Mais um raio de Sol quentinho vai iluminando a branca roupa de cama. Já se passaram 3 dias de mar, mas o verdadeiro paraíso foram só 2 dias. O verdadeiro paraíso era poder ser um casal normal, algo que os dois sonhavam há muito tempo. Um pulseira resolveu o problema, mas que problemas mais ela poderia vir a trazer. Como o combinado, cada um dorme e acorda em sua própria cama, uma questão de segurança. Mas enquanto aqueles corpos não pertencem ao sono, não há regras de lugar que os dois ocupam.  Vampira abre os olhos e encontra Gambit já acordado fumando na varanda e olhando para ela. Ela sorri e se espreguiça de levinho.

Vampira: Hum... Tão cedo?

Gambit: Tão cedo o que, ma chere? Tão cedo a admirar sua beleza? Tão cedo a venerar-te, a comer la belle com os olhos?

Vampira sorri.

Vampira: Não... Tão cedo e já fumando?

Gambit: Ah! – Ele joga o cigarro varanda abaixo – Chere, eu não costumo me livrar dos meus queridos cigarros... Mas, quando você reclama, eu obedeço.

Vampira: Muito bem... É bom saber quem é que manda.  – Diz isso voltando a fechar os olhos e a sorrir.

Gambit: Assim você não perde o habito.

Vampira: Engraçadinho... Eu sou tão mandona assim?

Gambit: E briguenta! E nervosinha! E linda! E fora do sério! E...

Vampira: Tá bom... Já entendi, seu Don Juan!

Gambit também deita na cama dela.

Vampira: Cuidado, Remy.

Gambit: Eu sei, mon amour. Não vou encostar em você, só quero ficar perto.

Vampira: Onde nós vamos hoje?

Gambit: Por mim, a praia ficaria só ali na janela e na varanda. Nós iríamos apenas do banheiro para o quarto, do quarto para o banheiro, no máximo chegaríamos no restaurante do hotel. Quem sabe nos esforçando muito iríamos na praia logo ali abaixo?! Mas, definitivamente, o quarto! O quarto é uma boa pedida!

Vampira tira de baixo do travesseiro a tão adorada pulseira inibidora de poderes e a coloca no braço. Gambit do sorriso maroto já emenda num beijo caloroso! E depois, abraçando-a e apertando a cintura dela, ele faz barulhos de quem tem vontade de apertá-la muito mas tem medo de quebrá-la ao meio.

Vampira: Desculpa por enclausurar seu amor dentro desse quarto de hotel. Mas é por precaução.

Gambit: Antes aqui do que em lugar nenhum, chere. Pra mim está tudo indo trés bien! E meu amor não é enclausurado, ele te persegue onde quer que você vá, mesmo quando eu não te toco.

Vampira: Isso é vício.

Gambit: Você também é viciada em mim.  


Tempestade andava pela calçada, observando os olhares inquisidores na rua. Qual o problema, não posso ter o cabelo branco, pensava ela? Não... Não podia, e mal sabia ela disso. O que aconteceu com essas pessoas? Lavagem cerebral? Será que não vão parar de me olhar? De repente, um grito estridente no outro lado da rua. Uma mulher agachada na calçada, de agachada passava para sentada largada e desolada. Não parava de gritar e chorar. Que era aquilo? Algumas crianças estavam em volta dela, apenas crianças.  Ororo Munroe olha para o alto e vê a fachada de uma escola. Que diabos seria aquilo? Tempestade resolve atravessar a rua e ver o que era.

Tempestade: O que foi que aconteceu, senhora?

Era difícil entender a resposta cuspida entre soluços desesperados.

Mulher: Meu filho... Eu perdi meu filho!

Tempestade: Perdeu? Perdeu como?

Mulher: Atravessei a rua para comprar pão e deixei ele aqui com os amigos da escola ... depois quando voltei não estava mais.

Tempestade: E as crianças? Não viram nada?

Mulher: Eu perdi meu filho.

Tempestade: A senhora não o perdeu. Ele é que se perdeu, mas nós vamos encontrá-lo.

Menina: Ele não se perdeu não, moça.

Ororo Munroe se espanta com a resposta de uma garotinha amiga do garoto desaparecido.

Tempestade: Não?

Menina: Levaram ele. Eu vi.

Tempestade: Levaram? Quem “levaram”?

Menina: O carro.

Tempestade: Que carro?

Menina: Um carro que dizia “Prefeitura de Nova York”. Foi bem rápido, nem deu pra gente fazer nada.

Tempestade franze a sobrancelha. Põem a mão na boca, assustada, mas sem querer assustar mais ainda as crianças e a mãe do desaparecido, ela se agacha contida na frente da menina. Pergunta bem devagar.

Tempestade: Minha criança, como era o seu coleguinha desaparecido?

Menina: Ah... Ele era legal, mas eu tô com vergonha!

Tempestade: Vergonha de que?

Menina: A mãe dele tá aí! _ Disse ela bem baixinho. E depois, foi ao ouvido de Tempestade e disse como em segredo – Ele era estranho, moça. Ele era legal, mas era feio.

Tempestade também fala ao ouvido dela.

Tempestade: Estranho como?

Menina: Estranho como você.

Tempestade levanta do chão. Ela entendeu tudo. O Harlem também queria as crianças! E como a essas você só consegue convencer a morar no “bonito” bairro se os pais quiserem ir também, o roubo começou a ser solução. Será que era isso? É... A limpeza “étnica-racial” estava sendo feita. A cena era terrível. A mulher não parava de chorar. Tempestade não quis ficar naquele lugar nem mais um segundo. Apenas disse para a mulher que chorava, ao sair.

Tempestade: Senhora, vá ao Harlem. Vá ao Harlem!  


Scott e Jean andavam pela areia da praia em frente ao hotel, iriam numa tal de praia do Aventureiro na Ilha Grande quando o barco chegasse. Ela ainda guarda o sorriso sereno de uma noite bem dormida com o pai da filha dela. Scott ainda guarda um estranho olhar. Se ela estava 100% feliz, o mesmo não poderia ser dito a ele. Tudo por causa de sua racionalidade que previa futuros problemas. Mas às vezes parece que ele se esquecia disso e era tomado pelo pai babão, feliz em ter quem ama grávida dele. Jean adorava quando isso acontecia, mas ele logo podia mudar novamente.

Scott: Jean, cuidado hoje no barco. Se você não quiser ir porque vai enjoar, passar mal, nós não precisamos ir. Praia bonita é o que não falta aqui.

Jean fecha os olhos e coloca a mão na sobre o peito. Scott corre em abraçá-la, achando que ela fosse desmaiar! Seriam as tonturas e desmaios da gravidez? Jean sorri tentando se concentrar.

Jean: Calma, Scott. Não é nada disso do que você está pensando. É apenas uma mensagem do professor Xavier que eu estou tentando captar e entender.

Scott: Ah... Menos mal.

Não demora muito o silêncio aparente dela se quebra com uma frase, na verdade, uma conversa com o professor acontecia dentro daquele silêncio. Logo, ela abre os olhos e fala.

Jean: Scott, acabaram nossas férias. Temos que voltar e agora!  


As ondas eram altíssimas, o visual era lindo, a cor da água era de um azul inacreditável, a vegetação era exuberante, os hotéis eram caríssimos, e Jubileu adorava tudo! Não é qualquer um que tem a oportunidade de ir ao Havaí, mas ela era ligeiramente moleca e abusada, queria mais!

Jubileu: Ei, Sam! E se o professor deixasse a gente esticar um pouco mais as nossas férias? A gente poderia ir a Polinésia francesa, mais conhecida como Thaiti.

Sam: É... Jubi... acho melhor você aproveitar as férias por aqui mesmo porque nós só temos mais dois dias. Duvido que o professor concordasse com sua idéia.

Jubileu: Não vai entrar na água?

Sam: Até queria, mas não vou deixar você aqui sozinha.

Jubileu: Mas eu vou entrar!

Sam: Não vai não. Recebi ordens dos x-men de que se as ondas estivessem muito altas você não entraria.

Jubileu: Que absurdo?! Você me tratando como se eu fosse criança?!

Sam: Não, Jubi. Mas sinceramente, você não sabe nadar muito bem.

Jubileu se irrita extremamente e começa a esbravejar soltando fogos de artifício de tanto ódio.

Jubileu: Pois fique sabendo que eu sou uma mutante dotada de poderes, posso fazer o que eu bem entendo! Não sou criança e você não é meu pai!

As pessoas em volta ficaram admiradas e assustadas com os fogos que saíam das mãos da menina. Sam, que não sabe mentir e é tímido, teve que inventar uma desculpa enquanto Jubileu ia embora chutando areia de praia.

Sam: É... rojão, bombinhas... Que estranho ela ter trazido isso para praia, me desculpem. Não machucou ninguém, não é mesmo?

Bobby Drake, que surfava com uns amigos viu os fogos coloridos das ondas mais distantes e altas. Foi diminuindo o rítimo, pegando as ondas que podiam trazê-lo de volta a areia. Saiu da água, se desprendeu da prancha e veio correndo com ela de baixo do braço para perto de Sam.

Bobby: Qual é, Míssil? Você disse que não queria mais ficar com Jubileu e ela se revoltou?! – Ele ri, mas complementa preocupado – Ela não machucou ninguém né?

Sam: Ridículo, Bobby. Suas brincadeiras estão ficando piores com o tempo. ...Você conhece o gênio da Jubileu, ficou assim porque eu não deixei que ela entrasse na água.

Bobby: É inacreditável! O Homem de gelo sou eu, mas é você quem é o mais gélido daquela casa! Qual é, Sam? Tá seguindo os passos do Ciclope?!! Qualquer ordem que te dão você segue a risca? Puxa, eu sei que a educação que teus pais te deram naquela cidadezinha-roça deve ter sido rígida... mas relaxa, cara! deixa a garota em paz!

Bobby Drake olha para um lado e para o outro, as pessoas da praia já estavam bem longe deles; obviamente perceberam que se tratavam de mutantes. Bobby Drake aproveitou a distância dos banhistas e fez uma ponte de gelo até uns rochedos da praia  onde estava Jubileu. Ele foi surfando na ponte de gelo gritando “uhúúú!”. Sam ainda disse:

Sam: Não, Bobby! Deixa que eu vou atrás dela!

Bobby grita lá de longe, já descendo da ponte gélida.

Bobby: Agora deixa!

Jubileu: E o que é que  você quer, seu picolé metido?

Bobby: Vim te buscar pra gente entrar na água!

Jubileu: Não queria entrar com você!

Bobby: Eu sei com quem você queria entrar, menina apaixonada!

Jubileu grita “ridículo!” e joga fogos em Bobby, ele teve que criar uma camadinha de gelo para se proteger.

Homem de Gelo coloca Jubileu no colo, a garota começa a espernear e a gritar. Ele faz outra ponte de gelo e surfa com ela no colo, Jubileu quase estoura os tímpanos dele de tanto gritar. Sam acha engraçado, mas acha melhor repreender.

Sam: Bobby, não faz isso!

Bobby pega o mesmo protetor solar branquelo e gosmento dos surfistas, que ele usava no rosto, e emplastra no rosto de Jubileu, que fica uma fera!

Jubileu: Cretino! Você vai ser comigo!

Sam esperou pra ver o que mais Bobby iria fazer. E não era pouco, o homem de gelo fez outra ponte até a água e lá de cima jogou Jubileu! Logo em seguida, ele também se jogou na água gritando o famoso “uhúuu” e deixou a água em volta de Jubileu em zero grau! Depois pegou ela no colo e foi saindo da água levando tapas e ouvindo desaforos, despejou-a na areia.

Jubileu: Ótimo! Virei um bife a milanesa, seu cretino!

Sam veio correndo e ajudou Jubileu a se levantar, mesmo com areia até no cabelo, ela estava gelada da brincadeirinha de Bobby.

Sam: Dessa vez até que teve alguma graça, Bobby.

Jubileu: Você também me paga, seu Míssilzinho de araque!

Bobby: É... você tem aprendido com o Ciclope e ela tem aprendido com a Vampira!

Jubileu: Você vai se ver comigo!

Bobby: Não disse?

Sam: A única diferença, é que essa frase dita pela Vampira é realmente assustadora....

Bobby: É! Já vinda de alguém que solta fogos de artifício... – Os dois riem bastante!

Jubileu faz beicinho, odiava ouvir que seu poder era uma porcaria inútil. Ficou profundamente magoada com os dois, ia se levantar para tomar um banho no hotel, se trancar no quarto e não ver mais a cara daqueles dois que se juntaram para zoar com ela. Mas foi quando os três receberam uma mensagem urgente do professor Xavier. As férias de todos eles estavam abortadas, e deveriam voltar para mansão o mais rápido possível.  


Os dois casais que aproveitavam as férias brasileiras tiveram que obedecer as ordens do professor. Na viagem de 9 horas de volta a Nova York Vampira reclamou umas 10 vezes que eles deveriam ter visitado o Rio de Janeiro logo na chegada. Scott prometia que eles voltariam um dia, que ela ficasse despreocupada.  

Gambit: Mon amis, vocês dois estão cheios de risinhos... Gambit percebe que aconteceu alguma coisa.

Jean: Vocês dois também estão cheios de risinhos, estou até ficando preocupada.

Vampira ia dizer um clássico “fica na tua que a vida é minha”, mas segurou a fala, lembrando-se que falava com a amiga Jean Grey que nunca lhe dizia palavras grosseiras. Ah! O que fazer agora, se não relaxar e aproveitar a viagem de volta? Se bem que aproveitar um vôo de 9 horas é impossível, dá nos nervos! Vampira resolveu relembrar bons momentos da viagem, as praias maravilhosas que provavelmente não veria de novo por um bom tempo. Que pena! ... O que será que está acontecendo na mansão para o professor exigir uma volta tão rápida? Por que não ligou, por que teve que fazer contato mental com Jean? Será que já teria feito contato também com Sam, Bobby e Jubileu? E Wolverine? Ah... esse já devia ter voltado, não foi pra muito longe... Os pensamentos importantes duraram pouco, logo estava Vampira de novo relembrando as praias, relembrando a pulseira que estava guardada na bolsa, relembrando os beijos de Gambit, relembrando umas cachoeiras na Ilha Grande, relembrando o saveiro!

Vampira: Jean! Lembra daquela cachoeira no meio daquela trilha na Ilha Grande? O maior barato!

Jean: Lembro...

Scott: Eu lembro de você voando naquelas praias, Vampira. Voando o contorno da praia, por cima da água!

Jean: Ah, Scott... Deixa, ... a praia era deserta!

Gambit: É, relaxa, mon ami! Vive a vida!

Scott: Tudo bem, não está mais aqui quem falou. 

Gambit: Ah... Mas vocês dois vão ter que contar o motivo dessas caras felizes! Vamos, eu como amigo do casal exijo saber!

Vampira: Eu como curiosa, também exijo!

Jean sorri, olha para Scott que também sorri; mas que depois fecha a cara. Os sentimentos dele ainda eram dúbios... Jean sorri sem graça, não sabe se deve contar. Não sabe nem se deve levar a gravidez adiante.

Jean: Não é nada, gente. Só estamos felizes por termos passado esses dias nesse paraíso.

Gambit: Aham, já estamos voando ha mais de uma hora e vocês ainda estão sorrindo por causa do paraíso. Já deveriam estar de cara amarrada por causa desse vôo chato!

Vampira: Se bem que o Scott está de cara amarrada!

Scott: Ah? Quem, eu? Que isso! Que nada... - Ele sorri de novo.

Gambit e Vampira se entreolham e resolvem brincar. Os dois em coro começam "conta, conta, conta, conta, conta!"

Scott: Está bem, está bem... nós contamos!

Jean: Bom, vocês serão os primeiros a saber... E é algo muito importante!

Vampira: Vamos logo com isso!!!!

Jean: Tá... Bem... o fato é que eu estou grávida!

Os rostos de Gambit e Vampira se iluminam, logo todos os olhares se concentram na barriga da ruiva! É sempre assim, pode não haver o menor crescimento, mas as pessoas sempre olham para a barriga de uma recém grávida. 

Jean: Ah, gente! É recente, não se nota ainda.

Vampira: Recente, quanto recente?

Jean: Uns dois, quase três dias.

Gambit: Que espécie de precisão é essa, chere?

Jean: Chama-se poderes cerebrais evoluídos. Que você conhece por telepatia!

Gambit: É... a cada dia que passa sinto mais vontade de ter nascido um telepata, isso realmente é útil! Até pra se ter a precisão exata da concepção!

Vampira: Qual é gatinho, deixa de zoar com a minha amiga!

Jean: Vocês gostaram da notícia?

Gambit: Ma chere, quem tem que gostar ou não é você e o Scott. Nes ce pa?

Vampira: O Gambit tem razão, Sinistro também vai ficar contente com essa notícia.

Scott: E é só isso que me impede de estar 100% feliz. 

Gambit percebe a gafe e resolve mudar o tom.

Gambit: Ah, que é isso, mon ami?! Vai dar tudo certo! Remy Lebeau vai proteger seu filho, promessa de um amigo. Felicidades, homem!

E Gambit levanta o braço para aeromoça, pede um champanhe. A aeromoça se desculpa e diz que o champanhe é reservado apenas para primeira classe. Gambit olha para Jean dando uma piscadinha de olho. Ela suspira fundo e fecha os olhos com força. No mesmo instante a aeromoça diz:

Aeromoça: Claro, senhores! Já trago o champanhe!

Gambit: Merci, chere Jean!

Vampira: Podíamos ter voado de primeira classe, por falar nisso.

Jean: É, mas o dinheiro do professor, a pesar de abundante, não é eterno!

Gambit: Claro, e se podemos usar Jean para as pequenas coisas, por que não?

Jean: Safado!

Foi longa, mas tudo correu bem. O táxi do aeroporto até a mansão é que foi salgado demais. Os quatro pegaram suas próprias malas e foram carregando até a porta de entrada. Gambit quis carregar as de Vampira, dando uma de cavalheiro, ao que ela responder com um singelo "te enxerga, Gambit! Se eu quiser carrego as minhas e as suas com um dedo só!"... É, ele não pediu mais para carregar. Scott também quis carregar as de Jean, afinal ela estava grávida e deveria evitar esforço físico, ao que foi respondido por ela com malas que voaram sozinhas até a porta da entrada!

Gambit: Se alguém de fora chegar aqui, vai achar que tem fantasma nessa casa carregando malas!

Enquanto Scott procurava as chaves de casa em todos os bolsos, Jean percebeu que Vampira  não estava muito bem. Parecia um pouco abatida, com um olhar vago parado no nada, sem muitos risos. Tinha mudado de ânimo nas últimas horas do vôo. Jean segura a luva dela.

Jean: Que foi, Vampira? Parece triste?

Vampira: Não... Impressão sua, só estou morta de cansaço!

Jean sente um saudosismo melancólico de Vampira invadindo sua barriga. A ruiva se estremece e sai de perto um pouco assustada. Não era intenção de Vampira, mas ela estava sim abatida com a gravidez de Jean. Não era inveja, obviamente, mas era tristeza do relembrar que um dia já esteve grávida. Longos nove meses que de nada serviram, longuíssimos, sem Gambit por perto; um corpo que mudava sem os amparos de quem amava; um filho de início indesejado, mas no final querido e morto. Vampira estava com os olhos gelatinosos, sabia que não podia engravidar de novo, parto com ela seria algo complicado. Jean entendeu tudo e tentou passar um pouco de ânimo para ela mentalmente. Scott não achava as malditas chaves, Jean resolveu destrancar a fechadura com sua telecinésia. Gambit resolveu brincar de novo.

Gambit: Não disse, chere? Os poderes dela servem para o dia a dia, para uma vida mais fácil e descomplicada!

O professor ouve o barulho da porta e as vozes e vem com sua cadeira de rodas. Scott aproxima-se para dar-lhe um aperto de mãos, Xavier está visivelmente contente em vê-los de volta. Gambit acena para ele de longe dizendo "saudades, professor", que Xavier respondeu com um sorriso dizendo o mesmo. Vampira manda um beijo de longe, Xavier a repreende dizendo que não tem medo dela, mandando-a vir abraçá-lo; para Vampira isso era muito difícil, deu um abraço toda sem jeito com medo de machucá-lo. Xavier apertou o braço dela de leve e olhou fundo nos olhos dizendo "não tenho medo de você, querida, você também não precisa ter medo." Vampira sorri, Xavier também, ela vai se afastando dele e sobe as escadas com as malas. Xavier pergunta para Gambit o motivo por ela estar daquele jeito.

Gambit: Que jeito?

Xavier: Eu a senti com a mente pesada, escura...

Scott: Ora, professor! Esse tipo de coisa só quem sente é o senhor e a Jean! Eu também não senti nada, Vampira deve é estar cansada! Porque fez uma viagem super contente, era sempre a mais feliz de todas!

É então que Xavier olha para Jean. Ela corre para dar-lhe um beijo, o professor a segura nos ombros quando ela se abaixa para beijá-lo. Fica olhando o rosto dela longamente, no silêncio, Jean sorri. O professor sorri de volta meio sem jeito, como Scott não sabe se fica contente ou preocupado.

Jean: Sabia que o senhor sentiria só de me olhar!

Professor: Jean, minha filha!

Ele a abraça, acaba deixando a felicidade se sobrepor a preocupação. Scott fica mais contente em ver uma aprovação de Xavier, isso lhe dava mais ânimo. Se o professor tinha esperanças, as dele também cresciam mais. Pensava que tudo ia realmente dar certo. O professor sente os pensamentos de Scott e diz de longe abraçando Jean:

Professor: Mas é claro que vai dar tudo certo, meu filho! É só uma pena que venha nascer uma indefesa criatura em tempos tão difíceis como os de hoje... E foi por isso que eu os chamei de volta. 

Xavier fez um chamado mental para todos os x-men, e em poucos minutos estavam todos na sala. Jubileu, Sam e Bobby já tinham voltado e Wolverine também, que não contou nada de sua viagem para ninguém. Tempestade era só alegria, já na escada ficou contente em ver Vampira, na sala abraçava Gambit, Scott, Jean, e pedia para ver as fotos! Fera veio pulando os degraus e contrastando com seus movimentos, foi educadíssimo como sempre para saudar os retornados. Jubileu pulava de alegria em ter os amigos de volta, já não agueeeentava Sam e Bobby no pé dela. O professor deu um tempo para todos se reencontrarem e começou a falar o motivo das férias cortadas.

Professor: X-men, obviamente há uma razão muito forte para que eu tenha encurtado as férias de vocês. E esse motivo é o gueto mutante. Para aqueles que ficaram aqui em Nova York, já sabem exatamente o que está ocorrendo, para os outros será novidade. Mas de gueto escondido, passou a ser vendido pela mídia como bairro modelo para felicidade dos "diferentes". Na verdade, os agentes sociais "escolhem" os que entram e de lá eles não saem mais! E a propagando enganosa é para ludibriar a opinião pública, como sempre lerda e facilmente manipulável. Mas hoje Tempestade me contou uma coisa horrível. Não só estão selecionando os mutantes que entram, como também estão capturando, seqüestrando as crianças mutantes filhas de pais normais, que nunca morariam nesse bairro!

Gambit: Mon Dieu, Notre Dame!

Professor: Eu também suspeito que Magneto esteja agindo contra o gueto, de que forma é que eu ainda não sei. Mas nós temos que observá-lo, sabemos que os modos de agir de Magneto nem sempre são dos melhores! Ou... quem sabe ele não esteja com uma boa idéia, e nós possamos ajudá-lo?

Scott: Duvido! ... O senhor sempre nutrindo esperanças naquele insano!

Professor: Bom... É isso. Só queria avisar que vocês vão enfrentar um gueto. Ainda estou planejando a ação e as formas de combate. Mas preparem-se para o pior!

O professor sai da sala e as pessoas se dispersam. Gambit segue Vampira até o quarto, quer saber se os sentimentos pesados que o professor sentiu nela procedem. Jubileu vai para o quarto com as fotos do Brasil, depois de já ter entregue as fotos da Califórnia e Havaí para Tempestade ver. Jean ficou sentada no sofá, apoiando o rosto na mão, incrédula que as coisas tivessem chegado aquele ponto. Onde estavam os direitos humanos, a democracia, o respeito a humanidade? Agora que estava grávida, ficava imaginando a mulher que teve o filho roubado na porta da escola. Estava olhando fixamente o nada tristemente. Scott lhe fazia um carinho encorajador. Wolverine olhava os dois mais ao longe, na porta da sala, um pé na sala e o outro no jardim. Fumava como uma chaminé! Scott o repreendeu facialmente por ele estar fumando, Wolverine deu de ombros sorrindo. Continuava a fumar...

Scott: Wolverine, você não devia fumar.

Wolverine: É? Também vai me dizer agora que o cow-boy da malboro morreu de câncer, garotão?

Scott: Não devia fumar porque a Jean está grávida!

Jean acorda de seu estado catatônico melancólico com dois olhos arregalados que repreendiam Scott! Ela estava boquiaberta por ele ter dado uma notícia dessa de uma forma tão vingativa, uma coisa que deveria ser contada com alegria, até mesmo para Wolverine! Wolverine pára com o cigarro na boca, olha a parede por um tempo e engole o cigarro como se fosse uma bala!

Scott: Isso não dói?

Wolverine: Dói pacas!

Scott: Então por que engoliu?

Wolverine: E por que não?

Ele cruza a sala a passos largos e sobe as escadas. Jean continua a repreender Scott.

Jean: Scott, você deu essa notícia para uma pessoa sem a menor felicidade. Deu a notícia como mais uma forma de repreender uma má atitude de Logan, que nem sabia que estava fazendo algo errado! Me pareceu só mais uma forma de provar pra ele que está sempre errado.

Scott: E ele não está sempre errado?

Jean: Quase sempre. Mas o errado agora foi você! Odiei, Scott, odiei!

Scott: Desculpa, querida. Eu não suporto cigarro, você sabe.

Jean: Você podia ter pedido para ele parar de fumar, e quando ele tivesse te respondido com aquela gracinha do malboro, você não devia ter entrado no jogo de grosserias dele... Deveria ter explicado que era porque eu e você estávamos felizes com uma filha que estou esperando. Isso soaria mais delicado, mais adulto! Ou esperasse que eu mesma contasse a ele que estou grávida, ora! Virou criança, Scott?!!   " É porque Jean está grávida, "perdedor" "!   Só faltou dizer isso!

Scott: Desculpa, Jean. Eu vou agora mesmo desculpar-me com ele. 

Jean: Ótimo. Mas tome cuidado, não crie outra situação embaraçosa!

Scott sobe as escada e dirige-se ao quarto de Wolverine. O mutante aparentado com os lobos sente o cheiro de Scott se aproximar da porta antes mesmo dele bater. Wolverine abre a porta com agressividade e Scott fica com o punho levantado de quem daria uns toques na porta. 

Wolverine: Que é? Veio me proibir de fumar no meu quarto também?

Scott: Não, Logan. Vim me desculpar mesmo. Agi de forma infantil, o que para qualquer pessoa é lastimável; e para mim que sou um líder é inadmissível.

Wolverine: Tá desculpado, agora some que eu quero fumar.

Scott abaixa a cabeça embaraçado. 

Scott: Eu vim pedir desculpas do fundo do coração, não estou aqui a mando da Jean. Dei a notícia como uma penitência para você, quando deveria ser uma alegria para todos nós. 

Wolverine fica sem jeito, cospe o cigarro no chão e pisa. Olha para Scott que está de cabeça baixa, Scott levanta o rosto e Wolverine abaixa a cabeça.

Wolverine: É... ... parabéns pra você que vai ser pai.

Scott: Obrigado.

Silêncio entre os dois. Scott dá um passo a frente, mexe a cabeça a frente, levanta uma mão que vai e vem diversas vezes a frente, até que ela resolve finalmente se estender. Wolverine puxa a camisa pro lado, pigarreia, leva o corpo a frente sem andar, ficando meio sem jeito e por isso acaba dando um passo a frente. Também estende a mão. O aperto fraco entre os dois dura uns dois segundos se muito. 

Wolverine: Parabéns de novo.

Scott: Obrigado de novo.  

Silêncio de novo. 

Wolverine: Ela disse se é menino ou menina?

Scott: É uma menina, obrigado por perguntar.

Wolverine sorri, um pouco sarcástico e um pouco feliz em imaginar Jean com uma menininha.

Wolverine: É... nem tudo é felicidade, caolho!

Scott ri da brincadeira, mas está sem jeito ali.

Scott: Eu estou feliz com a menina, Logan.

Wolverine: E você acha que eu não sei? Tu é daqueles  que ficaria feliz com filho viado também.

Só Wolverine ri. Scott não ri porque achou uma grosseria e porque realmente não tem nada contra os homossexuais.

Wolverine: É... eu tô brincando, eu estaria feliz também com uma menina. É claro! É brincadeira de "macho"!

Scott pensa que era obvio que ele também ficaria feliz com uma menina, principalmente se fosse da Jean.

Wolverine: Então é isso, né?

Scott: É, é isso. Tchau, fique a vontade no seu quarto, é claro.  Pode fumar.

Wolverine sorri irônico, era claaaaro que ele ficaria a vontade em seu quarto mesmo sem Scott mandar.

Wolverine: Valeu! E pode deixar que seu segredo azul e ruivo vai ficar sempre guardado comigo, principalmente agora.

Scott: Obrigado, ... mas eu estava pensando em contar. Não sei ainda, acho que ela entenderia, realmente não foi culpa minha.

Wolverine: Não quero saber. Só me importo com os resultados. Você contando ou não contando, dane-se, só quero ela inteira. Se eu encontrar uma grávida chorando por você, outros furos virão na sua mão.

Scott: Tchau, então. Espero contar com sua "amizade" agora que vamos enfrentar um gueto mutante, que não será nada fácil.

Wolverine vai fechando a porta deixando Scott no corredor enquanto diz "eu também espero contar com sua "amizade". Professor Xavier bate na porta do quarto de Jean, ela abre a porta.

Professor: Scott está com você?

Jean: Não, foi conversar com Wolverine.

Professor: Eu só queria avisar que tanto o problema do gueto quanto seu filho vão ter a ajuda de um anjo da guarda.

Jean balança a cabeça sorrindo.

Jean: Um anjo da guarda que nós não vemos ha mais de dois anos?

Professor: Isso mesmo. Fiz muitos pedidos e ele finalmente atendeu, é um velho amigo nosso, um x-men da equipe original.

Fim!

Mas aguardem! Vem aí RESISTÊNCIA, a nova história!

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