MICROBIOLOGIA - ANTRAX


 

Sumário:

Origem do nome Antrax

O que é o Antrax ?

Como é transmitido o Antrax ?

Quais são os sintomas ?

Existe tratamento?

Existem vacinas contra o Antrax ?

É possível um atentado generalizado com o Antrax ?

Como agir com uma correspondência suspeita (com pó branco) ? 

 


Origem do nome Antrax

Antrax é um termo muito antigo no Português; até o século XIX era usado para designar não a doença, como hoje, mas várias espécies de abscessos e furúnculos de aparência maligna, cujas causas (as mais diversas, como hoje sabemos) a Medicina da época ignorava completamente.  

O termo vem do Grego anthrax, com o significado de "carvão" - pressuponha-se "em brasa" - e servia para designar, ao mesmo tempo, as pústulas avermelhadas sobre a pele e um dos mais belos tipos de rubi, de inigualável coloração sanguínea.

O antrax, furúnculo e pedra preciosa, é um daqueles exemplos em que o horrível anda ao lado do sublime.

"Tumor vermelho, duro, redondo, pontiagudo, com dor viva e calor ardente, e uma pústula no meio, ou mais, que se convertem numa crosta negra ou cinzenta ... Pedra preciosa; [dizem] que luzia de noite às escuras como brasa acesa; é rubi grande, de muito fogo e fundo".

 

O que é o antrax ?


O antraz é uma doença causada por uma bactéria há muito conhecida pelos médicos, mas o seu estudo está mais ligado à medicina veterinária, já que a sua incidência está ligada a animais ruminantes herbívoros que pastam em áreas com solo contaminado com os esporos do antraz (Bacillus anthracis). O homem pode adquirir a doença na sua forma natural através do contacto com animais infectados ou com as suas carcaças.

Historiadores acreditam que uma das pragas que atingiu o Egipto, descrita no Velho Testamento, tenha sido o antraz. O nome da doença vem do grego, anthrax, que quer dizer carvão e faz referência à mancha negra formada na pele na versão cutânea da doença (ver definição da palavra). O antraz é um problema endémico em regiões da Ásia, África e América Latina.

 

Como é transmitido o antrax ?


A contaminação do homem pode acontecer por três formas: pela pele, principalmente através de ferimentos que entram em contacto com objectos contaminados (forma cutânea); pela ingestão de alimentos contaminados (via digestiva) ou inalação da bactéria (via respiratória).

Quais são os sintomas ?

·  Antrax cutâneo: a doença começa com uma lesão preta na pele, uma espécie de furúnculo. Esta versão do antraz tem risco muito pequeno de levar à morte.

·  Antrax digestivo: causa diarreias, inflamações, perda de apetite, vómitos, febre e náuseas. Também é pouco letal se tratado a tempo.

·  Antrax respiratório: é o que mais preocupa os médicos. Atinge pessoas que inalam a bactéria e, inicialmente, parece uma gripe comum, com mal-estar e febre. Pode evoluir para uma infecção respiratória aguda e dificilmente é reversível após atingir um estágio avançado.


Existe tratamento ?


O tratamento pode ser feito a base de penicilina e de antibióticos que tenham o princípio activo
ciprofloxacina. Os medicamentos são facilmente encontrados no mercado português. Mesmo que o tratamento básico seja com antibióticos, há um tipo de tratamento para cada uma das formas da doença, por isso não se recomenda a automedicação. A ingestão indiscriminada de medicamentos pode transformar o bacilo (Bacillus anthracis) num organismo multi-resistente aos antibióticos, além de provocar problemas relacionados com outras bactérias.

 

Existem vacinas contra o antrax ?


A vacina que existe actualmente é usada apenas pelo exército norte-americano, já que existem muitos efeitos colaterais e a aplicação é feita em várias doses durante 18 meses. A Organização Mundial de Saúde não recomenda a vacinação em massa.

 

 

 

É possível um atentado generalizado com o antrax ?


De acordo com especialistas um atentado em massa usando a bactéria é muito pouco provável, já que, mesmo sendo fácil encontrá-la na natureza, o antraz teria que ser manipulado em laboratório para ser mais patogénico e mais resistente aos antibióticos.

O mais difícil seria sobretudo dar-lhe um vector capaz de o difundir eficazmente. Isto quer dizer que seria preciso controlar o tamanho dos esporos. Se estes forem muito grandes, as protecções naturais do organismo, como os pelos do nariz e os filamentos dos brônquios, se encarregariam de detê-los. Se muito pequenos, poderiam entrar e sair dos pulmões com a mesma facilidade. Além disso, a forma de espalhar os bacilos também teria que ser muito bem pensada. Seria preciso encontrar uma espécie de aerossol para pulverizar o veneno à altura do ser humano, porque se for espalhado a grande altitude os esporos não têm possibilidade de atingir o seu objectivo.

Somando-se a tudo isto não podemos esquecer que o trabalho de manipulação da bactéria é perigoso e exige experiência biológica e um bom equipamento de protecção.

Como agir com uma correspondência suspeita

(com pó branco) ?

Em primeiro lugar é preciso ter a noção de que é muito difícil propagar substâncias biológicas através do correio, mas no caso de receber um pacote ou carta suspeitos, deve prestar atenção aos seguintes conselhos:

Que devo fazer se recebo uma carta ou pacote suspeito?
1 - Manuseá-lo cuidadosamente. Não o agite !
2 - Isolá-lo dentro de um mais sacos plásticos
3 - No caso de considerá-lo suspeito, chamar a polícia (
marcar o 112)

Características de um pacote suspeito
Sem remetente
Marcas restritivas (exemplo: entregar somente a...)
Possivelmente enviado de outro país
Muitos selos
Palavras mal escritas
Dirigido a uma só pessoa
Má qualidade na escrita ou impressão
Pacote rígido ou grande
Assimétrico ou desigual
Odor estranho
Nome do destinatário errado
Manchas de óleo, descolorações e pó em volta do envelope


No caso de uma bomba
Evacuar o local imediatamente
Chamar a polícia (
marcar 112)

No caso de uma suspeita de bomba
Limitar a exposição, não tocar no pacote
Evacuar a área
Proteger-se do objecto com algum objecto que possa servir de escudo
Chamar a polícia  (
marcar 112)

Para uma ameaça bacteriológica ou química
Afastar-se do pacote, não tocá-lo
Chamar a polícia (
marcar o 112)
Lavar as mãos com água fria e sabão


© Leonel Pereira

Texto baseado no Conjunto de Diapositivos Microbiologia - As Novas Ameaças do Séc. XXI

Uma Edição da

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