Gambit acabou de fazer um pedido para Vampira sob a lua cheia e diante do mar negro que invade o romântico deck. Queria que ela aceitasse a pulseira inibidora de poderes.
Vampira: Não
posso aceitar.
Gambit
segura os ombros dela.
Gambit: Eu não
aceito isso como resposta!
Ela
solta-se dele com facilidade.
Vampira: Então
não aceite! Pouco me importa! 
Gambit: Você
não pode fazer isso com a gente! Não pode!
Vampira
sorri ácida, enraivecida, entristecida, inebriada pelo vontade de chorar que
prende.
Vampira: Você
é que não pode fazer isso comigo....
Gambit
cai de joelhos no deck em frente a ela. Com as mãos na direção da lua,
enquanto olhava para Vampira, ele diz em voz imperativa.
Gambit: Je
demande que vous acceptiez ce cadeau! Je demande que vous me donniez une chance
de prouver que je peux nous faire heureux! ( Eu
imploro que você aceite esse presente! Eu imploro que você me dê a chance de
provar que eu posso nos fazer felizes!)
Vampira: Odeio
quando não entendo o que você diz. Mas não interessa. A única coisa que eu
tenho a dizer é: isso é muito arriscado. Não só pra mim, mas como para todos
os outros mutantes. E isso inclui até mesmo você.
Gambit
levanta-se da posição de ajoelhado e senta no tal sofá de palha trançada com
almofadas coloridas. Respira fundo, segurando a caixa preta nas mãos, olhando o
brilho da lua no mar, pensando no nada. Não havia muito a se pensar... Você
agiu por impulso, Gambit. Você queria ser feliz com ela, acha que essa pulseira
não será tão perigosa quanto o colar. Mas ela não deixa de ter razão em não
aceitá-la. Depois de muito olhar a lua se espelhar no mar, ele volta a dizer
mecanicamente com o olhar perdido.
Gambit: Eu não
aceito “não” como resposta.
Vira
rápido o rosto na direção dela, e olhando fundo nos olhos verdes repete.
Gambit: Eu não
aceito “não” como resposta.
Vampira: Você
é tão infantil. Age como se eu não aceitasse porque não te quero. Eu te
quero muito, seu criança! Mas é maior do que eu, não posso aceitar! Por isso,
não aja como se eu estivesse te
rejeitando! Não estou!
Ele
fica mordendo a parte interior da boca de leve e lentamente, olhando o nada.
Balança a cabeça que compreende tudo. Mais uma vez respira fundo, levanta-se,
guarda a caixa preta no bolso. E faz um sinal com a mão mostrando a janela de
sacadinha do quarto deles no segundo andar.
Gambit: Hora
de dormir, assunto encerrado, chere. Pardon por ter importunado-a tanto.
Ela
abaixa a cabeça segurando o choro e vai na frente para o quarto. Gambit a segue
de cara fechada. No quarto, a luz está apagada,
apenas o abajour no meio das duas camas está aceso. Naquele ambiente semi
penumbra, cada um entra nos lençóis de sua própria cama. Os dois ficam
sentados nas camas, olhando o mar negro de lua prata refletida, a
cortina branca
que esvoaça calmamente pela brisa gostosa que invade o quarto. O silêncio
permite que eles escutem os grilos. Ficam os dois assim, um bom tempo... Até
que Gambit, numa brusca respirada, vira
o rosto com vigor para a cama de Vampira. Ela o olha por um segundo e logo
abaixa a cabeça. Gambit sai dos lençóis e vai para o banheiro. Vampira escuta
a porta batendo e estremece. Estava sozinha, essa era a hora de chorar se ela
quisesse... Mas ainda fica olhando a cortina, a lua, o breu da noite salpicado
de estrelas... E de repente!!! O espelho do banheiro se quebra! Vampira esconde
o rosto entre os joelhos, geme ao ouvir outro enorme barulho. Seriam todos os
vidros de perfumes, cremes de barbear, shampoos sendo jogados no chão? Bem provável...
E mais um alto barulho de vidro!!!!
Ele quebrou o box do banheiro? Socos na parede, chutes na porta! Vampira escuta
o que seria um vidro de shampoo sendo jogado nos restos de espelho ainda colados
na parede! Seguido de um grito: “Pourquoi?” Quando é que ele iria
começar a explodir coisas com seus poderes? Não demorou muito... Vampira
escuta umas explosões, seriam as saboneteiras explodindo no ar com o ódio
dele? E mais outro “Pourquoi?” e chutes que fazem voar cacos pelo banheiro.
Vampira não sabe o que fazer, não sabe se sai voando pela janela para a praia
escura, para o deck de madeira, para o restaurante do hotel lá em baixo para
reencontrar Jean e Scott... Ela só sabe que ainda faltavam 4 dias de convivência
tão próxima com isso! Talvez pudesse ir ao banheiro e acalmá-lo com uns
tapas, ela era muito mais forte do que ele... Embora constantemente perdesse as
forças quando se encontrava a seu lado. Calma, agora reinava a calma... Onde
estavam os barulhos? Ela só escuta um leve barulho de fina água escorrendo
torneira a baixo. Mas o barulho de água é rápido, logo pára. A porta se
abre, e Gambit sai calmamente. Estava com o cabelo molhado e o rosto molhado.
Esfriou a cabeça na certa. Tinha os olhos mais vermelhos do que o normal.
Vampira também estava com os olhos vermelhos.
Gambit: Está
chorando? Te assustei?
Antes
dela responder, o telefone toca. Com a voz embargada Vampira busca forças para
dizer ao gerente do hotel que aqueles barulhos não foram nada. Só um secador
de cabelo que caiu e quebrou muitas coisas... Não, não era necessário ninguém
para limpar o banheiro, não... não era necessário nenhuma ajuda... não, não
era necessária nenhuma preocupação, estava tudo bem... Não, ninguém estava
passando mal... Vampira coloca o telefone no gancho, ainda sentada na cama,
levanta os olhos para olhar aquele enorme sujeito em pé diante da cama dela.
Gambit se ajoelha, e num brusco e violento movimento esmurra a parede ao lado
dela gritando “Pourquoi?”. Vampira só fecha os olhos com o grito tão próximo
de seus ouvidos. Gambit se levanta e derruba de uma mesa com um tapa as máscaras
de mergulho e pés de pato gritando “Pourquoi?”. Pára e olha pra ela que
ainda não abriu os olhos. Gambit vira a cabeça para trás, olhando o teto,
respirando fundo... Ajoelha-se devagarinho na frente dela, que ainda estava
sentada na cama em baixo dos lençóis. Coloca as mãos por cima dos lençóis,
olha pra Vampira com lágrimas nos olhos e pergunta quase mudo de tristeza
“Pourquoi, ma chere?”.
Vampira: Onde
está seu cavalheirismo e delicadeza com as mulheres, Remy?
Gambit: Onde
está o amor que você disse que tinha por mim?
Vampira: Aqui.
(e aponta para o peito). Mas as coisas não são fáceis assim.
Gambit:
Pourquoi non? Se eu já te expliquei tudo, não há nada para temer...
Vampira: Você
tem que entender, meu amor, que suas explicações não me convenceram...
Gambit
enfia a cabeça no ventre dela coberto pelo lençol. Vampira sente a respiração
de choro dele em sua barriga. O lençol chega a molhar, e ela sente o friozinho
desse pano molhado na pele. Faz carinho no cabelo dele.
Vampira: E você
acha que está sendo fácil pra mim dizer “não” a sua proposta? Não
deveria ser eu a quebrar todo o banheiro? Não deveria ser eu a perguntar “por
que” enraivecida quebrando tudo? Não sou eu a errada? Não sou eu a estranha
intocável? A aberração?
Escuta-se
algo dito entre os lençóis: “Pardon, chere.”
Vampira: Tudo
bem, Remy. Não tem que se desculpar por nada... Eu entendo...
Gambit: Quando
você estava com o colar, eu estava do seu lado e nada consegui fazer para te
ajudar. Eu entendo que você não confie em mim, mas...
Vampira: Eu não
confio é em mim, Gambit. Fui eu própria que não consegui arrancar
aquela “coleira” a tempo! E percebi que isso pode ser letal...
Gambit: Mas
com essa pulseira, algo como isso nunca mais acontecerá. Você bate o braço
com força contra uma parede e pronto! Até mesmo com as mãos amarradas para trás,
você conseguiria quebrar isso. E é tão mais rápido de tirar! É só apertar
um botão que ela se solta!
Vampira: Para
o bem de todos, e principalmente para o nosso bem mental, eu te aconselho a
explodir essa pulseira como se fosse uma simples carta de um baralho qualquer. E
assim, o assunto acaba. 
Gambit: Eu
transformo energia potencial em cinética. Tenho muito boa habilidade corporal,
principalmente com meu cajado. Mas o professor sempre me disse que meu charme e
persuasão com mulheres deveria ser estudado. Sempre, mon amour, nenhuma
resistiu a mim. Sempre foi tão fácil, eu nunca precisei me esforçar...
Consigo qualquer coisa de uma mulher! E no entanto com você! Desde o princípio
se esquivando de mim, negando minhas propostas... Deve ser por isso que eu me
apaixonei! Chere, eu consigo qualquer coisa de uma mulher. E eu vou conseguir te
convencer a ser feliz do meu lado, usando essa pulseira.
Vampira: Pra
provar que seus poderes são infalíveis?
Gambit: Non.
Nesse caso é simplesmente porque eu te amo mesmo...
Vampira: Ah
bom! Porque já está provado que seus poderes são infalíveis. Afinal, eu não
resisti a você, muito pelo contrário. Me apaixonei por esse gatão! A única
diferença minha para as outras, é que simplesmente não posso ter você!
Gambit
beija aquele corpo coberto por um fino lençol molhado de lágrimas. Levanta-se
e vai para o banheiro limpar os cacos de vidro, as sujeiras, as gosmas de
shampoo e condicionador espalhados pelo chão! Ajoelhado no chão, gastando todo
o rolo de papel higiênico limpando as coisas, ele vê as pernas dela chegarem
na porta do banheiro. Ela deve ter vindo ajudar, e antes que ele pudesse dizer
“não precisa, amour”, levantou os olhos e viu a pulseira no braço dela!
Gambit levantou-se rápido e viu como ela chorava copiosamente. Ele estava
bestificado. Abraçou-a na mesma hora, levantando-a do chão! Pôde limpar as lágrimas
dela com as mãos sem luvas! Gambit pegou o braço dela para tirar a pulseira,
sabia que Vampira estava muito contrariada de receio e medo por usar aquilo. Mas
ela puxou o braço.
Vampira: Não!
Eu estou com medo, mas dane-se! Não tira a pulseira!
Gambit
sorri e a abraça de novo.
Gambit: Vou
fazer seu medo passar.
Vampira
faz um beicinho choroso e risonho.
Vampira: Então
faz.
Gambit
sorri como um coringa de baralho! Ele não a abraça, é muito mais do que isso!
Ele se aperta ao corpo dela! Vampira com a pulseira é imensamente mais fraca e
chega a dar uns gemidinhos de estou sendo apertada demais! Mas não abre a boca
para reclamar, ela está adorando, adora ser apertada por ele, parece que os
dois querem entrar um no corpo do outro! Gambit fica passando a mão no cabelo e
no rosto dela emitindo uns estranhos sons de “quero te agarrar”. E agarra
mesmo, vai levando Vampira aos intensos beijos até a cama. Acalmam-se um pouco.
Os dois respiram fundo, e riem, riem muito! Entre os risos outros beijos. Os
dois sentam-se na cama, um do lado do outro. Ficam de mãos dadas olhando a lua
no mar, sem nada dizerem. Vampira pega a mão dele e beija. Olham a lua, Gambit
pega a mão dela e beija-a bem na palma. E faz de novo a mesma coisa. E sorri,
pensando em como esse é um ato simples, que ele era proibido de fazer, um
simples beijo na palma da mão! Pensando nisso, fica igual a um bobo beijando a
mão dela várias vezes, fazendo Vampira rir.
Gambit:
Pardonnez moi, chere. Pardon por ter gritado com você. Remy Lebeau não costuma
agir assim. Acabei fazendo muita pressão em você para que aceitasse a
pulseira. É por isso que essa carinha risonha ainda esconde um fundo de
melancolia.
Vampira: De
medo só, Gambit. Melancolia nenhuma. É... mas você fez uma pressão danada
pra cima de mim!
Gambit: Pardon...
Mas Remy Lebeau não ia suportar ter esse colar e não poder ter você. Gambit
está cansado de ter várias mulheres que não significam nada pra ele.
Vampira: Mas
entenda o risco que nós estamos correndo. Não só a minha segurança, como a
de todos os outros mutantes. Eu não quero dormir com isso. Da outra vez estávamos
dormindo e fomos pegos de surpresa... Isso deverá estar em local seguro e
escondido enquanto dormimos. E cada um em sua cama, já que eu estarei tão
danosa como sempre.
Gambit: Não
gostei.
Vampira: Mas
que gato bobo! Isso não significa que a gata aqui vi ficar só de beijinhos com
você. Afinal, eu disse só quando estiver dormindo. 
Gambit: E você
ainda vai ficar acordada por muito tempo essa noite.
Vampira: MUITO
tempo, se Deus quiser!
Gambit: Dieu
está sob minhas ordens hoje, chere!
Vampira agarra o pescoço de Gambit jogando-o na cama, dizendo “nossa que poder!”. Gambit dá uma gargalhada, que é logo silenciada por bocas que se consomem.
Jubileu,
Bobby Drake e Samuel Gutrhy estão na California. Mais precisamente em Los
Angeles. Jubileu tanto fez, tanto pediu que estavam todos na Rodeo Drive,
olhando todas as lojas absurdamente caras de roupas, jóias, sapatos, bibelôs e
carros! Jubileu estava toda moderninha, como sempre gostou de se vestir! Bobby
estava o mais surfista possível, Sam estava normal e arrumadinho como sempre. O
Homem de Gelo fica reparando nos grandes brincos de argola de Jubileu.
Bobby: Aí,
Jubileu, dá pra passar um poodle no seu brinco né? Igual no circo, a gente
mete fogo e faz eles pularem!
Sam
fica rindo interiormente, segurando os lábios risonhos que entregavam sua vã
tentativa de parecer sério. Jubileu nem se importa.
Bobby:
Garotinha, o professor é rico, mas você não vai abusar. Essa rua está cheia
de lojas estupidamente caras!
Jubileu: Ihhh,
não enche a paciência, Bobby! Vou comprar nada não! Tô só olhando!
Bobby: Cara,
Sam, que saco! Já é horrível acompanhar mulher que roda e roda e roda pra
comprar. Agora acompanhar uma que roda e roda e roda só pra olhar é bem pior!
Sam: Jubi, é
que o Bobby está preocupado com os torneios de surf que tem amanhã. Ele quer
acordar cedo e já está tarde.
Jubileu: Sam,
eu posso te pedir uma coisa?
Bobby: Quer
que eu saia pra vocês ficarem mais a vontade?
Jubileu: Não,
picolé bobo. Sabe o que é, Sam? Eu não surfo... Você também não... Pensei
que a gente podia deixar esse bobo metido a gente grande surfando enquanto a
gente vai na Disneylandia.
Bobby
ri muito!
Bobby: Ah, não!
Sam, meu amigo, eu te salvo dessa! Coitado, não Jubileu! Tenha piedade!!!
O
grande problema dos Estados Unidos é que nenhum menor de 18 anos pode entrar
num bar, numa boate, ou certos shows. E Bobby era um recém 21 anos! Enquanto
que Jubileu tinha 17, e Sam quase 18. Bobby estava preso a eles. E era de certa
forma responsável por eles, não iria deixá-los em qualquer lugar,
principalmente numa cidade que não conheciam. Bobby também não gostava muito
de sair sozinho. Os três pararam numa lanchonete em Hollywood. Pediram milk
shakes de chocolate. Bobby fica olhando desolado a porta de uma boate do outro
lado da rua, com uns seguranças enormes e a porta pulsando pelo barulho
interior. Ele fica pensando em quantas gatinhas ele não estaria
“faturando”...
Sam: Bobby,
estou vendo você olhar tão apaixonado para aquela boate... Pode ir, cara. Eu
fico aqui com a Jubileu.
Bobby: Não,
pode deixar, cara. Valeu! Mas não precisa. Não vou deixar vocês aqui. Vai ser
super entediante pra vocês ficarem até de madrugada aqui nessa lanchonete.
Pode ser perigoso também.
Sam: Bobby, eu
sou um Míssil enquanto você solta neve.
Bobby: Vai,
vai brincando que te largo aí em qualquer esquina...
Jubileu: E eu
solto fogos de artifício!
Bobby
sorri, tendo que se segurar pra não rir mais.
Bobby: Grandes
coisas! Nossa, Jubileu, eu te chamo pra animar meu Reveillon, ta?
Jubileu: Ai,
como você está irritante hoje!
Sam:
Sinceramente, Bobby. Eu prometo que nós dois não saímos daqui até você
voltar.
Jubileu: Pera
aí, Sam! Não compromete a nossa noite assim! A gente vai ficar aqui sem fazer
nada por causa dele? Isso não é injusto??!!
Sam: Jubi, a
gente não tem muito o que fazer aqui... Não podemos entrar nos bares, nem nas
boates, nem nos shows... Os restaurantes a essa hora já fecharam. Não
conhecemos ninguém para entramos de gaiato numa festa... Só nos resta as
lanchonetes 24 horas...
Jubileu: Ah,
sei la! A gente podia ir a Venice Beach, ou a Santa Mônica olhar o mar!
Bobby: De
noite, Jubileu? Acorda, tá o maior frio lá fora, um vento chatíssimo! O mar
mal fica iluminado pela lua, por causa da poluição do ar! É o maior perigo
ficar assim de noite na rua, já que quase ninguém por aqui fica perto das
praias a essa hora! Só fica é passando carro! Isso aqui não é Angra dos
Reis!
Jubileu: Ai,
estou louca pra gente ir logo para o Havaí!
Bobby: Lá você
vai reclamar que não tem loja, que não tem Disneylandia, que não tem cinema!
Jubileu: Num
sonha, garoto! Em Honolulu tem tudo isso!
Bobby: Mas o
Havaí é um arquipélago, e eu não te garanto que nós vamos ficar sempre em
ilhas habitáveis.
Sam
acaba convencendo Bobby a entrar no boate a voltar às 2:40 da manhã. Já eram
11:45 da noite. O tempo de espera de Sam e Jubileu na lanchonete seria grande.
Antes de sair, Bobby fez um rosa de gelo e deu para Jubileu, seguido de um beijo
de amigo na testa da menina. “Só estou brincando com você, tá pirralhinha.”
Foi o que ele disse se desculpando por todas as brincadeiras do dia, antes de
sair da lanchonete e atravessar a rua para a boate. Sam não gostou muito nem da
rosa, nem do beijo, nem do pirralhinha... Afinal, 17 e 21 anos são idades bem
“namoráveis”! E garotas costumam gostar de rapazes mais velhos.
Sam: Tá afim
dele, Jubi?
Jubileu
solta uma gargalhada!
Jubileu: Sam!
Eu afim do Bobby??? Que ridículo! Mas por que isso? O loirinho aí ficaria
triste?
Sam: Não é
ciúmes. É só que seria muito chato ver um amigo meu com uma garota que já
ficou comigo.
Jubileu
dá uma sugada no milk shake super gelado e sorri.
Jubileu: Então
pode ficar sossegado que entre mim e o Bobby só sai faísca! E não é de amor!
É de implicância!
Sam
acha Jubileu uma gracinha. Tão diferente dele, tão animada e senhora de si!
Samuel é um garoto do interior que ainda chama os x-men mais velhos de
“seu” e “dona”. Mas Sam não consegue mais vê-la com os mesmos olhos,
desde o dia em que ela ficou com Escariotes.
Jubileu: Vai
querer ir na Disneylandia amanhã?
Sam: Vou.
Jubileu:
Iuuupi!!!! Vamos naquela casa do terror 10 milhões de vezes?
Sam: Vamos! E
me agrada saber que você quer ver a casa do terror 10 milhão de vezes ao invés
de ver a Cinderela ou a Bela Adormecida!
Jubileu: Ah,
isso é pra criança! ...... Mas, eu quero tirar umas fotinhos com elas!
Sam
revira os olhos e suspira.
Piadas,
conversas bobas, conversas fúteis, conversas interessantes, conversas
fofoqueiras, conversas inteligentes, risadas, olhos que pensam, olhos que riem,
reclamações sobre Emma Frost, elogios aos x-men, elogios a Emma Frost,
seguidos de outras reclamações, mais piadas, histórias para contar,
Sentinelas abatidos, Professor Xavier que impediu os soldados de entrarem na
mansão, a vontade que ela diz de voltar, mais outras coisas que ele conta sobre
a mansão, a saudade que ela diz ter, a saudade que ele diz que todos têm dela,
a preocupação que os dois tem do gueto mutante e de toda a situação de
extrema intolerância que tem crescido contra os mutantes, o medo dela de que a seqüestrem
para esterilizá-la, a promessa dele que enquanto ele estiver por perto isso
nunca acontecerá, um sorriso dela, uma preocupação dele também sobre o mesmo
assunto, mais uma piada, uma especulação de como estaria Bobby dentro da
boate, uma estória de um vestido que ela comprou e viu que estava rasgado,
promessas de comprar um enorme mickey na manhã seguinte na disneylandia, uma
conversa idiota sobre alguma modelo flagrada com outra modelo numa praia de
nudismo, uma conversa sobre cabelos, cortes de cabelo, cores de cabelo, sobre o
cabelo da Vampira e “como estão Gambit e Vampira?”, estão mais ou menos
pelo o que ele sabe, mais uma reclamação sobre Emma Frost e Bobby chega
finalmente!
Jubileu: Você
tá meio alto, hein picolé?!
Bobby: Estou
alegre só, não bebi muito. Agora nós temos que ir para o hotel, já que amanhã
eu quero surfar e vocês querem ver a casa do mickey!
Jubileu:
Conseguiu ficar com alguém?
Bobby: Uma
venezuelana maravilhosa! Tenho que viajar mais por esse mundo! Sam, a gente tá
dando muito mole!
Sam: Não
posso entrar nesses lugares mesmo!
Bobby: Mas é
por isso que a gente tá dando mole! Em qualquer outro lugar do mundo vocês
dois entrariam numa boate! Num bar, num show qualquer! Pô, coitado de vocês! Só
resta pra vocês as festas nas casas dos colegas, os shopping centers e as
lanchonetes!
Na
mansão, as férias daqueles que resolveram ficar não foram tão fáceis quanto
as dos outros que resolveram viajar! Professor aproveitou para re testar as
habilidades de
Noturno, que preferiu ficar na mansão. Fez duas duplas, Fera e
Noturno; Bishop e Tempestade. Coitados, eles não deveriam ter ficado... Tinham
que lutar dupla contra dupla. Foi empate em todas as tentativas. Tempestade
danificou alguns aparelhos da Sala de Perigo com suas descargas elétricas,
molhou todos os 4 com sua chuvas e ventos fortes dentro daquela sala de projeções
holográficas! Ao mesmo tempo também levou uma rabada do Noturno que arranhou
sua mão e um chute do Fera que a fez se bater contra a parede. Os dois pediram
desculpas... Noturno, por sinal, pediu desculpas o resto do dia inteiro,
Tempestade chegava a rir com a preocupação dele, um coração de ouro! Fera
também ficou chamuscado com um tiro de uma das armas de Bishop, levou um choque
de tremer as pernas dado por Tempestade. Noturno tentou por várias vezes se
teletransportar e quando reaparecia em um determinado ponto da sala de perigo
voava longe contra as paredes por causa das rajadas de vento de Tempestade, que
o pegavam desprevenido. Todos eles ficaram meio quebrados e exaustos... Depois
do treino, foram comer um pouco na sala de estar junto ao professor... a casa
estava tão mais calma!
Fera: Ororo, o
que me diz de descontarmos todo esse treino pesado numa fisioterapia bem puxada
para o professor?
Xavier
ri.
Professor: Eu
controle mentes, Hank. É só eu ver que vocês estão sendo rigorosos demais,
que eu faço com que vocês parem!
Tempestade
também ri.
Tempestade:
Será que ele já fez isso alguma vez e nós nem sabemos, Fera?
Fera: Provável...
Noturno: Mas
pelo o que eu tenho visto, Her Xavier é bem rigoroso consigo mesmo em seus
treinamentos!
Professor: Meus filhos, é bom que eu seja mesmo. Desculpe pelo treino de hoje tão rigoroso, mas quando os outros voltarem também farão o mesmo... Eu quero vocês bem treinados, estou pressentindo problemas sérios!
Corpos
unidos que não se soltam por nada. Vampira repousa o rosto sobre o peito dele.
Os dois estão suados e cansados, com sorrisinhos nos rostos. Mas já choraram
um pouco, era de felicidade, mas choraram. Agora estão só colados. 
Gambit: J'ai
attendu si long ce moment.
Vampira: Que
foi?
Gambit: Eu
esperei tanto por esse momento.
Vampira
sorri. Agora ela entendeu o que ele disse.
Gambit: Vous
ne savez pas comme vous m'avez fait heureux aujourd'hui. C'est comme paradis. {Você
não sabe o quanto me fez feliz hoje. É como o paraíso.}
Ela
não entende nada, mas sabe que deve ser coisa boa. A mão dele ainda passeia
pelo corpo dela. Vampira solta-se dele para se espreguiçar enquanto boceja... já
era tarde. Ainda com os braços levantados, mal terminado o movimento, ela
agarra Gambit com força fazendo um barulhinho gostoso.
Vampira:
Queria ficar com você assim juntinha o noite toda.
Gambit: Chere,
você pode ficar.
Vampira: Não,
eu vou tirar essa pulseira agora e você vai para sua cama.
Gambit: Eu não
durmo. Fico de vigília. Você não precisa tirar, pode dormir no meu colo que
eu fico de vigília.
Vampira: Não,
gato... Pra sua cama, vai...
Gambit
vai contrariado para a cama dele. Vampira fecha os olhos com um sorriso de uma
orelha a outra, já sem a pulseira, que ela fez questão de guardar em baixo do
próprio travesseiro. Ela já deveria estar quase dormindo, mas volta e meia
abria os olhinhos cansados e mandava um beijo pra ele... E ele não dormia,
ficava só sentado na cama olhando pra ela. Depois levantou e foi para a
varandinha olhar o mar negro e prata, salpicado de estrelas. Existia uma enorme
estrela que não piscava, era Vênus! Era Vampira... Não é propriamente uma
estrela como todas as outras, mas é a mais bonita. Ele não consegue ficar só
olhando pra ela. Ajoelha-se ao lado da cama e com a mão por cima do lençol ele
a chama.
Vampira: Ah?
Hein? Que foi?
Gambit
sente peninha de ter acordado ela, a pobrezinha estava com uma cara de quem
sonhava...
Gambit: S'il
vous plaît, chere. S'il vous plaît, coloca a pulseira de novo e deixa eu ficar
do seu lado?
Vampira
sorri e boceja ao mesmo tempo, pegando a dita cuja debaixo do travesseiro e
colocando no braço. Ainda fala sonolenta: “só por um tempinho, Remy...
Depois você vai dormir, tá amor?” Debaixo dos lençóis, Gambit a coloca no
seu colo. Com a cabeça na barriga dele, Vampira fica semi dormindo, semi
preocupada em dormir com aquilo.
Gambit: Chere?
Vampira: Hummm?
Gambit: Será
que você podia dizer aqui a seu marido qual é o seu verdadeiro nome, amour?
Vampira: Hummm,
Mary Ann.
Gambit
sorri e não acredita que ela disse isso! Seria Mary Ann mesmo?
Gambit: Então
aquele Clarisse Lebeau passou longe, não foi?
Vampira: Muito
longe...
Gambit: Mary
Ann... Marianne...
E
ele repete o nome Marianne de um jeito bem afrancesado com vários “r”. Marrrrrrianne.
Vampira sonolenta diz não, é Mary – Ann mesmo. E num último bocejo que a faz dormir de vez, ela diz que odeia Mary Ann... Gambit sai da cama dela, e a ajeita no travesseiro e sua coberta. Dá um beijo no rosto dela, tem vontade de apertá-la, mas acordaria a pobrezinha. Ele coloca a luva e tira com jeito a pulseira do braço dela e guarda em baixo do travesseiro. Não podia mais tocá-la, só poderia olhar. E foi o que ele fez, deitou em sua cama e ficou de lá olhando-a dormir até ele mesmo adormecer.
A Disneylandia foi o maior barato. Jubileu andou na Space Mountain mais de duas vezes. Comeu todas aquelas comidas de gosto horrível e caríssimas só porque tem a cara do mickey. O clima estava frio e ventando, meio nublado. Isso era bom pra Bobby na praia, que devia estar pegando todas as grandes ondas! E pra Jubileu e Bobby o clima era o de menos, estavam se divertindo! Foi na casa assombrada 3 vezes, pegando fila em todas elas. Ela fez Sam tirar fotos com ela e as princesas, ele só pensava no que Seu Logan iria dizer dele quando visse aquelas fotos. Andaram naquele monotrail do parque, foram no barquinho juntinhos do It´s a Small World! Andaram na corrida maluca do Roger Rabit. Foram na casa do mickey e da Minnie. Mas Sam gostou mais da noite, quando pôde ver os shows de luz e efeitos especiais num lago com o mickey, aquilo era bonito. Além de terem visto a queima de fogos, o que particularmente Jubileu amava! Depois foram para as lojas que ainda estavam abertas e Jubileu fez uma limpa, um mickey gigante, uma blusa com a sininho, uma caneca com a pequena sereia que tinha gravada o nome Jubileu! Uma caixinha de música da bela adormecida! Eram as férias dos sonhos dela: Hollywood, Rodeo Drive em Beverly Hills, ver as parias meio feias de santa Monica, andar de patins em Venece Beach e ir a Disneylandia. E agora, o Havaí a esperava! Pra Sam aquilo tudo não era grandes coisas, mas estava gostando de conhecer lugares novos.
Na
manhã seguinte Vampira pega a pulseira e guarda na bolsa. Bem debaixo de tudo,
da
toalha, do protetor solar, da máquina de tirar fotos... Ela sabia que aquilo
não era segurança nenhuma, mas era melhor do que ficar no quarto do hotel. Na
verdade, a simples existência daquela pulseira a perturbava. Ela toma café com
Gambit na sacadinha, olhando o mar calmo, o saveiro mais uma vez chegando para
ancorar na praia do hotel e buscá-los para outro passeio, vê Jean e Scott
correndo na praia do hotel, vê uma mãe com um bebe sentada no deck, colocando
os pés do bebezinho na água do mar. O pai estava dentro da água, apoiado no
deck como se fosse a borda de uma piscina. O sol estava forte, mais um dia
lindo! Os dois se preparam para sair do quarto e irem para o saveiro.
Vampira:
Gambit, nós vamos ter que passar na recepção e explicar o que houve com o
banheiro. Teremos que pagar tudo e pedir para mudar de quarto. Afinal, não
temos mais espelho, nem box, nem shampoos, nem condicionador... nada!
Gambit: Tudo
bem... Está com a pulseira?
Vampira: Tá
na bolsa.
Gambit: Não
vai colocar?
Vampira: Não!
Tá maluco?!! Não uso isso por aí, é perigoso. Só estou levando comigo
porque é melhor do que deixar largado no quarto.
Gambit
faz uma cara de quem não vai suportar vê-la de bikini e não poder chegar nem
perto. O dia inteiro, até a noite! Ela entende aquela carinha.
Vampira:
Vamos, Remy! O saveiro vai sair sem a gente se demorarmos muito. Eu sei que é
tentador que fiquemos juntos nessas águas maravilhosas, verdes, calmas... mas
é melhor não arriscarmos.
Gambit: E
ficar abraçado com você no saveiro, e te dar um beijo quando comermos uma
casquinha de siri na Ilha Grande, e passar a mão na sua cintura quando virmos o
pôr do sol de volta para o Hotel, e te agarrar na água na hora dos
mergulhos...
Vampira: Eu
sei, Remy. Mas foi sempre assim antes... Tente agüentar, eu estou tentando. É só
até a noite... eu prometo...
Gambit: E
mesmo assim não vai dormir a meu lado...
Vampira revira os olhos e o puxa pela camisa corredor do hotel abaixo. Dizendo “Vamos, vamos logo! Jean e Scott devem estar esperando!”