APRESENTAÇÃO
O atual período histórico, vigente desde meados do século XX, é marcado por um processo acelerado de globalização da produção e do consumo. Desde então, não é mais possível pensar a atividade agropecuária brasileira fora deste contexto.
Em toda a América Latina, o Brasil é um dos países que mais reestruturou sua agropecuária baseado nos novos paradigmas da revolução tecnológica. A partir da difusão de novos 'sistemas de objetos' e de novos 'sistemas de ação', a modernização da agricultura brasileira se realizou balizada na racionalidade do atual sistema temporal, tendo seu funcionamento regulado pelas relações de produção e consumo globalizadas.
Mas a modernização da agropecuária brasileira foi espacialmente concentrada e socialmente seletiva. A Região Nordeste, mesmo realizando uma atividade agropecuária comercial desde o período colonial, permaneceu sem transformações fundamentais no conjunto de sua agropecuária, até meados da década de 1980. Somente a partir daí, algumas de suas áreas passam a também realizar uma produção agropecuária calcada em moldes científico-técnicos. A velocidade das metamorfoses desencadeadas desde então é grande e, embora não se encontre acabada, os reflexos já se mostram em todos os aspectos da economia, da política, da cultura, da organização social e territorial da Região. Compreender as formas de concretização destas transformações é fundamental para pensar nas possibilidades de gestão do espaço geográfico regional.
Denise Elias, Coordenadora do LEA.
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