Prosa
Batalha - Claudia Galhós - Junho/Julho 2003
Ele chamava-se Artur. ela pensou que podia ser o rei encantado dos contos de fada e heróis de tempos idos.
Ele
achava-se bonito.
Ela achava que ele era bonito.
Ele não era nada de especial.
Ele olhava-a nos olhos e sentia que a dominava, que a tinha hopnotizada e que a poderia conduzir orientado pela sua líbido masculina naquele instante exarcebada.
Ela olhava-o nos olhos, sentia-se afundar naquele contacto visual e imaginava que poderia morrer a qualquer instante.
Ele beijava-a nos lábios e sentia o corpo a excitar-se e a perder o controlo nos prazeres que ia saboreando.
Ela era beijada nos lábios e descobria nele a delicadeza e a ternura, descobria ainda que os seus gestos de carícia a faziam sentir-se o mais especial de todos os seres.
Ele tocava-lhe o rosto para pressinar os dedos na pele dela e provocar a aproximação forçada dos dois corpos.
Ela sentia-se envolvida num abraço, sentia-se envolvida nuns braços que a protegiam e a amavam sem fim nem condição.
Ele descobria novos contornos no corpo dela. Tocava-lhe no peito. Seduzia-a pelos caminhos do prazer. Em descontroo. Dominado por um desejo puro de carne. Levava uma mão à cintura dela enquanto a outra deslizava até às nádegas, pressionava, sentindo a rigidez daquela área carnuda nas traseiras superiores das coxas.
Ela deixava-se conduzir para a descoberta de uma volúpia em que dois corpos se encontravam em comunhão e partilham o amor. Um momento de entrega pura, de almas unidas, de total dedicação.
Luxúria.
Ternura.
Lascívia.
Carícia.
Encontro dos corpos no júbilo da carne e dos sentidos, no deleite da sugestão do interesse mútuo na jovialidade de um êxtase alcançado em comunhão física e espiritual.
Sexo.
Amor.
Ele esquece-se do pensamento e fica apenas o sentido de a sentir a ela.
Ela.
O último desejo: não avançar mais.
A quebra.
A violência.
A violação.
Claudia Galhós
(excerto de Conto de Verão)