e a uma árvore, soltou rajadas ópticas nos sentinelas ao chão! Estavam aniquilados! Wolverine andava bravamente contra a resistência do vento para pegar o único sentinela que sobrava em pé! Mas Tempestade logo parou os ventos fortes, facilitando a vida dos x-men! Eles todos correram contra a única lata velha em pé! Magneto arrancou os parafusos com seu magnetismo, a lataria caiu como uma jaca podre no chão! Vampira começou a socar a cabeça, Scott a separou do corpo com uma rajada óptica, Wolverine foi para as costas destruir a fiação, Bobby Drake congelou o corpo! E Noturno BAMF, aparecia ao lado do corpo de um sentinela, e BAMF, ao lado de outro, e BAMF, ao lado de mais outro e BAMF ao lado da equipe de mutantes! Ele estava conferindo se todos estavam realmente aniquilados! 

Noturno: Her Summers, todos os sentinelas estão realmente fora de uso. 

Wolverine: Então acabou?

Jean: Pelo que parece sim. 

Gambit: Merde! C'est une absurdité! Eles nos deram 48 horas! E em 24 nos atacam com sentinelas!!!

Noturno: Ao menos, Deus permitiu que isso acabasse. E acabou. Os sentinelas estão todos abatidos. 

O professor Xavier vinha com sua cadeira de rodas até a porta da mansão com o jardim. Ele pára e diz:

Professor: Meus filhos, a situação é pior do que eu pensava. Detectei com o Cérebro que outros mais estão vindo para cá.

Scott: Mais sentinelas?

Professor: Não, Scott. Pior do que sentinelas.

Wolverine: Se são piores, é só deixar comigo!

Professor: São humanos. E estão para chegar em alguns segundos. 

Nem ao menos o professor terminou de falar a frase, dezenas de sirenes de carros de polícia são ouvidas pelos x-men. Elas vinham se aproximando a uma velocidade muito grande! De repente, um alto barulho de helicóptero, acompanhado de ventos fortes e uma luz vinda do alto que cegava a todos no jardim! Eram três helicópteros voando parados em cima da casa. Eram quinze viaturas da polícia com os faróis alto cegando mais ainda os olhos do jardim! Eram dezenas de policias que saiam dos carros com suas armas em punho, eram vários carros de emissoras de TV, eram vários curiosos atrás da barreira policial. Eram poucos mutantes, juntinhos e unidos naqueles focos de luzes ameaçadoras no jardim. De repente, um alto falante diz as ordens:

_ Mãos para cima! Todos parados, nós vamos invadir a casa!

Wolverine: NÃO!

_ Sem resistência! Vai ser pior para vocês!

O professor Xavier manda uma mensagem psíquica para todos os x-men:

Professor: [Não façam nada, x-men! Vocês não podem agredi-los, eles são humanos, não são sentinelas. Estaríamos cometendo um crime e justificando a vinda deles aqui. Seria pior para nossa imagem, vamos provar que não há motivo para nos prenderem. Não deixarei que eles invadam a casa ou que prendam a todos nós.]

_ Onde está Charles Xavier, o dono da casa?

O homem vê que Xavier está em sua cadeira, na porta da mansão. Os helicópteros ficam rodando em volta de si mesmos para se estabilizarem no ar.

_ Xavier, venha para o portão da mansão junto com Eric Lensheer! AGORA e lentamente!

Xavier vai conduzindo sua cadeira, Magneto sai do bolo de x-men unidos no gramado, e segue Xavier até mais a frente, na frente do portão. Todos os guardas chegam mais perto, com medo do que os dois mutantes de meia idade poderiam fazer.

_ Muito bem. Diga a seus alunos que não reajam, nós vamos entrar e algemar a todos. 

Professor: Por que? Qual o motivo?

__ Isso será discutido e explicado depois. São ordens federais! Todos os mutantes estão sendo recolhidos para um gueto e foi dado um prazo a vocês!

Magneto: Um prazo de 48 horas! Que não foi cumprido!

_ São ordens!

O homem do alto falante vai entrando pelo portão quando Xavier pega papéis debaixo da colcha que cobre suas pernas na cadeira de rodas.

_ MÃOS PARADAS, VELHO!

Todas as armas são apontadas para Xavier! Magneto teve vontade de dissolver todas com seus poderes!

Professor: Acalmem-se. Eu só estava pegando papéis que gostaria de ler. 

_ Sem essa! HOMENS, ENTREM!

As luzes iluminam todos os rotos indignados dos mutantes no jardim. A luz mais forte ilumina Xavier e Eric. Câmeras gravam o mutante paraplégico, todos olhavam intensamente para ele com medo do que dissesse ou fizesse.

_Velho, você pode controlar mentes! Então é bom que fique calado e nada de papéis!

Professor: A declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão foi feita na Revolução Francesa no final do século XVIII, foi feita com base nas idéias iluministas francesas; que anteriormente já tinham até influenciado a Constituição Americana de 1772.

_ Cala Boca!

outro:_ Xavier, você tem o direito de permanecer calado! Tudo o que você disser pode ser usado contra você!

Professor: Que ótimo. Então usem o que eu vou dizer contra mim!

_ Homens, eu mandei "entrar nessa casa"! Entrem!

Mas os guardas não entravam.

_ Você está controlando a mente de todos os meus guardas, não é?

Professor: Não... Acho que eles não estão entrando por curiosidade, querem ouvir o que eu tenho a dizer.

_Você não dirá nada! Homens, dentro agora!!!!

Professor: Mas a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão da Revolução Francesa foi sendo considerada muito restrita com o passar do tempo. Mas com a criação da Organização das Nações Unidas (ONU), ela foi aperfeiçoada num texto que se chama Declaração Universal dos Direitos Humanos. É um documento internacional, e na época todo o mundo assinou essa declaração e todos a obedecem... Ou pelo menos deveriam obedecer... Bom... TODOS os meus alunos a sabem de cor, todos os seus 30 artigos!

_ Homens, entrem! Façam esse velho calar a boca!

Professor: Eu gostaria de começar, depois meus alunos concluem... 

O professor solta os papéis no colo. Ele também a tinha decorado. Abaixa os olhos, fica uns segundos pensativo... E num inspirar forte, levanta a cabeça e tem os olhos cheios de lágrimas. Diz com voz alta de oratória:

Professor: "Artigo 1° - Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade."

Jean Grey levanta o olhar! Ela, que tentava não deixar seus olhos verdes se cegarem com as luzes inquisidoras que vinham do portão para dentro do jardim, levanta o olhar com bravura. Enleva-se ao ouvir o que o professor está dizendo e resolve completar bem alto:

Jean Grey: "Artigo 2° - Todos os seres humanos podem invocar os direitos e as liberdades proclamados na presente Declaração, sem distinção alguma, nomeadamente de raça, de cor, de sexo, de língua, de religião, de opinião política ou outra, de origem nacional ou social, de fortuna, de nascimento ou de qualquer outra situação. Além disso, não será feita nenhuma distinção fundada no estatuto político, jurídico ou internacional do país ou do território da naturalidade da pessoa, seja esse país ou território independente, sob tutela, autônomo ou sujeito a alguma limitação de soberania."

Wolverine tem um nó na garganta. Uma dor no maxilar, uma vontade de chorar de ódio e de felicidade ao ouvir as palavras de algo que se aproxima do que seria uma verdadeira justiça e democracia. 

Wolverine: "Artigo 3° - Todo indivíduo tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal."

Vampira: "Artigo 5° - Ninguém será submetido a tortura nem a penas ou tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes."

Gambit: "Artigo 7° - Todos são iguais perante a lei e, sem distinção, têm direito a igual proteção da lei. Todos têm direito a proteção igual contra qualquer discriminação que viole a presente Declaração e contra qualquer incitamento a tal discriminação."

Scott tem lágrimas nos olhos que ninguém pode ver por causa de seus óculos:

Scott: "Artigo 9° - Ninguém pode ser arbitrariamente preso, detido ou exilado."

Tempestade já deixava que as lágrimas escorressem notoriamente por seu rosto. Quase sem conseguir falar por tanto soluçar, Ororo diz:

Tempestade: "Artigo 10° - Toda a pessoa tem direito, em plena igualdade, a que a sua causa seja eqüitativa e publicamente julgada por um tribunal independente e imparcial que decida dos seus direitos e obrigações ou das razões de qualquer acusação em matéria penal que contra ela seja deduzida."

Bishop: "Artigo 11° - Toda a pessoa acusada de um ato delituoso presume-se inocente até que a sua culpabilidade fique legalmente provada no decurso de um processo público em que todas as garantias necessárias de defesa lhe sejam asseguradas."

Bobby Drake: "Artigo 12° - Ninguém sofrerá intromissões arbitrárias na sua vida privada, na sua família, no seu domicílio ou na sua correspondência, nem ataques à sua honra e reputação. Contra tais intromissões ou ataques toda a pessoa tem direito a proteção da lei."

Noturno também estava muito emocionado com tudo aquilo. E mesmo não sendo um aluno de Xavier, ele tinha um dos artigos gravados em sua mente. Um dos que mais gostava.

Noturno: "Artigo 18° - Toda a pessoa tem direito à liberdade de pensamento, de consciência e de religião; este direito implica a liberdade de mudar de religião ou de convicção, assim como a liberdade de manifestar a religião ou convicção, sozinho ou em comum, tanto em público como em privado, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pelos ritos."

Sam: "Artigo 28° - Toda a pessoa tem direito a que reine, no plano social e no plano internacional, uma ordem capaz de tornar plenamente efetivos os direitos e as liberdades enunciadas na presente Declaração."

Professor: Último artigo, "Artigo 30° - Nenhuma disposição da presente Declaração pode ser interpretada de maneira a envolver para qualquer Estado, agrupamento ou indivíduo o direito de se entregar a alguma atividade ou de praticar algum ato destinado a destruir os direitos e liberdades aqui enunciados."

Estavam todos os guardas parados e em silêncio. Alguns tinham até abaixado suas armas. Todas as TVs ali presentes gravaram tudo! Os repórteres, antes cegos na propagação do ódio aos mutantes, se tocaram ligeiramente de seus erros e se colocaram na frente das câmeras para darem declarações mais amenas. Sobre democracia, direitos, relativizar situações, debates, discussões; palavras antes vistas como endemoniadas. O professor não controlou a mente de ninguém com seus poderes, apenas usou sua oratória e seu sentido de democracia. Mas apenas isso não mudaria a idéia do ódio aos mutantes, como se ninguém conhecesse a declaração dos direitos humanos antes! Obviamente, o professor estava influenciando idéias na cabeça de todos ali presentes, principalmente na cabeça dos jornalistas. Era preciso que aquela mídia idiota começasse a falar outro texto, para mudar a opinião pública. mas não era uma dominação mental o que o professor fazia, era algo sutil, quase imperceptível... Com certeza a declaração dos direitos humanos ali naquele momento fez com que muitos parassem para pensar melhor no que defendiam, mas muitas cabeças duras não seriam tocados pelo texto, e era aí que a mente do professor entrava. Se os repórteres já começavam a dizer o contrário do que a polícia queria fazer, já era meio caminho andando!

Professor: Eu, em nome da lei, digo que seu mandado de prisão é inválido! Não ha motivo alegado, só há preconceito e desconfiança!

Magneto: Volte aqui com uma documentação que não viole o direito internacional nem os direitos humanos e nos prenda!

_ Você não pode falar em nome da lei!!!

Professor: Nem você.

Magneto: E sem mandado de busca e apreensão, entrar nessa casa seria invasão de propriedade.

_ Eu tenho ordens do presidente da república.

Professor: Lembre-se, senhor... Por escrito e estando dentro da lei. Ordens do presidente da República eu também tenho. É a constituição americana, que manda você embora do portão da minha casa.

O professor entra na mansão acompanhado de Magneto. Os x-men entram logo em seguida. Desautorizado, do lado de fora do portão, o chefe da missão de prisão é inundado de perguntas dos repórteres. Os helicópteros vão embora, a calma se instala em menos de 40 minutos. Apenas uma viatura da polícia ficou de vigia durante a noite no quarteirão da mansão. Os x-men tinham ganhado a primeira batalha. Mas o gueto dos mutantes continuava lá, em pé, e querendo se encher de mutantes. Alguns repórteres mudaram de opinião ou foram suavemente induzidos a mudarem de opinião. Mas e os outros?! E o presidente que queria todos os x-men no gueto? E depois, o que fariam com os mutantes do gueto? Esterilizariam, como quer a MEHHS? Qual é real ligação da MEHHS com o governo? Os sentinelas que vieram antes da polícia foram mandados por quem? Governo ou MEHHS? Ou os dois juntos? E Magneto e Mística? Por que não reagiram? Eles são contra essa passividade. Ao invés de recitar a declaração dos direitos humanos, teriam proposto eliminar todos aqueles guardas, repórteres, câmeras, viaturas, curiosos passantes. Mas não disseram nada. Apoiaram o professor. Mas... até quando continuariam apoiando?

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